Na abertura da Virada SP, Planet Hemp esquece “Jardineiros” e foca em clássicos

Foram 22 anos de espera até um novo álbum de estúdio do Planet Hemp. Jardineiros chegou na última sexta-feira (21). Uma visita a Santos também demorou bastante, tendo em vista que as últimas tentativas do Planet Hemp foram canceladas de última hora. No fim da tarde deste sábado (22), Marcelo D2, B-Negão e companhia abriram a programação da Virada SP, na Praça Mauá, em Santos. No entanto, o álbum novo foi praticamente ignorado. A única exceção foi Distopia, single que tem a participação de Criolo. Para os fãs mais antigos, porém, o show foi um prato cheio. Usuário, disco de estreia da banda, lançado em 1995, teve nove faixas lembradas pelo Planet Hemp: Não Compre, Plante!, Legalize Já, Dig Dig Dig (Hempa), Mary Jane, Planet Hemp, Fazendo a Cabeça, A Culpa é de Quem, Deisdazseis e Phunky Buddha. O mais chocante notar é que 27 anos depois do lançamento de Usuário, todas as músicas parecem atuais. Ou pior, ainda mais atuais. Pior porque as denúncias não envelheceram. Tudo que o Planet protestava em 1995, segue sendo motivo de manifestação até hoje. Aliás, o show do Planet Hemp foi palco de muitas manifestações. Entre uma música e outra, gritos de apoio a Lula (PT), candidato à presidência, gritos hostis contra o atual presidente, Bolsonaro (PL), além de discursos inflamados de Marcelo D2 e B-Negão. “Trabalhador vota em trabalhador. Patrão nunca. Patrão nunca!”, gritou D2. “Dia 30 temos uma eleição importante pela frente. Se ganharmos, será uma guerra a partir do dia seguinte. Se perdermos também será uma guerra. Mas se ganhar, sem salto alto. Vamos ficar atentos”, discursou B-Negão. A sessão de nostalgia do Planet Hemp também passou pelo disco Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997): Zerovinteum, Seus Amigos, Queimando Tudo e 100% Hardcore foram as lembradas. A apresentação também teve espaço para uma homenagem ao Ratos de Porão, que ganhou uma versão de Crise Geral, faixa do disco Cada dia mais sujo e agressivo (1987), dos paulistanos. O último álbum antes do longo hiato, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000), foi lembrado por faixas como Stab, Contexto e Quem Tem Seda? D2, que disse ter comido uma feijoada mais cedo e estava se sentindo pesado, voltou a fazer mais discursos inflamados durante a apresentação. “Preta, mulher, gay e favelada. Quando eu disser Marielle, vocês respondem ‘presente’”, pediu, sendo atendido de forma imediata na homenagem à ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018. A trinca final do show, em uma Praça Mauá bem cheia, contou com Samba Makossa (Chico Science & Nação Zumbi), A Culpa é de Quem e Mantenha o Respeito. Positivo para os nostálgicos, negativo para quem está com o álbum novo fresquinho na mente e só pode ouvir Distopia ao vivo. A pesada Taca Fogo, também de Jardineiros, foi lembrada apenas de forma falada por D2.
