Crítica | Convite Maldito

Engenahria do Cinema Realmente estamos em uma época onde o gênero de terror está ficando cada vez mais precário de bagunçado. Com a maioria dos últimos lançamentos sendo um verdadeiro fiasco no quesito de qualidade (vide “A Órfã 2” e “Sorria”), “Convite Maldito” realmente transcende o significado de bagunça, uma vez que parece estarmos vendo três filmes em um único. A história tem início com Evie (Nathalie Emmanuel) que após conseguir um dispositivo que auxilia a saber mais das origens de sua árvore genealógica, acaba descobrindo que possui uma família na Inglaterra, por intermédio da parte de sua bisavó. Após um convite de seu primo para ir em um casamento no local, ela acaba aceitando e à medida que ela vai investigando, coisas macabras e estranhas passam a acontecer no local.     Imagem: Sony Pictures (Divulgação) Em seus primeiros minutos acabamos vendo o quão o roteiro de Blair Butler é amador e que ela era fã de filmes como “Blade“, “Nosferatu” e até mesmo “Crepúsculo“, ao relatar a trajetória de Evie em três camadas distintas. Com um terror inexistente durante 70% da projeção, somos apresentados a um arco romântico entre esta e o Lorde De Ville (Thomas Doherty), que é um dos proprietários do local. Mas apesar de terem usado este recurso para servir como aproximação dos personagens e do próprio enredo, faltou mais acidez e até mesmo explicações para algumas atitudes (uma vez que as decisões principais do enredo, são feitas de forma rápida e não fazia sentido nenhum). Inclusive, há algumas cenas homeopáticas que tentam tirar sustos, pelas quais vão se tornando vergonhosas e sem sentido algum (é criado uma relação misteriosa com as empregadas do local, e o roteiro não se dá ao trabalho de tentar explorar isso). Com relação ao gore e cenas de morte, o filme não possui criatividade alguma em realizar e explorar de forma criativa está, chegando a se tornarem algo chato e monótono. Mas quando estamos nos preparando para a grande revelação, a diretora Jessica M. Thompson demonstra que não conseguiu criar uma atmosfera com o intuito de fazer com que o espectador entre em choque junto de Evie. Uma vez que ela nitidamente resolveu mesclar sucedidos longas como “Casamento Sangrento” e “Blade“, ao invés de ter desenvolvido sua própria imagem.    “Convite Maldito” acaba se tornando mais um filme de terror rasteiro da Sony, que só irá servir para encher o catálogo de plataformas de streaming.

Crítica | Halloween Ends

Engenharia do Cinema Realmente chega a ser uma piada imaginar que os próprios responsáveis por “Halloween Ends“, tenham caído em contradição ao sabotar o próprio projeto do “grandioso retorno de Michael Myers”. Desenvolvida como uma continuação direta do primeiro longa (lançado em 1978), o “segundo” (lançado em 2018) foi um grande retorno triunfal de Myers e mostrou que a veterana Jamie Lee Curtis (intérprete da protagonista Laurie) ainda tinha gás para este tipo de filme. O terceiro (lançado no ano passado) apelou para o clássico slasher (com várias cenas de mortes criativas) e se passou na mesma noite que o antecessor havia acontecido. Apesar deste ter dividido os espectadores, é inegável que ele servia como ponte para este grande final. Já “Halloween Ends” acaba apelando para um enredo que se assemelha a um projeto de spin-off da franquia, cujo enredo parece que foi desarquivado pela Universal e colocado como um filme do mesmo.    A história se passa quatro anos depois dos acontecimentos de “Halloween Kills”, com Laurie e sua neta Allyson (Andi Matichak) seguindo em frente depois dos acontecimentos dos longas anteriores. Com Michael Myers sendo declarado desaparecido depois do ocorrido, a situação parece se amenizar, até a primeira começar a sentir que ele está planejando voltar aos poucos.    Imagem: Universal Pictures (Divulgação) Chega a ser engraçado falar sobre isso, mas este é um caso onde apesar do marketing girar em torno do grande embate final entre Myers e Laurie, o longa de David Gordon Green (que comandou os dois títulos antecessores) foca em algo totalmente aleatório que é o romance de Allyson com Corey (Rohan Campbell). Sendo apresentado apenas neste filme, o mesmo realmente transparece em cada arco que realmente ele não deveria estar aqui e não faz sentido algum ele estar na trama.     Para efeito de comparação, enquanto em Kills, Myers já aparece nos primeiros minutos causando terror, o roteiro de Paul Brad Logan, Chris Bernier, Danny McBride e do próprio Green, nos coloca vendo Corey andando de moto com Allyson (acredito que inclusive, o quarteto estava na vibe de “Top Gun Maverick” para colocarem constantemente essa cena), namorando e discutindo problemas de adolescentes. Sim, realmente não há Michael Myers em boa parte deste filme. Quando o longa começa a andar (com cerca de 70 minutos de metragem já rodados), entramos em outro quesito: não há uma criatividade ou cuidado em representar as mortes. Mesmo se tratando de um filme censura 18 anos, não há muito sangue, assassinatos que nos fazem revirar na cadeira (com exceção de um, em específico, já que o anterior a este a direção literalmente optou por não mostrar), ou “melhor”, não existem quase mortes! Porém, quando chegamos na tão aguardada cena de embate final entre Laurie e Myers, o mesmo parece ter centrado no que queríamos ver e nos entrega um verdadeiro deleite ao olhos. No final das contas, “Halloween Ends” acaba sendo um verdadeiro desastre, pois estamos falando de um slasher que mais se assemelha a uma comédia romântica, com pitadas de John Hudges.   

