Don Broco lança “Nightmare Tripping” e convoca vocal do Architects para manifesto contra a extrema-direita

O Don Broco escolheu esta sexta-feira (27) para entregar ao mundo o seu trabalho mais denso e politizado até aqui. O novo álbum de estúdio, batizado de Nightmare Tripping, já está disponível em todas as plataformas de streaming. Para celebrar o lançamento, a banda britânica liberou o videoclipe de True Believers, uma colaboração explosiva com Sam Carter, vocalista do Architects. Mais do que apenas uma parceria entre dois gigantes do rock moderno, a faixa é um grito de resistência contra o cenário político global dos últimos anos. Contraste entre a festa e a violência em Nightmare Tripping O vocalista do Don Broco, Rob Damiani, revelou que True Believers foi gestada em 2024, durante um período de profunda dualidade no Reino Unido: enquanto o país celebrava as Olimpíadas, as ruas eram palco de violentos protestos da extrema-direita em Southport. “Ver políticos e pessoas nas ruas usando a saudação nazista livremente e ideias de apologistas de genocídio sendo abraçadas pela mídia foi alarmante. Essa música é sobre a lavagem cerebral que levou a isso, um convite para questionar as narrativas que nos impõem há gerações”, desabafa Damiani. Sobre a escolha de Sam Carter para dividir os vocais, Rob é categórico: “Somos fãs de Architects há muito tempo. A energia e a agressividade que ele traz são incomparáveis. Como ser humano, Sam sempre usou seu talento para defender o que é certo, então colaborar com ele foi muito especial”. Sonoridade e ativismo Nightmare Tripping mantém o DNA experimental do Don Broco, misturando sintetizadores, batidas dançantes e riffs pesados, mas ganha uma camada extra de urgência. A presença de Sam Carter em True Believers injeta uma dose de metalcore que torna a mensagem da letra ainda mais visceral.
Atração de abertura do Harry Styles no Brasil, Fcukers lança álbum de estreia

Se você ainda não ouviu falar do Fcukers, prepare-se: você vai ouvir muito o nome deles até julho. A dupla formada por Shanny Wise e Jackson Walker Lewis lançou seu álbum de estreia, Ö, pelo prestigiado selo Ninja Tune. O lançamento consolida o status da banda como a nova favorita de ícones como David Byrne, Billie Eilish e Kevin Parker (Tame Impala). Produzido por Kenny Beats e mixado por Tom Norris (responsável pelo som de Charli XCX e Lady Gaga), o disco é uma explosão de energia de pista, fundindo o baixo pulsante do pós-punk com a urgência da música eletrônica contemporânea. Fcukers será “esquenta” para Harry Styles A notícia que mais mexe com o público brasileiro é a confirmação do Fcukers como a atração de abertura da turnê Together, Together, do cantor Harry Styles. A dupla subirá ao palco do Estádio MorumBIS, em São Paulo, em quatro datas: 17, 18, 21 e 24 de julho. Essa escalação não é por acaso. O Fcukers vem de uma sequência de shows esgotados em Londres e Nova York, além de apresentações em festivais como Coachella e Glastonbury. O som deles, que eles mesmos definem de forma irônica e direta, é feito para quem não quer ficar parado. Faixas como Play Me e I Like It Like That prometem ser os pontos altos da noite antes da entrada do astro britânico. Produção de elite O álbum Ö traz a assinatura de Dylan Brady (100 Gecs) em três faixas, garantindo aquele toque experimental e acelerado que virou marca registrada da cena atual. O disco captura o caos de uma noite em Nova York, indo de batidas pesadas a momentos mais melódicos, sempre sob o comando dos vocais magnéticos de Shanny Wise.
