Crítica | Tubarão: Mar de Sangue

Engenharia do Cinema Sem dúvidas estamos falando de mais um filme de terror que provavelmente vai funcionar apenas em uma noite de sábado descompromissada, onde não há mais nada para se assistir no streaming. “Tubarão: Mar de Sangue” consegue ter um roteiro bastante pífio e clichê, com uma camada de atuações canastronas, pelas quais só são salvas por conta do diretor James Nunn. A história gira em torno de um grupo de amigos, que está passando suas férias em uma praia mexicana. Ao saírem para andar de jet ski, um acidente acaba deixando alguns deles feridos e ambos totalmente danificados. Além de terem lutar para conseguirem sobreviver neste cenário caótico, eles terão de enfrentar um tubarão sedento por sangue. Imagem: Paris Filmes (Divulgação) O roteiro de Nick Saltrese realmente capta todos os tipos de situações já conhecidas do gênero, que vão desde o perfil dos personagens, traições e até mesmo um antagonista totalmente imortal (realmente, o tubarão se assemelha a um exterminador do futuro, e não a um peixe do grupo dos condrictes). Embora tenhamos várias atuações clichês, quando há cenas envolvendo os ataques e mutilações, elas funcionam bastante por causa da atmosfera desenvolvida por Nunn. Inclusive o impacto do gore envolvendo alguns arcos chegam a deixar o espectador realmente impactado (já que não existe pudor em mostrar fraturas expostas, dentre outras coisas). Só que ele se perde no quesito principal, ao sequer se preocupar em fazer com que o espectador se preocupe com os personagens e não os veja apenas como um pedaço de carne. “Tubarão: Mar de Sangue” é mais um filme clichê sobre tubarões, que só serve para passar o tempo e pegar no sono, caso você esteja com um tempo hábil e sem absolutamente nada para fazer.
Crítica | O Menu

Engenharia do Cinema Em uma era onde filmes originais estão cada vez mais difíceis de se achar, “O Menu” consegue ser não só um projeto que vai totalmente na contramão do que os estúdios vem nos entregando, como também opta por mesclar o reality “Chef’s Table” com o clássico “A Fantástica Fábrica de Chocolates“, com pitadas de horror. Estrelado por Ralph Fiennes (em um papel que caiu como uma luva para ele), Anya Taylor-Joy e Nicholas Hoult, temos um projeto que certamente irá dividir e muito o público por conta de N fatores. A história tem início com o casal Margot (Joy) e Tyler (Hoult), que junto a um grupo de pessoas, das mais diferentes personalidades e carreiras, que decidem viajar para um restaurante distante, liderado pelo misterioso Chef Slowik (Fiennes). Ao chegarem no local, eles começam a reparar que não apenas pratos culinários são as especialidades do local. Imagem: Searchlight Pictures (Divulgação) Desde seu primórdio, sentimos que o roteiro de Will Tracy (um dos criadores da série “Succession“) e Seth Reiss começa com uma forte pegada de Agatha Christie, ao apresentar detalhadamente o estilo de seus personagens e como eles são distintos entre si. Tendo como plano de fundo os sete pecados capitais (soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça), cada mesa e o grupo de cozinheiros são realmente um ode à reflexão de como estes tipos de personalidades seriam, caso se encontrassem em um mesmo ambiente. E realmente isso funciona por conta do texto que foi proposto. Embora Fiennes esteja assustador em seu papel (afinal, ele transpõe uma persona ameaçadora durante boa parte da projeção), a única que está na mesma sintonia e consegue bater de frente com o mesmo é Joy (que realmente está acertando com seus projetos, e aqui não é diferente). Com sensações de dúvidas, medo e ao mesmo tempo coragem e audácia nas suas atitudes, em poucos minutos já compramos sua protagonista. Em contraponto aos dois, Hoult se torna o grande alívio cômico (por ser totalmente desligado ao que está acontecendo em sua volta). Mas adianto, que estamos falando de um filme que vai funcionar, quanto menos você souber, ou seja, não irei adentrar mais no enredo do mesmo. Com relação a retratação dos pratos e o arco culinário do filme, os pratos são exibidos de forma satírica (como se funcionassem em um programa do gênero), onde os ingredientes e o próprio visual são mais nítidos do que o nome dos pratos (que sempre era atrelado a algo maluco). Não chega a dar água na boca (pelo menos na maioria), mas serve para mostrar o quão uma parcela da sociedade só consome este tipo de pratos, para se exibir na internet. “O Menu” consegue se favorecer por conta de sua originalidade no roteiro, que não só foge dos padrões atuais do cinema, como nos entrega uma divertida produção de suspense com toques de comédia.