Crítica | Adão Negro

Engenharia do Cinema Sendo um dos grandes projetos pessoais do astro Dwayne Johnson, “Adão Negro” levou quase 16 anos para sair do papel, já que o mesmo havia sido anunciado como o interprete do anti-herói em meados de 2006. Entre várias contradições e discussões com a Warner Bros, o mesmo não só conseguiu realizar este filme como também se tornou um dos responsáveis por trás do retorno de Henry Cavill como Superman (inclusive, a ponta deste consegue fazer qualquer um sorrir de ponta a ponta). Conflitos à parte, como estamos falando de “um filme do Dwayne Johnson”, a melhor dica que lhe darei é: deixe sua mente na bilheteria e embarque em um dos mais divertidos filmes pipoca deste ano. A história tem início com um grupo de pessoas que acabam despertando o poderoso Teth Adam (Johnson), que estava adormecido há 5000 anos e que possui uma enorme sede de vingança. Sem muitas palavras, o mesmo começa a combater vários tiranos e ditadores em uma cidade egípcia. Devido suas atitudes abruptas e violentas, Amanda Waller (Viola Davis) convoca o grupo da Sociedade da Justiça, liderados pelo Gavião Negro (Aldis Hodge), para cuidar do mesmo. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Começo enfatizando o quão o diretor de elenco deste filme conseguiu captar os atores ideais para os papéis protagonistas. Mesmo com Johnson e Hodge estando bem à vontade no papel, temos Pierce Brosnan (Senhor Destino, que rouba a cena homeopaticamente), Noah Centineo (Esmaga Átomo, que é uma mistura de Homem-Formiga com Deadpool) e Quintessa Swindell (Cyclone), totalmente em sintonia em cena (algo que as produções sobre heróis, não estavam conseguindo fazer com tanta facilidade). Não há tempo para piadinhas, pois o roteiro de Adam Sztykiel, Rory Haines e Sohrab Noshirvani possui apenas um foco: nos colocar no maior número de cenas de ação possíveis. Sob o comando do cineasta Jaume Collet-Serra (que já trabalhou com Johnson em “Jungle Cruise“), elas funcionam dentro do contexto e conseguem captar nossas atenções durante boa parte da projeção, mas é nítido que em algumas sequências o CGI realmente não ficou bom (tanto que é perceptível o uso da famosa tela verde). E outro fator que é neste parâmetro, é de que certamente houveram cortes abruptos na metragem, pois não existe um cuidado mais extenso em apresentar mais dos personagens citados anteriormente (inclusive, provavelmente anunciem uma versão estendida do mesmo, nos próximos meses). “Adão Negro” termina como um dos mais divertidos filmes da DC, onde mesmo contendo alguns erros técnicos, entretém quaisquer espectadores que buscam um divertimento brucutu e pipoca.

