Crítica | Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

Engenharia do Cinema Quatro anos depois do lançamento de “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald“, a Warner Bros lançou este “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” com o intuito de ser uma verdadeira homenagem de toda franquia do universo de Harry Potter. Antes de David Yates assumir a cadeira de diretor com “A Ordem da Fênix” (e até então tem assumido todas as produções deste universo), nomes como Chris Columbus, Afonso Cuarón e Mike Newell tiveram outras abordagens para as diversas aventuras do bruxinho. E com perspectiva nestes trabalhos, Eyes concebeu este projeto (afinal, já fazem 20 anos desde o primeiro filme de Harry Potter). Na trama, Albus Dumbledore (Jude Law) recorre para Newt Scamander (Eddie Redmayne), Theseus Scamander (Callum Turner), Jacob Kowalski (Dan Fogler) e a Professora Lally (Jessica Williams), para lhe ajudarem a deter o perigoso Gellert Grindelwald (Mads Mikkelsen), que agora conseguiu não só absolvição de seus crimes, como também está tentando assumir o controle do Ministério da Magia. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Já aviso de antemão que estamos falando de uma cinessérie, ou seja, este filme depende dos outros dois primeiros para serem compreendidos. Então, já embarque nesta jornada já ciente que possivelmente ela ainda terá mais capítulos propositalmente. Embora o roteiro de J.K. Rowling e Steve Kloves tiveram um enorme cuidado para poder explorar tudo aquilo que foi jogado em cena nesta sequência. Seja a questão sociopolítica do próprio Ministério da Magia, até mesmo a vida pessoal de Dumbledore (que inclusive é o verdadeiro protagonista da vez) e a abordagem (mas sem aprofundar muito) de coadjuvantes como Newt (mesmo sendo vendido como o principal, ele acaba sendo jogado para escanteio), Jacob, Lally e Theseus. Sobre Maria Fernanda Cândido, com sua Vicência Santos, prefiro me abster de falar sobre, para não entrar no mérito de spoilers. Porém esta profundidade com os coadjuvantes só funcionará mesmo, se você já tiver visto os dois longas antecessores da franquia. Caso contrário, não espere nenhum apelo para você passar a gostar destes agora. Com relação a nova roupagem de Grindelwald (antes era vivido por Johnny Depp, que se desligou da franquia por problemas pessoais), realmente não há uma explicação plausível para a troca dos atores e já começam como se “nada tivesse ocorrido”. Independentemente disto, Mikkelsen conseguiu transpor a presença vilanesca do mesmo, embora ele já tenha sido fincado como vilão em vários filmes populares como “007 – Cassino Royale“. Agora partindo para o trabalho de direção de David Yates, realmente ele procurou colocar aquela mesma tensão e emoção visceral que vivenciamos há cerca de 20 anos, no início da franquia cinematográfica de Harry Potter. Seja as cenas de ação no meio das florestas, a apresentação da escola de Hogwarts (cujo arco chega a arrepiar os fãs mais ávidos) e até mesmo as cenas de batalha com magias. Tudo realmente foi feito pensando em homenagear o legado deste universo. Lembrando que a trilha sonora de James Newton Howard acaba sendo uma verdadeira cereja do bolo (com direito a uma repaginação da trilha sonora dos primeiros filmes do Harry).    “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” acaba sendo uma verdadeira carta de amor para o universo de Harry Potter e certamente irá arrancar muitas emoções e suspiros dos espectadores.

