Entrevista | Firefriend – “As bandas brasileiras não ficam devendo nada para as de fora”

A Firefriend, banda paulistana que há mais de duas décadas carrega a tocha do rock psicodélico underground, acaba de expandir sua discografia com dois novos álbuns: o explosivo Fuzz e o hipnótico Blue Radiation. Os trabalhos chegam em um momento simbólico, pouco antes de a banda embarcar em mais uma turnê pelo Reino Unido, país que tradicionalmente respira a psicodelia e tem recebido o grupo com entusiasmo crescente. Gravado em apenas quatro dias de dezembro de 2024, em São Paulo, Fuzz ganhou corpo definitivo após meses de pós-produção e contou com colaborações de músicos da cena paulistana. O disco mantém a estética que consolidou a identidade do Firefriend: baixos pulsantes, guitarras saturadas de fuzz e os vocais sussurrados de Julia Grassetti e Yury Hermuche, que criam atmosferas densas e imersivas. Entre os destaques estão “Spearhead” e “Hologram”, faixa que condensa em cinco minutos e meio o caos criativo da banda, atravessando camadas de sintetizadores, incursões de free jazz e guitarras barulhentas, com participações de Cuca Ferreira (sax) e Daniel Verano (trompete). Já Blue Radiation mostra outra faceta do grupo. Gravado durante a pandemia, em uma São Paulo silenciosa e suspensa pelo isolamento, o álbum aposta na força das atmosferas instrumentais. São dez faixas, nove delas totalmente instrumentais, que funcionam como paisagens sonoras etéreas, espectrais e distorcidas. Ao lado de Grassetti, Hermuche, Ricardo Cifas (bateria) e Pinhead (synths e teclados), o Firefriend reafirma sua posição como um dos nomes mais consistentes do underground global, evocando influências que vão de Velvet Underground e Spacemen 3 a Sonic Youth e The Brian Jonestown Massacre. Em bate papo com o Blog N’Roll, Julia Grassetti e Yury Hermuche contam sobre a expectativa para a turnê na Inglaterra e os dois álbuns lançados simultaneamente. Vocês estão indo para Londres, que é a cidade onde mais ouvem Firefriend, e o Reino Unido sempre teve uma cena psicodélica muito forte. Sentem que o público de lá entende mais a proposta da banda do que no Brasil? Firefriend: Com certeza. Na Inglaterra existe uma tradição que atravessa gerações. Eles fazem isso há 50, 60 anos. O rock psicodélico nunca parou de acontecer. No Brasil, sentimos que existem gaps geracionais, e a cena precisa ser sempre reinventada para levantar festivais e casas. Isso é uma dificuldade para toda banda underground daqui. Já na Europa e nos Estados Unidos, por conta da tradição, existe público constante e espaços para circular. Por outro lado, eles acham muito interessante ver uma banda brasileira usando elementos do rock inglês e americano, mas com outros temperos. O som de vocês mistura influências diversas, de Joy Division, post punk a experimentações instrumentais. Qual é a diferença para vocês entre músicas com vocal e faixas instrumentais? Firefriend: A maior parte dos nossos discos é feita de canções compostas e produzidas ao longo de um ou dois anos. Mas muita coisa vem das jams que gravamos em ensaios, no nosso antigo porão-estúdio. Para o público pode parecer diferente, mas para nós é parte do mesmo processo. O álbum The Creation Facts, por exemplo, trouxe faixas diretamente dessas jams. Apesar de lançarmos mais músicas com vocais, os instrumentais são parte essencial. O Blue Radiation veio justamente para mostrar esse outro lado. Qual foi a maior surpresa que vocês já tiveram em turnês fora do Brasil? Firefriend: A recepção do público. Chegar em Londres e ter gente levando capa de disco e camiseta para autografar foi inesperado. Alguns fãs viajaram para assistir a vários shows seguidos. Também já tocamos às três da manhã em festival grande com a casa lotada. Outra surpresa foi perceber que as bandas brasileiras não ficam devendo nada para as de fora e, ao mesmo tempo, ver de perto uma cena estável em contraste com o Brasil. Vocês planejam registrar essa nova turnê em áudio ou vídeo? Firefriend: Sim. Vamos gravar o áudio e estamos vendo como viabilizar o vídeo. Na última turnê lançamos o Live in London, um show bem registrado, e queremos repetir essa experiência. O vinil voltou com força e vocês já têm 12 LPs lançados. Como tem sido essa experiência? Firefriend: Fantástica. Ouvir um vinil é um ritual. Quem compra, ouve com atenção e se conecta mais profundamente com a música. Desde que