Crítica | Mulher-Hulk: Defensora de Heróis (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Não é novidade que a série “Mulher-Hulk: Defensora de Heróis” tem sido um dos maiores fiascos da história da Marvel Studios. Embora seja fiel aos quadrinhos da personagem em algumas passagens, e tentar desenvolver o arco da personagem no formato de uma sitcom antológica (que são séries de comédia, com episódios tendo várias histórias independentes), em momento algum a série realmente consegue cativar o espectador e mostrar uma resposta para a simples pergunta “por que estamos recebendo essa série?”.    Dividida em nove episódios, a série é centrada na vida da advogada Jennifer Walters (Tatiana Maslany), que após ter contato com o sangue de seu primo Bruce Banner (Mark Ruffalo), em um acidente de carro, ela passa a ter o mesmo problema genético do mesmo, se transformando na Mulher-Hulk. Então, a mesma passa a ter de atuar em uma divisão de defender super-heróis nos tribunais, além de tentar lidar com a vida dupla. Imagem: Marvel Studios (Divulgação) Em um primeiro momento a série nos apresenta um interessante clima de que “não devemos levar a sério absolutamente nada do que é mostrado”, afinal, estamos falando de uma produção de comédia. Com uma constante quebra da quarta parede, e situações absurdas no primeiro ato da trama (como ela se transformar em Mulher-Hulk ao ter de aguentar o machismo no dia a dia), parecia que a série a ter uma pegada interessante. Mas infelizmente, não é isso que acabamos vendo no decorrer dos episódios. Jennifer não consegue ser uma boa protagonista da série e o marketing da mesma já deixava claro isso por conta das participações de nomes icônicos na Marvel como Wong (Benedict Wong), Emil Blonsky/Abominavel (Tim Roth), até mesmo o Matt Murdock/Demolidor (Charlie Cox, como a melhor coisa nesta série inteira) e outra no episódio final (que certamente mexeu demais com os fãs e assim como foi com o Demolidor, será importante dentro do UCM). Agora, quando acabamos ter de ver a mesma sozinha em um episódio (como o que envolve o problema judicial do nome Mulher-Hulk e o casamento de uma amiga, onde ela é escolhida como madrinha), os 30 minutos do episódio, se tornam uma eternidade de tão monótonos e chatos (inclusive há diversas piadas imbecis, como as saídas com os crushs do Tinder, a dança com a rapper Megan Thee Stallion e a luta aleatória no casório com a “pseudo-vilã” Titania, vivida por Jameela Jamil).    Isso porque não entrei no mérito da questão do CGI, que é tão estranho em diversos momentos que parece estarmos vendo a própria Mulher-Hulk se movendo por intermédio de pixels “robóticos” (nitidamente a própria Marvel não deixou o trabalho ser finalizado neste quesito). Mas vale ressaltar que este erro é mais gritante, quanto maior o aparelho eletrônico que você estiver assistindo a série (em uma televisão 4K acima de 42 polegadas, ao invés de um aparelho de celular). “Mulher-Hulk: Defensora de Heróis” é uma série que se o seu arco fosse colocado apenas como uma espécie de “especial com 50 minutos” (como ocorreu em “O Lobisomem da Noite“), teria funcionado melhor do que este formato, que serviu para absolutamente nada e será tão esquecível quanto a série da Miss Marvel.