Crítica | Alemão 2

Engenharia do Cinema Lançado em 2014, o longa nacional Alemão havia chamado atenção por conta de sua trama que batia com a situação atual das favelas do Rio, que aos poucos estavam sendo pacificadas pela polícia. Com um elenco de ouro composto por Caio Blat, Milhem Cortaz, Otávio Müller, Cauã Reymond e Antônio Fagundes, a produção chegou a receber uma bilheteria plausível, mas não um grande sucesso (já que se assemelhava demais com os então recentes Tropa de Elite). Em Alemão 2, claramente temos um projeto que não havia necessidade de ser feito, e o único propósito desta é apenas mostrar um “mais do mesmo” (que já cansamos de ver em outros filmes, séries e telejornais).     A história se passa em meados de 2018, na época onde as eleições para Presidência estavam ocorrendo e a Polícia Militar consegue montar uma ação para capturar o famoso bandido Soldado (Digão Ribeiro). Escalados para a missão estão os PMs Machado (Vladimir Brichita), Ciro (Gabriel Leone) e a novata Freitas (Leandra Leal). Porém, eles não imaginavam que ao mesmo tempo iria ocorrer uma grande guerra entre facções e eles ficariam entre o fogo cruzado.    Imagem: RT Features (Divulgação) Realmente, durante boa parte da projeção só me veio à mente sucessos do cinema dos EUA como 16 Quadras, O Fugitivo e até mesmo A Testemunha. Mas é algo bastante normal e rotineiro, o cinema nacional beber bastante desta fonte. Porém, o roteiro de Thiago Brito e Marton Olympio bebe muito do clichê das milícias e até mesmo sempre joga para o espectador (pelo menos em boa parte das cenas) que “a polícia está errada em suas atitudes”, enquanto o diretor José Eduardo Belmonte (que também comandou o primeiro) conseguiu criar uma atmosfera muito boa de ação e suspense.       Mesmo não conseguindo estabelecer uma ligação de importância com nenhum dos personagens, o jogo de câmera e as tensões criadas em cenas chave, acabam prendendo a nossa atenção. Mas, quando ficamos dependendo do roteiro, esses sentimentos acabam virando um vazio pleno, carregado apenas de militâncias ideológicas (que só farão sentido para quem já é adepto a linha de pensamento já citada). Uma pena, pois potencial este projeto tinha.        Alemão 2 acaba se tornando mais um filme nacional esquecível, que por conta de mensagens pobres, acaba sendo um mais do mesmo.

Crítica | Sonic 2

Engenharia do Cinema Sendo um dos maiores sucessos no meio do cenário de pandemia, a franquia cinematográfica de Sonic realmente está surpreendendo demais a Paramount Pictures e fãs do personagem. Em “Sonic 2: O Filme“, parece que os roteiristas Pat Casey, Josh Miller e John Whittington ouviram as críticas dos fãs no antecessor e fizeram novamente um filme com base no que o público queria ver (vide a decisão de mudarem o visual do Sonic, no primeiro). Sim, estamos falando de uma continuação muito melhor que seu antecessor. Na trama, após Tom (James Marsden) e Maddie (Tika Sumpter) irem ao casamento da irmã desta, Sonic acaba ficando sozinho em Green Hills e agora vivendo uma vida de rei na casa do casal. Porém, seu descanso é interrompido quando o Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey) retorna ao nosso mundo, acompanhado do raivoso Knuckles. Para enfrentá-los, Sonic acaba se aliando ao seu novo amigo, Tails.    Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) Realmente, estamos falando mais uma vez de um filme onde o veterano Jim Carrey rouba a cena em vários aspectos. Seja por conta de seu perfil caricato como o excêntrico vilão (que já entrou na lista de seus melhores personagens) ou suas diversas cenas com Knuckles (que chegam a ser hilárias, em algumas partes). Por mais que Carrey e os próprios Sonic, Tails e Knuckles consigam segurar boa parte do filme sozinhos, o roteiro ainda tenta recapitular alguns personagens que haviam tido boas piadas no antecessor. Sem necessidade de terem aparecido novamente, temos cenas envolvendo o desligado policial Wade (Adam Pally), a irmã pentelha de Maddie, Ranchel (Natasha Rothwell). As vezes estamos no meio de uma cena de ação, mas a montagem repentinamente coloca arcos destes e o único pensamento é “volte para o Sonic e Robotnik, por favor!” Com relação às cenas de ação e efeitos visuais, o longa novamente consegue ter tomadas e desenvolvimentos muito bons (inclusive, o aspecto cartunesco na retratação do trio central é espetacular e eles realmente parecem existir). Contudo, mesmo tendo conferido a versão dublada (já que a legendada saiu em praças limitadíssimas, no Brasil todo) digo que o trabalho estava muito bem realizado e não fez perder a graça original que o filme teria.     “Sonic 2: O Filme” consegue ser mais divertido que o primeiro, e consegue corrigir alguns erros do seu antecessor.  

