Crítica | Cinco Dias no Hospital Memorial

Engenharia do Cinema Sem dúvidas a Apple TV+ cada vez mais se mostra como uma das melhores plataformas de streaming, se tratando de séries que conseguem prender o espectador. “Cinco Dias no Hospital Memorial” realmente se enquadra neste quesito, uma vez que consegue mostrar um assunto bastante delicado, e nos colocar dentro da pele dos personagens. O resultado foi uma das mais impactantes produções deste ano, se tratando de minisséries. Baseado em fatos reais, a história se passa em meados de 2005, quando o Furacão Katrina atingiu a cidade de Nova Orleans, nos EUA, deixando a mesma totalmente destruída. E no meio deste cenário caótico, o maior hospital da cidade começa a ficar sem recursos, e aos poucos começam a enfrentar diversas condições precárias. Após cinco dias em meio ao caos e todos terem ido embora do local, investigadores vão ao mesmo e encontram vários corpos de pacientes sem vida. É quando os principais médicos do local, acabam sendo julgados por assassinato. Imagem: Apple TV+ (Divulgação) O roteiro da dupla Carlton Cuse e John Ridley realmente poderia ter apelado para o sensacionalismo barato, e até mesmo diversos clichês que vemos em séries como “Grey’s Anatomy“. Porém, a dupla sabe sobre as diversas possibilidades que poderiam ser desenvolvidas, e por isso optam por dividir cada um dos oito episódios com um propósito. Enquanto os dois primeiros capítulos procuram apresentar todos os personagens e a vinda do furacão, os outros acabam mostrando detalhadamente, os cinco dias que os presentes no hospital passaram. Quando chega a hora deles serem julgados, já conseguimos estar dentro daquela atmosfera bastante cientes de quem foram os verdadeiros culpados. Apesar de Vera Farmiga (Dr. Anna Pou) ter sido vendida como a grande protagonista da atração, digo com total seriedade que ela acaba sendo uma coadjuvante, uma vez que a função decai para o próprio hospital, cujos médico e pacientes enfrentaram situações caóticas, que são retratadas com bastante suspense e drama na medida certa (com enfase nas tomadas de inundação do hospital e dos primeiros resgates, que ficaram realmente impactantes). “Cinco Dias no Hospital Memorial” consegue ser uma minissérie que nos prende por diversos fatores, e aproveita das diversas possibilidades que foram criadas em um cenário real e caótico.
Crítica | Órfã 2: A Origem

Engenharia do Cinema Pensem em uma continuação que absolutamente ninguém pediu, e que o estúdio tem a brilhante ideia de colocar a atriz Isabelle Fuhrman mais uma vez vivendo a protagonista (que é uma psicopata, com uma síndrome que a deixe similar a uma menina de oito anos). Durante todo o processo de gravações, o estúdio e a própria atriz postaram várias fotos nos sets mostrando como eles fizeram para deixar a mesma similar a uma criança (seja com sapatos gigantes, até mesmo jogos de câmera). Mas isso não é suficiente para “Órfã 2: A Origem“, se tornar um filme convincente. A história se passa em 2007 (dois anos antes do original), quando a psicopata Leena (Fuhrman) consegue fugir do hospital psiquiátrico onde se encontrava internada. Ciente que ela pode se passar como uma criança órfã, ela descobre que uma família teve sua pequena filha Esther, desaparecida há bastante tempo. Então, ela acaba assumindo a identidade desta. Imagem: Diamond Films (Divulgação) Em seus primeiros minutos de projeção, sentimos aquela atmosfera de um possível filme de suspense que poderá ser tão bom quanto o primeiro. Devido a primeira cena de Leena e uma psiquiatra (Gwendolyn Collins) ser regada a tensão, mas indiretamente vemos que ao mesmo tempo temos um ar clichê, pois o arco se passa na Russia e a fotografia de Karim Hussain nos jogar tons acinzentados e depressivos (que sempre representam o país, neste tipo de produção). Isso foi um sinal, para tamanha qualidade precária que estaríamos prestes a ver. Logo após, existem várias situações que conseguimos ver o quão amador é o trabalho para transformar Fuhrman em uma criança, uma vez que não apenas os sapatos altos e jogos de câmera são usados, como também dublês infantis de corpo (com o rosto da atriz, sendo colocado por um CGI amador) e até mesmo bonecos mecatrônicos (que se assemelham ao boneco Chucky). Os fatores poderiam ter passado despercebido, se a edição de Josh Ethier não fosse tão porca (uma vez que os enquadramentos do diretor William Brent Bell, também fazem questão de enaltecer estes erros). Isso porque ainda não entrei no problemático roteiro de David Coggeshall, que só falta taxar o seu espectador de “burro”, em momentos contínuos (princialmente que tudo poderia ser resolvido com uma atitude simples, nos minutos iniciais). E chega determinado arco, onde o terror é trocado pela comédia (inclusive, em vários momentos me peguei aos risos de tão esdruxula que estava sendo a retratação). “Órfã 2: A Origem”, certamente é uma produção que foi concebida apenas devido a falta de originalidade na industria, e no aparente ganho financeiro que teria como retorno. Mas nos entrega um filme de horror tão precário, que vira uma comédia pastelão.
Crítica | Men