Crítica | O Lobisomem da Noite

Engenharia do Cinema Realmente de todas as produções lançadas na Fase 4, da Marvel Studios, “O Lobisomem da Noite” foi nitidamente a melhor coisa já realizada (e até mesmo quase nula, e ofuscada por conta da baixa expectativa que a própria Marvel criou). Concebido como um “Especial de Halloween”, a obra não se liga com nenhuma produção do estúdio (a não ser por uma breve menção aos “Vingadores”, na abertura) e procura focar em um lado “macabro” do próprio UCM (como é citado ainda no prefácio da obra).      A história tem início quando um grupo de excêntricas personalidades são selecionadas para prestarem condolências ao finado portador de um objeto poderoso. Durante a mesma, a misteriosa Verussa (Harriet Sansom Harris) comenta que o próximo a ter posse do citado, terá de enfrentar um complexo desafio, que envolve encontrar o mesmo em um labirinto macabro e misterioso. E nesta jornada, somos apresentados a Jack (Gael García Bernal), que esconde um macabro segredo.   Imagem: Marvel Studios (Divulgação) Em seu primeiro grande trabalho como diretor, Michael Giacchino (que assinou a composição de várias produções da Disney) tem como foco apenas uma única produção, que é o clássico “O Lobisomem“, dirigido por George Waggner e lançado em 1941. Como o gênero de monstros não possuía muita complexidade nos roteiros, e uma metragem não muito ampla (este por exemplo durou cerca de 70 minutos), o ponto inicial é exatamente este. Mas como estamos falando de uma história criada pelo universo da Marvel, obviamente o escopo é diferente (já que o personagem original é da Universal Studios) e não devemos nos prender na mesma para não estragar a experiência. Porém, a base como um todo é totalmente inspirada no longa de Waggner. Seja por intermédio da fotografia de Zoë White, que usa e abusa do estilo clássico com uma aparência similar a uma gravação na icônica câmera Panavision, de 35 mm (formato onde os filmes eram gravados no passado), até mesmo alguns efeitos visuais são feitos de maneira totalmente prática (apelando para a maquiagem, roupas que se assemelham à monstros e até mesmo jogos de câmera). Isso sem falar que é nítido que tanto Bernal, como Laura Donnelly (intérprete de Elsa Bloodstone) se entregaram de cabeça ao papel e estudaram a fundo o estilo deste tipo de produção. Porque eles se assemelham e muito a atores daquela época (que eram uma mistura de canastrões, com boa pinta).     “O Lobisomem da Noite” acaba sendo um verdadeiro exemplo de projeto que é tratado como “patinho feio” pelo estúdio, mas que na verdade é um grande pavão, quando é colocado ao público.

Crítica | Amsterdam

Engenharia do Cinema O cineasta David O. Russell (“Trapaça”) é sem dúvidas um dos únicos nomes que consegue ter o elenco dos sonhos, em seus filmes. Em “Amsterdam” o mesmo pode ser dito, já que temos um projeto estrelado por Christian Bale, Margot Robbie, John David Washington, Robert De Niro, Chris Rock, Anya Taylor-Joy, Mike Myers, Michael Shannon, Taylor Swift, Timothy Olyphant, Zoe Saldana, Rami Malek, Alessandro Nivola e Andrea Riseborough. Confesso que quando temos uma quantidade gigante de nomes grandes em um filme, a sensação é de que temos uma bomba. Só que felizmente, Russell utilizou um recurso plausível para não fazer o espectador se perder nesta história (que por si só, é mais complexa do que imaginamos). A história se passa na década de 30, quando os veteranos da Primeira Guerra e amigos de longa data Burt Berendsen (Bale) e Harold Woodman (Washington), são contratados por Liz Meekins (Swift) para investigar a misteriosa morte de seu Pai, o General Bill Meekins (Ed Begley Jr.). Mas após os dois primeiros presenciarem um assassinato, descobrem que se envolveram em algo muito mais complexo do que imaginavam. Imagem: 20th Century Studios (Divulgação) Durante seus quase 130 minutos de projeção, o longa procura estabelecer várias situações e arcos que englobam sempre a dupla de protagonistas. Com fatos verídicos, misturados com fictícios (que o próprio filme deixa claro, nos minutos iniciais), há uma imensa quantidade de informações e personagens que são apresentados durante boa parte da projeção.  E ciente disto, Russell utiliza o elenco citado como uma arma para “guardarmos” seus papéis na trama. Embora alguns destes façam personagens habituais em suas filmografias como Robbie (Arlequina), De Niro (o militar veterano), Malek (Freddie Mercury), Myers (o estereótipo de Austin Powers), Rock (o icônico humorista stand-up), Riseborough (a esposa/namorada do protagonista) e até mesmo o próprio Bale (que referência seu icônico papel em “Trapaça”, trocando a peruca pelo olho falso). Dentro do roteiro, isso acaba funcionando. Porém, já faço um adendo que é um longa com mais diálogos, ao invés de ação, ou seja, se você não gosta desta pegada, evite ao máximo este filme.    Como estamos falando de um filme de época, é nítido o imenso cuidado e trabalho que o próprio cineasta teve em conduzir sua trama como se fosse concebida naquela época. Vide o segundo ato, que há um longo flashback, que é guiado como um projeto dos anos 40/50 (que normalmente faziam isso, ao contarem histórias românticas e mais sérias). Mérito também da equipe de figurino, design de produção e até mesmo maquiagem/cabelo (que inclusive devem ser indicadas ao Oscar), que deixam mais nítidas esta sensação. “Amsterdam” acaba sendo um recorte interessante da história, e consegue entreter aqueles que buscam fatos históricos no universo militar, pelos quais raramente são citados no cinema.

