Entrevista | Bruno Graveto – “O Chorão me deu carta branca para gravar as baterias”

Bruno Graveto foi peça-chave na fase final do Charlie Brown Jr., período marcado por intensa produção criativa, grandes turnês e reconhecimento internacional. Baterista experiente, ele esteve diretamente envolvido nos últimos trabalhos de estúdio da banda, incluindo o álbum Camisa 10, vencedor do Grammy Latino, além de, claro, dividir o palco com Chorão em alguns dos shows mais emblemáticos da trajetória do grupo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Graveto relembra como foi o processo de criação ao lado de Chorão, fala sobre a liberdade criativa que recebeu dentro da banda, recorda apresentações históricas do Charlie Brown Jr. e destaca shows marcantes de outros projetos que fizeram parte de sua carreira, como a passagem pelo Capital Inicial. Graveto, você foi responsável pelos últimos trabalhos do Charlie Brown Jr. e sempre existe a curiosidade sobre como era esse processo. Como foi entrar em estúdio para gravar as baterias e como era o nível de exigência do Chorão nesse trabalho todo? Primeiro, prazer estar aqui trocando essa ideia com você. Na verdade, ele me facilitou muito. Quando eu entrei na banda, foi no meio de uma turnê, e a gente começou a criar o que viria a ser o Camisa 10. Inclusive, a gente ganhou o Grammy com esse álbum. Nesse projeto, no momento da composição, ele chegou pra mim e falou: “Cara, você está aqui por merecimento. É carta branca. Você bota a sua cara no som. Se a gente achar que é muito, a gente olha. Se achar que é pouco, a gente troca ideia. Mas a gente precisa de você trabalhando”. Isso te tranquilizou de certa forma né? Isso me deu muito gás, porque não era aquela coisa de seguir uma cartilha. Acho que isso me travaria mais. Esse lance de “segue isso aqui, é assim que tem que ser” não rolou. Ele falou: “É carta branca, faz, a gente ouve e vê como fica”. Isso fez fluir muito melhor. Talvez eu ficasse mais receoso se ele tivesse imposto um caminho fechado. No fim das contas, essa liberdade me ajudou demais. Graveto, quando você pensa nas turnês do Charlie Brown Jr., qual é o show inesquecível que vem primeiro à cabeça? Teve um muito especial em Campo Grande, no Mato Grosso. Foi um show aberto ao público, só nosso, gratuito. A gente vinha de outro show, tocou, e depois apareceram a Polícia Militar, o pessoal da organização, da prefeitura, e falaram que o recorde da cidade era do Jota Quest, com 92 mil pessoas. Disseram que a gente tinha colocado 100 mil. Aquilo ficou muito marcado pra nós. A gente só ficou sabendo depois do show. Claro que dava pra ver um mar de gente, mas você nunca sabe os números, como a cidade funciona. Quando contaram tudo isso, e falaram que o Jota Quest, que é uma banda gigante, tinha levado 92 mil e a gente 100 mil, aquilo ficou gravado na nossa história. Para encerrar, fora do Charlie Brown Jr., você participou de várias bandas e projetos. Tirando o Charlie Brown, qual foi o show do coração, pode ser com Strike, Surto, Cali ou qualquer outro projeto? Você citou Strike, Cali, Surto, projetos que eu toquei, e poderia ser qualquer um deles. Mas teve algo muito especial que nem todo mundo sabe. Eu toquei com o Capital Inicial em 2014, fiz três shows com eles. Foi um final de semana muito mágico pra mim. Teve muita correria, muita responsabilidade, mas eu consegui segurar a onda e fazer bons shows. Esse registro ficou muito forte na minha cabeça. Tem vídeo no YouTube, tem em vários lugares. Eu coloco esses shows como algo muito especial. Foi intenso, deu tudo certo e foi uma experiência irada. Obrigado, meu irmão. Foi demais. Foto: Murilo @murilosts777
Banda santista Caiçara Clã lança álbum de estreia; ouça!

A banda santista Caiçara Clã, formada por Mazzi (guitarra e voz), Bruno Graveto (bateria), Serjones “BIG” (baixo) e DJ Julius (scratch/samples), lançou na sexta-feira (28), o homônimo álbum, o primeiro da carreira. Com produção musical de Felipe Vassão, Bruno Graveto e Mazzi, o trabalho traz oito faixas inéditas. Em resumo são The Intro; Revendo Conceitos, Fazendo Histórias; Entre Filosofias e Escritas; A Brisa, a Onda e o Tempo; Despressurize, Os Verdadeiros se Atraem; Arte Inacabada e Um bom Lugar. Aliás, as letras trazem conteúdos de fácil identificação, com uma linguagem simples e verdadeira, além de um instrumental intenso que varia do hardcore melódico ao alternativo e algumas texturas eletrônicas e samples. “Inicialmente, mostrei alguns rascunhos para o Graveto. Já tinha alguns trechos escritos e os outros fomos compondo no decorrer das gravações e, por isso, foi bem espontâneo e natural. As músicas para o disco foram escolhidas conforme o momento vivido, trazendo questões atuais e reflexões pessoais”, diz Mazzi, vocalista e guitarrista. Ex-baterista do Charlie Brown Jr e The Bombers, Bruno Graveto conta que este é o primeiro trabalho dessa união de músicos. “Mazzi é um músico conhecido da cena musical da Baixada Santista e São Paulo e este é o primeiro trabalho autoral dele. Tocamos juntos tempos atrás e esse lado dele compositor ainda não conhecia. Fizemos uma reunião em casa, ele mostrou as músicas e achei muito interessante. Além da nossa amizade, parceria e confiança que temos um no outro, gostei muito da ideia dele e optei por produzir e gravar as bateras, o que veio a se tornar o primeiro disco do Caiçara Clã”, declara o baterista e produtor. Vertentes distintas Para DJ Julius, participar do projeto foi gratificante. Em suma, foi uma mudança de praia para o artista. “Sou do hip hop e foi algo novo participar de um projeto de rock. Aposto que quem ouvir vai gostar também e será algo novo na cidade”, comenta. Enquanto o contrabaixista Serjones “BIG” conta que já era fã do trabalho dos outros músicos e que para ele é uma honra fazer parte da banda. “Sempre tive vontade de fazer algo autoral e nesse projeto tive a oportunidade de reviver um sonho muito antigo. Estou contente com o resultado final, que superou as nossas expectativas. É o bom e velho rock ‘n’ roll com toque caiçara”, complementa.
Com ex-integrantes do Tihuana e Charlie Brown Jr, Cali lança primeiro single
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