Entrevista | The Hives – “Ouvir AC/DC é uma experiência formativa”

O The Hives está no Brasil como banda de abertura dos shows do My Chemical Romance, acompanhando a turnê que marca o retorno do grupo norte-americano aos palcos do país. Mas, não são uma simples abertura. Conhecidos pela energia explosiva ao vivo e pela postura provocadora, os suecos reforçam sua conexão com o público brasileiro em apresentações que têm atraído atenção tanto dos fãs mais antigos quanto de uma nova geração. Além da turnê, a banda vive um momento criativo celebrado pela crítica. Lançado no ano passado, The Hives Is Forever, Forever The Hives foi recebido com entusiasmo e reafirma a identidade do grupo, unindo urgência punk, riffs diretos e o humor ácido que sempre definiu sua trajetória. O disco também marca uma fase de maturidade, sem abrir mão da intensidade que transformou o The Hives em um dos nomes mais reconhecíveis do rock dos anos 2000. O Blog N’ Roll esteve ontem (4) na Casa Rockambole, em São Paulo, conversando com o The Hives sobre as principais influências que moldaram o som da banda, passando por nomes fundamentais do punk e do rock clássico, além de histórias pessoais que ajudam a entender a construção dessa identidade barulhenta, direta e sem concessões que segue ecoando nos palcos ao redor do mundo. Ramones Pelle Almqvist – Os Ramones foram muito importantes para nós. Mas, curiosamente, os Ramones que mais nos marcaram foram os do período mais tardio, como os discos lançados quando éramos jovens, tipo Mondo Bizarro e Brain Drain. Nós gostávamos muito dessa fase. Acho que nenhum de nós chegou a ver os Ramones ao vivo. Eu, pelo menos, não vi. Eles influenciaram a gente, mas talvez de uma forma ainda maior, influenciaram praticamente todas as bandas que a gente gostava. É quase uma influência de segunda mão. Eles fizeram com que o que fazemos hoje pudesse existir. Com músicas como Blitzkrieg Bop, fica claro como eles ajudaram a definir uma linguagem inteira do rock. Se fosse apenas essa música no disco, já teria sido suficiente. É um clássico absoluto. AC/DC Pelle Almqvist – Antes mesmo dos Ramones, o AC/DC foi fundamental para nós. Quando eu e o Niklas éramos crianças (Pelle, vocalista e Niklas, guitarrista são irmãos), morávamos na mesma casa e o AC/DC foi a primeira banda que gostamos por conta própria. Niklas Almqvist – A gente ouvia o que os garotos mais velhos da rua ouviam, e esse disco estava sempre tocando. Eu nem sabia os nomes das músicas, só colocava o vinil e ouvia tudo. Ouvir AC/DC é uma experiência formativa. Back in Black é um clássico absoluto e tem uma das melhores introduções da história do rock pesado. Hells Bells é icônica. Eles começam com sinos e depois você fica pensando: o que eles vão fazer depois disso? Curiosamente, Hells Bells virou a música de entrada do São Paulo Futebol Clube, porque o goleiro Rogério era um grande fã do AC/DC… Pelle Almqvist – Também é tema de vários eventos esportivos. Sempre que começa, dá uma sensação de boas notícias. Você mora em Santos, mas torce para o São Paulo? Não dá problema? De jeito nenhum, é bem comum (risos). Agora falem um pouco sobre outra lenda punk, os Misfits Pelle Almqvist – Misfits é sempre complicado, porque existem muitas fases e muitos discos diferentes. Eu acabo ouvindo mais as coletâneas. Tem músicas incríveis como Attitude, Bullet e Some Kind of Hate. Essa última é uma das minhas favoritas. Ela lembra Teenage Kicks, mas mais suja, mais agressiva. Eles foram uma influência enorme para nós. Com certeza estão no nosso top 5 de bandas punk, talvez top 3, talvez até top 1. É uma música feita “errada” em muitos aspectos técnicos, mas ainda assim é a melhor música já gravada. Isso é o punk em sua essência. Mantendo o punk, vamos falar sobre Dead Kennedys Pelle Almqvist – Somos muito influenciados pelo Dead Kennedys, especialmente no primeiro álbum do The Hives, Barely Legal. Há muita coisa de guitarra inspirada neles. Sempre adoramos a guitarra do East Bay Ray. Eles são uma banda incrível, ainda que um pouco irregular. Existe uma diferença grande entre as melhores e as piores músicas, mas, mesmo assim, estão entre as maiores influências punk para nós. Niklas Almqvist – Muitas dessas bandas, na verdade, eu só fui ter os discos em vinil bem mais tarde, talvez com 22 ou 25 anos. Antes disso, era tudo em fita cassete. E eu trouxe um vinil do Millencolin para representar a cena da Suécia. Como é a relação entre vocês? Pelle Almqvist – Essas bandas suecas estavam por perto quando começamos. Estávamos no mesmo selo, vinham de cidades próximas, mais ou menos uma hora de distância. Eles eram dois ou três anos mais velhos do que nós e já estavam começando a fazer sucesso. Eram uma das melhores bandas que você podia ver ao vivo na região onde crescemos. Foi a primeira banda do nosso universo a alcançar um sucesso mais mainstream. Isso foi importante, porque mostrava que era possível. Hoje em dia, somos amigos e sempre é divertido dividir o palco com eles. E qual a expectativa para os shows no Allianz? Pelle Almqvist – Nós já fizemos alguns shows em estádios na América do Sul e foi incrível. Não achamos que dessa vez será diferente. É o mesmo que quando perguntam o que as pessoas devem esperar dos nossos shows. A resposta é nada, além do melhor absoluto. Com o público brasileiro é a mesma coisa. Não esperamos nada além do melhor absoluto. E esperamos que tudo seja ainda maior.
Soul Asylum faz cover de hit do Dead Kennedys em homenagem a George Floyd