Crítica | Abracadabra 2

Engenharia do Cinema Em meio a uma época onde vários filmes dos anos 80 e 90, vem ganhando continuações, alguns projetos foram solicitados pelos fãs durante anos. O que é o caso deste “Abracadabra 2“, que desde 1993 vem se cogitando de ser feito. Anunciado em 2020, o mesmo contou com o retorno das atrizes Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy como as bruxas Winifred, Sarah e Mary. Tirando elas, o ator Doug Jones (interprete do zumbi Billy Butcherson) e o roteirista/produtor David Kirschner, quase mais ninguém retornou e temos uma equipe totalmente nova e a direção de Anne Fletcher (que não vinha apresentando boas comédias desde “A Proposta“). Sim, estamos falando de mais uma bomba realizada pela Disney. A história é quase igual a do primeiro filme, com as adolescentes Becca (Whitney Peak) e Izzy (Belissa Escobedo) acidentalmente ressuscitando o trio de bruxas Winifred, Sarah e Mary, na noite de Halloween. Quando elas voltam mais uma vez para o nosso mundo, a dupla tenta descobrir um jeito de mandar estas de volta. Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) É um fato que o primeiro longa nunca foi uma obra-prima, mas devido ao fato de ter sido lançado na era de ouro do cinema live-action da Disney (que foi durante os anos 90/2000), criou uma longa quantidade de fãs. Para conceber este projeto, parece que a roteirista Jen D’Angelo apenas pensou “vamos colocar o que funcionou no primeiro, atualizaremos com algumas questões sociais e fará sucesso!”. Porém, isso acaba sendo jogado de maneira tão rasa e precária, que quando estamos na metade da exibição só pensamos “onde eles querem chegar com isso?”. E assim como na série da “Mulher-Hulk” e no recente “Pinóquio“, este longa apela por colocar todos os personagens masculinos como idiotas ou vilões (inclusive, há uma cena constrangedora com Becca dando uma lição de moral, de forma repentina e sem sentido, no namorado de Cassie, Mike), e alguns deles que poderiam ter tido uma maior importância, ficam até esquecidos na fila do pão. Como é o caso de Gilbert (Sam Richardson, totalmente desperdiçado). Isso sem citar que o enredo apela para piadas e situações bastante clichês, de personagens que surgem em uma sociedade diferente e tem um enorme conflito. Como vivemos em uma época onde as pessoas não aceitam nem uma crítica negativa de uma série, as piadas se resumem a comer maquiagens e sumir com maçãs doces (estou falando sério). E chega a ser triste, pois durante os anos 80/90, Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy eram estrelas neste gênero cômico/aventura, e aqui elas ficam como figurantes e até mesmo elas não são sequer parecem as verdadeiras protagonistas.    “Abracadabra 2” mostra que realmente a Disney está com uma incrível habilidade de conseguir destruir seus próprios filmes, com êxito. Infelizmente   