Crítica | Terror no Estúdio 666

Engenharia do Cinema Este é aquele típico longa cujo propósito foi apenas reunir os amigos, gravar várias cenas distintas e tirar boas lembranças. Porque não existe outra justificativa melhor para o vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl idealizar este “Terror no Estúdio 666“. Tendo como base clássicos slashers como “Horror em Amityville” e “O Iluminado“, este filme certamente pode ser considerado uma homenagem bastante pobre aos citados.     Na trama os integrantes do Foo Fighters interpretam versões satíricas de si mesmos, e após uma pressão do empresário da banda (Jeff Garlin), o vocalista Dave Grohl acaba fazendo com que ele e os outros membros da banda se mudarem, temporariamente, para uma mansão isolada, com o intuito de fazerem seu novo álbum. Porém, acontecimentos no local fazem com que a situação acabe envolvendo várias possessões demoníacas.    Imagem: Sony Pictures (Divulgação) O roteiro de Jeff Buhler e Rebecca Hughes parte da seguinte premissa: você já conhece os Foo Fighters e sabe como são as personalidades deles. Agora se divirta em ver em várias situações esdrúxulas do cinema de horror. Em um filme de slasher, um dos principais tópicos é que não nos importamos com os personagens e os vemos apenas como pedaços de carne, esperando para serem cortados das mais malucas formas. Mas aqui, estamos falando de uma banda, onde existe uma legião de fãs. Só que em momento algum nós conseguimos realmente demonstrar interesse por ninguém, que não fosse o próprio Grohl.     Apesar dele estar até mesmo engraçado na brincadeira, e ter conseguido encarnar bem sua versão satírica, o restante da banda parece estar lá apenas por questões contratuais (mas vale ressaltar que ele teve um arco bem próximo com o finado baterista Taylor Hawkins). Por conta destes quesitos, a narrativa de BJ McDonnell acaba se tornando bastante cansativa, e 100 minutos se transformam em quase três horas (independentemente se você é fã ou não da banda, pois sequer são exploradas músicas da mesma).   Além do desperdício de não terem explorado músicas populares da banda, nomes como Will Forte, Jenna Ortega e até mesmo o veterano John Carpenter são totalmente desperdiçados em cenas banais, e de pouca exploração. Chega a ser vergonhoso, em alguns momentos. Em sua conclusão, “Terror no Estúdio 666” acaba soando mais com uma reunião de amigos, ao invés de um filme slasher, pois não existe outro motivo para os Foo Fighters terem idealizado este projeto pensado por Dave Grohl.

Conversamos com elenco e equipe do longa “Inverno”

