Drive-By Truckers faz show intimista em Londres para revelar Welcome 2 Club XIII

Com um álbum fresquinho na bagagem, os americanos do Drive-By Truckers estão excursionando pela Europa e Reino Unido até o final deste mês. Em resumo, o grupo tem tocado algumas canções do Welcome 2 Club XIII. Aliás, foi isso que o público presenciou na última quarta-feira (8), no O2 Forum Kentish Town, em Londres. A abertura da noite ficou por conta de Jerry Joseph, que fez um set baseado no seu último lançamento, o álbum The Beautiful Madness, de 2020. Infelizmente um set curto, pois o artista tem uma discografia imensa e para pincelar todo a sua obra, seria necessário pelo menos o dobro do tempo que lhe foi dado. Mas o set de Jerry Joseph foi muito bem escolhido. A bela Days of Heaven abriu o show e já deu a dica de como seria o resto da apresentação. Em síntese, seguiu exatamente dessa forma, mais intimista, no voz e violão. Ao todo foram seis canções. Já o Drive-By Truckers, que não dava as caras por aqui desde 2017, entregou um show com um set list enorme. Vinte e três músicas, quase duas horas de show, com participação especial do Jerry Joseph em Hell No, Ain’t Happy. Com garrafas de cerveja se misturando aos amplificadores e com uma luz mais baixa, a banda conseguiu aproximar mais dos fãs. Quanto ao set, nada mais justo ao dar prioridade ao recém-lançado Welcome 2 Club XIII e incluir seis músicas no repertório. A banda é perfeita ao vivo, todos os detalhes são tecnicamente executados ao vivo. É uma banda de rock que bebeu de diversas fontes, passa de Johnny Cash a Ramones. Por fim, também tem um forte posicionamento, no qual já questionaram diversas vezes os problemas que o Estados Unidos tem com o porte de armas.
UK Rocks | Elvis Costello encanta no histórico Brighton Dome

Uma apresentação de Elvis Costello sempre pode surpreender. Aos 67 anos, ele não é o tipo de artista que vive do passado e segue a mesma fórmula para compor desde os primórdios. Portanto, um show dele pode ter punk rock, jazz, blues, música clássica, inglês ou espanhol. São infinitas possibilidades, se levarmos em consideração tudo que ele produziu e lançou desde os anos 1970. Com isso em mente, o show em Brighton, na Inglaterra, no último domingo (5), me deixou sonhando e idealizando o que poderia assistir. Foram 11 anos de espera desde o cancelamento de sua segunda turnê no Brasil. Em Brighton, cidade na qual a gaivota rouba a cena o tempo todo, Elvis deu o pontapé inicial da UK Tour do novo álbum, The Boy Named If. A casa escolhida foi a maravilhosa Brighton Dome, construção histórica que recebeu concertos memoráveis do Pink Floyd, além de ter sido o palco da final do Eurovision de 1974, que consagrou o Abba como vencedor. Aliás, Elvis estava muito bem acompanhado de seus companheiros do The Imposters (Steve Nieve – teclados; Pete Thomas – bateria; Davey Faragher – baixo e backing vocals) e Charlie Sexton, guitarrista fixo da banda de Bob Dylan. O repertório passeou por várias fases da carreira do músico. Em duas horas de apresentação, Elvis conversou muito com o público, brincou com o fato de ninguém ali estar se importando com o Jubileu da Rainha, além de ter intercalado momentos mais introspectivos com outros animados. Desde o início da pandemia, Elvis viveu momentos distintos. Ficou isolado com a esposa, Diana Krall, e os filhos, lançou alguns discos em dois anos, mas também sofreu com grandes perdas, como a mãe e o amigo produtor Hal Willner. O retorno aos palcos britânicos logo teve uma sensação diferente para o músico. Sua última apresentação pelo país, pouco antes da pandemia, foi em Liverpool. A mãe dele estava lá na plateia. Voltando ao show no Brighton Dome, ele esquentou de vez da metade para o fim. Até o momento, Elvis tinha tocado muitas faixas com poucas luzes no palco, o que fez com que algumas pessoas até tirassem um cochilo na plateia. Accidents Will Happen mudou esse cenário. Quase em sequência, foi sucedida por Watching the Detectives, The Comedians, (I Don’t Want to Go to) Chelsea e Alison. Pump It Up e (What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love and Understanding, que deram números finais ao show, tiraram o público das cadeiras. Ninguém mais ficou sentado e cantaram junto com Elvis até o fim. Foi o mais próximo dos tempos de punk rock do músico. Ian Prowse O responsável pela abertura da noite foi Ian Prowse, vocalista das bandas indie Pele e Amsterdam. Com pouco mais de 40 minutos de apresentação, ele priorizou alguns dos sons mais conhecidos de suas duas bandas, além de duas novidades da carreira solo, que teve um álbum lançado no início do ano, One Hand on the Starry Plough. Uma dessas canções foi tocada logo na entrada de Prowse. Diego é um tributo do artista ao inigualável Diego Armando Maradona. Sim, o cara é fanático por futebol. Diego é uma canção bem linda, no piano, com muita influência de The Carpenters. Acompanhado de outros dois músicos, um tecladista e uma violonista, Prowse entoou versos como “você estava louco, louco, louco, ninguém nunca fez isso como você, baby”. Entre um som e outro, Prowse também abusou do humor inglês. Disse que avisou a família que aproveitaria o feriado do Jubileu para fazer um show em uma cidade de praia. Ouviu como resposta uma pergunta: “será lá que passaremos nossas férias?”. Ao que respondeu: “não, é Brighton. Vamos para outro lugar, por favor”. A piada foi bem aceita pelo público, que deu risada e o aplaudiu na sequência.