Melanie Martinez lança álbum que disseca a vida sob o domínio da IA

Após três anos de silêncio criativo, Melanie Martinez está de volta com seu trabalho mais ambicioso e provocativo até agora. Lançado nesta sexta-feira (27), o álbum Hades mergulha em 18 faixas que flutuam entre o pop alternativo e o experimentalismo visual para documentar o que a artista chama de “uma distopia que já vivemos”. O projeto marca uma evolução na estética da cantora, que desta vez troca os contos de fadas sombrios por uma análise crua da sociedade contemporânea. Vale da estranheza e a “beleza” artificial Um dos pontos centrais do disco é a faixa Uncanny Valley (O Vale da Estranheza), a última composição escrita para o álbum. Nela, Melanie aborda como a inteligência artificial e os filtros das redes sociais remodelaram a nossa percepção de realidade e desejo. “A canção fala sobre como as redes sociais e a IA distorceram nossa relação com a beleza, nos fazendo comparar constantemente com rostos editados. Hades é um espelho rachado. Por trás da raiva, existe um chamado para sentir e questionar se ainda somos capazes de criar algo bonito a partir do caos”, explica a artista. Impacto imediato nos números O retorno de Melanie foi recebido com sede pelos fãs. O single principal, Possession, estreou com impressionantes 2,7 milhões de streams no Spotify nas primeiras 24 horas, já acumulando mais de 33 milhões de audições globais. O single seguinte, Disney Princess, segue o mesmo caminho de sucesso, consolidando o álbum como um dos maiores lançamentos do pop alternativo em 2026. Para celebrar o lançamento, a cantora prepara uma noite intimista no Clive Davis Theater, no Grammy Museum (Los Angeles), no dia 8 de abril, onde apresentará um pocket show exclusivo e discutirá os bastidores da criação do disco com o produtor e colaborador de longa data CJ Baran. * 💿 Serviço: Melanie Martinez – “Hades” O álbum já está disponível na íntegra em todas as plataformas de streaming.
Black Label Society mantém seu DNA e entrega disco intenso com Engines of Demolition

O Black Label Society lançou, hoje (27), o álbum Engines of Demolition, um trabalho que reforça a identidade construída por Zakk Wylde ao longo de décadas sem a preocupação de reinventar a própria fórmula. O disco chega como um retrato direto do momento vivido pelo guitarrista, equilibrando peso, melodia e um forte componente emocional, especialmente após a morte de Ozzy Osbourne, anos intensos de turnês e projetos paralelos. Desde as primeiras faixas, o álbum deixa claro seu caminho. Riffs densos, andamento cadenciado e uma forte influência do hard rock clássico moldam a espinha dorsal das composições. Há uma sensação de familiaridade que não soa acomodada, mas sim consciente. Wylde segue apostando naquilo que sempre funcionou, construindo músicas que partem do riff como elemento central e evoluem para melodias marcantes. Como ele próprio disse em entrevista ao Blog N’ Roll, “tudo começa com o riff” e, se a base estiver próxima daquele espírito de bandas como Black Sabbath ou Led Zeppelin, o caminho já está traçado. Entre os destaques, Name in Blood sintetiza bem a proposta do disco. A faixa traz peso e groove, mas também carrega um conceito direto, como explicou o guitarrista na mesma entrevista. “Isso significa compromisso total com o projeto. É como quando você decide dar o próximo passo em um relacionamento.” A música funciona como uma espécie de manifesto dentro do álbum, reforçando a entrega total que marca esta fase da banda. Mas é em Ozzy’s Song que Engines of Demolition encontra seu ponto mais forte e emocional. A faixa se destaca não apenas pela construção mais sensível, mas pelo peso simbólico que carrega. Trata-se de uma homenagem direta a Ozzy Osbourne, figura central na trajetória de Wylde. A música começa de forma contida e cresce gradualmente até chegar a um solo carregado de sentimento, funcionando como uma espécie de despedida traduzida em som. O próprio Zakk detalhou esse momento ao Blog N’ Roll, revelando