Måneskin entrega show apoteótico para os fãs em São Paulo; confira review

A sinergia entre banda e público certamente é o que torna o show da banda italiana Måneskin algo completamente incrível. Se durante boa parte do set, os integrantes se jogam nos braços dos fãs, no fim são eles que sobem no palco para completar a festa. Na última sexta (9), no Espaço Unimed, em São Paulo, foi assim. O vocalista Damiano David, a baixista Victoria De Angelis e o guitarrista Thomas Raggi, todos com menos de 24 anos, comandam uma sinfonia do caos em cima do palco. O repertório é cantado do início ao fim pelo público, em sua maioria teens. Tanto as canções em inglês, quanto as faixas em italiano. O idioma não é barreira para ninguém. Aliás, o início da festa é bem mesclado. Duas faixas em italiano para aquecer os fãs (Zitti e Buoni, In Nome Del Padre), além da mega dançante Mammamia, essa em inglês. Responsável pela abertura do show, Zitti e Buoni, aliás, é a canção que deu o título do Eurovision para o Måneskin em 2021, a mesma competição que consagrou o Abba. E sem pausas, apenas algumas brincadeiras rápidas com os fãs, o Måneskin despeja um som mais popular que o outro. La Paura Del Buio antecede a estourada versão de Beggin’, do The Four Seasons. Aliás, cartão de visita perfeito entre o público infantil e teen. Minha sobrinha de cinco anos canta com toda desenvoltura possível. A balada Coraline levou muitos fãs ao choro, destoando um pouco do ritmo frenético da apresentação. Mas era a pausa necessária para embalar na sequência com Close to the Top, do primeiro álbum cheio, Il Ballo Della Vitta, o hit mais recente, Supermodel, além de For Your Love. Bastante comunicativo, Damiano pediu para os fãs ensinarem palavras em português e reproduziu o grito de Vamos, Caralho, que o público entoou do início ao fim do show. Em outro momento, enquanto os fãs gritavam “hey Bolsonaro, vai tomar no cu”, Damiano perguntou o que o público estava gritando. “Vocês estão falando algo contra o Bolsonaro? Fora Bolsonaro!”, emendou aos risos, arrancando muitos aplausos da plateia. Mas o grande caos estava guardado para a reta final. I Wanna be Your Slave, que foi gravada com Iggy Pop, além de I Wanna be Your Dog, da lendária banda The Stooges, colocaram o Espaço Unimed abaixo. Novamente com os integrantes nos braços do público e uma bagunça generalizada. Em Lividi Sui Gomiti, a última antes do bis, boa parte do público foi selecionada pelos músicos e subiram ao palco. Além de cantarem juntos, os fãs abraçaram os integrantes, tiraram selfie, pegaram setlist, dançaram. Uma festa completa. Após deixar o palco, a banda deu a impressão para alguns fãs que não voltaria mais. No entanto, os músicos retornaram e surpreenderam com a balada Le parole lontane, acalmando os corações de quem estava a milhão após o final apoteótico. I Wanna be Your Slave foi tocada novamente para dar números finais ao concerto. O repeteco acabou sendo o único ponto negativo da apresentação impecável. Senti falta da versão de Womanizer, de Britney Spears, que poderia ter entrado no repertório. Mas nada que tire o brilho dos italianos, que chegaram ao Brasil com a imagem de banda que bombou no Tik Tok, porém sai daqui como um nome fortíssimo pela consistência da apresentação.
Bastille faz show animado em São Paulo com direito a pedido de casamento e “grito” pela Amazônia

De volta ao Brasil após sete anos, a banda britânica Bastille entregou aos fãs um show animado na noite da última sexta-feira (9), no Tokyo Marine Hall, em São Paulo. Embalada na turnê do álbum Give Me The Future, lançado em fevereiro deste ano, a banda se aproveitou da temática futurística do disco para fazer seu show voltado à crítica ao escapismo da realidade que a tecnologia causa atualmente. Com uma história contada no telão após cada sequência de músicas, o público (só os que entendiam inglês, pois não houve tradução na tela) pôde acompanhar uma empresa futurística fictícia, e a forma como ela proporciona a fuga da realidade para o mundo virtual, como se fosse um metaverso. A