Bad Religion, uma ligação de pai para filho em Londres. E ainda teve UK Subs

Nos últimos dias, Londres estava dividida entre diversas celebrações do Jubileu da Rainha. Mas foi outro evento importantíssimo que atraiu punks e fãs de hardcore ao Forum Kentish Town, no norte da capital inglesa. De um lado, a lenda do punk inglês UK Subs com seus 44 anos de história. Do outro, a referência do punk americano Bad Religion, que comemora 40 anos (coloquem mais dois na conta devido ao atraso de dois anos da pandemia). O evento foi uma belíssima imersão ao universo do punk, com a velha guarda misturada com adolescentes. O Forum recebeu um excelente público para prestigiar as duas bandas veteranas. Os ingleses fizeram as honras da casa e entraram em ação primeiro. Passearam por toda a carreira da banda, enquanto o carismático vocalista Charlie Harper conversava com o público com a mesma irreverência e proximidade de quem está em uma mesa bebendo um café com amigos. Som alto, empolgante e certeiro deixaram os ânimos altos para a atração principal. Em resumo, foram 16 faixas do UK Subs, prestigiando os álbuns Another Kind of Blues, Diminished Responsibility, Brand New Age e Endagered Species. Pausa rápida, mudança de backline e tudo certo para a entrada do Bad Religion. Antes de falar sobre o show, uma coisa realmente emocionante de ver foi o respeito mútuo entre as bandas. Jay, do Bad Religion, disse que era surreal depois de tanto tempo estar excursionado com uma banda que ele é muito fã. Charlie também disse que estar junto dos amigos do Bad Religion era algo mágico. Bem, os americanos fizeram um show certeiro, agradaram aos fãs mais velhos, causaram um impressão positiva para os que estavam lá pela primeira vez, além de ter emocionado o público. Em síntese, mostrou o motivo de ser uma das bandas mais relevantes do punk rock. Poderia escrever sobre o setlist, destacar que eles não erram acordes ou que os timbres de guitarra são e estão cada vez melhores. No entanto, o que vai ficar é uma experiência bem pessoal. Explico: em 1996, fui ao meu primeiro show do Bad Religion. Tinha apenas 15 anos, no Brasil. No Forum, no último fim de semana, meu filho, também com 15 anos, viu o primeiro dele, enquanto eu estava indo ao meu vigésimo. Muita coisa se passou nas nossas vidas, mudamos de país, aprendemos uma nova língua e uma nova cultura, porém nunca deixamos de ouvir a música deles. Uma coisa que passei para ele, mas que com certeza ficará marcado para sempre. A música nos proporciona coisas mágicas. Um dia que jamais será esquecido. Obrigado Greg, Jay, Brian, Mike e Jamie! Foi uma noite linda. Por fim, sobre o set list, estava tudo lá como sempre: uma avalanche sonora de 26 músicas. Clássicos, b-sides, singles, do primeiro ao último álbum. De We’re only Gonna Die até End of History, de Recipe for Hate, passando por Modern Man. Ou seja, um show de Bad Religion como deve ser.