o caráter íntimo da composição. “Eu estava na biblioteca de casa, com fones de ouvido, olhando um livro sobre o Ozzy. A melodia surgiu e eu escrevi a letra ali.” A escolha da guitarra também reforça esse simbolismo: o músico utilizou a lendária Grail, a mesma com a qual gravou suas primeiras músicas com Ozzy, fechando um ciclo dentro da própria carreira. O processo de criação do disco também ajuda a explicar sua sonoridade. Diferente de trabalhos anteriores, o álbum foi desenvolvido ao longo de anos, entre pausas e compromissos como a turnê de celebração do Pantera. Esse intervalo mais longo permitiu que Wylde acumulasse ideias e trabalhasse as composições com mais calma. “Dessa vez tivemos muito tempo entre um disco e outro… eu só continuei escrevendo”, afirmou. A consequência é um trabalho que soa mais orgânico, sem a urgência de prazos apertados. Outro ponto que se destaca é a ausência de pressão em relação à recepção do público. Wylde adota uma postura direta e despreocupada, focando apenas na própria satisfação artística. “Você tem que fazer o disco que ama fazer. Se você está feliz com isso, é o que importa”. Essa filosofia se reflete em um álbum que não busca tendências ou atualizações sonoras, mas sim reforça uma identidade consolidada. Com Engines of Demolition, o Black Label Society entrega um disco que não pretende surpreender, mas sim reafirmar. É um trabalho que aposta na consistência, no peso e na emoção como pilares principais. Em um cenário onde a novidade muitas vezes é supervalorizada, Zakk Wylde segue na contramão, mostrando que ainda há força em permanecer fiel à própria essência.
Entrevista exclusiva | Dr. Chud – “Estávamos todos no auge naquela fase do Misfits. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos”

O ex-baterista dos Misfits, Dr. Chud, confirmou sua volta ao Brasil com a turnê “South America/Italia Tour”, marcada para agosto. O músico se apresenta em São Paulo dia 16, no tradicional Hangar 110, espaço histórico da cena punk e hardcore nacional. A passagem marca o retorno do artista ao continente após anos afastado de turnês próprias. Conhecido por sua atuação em uma das fases mais populares dos Misfits, Dr. Chud promete um show voltado ao horror punk, com repertório que mistura clássicos da banda com composições autorais e material de seus projetos mais recentes. A proposta, segundo o próprio músico, é entregar uma apresentação energética e acessível, dialogando diretamente com o público que acompanhou sua trajetória desde os anos 1990 até sua fase atual. Dr. Chud participou de álbuns como “American Psycho” e “Famous Monsters”, além de registros como “Cuts from the Crypt”. Multi-instrumentista, produtor e compositor, ele também integrou bandas como Blitzkid e desenvolveu projetos autorais ao longo das últimas décadas. Sua formação inclui passagens por diferentes estilos e estudos aprofundados de percussão, o que ajudou a moldar sua identidade musical tanto na bateria quanto na composição. Em entrevista exclusiva para o Brasil, Dr. Chud fala com o Blog N’ Roll sobre os shows no país, o repertório da turnê e sua relação com o legado dos Misfits. O que vem a sua mente ao se preparar para voltar ao Brasil em agosto e reencontrar seus fãs? O Hangar 110 é uma espécie de CBGB brasileiro. Eu quero oferecer um show de horror punk acessível e incrível com a minha banda de horror punk. É algo que eu sempre quis fazer, levar minha banda internacionalmente e minha música para o mundo. Vai ser divertido e intenso. Eu tenho muitos amigos no Brasil, então vou me divertir bastante. Qual será a formação da sua banda nos shows no Brasil? Você vai cantar, tocar bateria ou ambos? Eu vou cantar o set inteiro. Talvez eu toque bateria em algumas músicas no final. Ainda faltam quatro meses, então estou trabalhando com muitas ideias diferentes. Mas sim, gostaria de ir para a bateria em algumas músicas. Eu nunca fiz isso antes. Sobre o repertório, você pretende focar apenas nos álbuns dos Misfits ou haverá surpresas? Eu tenho