Engenharia do Cinema Na manhã desta segunda-feira, 04 de abril, ocorreu um bate-papo com o elenco do longa nacional “Inverno“, que terá lançamento exclusivo no streaming do Telecine nesta terça-feira, 05 de abril, e com uma exibição neste mesmo dia, às 22 horas, no Telecine Toutch. Filmado logo após o fim do lockdown, em setembro de 2020, a produção foi pensada como um terror psicológico, usando como um plano de fundo a pandemia. Na conversa estiveram presentes os atores Renato Goés, Thaila Alaya, o diretor Paulo Fontenelle e o produtor/diretor de fotografia Breno Cunha. “Tivemos a ideia de rodar um filme entre abril e maio de 2020, mas tivemos de adiar por conta da pandemia. Porém, durante uma conversa por telefone com o Renato[Goés], surgiu de fazermos algo na pandemia. E pensei em um filme com três pessoas. E ele citou que a Thaila [Alaya] também estava pensando em algo, então pensamos em fazer este filme “Inverno” durante a pandemia. O filme acabou seguindo os cuidados de prevenção em sets de cinema, dentro da casa da Thaila [Alaya] e do Renato [Goés]. Inclusive foi um desafio enorme, por ter criado uma atmosfera de terror nestas condições.” Declarou Paulo.    Imagem: Cachoeira Filmes (Divulgação)  Aproveitando o gancho, Renato comentou que durante a pandemia a Netflix foi o estúdio a criar todas as restrições e cuidados que deveriam ser feitos, durante as gravações, em setembro de 2020. Mas, ela acabou sendo a última a conseguir cumprir todos os requisitos, e até mesmo eles conseguiram ir mais a frente da própria gigante do streaming, neste tópico.    “Realmente foi na nossa casa, e foi uma forma de reduzir custos e seguir os protocolos de COVID com mais segurança. Na verdade, começamos por ela, pois já era o nosso lugar desde o princípio. Chegou a ser hilário, porque nós começamos as gravações exatamente no mesmo local onde fomos confinados durante cinco, seis meses. Enquanto todos estavam começando a sair de suas casas, nós começamos a trabalhar em nossas casas.” Comentou Renato, aos risos.  Conhecida por fazer constantes participações em filmes nos EUA (vide “Pica-Pau” e “Zeroville“), questionamos a atriz Thaila Alaya sobre como ela encarava este diferencial de restrições. Uma vez que ela já gravou em Hollywood e em várias produções brasileiras. “Já tinha feito dois trabalhos de pandemia, antes de gravar ‘Inverno’. ‘Moscou’ foi gravado em um cenário físico e o ‘Distrito 666‘ foi totalmente à distância. Em todos os cenários tínhamos este cuidado, de trabalhar com qualidade e com segurança. Então para mim, acabou sendo até que uma experiência ‘normal’, mas bastante agitada.” Comentou a atriz, rindo de toda a atmosfera promovida.     Questionado sobre como era fazer um longa de terror brasileiro, em um contexto de pandemia, Paulo foi bastante sucinto, pois este era seu terceiro filme no gênero (após “Escuro” e o ainda inédito “Sala Escura“, que foi gravado antes de “Inverno“). “Quando pensamos em um terror, foi muito dentro da capacidade em fazer um filme deste estilo no Brasil, e é até onde nós podemos ir. Inclusive, tivemos um enorme trabalho para fazer tudo bem calculado e que o mesmo funcione dentro das condições colocadas. Tanto que conseguimos criar uma atmosfera de “O Iluminado” com “Bebe de Rosemary”, inclusive ele bate muito com o envolvimento do público com os personagens. Aliás, muita coisa foi mérito do próprio Renato [Góes], Thaila [Alaya] e Bárbara [Reis]. Se o espectador não se assemelhar com eles, certamente não irá levar sustos.   

