Entrevista | DZ Rock – “Nossas letras conseguem trazer um tom desse lance caiçara que o grunge não explora”

Eu já tinha finalizado a entrevista e fechado o meu caderno, quando comentei com Roger DZ e Gabriel Panza (vocalista e baterista da DZ ROCK, respectivamente) que o segundo álbum da banda de grunge caiçara, “A Vida é um Rolê dos Bons” me lembrava o som do Charlie Brown Jr. Foi instantâneo: Panza riu olhando para Roger, que fazia uma espécie de negação com a cabeça, brincando. “É que a gente não gosta muito de ser comparado ao Charlie Brown Junior, a gente tenta não ir por esse caminho”, disse Roger. Mas, se você é caiçara – ou apenas um(a) grande admirador(a) de Charlie Brown Jr -, calma! Os veteranos são uma das maiores inspirações para a DZ Rock (leia até o final do texto, e você vai ver). Afinal, é possível admirar e querer seguir uma outra direção, não é mesmo? Com dois álbuns lançados, shows que agitam a cena noturna de Santos e região e projetos solos que estão a caminho, confira abaixo a entrevista de Roger DZ e Gabriel Panza para o Blog n’Roll. Voilà: Grunge Caiçara A DZ Rock é formada por Roger DZ (vocal), Júlio Peruca (guitarra), Julio Navajas (guitarra), Wagner Miyashiro (baixo) e Gabriel Panza (baterista e produtor). Autodenominada grunge caiçara, a banda nasceu em 2020, em plena pandemia. Segundo Panza, o logo apresenta um símbolo de radioatividade porque surgiu naquele período, portanto, “todas as pessoas eram radioativas demais pra estarem perto uma da outra”. Por muito tempo, Roger deixou na gaveta (literalmente) letras que nunca saíram dali. Porém, estava na hora delas serem materializadas em músicas e apresentadas ao mundo. E foi logo depois de sua união com Gabriel Panza que tudo começou. Além de baterista, Panza também é proprietário do Estúdio Wave, que atualmente fica localizado no Gonzaga, coração de Santos. Em seguida, os outros integrantes chegaram para formar a DZ Rock e, em 2022, o primeiro álbum independente da DZ era lançado: “Não Confie em Tudo Mas Não Duvide de Nada”. “Eu acho o primeiro álbum muito mais grunge do que o segundo. A Música ‘Quem Errou’ é introspectiva, fala de alguém que passou na sua vida, pisou na bola e é bom reconhecer o erro. Ali é o grunge do grunge, bebido na fonte. Do primeiro álbum, essa é a música que eu mais gosto”, comenta Roger. E Panza complementa: “Nossas letras conseguem trazer um tom desse lance do caiçara que o grunge não explora”. A Vida é um Rolê dos Bons Lançado em novembro de 2025, A Vida é um Rolê dos Bons tem 11 faixas autorais e músicas mais enérgicas, como “Feinho Nota 10” e “Grunge Caiçara”. “Além do grunge, a gente tem muita coisa do hardcore, do new metal, que sempre foram fontes que a gente bebia, mas não conseguia trazer pro nosso som. Então nesse segundo álbum, a gente se sentiu um pouco mais livre pra trazer essas canções que são mais enérgicas e têm até um pouco de humor em alguns casos. Então conseguimos trazer essa nova ‘cara’ pra banda”, explica Panza. Das 11 músicas, duas contam com participações; “Coletividade é a Evolução”, juntamente com a SKASU, e “Suor e o Dom” com a Dinossaurus. E para futuros projetos, podemos esperar por muitas collabs com bandas caiçaras: “Eu pago pau pra galera da região, não tem jeito. Adoraria gravar com o Fildzz [Aliados], BaySide Kings e até artistas de outras vertentes que eu admiro, como o Diego Alencikas [forró e MPB]”, diz Roger. DZ Rock em festivais? A DZ Rock agita a noite santista e já se apresentou em diversas casas de show. Além disso, a banda também já se apresentou na capital de São Paulo, abrindo shows para bandas como CPM 22. Quando questionados se sentem vontade de tocar em festivais, Panza diz que adoraria estar no line-up de eventos como Lollapalozza, Rock in Rio e João Rock; “A gente sabe montar um show pra festival”. Por outro lado, Roger não descarta a possibilidade da criação de um festival com bandas autorais e independentes da região. Inclusive, ele é o fundador do Rolê das Tribos, evento que fomenta a cena caiçara com apresentações de bandas e artistas regionais. E a próxima edição já está chegando: acontecerá na sexta-feira (01), feriado. Projetos solos O álbum acústico Paz de Espírito será o primeiro projeto solo de Roger e está na reta final de produção. Com 8 faixas ao todo, a obra mesclará rock, reggae e samba. De antemão, ele adianta: “não tem nada a ver com a DZ Rock”. Antes de tudo, diferente do que costuma ser feito, o artista não lançará single por single. Assim, o álbum será lançado de uma só vez e chega às plataformas digitais no dia 05 de junho. E não é só o vocal da DZ que tem um projeto paralelo! Gabriel Panza está a frente do Água e Sal junto com a sua irmã, Isabela Panza. Os irmãos tocam o projeto com cuidado, propósito e não cedem à pressa do mercado para produzir suas canções: “Temos de 3 a 4 músicas para serem lançadas em 2026 e existe todo um contexto audiovisual, com significado”, conta Panza. Entre as músicas, estão Amor de Irmãos, em colaboração com o cantor Gabriel Elias, e uma nova versão da música Desacelera – dessa vez mais zen, com instrumentos de meditação. 1 álbum pelo resto da vida Finalmente, vamos as referências da dupla entrevistada. Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Puddle of Mudd, Tad e Gruntruck entram nessa lista. E claro: muita veia de música caiçara! “Se vocês pudessem escolher apenas um álbum para ouvir pelo resto da vida, qual seria?”, perguntei. Roger respondeu Audioslave (2002), álbum homônimo de estreia da banda, e Preço Curto, Prazo Longo (1999) do Charlie Brown Jr. E Charlie Brown Jr. também foi a escolha nacional de Panza, com o álbum Transpiração Continua Prolongada (1997). Já para álbum internacional, o baterista e produtor musical respondeu Dookie (1994), da banda Green Day. Por fim, a DZ Rock se apresenta na próxima