Engenharia do Cinema Não é novidade que o cineasta Alex Garland não está em seus melhores dias depois do aclamado “Ex-Machina“, uma vez que seu filme posterior “Aniquilação” teve um lançamento em branco na Netflix (uma vez que o próprio foi lançado direto pela plataforma, indo contra vontade do cineasta que concebeu o projeto originalmente para os cinemas). Seu terceiro filme, “Men” consegue ir nesta linha decrescente, ao apresentar uma premissa que mescla bastante o gênero Folk Horror (como no clássico “O Homem de Palha”), com Horror Psicológico, em um enredo bastante amargo. A história gira em torno de Harper (Jessie Buckley), que após o suicídio de seu cônjuge James (Paapa Essiedu) resolve tirar umas “férias improvisadas” em uma cidade distante. No local, ela acaba alugando a residência do misterioso Geoffrey (Rory Kinnear), e apesar deste se mostrar muito gentil, aos poucos ela nota que o local é rodeado de homens bastante psicóticos. Imagem: A24/Paris Filmes (Divulgação) Durante os quase 100 minutos de projeção, a única sensação que o diretor Alex Garland (que também assina o roteiro) transpõe para seu espectador é apenas um medo interno que muitas mulheres sentem, após vivenciarem determinadas situações delicadas como constantes abusos físicos e psicológicos. Isso funcionaria se Harper fosse uma personagem melhor escrita, já que à todo momento ela se mostra uma pessoa que não nos desperta interesse em torcer por ela, e principalmente se colocar em seu lugar (diferente do que vimos no “primo” deste, “Midsommar“, que ficamos a todo tempo na cabeça da protagonista vivida por Florence Pugh). Apesar de Buckley ser uma boa atriz, infelizmente é um fato que ela está se prendendo neste tipo de personagem e já está ficando bastante “previsível” suas facetas nestes projetos. E isso acaba tirando um pouco do impacto neste tipo de produção, pois nas tomadas de tensão e violência extrema, não sentimos absolutamente nada (uma vez que este tipo de filme depende e muito da atuação e abordagem da sua protagonista). “Men” acaba sendo vendido como um filme de terror no estilo de “Uma Noite de Crimes”, mas nos entrega uma produção mediana e esquecível na mesma proporção dos longas da Netflix.
Crítica | Concorrência Oficial

Engenharia do Cinema De vez em quando os serviços de streaming lançam produções realmente interessantes, mas sem muito alarde. O que foi o caso deste “Concorrência Oficial“, disponibilizado pelo Star+, que junta mais uma vez a dupla espanhola Antonio Banderas e Penélope Cruz, após inúmeras participações juntos. Tendo como um principal foco a crítica de como cineastas vão ao limite para conduzir seus atores, este filme dirigido pela dupla Mariano Cohn e Gastón Duprat (que também assinam o roteiro com Andrés Duprat), serve mais como reflexão do que entretenimento. A história tem início quando Humberto (José Luis Gómez), um bilionário empresário, tem uma breve crise existencial e decide bancar um filme, mesmo nunca tendo feito isso. Para isso, ele contrata a diretora Lola Cuevas (Cruz), que não só lhe mostra que lhe entregará o projeto que ele tem em mente, como irá conseguir controlar a dupla de atores consagrados Félix Rivero (Banderas) e Iván Torres (Oscar Martínez). Imagem: The MediaPro Studio (Divulgação) Sim, durante a boa metragem deste filme são os três atores citados e toda a narrativa é concebida entre das situações mais caóticas o possível que poderíamos imaginar. Se não tivéssemos nomes como os citados, já adianto que esta ideia iria por água abaixo, uma vez que Cruz está nitidamente se divertindo em representar uma diretora a lá Maria Helena (seu papel em “Vicky Cristina Barcelona“, que lhe rendeu seu primeiro Oscar), enquanto Banderas e Martínez vivem claras versões satíricas deles mesmos. Uma pena que o roteiro consiga extrair boa parte da graça, apenas para quem conhece ou vive no mundo do cinema e do teatro, não apenas pelo linguajar, mas também pelo limite que alguns deles se impõe para conseguir atingir a “perfeição” no tocante à atuação. Só que isso em determinado ponto, acaba cansando, pois o filme entra em uma espécie de looping, pelos quais poderiam ser cortados 30, dos 115 minutos totais. “Concorrência Oficial” é uma grata surpresa do cinema espanhol, mas uma pena que foi feita apenas para os amantes do cinema e teatro.
Crítica | A Fera