Crítica | Chucky (2ª Temporada)

Engenharia do Cinema Realmente em um ano onde tivemos grandes séries como “House of The Dragon” e “Os Anéis do Poder”, a segunda temporada de “Chucky” ficou totalmente ofuscada, diante ao fato de que o público em geral estava focado em discutir ambos. Mesmo com sua qualidade cada vez mais melhorando, este novo ano nos entrega o que queríamos: um festival de piadas de humor negro, suspense, referencias e MUITO sangue. Após os eventos envolvendo as famílias de Jake (Zackary Arthur), Devon (Bjorgvin Arnarson) e Lexy (Alyvia Alyn Lind), o trio acaba se envolvendo em um problema ainda maior e são enviados para um internato religioso comandado pelo Padre Bryce (Devon Sawa). Só que eles não imaginavam que Chucky iria conseguir se infiltrar no local, e continuar seu legado sangrento. Ao mesmo tempo, a esposa deste, Tiffany (Jennifer Tilly) terá de lidar com a visita surpresa de suas duas filhas, Glen e Glenda (ambas vividas por Lachlan Watson). Imagem: Syfy (Divulgação) Dividia em oito episódios com cerca de 40 minutos cada, esta segunda temporada procura intercalar ambas as tramas citadas de uma maneira onde não acabamos ficando carentes de outra parte. Se há um episódio centrado em Chucky, no próximo veremos apenas o arco de Tiffany, e assim sucessivamente. Não há como nos cansarmos deste ritmo também, pois as piadas sempre são inovadas e raramente são repetidas. Embora já estamos acostumados com o jeito sarcástico do primeiro, digo sem sombras de dúvidas que esta temporada acaba sendo de Tiffany. Totalmente a vontade na brincadeira com si mesma, a veterana Jennifer Tilly realmente nasceu para este papel, e consegue transpor toda maluquice da personagem (e destoa até mesmo se estamos vendo a atriz ou Tiffany). Até mesmo a presença de suas filhas Glen e Glenda, acabam sendo ofuscadas (mesmo com Watson sendo uma ótima atriz, interpretando dois personagens parcialmente distintos). E como estamos falando de uma série que bebe muito dos seus filmes originais, esta temporada não poderia fugir. Embora tenha mais sangue do que nunca (até mais que os longas da franquia, juntos), eles são apresentados de forma cartunesca, ou seja, sempre há o intuito de causar a sensação de humor negro, com base no desconforto do espectador. A segunda temporada de “Chucky” termina deixando um gosto de quero mais para o novo ano, e continua divertindo os fãs do mesmo e aqueles que estavam com saudades de uma ótima produção trash.
A CCXP22 Realmente atendeu as expectativas?

