Hot Chip transforma o anoitecer do Memorial em rave sofisticada com cover surpresa de Beastie Boys

Se o Khruangbin trouxe o relaxamento e o CSS a nostalgia, o Hot Chip veio para trabalhar as pernas do público. A banda britânica, com sua mistura cirúrgica de indie e eletrônico, pegou o horário de transição para a noite e montou uma discoteca a céu aberto. Alexis Taylor, com seu visual “nerd chic”, comandou um setlist que equilibrou as faixas do então recente A Bath Full of Ecstasy (como Hungry Child) com os clássicos obrigatórios. Over and Over e Ready for the Floor são músicas à prova de falhas: a precisão dos sintetizadores ao vivo é impressionante. Mas o “grande acerto” foi a surpresa final. A banda encerrou com um cover explosivo de Sabotage, dos Beastie Boys. Ver os britânicos polidos gritando e distorcendo guitarras nessa homenagem ao hip-hop punk foi o choque de energia final que o público precisava antes da maratona de rock do The Raconteurs.

Tove Lo desafia pé quebrado e entrega aula de pop sensual e carisma

Uma estrela pop comum talvez cancelasse o show. Tove Lo, não. Com o pé quebrado e usando uma bota ortopédica, a sueca trouxe a turnê de Sunshine Kitty para o Popload e deu uma lição de profissionalismo. Grande parte do show foi feita sentada em uma cadeira (que mais parecia um trono), mas isso não diminuiu em nada a voltagem sexual de sua performance. Hits como Disco Tits e Talking Body funcionaram perfeitamente com a acústica do festival. Tove Lo compensou a falta de mobilidade com interação, olhares e vocais afiados. O público comprou a briga, cantando cada verso de Cool Girl e Glad He’s Gone. O momento mais catártico veio no final, com Habits (Stay High). Ver milhares de pessoas cantando sobre “comer o jantar na banheira” enquanto a cantora, visivelmente emocionada e limitada fisicamente, entregava tudo de si, foi um dos momentos mais humanos e bonitos do evento.

Lovefoxxx lidera retorno triunfal do CSS e transforma Popload em festa da saudade indie

Havia uma dúvida no ar: o “indie dance” do Cansei de Ser Sexy (CSS) envelheceu bem ou soaria datado em 2019? A resposta veio em forma de uma festa caótica e deliciosa. Celebrando 15 anos de estrada (e após um longo hiato dos palcos brasileiros), a banda fez o show mais divertido do festival. Lovefoxxx, vestindo um figurino que misturava tules e cores vibrantes, não parou um segundo. A abertura com Art Bitch e Alala foi um soco de nostalgia que fez o público de trinta e poucos anos voltar à adolescência. Mesmo com alguns problemas técnicos e a ausência da formação original completa, a energia de faixas como Let’s Make Love and Listen to Death From Above compensou tudo. O show foi uma celebração da liberdade e do deboche que marcaram a cena indie dos anos 2000. Ao final, com Music Is My Hot Hot Sex e Lovefoxxx se jogando na galera (literalmente), o CSS provou que, mesmo que o “hype” tenha passado, a capacidade de fazer um festival inteiro pular continua intacta.