crítica se estendeu até o final do show, e terminou com o “cancelamento” da empresa. Mas esse foi apenas um dos detalhes que tornou o show do Bastille interessante. Musicalmente, a banda contou com uma boa variação entre seus quatro álbuns de estúdio e alguns de seus principais singles com outros artistas. Para abrir a apresentação e já sentir o clima em São Paulo, o grupo emendou quatro músicas animadas: Stay Awake e Distorted Lights Beam, do último álbum, e as conhecidas Things We Lost In The Fire e Laura Palmer, do disco All This Bad Blood, de 2013. Em seguida, o vocalista Dan Smith deitou em um divã, que permaneceu no palco durante toda a apresentação, e ouviu mais um recado da empresa fictícia antes de iniciar uma sequência um pouco mais lenta. Apesar da quebra de ritmo, os fãs não deixaram de cantar com empolgação até mesmo Those Nights e Quarter Past Midnight, que deram um ar mais intimista ao ambiente. Foi durante essas músicas, inclusive, que uma cantora convidada pelo grupo roubou a cena. Lamentavelmente, o vocalista não a apresentou ao público, assim como não apresentou os demais membros da banda e nem mesmo se apresentou durante a apresentação. Porém, se trata de Bim Amoako, ou só BIM, cantora britânica responsável por coordenar o coral do casamento real de Principe Harry com Meghan Markle, em 2018. Convidada pela banda para a turnê, BIM roubou a cena em alguns momentos, mostrando muita qualidade vocal e agregando bastante ao longo da noite. Após o ritmo ficar um pouco mais lento, a banda passou a variar entre músicas mais dançantes e mais melódicas até chegar no momento do acústico, onde o grupo apresentou Flaws, um trecho de Laughter Lines e em seguida emendou com a triste No Bad Days, que curiosamente fala sobre eutanásia. Um outro detalhe interessante que chamou atenção durante o show foi a constante comunicação por sinais que o vocalista Dan Smith fazia com alguém do backstage. O artista parecia incomodado com o volume, mas não foi claro se era o do microfone ou o de seu retorno. Os gestos duraram até a última música, mas não foi algo que pareceu deixar o cantor irritado ao longo da apresentação. Muito pelo contrário. Simpático e carismático, Dan Smith interagiu com os fãs, pegou bandeiras e cartas, arriscou frases em português e ainda permitiu que um pedido de casamento fosse feito no palco. Além disso, ele ainda fez um serviço de achados e perdidos para sua produção quando alguém perdeu um equipamento de comunicação, oferecendo baquetas e uma champanhe para quem achasse, mas até o fim do show ninguém apareceu com o objeto. Voltando à apresentação, após o momento acústico, foi a hora da música eletrônica ganhar espaço, com a aclamada Happier, em parceria com o DJ Marshmello, e Run Into Trouble, feita com o brasileiro Alok. Assim, com o público novamente aquecido, foi a vez de emendar Of The Night que é um mashup dos hits noventistas europeus The Rhythm of the Night e Rhythm Is a Dancer, e a agitada Shut Off The Lights. Em seguida, o grupo deixou o palco e voltou para o bis com Hope for the Future, música que fala sobre a crise climática e os problemas que o mundo pode sofrer. Foi nesse momento em que Dan Smith passou a falar da importância do meio ambiente e recomendou que os fãs procurassem os representantes do Greenpeace que estavam no show para saberem como ajudar. Durante o discurso, o baterista Chris Wood ergueu uma faixa com a frase “Salve a Amazônia” escrita. Muito aplaudida pelo público após o discurso, foi hora da banda encerrar o show com a mais esperada da noite. Após uma introdução mais lenta, que contou com trechos de Oblivion e Million Pieces, o Bastille fez todo mundo sair do chão com Pompeii, seu maior hit. Com um show de luzes e do público, o grupo finalizou em ótimo astral sua segunda passagem por São Paulo – a primeira havia sido em 2015, no Lollapalooza. O próximo show da banda no Brasil acontece neste sábado (10), no Rock ir Rio. Em seguida, a banda faz uma pausa nas apresentações e retorna aos palcos em novembro, para tocar na Europa.