Engenharia do Cinema Este é um texto comentando minha experiência na CCXP22, pela qual pode ter sido totalmente diferente da sua, dependendo do rumo que você estava procurando no local. Para deixar clara esta análise da mesma, resumo que estava procurando um local agregado ao universo dos filmes e séries, contendo uma breve fuga do dia a dia. Terminou na noite deste domingo, 04 de dezembro, a sétima edição do evento Comic Con Experience, no Brasil. Após um hiato três anos devido a pandemia, muitos estavam se questionando se a qualidade do mesmo iria decair e se teria o mesmo pique, afinal, no início de 2020 vários nomes que estavam encabeçando a Omelete Company (empresa responsável pelo evento, até então) como Érico Borgo, Aline Diniz e Natália Bridi, se desligaram do mesmo e seguiram carreiras distintas, mas ainda no universo pop. Com início na noite de 30 de novembro com a Spoiler Night, conhecido como um breve período pelo qual o mesmo abre às portas por poucas horas durante a noite, apenas para divulgar algumas das atrações que serão vistas no evento, muitos começaram a perceber o óbvio: havia menos estandes, mas agora as atrações tinham bons brindes. Este que vos fala optou por dormir na fila no dia citado, para conseguir pegar o painel do dia 01 de dezembro (cujas principais atrações eram os painéis da Marvel, Lucasfilm, Pixar e uma então possível aparição de Pedro Pascal, que não estava confirmado no painel de “The Mandalorian”). Cheguei ao local na faixa das 16h30, e fui o 67ª a chegar na fila. Durante o período da madrugada, apesar de haver bastante segurança na parte externa do mesmo, no interior do estacionamento não se encontravam staffs para cuidarem dos “fura filas” e auxiliarem em eventuais problemas que poderiam surgir (uma vez que o local já tinha cerca de 1600 pessoas). Tudo acabou ficando à mercê daqueles que já estavam cientes do ambiente nos outros anos. Com a fila para o auditório Thunder Cinemark Club sendo aberta apenas às 9 horas da manhã (horário que também foram entregues as pulseiras), muitos começaram a furar a fila durante a entrada na fila que já direcionava para o painel, devido a ausência de staffs no final das mesmas (algo que foi solucionado nos outros dias do evento). Devido novamente a interferência daqueles que chegaram primeiro no local (como eu), aqueles ainda evitaram abrir as filas erradas (com o público que havia acabado de chegar no local) para entrarem no mesmo! (por incrível que pareça!). Após muitas confusões, finalmente fomos colocados dentro do mesmo e justamente muitos de nós ficamos nas laterais dos painéis. Bastante próximos dos apresentadores e convidados durante os anúncios (estar perto de Kevin Feige, Pedro Pascal, Paul Rudd e Evangeline Lilly, foi surreal), não havíamos imaginado que outro problema estava prestes a ser mostrado em nossos olhos, mas que só notaríamos horas depois: Maria Bopp. Conhecida por fazer muito sucesso nas redes sociais com a “Blogueirinha do Fim do Mundo” e ter interpretado Bruna Surfistinha na sucedida série “Me Chama de Bruna”, era um desafio para ela em meio a cultura pop (algo que ela realmente nunca foi muito conhecida, inclusive grande parte das pessoas presentes do painel, não a conheciam). Quando a mesma começou a todo momento interromper o cineasta Fernando Meirelles (que estava sendo homenageado, no início do painel), para falar de sua carreira e se atrapalhar na leitura de frases clichês no teleprompter, os problemas começaram a serem notados por uma grande parcela do espectador. Mas o grande momento “vergonha alheia”, foi quando a mesma foi colocada para entrevistar o ator Alexander Ludwig (da série “Vikings”), pois além de fazer várias perguntas clichês, brincadeiras aleatórias e sem graças (como colocar ele vendo um oriental jogando um machado e dois “lutadores” se batendo, enquanto ela “parava” para poder falar que ela era a “fod*na” no palco e pedia fotos do público). Quando tudo não parecia estar mais vergonhoso (o mesmo inclusive, estava desconfortável em vários momentos), quando chegou a hora dela retratar sobre a série “Hells” (estrelada pelo ator, em 2021), ela não sabia sequer qual plataforma ela se encontrava (e ainda confundiu “Star+” com “Star”, e encerrou o mesmo sem citar que ela está disponível no Lionsgate+). Imagem: Reprodução da Internet (Divulgação) Quando a dupla saiu do palco, e Marcelo Forlani assumiu para comandar a atração da Disney, a sensação foi de alívio. Porém, outro descuido bastante breve foi cometido pelo mesmo (e que poderia ter sido evitado com uma simples palavra). 