O Soul Asylum é mais uma banda que se revoltou com a ação dos policias de Mineápolis. O grupo, criado na cidade, decidiu liberar de graça a canção Black and Blue, lançada em 1984. Ademais, o conjunto também fez um cover de Nazi Punks Fuck Off, famosa canção do Dead Kennedys. “Para mostrar nosso apoio a George Floyd, sua família e todos que buscam pacificamente a justiça, estamos lançando downloads e streaming gratuitos de nossa música Black and Blue, bem como um cover de Nazi Punks Fuck Off. Nós incentivamos altamente as doações para ONGs e por favor assinem a petição Justice for George Floyd. Em conclusão, o Soul Asylum divulgou no início do ano o disco Rush Up and Wait, que também pode ser escutado em todas as plataformas digitais. Ambas as músicas podem ser baixadas por aqui.
13 grandes nomes do punk que se aventuraram no cinema

Ultimamente temos relembrado boas histórias do movimento punk aqui no Blog n’Roll. Além disso, também listamos mais de 30 documentários sobre o gênero divididos em diversas plataforma de streaming. Contudo, hoje apresentaremos o outro lado da moeda. Será que vocês sabem que alguns artistas e bandas consagradas na música punk já participaram de produções de audiovisual de baixo custo e até filmes de Hollywood? Confere com a gente. Henry Rollins (Black Flag) Em síntese, não podemos falar desta ligação sem citar Henry Rollins. Com participações nas bandas State of Alert e Black Flag, o artista já participou de 23 filmes. Entre eles, temos Bad Boys II (2003), Floresta Maldita (2007) e Fogo contra Fogo (1995). Em Bad Boys II, Rollins é o responsável por comandar a equipe de Will Smith e Martin Lawrence na hora de caçar os integrantes do KKK. Iggy Pop (The Stooges) Uma das maiores vozes da música, Iggy Pop também já fez algumas pontinhas na telona. Além de Sid & Nancy (1986), o vocalista também contracenou em O Corvo (1996). O líder do The Stooges também fez pontas em dois filmes de Johnny Depp: Cry Baby (1990) e Homem Morto (1995). Billie Joe Armstrong (Green Day) Certamente, um dos queridinhos dos fãs, Billie Joe Armstrong participou de boas produções no cinema. É o caso do filme Mundo Ordinário (2016), onde ele vive um pai de família revivendo seu passado quando era vocalista de uma banda punk. Joe Strummer (The Clash) Ademais, o vocalista do The Clash, Joe Strummer, também usou parte de seu tempo para se aprofundar no mundo do cinema. Aliás, Strummer na maioria das vezes participou de produções independentes, como A Caminho do Inferno (1986) e Candy Mountain (1987). O vocalista também faz uma rápida aparição no longa O Rei da Comédia (1983), do diretor Martin Scorsese, que serviu de inspiração para Coringa (2019). Aqui, inclusive, com o companheiro Mick Jones. Tim Armstrong (Rancid) O Rancid também está representado na lista com Tim Armstrong. Em resumo, o músico contracenou em Larry is Dead (1995) e Maldito Coração (2004). Também fez ponta em um episódio de Arquivo X. Cherie Currie (The Runaways) A vocalista da banda The Runaways apresentou seus talentos de interpretação em O Parasita (1982) e No Limite da Realidade (1983). Todavia, é importante lembrar que a artista deve lançar um novo disco em breve, cheio de parcerias. Blink-182 Além de estar presente na trilha sonora de American Pie (1999), com Mutt, o Blink-182 aparece com todos os seus membros em parte do filme. A banda também marcou presença em um episódio da série Two Guys And A Girl (1998 a 2001), que tinha Ryan Reynolds novinho no elenco. Misfits De fato, outra banda punk que participou com todo o seu conjunto em filmes foi o Misfits. O grupo aparece nos suspenses A Máscara do Terror (2000) e Campfire Stories (2001). David Johansen (New York Dolls) O vocalista do New York Dolls, David Johansen, também se testou em frente as câmeras no clássico do terror trash Contos da Escuridão (1990). Aliás, é importante destacar a semelhança absurda entre o vocalista e o ator William H. Macy. The Offspring e Tom DeLonge (Blink-182 e Angels and Airwaves) Em peso, o The Offspring fez uma participação no longa A Mão Assassina (1999). Contudo, Tom DeLonge, do Blink-182, também tem o seu momento na produção. Vale conferir. Jello Biafra (Dead Kennedys) Jello Biafra já foi de tudo nessa vida. Político, dono de gravadora, músico, compositor, mas também atuou bastante em filmes. Entre ficções, documentários e curtas são quase 30 créditos. Highway 61 foi um deles. Debbie Harry (Blondie) A vocalista do Blondie é insuperável. Se somarmos as participações em séries de TV, filmes e games, são quase 100 aparições. Fez a voz de Dolores em Grand Theft Auto: Vice City e atuou como Cassandra em Sabrina, Aprendiz de Feiticeira. No cinema, foram várias atuações. Inclui nessa conta Cop Land (1997), Ruas Selvagens (2002) e Para Sempre Lulu (1987). Ramones Com aparições em Simpsons e outras produções, o Ramones fez o próprio filme. Rock and Roll High School é a prova mais viva que tem da banda nos cinemas.
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