Crítica | A Bolha

Engenharia do Cinema Após termos passado o tremendo caos que foi a época da pandemia e lockdown, uma coisa era certa: o cinema iria começar a explorar esse quadro de diversas maneiras, em diversos filmes e séries. Em “A Bolha“, o cineasta Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos“) apela para uma das áreas mais afetadas pela situação, que foi a indústria cinematográfica. Com a paralisação das gravações de grande parte dos filmes e seriados, sua nova produção apela exatamente para uma grande minoria, que tentou realizar suas filmagens em meio ao caos mundial.    A história é centrada em um grupo de atores, pelos quais são contratados para fazer a continuação da famosa franquia “Feras no Abismo” (que é no estilo de “Jurassic Park“). Porém, como eles estão no meio de uma época de pandemia, devem ficar isolados em um hotel e realizar vários procedimentos para evitar o contágio. Só que obviamente, as coisas não dão certo.     Imagem: Netflix (Divulgação) O roteiro escrito pelo próprio Apatow com Pam Brady procura exatamente satirizar diversas situações que vemos diariamente acontecer na indústria cinematográfica ou até mesmo em nosso dia a dia, durante a época de lockdown. Seja por intermédio de celebridades e personalidades que não seguem as próprias instruções de prevenção, que vivem pregando na mídia; A indústria cada vez mais escolher seu elenco apenas pelo número de seguidores nas redes; Agregadores de notas decidirem o destino de alguns atores; Executivos dos estúdios literalmente tratarem os profissionais de forma desumana, só para concluir o filme e até mesmo a questão de que diversos executivos chineses estão cada vez mais envolvidos nas produções executivas de vários projetos, ultimamente.    Porém, vale ressaltar que estamos falando de uma comédia com estilo pastelão e um humor negro bem peculiar, ou seja, ela poderá dividir bastante as opiniões. Embora diversas cenas acabem sendo realmente engraçadas, e o roteiro também saiba trabalhar algumas participações especiais que ocorrem (inclusive algumas delas são hilárias). Com relação as piadas envolvendo alguns atores, muitas delas funcionam como forma de esquetes e percebemos que inclusive nomes como Karen Gillan, Iris Apatow, Pedro Pascal, Leslie Mann, David Duchovny e Keegan-Michael Key realmente estão se divertindo nesta proposta. Após um enorme hiato de filmes cômicos, “A Bolha” chega para quebrar isto e acaba divertindo por conta de ser uma sátira inteligente e divertida.

Crítica | Ambulância – Um Dia de Crime

Engenharia do Cinema Ao ouvir o nome do cineasta Michael Bay como diretor de algum longa, as opiniões entram em modo distinto. Alguns amam, outros odeiam. Em quesitos técnicos, realmente o mesmo é bastante amador e não sabe posicionar uma câmera de maneira correta, e exagera em sua movimentação até em momentos água com açúcar. Mesmo usando essas suas técnicas que vieram dos tempos onde ele comandava videoclipes musicais, em “Ambulância – Um Dia de Crime“, ele opta por ir na mesma pegada de “Sem Dor, Sem Ganho” e “13 Horas“, onde ele sabe explorar bem um roteiro caído e tirar ótimas cenas de suspense, ação e até mesmo comédia. Baseado no longa dinamarquês “Ambulancen“, de Laurits Munch-Petersen, a história tem início quando os irmãos Danny (Jake Gyllenhaal) e Will (Yahya Abdul-Mateen II) resolvem participar de um audacioso roubo a banco. Mas como o mesmo acaba dando errado, na fuga, eles acabam indo parar em uma ambulância e fazem a socorrista Cam (Eiza González) como refém. Só que há um detalhe: a mesma está acompanhada de um policial, que está gravemente ferido.     Imagem: Universal Pictures (Divulgação) Já adianto que este filme foi concebido com o único intuito de entreter com suas cenas de ação malucas, e nada mais além. Como Bay sabe tirar vários arcos inusitados do estilo em suas produções (vide a saga “Transformers“), aqui não seria diferente. Durante 80% da projeção acabamos sendo colocados dentro daquela situação caótica, e a graça está neste quesito. Mesmo cientes de quem são os vilões e mocinhos nesta história, o roteiro de Chris Fedak procura enaltecer o lado da dupla de criminosos e do grupo de policiais que quer prendê-los (inclusive, é algo pouco visto nos cinemas). E isso também é mérito de todos os atores (inclusive de González, que está em seu melhor papel até então). Outro quesito bastante interessante, é que o cineasta usa e abusa das cenas de violência, ou seja, há diversos momentos onde mortes são acompanhadas de poças de sangue, tudo bem ao estilo do game “Grand Theft Auto“. Sem dar spoilers, há algumas cenas chaves onde o impacto também é bem aproveitado (e consegue causar desconforto no espectador). Parece bizarro, mas estes quesitos funcionam perfeitamente como um “captador de atenção do espectador” (afinal, estamos na era do celular e o público não consegue mais ter sua atenção direcionada exclusivamente para um filme, durante duas horas).     “Ambulância – Um Dia de Crime” é aquele típico filme de ação pipoca, que o cinema carecia há determinado tempo. Veja e não faça muita exigência em torno da proposta.  