80% das atrações mostradas em vídeos nos painéis, foram ditas pelo mesmo que eram totalmente exclusivas e que só os presentes iriam ver elas serem mostradas, mas que cerca de dois minutos depois já estavam disponibilizados pelos estúdios na internet. Isso ocorreu com os trailers de “Transformers: O Despertar das Feras”, “Indiana Jones: O Chamado do Destino” e até mesmo “Guardiões da Galáxia: Vol. 3” (que inclusive foi dito isso na presença do próprio Kevin Feige, Presidente da Marvel). A sensação de tristeza de vermos conteúdos que valessem à espera, acabaram sendo aumentadas (uma vez que os próprios painéis do estúdio ainda contavam com pré-estreias exclusivas). Isso sem citar que durante boa parte dos painéis da Disney, muitos staffs estavam totalmente confusos e achavam que não poderiam filmar presenças dos astros no palco (o que resultou em alguns conflitos e discussões desnecessárias). Mas para os que pensam que foi um desastre completo, confesso que o primeiro dia no Auditório Thunder Cinemark Club se salvou por conta da presença dos astros da Disney, pois realmente era nítido que muitas pessoas ali ainda não sabiam o que deveria se fazer e não houve nenhum preparo ou estudo sobre o que deveria ser executado. Desde então prometi para mim mesmo que não iria mais me prender naquele local, nos próximos três dias de evento. E realmente foi a melhor decisão que tomei (pois segundo muitos presentes no local, os problemas continuaram persistindo nos outros dias). Ao andar na feira na
Crítica | Blockbuster (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Em uma era onde a mídia física está dividindo e perdendo cenário para o streaming, justamente a Netflix lançou a sitcom “Blockbuster” (uma vez que esta quase comprou a plataforma citada, ainda nos anos 90). Se passando justamente na última loja daquela que já foi uma das maiores empresas de aluguel do ramo, vemos que realmente a criadora da atração, a showrunner Vanessa Ramos não procurou saber mais histórias sobre como era a rotina das vídeo-locadoras (inclusive, ela deve desconhecer o excelente documentário “Cinemagia“), uma vez que o foco acaba sendo mais conflitos pessoais e amorosos dos personagens, ao invés de detalhes que marcaram a existência de tais estabelecimentos. Como dito anteriormente, a história se passa na última Blockbuster do mundo e seu gerente, Timmy (Randall Park) faz de tudo para não só manter o local vivo, como também a própria tradição de consumir mídia física. Mesmo ciente que o espectador atual está optando por plataformas de streaming. Imagem: Netflix (Divulgação) Mesmo com o design de produção da loja sendo excelente (uma vez que as prateleiras possuem filmes e edições que realmente existem), faltou mais da pegada da rotina de uma locadora. Apesar de vermos cenas habituais como funcionários que indicam filmes, clientes assíduos e até mesmo o balcão da mesma se transformando em um verdadeiro cenário de terapia, faltou mais daquela pegada que todos nós lembramos que acontecia. Isso envolve situações com distribuidores de filmes, edições de luxo que chamam atenção, produções que só são lançadas em um formato e até mesmo funcionários que são realmente interessantes e não clichês. Temos o cara certinho (Park), a amiga de todos (Hannah), o cinéfilo (Carlos), o interesse amoroso do protagonista (Melissa Fumero), a funcionária mais antiga da empresa (Olga Merediz) e até mesmo o responsável pela loja (J.B. Smoove). E o mais importante, e que muitos se perguntam se por se tratar de uma sitcom “é uma série engraçada?” Honestamente, quando os risos começaram a aparecer em tela, a temporada já se acabou e ainda ficamos pensando “porque diabos nos pegamos vendo essa atração até o final, se nem graça estavatendo?” Mesmo se tratando de uma série sobre vídeo-locadoras, a primeira temporada de “Blockbuster” foi nitidamente feita por pessoas que desconhecem realmente como funcionava e qual era a rotina deste tipo de empresa, que até hoje faz muita falta.