nossos discos começaram a sair nos Estados Unidos e na Inglaterra, vimos como os amantes do formato físico criam uma relação especial com a banda. Hoje temos 12 LPs lançados desde 2017, e muitos fãs acompanham cada lançamento. É um sonho realizado. Falando do álbum Fuzz, como foi o processo de gravação? Firefriend: Passamos dois anos compondo, testando em shows e turnês. Decidimos gravar ao vivo, os três juntos no estúdio, o que trouxe mais calor e energia. Depois fizemos alguns overdubs, mas a base é toda ao vivo. Apesar de a gravação ter levado cerca de uma semana, o processo de criação foi longo e detalhado. A faixa “Hologram” chama atenção por misturar jazz, rock distorcido e caos organizado. Como chegaram a esse resultado? Firefriend: Cada integrante traz um conjunto de referências, e ao arranjar a música colocamos essas perspectivas em choque. O resultado pode soar caótico, mas faz sentido dentro da soma de influências. Um ouvinte chegou a dizer que esse aspecto caótico é uma tradução perfeita do mundo atual, e achamos uma leitura muito interessante. Vocês já comentaram que a turbulência política influencia o som da banda. Como isso acontece? Firefriend: Totalmente. Vivemos um momento violento, perigoso e surreal. Isso se reflete na música. Alguns artistas tentam escapar da realidade, mas para nós é importante tocá-la de frente. A música ajuda a sobreviver a esse caos e conecta pessoas que buscam a mesma energia. O rock hoje não é só rebeldia juvenil, mas resistência em qualquer idade. O Blue Radiation foi criado durante a pandemia. Como foi esse processo? Firefriend: Gravamos centenas de horas de jams e selecionamos trechos que achamos interessantes para compor o disco. Paralelamente produzimos o Fuzz, e o selo inglês decidiu lançar os dois juntos. As faixas do Blue Radiation são
Riviera abre álbum duplo com EP Passado/Presente

Riviera, projeto do músico Vinícius Coimbra, apresenta o EP Passado/Presente, primeira parte do álbum duplo Com o Passar dos Anos. O trabalho é dividido em dois capítulos: Passado/Presente e Presente/Futuro. A ideia é que sejam os dois lados de um mesmo disco. Neste primeiro momento, o artista revisita memórias e afetos que atravessam o tempo, indo do encontro e da entrega até a perda, o luto e a aceitação. O EP traz cinco faixas e será disponibilizado neste sábado (6): Laços, Futuro, A Dor e a Cura, Molduras e Pra Você. As composições nasceram entre 2019 e 2021, em meio a um período de separação, recuperação de saúde e isolamento na pandemia. Pra Você foi a primeira a surgir, logo após o fim do relacionamento, e acabou abrindo caminho para o conceito do disco. As demais vieram em sequência, como capítulos de uma narrativa pessoal que amadureceu até ganhar forma definitiva no estúdio. A sonoridade aposta em camadas etéreas, nas quais o silêncio tem tanto peso quanto as notas. As referências vão de RY X e Jeff Buckley a Death Cab for Cutie e Seafret, passando por ecos de indie rock, emo e MPB. Pianos espaçados, guitarras atmosféricas e vocais vulneráveis definem a atmosfera. “Não queria um som que gritasse, como nos discos anteriores. Queria que dissesse muito no silêncio também”, afirma Vinícius. O título Com o Passar dos Anos resume a proposta: conviver com as lembranças sem perder o presente de vista. A capa, criada por Brunna Frade, funciona como a abertura de um livro. Cada single ganhou uma ilustração própria, todas ligadas por um fio vermelho que simboliza o tempo e o amor. Produzido em parceria com Breno Machado e Cris Simões (Skank, Jota Quest, Paula Fernandes), o EP conta ainda com o trompete de Marco Lima (James Boogaloo) em Pra Você. Uma escolha estética marca o registro: a ausência de bateria na maior parte das faixas, reforçando o caráter contemplativo do trabalho. O projeto também se estende ao audiovisual. Cada faixa recebeu um videoclipe e, juntos, formam o curta Molduras, dirigido por Vinícius em parceria com a fotógrafa Bruna Lacerda. O filme amplia a mesma atmosfera das músicas, explorando gestos, pausas e a delicadeza do cotidiano como extensão da narrativa sonora. Mais do que um conceito, o EP nasce de uma necessidade pessoal. “Tudo que está nas letras aconteceu, foi sentido, foi real. Não tem personagem aqui. Esse disco não foi feito pra provar nada, mas porque eu precisava escrever. Ele não traz respostas, mas talvez ajude a fazer as perguntas certas”, conclui o artista.
Caike Souza lança álbum com causos de amor

Caike Souza está lançando o álbum autoral Entre Flores e Dores. Natural de Arcoverde (PE) é considerado um dos principais nomes representantes da nova geração na música. Propondo uma sonoridade leve e simples, já atinge + de 50 milhões de visualizações nas redes sociais com seus vídeos e versões intimistas. O álbum tem dez músicas e conta com as participações de Solange Almeida na música Sem Pisar no Chão, Saulo Fernandes em Balançar Com Você e Martins na canção Há de Ser Pra Sempre. Sobre o lançamento Caike comenta: “um álbum autoral é uma virada de chave na vida do artista, uma virada conceitual. Eu gosto de escrever coisas atípicas”. O disco foi gravado em São Paulo, em maio, com produção de Jeff Pina. É um álbum muito rico, com músicas pra tudo que é gosto. “Um disco dá carta branca para você brincar mais, está muito diverso”, conta o artista. A canção com Saulo Fernandes é bem dançante, lembrando um pouco a MPB de Marina Lima e Rita Lee, com guitarras. Já a participação de Solange Almeida, uma gigante do forró, em Sem Pisar no Chão, começou com o feat de Caike no DVD de Dorgival Dantas, do qual ambos participaram. “Eu escrevi essa música pensando na Solange, a música ficou a cara dela, me apeguei ao forró”, diz Caike. A música com Martins é mais singela, uma história de amor. Martins é um dos novos nomes da cena de Pernambuco. “Um amigo do peito que a vida me deu”, comenta Souza. Já Nas coisas tão mais lindas é a música xodó de Caike, com um toque de piano com cordas, refletindo o fascínio que Caike tem em escrever canções tristes. O nome do álbum Entre Flores e Dores partiu da diversidade das canções, do sentimento que permeia o astral de cada música, entre os causos de lidar com um assunto tão delicado como o amor. Esse álbum é a consagração de um trabalho que representa muito pra Caike. Como artista, ele está realizado. “Espero que Entre flores e dores me traga muitos frutos bons, quero que muita gente ouça, que eu saia em turnê, o que já está nos planos”. O show de lançamento de Entre flores e dores está marcado para o dia 11 de outubro no Teatro Luís Mendonça, em Recife.
The Weeknd retorna ao Brasil em 2026 com a After Hours Til Dawn Stadium

A estrela pop The Weeknd anunciou a extensão de sua turnê After Hours Til Dawn Stadium, que quebrou recordes e teve ingressos esgotados, com uma série de datas no México, Brasil, Europa e Reino Unido no próximo ano. No Brasil, os shows acontecem no dia 26 de abril de 2026 no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos, e nos dias 30 de abril e 1º de maio, em São Paulo, no Estádio MorumBIS. A turnê After Hours Til Dawn Stadium celebra a aclamada trilogia de álbuns de The Weeknd — After Hours (2020), Dawn FM (2022) e Hurry Up Tomorrow (2025). Os ingressos para as datas no Brasil estarão disponíveis inicialmente na pré-venda do artista, a partir de segunda-feira (8), às 10h. Já a pré-venda para os demais clientes do banco Santander acontece no dia 9 de setembro. Neste caso, todos os cartões são elegíveis, exceto os de viagens. A venda para o público geral começa no dia 10 de setembro. Clientes Santander podem parcelar em até 5x sem juros e de 6 a 10x com juros. já clientes em geral, contam com parcelamento de até 3x sem juros e de 4 a 8x com juros. Tanto na pré-venda quanto na venda geral os ingressos estarão disponíveis a partir das 12h pelo site da Ticketmaster e a partir das 13h na bilheteria oficial (sem taxa de serviço). Será permitido comprar até seis ingressos por CPF, limitados a duas meias-entradas. A turnê After Hours Til Dawn foi lançada originalmente em 2022 e se tornou a maior turnê de R&B da história. A turnê viajou para países do mundo todo nos últimos três anos, com apresentações em estádios na América do Norte, Europa, Reino Unido, América do Sul e Austrália. * SERVIÇO – THE WEEKND RIO DE JANEIRO Data: 26 de abril de 2026 (domingo) Abertura dos portões: 16h Horário do show: 21h Local: Estádio Nilton Santos – Engenhão Endereço: R. José dos Reis, 425 – Engenho de Dentro, Rio de Janeiro – RJ Ingressos: a partir de R$290,00 (ver tabela completa) Classificação: 16 anos. De 5 a 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.* *Sujeito a alteração por Decisão Judicial. PREÇOS CADEIRA SUPERIOR LESTE: R$ 290,00 meia-entrada e R$ 480,00 inteira CADEIRA SUPERIOR OESTE A: R$ 290,00 meia-entrada e R$ 480,00 inteira CADEIRA SUPERIOR OESTE B: R$ 290,00 meia-entrada e R$ 480,00 inteira PISTA: R$ 375,00 meia-entrada e R$ 750,00 inteira CADEIRA SUL: R$ 405,00 meia-entrada e R$ 810,00 inteira CADEIRA INFERIOR LESTE: R$ 475,00 meia-entrada e R$ 950,00 inteira CADEIRA INFERIOR OESTE: R$ 475,00 meia-entrada e R$ 950,00 inteira BILHETERIA OFICIAL – SEM COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA Mais informações serão divulgadas em breve. VENDA PELA INTERNET – SUJEITO À COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA O único canal de vendas oficial é o www.ticketmaster.com.br Obs: não adquira ingressos em qualquer outra plataforma. Parcelamento: Clientes em geral – Parcelamento em até 3x sem juros; de 4 a 8x com juros Clientes Santander – Parcelamento em até 5x sem juros; de 6 a 10x com juros Clientes em geral podem comprar até 6 ingressos por CPF, sendo 2 meia-entrada. MEIA-ENTRADA Todas informações no link: https://bit.ly/TicketMasterBrasil_MeiaEntrada * SÃO PAULO Data: 30 de abril de 2026 (quinta-feira) 01 de maio de 2026 (sexta-feira) Abertura dos portões: 16h Horário do show: 21h Local: MorumBIS Endereço: Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 – Morumbi, São Paulo – SP Ingressos: a partir de R$275,00 (ver tabela completa) Classificação: 16 anos. Menores de 08 a 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.* *Sujeito a alteração por Decisão Judicial. PREÇOS ARQUIBANCADA: R$ 275,00 meia-entrada e R$ 550,00 inteira PISTA: R$ 375,00 meia-entrada e R$ 750,00 inteira CADEIRA SUPERIOR: R$ 455,00 meia-entrada e R$ 910,00 inteira CADEIRA INFERIOR: R$ 470,00 meia-entrada e R$ 940,00 inteira
Ouça em primeira mão! Lado Blue lança álbum de estreia

Estilhaços é o primeiro disco da Lado Blue, banda de rock formada por Michelle Marques, Matheus Leche e Pedro Emanuel em Montes Claros, Minas Gerais. Com nove faixas, o álbum – que está sendo lançado hoje (05) – percorre temas como vivências afetivas, dores geracionais, saúde mental e as pressões da vida contemporânea, traçando um caminho sonoro que atravessa o blues, o grunge, o indie e o rock alternativo. A construção do disco começou com Lava, primeira música escrita por Michelle, vocalista da banda. A faixa havia sido registrada inicialmente em formato live session e passou a integrar os shows da banda. Durante esse processo “(…) chegamos em nove músicas prontas que deram vida ao Estilhaços”, conta Michelle. A escolha do título veio do entendimento coletivo de que essas composições partiam de fragmentos: experiências pessoais, rupturas, angústias e afetos atravessados por um tempo de desgaste emocional. Concebido com o propósito de expressar uma sonoridade direta e crua, próxima à linguagem dos ensaios, o repertório, em maior parte, retrata experiências pessoais da vocalista. “As músicas que abordam temas de relacionamento sempre trazem o ponto de vista de uma relação homoafetiva ou sáfica”, afirma Michelle. A gravação aconteceu em 2024 no Estúdio Casa, em Montes Claros (MG), com produção de Tiago Fonseolli. “Ele entendeu bastante como a gente queria soar e conseguiu captar os timbres e os sons que a gente queria pra cada música”, comenta. Marcado pelas influências de blues, que atravessam a construção harmônica e a sonoridade do álbum em diálogo com o grunge, o indie e o rock alternativo, Estilhaços também reflete referências da banda a artistas como Pitty, Supercombo, The Pretty Reckless, Arctic Monkeys, Cleopatrick e Nirvana. O disco conta com a participação de Renê Veloso, músico de Montes Claros que colaborou com arranjos de gaita nas faixas Lava e Danço Com Você. O lançamento de Estilhaços é acompanhado pelo videoclipe do single Fracasso, cuja proposta visual aborda a exaustão provocada pela rotina e a desconexão com a realidade, tendo a música como ponto de escape e identificação. Nessa produção audiovisual independente, o roteiro foi assinado por Pedro Emanuel — baixista da banda, formado em cinema pela PUC-BH — e a direção ficou a cargo de Túlio Gustavo, que incorporou referências visuais da série Severance (Ruptura), com uso de luzes frias e cenários minimalistas. O clipe foi filmado em Montes Claros (MG), em junho de 2025, com realização viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo. Faixa a faixa Fracasso aborda a sensação de inadequação diante das exigências da vida adulta e da lógica da produtividade. O arranjo tem influência do indie e do pop. Estilhaços dá nome ao disco e apresenta referências de blues e bluegrass, especialmente nas linhas de guitarra. A letra trata da saúde mental e da ideia de desistência da vida como tema. Lava é a faixa considerada mais bluesy do disco. Organizada em compasso de slow blues, a canção tem como tema a sexualidade sáfica e conta com a participação do gaitista Renê Veloso. Evaporar é inspirada no filme “Gia” (1998). A composição surgiu após Michelle Marques assistir ao longa e se impactar com a personagem interpretada por Angelina Jolie — uma modelo lésbica que enfrenta dependência química e instabilidade emocional. A letra reflete esse universo, abordando temas como vício, descontrole e isolamento. A sonoridade é mais carregada, com arranjos de slide nas guitarras e um clima denso em contraste com outras faixas do disco. Meio Amargo trata de tentativas de preenchimento afetivo diante da solidão. A música tem estrutura baseada em riffs distorcidos e andamento direto. A faixa já havia sido gravada anteriormente por outro projeto da compositora, com outra voz. No disco da Lado Blue, recebeu uma nova interpretação, agora com a própria compositora nos vocais. No Escuro discute o envolvimento afetivo que persiste mesmo diante da tentativa de manter distanciamento. A estrutura alterna momentos de suspensão e intensidade, com riffs marcados, pausas e distorções que acompanham o movimento da letra. Um Pouco Mais trata de um relacionamento homoafetivo vivido em segredo. A letra descreve o medo da exposição familiar e o limite que isso impõe ao afeto. Musicalmente, aproxima-se de uma estrutura pop e é uma das faixas mais melódicas do disco. Mofo aborda estados depressivos e perda de sentido. A letra descreve uma sensação de apagamento e afastamento da própria identidade. O arranjo se aproxima do rock alternativo, com uso de delay, ambiências mais longas e o solo de guitarra mais extenso do álbum. É também a faixa de maior duração. Danço Com Você encerra o disco com uma cena doméstica entre duas pessoas. A letra descreve um momento de cuidado cotidiano, sem recorrer à narrativa explícita. A música tem participação de Renê Veloso na gaita, que reaparece com arranjos que acompanham a melodia vocal.
Caliban traz turnê de Back From Hell ao Brasil em dezembro

Caliban, um dos pioneiros do metalcore europeu ao lado do Heaven Shall Burn, volta à América do Sul em novembro e dezembro de 2025 para a turnê de Back From Hell. O novo álbum foi recebido pela crítica europeia como um dos registros mais pesados, autênticos e inspirados da carreira de quase três décadas da banda. A tour é uma realização da Liberation MC em parceria com a Avocado Booking. O retorno ao Brasil acontece após longos 16 anos de espera. O grupo faz show único no dia 6 de dezembro, no Fabrique Club, em São Paulo. Os ingressos estão disponíveis pela Fastix. Antes, a turnê passa pela Colômbia (Bogotá, 30/11), Chile (Santiago, 2/12) e Argentina (Buenos Aires, 4/12). Lançado em abril, Back From Hell marca a 12ª entrada de estúdio da banda e comprova a força do Caliban em combinar agressividade old school com um peso moderno e renovado. Entre os destaques, os singles I Was a Happy Kid Once, Echoes e Guilt Trip (com participação do Mental Cruelty) ampliam a paleta sonora com camadas de atmosfera e melodia sem abrir mão do impacto. A chegada do baixista Iain Duncan, em 2024, também trouxe nova energia ao grupo, adicionando vocais limpos que contrastam com a brutalidade característica do Caliban. Na Europa, a turnê de Back From Hell já percorreu casas cheias e mostrou a banda em sua melhor forma: shows intensos, técnicos e com um setlist que equilibra faixas do novo álbum com clássicos revisitados. O resultado é uma experiência ao vivo que mistura familiaridade com frescor. ServiçoCaliban (Alemanha) em São PauloData: 6 de dezembro de 2025Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1071, Barra Funda – São Paulo/SP)Ingressos: Fastix
David Byrne lança single What Is The Reason For It? em parceria com Hayley Williams

Nesta sexta-feira (5), David Byrne lançará seu aguardado álbum Who Is The Sky? via Matador Records. O mais recente single do disco, What Is The Reason For It? feat. Hayley Williams, chegou hoje. Marcada pela envolvente troca vocal entre Byrne e Williams, do Paramore, What Is The Reason For It? busca compreender o amor de uma forma que a lógica raramente consegue alcançar (“does it do something useful? / nobody understands it”). Nascido de uma colaboração criativa entre David Byrne e o artista Dustin Yellin, o videoclipe de What Is The Reason For It? utiliza tecnologia de ponta em inteligência artificial para animar mais de 20 desenhos originais de Byrne. O projeto reflete o interesse de Yellin em explorar novas tecnologias para dar vida a imagens estáticas. Who Is The Sky? é o primeiro álbum de Byrne desde o aclamado American Utopia (2018), posteriormente adaptado em um musical de sucesso na Broadway e em um filme da HBO dirigido por Spike Lee. O novo trabalho foi produzido pelo vencedor do Grammy Kid Harpoon (Harry Styles, Miley Cyrus), com arranjos de 12 faixas a cargo dos integrantes do ensemble de câmara nova-iorquino Ghost Train Orchestra. Entre as participações especiais estão Hayley Williams (Paramore), St. Vincent e Tom Skinner (baterista do The Smile). O álbum foi introduzido pelo contagiante primeiro single Everybody Laughs, que define o tom de Who Is The Sky? com seus temas universais sobre conexão humana e o potencial de união social diante do cenário caótico do mundo. “Na minha idade, pelo menos para mim, surge uma atitude de ‘não ligar para o que os outros pensam’,” reflete Byrne sobre o espírito por trás de Who Is The Sky?. “Posso sair da minha zona de conforto com a consciência de que já sei mais ou menos quem eu sou e o que estou fazendo. Dito isso, cada novo conjunto de músicas — cada música, na verdade — é uma nova aventura. Sempre há um pouco daquela sensação de ‘como eu faço isso?’ Descobri que nem toda colaboração funciona, mas, quando funciona, geralmente é porque consigo transmitir de forma clara o que estou tentando fazer. Espero que a outra pessoa entenda isso e, como resultado, acabamos unidos, seguindo juntos em direção ao mesmo lugar desconhecido.”
Kneecap lança single Sayōnara, em colaboração com Paul Hartnoll

O Kneecap lançou o videoclipe de Sayōnara, uma faixa inédita e independente escrita e gravada em colaboração com Paul Hartnoll, do Orbital. Dirigido por Finn Keenan, o vídeo conta com a participação de Jamie-Lee O’Donnell, conhecida por seu papel como Michelle na aclamada série Derry Girls. “Tive o melhor momento filmando o videoclipe de Sayōnara. Além de ser uma faixa absolutamente incrível, o vídeo — intenso e ao mesmo tempo eufórico — certamente será lembrado. A criatividade e a visão do diretor Finn criaram um ambiente fantástico para todos nós construirmos algo realmente especial. Fiquei muito feliz por ter sido convidada a participar deste projeto, especialmente por já ser uma grande fã da música do Kneecap e admiradora do trabalho deles como um todo”, comentou Jamie-Lee O’Donnell sobre sua participação no vídeo. Além do lançamento digital de Sayōnara, a faixa também estará disponível em um vinil 12” duplo lado A, junto com o hino de verão The Recap, no qual o trio de West Belfast colaborou com o produtor de drum & bass Mozey (via Rinse). O vinil de 12” estará disponível nas cores verde e preto. A edição em vinil verde, que estava disponível exclusivamente pelo grupo do Kneecap no WhatsApp, já esgotou na pré-venda, enquanto a versão preta está disponível para pré-venda agora e será lançada amplamente no varejo em 10 de outubro. Ouça Sayōnara, do Kneecap
Sergio Sacra mostra rock cru emotivo em Meu Maior Fardo é Você

O músico sergipano Sergio Sacra lançou o single Meu Maior Fardo é Você, segundo trabalho inédito desde o álbum de estreia Duvide dos Astros. A canção é definida pelo próprio artista como um rock em sua mais pura essência, trazendo guitarras marcantes, um instrumental carregado e uma melodia intensa. O clipe da faixa será lançado no próximo dia 10. “Estou me afastando um pouco do folk que explorei no primeiro álbum e me reconectando com o rock que já fiz antes, mas agora com a maturidade das letras do momento presente”, afirma. A faixa tem origem ainda no período da banda Origami Aquém, mas só agora ganhou vida própria. “Gravei sem tanta convicção, mas o produtor e os músicos adoraram o resultado. Com o tempo, passei a enxergar a força da música também”, conta. A letra fala sobre rancor e inconformidade diante de atitudes de pessoas que parecem sempre agir contra você. Embora alguns possam associar a um tema amoroso, a intenção é mais ampla: uma catarse emocional, como se fosse um sermão diante de quem insiste em complicar a vida alheia. O lançamento reúne músicos parceiros de longa data. Sacra toca guitarra base, faz os vocais e é o autor da letra: Vivico (bateria), Vítor Brito (guitarra solo), Igor Kineli (backing vocals) e Daniel Hamtaro (teclados). A produção, mix e master é assinada por Vivico no estúdio Doghouse Audio, em Aracaju (Sergipe). Ouça Meu Maior Fardo é Você