Palpites Para o Oscar 2022

Engenharia do Cinema A Cerimônia do Oscar 2022 irá acontecer em 27 de março, e habitualmente irei fazer minha cobertura pelo Engenharia do Cinema (pelo terceiro ano consecutivo). Após diversos termômetros mostrarem algumas vitórias distintas, confesso que algumas categorias podem cair em contradição pela Academia, por conta de N fatores de campanha e marketing. Por isso, irei pautar meus palpites com breves comentários sobre os possíveis ganhadores. Não sei como base apenas alguns termômetros, como também outras vitórias e estilos dos votantes na hora de selecionarem o melhor, nas respectivas categorias. A apresentação será comandada por Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall, e no Brasil terá transmissão pelo canal pago TNT, e pela plataforma de streaming do Globoplay, à partir das 22 horas. Filme – “No Ritmo do Coração“: Após ter passado em branco nos cinemas nacionais, possivelmente este filme consiga se consagrar na categoria pelo simples fato de ser diferente e com qualidade. Ter protagonistas surdos e mudos, em uma trama totalmente emocionante é o fator crucial para ele ser consagrado. Direção – Jane Campion, por “Ataque dos Cães“: Realmente são poucos diretores que conseguem captar perfeitamente a história de quatro personagens distintos, durante sua narrativa, sem apelar para o clichê e monotonia. A veterana vai vencer e merecidamente. Ator – Will Smith por “King Richard“: Bom, mesmo sendo o trabalho mais fraco de todos os indicados, ele irá levar mais pelo conjunto da carreira e pela enorme semelhança com o verdadeiro Pai das tenistas Serena e Venus Williams. Atriz – Kristen Stewart por “Spencer“: Sim, eu ainda vou teclar na vitória da mesma por diversos fatores. Seja pela enorme semelhança com Diana, ou até mesmo pela carga dramatica que ela conseguiu colocar em seu olhar. Realmente será a mais merecida na categoria. Ator Coadjuvante – Troy Kotsur por “No Ritmo do Coração“: O mesmo irá entrar para a história por ser o primeiro ator surdo e mudo por a ter levado o prêmio na categoria, além do fato de nos ter entregado uma das mais divertidas performances do longa. Em certo momento rimos, e em outros choramos com sua interpretação. Atriz Coadjuvante – Ariana DeBose por “Amor, Sublime Amor“: Certamente DeBose foi uma das principais almas do remake de Steven Spielberg, e conseguiu até mesmo roubar a cena da protagonista vivida por Ranchel Zegler. A atriz tem levado tudo nas premiações em geral, e não ia ser diferente agora. Melhor Roteiro Original – “Belfast“: Conflitos políticos e religiosos, na perspectiva de uma jovem criança. Mesmo sendo um dos mais fracos entre os indicados (inclusive este ano esta categoria não está boa), certamente ele vai levar pelo fato de ser uma possível vitória de Kenneth Branagh (“Morte no Nilo”), após quase nove indicações sem vencer. Melhor Roteiro Adaptado – “No Ritmo do Coração“: O longa venceu na categoria na premiação do Sindicato dos Roteiristas, e provavelmente vai surpreender também no Oscar, tirando o posto de um dos favoritos, “Ataque dos Cães“. Melhor Filme Internacional – “Drive My Car“: Filme japonês tem conquistado todos os prêmios possíveis, independentemente do território. No Oscar, não poderia ser diferente. Melhor Cabelo & Maquiagem – “Duna“: Após ter conseguido deixar vários atores irreconhecíveis em suas caracterizações, não consigo pensar em outro candidato mais justo. Melhor Figurino – “Cruella“: Filme que se passa no universo da moda, e que homenageia clássicos do cinema como “O Diabo Veste Prada” e o próprio legado de Glenn Close. Certamente vai levar. Melhor Animação – “Encanto“: Mesmo sendo uma das mais fracas da Disney, nos últimos anos, a mesma irá levar pelo simples fato de ter entre seus envolvidos Lin Manuel-Miranda (responsável pela sucedida peça disponível no Disney+, “Hamilton”). Melhor Canção Original – “No Time To Die” (“007 – Sem Tempo Para Morrer“): Certamente a canção que encerra o arco de Daniel Craig, possivelmente irá levar terceiro o Oscar consecutivo da franquia 007. Melhor Trilha Sonora – “Encanto“: Mesmo não ter sido indicado na categoria de canção original, possivelmente a Academia vai compensar a animação neste quesito dando o prêmio a mesma na categoria. Melhores Efeitos Visuais – “Duna“: Com quase todo o filme sendo feito em uma tela verde e todo cenário utilizado sendo mostrado em CGI, a perfeição em cena irá ser o fator crucial em relação aos outros candidatos. Melhor Design de Produção – “O Beco do Pesadelo“: Mesmo não sendo o melhor filme do Del Toro, o clima noir misturado com expressionismo alemão, durante boa parte do cenário apresentado, é suficiente para o mesmo ter como essa sua única vitória na noite. Melhor Fotografia – “Duna“: Um dos grandes destaques da adaptação de Dennis Villenueve, foi a excelente fotografia de Greig Fraser. É uma das peças fundamentais para essa narrativa. Melhor Som – “007 – Sem Tempo Para Morrer“: Devido a diversas cenas de ação terem sido realmente filmadas (com auxilio de CGI, apenas quando necessário), e a equipe ter conseguido captar uma excelente acústica (confesso que é difícil reconhecer mixagem e edição de som em uma única categoria, pois isso varia de acordo com o filme). Certamente será o segundo prêmio consecutivo do longa, e mais uma vez um título da franquia 007 também sendo reconhecido nesta categoria. Mas isso não deixa “Duna” como seu principal concorrente e com chances de vitória.