Dua Lipa coloca 35 mil pessoas para dançar em show sensual no Anhembi
Avril Lavigne faz show compacto, mas repleto de hits em São Paulo; confira review

Já se passaram 20 anos desde o lançamento do álbum de estreia de Avril Lavigne, Let Go, que estourou mundialmente com hits como Complicated e Sk8er Boi. Agora, em sua quinta vez no Brasil, a cantora canadense retorna renovada e com um álbum repleto de energia e sucessos em potencial. Na quarta-feira (7), Avril Lavigne apresentou um show sucinto, com 1h10 de duração, no Espaço Unimed, em São Paulo. Alguns fãs se queixaram de ser pequeno, mas foi suficiente para apresentar as faixas de trabalho de Love Sux (2022) e passear por outros cinco álbuns da carreira. Nas 14 faixas tocadas, a cantora deu uma atenção maior a Love Sux e Let Go, com cinco e quatro faixas respectivamente. Goodbye Lullaby (2011). Os demais discos foram representados pelos seus maiores hits. Acompanhada de uma banda cheia de energia, a Rainha do Pop Punk, responsável por popularizar o gênero entre as mulheres, ainda guardou uma surpresa para o fim, tocando Avalanche, de Love Sux, pela primeira vez em um show. Duas décadas depois de surgir na música, Avril Lavigne segue com o mesmo rosto. Parece não ter envelhecido nada. A energia e disposição no palco idem. Corre, chuta os balões de ar e conversa com o público diversas vezes. A disposição do set também é interessante. Inicia com dois dos carros-chefes de Love Sux (Cannonball e Bite Me), antes de intercalar os hits de todos os álbuns. Antes de iniciar Complicated, Avril Lavigne sentou no palco da bateria e agradeceu aos fãs pelo apoio nos últimos 20 anos, ouvindo todos os discos e curtindo fase a fase. Por fim, vale ressaltar que Avril se provou autêntica mais uma vez. Não só pelo show, mas pelo novo álbum, com produção de Travis Barker (baterista do blink-182), John Feldmann (vocalista do Goldfinger) e o rapper Mod Sun. Esse trio conseguiu extrair o melhor da cantora, equilibrando a nostalgia do pop punk do início dos anos 2000 com uma dose de inovação. Edit this setlist | More Avril Lavigne setlists Abertura de Avril Lavigne Antes de Avril Lavigne subir ao palco, a cantora Day Limns se mostrou a escolha mais acertada possível para abrir a noite. Fã de carteirinha da canadense, ela não escondeu em momento algum a satisfação de estar ali. “Isso é um sonho sendo realizado. Eu esperei por isso desde os meus sete anos”, disse durante a apresentação. Foram 30 minutos de show e uma oportunidade única de apresentar o álbum de estreia, Bem-vindo ao Clube, que conversa perfeitamente com o público de Avril. Day, aliás, teve um grande feedback da plateia. Foi acompanhada em coro em sua versão para Na Estante, de Pitty, além de ter seu pedido atendido por lanternas de smartphones em Dilúvio, que veio logo na sequência. Suas principais canções foram deixadas para o fim, com Clube dos Sonhos Frustrados e Finais Mentem. Na primeira, Day mostrou sua camiseta personalizada para o show, com a frase “Clube dos Sonhos Realizados”. “Acreditem no sonho de vocês. Eu não fui nas quatro primeiras vezes que a Avril veio ao Brasil, mas eu disse que a quinta seria especial. E hoje estou aqui. Tuitei isso na última vez que ela veio. Eu juro”.
Axl falha, mas Guns n’ Roses faz show memorável em Londres

Nos anos 1990, Axl Rose ficou marcado pela falta de comprometimento com o público. Atrasar duas ou três horas o início de um show do Guns n’ Roses era algo muito comum. Isso, felizmente, mudou nos últimos anos. Mas, para o meu azar, fui premiado com algo raro na atual fase da banda. Na sexta (1), no lindo e moderno estádio do Tottenham Hotspur, na região norte de Londres, Axl Rose teve uma crise de ansiedade por conta de problemas na voz e atrasou toda a programação. Em resumo, foram duas horas de atraso na abertura dos portões, cancelamento da apresentação do lendário Michael Monroe, além de um set reduzido de Gary Clark Jr. O guitarrista norte-americano, no entanto, não se abalou. Entrou muito tranquilo, sem correria, falando pouco, mas entregando uma boa amostra de seu último disco