Crítica | Guardiões da Galáxia: Especial de Festas

Engenharia do Cinema Desde que foi anunciado em meados de 2020, muito se pensou sobre o que se trataria “Guardiões da Galáxia: Especial de Festas“, que seria mais uma ponte do enredo dos Guardiões da Galáxia, antes do terceiro filme (que chegará aos cinemas em maio de 2023). Novamente com roteiro e direção de James Gunn, sentimos que realmente esta franquia nasceu para ter seu comando e que realmente a Marvel está acertando ao não intervir em suas criações (vide o desastre que foi a última fase). Mais uma vez temos um especial com menos de 60 minutos, que consegue ser melhor que os últimos filmes do estúdio. Após sentirem que Peter (Chris Pratt) está realmente bastante chateado nas comemorações natalinas, Mantis (Pom Klementieff) e Drax (Dave Bautista) resolvem lhe dar um presente que lhe fará feliz: o próprio Kevin Bacon (que eles acreditam ser o grande herói do universo). Então a dupla vai para a terra, na busca do mesmo. Imagem: Marvel Studios (Divulgação) Com duração aproximada de 45 minutos, estamos falando de uma produção que realmente funciona porque ela sabe dosar suas piadas, e está ciente quais são seus limites. Mesmo com a química de Mantis e Drax sendo o carro forte aqui, vemos que Gunn estava ciente até onde poderia ter ido com o humor da dupla tendo um choque cultural ao chegar na terra, pois ele não repete exaustivamente para encher linguiça. E nitidamente o próprio Kevin Bacon consegue entrar na sintonia e atmosfera do especial, pois além dele ter o timing perfeito para este tipo de atração, ele interpreta uma versão satírica de si mesmo (que mesmo sendo breve, rende momentos hilários). Assim como toda produção da Marvel, esta não poderia ter sido diferente ao apresentar novos personagens e mesmo com este fazendo uma breve ponta, o Cão Cosmo (Maria Bakalova) veio para ficar na equipe e nitidamente vamos saber mais dele no terceiro longa destes. “Guardiões da Galáxia: Especial de Festas” consegue entreter aos fãs que estavam tristes com a vergonhosa participação da equipe em “Thor: Amor e Trovão”, deixando um sorriso enorme, enquanto o terceiro filme da equipe está chegando.
Crítica | O Milagre

Engenharia do Cinema Filmes com temática religiosa normalmente dividem e muito público, não só pelo seu aspecto técnico, mas pelo seu roteiro. Apesar de termos um caso recente com “Nada é Por Acaso“, “O Milagre” facilmente poderia entrar neste quesito, principalmente por se tratar de uma obra que nos faz questionar os atos dos personagens, ao invés de embasar uma diretriz óbvia em seu roteiro. E isso fica bastante explícito desde sua abertura, onde uma narração em off deixa enfatizado isso para o público leigo (tanto que alguns desavisados, achavam que se trataria de um filme de terror/suspense devido ao material promocional acidentalmente mirar eles). Inspirado no livro de Emma Donoghue, a história se passa em 1862, quando a jovem enfermeira Lib (Florence Pugh) é enviada ao norte da Irlanda, para investigar o estranho acontecimento de Anna (Kíla Lord Cassidy), uma menina que não estava se alimentando há quatro meses. Desafiando a igreja e vários médicos, ela é encarregada de tentar descobrir se tudo aquilo é uma farsa ou verdade. Imagem: Netflix (Divulgação) Sob direção de Sebastián Lelio (“Uma Mulher Fantástica“), este é mais um projeto do cineasta que fala sobre perdas e como o ser humano reage com relação a isso. Como dito no primeiro paragrafo, estamos falando de um projeto cujo propósito é fazer o espectador raciocinar sobre o quão a fé é uma questão individual, e como a Igreja é realmente um grande divisor de águas, quando o assunto se trata de milagres. E para isso o mérito vai para o talento da própria Pugh e Cassidy, que além de conseguirem transpor emoções pesadas, em momentos chaves (há duas cenas em específico, que ambas realmente estão ótimas ao transpor o drama da situação), possuem uma excelente química necessária para este contexto. “O Milagre” acaba sendo um interessante retrato reflexivo, que consegue se segurar por mérito de suas ótimas atuações.
