Crítica | Ghosted: Sem Resposta

Engenharia do Cinema Sendo vendido como um dos principais carros chefes da Apple TV+, a comédia romântica de ação “Ghosted: Sem Resposta” aposta no talento e engajamento que os nomes de Ana de Armas (nova musa do cinema de ação) e Chris Evans podem trazer. Mesmo sendo realmente similar ao longa “Encontro Explosivo” (estrelado por Tom Cruise e Cameron Diaz), temos mais uma produção que consegue entreter dentro de sua premissa, sem exigir muito do seu espectador. A história mostra o tímido floricultor Cole (Evans) que um dia acaba tendo seu caminho cruzado com a misteriosa Sadie (Armas), por quem se apaixona. Após descobrir que esta fez uma inesperada viagem para Londres, ele resolve ir de surpresa ao local e acaba descobrindo que ela é uma super agente secreta. Consequentemente, ele acaba se envolvendo também em sua missão secreta, onde ela deverá negociar com um perigoso terrorista (Adrien Brody). Imagem: Apple TV+ (Divulgação) Chega a ser engraçado que Armas já trabalhou mais de uma vez com Evans (nos sucedidos “Entre Facas e Segredos” e “O Agente Oculto“), e esta é a primeira vez que eles estão vivendo como um casal nas telas (inclusive eles esbanjam uma grande química e sintonia em cena, em vários sentidos). E isso fica tão bem executado, que em momento algum o enredo procura em rotular Cole sempre como inferior a Sadie, e sim um homem que aos poucos se mostra tão maduro e habilidoso como esta, na maioria das situações mostradas (algo que o cinema ultimamente não tem feito). Porém o roteiro de Rhett Reese, Paul Wernick (os dois primeiros são responsáveis pelos dois “Deadpool“, inclusive), Chris McKenna e Erik Sommers (já estes últimos escreveram toda a trilogia recente de “Homem-Aranha“, para a Marvel) não é dos mais criativos, ao usufruir de cenários já conhecidos neste tipo de filme (com cenas de ação similares ao longa de Cruise, só trocando o sexo dos personagens). Mesmo estando em uma atmosfera total da Marvel (não só por conta dos roteiristas citados), os fãs das primeiras fases do estúdio ficarão totalmente felizes em ver algumas divertidas participações especiais de alguns nomes (pelos quais não entrarei em mérito de spoilers, mas digo que alguns irão arrancar vários risos). Mas acaba sendo triste vermos nomes como o de Adrien Brody (que nos últimos anos vem virando em mais vilões) dando vida a um personagem bastante genérico. Só que como estamos falando de um filme com pitadas de ação, é nítido que o cineasta Dexter Fletcher (que vem de filmes como “Rocketman” e da minissérie “The Offer“) sabe conduzir cenas de ação de forma simples e não apela para recursos mais complexos (como outros nomes que fazem essa transição e acabam falhando, em tópicos óbvios). “Ghosted: Sem Resposta” é mais um entretenimento pipoca, onde mesmo sendo bastante clichê, ainda diverte e entretém por conta da presença de Ana de Armas e Chris Evans.

Crítica | O Agente Oculto

Engenharia do Cinema Sendo tratado como um dos filmes mais caros na história da Netflix, junto do recente “Alerta Vermelho” (onde cada um custou cerca de US$ 200 milhões aos bolsos da plataforma), “O Agente Oculto” ainda mostra que o serviço está longe de acertar no termo “fazer um bom Blockbuster”. Digo isso com total ênfase, pois mesmo tendo uma produção estrelada por grandes nomes como Chris Evans, Ryan Gosling, Ana de Armas e com direção dos irmãos Anthony e Joe Russo, com roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (quarteto responsável pelos sucedidos “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores Ultimato”), eles conseguem ficar em um mesmo círculo e não evoluírem.   A história mostra o misterioso detento Seis (Gosling) que é recrutado pelo agente Fitzroy (Billy Bob Thornton), para agir como um assassino da CIA, em troca de sua liberdade. Mas isso tudo começa a ir de pernas pro ar alguns anos depois, quando a própria agência resolve extinguir o quadro e contrata o astuto Lloyd Hansen (Evans) para caçar seis.      Imagem: Netflix (Divulgação) Logo nos primeiros minutos de projeção, já vemos a grande carência dos irmãos Russo ao quererem trabalhar com CGI. Em uma conversa que ocorreu há cerca de 13 anos, vemos os personagens de Gosling e Thornton conversando. Embora ambos tenham mudado o mínimo neste meio tempo, é gritante terem não só usado a técnica de rejuvenescimento digital para ambos (sendo que poderia ser feito com uma simples maquiagem), como filmaram a cena toda em 4K (cuja tecnologia não demonstra a idade dos atores, e deixam eles mais “robóticos”).  Só com esta explicação, já dá para sentir tamanha produção problemática que estamos tratando (isso porque não citei que a primeira cena de Thornton com Evans, foi totalmente filmada em estúdio com o CGI porco de fundo). E não estamos falando de um filme gravado em plena pandemia como “Alerta Vermelho” (que usou até mesmo figurantes de CGI), e sim uma dupla de diretores que está operando no comodismo da indústria.  Mas como não estamos falando de uma bomba por completo, confesso que o trio central está operando bem dentro de suas funções. Embora o roteiro não explore como devia os papéis de Evans (que teve seu potencial para ser mais um grande vilão em sua filmografia, jogada fora) e Armas (que parece ter saído diretamente de “007” e vir dar uns chutes por aqui). Não posso dizer que se tratam de menções honrosas, pois as participações de Wagner Moura, Jessica Henwick e Regé-Jean Page estão genéricas demais e de nada pesam ou acrescentam eles terem sido escalados para tais papéis. Enquanto Julia Butters (que interpreta Claire, sobrinha de Fitzroy) está literalmente repetindo o papel da “garota que fala verdade na cara do galã” (só trocando o Leonardo DiCaprio de “Era Uma Vez Em… Hollywood“, por Gosling). Agora, porque não podemos definir tudo isso como “um Blockbuster interessante”, já que temos várias cenas de ação e galãs como protagonistas? Primeiro, em momento algum do roteiro é criado um arco para que façamos gostar dos protagonistas ou até mesmo nos importarmos com suas motivações. Todos os obstáculos que são criados durante sua jornada, não surgem de forma natural, e são apenas jogados para fazerem cenas de ação baratas (como a fuga em Berlim). Não acaba sendo um bom filme, mas sim um conjunto de esquetes. Simples assim. “O Agente Oculto” é só mais um mero resultado de que os Irmãos Russo só sabem fazer bons filmes quando estão na Marvel, e a Netflix ainda não sabe o que é fazer um Blockbuster de verdade.