Amyl and The Sniffers e Bob Vylan conquistam UK com som cru, visceral e discurso forte

Com a temporada de shows e festivais prestes a começar pela Europa e Reino Unido, abrimos junho com um dos mais aguardados concertos do semestre. A icônica casa londrina Brixton Academy foi o palco para Pist Idiots, LYNKS, Bob Vylan e Amyl and The Sniffers, na última quarta-feira (1). Os primeiros a darem as caras no palco foram os australianos do Pist Idiots. Show curto, influenciado por um mix de pós punk, punk e grunge. Os 40 minutos foram suficientes para passar o recado e apresentar ao público diversas faixas do primeiro álbum da banda, Idiocracy. Mudando totalmente o rumo da noite, diretamente do sudeste de Londres, LYNKS deu um clima dançante e performático na noite, com batidas eletrônicas, coreografias no ritmo de academia, misturados com backing vocals femininos. Tudo muito rápido e frenético. Prata da casa, o duo Bob Vylan entrou em cena de forma pouco convencional. Enquanto o vocalista se alongava, o baterista dava o ritmo para os exercícios. O show quebrou o clima de uma casa enorme e trouxe uma atmosfera de clube underground, no qual na primeira música o vocalista já voou de encontro ao público. Show necessário, pautado pelo fortíssimo discurso dos integrantes, onde diversas questões sociais e culturais são erguidas. Eis que a headliner da noite, a australiana Amyl and The Sniffers entrou em cena. Acredito que o ponto a ser festejado sobre o show é a postura selvagem da banda, especialmente da vocalista, fazendo com que o público ficasse frenético junto com ela. Uma banda crua, poderosa e visceral. Tocaram por cerca de 1h10, pautando o clima do show em levantar questões feministas, políticas e obviamente a oposição ao jubileu da rainha. Show de uma banda que está em uma crescente absurda. Dois anos atrás tocava em clubes pequenos e hoje é headliner para 5 mil pessoas, mas sem perder o ponto que divide o underground do mainstream. Após essa apresentação, Amyl ainda abriu o concerto de Liam Gallagher em Knebworth. E, agora, se prepara para os shows da Hella Mega Tour, com Green Day, Weezer e Fall Out Boy.
UK Rocks | Me First and the Gimme Gimmes + Pinc Louds + 4ft Fingers no O2 Academy Islington
Metallica incendeia Morumbi em noite de nostalgia

Foram dois anos de espera até o Metallica, enfim, se apresentar no estádio do Morumbi, em São Paulo. O atraso causado pela pandemia, no entanto, não tirou o ímpeto da banda, muito menos dos fãs, que lotaram a casa do tricolor paulista em plena terça-feira. Aliás, quem comprou ingresso para ver o Metallica, ganhou dois shows incríveis de abertura: Ego Kill Talent e Greta Van Fleet, que iniciaram os trabalhos ainda no fim da tarde. Ego Kill Talent A primeira banda a subir ao foi o Ego Kill Talent, que recentemente fez um show tributo a Taylor Hawkins, do Foo Fighters, no Lollapalooza. A banda paulistana teve apenas 30 minutos para dar o recado, mas aproveitou muito bem o tempo, emendando um som atrás do outro sem enrolação e conversa fiada. Na bagagem, trouxe o excelente segundo álbum de estúdio, The Dance Between Extremes, lançado no ano passado. O set curto, com sete canções, equilibra bem um pouco de cada um dos dois álbuns de estúdio. E o mais legal foi ver a recepção e o carinho que o público teve com o grupo, que bom alcance internacional. Greta Van Fleet Logo depois, o Greta Van Fleet, a banda mais “ame ou odeie da atualidade”, apareceu. Em sua terceira apresentação em São Paulo (antes tocou no Lollapalooza e Lolla Parties de 2019), o grupo mostrou ainda mais consistência do que na primeira vez. Os irmãos gêmeos Josh Kiszka e Jake Kiszka, vocal e guitarra, respectivamente, estavam mais à vontade no palco. Logo nas duas primeiras canções conquistaram o público carrancudo do Metallica com o potente alcance vocal e solos absurdos de guitarra. The Battle at Garden’s Gate (2021) respondeu por metade do repertório, composto por apenas oito músicas em quase uma hora de apresentação. No entanto, foram duas canções do disco From The Fires que mais se destacaram no show: Black Smoke Rising logo no começo e Highway Tune, que encerrou a festa. Curioso notar que não somente as canções, mas o figurino e o próprio telão, o tempo todo em preto e branco, garantem um tom mais nostálgico para o show. Impossível não lembrar de Led Zeppelin, mas o Greta mostra que já conseguiu moldar essa influência para algo bastante original. Metallica Com 20 minutos de atraso, o Metallica colocou o Morumbi abaixo com uma estrutura absurda: cinco telões gigantes que revezavam imagens dos integrantes com animações incríveis, além de torres de fogo que esquentaram toda a plateia. Whiplash (Kill ‘Em All, de 1983) abriu a apresentação, tal como nos shows de Curitiba e Porto Alegre. O single de estreia da carreira do Metallica, no longínquo 1983, funcionou como um na porta para quem estava se queixando do pequeno atraso. O peso do início da carreira se manteve na sequência com Ride The Lightning, faixa-título do segundo disco do Metallica, de 1984. Aliás, quem teve a proeza de seguir passando frio após esse início absurdamente quente, esquentou com Fuel, do Reload (1997). Durante a execução, torres de fogo foram acesas no meio da pista e nos dois lados do palco. Conversando com pessoas que ficaram em setores diversos no estádio, ficou quente igual para todos. O repertório do Metallica seguiu muito nostálgico com a inclusão de Seek & Destroy, do álbum de estreia, entoada a plenos pulmões pelos fãs mais apaixonados. Nostalgia dá o tom do show do Metallica A trinca seguinte mostrou que o Metallica não estava disposto a tirar o pé do acelerador. Os dois anos de atraso, felizmente, deixaram os músicos ainda mais empolgados em cena. Em sequência vieram Holier Than Thou, One e Sad but True. A primeira e a terceira do campeão de vendas Black Album (1991) e a segunda do clássico …And Justice for All (1988), responsável pela primeira turnê do Metallica no Brasil, em 1989. Dirty Window (St Anger, 1999) e No Leaf Clover (S&M, 2003), em sequência, foram uma forma encontrada pelos músicos de não deixar passar em branco álbuns mais “recentes” da discografia. Porém, o que estava funcionando mesmo com os fãs e o Metallica conhece bem sua base em São Paulo eram os clássicos, a fase mais pesada da banda. For Whom the Bell Tolls e Creeping Death, do Ride Lightning, vieram em dobradinha, sucedidas por Welcome Home (Sanitarium) e Master of Puppets, do disco de 1986. Bis trouxe dois grandes clássicos A saída rápida do palco, antes do bis, não dá tempo nem de comprar uma bebida com os ambulantes. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo já retornaram antes de qualquer possibilidade de ação por parte dos fãs. E, aqui, vale ressaltar a disposição dos músicos no palco. Os shows já não têm mais três horas de duração (foram quase duas), mas a disposição de todos os integrantes no palco é impressionante. Todos parecem estar se divertindo o tempo todo. No encore, Spit Out the Bone, último single do álbum mais recente, Hardwired… to Self-Destruct, de 2016, foi a primeira, substituindo Battery, do Master of Puppets. Nothing Else Matters e Enter Sandman para encerrar o show nos remetem ao início dos anos 1990, quando em sua segunda turnê pelo Brasil, em 1993, o Metallica divulgava seu maior sucesso comercial, Black Album, e disputava o posto de maior banda de rock do mundo com o Guns n’ Roses. Enter Sandman, aliás, foi concluída com o estádio inteiro cantando junto, pulando em completo descontrole. A queima de fogos encerrou a noite nostálgica que certamente agradou em cheio os fãs mais antigos do Metallica. Que retornem pela décima vez e mais, se possível. Ninguém vai reclamar. Setlist do Metallica Whiplash Ride the Lightning Fuel Seek & Destroy Holier Than Thou One Sad but True Dirty Window No Leaf Clover For Whom the Bell Tolls Creeping Death Welcome Home (Sanitarium) Master of Puppets BIS: Spit Out the Bone Nothing Else Matters Enter Sandman
Crítica | Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (Sem Spoilers)

Engenharia do Cinema Já não é novidade que “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” é um dos filmes mais aguardados na nova fase da Marvel, que engloba as séries do selo também. Tendo como base os desfechos de “WandaVision” e “Homem-Aranha Sem Volta Para Casa”, realmente o primeiro longa estrelado pelo mago Stephen Strange (vivido por Benedict Cumberbatch) acaba sendo apenas uma cobertura neste bolo preparado por Kevin Feige. Se tratando do primeiro grande filme de terror do estúdio (nos próximos parágrafos vocês entenderão melhor), foi certeira a escalação do diretor Sam Raimi (também responsável pela trilogia do “Homem-Aranha” com Tobey Maguire). A história tem início quando Stephen tem seu caminho cruzado com a adolescente America Chavez (Xochitl Gomez), que lhe alerta estar fugindo entre os vários multiversos, junto de uma então finada outra versão do próprio Stephen. Sem saber o que fazer, ele acaba indo recorrer à própria Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), que