mais de 50 álbuns. Do Misfits eu participei de quatro álbuns: Cuts from the Crypt, Evil Eye II, Famous Monsters e American Psycho. Eu vou tocar as músicas que escrevi para esses álbuns. Vou tocar também coisas do X-Ward e outros álbuns que fiz, como Sacred Trash. Eu estive em muitas bandas, então vou escolher coisas aqui e ali. Mas principalmente quero tocar todo o meu álbum do X-Ward e talvez algumas músicas novas do X-Ward também. Mas sim, vai ter, talvez dez músicas dos Misfits. Mas eu escrevi todas elas, então vai ser divertido mostrar minha interpretação dessas músicas para pessoas que nunca ouviram, da forma como eu escrevi ou como eu mudei elas 30 anos depois. Isso é divertido. Você já tocou no Brasil com outros projetos? Eu toquei quando eu estava em turnê com o Blitzkid. Acho que essas foram as duas bandas com as quais estive aí, Misfits e Blitzkid. Você adapta sua performance para diferentes públicos dependendo da cidade que você vai se apresentar? Eu ainda não sei. Eu ainda não toquei pelo mundo todo com a minha banda atual. Eu gosto de mudar as coisas. Posso fazer sets acústicos em encontros com fãs. Gosto de mudar isso, talvez tocar quatro músicas. Mas o setlist provavelmente vai se manter o mesmo nesta turnê. Depois eu vou mudando conforme as turnês avançam e novas músicas são lançadas. Como foi entrar nos Misfits em um momento tão importante da banda? Pareceu natural. Foi uma boa combinação para mim. Eu me diverti muito. Eu pude escrever músicas para eles e tocar com eles. Eu honro esse período. E eu acabei de receber um disco de ouro por American Psycho. Como era o processo criativo e de gravação naquela época com essa nova formação? Foi incrível. Nós ensaiávamos muito e trabalhávamos nas músicas o tempo todo. Era uma máquina de composição. Todos escrevíamos músicas naquele período. Todos tinham uma parte igual nisso. Foi divertido e tudo aconteceu de forma bem tranquila. Foi mágico, na verdade. Um momento mágico. E esses álbuns vendem melhor hoje do que jamais venderam. Como você define seu legado nos Misfits? É o bom e velho rock and roll. Nós fizemos com intensidade. As melodias eram ótimas. Estávamos todos no auge. Tínhamos mais cinco discos dentro de nós. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos. Qual sua visão sobre as polêmicas políticas envolvendo Glenn Danzig e Michale Graves com o nazismo e fascismo? Isso pode afetar o legado dos Misfits? Eu não sei. Eu faço a minha própria coisa. Sempre fiz. Não sei. É a vibração deles. Eu estou em uma vibração diferente. Não falo com o Michale desde 2002. Então não sei o que ele está fazendo. E eu realmente não conheço o Glenn. Então não sei o que eles estão fazendo. Espero que estejam fazendo discos. Você mantém contato com algum integrante dos Misfits? Não, só para falar de negócios. Por que American Psycho e Famous Monsters têm uma qualidade de gravação muito superior aos demais trabalhos? Houve uma preocupação nesse sentido? Você está absolutamente certo, foi simplesmente melhor gravado. Tinha um orçamento maior também, a Geffen Records financiou o primeiro, acho que a Roadrunner fez o segundo. Eu gravei a minha vida inteira e também estou lá dando minhas ideias, pois tenho estúdio desde os 19 anos. Sempre gravei em casa, trabalhei com gênios da gravação e eu amo gravar. Amo todo o processo. Então sim, foi divertido gravar. Os álbuns têm muita energia. Eles eram gravados ao vivo ou por partes? Eu acho que gravávamos a banda inteira ao vivo. Depois o Doyle adicionava camadas de guitarra e fazíamos vocais de apoio. Era basicamente ao vivo. Quais foram suas principais influências na bateria? Eu sempre
Aléxia divulga capa do novo álbum Garra e se prepara para o Somos Rock 2026

