Pennywise entrega show catártico no encerramento da We Are One Tour

Encerrando a noite com o peso de uma instituição do punk rock da Califórnia, o Pennywise transformou a Audio, na terça-feira (31), em um cenário de caos controlado e celebração. Se as bandas anteriores prepararam o espírito, o quarteto de Hermosa Beach veio para cobrar o resto do fôlego que o público ainda guardava. Jim Lindberg comandou o público com sua voz ríspida e presença de palco autoritária, enquanto Fletcher Dragge, com sua guitarra “gigantesca” e atitude desafiadora, mantinha a aura de perigo e rebeldia que é a marca registrada do grupo. O show foi uma sucessão de hinos de resistência e união. Músicas que definiram gerações foram entoadas a plenos pulmões, criando rodas de pogo que ocupavam quase toda a extensão da pista. A cozinha formada por Randy Bradbury e Byron McMackin é, possivelmente, uma das mais sólidas do gênero, garantindo que a velocidade nunca atropele a melodia. O Pennywise não faz apenas um show, eles promovem uma experiência coletiva onde a barreira entre ídolo e fã é quebrada pelo suor e pela ideologia compartilhada. >> LEIA ENTREVISTA COM FLETCHER DRAGGE Peaceful Day e Same Old Story entraram logo no início do set, enquanto Fuck Authority (precedida por um discurso forte contra governantes) e um medley com músicas do NOFX (Bob e Kill All the White Man) e Beastie Boys (Fight For Your Rights) se destacou no meio do repertório. A reta final foi ainda mais apoteótica, com Society, Perfect People e Living for Today. Na sequência, Nikola Sarcevic, vocalista do Millencolin, voltou ao palco para tocar baixo e cantar Stand By Me. Como não poderia deixar de ser, o grand finale veio com Bro Hymn, aqui acompanhada por todos os integrantes do Mute, The Mönic e Millencolin, que fizeram os backing vocals. O coro fúnebre que virou celebração à vida foi um dos momentos mais especiais da We Are One Tour. A boa notícia é que o Pennywise já tem data para voltar a São Paulo: 23 de maio no Hangar 110. Venda de ingressos deve começar ainda hoje, às 19h.

Millencolin entrega set nostálgico para surfistas e fãs de Tony Hawk

O Millencolin possui uma relação simbiótica com o Brasil que já dura quase três décadas. Desde a primeira visita em 1998, os suecos aprenderam a ler o público brasileiro como poucos. No show da Audio, a banda estava visivelmente relaxada e em clima de festa, celebrando não apenas o encerramento da bem-sucedida We Are One Tour 2026, mas também um feito esportivo: a classificação da Suécia para a Copa do Mundo após vencer a Polônia. A euforia era tanta que os músicos adotaram a comemoração de Viktor Gyökeres, craque do Arsenal, simulando a máscara do vilão Bane sobre o rosto. Musicalmente, o que se viu foi uma “metralhadora” de clássicos. A sequência inicial com Penguins & Polarbears, Bullion, Sense & Sensibility, Ray e Olympic é o tipo de setlist que não deixa ninguém parado. Os guitarristas Mathias Färm e Erik Ohlsson continuam sendo o motor visual do grupo, transbordando uma alegria genuína por estarem ali. Já o frontman Nikola Šarčević mantém sua postura mais contida, que para alguns pode parecer desinteresse, mas que se revela apenas um estilo próprio de condução, especialmente da metade para o fim, quando ele se solta e interage com a empolgação dos companheiros. >> LEIA ENTREVISTA COM MATHIAS FÄRM O ápice emocional veio com o resgate de Mr. Clean, que transportou os veteranos de volta aos anos 90, na era das fitas VHS de surf e do icônico CD azul da revista Fluir. Para fechar, o hino No Cigar, imortalizado na trilha de Tony Hawk’s Pro Skater, transformou a Audio em um coro uníssono. O Millencolin entregou uma performance leve, nostálgica e impecável, reafirmando seu status de lenda do hardcore melódico.