diz necessitar das habilidades de America para conseguir se estabelecer na sua vida dos sonhos. O roteiro de Michael Waldron (também responsável pela série “Loki“) procura estabelecer sua narrativa com o seguinte pretexto: nós sabemos que você já conhece estes personagens, então vamos colocar tudo isso dentro do seguinte princípio de que estamos no “multiverso da loucura” e quaisquer justificativas não farão sentido. Isso pode funcionar em um primeiro momento, mas à medida que a história vai avançando, percebemos que não há como comprar este discurso (já que alguns personagens tomam algumas atitudes que não fazem o menor sentido, dentro da cronologia do que já foi mostrado no Universo Cinematográfico da Marvel). Imagem: Marvel Studios (Divulgação) Como estes tópicos do roteiro vou deixar para a crítica com spoilers, vamos ao que interessa: o trabalho de direção de Sam Raimi. Ciente que ele exerceria uma homenagem ao clássico de horror trash “Evil Dead“, o mesmo usa e abusa das oportunidades que ele pode fazer nas cenas chaves. Seja por intermédio da violência gráfica em algumas horas (inclusive, irão chocar os fãs da Marvel) e até mesmo pelos vários momentos englobando enquadramentos e perseguições acompanhadas da trilha sonora de Danny Elfman (que nitidamente homenageia o trabalho de Joseph LoDuca, no primeiro “Evil Dead”). E digo com total segurança, que por mais do fato de várias pessoas esperarem várias participações especiais marcantes, o show acaba sendo de Elizabeth Olsen. Presente no UCM desde 2014, a mesma conseguiu fazer com que sua Wanda alcançasse uma grande desconstrução, à medida do avanço de sua narrativa, fazendo com que sua caracterização se transformasse na mais assustadora de todos os personagens da Marvel (deixando até Thanos no chinelo). Com auxílio da maquiagem, realmente ela muda o olhar de heroína para psicopata. Porém, isso acaba perdendo um pouco da magia quando Olsen ou qualquer outro nome do elenco tem cenas envolvendo uma grande quantidade de CGI. Como o recurso é responsável por fazer a maioria dos filmes da Marvel existirem (e aqui não é diferente), é perceptível que os atores estavam gravando em telas verdes de fundo e tudo foi feito às pressas na pós-produção. “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” não chega a ser uma obra-prima, muito menos um grande exemplar da Marvel. Mas é uma válida homenagem ao cinema de horror, pelos olhos do próprio Sam Raimi.
Crítica | Um Jantar Entre Espiões

Engenharia do Cinema Ta aí um filme que dificilmente conseguirá cair nas graças do espectador, pois ele claramente foi feito com o único propósito de dizer que o ator Chris Pine (o Capitão Kirk, da franquia cinematográfica de Star Trek e que assina a produção aqui) é um bom ator dramático. Mesmo com um bom marketing da Amazon, alegando que se tratava de um “grande filme de espionagem”, durante a projeção de Um Jantar Entre Espiões a única coisa que vinha a mente era “este é mais um longa de romance, ao invés de investigação”. Inspirado no livro de Olen Steinhauer (que também assina o roteiro), a trama mostra o agente Henry Pelham (Pine) que acaba sendo sucumbido de se reencontrar com sua ex-namorada e também agente Celia Harrison (Thandiwe Newton), com o intuito de conseguir informações sobre uma fracassada missão de ambos. Só que à medida que o papo avança, coisas piores vão sendo colocadas na mesa. Imagem: Amazon Studios (Divulgação) O principal demérito de roteirista de um filme, ser o autor da obra literária original, é que ele está familiarizado tanto com aquele arco, que acaba deixando de lado o fator “o público precisa comprar este universo e estes personagens”. Neste fator, Steinhauer peca e feio. Com uma narrativa que mescla presente e passado, constantemente, não acabamos conseguindo entrar no jogo que o diretor Janus Metz cria. Realmente não ficamos empolgados com absolutamente nada, muito menos com as atuações de Pine e Newton (mesmo com a ótima química de ambos e eles estando bem em cena). Embora a fotografia de Charlotte Bruus Christensen aproveite bem para trabalhar pastilhas acinzentadas, para as cenas de romance no passado e alaranjadas no presente, é triste ver que o que é retratado em cena, não faz jus a este tipo de trabalho. Isso sem citar quando Metz tenta criar uma atmosfera de suspense, mesmo com nós já cientes com o que está por vir na cena. Lamentável. Um Jantar Entre Espiões acaba sendo mais um filme feito apenas para arrecadar prêmios e fazer com que Chris Pine ganhe seu biscoito.
