Entre o deboche e a genialidade, The 1975 entrega o show mais estiloso do festival

Matty Healy subiu ao palco com uma garrafa de vinho, um cigarro e a postura de quem não liga para nada, exatamente o que os fãs esperavam. O show do The 1975 foi uma viagem estética e sonora. Com um setlist que privilegiou o álbum Being Funny in a Foreign Language, a banda soou impecável. A trinca inicial com If You’re Too Shy (Let Me Know) e TooTimeTooTimeTooTime colocou todo mundo para dançar. Mas os pontos altos foram os hits da era “Tumblr”, como Robbers e Sex, que causaram histeria na grade. Healy, equilibrando-se entre o personagem arrogante e o frontman carismático, provocou, bebeu e entregou um dos shows mais visualmente coesos do evento. O encerramento com Give Yourself a Try deixou aquele gosto de rock de arena moderno e inteligente. Edit this setlist | More The 1975 setlists
Gilsons transforma Lollapalooza em fim de tarde na Bahia com hits de ‘Pra Gente Acordar’

Entre tantas guitarras distorcidas e batidas eletrônicas, o show dos Gilsons funcionou como um oásis. O trio (filhos e netos de Gilberto Gil) trouxe a brisa da MPB contemporânea para o palco principal, provando que o som orgânico tem, sim, espaço em megafestivais. O hit Várias Queixas foi cantado em uníssono, transformando o gramado em uma roda de samba gigante. Mas a força do show residiu nas faixas do álbum Pra Gente Acordar, como Proposta e a faixa-título, que misturam a sofisticação harmônica da família Gil com o pop radiofônico. Foi uma apresentação leve, solar e dançante, que serviu para “limpar o paladar” do público antes da maratona de rock que viria a seguir.
Pitty comanda coro de milhares e prova que o rock brasileiro tem dono (e é uma mulher)

Se havia alguma dúvida sobre a longevidade do rock nacional, Pitty tratou de dissipá-la. Com um dos maiores públicos do dia no Palco Adidas (que ficou visivelmente pequeno para ela), a baiana entregou um setlist “sem firulas”, focado na memória afetiva. A abertura com Ninguém é de Ninguém já mostrou a banda afiada, mas foi quando os acordes de Admirável Chip Novo e Máscara soaram que Interlagos tremeu. Pitty, regendo a massa com elegância, atualizou a letra de Na Sua Estante (trocando “cê acha que eu sou louca” por “não diga que eu sou louca”), um detalhe sutil mas poderoso. O encerramento com Me Adora não foi apenas um show; foi um grito de desabafo coletivo de uma geração que cresceu ouvindo essas músicas.
Medulla abre os trabalhos com “bicicletada” sonora e rock visceral em Interlagos
Abrir o palco principal (Chevrolet) é uma tarefa para poucos, e o Medulla fez isso com a urgência de quem tem algo a provar. Os gêmeos Keops e Raony trouxeram seu rock experimental e cheio de groove para um público que ainda chegava, mas que foi capturado pela energia de faixas como Faça Você Mesmo e Paralelo ao Chão. A banda apostou na intensidade física, compensando o sol forte com performance. O destaque ficou para Eterno Retorno e Um Leão Por Dia, músicas que ganharam peso extra na acústica aberta do autódromo. Entre discursos sobre liberdade e a estética urbana (com referências às bicicletas que são marca da banda), o Medulla fez um show curto, grosso e suado, honrando o rock independente nacional no mainstream.
Carol Biazin espanta o sol do meio-dia com R&B sensual e cover poderoso de Cássia Eller

Quem encarou o sol a pino das 13h no Palco Adidas não encontrou uma artista iniciante, mas uma popstar pronta. Carol Biazin trouxe para Interlagos a complexidade de seu álbum Reversa, dividindo o show em atos que narram as fases de um relacionamento. Apesar do horário ingrato, a cantora paranaense entregou visuais e coreografia de gente grande. A sequência Garota Infernal e Tentação mostrou que seu R&B pop tem “pegada” ao vivo. Mas o momento que furou a bolha dos fãs foi o cover de Malandragem (Cássia Eller). Com arranjo moderno e vocais rasgados, Carol provou que tem envergadura para dialogar com o rock nacional clássico, preparando o terreno para o hit Mala Memo. Foi uma apresentação curta, mas que deixou claro: o palco secundário já ficou pequeno para ela.
LP emociona em show impecável na Audio, em São Paulo
Jack Johnson promove luau no Espaço Unimed com surpresas no set