A cantora Aléxia dá início a uma nova fase da carreira com o anúncio de Garra, seu álbum de estreia, e a revelação da identidade visual que acompanhará o projeto. A artista, confirmada no Somos Rock Festival, também divulgou a capa do trabalho e os primeiros detalhes do single “Seja Você”, que chega às plataformas digitais em 10 de abril, com clipe previsto para o dia 13. O disco completo será lançado em 30 de abril. Em setembro de 2025, a cantora e líder da banda falou com o Blog N’ Roll. Na época ela vivia a expectativa de abrir a turnê do The Calling e colhia os frutos do lançamento do single “Monstro”. Com quatro anos de trajetória e mais de 400 shows realizados, Aléxia consolida um momento de virada dentro da cena paulista. A presença no line-up do festival, marcado para 25 de abril, na Arena Anhembi, reforça esse avanço em meio a uma agenda que já inclui apresentações ao lado de nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, além do próprio The Calling. Transitando entre o rock alternativo, o metal moderno, o pós-grunge, o punk e o dark pop, Aléxia vem consolidando uma sonoridade própria que define como heavy pop. Em Garra, essa proposta se expande em 14 faixas que abordam temas como saúde mental, luto, medo, coragem, empoderamento e amor. O álbum funciona como um retrato de amadurecimento artístico e pessoal, transformando experiências intensas em linguagem musical. O primeiro recorte do projeto, “Seja Você”, sintetiza essa busca por autenticidade em meio ao caos. Com vocais marcantes e influências de hardcore e pop punk, a faixa antecipa a direção estética do disco, equilibrando peso e apelo melódico. A canção abre caminho para um trabalho que aposta na intensidade emocional sem abrir mão de estrutura e identidade sonora. A capa revelada para o single também introduz um dos principais eixos simbólicos de Garra. A imagem explora a dualidade do título ao apresentar a garra de um “monstro” que fere a artista. O elemento visual remete a marcas profundas deixadas por experiências passadas, mas que também ajudam a construir força e identidade. O conceito dialoga diretamente com a proposta do álbum, que transforma dor em afirmação e consolida a nova fase de Aléxia como um dos nomes em ascensão no rock nacional.
Entrevista exclusiva | The Casualties – “Ver o que acontece no Brasil e comparar com os EUA foi a forma como esse disco saiu”

O The Casualties lançou nesta sexta-feira (27) o álbum Detonate, reforçando sua posição como um dos principais nomes do street punk mundial. O disco chega às plataformas com a proposta de traduzir em som e atitude as tensões sociais e políticas atuais, mantendo a identidade agressiva e direta que marcou a trajetória da banda desde os anos 1990. Em Detonate, o The Casualties aposta em uma combinação de energia crua e senso de urgência, com letras que transitam entre revolta e consciência coletiva. A crítica internacional destaca o trabalho como um álbum que equilibra intensidade e reflexão, trazendo uma “explosão” que vai além do som e se conecta diretamente ao cenário global contemporâneo. Formado no início dos anos 1990 em Nova York, a banda se consolidou como referência dentro do street punk. Ao longo das décadas, eles passaram por mudanças importantes na formação, especialmente após a saída do vocalista Jorge Herrera. Desde então, David Rodriguez assumiu os vocais e ajudou a redefinir a identidade do grupo, trazendo novas influências sem romper com a base construída nos primeiros anos. Em entrevista exclusiva para o Brasil, o vocalista David Rodriguez fala com o Blog N’ Roll sobre o novo álbum, o tom político das composições, a relação com o público brasileiro e as transformações na dinâmica criativa da banda nos últimos anos. O título do álbum sugere uma explosão. O que exatamente está prestes a explodir? É algo interno, como uma combustão interna. Tudo o que está acontecendo no mundo faz a gente querer explodir. Nossos corações e mentes querem explodir de raiva, de tristeza, mas também com a ideia de que, juntos, podemos consertar isso. O disco tem um tom político muito forte. Quando você percebeu que esse seria o caminho? Eu sempre me senti assim, porque Estados Unidos e Brasil estão lidando com muitas questões, como Bolsonaro e Trump. E, pelo que foram esses últimos anos, eu sinto como