Engenharia do Cinema Este filme realmente faz parte de uma estratégia curiosa da Universal Pictures, pois ele está saindo primeiro na América Latina e depois nos EUA. “A Fera” certamente não vinha sendo tratado como um grande projeto no estúdio, pois além da premissa ser bastante conhecida nos cinemas, não temos este tipo de produção nas telonas há um bom tempo (o último foi “Predadores Assassinos“, em 2019). Filmes de um protagonista lutando contra um animal assassino, ultimamente estão sendo direcionados ao streaming, pois além de serem filmes pequenos, as bilheterias não estão favorecendo mais este gênero há tempos. A história mostra Nate (Idris Elba) que resolve levar suas filhas Meredith (Iyana Halley) e Nora (Leah Jeffries) para uma viagem até a África. Mas durante uma trilha, eles acabam tendo seu caminho cruzado com um leão assassino e, sedento para atacar quaisquer pessoas que estão em seu habitat natural. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) O roteiro de Ryan Engle e Jaime Primak Sullivan não nos poupa de colocar várias situações clichês e já conhecidas do gênero (Pai tendo conflito com as filhas, personagens que só aparecem para serem descartados, protagonista de ferro e por aí vai). Mas se tratando de um filme desse estilo, isso já era esperado, porém o problema está exatamente aí. Isso porque o diretor Baltasar Kormákur (“Evereste“) é um profissional que sabe conduzir apenas tomadas de ambiente, mas não às dramáticas. Enquanto temos um visual impecável nas cenas que mostram o visual da África, com vários de seus animais (como Girafas, Leões e etc), temos uma fotografia e cenas realmente bem filmadas neste aspecto. Mas quando ele procura exercer uma atmosfera dramática, acaba perdendo um pouco o tato, uma vez que tanto o roteiro, quanto Halley e Jeffries não são boas atrizes (e se tornam duas presenças irritantes na trama). O mesmo não se pode dizer de Elba e Sharlto Copley, que além de transparecer serem amigos de anos, nos transpõem todo o medo e tensão que eles estão passando à todo momento. Só que quando estes entram em verdadeiro “campo de batalha” com o Leão (que inclusive o CGI em torno dele e de vários outros animais, estão ótimos), faltou uma violência mais gráfica, pois realmente tudo parecia bastante genérico e havia um certo “medo” de mostrar ao público. “A Fera” acaba sendo não só um dos mais esquecíveis filmes de Idris Elba, como também um mero entretenimento pipoca que poderia ter sido jogado diretamente para streaming.
Crítica | Luck