Crítica | Meu Filho

Engenharia do Cinema Durante o ano de 2021, uma notícia chamou bastante atenção de cinéfilos e fãs do ator James McAvoy. Seu novo projeto, que seria dirigido Christian Carion, iria se tratar de um Pai buscando seu filho desaparecido. Seria uma premissa bastante batida, se o próprio Carion não apresentasse o roteiro de “Meu Filho” para McAvoy e deixasse ele trabalhar apenas com improviso. Apesar disso ser comum no teatro, no cinema é raro isso ocorrer.     Durante boa parte da projeção, uma coisa ficou bastante clara: certamente foi uma jogada de marketing genial, pois claramente McAvoy deve ter contato com um roteiro ou alguma coisa para guiá-lo em determinadas cenas. Saliento isso, pois não havia como ele improvisar em determinadas cenas chaves, até mesmo para o andar da investigação do protagonista. Mesmo tendo uma excelente atuação junto de Claire Foy (“The Crown“), McAvoy não teve uma performance tão memorável quanto na franquia “Corpo Fechado” (onde vivia um psicopata com mais de 23 personalidades).    Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Mas como nem tudo é apenas em torno da atuação dos citados, devo ressaltar que a produção tem como qualidade a fotografia de Eric Dumont, cujas palhetas acinzentadas remetem demais ao cenário de Highlands, na Escócia (onde o filme se passa) e situação que o protagonista está vivenciando. Esse recurso só deixa claro que estamos vendo um suspense, e não apenas um drama (o recurso acaba fazendo sentido, mais no quesito psicológico da situação, apenas). Aproveitando do marketing em cima do improviso constante do ator James McAvoy, “Meu Filho” acaba sendo mais um longa genérico sobre um Pai que está atrás de seu filho desaparecido.