se fosse quase uma ditadura, como se estivessem tentando chegar nisso. Então isso tem sido uma emoção muito forte desde o último disco, desde que entrei na banda. E vou te dizer também que estar no Brasil criou muito disso em mim. Eu consegui ver o que estava acontecendo no Brasil e comparar com o que estava acontecendo nos Estados Unidos, e isso teve muito a ver com a forma como esse disco saiu. Eu escrevi muito dele em Ubatuba e também em São Paulo. Como foi trabalhar neste álbum com a formação atual da Casualties? Eu estou na banda há oito anos, mas tenho uma relação com o The Casualties há uns 27 anos. Eu tinha uma banda chamada Crumb Bums, e lá por 2004 eles levaram a gente para uma turnê. Desde então sempre fomos amigos, sempre juntos. Eu, Jake e Meggers sempre estivemos muito próximos. A gente nunca tinha composto junto antes do último disco, mas foi muito natural escrever. Nós três escrevemos a maior parte desse álbum juntos aqui em Austin. Nosso baixista, Doug, é muito bom e trouxe o estilo dele para o que estávamos fazendo. Foi um processo muito natural. Com tudo o que está acontecendo no mundo, todos conseguimos nos expressar. Eu gosto muito desse disco. É, eu como baixista prestei bastante atenção nas linhas de baixo e é um destaque a parte. Existe uma faixa que melhor representa o espírito do disco? Cara, eu diria People Over Power. Eu acho que essa música representa quem a banda é. E também respeita quem a banda sempre foi antes de mim e quem somos agora. Dá pra ouvir o quanto o Jake evoluiu como guitarrista, o quanto o Meggers evoluiu, e dá pra ver do último disco pra esse o quanto eu também cresci. E é uma música simples. Tem aquela linha: “people over power”. É simples assim. Poder sobre as pessoas e a gente queima isso tudo. É uma música sobre união. Você acha que a sua entrada na Casualties trouxe uma nova dinâmica criativa? Sim, com certeza. E digo isso com respeito. Na internet, as pessoas gostam de falar mal. Ninguém chega pra dizer que você está bem, só querem dizer que você é ruim. Vão dizer que eu não pareço o Jorge. Ainda bem. Eu não quero soar como ele. Ele tem a identidade dele. Eu tenho a minha. Eu não estou aqui para substituir ninguém, estou aqui para ser eu mesmo. Tenho uma visão de mundo diferente. O que os fãs podem esperar da nova turnê do Casualties? Shows mais rápidos e pesados do que nunca. Espero que as pessoas escutem o álbum com atenção, leiam as letras e absorvam a mensagem. Não é um álbum para você ouvir e ficar fazendo outras coisas, precisa de concentração. Há planos de trazer a nova turnê do Casualties para o Brasil? Com certeza nós vamos voltar. Queremos tocar mais. Infelizmente perdemos o show de Curitiba devido ao mau tempo, o avião não podia levantar voo. Então queremos compensar o que perdemos e viver mais experiências por aí. Como marido de uma brasileira, como foi tocar no Brasil no ano passado? Me diverti muito, porque tudo o que minha esposa, Renata, tinha me contado sobre os shows era verdade. Todo mundo fazendo a dança punk em São Paulo, todo mundo cantando. Eu podia jogar o microfone e o público cantava. Eles conheciam o disco que gravei e também as músicas antigas. Eu sinto muita saudade (fala em português). E você sabia que a palavra saudade só existe em português? É isso. Não dá pra explicar, só sentir. Como você compara o público da América do Sul com o dos EUA e Europa? O público sul-americano é muito mais selvagem, muito mais divertido. Existem bons shows nos Estados Unidos, mas quase todo show na América do Sul é incrível. Muito mais energia, muito mais entrega. Quais foram as suas melhores memórias do Brasil? Ver todo mundo cantando junto e poder me jogar na multidão. É uma conexão única. Você nem pensa em cair porque
Entre amigos e ritmos globais: Drink the Sea valida a nostalgia e prioriza veia autoral

