Cavalera faz show potente com foco no clássico Chaos A.D.

Com o Sepultura se despedindo dos palcos, assistir Max e Iggor relembrando os clássicos da banda passa a ser um programa obrigatório para os fãs. E mais do que isso, levanta a dúvida: poderemos ver os irmãos Cavalera novamente na banda um dia? Na noite de quinta-feira (13), no Espaço Unimed, em São Paulo, Cavalera teve 45 minutos para entregar o seu melhor na abertura do show do Massive Attack, e conseguiu da melhor forma: foco quase exclusivo no clássico álbum Chaos A.D., de 1993. Foram nove das 12 faixas do álbum no repertório. Fundamental na discografia do Sepultura, Chaos A.D. marcou a transição do thrash/death metal para um som mais groove metal, incorporando influências de hardcore punk, industrial e até música brasileira. Além disso, foi o responsável por catapultar ainda mais a carreira dos mineiros no cenário internacional. Voltando ao show no Espaço Unimed, Max e Iggor aparentam estar muito saudáveis, centrados e entregaram uma apresentação de alto nível, junto com o filho de Max, Igor, que ocupa o baixo na banda. Durante todo o show, Max pediu insistentemente para o público pogar na frente do palco, mas não foi atendido da forma como esperava. Boa parte da plateia era 40 ou 50+ e estava mais na expectativa pelo Massive Attack. Nada disso, porém, tirou o brilho do show. Refuse/Resist e Territory, por exemplo, foram cantadas com muito apoio do público. Na reta final, quando já havia recebido o sinal para concluir a apresentação, Max combinou com Iggor e entregou Roots Bloody Roots para encerrar. Setlist Refuse/Resist Slave New World Nomad Amen We Who Are Not as Others Biotech Is Godzilla Propaganda Itsári (Iggor) Manifest Territory Roots Bloody Roots
Massive Attack e Cavalera farão show no Espaço Unimed, em São Paulo

O Massive Attack será a atração principal de um show exclusivo no dia 13 de novembro – em colaboração com os artistas brasileiros Cavalera (co-fundadores do Sepultura, Max e Iggor Cavalera) – com o intuito de apoiar e dar visibilidade aos esforços dos povos indígenas do Brasil e do G9 da Amazônia (organizações indígenas de nove países amazônicos) em alcançar justiça climática, reconhecimento e proteção imediatos das terras indígenas no país. Realizado pela 30e,o espetáculo é chamado de A Resposta Somos Nós e acontece em São Paulo, no Espaço Unimed, com ingressos disponíveis a partir desta terça-feira (16), ao meio-dia, no site da Eventim. Este show singularmente diverso será executado enquanto líderes mundiais, corporações globais e o movimento climático em geral chegam ao Brasil para a cúpula da COP 30, sediada na região amazônica de Belém. Enquanto outros eventos culturais serão promovidos por marcas transnacionais e ONGs ocidentais, o Massive Attack e o Cavalera projetaram este evento em São Paulo com intervenções em coordenação direta com grupos indígenas, em apoio às demandas urgentes dessa comunidade. Representantes desses povos estarão presentes no show e as duas bandas ainda promoverão esforços no Brasil para apoiar demandas do movimento indígena da Amazônia, acomodadas e engajadas no mais alto nível político. Mais anúncios sobre essa atuação serão feitos em breve. “É uma honra para nós colaborar com Iggor e Max em apoio à extraordinária integridade e ao papel vital dos povos indígenas do Brasil e de toda a região amazônica. Isso é mais do que uma simples troca de palavras. É uma oportunidade de ouvir o conhecimento, a autoridade moral e a sabedoria das alianças indígenas e ajudar a garantir que sejam ouvidas nas salas de negociação da COP30. Nunca precisamos tanto da presença deles nesse espaço político distorcido quanto agora”, comenta Robert Del Naja (3D), que forma o Massive Attack ao lado de Grant “Daddy G”. “Nós, povos indígenas, subiremos ao palco como quem acende um fogo antigo no coração da noite. Ao lado de Massive Attack e Cavalera, transformaremos o som em levante. Nossas vozes – vivas, ancestrais, indomáveis – vão rasgar o ar, atravessar fronteiras e unir povos, da Amazônia ao Pacífico. Somos raíz que resiste, futuro que insiste. Nunca deixamos de estar aqui. Viemos lembrar que a Terra tem memória. E, por nós, ela pede: o desmonte da máquina que a devora. A resposta já está entre nós – ela brota do chão que pisamos coletivamente. A Resposta Somos Nós. Todos nós. Avançaremos”, comentam os movimentos COIAB, APIB & G9. “Em tempos de polarização tão presente, quando as pessoas se sentem divididas e distraídas, temos a honra de unir forças com o Massive Attack e os Povos Indígenas do Brasil e da Amazônia para tecer uma narrativa de positividade e mudança. Estamos muito animados para trabalhar ao lado de uma banda como o Massive Attack e somos fãs há muitos anos. Cultivamos uma relação próxima com os povos indígenas e trabalhamos ao lado deles há muitos anos. É um privilégio dividir o palco com ambos”, declaram Max e Iggor Cavalera. A apresentação do Massive Attack em São Paulo é parte de ÍNDIGO, ecossistema de curadoria musical da 30e, que tem como objetivo (re)unir comunidades a partir de uma label curatorial com foco em sons indie, do underground ao mainstream.