Étienne Dionne rouba a cena em show marcante do Mute no We Are One Tour

Diretamente do Canadá, o Mute subiu ao palco da Audio, na noite de terça-feira (31), para mostrar por que o punk rock técnico ainda tem uma base de fãs tão sólida e apaixonada. O grande diferencial da banda reside na figura de Étienne Dionne, que acumula as funções de baterista e vocalista principal com uma maestria impressionante. É hipnotizante observar a precisão cirúrgica de suas viradas enquanto mantém linhas vocais melódicas e potentes, sem perder o carisma que o torna o centro gravitacional do quarteto. O setlist foi um exemplo de equilíbrio, navegando por diferentes fases da carreira e mantendo a velocidade lá no alto. Músicas como Resistance e Coming Back abriram o caminho para o que seria uma aula de skate punk moderno. A sequência com Wolf’s Den e Communication Breakdown destacou o trabalho excepcional das guitarras, que alternavam entre riffs rápidos e solos carregados de técnica. >> LEIA ENTREVISTA COM ÉTIENNE DIONNE A reta final do show foi uma sucessão de momentos intensos. Strangers Back Again e The Tempest prepararam o terreno para o encerramento catártico com Nevermore, Fading Out e a clássica Bates Motel. O Mute conseguiu transformar a Audio em um caldeirão de energia, provando que a distância entre Quebec e São Paulo é encurtada instantaneamente quando o primeiro acorde de quinta é disparado. Foi uma apresentação técnica, veloz e, acima de tudo, extremamente divertida para quem aprecia a complexidade do gênero.

Entre amigos e ritmos globais: Drink the Sea valida a nostalgia e prioriza veia autoral

Na música, uma colisão de talentos de várias bandas recebe o nome de “supergrupo”. O que se espera é que a identidade desse coletivo junte, no mesmo espaço, uma combinação de entretenimento que não esconda a densidade dos ritmos com a entrega de um espetáculo consistente. Para os músicos experientes do Drink the Sea, atração na Casa Rockambole, em São Paulo, na última quarta-feira (25), existe um claro compromisso com o frescor do improviso. A reunião de velhos amigos transforma-se em uma sessão onde cada faixa fomenta um enigma identitário: o que aquele som quer expressar em termos convencionais? Para o bom público presente, as músicas resvalavam mais em uma esfera espiritual do que narrativa: eram densas e indissociáveis de um mesmo ímpeto criativo. Itinerância cultural como catalisador O projeto conta com nomes de peso: Peter Buck (R.E.M.), Barrett Martin (Screaming Trees/Mad Season), Alain Johannes (Them Crooked Vultures), Duke Garwood (Mark Lanegan Band), Abbey Blackwell (Alvvays) e Lisette Garcia. Embora famosos pelo rock alternativo, o grupo se revela virtuoso e estudioso de suas influências. O principal catalisador do Drink the Sea é a itinerância. Há um recorte geográfico claro que foge do lugar-comum: Entre o experimentalismo e o Jangle Pop Não é o tipo de show para pular, mas para acompanhar. Logo na abertura, Shaking for the Snakes explorou o groove e o jazz. Saturn Calling seguiu o caminho, mas com um toque sutil de brasilidade. Com raras exceções, como em Where We Belong, faixa muito próxima ao Jangle Pop clássico do R.E.M. de Buck, o som se mostra cristalino e acessível. Aqui, a melodia é simples e poderia pertencer a bandas menos ousadas, mas há beleza em um projeto sofisticado que se ramifica até tocar a memória afetiva do público. Já House of Flowers cativa pelo inverso: ela vence pela exaustão e pela doçura de um riff repetitivo, onde nenhum integrante estabelece liderança, mantendo uma horizontalidade sonora rara. Interlúdio nostálgico e a participação de Nando Reis O show também contou com um longo interlúdio dedicado ao passado. O setlist reviveu clássicos de Mad Season, R.E.M., Queens of the Stone Age e Desert Sessions. O ponto alto de celebração foi a subida ao palco de Nando Reis, acompanhado de seu filho Sebastião Reis. Amigo pessoal dos integrantes, Nando trouxe hits como O Segundo Sol e All Star. Embora o contraste entre o som experimental do Drink the Sea e o autoral de Nando fosse evidente, a transição funcionou pela cumplicidade. A banda saiu estrategicamente dos holofotes para que o convidado brilhasse, provando que a existência de um supergrupo passa, acima de tudo, pela validação das amizades e das memórias compartilhadas.