de estúdio, This Land, de 2019, que ganhou os grammys de melhor disco de blues contemporâneo, além de melhor música de rock e melhor performance de rock com a faixa-título. O set com seis faixas foi muito bem recebido pelos fãs do Guns n’ Roses, que aproveitaram para fazer registros com os celulares. Em função do problema na abertura dos portões, a pista só foi ficar cheia na última canção do set, Low Down Rolling Stone. O show do Guns Ainda com o céu claro, sol e frio característico de Londres, o Guns n’ Roses subiu ao palco disposto a entregar o melhor de si. É impressionante como Duff e Slash parecem não envelhecer nunca. Continuam em alto nível mesmo após décadas de serviços prestados. Axl Rose, no entanto, não estava numa tarde boa. Demonstrou insegurança com a voz desde o início do show. Logo após Mr Brownstone, segunda canção do set, o vocalista perguntou se o som estava bom. Com o feedback negativo de alguns fãs, já reclamou com alguém da equipe técnica. Voltou na sequência para Chinese Democracy, Welcome to the Jungle, Slither (cover do Velvet Revolver) e Better. Em Estranged, o problema técnico voltou a ficar mais perceptível. Aliás, Axl precisou parar sua execução no meio para recomeçar a música. Da parte dos fãs, apoio incondicional. Muitos aplausos e gritos de incentivo para levantar o ídolo. E o apoio foi fundamental para Axl se mostrar mais seguro desse ponto em diante. Live and Let Die (cover do Wings), Double Talkin’ Jive, Reckless Life e Rocket Queen foram tocadas e cantadas pelo público em uníssono. Na sequência foi a vez de Duff assumir os vocais. Sempre com ótimas escolhas de clássicos do punk rock, o baixista escolheu I Wanna Be Your Dog, do The Stooges. Com Axl de volta ao posto central, o Guns tocou duas das canções mais recentes do seu repertório: Absurd e Hard Skool, que não conseguiram a mesma comoção das mais antigas. Em Civil War, que sempre soa épica nas apresentações, Axl prestou um lindo tributo para a Ucrânia, que vem sendo vítima de uma guerra promovida pela Rússia. Bandeiras e imagens pró Ucrânia foram mostradas no telão. Com o Reino Unido apoiando em peso a Ucrânia no conflito, o retorno dos fãs também foi massivo. Logo depois, Slash assumiu o protagonismo. Entrou com o seu poderoso solo, sempre extremamente técnico, e emendou com uma versão de Born Under a Bad Sign, de Albert King, já com a presença dos demais integrantes. Axl retornou em Sweet Child o’ Mine, que teve a companhia da cantora Carrie Underwood. Vencedora da quarta temporada do programa American Idol e um dos maiores nomes do country contemporâneo, ela mostrou muita desenvoltura no palco. Prova disso é que voltou no fim do show para cantar Paradise City. Antes de Paradise City, porém, o Guns ainda distribuiu mais alguns hits: November Rain, Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan) e Nightrain. Fez uma rápida pausa antes do bis e voltou com uma breve introdução de Blackbird, dos Beatles, antes de tocar Patience. Com o público em pé, em todos os setores do moderno estádio, veio o ápice do show com Paradise City. Por fim, vale destacar que se o início foi acidentado, o meio e fim do show do Guns mostraram toda a potência de uma das melhores bandas de todos os tempos. Setlist – GUNS Intro It’s So Easy Mr. Brownstone Chinese Democracy Welcome to the Jungle Slither (Velvet Revolver cover) Better Estranged Live and Let Die (Wings cover) Double Talkin’ Jive Reckless Life Rocket Queen I Wanna Be Your Dog (The Stooges cover) Absurd Hard Skool Civil War Slash Guitar Solo Sweet Child o’ Mine (com Carrie Underwood) November Rain Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan cover) Nightrain BIS Patience Paradise City (com Carrie Underwood)
Jesse Malin e Kelley Swindall em Glasgow com o pessoal do Green Day na plateia

A noite do dia 28 estava concorrida em Glasgow. Num raio de 1,5 km eram três opções de shows: o eterno vocalista do D-Generation, Jesse Malin, a banda de hardcore norte-americana Lag Wagon, além do Kings of Leon. Optei pelo ineditismo na minha check-list e fui no primeiro. A escolha foi acertada. O local em si, o King Tut’s Wah Wah, já tem história de sobra. A pequena casa, com capacidade para 300 pessoas, já recebeu nomes como Oasis, Rage Against the Machine, Biffy Clyro, Radiohead, Blur, Travis, Pulp, The Verve, entre outros no início de carreira. Além disso, não tive o privilégio de assistir a um show do D-Generation e Jesse Malin nunca se apresentou no Brasil. De quebra, colocou a incrível Kelley Swindall para abrir a noite. E se tudo isso não bastasse, ainda tive o prazer de vivenciar isso com Billie Joe e Tré Cool, do Green Day, ao meu lado em um espaço 2×2, próximos à mesa de som. Sim, ambos são muito amigos de Jesse e aproveitaram que farão um show hoje em Glasgow, sequência da tour que o Blog n’ Roll acompanhou em Londres, para prestigiar o companheiro. Sem cerimônia, Kelley Swindall subiu ao palco no horário previsto. Bastante comunicativa, a cantora contou histórias sobre o seu repertório e arrancou muitos aplausos. Lançado na pandemia, o álbum You Can Call Me Darlin’ If You Want serviu como base do repertório. Fortemente influenciada pela música americana, com alguns traços de folk e country, Kelley é uma contadora de histórias nata. Do seu setlist autoral, destaco a faixa-título do álbum, Dear Savannah, California e You Never Really Loved Me Anyways. Após concluir sua apresentação, Kelley distribuiu autógrafos e vendeu seus próprios discos na banquinha enquanto Jesse conversava com o público. Jesse Malin Jesse Malin não demorou a assumir o palco. Muito ativo durante a pandemia, fazendo inúmeras lives, o músico nova-iorquino não escondeu a emoção de poder andar no meio do público. “Fiquei muito tempo preso em casa e entediado. Queria muito ter saído, mas o medo me manteve em casa. Mas confesso que estou cansado de gravar lives”. E um dos motivos para a empolgação era o álbum Sad and Beautiful World, lançado durante a pandemia. Foram cinco faixas do disco apresentadas no King Tut’s, incluindo Backstabbers, Before You Go, Dance With the System, State of the Art e The Way We Used to Roll. Apesar da minha expectativa, Billie Joe e Tré Cool não foram ao palco durante o show. O baterista do Green Day estava muito animado ao lado da mesa de som, mas Billie Joe parecia entediado, passando boa parte do tempo no celular. Mas se não teve esse feat, nem músicas do D-Generation, Jesse Malin entregou um belo dueto com Kelley, a grata surpresa da noite, com uma releitura de You Ain’t Goin’ Nowhere, de Bob Dylan.
Fall Out Boy faz show de headliner, Weezer deixa a desejar e Green Day emociona em Londres

Quando foi anunciada há dois anos, a Hella Mega Tour deixou o público enlouquecido. Três superbandas juntas em um giro mundial: Green Day, Weezer e Fall Out Boy. A pandemia, no entanto, atrasou esse sonho de milhares de fãs. Mas se a demora frustrou muita gente, eles compensaram com a inclusão da Amyl and The Sniffers, uma das bandas mais quentes da atualidade. A primeira parte desse giro pelo Reino Unido foi na última sexta-feira (24), no London Stadium, casa do West Ham. Amyl and The Sniffers O despertar da banda australiana Amyl and The Sniffers veio com uma apresentação no Coachella, um pouco antes da pandemia estourar. Agora, dois anos depois, o grupo tem aproveitado todas as oportunidades que aparecem. A tour pela Europa teve vários shows solos sold out, tal como no Reino Unido, na América do Norte e Oceania, os dois últimos vêm na sequência. Paralelamente a tudo isso, Amyl and The Sniffers também abriu para o Liam Gallagher no Knebworth. E, logo depois, engatou como artista convidado na Hella Mega Tour, com Green Day, Weezer e Fall Out Boy. Toda essa credencial garantiu um retorno positivo para a banda no London Stadium, primeiro show da Hella Mega Tour no Reino Unido. Durante os 30 minutos de show, o público vibrou bastante, cantou algumas canções e pulou quando pedido pela vocalista. Vestida com um shorts preto curto e uma blusinha cor de pele, bem curta e sem sutiã, a vocalista Amy Taylor deixou os fãs sem entender se estava nua ou não. O repertório foi todo em cima do segundo álbum de estúdio, Comfort to Me, com