O cantor havaiano Jack Johnson transformou o Espaço Unimed, em São Paulo, em um grande luau, na noite de quarta-feira (18). O mar estava projetado nos vídeos do telão, a trilha sonora em perfeita sintonia, só faltou a areia mesmo. No palco, o músico apresentou o oitavo álbum de estúdio, Meet the Moonlight (2022), que foi lembrado três vezes com os singles Costume Party, Don’t Look Now e One Step Ahead. Para quem acompanha a turnê é interessante notar como o havaiano altera frequentemente o repertório, além de inverter a ordem das faixas. Nada é programadinho como 99% dos shows internacionais que vêm ao Brasil. A alteração frequente está muito ligada à proposta do show. Não à toa, ele pergunta aos fãs se alguém quer pedir alguma música. Com um deles, Johnson brincou. “Desculpa, eu não consigo ler. Tenho 47 anos e estou sem óculos”. Quem prestou bem atenção nos medleys apresentados por Jack Johnson, certamente reparou nos covers. Mungo Jerry, Jimi Hendrix, Sublime, Pink Floyd, The Wailers, entre outros. O momento luau também pode ser reparado quando chamou Rogê, que havia acabado de fazer um ótimo show de abertura, para uma jam. Foram duas músicas juntos, Sunsets for Somebody Else e Big Sur, ambas intercalando versos em inglês e em português. Os hits marcaram os momentos de mais sinergia entre artista e público. Sitting Waiting, Wishing, Upside Down, Good People e Banana Pancakes foram algumas das destacadas. Vale destacar que a banda é extremamente técnica. O tecladista e gaiteiro Zach Gill rouba a cena em vários momentos, seja com os solos ou indo para a frente do público. Na reta final, já no bis, Time Like These, seguida por Do You Remember, ganharam versões acústicas. Com o retorno da banda, Jack Johnson finalizou o show com o mega hit Better Together.
Dono da festa, Slipknot entrega hits e pirotecnia no Knotfestival

Headliner da noite e dono do Knotfestival, o Slipknot não poupou esforços para entregar o melhor do evento. Pirotecnia, iluminação diferenciada e performances de tirar o fôlego são alguns dos pontos a se destacar. Além disso, o Slipknot focou mais nos hits no Knotfestival, preterindo os elogiados álbuns We Are Not Your Kind (2019) e The End, So Far (2022), ambos com apenas uma canção cada no repertório. Com 15 músicas no set, o Slipknot não desperdiça o tempo. Começa com a animada Disasterpiece, antes de emendar o sucesso Wait and Bleed. Sulfur e Before I Forget, ainda no início, mostraram que o objetivo era entreter do começo ao fim. E o Slipknot conseguiu com maestria. Enquanto Corey Taylor exerce bem a função de frontman e porta-voz da banda com o público, o baterista Jay Weinberg, que teve passagens por Madball e Against Me! antes de se consolidar no Slipknot, é o responsável por deixar os fãs boquiabertos com sua performance explosiva. The Dying Song (Time to Sing), do The End, So Far, foi muito bem recebida pelo público. Apesar de mais recente, a faixa já estava na ponta da língua de todos. Knotfestival tem tudo para retornar em 2023. E pode ter certeza que ninguém vai se incomodar em receber o Slipknot todo ano em São Paulo. O público estará lá sempre. Não é só música, é entretenimento, tal como o Kiss proporciona há décadas. Setlist Disasterpiece Wait and Bleed All Out Life Sulfur Before I Forget The Dying Song (Time to Sing) Dead Memories Unsainted The Heretic Anthem Psychosocial Duality Custer Spit It Out Bis People = Shit Surfacing
Nostalgia pura domina apresentação do Judas Priest no Knotfestival

Não deu nem tempo de digerir a apresentação do Bring Me The Horizon no Knotstage, quando Rob Halford, o Metal God, subiu ao Carnival Stage com o Judas Priest. E veio com a nostalgia lá em cima. Tocou apenas três músicas dos álbuns dos anos 1990 para cá, sendo duas do Painkiller (1990) e a faixa-título de Firepower (2018). Para quem é fã, já era esperado um repertório mais calcado nos clássicos. Recentemente, em entrevista ao programa The Best Show With Tom Scharpling, Halford falou da relação com as músicas mais antigas. “Quando você vai ver o Judas Priest e tocamos Breaking The Law ou Living After Midnight, não é 2022, é 1980. Você está com sua namorada, seu namorado, seu parceiro, quem quer que seja, ou sozinho, você ouve essas músicas e se lembra de quando estava na faculdade, na escola, na parte de trás do ônibus ou de carro, de férias, todos esses belos sentimentos e emoções irrompem nesta palavra, nostalgia”, afirmou o Metal God, em transcrição publicada pelo site Brave Words. Não à toa, Breaking the Law e Living After Midnight foram as responsáveis por fechar a apresentação. Poucos artistas conseguiriam arrastar público para o palco secundário antes do Slipknot. O Judas conseguiu. Os menos apaixonados deixaram o palco um pouco antes do fim. Setlist Electric Eye Riding on the Wind You’ve Got Another Thing Comin’ Jawbreaker Firepower Devil’s Child Turbo Lover Steeler Between the Hammer and the Anvil Metal Gods The Green Manalishi (With the Two Prong Crown) (Fleetwood Mac cover) Screaming for Vengeance Painkiller Bis Hell Bent for Leather Breaking the Law Living After Midnight