Street Bulldogs faz “catarse coletiva” em reencontro histórico no Hangar 110

Hoje acordei com a sensação de que viajei no tempo. Parece que fui até ali, em 1998, e voltei! É difícil processar o peso da história do Street Bulldogs ao ver Léo Bulldog, Rodrigo Koala, Guilherme Camargo, Sanmy Saraiva e Fábio Sonrisal juntos novamente no palco do Hangar 110. Mesmo que todos, assim como a boa parte do público presente, já tenham passado dos 40 anos, o show manteve a energia lá no alto o tempo todo. Foi uma verdadeira catarse coletiva, repleta de moshs, stage divings e a trilha sonora que definiu o hardcore nacional para uma geração. Que essa reunião nos proporcionaria momentos marcantes, já sabíamos. Mas realizar o último show dessa mini tour no Hangar 110, a “casa” da banda em São Paulo, fechou o ciclo com chave de ouro. A turnê, viabilizada pela Powerline Music & Books, celebrou não apenas o retorno do vocalista Léo (que atualmente mora em Dublin), mas também o lançamento da discografia em vinil e do livro de Sonrisal. Trajetória de respeito do Street Bulldogs Formada em 1994, em Pindamonhangaba (SP), o Street Bulldogs construiu uma trajetória fundamental no underground. A sonoridade crua e direta, somada a letras críticas e uma postura autêntica, transformou o grupo em referência. No setlist, a banda revisitou toda a história, passando pelos clássicos do Street Bulldogs (1998), Question Your Truth (2001), Unlucky Days (2003) e Tornado Reaction (2004). Para os veteranos, foi um reencontro com a própria adolescência; para os mais jovens, a chance de ver ao vivo a formação que gravou o emblemático DVD da banda em 2005. Participações O show foi pontuado por momentos de grande emoção e participações especiais que reforçaram o clima de união da cena: Entre uma música e outra, Léo e Koala fizeram questão de reforçar a importância do respeito, especialmente às minas. Mesmo com a roda pegando fogo, o que prevaleceu foi o sentimento de parceria e cuidado mútuo, provando que a ética punk da banda continua intacta. Abertura e registro A noite começou quente com as apresentações da Voiced e da Contra o Céu (que reúne ex-integrantes de nomes como Dance of Days, Good Intentions e Direction), entregando um som rápido e melódico que preparou o terreno perfeitamente. Vale o spoiler: quem não foi poderá conferir parte disso em breve. A banda viajou com videomakers para registrar os shows da tour, que devem compor um futuro documentário sobre esse capítulo da história do Street Bulldogs. Setlist – Street Bulldogs no Hangar 110 (19/03/2026)

The Adicts se despede do público brasileiro com show apoteótico no Carioca Club

The Adicts

A noite de 18 de março de 2026 ficará marcada na memória dos punks paulistanos como o capítulo final de uma era. O Carioca Club foi o palco escolhido para a “Adios Amigos Tour”, a turnê de despedida dos ingleses do The Adicts da América Latina. Após quase cinco décadas de estrada, a banda provou que o vigor do punk rock permanece intacto, entregando uma performance que misturou caos, glitter e nostalgia. Estética Laranja Mecânica e showmanship Desde os primeiros acordes de Let’s Go, ficou claro que o visual inspirado no filme Laranja Mecânica continua sendo o pilar do grupo. O vocalista Keith “Monkey” Warren, um dos maiores showmen da história do gênero, comandou o público com sua habitual maestria. Entre serpentinas, confetes e truques de mágica punk, Monkey transformou o Carioca Club em um espetáculo teatral visceral. Setlist de hits e emoção no show do Adicts O repertório foi generoso, cobrindo todas as fases da carreira estabelecida desde os anos 70. A sequência inicial com Joker in the Pack e Horrorshow preparou o terreno para o que viria a seguir: um desfile de hinos entoados a plenos pulmões por um público que suou e pulou sem descanso. Os destaques absolutos foram as execuções de: O encerramento não poderia ser mais emblemático. Com a plateia em êxtase, a banda entregou a cover de You’ll Never Walk Alone, um momento de comunhão absoluta entre os músicos e os fãs brasileiros, selando a gratidão mútua de anos de história. A passagem da turnê Adios Amigos por São Paulo, com realização da Powerline e Heart Merch, não foi apenas um show, mas uma celebração da longevidade. O evento, que contou com o aquecimento de Supla e Lixomania, reafirmou que o punk rock, quando feito com o profissionalismo e o carisma de Monkey e sua trupe, se torna atemporal.