destaque para músicas como Guided by Angels, Security e Hertz. Weezer Burocrático. Assim pode ser resumido o show do Weezer. Com um repertório sem surpresa alguma, a banda parecia disposta apenas a entregar o feijão com arroz no palco. O show no London Stadium foi o terceiro que assisti do Weezer (um em cada continente), mas ficou muito aquém do que eles já ofereceram. Com uma hora de apresentação, River Cuomos e companhia tocaram dois covers: Enter Sandman (Metallica) e Africa (Toto). Quando foram ao Brasil, em 2019, achei até compreensível por conta do Teal Album, disco só com covers que tinha acabado de ser lançado. No entanto, de lá para cá, o grupo lançou três discos autorais e dois EPs. Isso sem falar do vasto repertório de uma banda inquieta com quase 30 anos de estrada. Van Weezer, por exemplo, que traz canções poderosas, foi totalmente esquecido. Vale destacar que a entrada da banda foi ao som de Jump, do Van Halen. Trolaram mesmo quem estava esperando por algo desse disco. Ok Human foi lembrado com a bela All My Favorite Songs. Uma coisa que não mudou na estrutura do repertório apresentado no Brasil é a base do primeiro álbum (Blue). My Name Is Jonas, Undone – The Sweater Song, Say It Ain’t So e Buddy Holly seguem sendo pontos focais do show. Uma mudança sentida foi na bateria. Impossibilitado de excursionar com o Weezer, Patrick Wilson foi substituído por Dave Elitch. Para quem não acompanha a banda, porém, nada mudou. A abertura com Hash Pipe e Beverly Hills animou bastante o público, composto em sua maioria por fãs do Green Day. My Name Is Jonas e Porks and Beans colocaram ainda mais pilha na plateia. A Little Bit of Love (Sprint) e Records (Summer), dos EPs temáticos das quatro estações, pouco empolgaram e reduziram bastante a animação dos fãs. Records foi lançada durante a semana, enquanto A Little Bit Love não caiu nas graças do público. Em Island in The Sun, River Cuomos teve problemas com a guitarra. Não conseguia iniciar a canção e pediu auxílio aos roadies. Depois de constatar que nenhuma das duas guitarras estavam aptas, avisou que faria a parte dele com a boca e no air guitar. Coincidentemente a guitarra voltou na hora do solo e ele pode concluir do jeito que esperava. Africa, do Toto, certamente foi uma das que mais empolgou o público. Por fim, Say It Ain’t So e Buddy Holly, ambas do primeiro álbum, deram números finais ao show. Em resumo, não fosse o apoio do público, o Weezer teria feito um show muito chato. E muito aquém da apresentação que vi em Chula Vista, nos Estados Unidos, há quatro anos, quando deixou o Pixies parecendo uma bandinha recém formada no lineup. Fall Out Boy O que faltou de entusiasmo e cuidado no setlist do Weezer, sobrou no repertório do Fall Out Boy. Pode parecer bobeira ou mero detalhe, mas esquentar o estádio inteiro com labaredas de fogo logo na primeira música, ajuda demais. Com Phoenix, o Fall Out Boy abriu a apresentação com o público na mão. A alegria por estar de volta a Londres estava estampada no rosto de todos. O baixista Pete Wentz, aliás, celebrou com os fãs. “Muito bom ver a música de volta, os shows de volta. Estamos muito felizes por estarmos aqui fazendo o que mais gostamos”, disse antes de tocar Save Rock and Roll. Essa faixa, inclusive, foi muito bem recebida pelos fãs. Enquanto o vocalista simplesmente tocava em um piano pegando fogo, em uma versão bem comportada de Jerry Lee Lewis, o público cantou junto do início ao fim. The Last of the Real Ones e Dance, Dance mantiveram a temperatura bem elevada no London Stadium, fosse pela animação do público ou com as labaredas de fogo no palco. Um dos pontos altos da apresentação veio com This Ain’t a Scene, It’s an Arms Race. Aqui, o estádio parecia inteiro ao lado do Fall Out Boy, como se fosse o headliner da noite. Diferente do Weezer, o Fall Out Boy apostou nos hits do início ao fim. I Don’t Care e Thnks fr th Mmrs foram mais duas amostras do que essa banda é capaz de fazer com um estádio lotado. Um problema técnico no telão fez com que a banda gastasse uns dois a três minutos com uma paralisação inesperada.