Resenha de show | Pop chicleteiro do Maroon 5 empolga no Allianz Parque

Dois anos e uma pandemia depois, o Maroon 5 entregou tudo que o público esperava na abertura da mini turnê no Brasil, na noite de terça-feira (5), no Allianz Parque, em São Paulo: hits, carisma e baladas para os apaixonados. Com a arena completamente lotada, Adam Levine e companhia não pouparam para as fãs que mostraram um conjunto vocal poderoso, não aliviando a garganta em nenhum momento. Durante 1h30 de show, o Maroon 5 fez um greatest hits do início ao fim. Mantendo o que apresentou no México, na semana passada, a banda iniciou com os superhits Moves Like Jagger e This Love. Na sequência, Stereo Hearts, do grupo britânico Gym Class Heroes, que gravou a faixa com Adam Levine, aparece no repertório para dar um refresco para quem gritou sem parar nas duas primeiras canções. Muito mais à vontade do que na última turnê, Adam Levine conversou com os fãs, fez juras de amor e pediu desculpas por não falar palavras em português. Após oito turnês no País, o vocalista já se sente até um pouco brasileiro. Mas a Adam Levine sabe que sua principal arma são os hits. E não diminui o ritmo. One More Night, Animals, What Lovers Do e Makes Me Wonder, que surgem na sequência, colocam mais pilha nos fãs. As quatro canções somam mais de 3 bilhões de plays somente no YouTube. Outro momento muito assertivo no repertório foi a dobradinha com Harder to Breathe e Payphone, que caíram como videokê para o público. Ouvir Adam Levine foi um desafio e tanto. Payphone, aliás, foi cantada em versão acústica, bem próxima do público da pista comum, algo possível por conta da passarela que ligava ao palco. Lost e Beautiful Mistake vieram na sequência. Foi a estreia das duas canções, que foram lançadas em 2021, no álbum Jordi, um disco em homenagem ao empresário da banda, Jordan Feldstein, que faleceu aos 40 anos devido a complicações com um coágulo sanguíneo. Sunday Morning e Girls Like You vieram no fim, garantindo aquele ar de despedida em alto nível: público cantando junto, vários gritos histéricos para o vocalista com uma energia lá em cima. Contudo, o Maroon 5 sabia que o público ainda esperava por mais hits. Memories, também do novo álbum, foi a transição para outros dois sucessos avassaladores: She Will Be Loved, que inicia com uma versão acústica, além de Sugar, o gran finale dos norte-americanos. Nesta quarta-feira (6), o Maroon 5 conclui sua rápida passagem pelo Brasil com um show em Porto Alegre. Restam poucos ingressos para a apresentação. Mas se puder dar uma dica, vá! Abertura marcante de Jão para o Maroon 5 Responsável pela abertura da noite, o cantor Jão mostrou seu valor mais uma vez para um grande público. Em 30 minutos conseguiu passar seu recado por meio de um show enérgico e com muito apoio do público do Maroon 5. Acompanhado de duas excelentes backing vocals, uma dupla de metais, além de guitarra, baixo e bateria, Jão pouco falou. Quis aproveitar ao máximo o tempo disponível. O repertório, com nove canções, priorizou o primeiro (Lobos) e o terceiro disco (Pirata), com quatro canções de cada. Uma linda homenagem a Cazuza, aniversariante da semana, completou o set. Tal como fez no Lollapalooza, Jão mostrou personalidade para dar uma nova cara ao clássico O Tempo Não Para. Logo depois, as backing vocals de Jão mostraram muito talento para cantar um trecho à capela de Say My Name, da Destiny’s Child. Vou Morrer Sozinho, A Rua e Idiota, todas autorais de Jão, foram cantadas a plenos pulmões pela plateia, o que só comprova que o momento é dele.