Na abertura para The Adicts, Supla promove festa de karaokê punk com hits e reencontro com Clemente

Dando continuidade à noite histórica no Carioca Club, o palco foi tomado pelo “Papito” mais famoso do Brasil. Supla entregou um show de exatos 50 minutos que, embora seguisse a estrutura da apresentação realizada no final do ano passado na abertura para Billy Idol (Vibra SP), reafirmou por que ele continua sendo um dos maiores showmen do país. Entre hits autorais e versões inusitadas A performance começou com a enérgica Charada Brasileiro. Em um momento de descontração que já é marca registrada de sua personalidade imprevisível, Supla arriscou alguns toques em um trompete. Embora a execução tenha sido tecnicamente “desastrada”, o gesto serviu para inflamar o público, que entende o punk de Supla como uma celebração da atitude sobre a perfeição técnica. O setlist seguiu com uma sequência matadora de clássicos que moldaram sua carreira solo: Além dos hits, o show funcionou como um verdadeiro “karaokê punk”. Com sua banda afiada, Supla apresentou versões personalizadas de ícones globais, indo do clássico John Lennon e Billy Idol ao punk visceral dos Ramones, chegando até ao pop contemporâneo de Harry Styles. Essa mistura eclética é o que garante ao Supla um público multigeracional. Reencontro de Supla com Clemente Nascimento O ponto alto da noite, e certamente o mais emocionante, foi a participação especial de Clemente Nascimento (líder dos Inocentes e guitarrista do Plebe Rude). Após o susto recente que o levou à internação por problemas cardiológicos, Clemente subiu ao palco visivelmente recuperado e com a energia renovada. O que deveria ser apenas uma participação em Humanos acabou se estendendo. Atendendo ao clamor da pista e à sintonia com o anfitrião, Clemente permaneceu no palco para o hino Garota de Berlim. Ver dois ícones da fundação do rock e do punk brasileiro dividindo o microfone em 2026 foi, sem dúvida, o momento memorável que justificou o ingresso para muitos fãs presentes.

Lixomania abre noite no Carioca Club com punk raiz e nostálgico

Lixomania

A noite da última quarta-feira (18) transformou o Carioca Club, em São Paulo, em um verdadeiro epicentro do punk rock mundial. Antes das performances de Supla e da lendária banda inglesa The Adicts, quem ditou o tom da urgência e do inconformismo foi o Lixomania. Como uma das pioneiras do movimento no Brasil, a banda carregou para o palco o peso de ser uma das 20 participantes do histórico festival O Começo do Fim do Mundo (1982). O que se viu no palco não foi apenas um show de abertura, mas uma aula de história viva ministrada pelo vocalista Moreno. Moreno, o elo com a geração de 1980 Único remanescente da formação clássica, Moreno provou que o tempo não abrandou sua entrega. Entre discursos afiados e uma performance vocal vigorosa, ele conectou o público à essência da cena de 1982. O setlist foi um deleite para os puristas, focado no emblemático EP triplo Violência e Sobrevivência. Clássicos como a faixa-título, O Punk Rock não Morreu e a melódica (à moda punk) Os Punks Também Amam ressoaram com a mesma relevância de décadas atrás. Mosh pit e crítica social A energia na pista do Carioca Club atingiu o ápice quando o grupo apresentou Buracos Suburbanos, cover do Psykóze, e a explosiva Presidente. Esta última foi precedida por um discurso contundente de Moreno, que não poupou críticas a nenhum ocupante da cadeira máxima da República, do passado ao atual governo, reforçando o pilar anárquico e apartidário do punk. O público respondeu à altura: o mosh pit (a famosa “roda punk”) foi constante, unindo veteranos de jaqueta de couro a novos admiradores em uma celebração de resistência urbana. Por que o show do Lixomania é relevante hoje? Assistir ao Lixomania em 2026 é entender as raízes da música marginal brasileira. Enquanto o The Adicts trouxe o espetáculo visual e o “Clockwork Punk”, o Lixomania entregou o punk paulistano bruto, aquele forjado na periferia e na luta por espaço cultural. Destaques do show

Bryan Adams transforma Vibra SP em imenso karaokê com maratona de hits, baladas e muito carisma

Aos 66 anos, Bryan Adams sabe exatamente como prender a atenção de uma casa lotada logo no primeiro acorde. Na noite deste sábado (7), com o Vibra SP completamente lotado, o astro canadense escolheu iniciar as 2h10 ininterruptas de show de uma forma surpreendentemente intimista. Acompanhado apenas de violão e gaita, Adams surgiu em um palco secundário, bem próximo ao público das cadeiras inferiores. Foi ali que ele abriu a noite com uma trinca acústica de peso: Can’t Stop This Thing We Started, Straight From the Heart e Let’s Make a Night to Remember. A conexão foi instantânea. Carismático, ele brincou com a plateia do setor, perguntando se poderia, afinal, ir para o palco principal, sob diversos pedidos bem-humorados para que continuasse onde estava. ‘Punch’ elétrico e a máquina de hits de Bryan Adams Quando a banda completa assumiu seus postos (guitarra, bateria e teclado), com Bryan Adams fazendo as vezes de baixista, o show ganhou sua voltagem elétrica com Kick Ass. A partir daí, a pegada rock and roll tomou conta do Vibra. Run to You manteve a energia lá no alto, enquanto Somebody provocou o primeiro grande coro generalizado da noite. A Roll With the Punches Tour faz jus ao nome não apenas pela música, mas pelo espetáculo visual. Durante a faixa-título, uma luva de boxe gigante e inflável sobrevoou a pista, dando um tom lúdico à apresentação. Mais tarde, na ensolarada So Happy It Hurts, a cena se repetiu: desta vez, um carro inflável idêntico ao do videoclipe flutuou sobre as cabeças dos fãs. Humor, dança e um mar de luzes Entre uma música e outra, Adams provou ser um anfitrião formidável. Antes de tocar This Time (faixa de 1983), o telão exibiu o clipe original da canção. O cantor não perdeu a chance de fazer piada consigo mesmo, pedindo aos fãs que não rissem do seu cabelo da época, arrancando gargalhadas do público ao confirmar que o vídeo era antigo, mas a execução ali seria muito viva. A diversão continuou em You Belong to Me. O canadense propôs um desafio: o cinegrafista focaria nos fãs que estivessem dançando, transformando o telão num videoclipe improvisado ao vivo. “Dancem! Se não souberem, batam o pezinho. Por fim, se nem isso conseguirem, tirem a camisa e rodem o máximo que puderem”, brincou. Para coroar o momento descontraído, ele emendou trechos de Blue Suede Shoes (de Carl Perkins) e a clássica Twist and Shout, elevando a temperatura da pista. O visual também foi um espetáculo à parte. Durante a execução de Shine a Light, o público, munido de pulseiras iluminadas no melhor estilo das apresentações do Coldplay, transformou o Vibra SP em uma galáxia cintilante, criando a atmosfera perfeita para a noite. A reta final com o encerramento perfeito A habilidade de Adams em intercalar rock de arena (18 Til I Die) e baladas rasgadas (Please Forgive Me, Heaven) fez com que o longo setlist passasse voando. Sem pausas ou o tradicional intervalo para o “bis”, a reta final foi uma verdadeira surra de clássicos absolutos. A sequência matadora com (Everything I Do) I Do It for You, Back to You e Summer of ’69 quase colocou o teto do Vibra abaixo, com o público cantando forte e vibrando do início ao fim. Após Cuts Like a Knife, Adams apresentou sua banda, que deixou o palco sob fortes aplausos. Sozinho novamente, sob a luz de um refletor, o canadense encerrou a noite do mesmo jeito que começou: na voz e no violão, embalando os corações paulistanos com a emocionante All for Love. Uma verdadeira aula de rock, nostalgia e entretenimento. Agora, Bryan Adams segue para mais dois shows no Brasil: Curitiba (Live Curitiba, na segunda-feira) e Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna, na quarta-feira). Setlist – Bryan Adams no Vibra SP (07/03/2026)