Twenty One Pilots faz até luau improvisado no caldeirão do O2 Academy Brixton

Um dia antes, o Twenty One Pilots havia vencido o prêmio de melhor performance ao vivo do Kerrang Awards, prêmio da tradicional revista britânica. No O2 Academy Brixton, casa emblemática de Londres, o duo estava pronto para o terceiro de quatro shows seguidos na capital inglesa. Cada um com uma proposta diferente. O giro do Twenty One Pilots começou com uma apresentação intimista no Camden Assembly, pub com capacidade para 250 pessoas, no coração de Camden Town, na última terça (21). No dia seguinte, o duo seguiu para o O2 Shepherds Bush, mais um show sold out, dessa vez para 2 mil pessoas. No O2 Academy Brixton, na quinta (23), foi para quase 5 mil pessoas, enquanto o encerramento no sábado (25), na Arena Wembley, para 12,5 mil pessoas. “Nós estamos muito felizes com esse reconhecimento da Kerrang. Nós nos dedicamos muito para entregar um show bom para vocês. Esse prêmio só foi possível por causa de vocês. Vocês deveriam receber esse prêmio também”, declarou o emocionado vocalista Tyler Joseph, no O2 Academy Brixton. E ele não está errado. A sinergia entre público e banda impressiona. Da primeira música, Good Day, até a última, Trees, não existe nenhum momento de distração. Os olhos dos fãs ficam pregados no palco. Inclusive boa parte deles vai como cosplay dos integrantes. Recentemente, o nosso correspondente em Londres, Roberto Gasparro, comentou que alguns artistas não sabiam aproveitar a imensidão do palco do O2 Academy Brixton. Mas esse não é o caso do Twenty One Pilots. Tudo foi montado de forma impecável para a dupla brilhar em cena. Tyler Joseph e Josh Dun dão show de acrobacias, interagem o tempo todo com o público e exploram recursos visuais o tempo todo com um telão incrível no fundo do palco. O repertório, mesmo que recente (dupla tem pouco mais de dez anos de estrada), é de gente grande. Prova disso é que já soltam um dos maiores hits, Stressed Out, logo no começo. É a segurança de quem se garante com um caminho de sucessos na sequência. Migraine e Heathens vieram na sequência, comprovando a força do setlist. Em The Outside, os dois recebem o apoio de uma banda completa, com guitarra, baixo e saxofone. O baixista, aliás, é um show a parte no palco. Muito carismático, ele de cabeça no clima proporcionado por Tyler e Josh. Chlorine e Mulberry Street vêm em sequência para preparar o palco para uma continuação ainda mais especial. No piano, Tyler puxa Bennie and The Jets, de Elton John. Muito aplaudida pelos fãs, a música soou com uma bonita homenagem ao lendário artista britânico, que se apresentou no dia seguinte no Hyde Park, abrindo o British Summer Time, festival de verão de Londres. Na sequência, o Twenty One Pilots improvisou uma fogueira no palco e iniciou uma sessão acústica, tal como fizeram recentemente na gravação do Unplugged MTV. O set acústico teve um tempo considerável. Contou com I Can See Clearly Now (Johnny Nash e famosa na voz de Jimmy Cliff), My Girl (The Temptations), Home, House of Gold e We Don’t Believe What’s on TV. Sem aliviar na sequência pesada, o Twenty One Pilots tocou uma versão da música tema de Halo antes de emendar mais alguns hits, como Jumpsuit e Heavydirtysoul. Em Saturday, Josh tem sua bateria colocada em cima de um tablado e erguida pelos fãs. Isso mesmo, toca a bateria numa espécie de ilha no meio da plateia. Quem acompanha o Twenty One Pilots há mais tempo sabe que isso é uma prática comum nas apresentações. Level of Concern, Ride e Car Radio em sequência também ajudaram a deixar os fãs mais empolgados. Mas o forno que estava dentro da casa, após um dia extremamente quente em Londres, fez com que alguns fãs deixassem a pista antes do fim. Shy Away, um dos destaques do último álbum, Scaled and Icy, veio em uma versão misturada com I’m Not Okay (I Promise), do My Chemical Romance. Trees deu números finais a um show que não tem margem de erro. É impecável do início ao fim.