Crítica | Em Busca do Enfermeiro da Noite

Engenharia do Cinema Não é novidade que muitos elogiaram o recente sucesso da Netflix, “O Enfermeiro da Noite” (inclusive este que vos fala). Assim como muitas outras produções sobre a história de vários seriais-killers lançadas pela plataforma, a mesma disponibiliza agora “Em Busca do Enfermeiro da Noite“. Apesar de ter sido disponibilizado quase junto ao longa dramatúrgico, esta produção procura mostrar os tópicos que não foram mostrados naquele (mas ainda bebendo demais do escopo mostrado). O documentário mostra como o sádico serial-killer Charles Cullen, conseguia alterar a medicação de diversos pacientes e os levando ao óbito em poucas horas. Com base em depoimentos de várias pessoas que trabalharam no Hospital Somerset Medical Cent (que o mesmo trabalhou e vitimou várias pessoas), a enfermeira Amy Loughren que conviveu por um bom período com o mesmo e até mesmo os investigadores de suas ações. Imagem: Netflix (Divulgação) Assim como foi visto no recente documentário “Pacto Brutal” (documentário sobre o caso brutal de Daniella Perez), estamos falando de uma produção que procura totalmente mostrar o lado da família das vítimas e pessoas que estavam envolvidas nas situações (onde algumas posteriormente vieram a serem testemunhas chaves, no Júri). Como muitos ainda estão com o filme fresco na mente, esta produção procura se embasar em outras vítimas de Cullen, para dar o ponto de partida para sua história. Aqui vemos os depoimentos dos familiares do Padre Gall e da aposentada Helen Dean, que estavam prestes a obterem alta e acabaram sendo vitimados. Após entendermos o caos que o ato acometeu as vítimas, o diretor Tim Travers Hawkins procura estabelecer um perfil psicológico do mesmo (embora que seja de forma bastante breve, pois ele deduz que já sabemos isso) e como foi o seu julgamento (que também não é totalmente focado). E nestes dois pontos, acaba se tornando uma lástima, pois ao invés de ser uma produção de 90 minutos, facilmente poderiam ter esticado para mais 30 minutos (com foco totalmente no processo que o levou até a prisão). “Em Busca do Enfermeiro da Noite” acaba sendo um interessante complemento ao sucedido longa “O Enfermeiro da Noite“, mas acaba pecando ao deixar alguns tópicos pouco explorados. Só falta vir mais outra produção da Netflix, sobre o mesmo.
Crítica | Passagem

Engenharia do Cinema Após a Apple TV+ ter roubado a cena no Oscar deste ano com a vitória de “No Ritmo do Coração” (que entrou para a história como o primeiro filme distribuído por uma plataforma de streaming, a vencer na categoria principal), é nítido que o serviço iria começar a fazer várias apostas para a edição de 2023. Em “Passagem“, é nítida a sensação que o mesmo irá apelar em uma indicação para Jennifer Lawrence (que andou sumida nos últimos anos), em uma produção cujo único propósito transparece ser este. A história gira em torno de Lynsey (Lawrence), que acabou de voltar da Guerra e está sofrendo com várias consequências de um traumatismo craniano obtido em conflito. Eis que ela começa a desenvolver uma amizade inusitada com o mecânico James (Brian Tyree Henry). Imagem: A24/Apple TV+ (Divulgação) Estreante no comando de longas-metragens, a diretora Lila Neugebauer parece conduzir suas cenas com foco total em Lawrence, e em como sua personagem está lidando com as consequências de seu acidente. Embora os primeiros dez minutos sejam focados no tratamento dela, nas situações precárias pelas quais ela se encontrava e até mesmo na total depressão que estava sua vida, o roteiro dos estreantes Ottessa Moshfegh, Luke Goebel e Elizabeth Sanders simplesmente faz um corte abrupto, onde em um take ela não conseguia andar direito e no outro ela já andando normalmente na rua. A única sensação que transparece era a oportunidade que poderiam ter criado neste primeiro arco, para criarmos uma afeição com Lynsey, e sua luta para melhorar (e ao invés disso, sentimos nada por ela). Eis que o enredo corta para a questão de amizade entre esta e James, que mesmo que seja interessante a ideia, é totalmente clichê e parece estarmos vendo mais um filme comum da “Sessão da Tarde“. Mesmo com Lawrence e Henry tendo química, estamos falando de uma ideia que foi totalmente jogada no lixo, para ficarem em um mais do mesmo. Como o próprio título sugere, “Passagem” será mais um título totalmente passageiro no catálogo da Apple TV+, pelo qual ganhará uma certa notoriedade por ser o filme que desperdiçou o talento de Jennifer Lawrence em um enredo clichê e monótono.