Crítica | A Queda

Engenharia do Cinema Confesso que em um primeiro momento, ao ver a premissa deste “A Queda“, cai na gargalhada, pois o material promocional não procura analisar o contexto da história do filme e sim da ação que as duas protagonistas passam, já que elas ficam presas em uma torre de rádio abandonada. Neste contexto, me peguei no pensamento sobre o “por que diabos elas resolveram ir até lá?”, e em uma geração onde pessoas perdem tempo com coisas fúteis e caçam erros em diálogos e em frases supérfluas, isso seria algo “cabível”. Porém, o roteiro de Jonathan Frank e Scott Mann (que também assinou a direção), consegue ir até um pouco mais além. Após seu marido Dan (Mason Gooding) sofrer um fatal acidente durante uma escalada, Becky (Grace Caroline Currey) se encontra em uma tremenda depressão por um ano. Até que sua melhor amiga Shiloh (Virginia Gardner) resolve levar a mesma para escalar uma torre de rádio de dois mil pés, com o intuito de homenagear o finado e despejar suas cinzas no topo da mesma. Só que a dupla não imaginaria que ficariam presas no local e sem ter como ter contato com o mundo exterior.     Imagem: Paris Filmes (Divulgação) Começo enfatizando o trabalho do diretor Scott Mann, que consegue desenvolver uma atmosfera de suspense sempre em momentos distintos, com o intuito de conseguir captar a atenção do espectador mais desatento (uma vez que o público deste filme, em muita das vezes desafia a atenção com aparelhos celulares). E o recurso só não funciona ainda mais, porque a Lionsgate não disponibilizou o mesmo na versão 3D (que certamente, causaria uma repercussão gigantesca com o apoio desta tecnologia). Outro grande êxito são as atuações de Currey e Gardner, que tiveram uma missão complicada de atuarem diante de um fundo verde durante boa parte da projeção. Porém, o roteiro acaba apelando para diversas situações clichês e banais, pelas quais acabam fazendo o projeto ser previsível ao máximo (inclusive, eles não se atrevem a tentar brincar/enganar o espectador).  Claramente no caso de “A Queda“, estamos falando de um projeto que merece ser visto na melhor qualidade o possível, uma vez que a atmosfera criada é para ser conferida nos cinemas e na melhor qualidade o possível.

Crítica | A Mulher Rei

Engenharia do Cinema Certamente este é mais um daqueles casos onde a polêmica cerca o filme, quando começamos a pesquisar mais sobre seu verdadeiro enredo. Mesmo com “A Mulher Rei” mostrando a tribo de mulheres Agojie como verdadeiras heroínas, quando na verdade a tribo estava envolvida em tráfico de escravos em meados de 1820, no sudoeste da Nigéria. Tretas à parte, estamos falando de um verdadeiro Blockbuster pipoca, ou seja, não espere nada digno de Oscar e sim uma aventura comum e bem conduzida por seus atores. A história tem início em meados dos anos 1823, quando muitos homens eram escravizados e cada vez mais a população destes ficava menor na Nigéria. Nesta situação, as mulheres acabaram ficando em maioria e se juntaram para formar a tribo Agojie. Lideradas por Nanisca (Davis), onde após participar de uma batalha em uma aldeia, acaba convocando a agora órfã Nawi (Thuso Mbedu), para começar a desenvolver habilidades de batalha, com o intuito de poder lutar contra a tirania do Império Oyo.    Imagem: Sony Pictures (Divulgação) Começo enfatizando que o roteiro de Dana Stevens e Maria Bello procura estabelecer atmosferas já conhecidas no cinema, como da Jornada do Herói“, para estabelecer um enredo que consiga conquistar o espectador. Embora o recurso funcione, o ponto positivo é realmente a presença de Davis como protagonista, que consegue transparecer a todo momento sua importância e respeito entre todos os personagens. Apesar dela ter a cena um pouco ofuscada pela novata Thuso Mbedu (que provavelmente vai começar a crescer na indústria). Mas mesmo com isso funcionando, não foi apenas o problema que foi citado no primeiro parágrafo um grande descuido no roteiro (uma vez que ele poderia ter criado um enredo mais pé no chão, neste quesito), eles pegaram os ingleses Hero Fiennes Tiffin e Jordan Bolger para interpretarem os “brasileiros” Santo Ferreira e Malik (que possuem um sotaque carregado no português e um comportamento totalmente estranho para tais).    Desviando do tópico citado um pouco, realmente a diretora Gina Prince-Bythewood (“The Old Guard“) não sabe conduzir cenas de ação e até mesmo criar uma atmosfera digna do gênero. Seja nas cenas de luta (que possuem vários cortes, que mostram o fato de nenhum ator do elenco saber lutar) ou até mesmo na colocação da trilha sonora de Terence Blanchard sendo usada de forma clichê para momentos chaves (sempre quando algo surge, um drama tá rolando e etc).     Por mais que tenha alguns erros históricos gritantes, “A Mulher Rei” consegue ser um interessante e divertido Blockbuster, que irá entreter os fãs de longas como “Pantera Negra“. Obs: durante a exibição da versão legendada, a mesma apresentou alguns erros que são culpa da Sony Pictures Brasil, pois haviam legendas/textos em branco, abaixo/sobrepondo legendas em português. Um descuido que acaba comprometendo a experiência de quem optou por conferir o mesmo nesta respectiva versão.