Engenharia do Cinema Após a saída de John Lasseter da Disney/Pixar em 2018, o mesmo acabou indo parar no comando da divisão de animação da Skydance Animation, que na época estava nascendo. Como seu primeiro longa metragem neste, “Luck” foi lançado pela Apple TV+ e desde os primeiros momentos do longa vemos que o veterano levou consigo o “padrão Disney de qualidade” (já que a casa do Mickey não tem produzido nada relevante no estilo, nos últimos anos). A história gira em torno de Sam Greenfield, uma jovem que acaba de alcançar a maior idade e por isso teve de sair do seu orfanato onde estava, tendo de começar uma nova vida sozinha. Após diversos desastres em seus primeiros dias, ela acaba descobrindo uma moeda dourada que lhe fornece bastante sorte e ao perdê-la, acaba descobrindo que ela era um amuleto do gato Bob. Este então a leva para um mundo paralelo, onde gatos e outros animais controlam a sorte e azar da humanidade. É inevitável que o roteiro de Kiel Murray (que roteirizou animações da Disney como “Raya e o Último Dragão” e “Carros”) acabe lembrando demais as animações “Divertida Mente” e “Soul“, embora estarmos falando de estilos totalmente diferentes. E é nítido que a pegada consegue ser a mesma das clássicas produções da Disney, uma vez que Lesseter sabe qual fórmula o público gostaria de ver em cena. Imagem: Apple TV+/Skydance Animation (Divulgação) Um fator considerável é a enorme química e desenvolvimento de Sam e Bob, que conseguem cativar a atenção do espectador em poucos minutos em cena. Só que isso é prejudicado pelo fator que não sentimos uma ameaça para a dupla, já que o próprio roteiro busca soluções fáceis e até mesmo chulas para situações para desenvolverem potenciais vilões (chega a ser engraçado uma delas ter sido resumida a uma conversa com menos de um minuto). Embora a direção de Peggy Holmes (que comandou vários spin-offs da “Sininho” para a Disney) saiba ser operante, não existem detalhes importantes no design da produção e dos personagens (como a Disney anda apresentando), mas são operantes dentro do contexto. “Luck” acaba se tornando um ponta pé inicial positivo, em relação a divisão de animação da Skydance Animation e da Apple TV+. Por mais animações nesta pegada.
Crítica | Treze Vidas: O Resgate

Engenharia do Cinema Este é um dos meros casos que veremos muito na Amazon Prime Video nos próximos meses, onde após a compra da MGM, os vários filmes que haviam sido feitos pelo estúdio anteriormente passaram a não serem lançados no cinema e sim direto na plataforma de streaming citada. “Treze Vidas: O Resgate” é o primeiro dessa leva (inclusive o segundo será o novo filme de Sylvester Stallone, “O Samaritano“), e mesmo se tratando de um projeto do renomado diretor Ron Howard e estrelado por Viggo Mortensen, Colin Farrell e Joel Edgerton, não teve uma divulgação ampla e muito menos foi cogitado a ir para os cinemas. A história é inspirada em fatos reais e se passa em junho de 2018, mostrando como o mundo parou e se uniu para conseguirem resgatar um time de futebol, que ficou preso em uma caverna na Tailândia, após uma forte chuva inundar o local. Mas o caso é visto na perspectiva da dupla de mergulhadores especializados em resgates, os britânicos Rick Stanton (Mortensen) e John Volanthen (Farrell), que foram responsáveis por liderar a operação. Imagem: MGM (Divulgação) O roteiro de William Nicholson procura retratar toda a operação como se fosse um verdadeiro “documentário”, pelos quais ele se preocupa em relatar as dificuldades e como funcionou todo o percurso dos mergulhadores até os meninos. Como se trata de um caso recente (afinal, aconteceu durante a Copa do Mundo, e a operação foi televisionada junto das partidas) e todos estamos com o caso fresco na cabeça, o roteirista procurou focar em criar tensas em baixo da água. Para isso, o cineasta Ron Howard sabe realmente como criar um suspense e prender atenção do espectador, pois em diversas cenas onde não apenas a dupla citada enfrenta dificuldades no percurso (já que cada viagem durava cerca de sete horas), vários outros mergulhadores enfrentam desafios e eles são apresentados com sensações extremas de claustrofobia e se colocamos na tensão que eles estavam enfrentando. Outro quesito é que Howard mantém um respeito enorme com relação à nacionalidade tailandesa, uma vez que 60% da produção é falada na língua (algo bastante raro, e que inclusive afasta muito do público nos EUA, que assumidamente não assiste nada que for legendado). E isso funciona por conta do fator imersão, e sentimos o quão ele quer que tudo seja da forma mais verídica o possível. “Treze Vidas: O Resgate” é mais um daqueles filmes onde paramos para pensar o quão a humanidade ainda tem esperança, e que prende a atenção do público por conta do fator aventura criado pelo veterano Ron Howard.
Crítica | Bom dia, Verônica (2ª Temporada)

Engenharia do Cinema Sendo uma das mais sucedidas produções nacionais da Netflix, “Bom Dia, Verônica” foi uma das grandes sensações de 2020 e mesmo sendo inspirado em um único livro, foi concebida como uma minissérie e inesperadamente ganhou uma segunda temporada, se tornando assim uma série (inclusive, a terceira temporada provavelmente já está à caminho também). Essa segunda temporada se passa um tempo depois da primeira, com Verônica (Tainá Müller) vivendo uma vida escondida e tentando investigar uma nova grande ameaça, que demonstra ter uma ligação forte com o policial Cláudio (Eduardo Moscovis), pelo qual ela conseguiu deter no ano antecessor. Agora seus caminhos acabam sendo cruzados com Mathias (Reynaldo Gianecchini), que é líder de uma seita religiosa e que secretamente abusa de diversas mulheres com a condição de que irá curá-las. Imagem: Netflix (Divulgação) Agora com seis episódios, com em torno de 45 minutos cada, a única sensação que temos é o fato de tudo ter sido feito às pressas, devido a forma de como algumas cenas são jogadas e apresentadas. Existem diversos momentos fortes e pesados nesta trama, pelas quais necessitavam de uma atmosfera ser criada, antes de ser jogada pelo espectador. Tudo é meramente jogado e não conseguimos criar uma antipatia como no primeiro ano. Embora a história seja muito boa e remete bastante ao caso de João de Deus, com uma excelente interpretação de Gianecchini (cuja presença chega realmente a ser intimidadora), seus contratempos não são bons. Enquanto Klara Castanho extrapola com suas caras e bocas para representar uma atuação dramática (mostrando que realmente ela não é boa atriz para este tipo de projeto), e para este tipo de papel necessitava de uma atriz com mais peso e semblante dramático. Indo um pouco mais a fundo, a direção é totalmente amadora com relação as cenas de ação, vide às cenas de luta envolvendo Müller. Há não só um número infinito de cortes, como também a câmera balança ao máximo e tudo tenta esconder o fato que a mesma está coreografando posições com outros atores (chega a ser vergonhoso ver isso, pois acaba soando tudo como amador ao máximo). A segunda temporada de “Bom Dia, Verônica” mostra que às vezes para se conseguir fazer uma ótima temporada, precisa de cuidados e tempo para criar atmosferas. Coisa que realmente não aconteceu aqui.
Crítica | Predador: A Caçada

Engenharia do Cinema Desde que foi anunciado pela 20th Century Studios, “Predador: A Caçada” causou muita desconfiança por todos, uma vez que a Disney conseguiu a proeza de estragar todas as obras que eram da Fox até então. Porém, mesmo tendo como diretor o experiente Dan Trachtenberg (“Rua Cloverfield, 10”) sabíamos que o projeto teria uma chance grande de ser bom. E felizmente ele acertou em sua narrativa, e conseguiu tirar o gosto amargo que a versão “satírica” de 2018, havia deixado. A história se passa em 1719, quando a índia Naru (Amber Midthunder) e sua tribo tem seus caminhos cruzados com o misterioso ser alienígena Predador, e tudo começa a se tornar um verdadeiro jogo de gato e rato. Imagem: 20th Century Studios (Divulgação) Trachtenberg está ciente que o local onde se passa a narrativa pode haver diversas cenas explorando o ambiente e situações que fazem jus ao termo “Predador”. De forma progressiva, este é apresentado sempre de maneira sutil, com animais pequenos sendo atacados por maiores, e estes sendo finalizados pelo próprio Predador (inclusive o CGI é muito bem conduzido nestas horas). Outro quesito que chamou atenção é a fotografia de Jeff Cutter (que já trabalhou com o diretor em “Rua Cloverfield, 10“), que se assemelham a verdadeiras pinturas de tão belas, e que seriam melhor aproveitadas se a produção tivesse sido lançada nos cinemas (mostrando mais uma vez que a Disney não sabe trabalhar seus produtos). Mas como estamos tratando de uma produção do gênero de terror, obviamente que as mortes e as formas de como ela seriam feitas, deveriam ser criativas e impactar o espectador. Só que mesmo se tratando de um produto direto para o streaming, vemos que o estúdio tinha medo de mostrar certas mortes e elas sempre são “cortadas” ou “vistas de outros ângulos”, para não chocar o espectador. Sem dúvidas, o original acaba vencendo neste quesito também. Agora com relação ao roteiro de Patrick Aison, confesso que ele possui diversos problemas a começar pela questão de colocar a protagonista como uma pessoa implacável e todos os outros personagens ao seu redor sejam vilões ou burros (inclusive, as falas sempre fazem questão de enaltecer a mesma ou jogar frases de efeito que tratam debates inexistentes naquela época). Inclusive a própria Naru consegue ter carinho e atenção do espectador em poucos minutos de projeção, não pelo seu carisma, e sim pela presença de seu cachorro (cujas cenas de interação entre eles são ótimas). “Predador: A Caçada” pode-se dizer como uma luz no fim do túnel, em meio ao caos de diversas produções horripilantes que a Disney fez com os produtos da Fox.