Kneecap anuncia álbum-resposta a quem tentou silenciá-los e promete som “sinistro”

Se tentaram calar o trio de rap irlandês Kneecap, o tiro saiu pela culatra. Nesta quarta-feira (28), a banda anunciou seu novo álbum de estúdio, intitulado FENIAN, descrevendo-o como uma “resposta ponderada àqueles que tentaram nos silenciar”. O disco, sucessor do aclamado Fine Art (2024), tem lançamento marcado para 24 de abril via Heavenly Recordings. “Os Paddies estão de volta” A motivação para o novo trabalho veio diretamente do conflito. Nos últimos anos, a banda enfrentou cancelamentos de shows e foi alvo de críticas pesadas, chegando a ser rotulada de “terrorista” e citada negativamente até pelo primeiro-ministro britânico devido às suas letras pró-Irlanda e uso da língua gaélica. Em comunicado oficial, a banda disparou… “Eles tentaram nos parar nos rotulando de ‘terroristas’, com cancelamentos, com declarações do próprio primeiro-ministro. Tivemos toda a motivação que precisávamos… esta não é uma reação rápida, mas uma resposta ponderada àqueles que tentaram nos silenciar. E falharam… Os Paddies estão de volta.” Som sinistro e produção de peso no álbum novo do Kneecap Produzido por Dan Carey (Fontaines D.C., Wet Leg), o álbum promete uma atmosfera mais densa. “É um som mais sinistro… porque estes são tempos sinistros. Mas também desafiador e triunfante”, define o grupo. O título FENIAN é uma reapropriação histórica: refere-se aos guerreiros do folclore irlandês, termo que depois virou um insulto contra os irlandeses, e agora é usado pela banda para “nomear todos que falam a verdade ao poder”. O disco traz 14 faixas e colaborações de peso, incluindo a poeta e rapper Kae Tempest, Radie Peat (do Lankum) e Fawzi. Single novo do Kneecap sai hoje Para quem está ansioso, o primeiro gosto do álbum, a faixa Liars Tale foi lançada hoje. Vale lembrar que os singles recentes (THE RECAP, Sayōnara e No Comment) não farão parte deste disco. Tracklist: FENIAN

Documentário “Não é Permitido: um recorte da censura ao Punk Rock no Brasil” chega ao YouTube

“A história do Brasil é também uma história da censura”, afirma Fernando Calderan, um dos diretores do documentário Não é Permitido: um recorte da censura ao Punk Rock no Brasil, lançado nesta terça-feira (28). Em pouco menos de 35 minutos, o filme dirigido também por Fernando Luiz Bovo, Matheus de Moraes e Renan Negri, traz as reflexões de integrantes das bandas Cólera, Inocentes, Garotos Podres, Ratos de Porão, Olho Seco e Ulster sobre o universo rebelde e contestador do Punk Rock das décadas de 1970 e 1980. O documentário, já disponível no Youtube, revela os impactos da repressão na cena punk ao abordar parte dos vetos da Censura Federal às músicas do estilo, numa tentativa de calar as vozes que desafiavam o sistema. Não é Permitido surgiu de uma pesquisa, realizada desde 2021 por Fernando Calderan e Renan Negri, sobre a censura ao Punk Rock, que em breve será transformada em livro. O trabalho identificou mais de 80 músicas encontradas com o carimbo da censura, e documentos que demonstram a perseguição ao movimento, observado de perto pela polícia. “Os documentos foram resgatados da antiga Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) e trazem à tona estratégias usadas para sufocar o movimento. No registro em audiovisual fizemos um recorte dos casos de censura ao Punk Rock, não contemplando bandas como Os Replicantes, Camisa de Vênus e Atack Epiléptico”, revela Negri. Matheus de Moraes lembra que a ausência de algumas bandas, indica o desejo de continuar. “Este trabalho é uma oportunidade de valorizar toda uma história de resistência e arte”, diz. Já para Fernando Bovo, este trabalho é muito importante por trabalhar memória, oralidade e documentos históricos. “Temos aqui uma obra que resgata e ao mesmo tempo constrói”, afirma. Clemente Nascimento (Inocentes), Jão (Ratos de Porão), Mao (Garotos Podres), Val (Cólera / Olho Seco), Ariel Invasor (Inocentes – à época), Pierre (Cólera) e Vlad (Ulster) são os personagens que contam suas histórias durante aquele período sombrio, e a forma que encontraram de não permitir que a censura apagasse a arte de cada uma das bandas, reafirmando o poder da música como ferramenta de resistência e expressão cultural. De acordo com Calderan, a proibição às ideias divergentes sempre esteve presente na rotina nacional, e nos últimos anos cresceram as denúncias e casos explícitos de censura. “Os europeus trouxeram a censura na bagagem. Mesmo em tempos ditos democráticos, o veto foi usado como órgão repressor. O Brasil não se desvencilhou da censura como forma de calar o pensamento divergente. Mesmo com o fim da seção como órgão de Estado há mais de trinta anos, a postura do corte continua presente”, finaliza. Não é Permitido: um recorte da censura ao Punk Rock no Brasil é um projeto viabilizado por meio da lei de incentivo à cultura Paulo Gustavo.

Carnaval censurado? Bandas denunciam represálias da PM

Carnaval censura

Duas bandas contratadas para tocar em pontos de folia no Carnaval enfrentaram momentos de tensão com a Polícia Militar. Ambos os casos ocorreram em Pernambuco, na segunda e terça-feira de Carnaval. A banda Janete Saiu Para Beber, que se apresentava na Rua do Apolo, no Bairro do Recife, relatou que foi proibida e até ameaçada de prisão porque cantava uma música de Chico Science. A canção em questão, Banditismo por uma questão de classe, foi interrompida pela PM. Segundo relato nas redes sociais, a banda sofreu represália. “A Polícia Militar fez uma barreira entre público e banda. Tivemos que parar o show com ameaça de levar nosso vocalista preso. A produção foi incrível e conseguiu reverter a situação, mas o mais absurdo foram os argumentos: Chico Science não pode tocar, não pode!”. Outro grupo que sofreu ameaças foi a banda Devotos. O grupo se apresentava na terça-feira, no polo Várzea. Os integrantes afirmam terem sido alertados pela PM de que o show seria encerrado caso insistissem nessas canções. No caso, a mesma música de Science gerou a faísca para o atrito. Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco disse que “não há qualquer tipo de proibição à exibição de nenhuma música durante o Carnaval ou em qualquer época do ano”. Ainda segundo a nota, a PM só orienta a suspensão de blocos que tenham estourado tempo previsto para desfiles, porque podem prejudicar o planejamento operacional. Ainda afirmam que os organizadores das agremiações podem procurar o Batalhão responsável ou mesmo a Corregedoria Geral para formalizar queixas.