Na música, uma colisão de talentos de várias bandas recebe o nome de “supergrupo”. O que se espera é que a identidade desse coletivo junte, no mesmo espaço, uma combinação de entretenimento que não esconda a densidade dos ritmos com a entrega de um espetáculo consistente. Para os músicos experientes do Drink the Sea, atração na Casa Rockambole, em São Paulo, na última quarta-feira (25), existe um claro compromisso com o frescor do improviso. A reunião de velhos amigos transforma-se em uma sessão onde cada faixa fomenta um enigma identitário: o que aquele som quer expressar em termos convencionais? Para o bom público presente, as músicas resvalavam mais em uma esfera espiritual do que narrativa: eram densas e indissociáveis de um mesmo ímpeto criativo. Itinerância cultural como catalisador O projeto conta com nomes de peso: Peter Buck (R.E.M.), Barrett Martin (Screaming Trees/Mad Season), Alain Johannes (Them Crooked Vultures), Duke Garwood (Mark Lanegan Band), Abbey Blackwell (Alvvays) e Lisette Garcia. Embora famosos pelo rock alternativo, o grupo se revela virtuoso e estudioso de suas influências. O principal catalisador do Drink the Sea é a itinerância. Há um recorte geográfico claro que foge do lugar-comum: Entre o experimentalismo e o Jangle Pop Não é o tipo de show para pular, mas para acompanhar. Logo na abertura, Shaking for the Snakes explorou o groove e o jazz. Saturn Calling seguiu o caminho, mas com um toque sutil de brasilidade. Com raras exceções, como em Where We Belong, faixa muito próxima ao Jangle Pop clássico do R.E.M. de Buck, o som se mostra cristalino e acessível. Aqui, a melodia é simples e poderia pertencer a bandas menos ousadas, mas há beleza em um projeto sofisticado que se ramifica até tocar a memória afetiva do público. Já House of Flowers cativa pelo inverso: ela vence pela exaustão e pela doçura de um riff repetitivo, onde nenhum integrante estabelece liderança, mantendo uma horizontalidade sonora rara. Interlúdio nostálgico e a participação de Nando Reis O show também contou com um longo interlúdio dedicado ao passado. O setlist reviveu clássicos de Mad Season, R.E.M., Queens of the Stone Age e Desert Sessions. O ponto alto de celebração foi a subida ao palco de Nando Reis, acompanhado de seu filho Sebastião Reis. Amigo pessoal dos integrantes, Nando trouxe hits como O Segundo Sol e All Star. Embora o contraste entre o som experimental do Drink the Sea e o autoral de Nando fosse evidente, a transição funcionou pela cumplicidade. A banda saiu estrategicamente dos holofotes para que o convidado brilhasse, provando que a existência de um supergrupo passa, acima de tudo, pela validação das amizades e das memórias compartilhadas.
Álbum de estreia do Vanguart chega ao streaming após 19 anos

Se você tentou montar uma playlist de “Indie Rock Nacional” nos últimos anos, certamente esbarrou em um buraco: a ausência da versão original de estúdio de Semáforo. Essa lacuna histórica será preenchida na próxima quinta-feira, 2 de abril, quando o álbum homônimo de estreia do Vanguart (2007) chegar finalmente a todas as plataformas digitais via gravadora Deck. Lançado originalmente em julho de 2007 através da Revista Outra Coisa (projeto de Lobão que distribuía CDs em bancas de jornal), o disco nunca havia recebido um lançamento oficial nos aplicativos de música em sua forma original. Até agora, os fãs precisavam se contentar com registros ao vivo ou versões de projetos paralelos. Marco zero do indie brasileiro dos anos 2000 Gravado pela formação clássica do quinteto, Hélio Flanders (voz, gaita e violão), Reginaldo Lincoln (voz e baixo), David Dafré (guitarra), Douglas Godoy (bateria) e Luiz Lazzarotto (teclados), o disco é um dos pilares do que se convencionou chamar de “indie folk” no Brasil. Além do megahit Semáforo, o álbum traz outras favoritas do público que agora ganham vida digital, como a visceral Cachaça, revelando o trânsito da banda entre o folk-rock de Bob Dylan e a melancolia da MPB setentista. 💿 Serviço: Lançamento digital “Vanguart” (2007) O álbum marca o início da trajetória da banda que, atualmente, segue como um duo formado por Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln.