Ringo Starr lança “Long Long Road” e celebra raízes no country

Aos 85 anos, Ringo Starr continua provando que o segredo da juventude é nunca parar de criar. O eterno baterista dos Beatles lançou o álbum Long Long Road, a aguardada sequência do aclamado Look Up. O projeto marca a continuidade de sua bem-sucedida parceria com o lendário produtor e compositor T-Bone Burnett, mergulhando fundo na sonoridade da música americana e do country. Gravado entre Nashville e Los Angeles, o disco de dez faixas não é apenas um retorno às raízes, é um mosaico sonoro que expande o legado de Ringo. O primeiro single, It’s Been Too Long, já dava o tom da obra: uma mistura de nostalgia com o vigor de quem ainda tem muito a dizer. Colaborações de elite em Long Long Road Para dar vida a essa “longa estrada”, Ringo e T-Bone recrutaram um time de convidados que cruza diferentes gerações e estilos do rock e do country:

Bad Luv lança “Sonho Bom” em homenagem à filha de Gee Rocha

Acostumados com arranjos enérgicos e densos, os integrantes da Bad Luv decidiram baixar o volume e abrir o coração em seu novo single, Sonho Bom, disponível agora em todas as plataformas digitais. A faixa é uma homenagem emocionante ao nascimento de Nara, filha do guitarrista Gee Rocha (conhecido nacionalmente por sua trajetória no NX Zero). O que torna a canção ainda mais especial é a sua origem: ela nasceu como um presente surpresa do vocalista Caio Weber para o parceiro de banda e amigo de longa data. De uma demo caseira a um hino de paternidade A inspiração para a letra surgiu quando Caio ouviu uma gravação caseira antiga feita por Gee. Em apenas uma tarde, o vocalista escreveu os versos que narram a expectativa e o amor incondicional por alguém que acaba de chegar ao mundo. “Foi muito fácil imaginar como é esperar alguém que você nem sabe quem é de fato, mas que já ama mais do que tudo. Fiz a letra, gravei e mandei pro Gee, que ficou muito emocionado”, relembra Caio Weber. Colaboração familiar A atmosfera sensível de Sonho Bom ganhou um toque de autenticidade com a participação de Camila Cat, esposa de Gee e mãe de Nara. Ela divide os backing vocals com o marido no trecho mais emblemático da música: “Agora já sei o seu nome, você é meu norte”. Musicalmente, a faixa rompe com o perfil pesado do álbum anterior da Bad Luv, apostando em violões e uma entrega vocal mais contida. Esse respiro acústico funciona como um “abre-alas” para o segundo álbum de estúdio do grupo, previsto para ser lançado ainda em 2026. Sentimento de um recomeço no Bad Luv com Sonho Bom Para Gee Rocha, a música sintetiza a mudança de chave que a paternidade trouxe para sua vida. “Eu descobri que minha mulher estava grávida e parece que a nossa vida já começou a mudar ali. Estou muito feliz que fizemos esse som juntos, porque é uma música muito especial para a minha filha”, finaliza o guitarrista.

Arch Enemy encerra o primeiro dia do Bangers com triunfo de Lauren Hart

Se alguém no Memorial da América Latina ainda nutria qualquer dúvida sobre Lauren Hart ser a escolha adequada para liderar o Arch Enemy nesta nova etapa, a cantora precisou de apenas duas músicas para dissipar tal incerteza. Na terceira canção do setlist, a australiana já era ovacionada de forma unânime pelo público, consolidando sua posição à frente de uma das instituições mais respeitadas do metal extremo mundial. A banda, que não é boba nem nada, foi certeira na escolha do repertório inicial para validar a nova integrante. O show começou com a sugestiva Yesterday is Dead and Gone, originalmente gravada na voz de Angela Gossow, seguida por The World is Yours, da fase encabeçada por Alissa White-Gluz. Com essa sequência, a vocalista mostrou, logo de cara, total capacidade técnica e cênica para interpretar o legado das duas eras mais fundamentais da banda sueca, que marcou presença como peça-chave do festival. A rapidez da transição impressiona: quando o Arch Enemy foi anunciado como substituto do Twisted Sister no line-up, a identidade da nova vocalista ainda era um mistério. Desde então, o lançamento do aclamado single To the Last Breath, que se tornou um dos pontos altos da noite, e uma breve turnê por clubes na Ásia serviram de preparação para este momento: a primeira performance como headliner de um grande festival no Bangers Open Air. Enquanto os veteranos Michael Amott e Joey Concepcion (guitarras), Sharlee D’Angelo (baixo) e Daniel Erlandsson (bateria) exibiam a segurança e o entrosamento típicos de quem domina grandes palcos há décadas, o interesse primordial da plateia recaía sobre Lauren. Foi o nome dela o mais gritado durante os intervalos, evidenciando uma aceitação imediata. A apresentação funcionou como um cartão de visitas bilateral: Lauren deixou de lado qualquer sinal de intimidação para entregar empolgação pura, chegando a solicitar lanternas de celulares durante My Apocalypse, canção que, ironicamente, está longe de figurar em qualquer coletânea de baladas. Por outro lado, o público brasileiro retribuiu com tal intensidade que quase levou às lágrimas a vocalista, que confessou nunca ter tocado no país anteriormente com seus projetos passados. O destaque negativo ficou, mais uma vez, pelo som do palco. Não chegou a comprometer tanto quanto no Black Label Society, porém, durante a apresentação dos suecos a bateria chegou a engolir as guitarras na mix durante as passagens mais agitadas (que são a maioria). Edit this setlist | More Arch Enemy setlists

In Flames privilegia o peso em apresentação energética no Bangers

“A gente só tem 75 minutos, não temos tempo para isso”, brincou Anders Fridén, o bem-humorado vocalista do In Flames, interrompendo com ironia os tradicionais coros de “Olê, Olê” que o público entoava em sinal de aprovação. Vinda de “uma cidade pequena de um país pequeno no Norte”, conforme a definição (novamente sueca) dada pelo próprio frontman, a banda fez com que cada minuto no palco valesse a pena, optando por um roteiro de alta intensidade. O setlist no Bangers Open Air deixou de lado composições mais lentas ou atmosféricas em favor da agressividade característica do death metal melódico, subgênero que o grupo ajudou a consolidar mundialmente a partir de Gotemburgo. Anders, que passou boa parte do show incentivando a formação de rodas de mosh e sendo prontamente atendido, contou com o apoio técnico de seu parceiro de longa data, Björn Gelotte, o único outro integrante da formação clássica ainda presente. Ao redor da dupla, o que se viu foi uma “trupe” de alta competência, composta por nomes conhecidos de outras vertentes do metal: Chris Broderick na guitarra (ex-Megadeth), Liam Wilson no baixo (ex-The Dillinger Escape Plan) e Jon Rice na bateria. Visualmente, a In Flames manteve uma postura despojada, sem grandes artifícios cênicos ou figurinos elaborados. Com a aparência de quem escolheu a primeira camiseta disponível no guarda-roupa antes de subir ao palco, os músicos focaram estritamente na entrega sonora, reforçando a ideia de que o som deve ser o protagonista. Foi uma apresentação sem “invencionices”, direta e crua, exatamente como o público fiel da banda esperava encontrar em um ambiente de festival. Ao final, os 75 minutos de show resultaram em um setlist equilibrado, capaz de satisfazer tanto os fãs antigos quanto os novos ouvintes. A performance foi sólida o suficiente para que ninguém saísse com a sensação de ter perdido algo, inclusive aqueles que não puderam comparecer ao side show realizado pela banda dias antes, na Audio, também em São Paulo. Edit this setlist | More In Flames setlists

Black Label Society enfrenta problemas de som em show emotivo

O Black Label Society entregou no palco do Bangers Open Air uma performance tipicamente pautada na estética do “guitar hero”, ancorada inteiramente na figura de seu líder e mentor, Zakk Wylde. O músico, mundialmente celebrado por sua trajetória de décadas como braço direito de Ozzy Osbourne, trouxe para o Memorial da América Latina a mistura característica de southern rock com o peso do metal tradicional que define sua banda autoral. A apresentação, contudo, enfrentou obstáculos técnicos em sua sonorização. O áudio foi prejudicado por uma predominância excessiva de frequências graves, o que resultou em uma falta de definição e “punch” nos instrumentos. Essa falha tornou-se mais evidente durante a execução de composições mais lentas e cadenciadas, como a emocionante In This River, dedicada aos falecidos irmãos Dimebag Darrell e Vinnie Paul, pilares do Pantera. No repertório, Wylde não focou exclusivamente na promoção de material recente, selecionando apenas duas faixas do álbum Engines of Demolition, lançado este ano. Em vez disso, o setlist abriu espaço para extensos duelos e solos de guitarra, nos quais Wylde contou com o suporte técnico de Dario Lorina, o outro guitarrista da formação. O show também se destacou por apresentar duas das poucas baladas de todo o primeiro dia do evento. Além da homenagem aos irmãos Abbott, o grupo executou Ozzy’s Song, que foi acompanhada por projeções de Ozzy Osbourne nos telões, imagens que permaneceram em exibição até o encerramento do set. A influência do “Príncipe das Trevas” é onipresente: basta ouvir o timbre e a impostação vocal de Wylde por alguns segundos para identificar, mesmo sem qualquer contexto prévio, a origem de sua técnica e escola interpretativa. >> ENTREVISTA COM BLACK LABEL SOCIETY O ápice dessa reverência ocorreu com a execução de No More Tears, clássico da carreira solo de Ozzy gravado originalmente com as guitarras de Zakk. O momento transformou o local em um grande coro de “ole, ole, ole, ole, Ozzy, Ozzy”, incentivado ativamente pelo próprio Wylde. O clima geral da apresentação foi de uma profunda homenagem, o tributo de um discípulo que parece processar a ausência de seu mestre diante de um público que reconhece em Ozzy uma de suas maiores e mais insubstituíveis referências. Edit this setlist | More Black Label Society setlists

Mesmo após “hiato”, Killswitch Engage demonstra vigor e entrosamento no Ice Stage

Contando com uma legião de fãs dedicados, muitos dos quais se deslocaram até o Memorial da América Latina com o objetivo exclusivo de prestigiar o grupo, o Killswitch Engage foi responsável por entregar o primeiro dos sets mais extensos da programação do dia. Ao longo de 70 minutos de apresentação, a banda norte-americana priorizou uma performance enérgica que evidencia suas raízes e influências do hardcore/metalcore. O fluxo do show foi marcado por poucas interrupções, salvo pelas tradicionais intervenções do guitarrista Adam Dutkiewicz, que trouxe momentos de descontração com piadas no estilo “besteirol estadunidense” sobre o consumo de cerveja, uma marca registrada de sua postura de palco. Confesso que não sou grande fã do Killswitch Engage, mas é inegável que eles entregam muito no palco. O espetáculo visual e performático começou logo na entrada, com Dutkiewicz surgindo no palco aos saltos, utilizando uma bandeira do Brasil como capa. No entanto, o foco central das atenções divide-se com o vocalista Jesse Leach. O frontman demonstrou uma mobilidade constante, percorrendo o palco em toda a sua extensão e culminando sua participação em um contato direto com o público, ao descer para cantar em meio aos fãs durante o encerramento da apresentação. Um detalhe relevante compartilhado pelo guitarrista durante o set foi que a data em São Paulo marcou o primeiro show da banda em um intervalo de quatro meses. Em tom de brincadeira, ele sugeriu que o público teria que lidar com possíveis imperfeições decorrentes desse hiato. Se ele não tivesse falado, seria difícil adivinhar que a banda, que estava bem afiada, voltava de férias. O conjunto mostrou-se extremamente afiado e com um entrosamento que não denunciava o retorno de um período de férias. A apresentação, provavelmente, também angariou alguns novos fãs e foi encerrada com uma versão metalcore de Holy Diver, do Dio. Edit this setlist | More Killswitch Engage setlists

Banda ucraniana Jinjer confirma status de destaque no metal atual

Como mencionado anteriormente, o sábado (25) registrou temperaturas elevadas, atingindo marcas térmicas rigorosas no Memorial da América Latina. Dentre todos os artistas que se apresentaram no intervalo entre o meio-dia e as 18h, é provável que quem mais tenha sentido o impacto do calor tenha sido Tatiana Shmayluk, a vocalista da banda ucraniana Jinjer. A combinação de um figurino elaborado com a exigência física de sua performance tornou a temperatura um desafio visível durante o set. Entretanto, as condições climáticas não impediram que a frontwoman entregasse uma performance absoluta no palco do festival. Reconhecida mundialmente por sua versatilidade vocal, que transita com naturalidade entre passagens melódicas e guturais profundos, Tatiana domina o palco com uma presença cênica singular. Essa entrega justifica o status do Jinjer como um dos nomes mais relevantes e acompanhados do metal contemporâneo, conseguindo extrapolar as bolhas do gênero e atrair um público diversificado pela complexidade de sua proposta. Enquanto Tatiana concentra os holofotes, seus companheiros de banda adotam uma postura mais discreta, embora tecnicamente impecável. O baterista Vladyslav Ulasevych, utilizando um setup de bateria no mínimo incomum para os padrões do metal, executa partes complexas com uma fluidez que faz o difícil parecer simples. O mesmo rigor técnico aplica-se ao baixista Eugene Abdukhanov, cujas linhas de baixo trazem frases nitidamente inspiradas no jazz, e ao guitarrista Roman Ibramkhalilov, responsável por alternar entre riffs pesados e a criação de paisagens sonoras tranquilas que oferecem respiro em meio ao caos rítmico. Este foi, sem dúvida, um dos shows mais aguardados da edição e confirmou-se como um dos pontos altos da programação. No intervalo entre as canções, era possível observar a vocalista, visivelmente encharcada de suor, buscando recuperar o fôlego e trocando olhares que provavelmente queriam dizer “tá quente pra porra aqui” aos seus companheiros. No entanto, assim que a contagem para a próxima música iniciava, qualquer sinal de fadiga era suprimido: lá estava ela novamente dançando e se esgoelando pelo palco. Grande profissional, grande banda. Edit this setlist | More Jinjer setlists

Violator leva o “show de bueiro” e discurso político ao palco do Bangers Open Air

Por volta das 14h, o fluxo de pessoas no Memorial da América Latina já indicava um aumento considerável de público. Esse preenchimento do espaço tornou o deslocamento entre os palcos principais e o Sun Stage um exercício de paciência maior para os presentes. O trajeto, realizado obrigatoriamente através de uma ponte que conecta as áreas do Bangers Open Air, ficou mais congestionado, embora o percurso ainda pudesse ser completado em um intervalo inferior a dez minutos, permitindo o trânsito entre as atrações sem grandes prejuízos ao cronograma dos fãs. O palco secundário recebeu um contingente grande de espectadores para a apresentação dos brasilienses do Violator, que protagonizaram um dos momentos de maior destaque de todo o primeiro dia do festival. “O underground chegou no Bangers”, anunciou o vocalista e baixista Pedro Arcanjo, dando início a uma sequência de composições de thrash metal “direto e reto”, estilo que o grupo refina há duas décadas. A sonoridade técnica e veloz da banda serviu como uma demonstração da vitalidade do metal nacional dentro de um line-up repleto de nomes estrangeiros. Além da parte musical, o Violator não se furtou de reforçar seu histórico posicionamento político. A apresentação foi permeada por mensagens explícitas, que incluíram desde a exposição de uma bandeira da Palestina no palco até uma dedicatória direta, antes da canção False Messiah (Falso Messias), ao ex-presidente brasileiro investigado e preso por tentativa de golpe de Estado. Tais intervenções trouxeram uma camada de protesto social ao evento, característica intrínseca à trajetória do grupo. O público respondeu à altura, não apenas ocupando todo o espaço disponível, mas também organizando intensas rodas de mosh, o que evidenciou a força do cenário underground. Para a parcela minoritária que demonstrou incômodo com os discursos, o recado de Arcanjo foi enfático: “Foda-se, não estamos nem aí”. Nas palavras do próprio vocalista, foi um “show de bueiro” transportado para o palco do maior festival do gênero na América Latina. Foi lindo!

Com substituição na bateria, Evergrey abre sequência de peso nos palcos principais

Ao mover o foco para a área que abriga os dois palcos principais do festival, os suecos do Evergrey iniciaram sua apresentação. Esta, inclusive, não será a última menção a músicos da Suécia ao longo desta cobertura, dada a forte presença do país no line-up do dia. O grupo apresentou um repertório fundamentado no equilíbrio entre o peso característico do gênero e a complexidade do metal progressivo, estabelecendo o tom para a sequência de composições rítmicas e variações técnicas que marcariam as horas seguintes do evento. A banda demonstrou entrosamento no palco, incluindo a participação do norueguês Simen Sandness, que assumiu as baquetas em substituição ao baterista Jonas Ekdahl. Durante a execução do setlist, o grupo intercalou composições recentes com os temas mais consolidados de sua discografia. O público presente no Memorial da América Latina acompanhou a performance de forma participativa, especialmente nos momentos de maior notoriedade da banda, nos quais era possível notar parte expressiva da plateia entoando as letras em uníssono. >> LEIA ENTREVISTA COM EVERGREY Um ponto de observação negativa, embora com baixo impacto no resultado estritamente musical, diz respeito às projeções exibidas nos telões de LED. As imagens apresentaram uma estética considerada simplória ou, em termos mais diretos, “tosca”, destoando da complexidade sonora do grupo. Este aspecto visual, contudo, é um tópico que transcende a apresentação do Evergrey, tendo sido observado em outros momentos do festival. O episódio reforça a máxima de que, em cenários de grandes produções, muitas vezes a simplicidade pode ser mais eficaz que recursos visuais mal executados. Edit this setlist | More Evergrey setlists