Entrevista | A Olívia – “Houve uma curadoria consciente das músicas”

A Olívia lançou recentemente o álbum Obrigado Por Perguntar, trabalho que marca um novo momento na trajetória do grupo paulistano. Com 13 faixas que transitam entre o rock, reggae, punk, indie e referências da música brasileira, o disco é resultado de um processo coletivo, diverso e reflexivo. Ideia Maluca, uma das faixas em destaque do novo álbum, ganhou um videoclipe internacional gravado em Buenos Aires. Aproveitando sua primeira turnê fora do país, A Olívia registrou todos os momentos que antecederam os shows na capital da Argentina em junho passado. O clipe passa por alguns dos principais bairros de CABA (Cidade Autônoma de Buenos Aires) e foca na arte de rua, nos museus, nas paisagens inusitadas e nos personagens da cultura pop que unem o universo latino americano. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista e guitarrista Louis Vidall e o baixista Pedro Tiepolo falaram sobre as temáticas do álbum, o processo criativo, a experiência de gravação, a parceria com a ForMusic e os discos que mais os influenciaram. Confira abaixo. O novo álbum reflete bastante o momento atual do mundo. Como as inquietações globais influenciaram o processo criativo? Louis: A gente tenta soar atual, tanto na sonoridade quanto nas letras. Duas músicas centrais do disco, Boa Tarde e Insustentável, foram escritas em 2017 e continuam atuais. Isso mostra como temas como guerra e sustentabilidade sempre voltam. A rotina traz essas questões pra perto, mesmo sem a gente querer. Mesmo compostas anos atrás, as letras ainda soam atuais. Como vocês enxergam isso depois da pandemia? Louis: Muitas faixas vieram de antes, mas a pandemia trouxe um olhar mais introspectivo. Quando entrei na banda, passamos a falar de temas mais amplos e, no álbum, conseguimos amarrar tudo em um conceito claro. Pela primeira vez houve uma curadoria consciente das músicas que realmente fariam sentido juntas. Como surgiu o título Obrigado Por Perguntar? Louis: Foi uma síntese das letras e intenções. É reflexivo e desabafo, mas também tem ironia: ninguém perguntou, mas a gente quis falar. A frase vem de Boa Tarde e traduz essa ideia de desabafar quando alguém pergunta se está tudo bem. O pano de fundo é a empatia, esse espaço de conversa que a capa do disco também simboliza. A sonoridade é bastante diversa. Isso é planejado ou acontece naturalmente? Louis: Os dois. Temos influências variadas e fomos encontrando o som da Olívia ao longo dos EPs. No álbum, mais da metade das músicas foram feitas em 2023, e a diversidade veio de forma intuitiva: ora reggae, ora mais pesado, sempre lapidando até soar como Olívia. Não seguimos uma lista de estilos. A ideia é justamente não ter preconceito com os caminhos sonoros. Quais as influências mais presentes no som da banda? Louis: Trago muito do indie mais atual, mas também gosto dos clássicos. O Pedrão é mais ligado ao rock clássico e jazz, o Murilo vem do hardcore, o Marcelo puxa pro Deep Purple e solos de guitarra. Todos têm pontos em comum: Beatles, Talking Heads, Red Hot Chili Peppers, Clube da Esquina. Entre as nacionais, Titãs e Paralamas são referências diretas, inclusive já tocamos cover deles. O disco teve parte da gravação na Serra da Cantareira. Como foi essa experiência? Louis: Gravamos bateria e baixo na Da House, vozes no Flap Studios e as guitarras na Serra. Eu cresci lá, então fez sentido. Como eram muitas guitarras, seria inviável pagar horas de estúdio. Na Serra tivemos tempo, tranquilidade e até a companhia da cachorra, que ajudava a aliviar a tensão. Isso deixou o processo mais leve. O que representa a parceria com a ForMusic? Pedro: Foi natural, até porque já trabalho lá. Sempre existiu essa possibilidade, mas quisemos esperar o momento certo. Agora a banda cresceu e precisava desse apoio. Estar com a ForMusic dá corpo ao projeto. Saímos da lógica de adiar decisões para um compromisso real, com mais profissionais envolvidos. Isso fortalece a banda. Quais os três discos que mais influenciaram vocês? Louis: Cabeça de Dinossauro (Titãs), London Calling (The Clash) e a coletânea azul dos Beatles. Pedro: Speaking in Tongues (Talking Heads), Vamos Pra Rua (Maglore) e Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (Arctic Monkeys).

Entrevista | André Rossi – “Essa experiência me moldou e acabou aparecendo nas letras”

O cantor e compositor André Rossi vem colhendo bons frutos com o single Ska Punk, faixa que antecipa seu primeiro álbum de estúdio, Errado é Não Correr o Risco, que deve ter mais um som revelado em breve. Com fortes influências de Charlie Brown Jr., NOFX e nomes do pop punk californiano, Rossi mistura energia, crítica social e sonoridades que vão do ska ao hardcore. Em entrevista ao Blog n’ Roll, ele falou sobre a parceria com a banda DuPont, a cena underground, o conceito do novo disco e os álbuns que marcaram sua trajetória. Como foi misturar ska e punk no seu novo single? Tem tudo a ver com Charlie Brown Jr., mas também com Nofx. Essa mistura já existe há anos, mas sempre me fascinou porque são origens muito diferentes: o ska vem do reggae jamaicano, o punk nasceu como movimento na Inglaterra. Juntos, eles criam um choque de ritmos e de ideologias. No single, tentei trazer o ska, o punk e o ska punk em si, somando ainda influências de Blink-182 e Offspring. Você disse que a música é um grito contra as amarras sociais. O que te inspirou? Na verdade, é um reflexo pessoal. Saí de casa aos 16 anos e passei por muitas situações de indiferença e frieza. Vindo do interior de Minas, onde tudo é mais caloroso, foi um choque. Essa experiência me moldou e acabou aparecendo nas letras. O single nasceu também da conexão com a Dupoint, banda que se tornou minha família nessa caminhada. E essa parceria com a Dupoint? Vocês já trabalharam juntos antes? É natural. Somos amigos e dividimos referências. A música foi mostrada ao Thiago e ele já topou gravar. Não é algo comercial, é verdade. O mesmo acontece com outras bandas próximas, como Navala e Banana Kush. Criamos um movimento baseado em amizade e troca real, não em business. Quais bandas da cena atual você tem acompanhado? No Brasil, cito Dupoint, Banana Kush, Navala, Lil House e Frizz, além do Piedro, novo artista lançado pela Base. De fora, gosto de Jack Kays e The Paradox, ligados ao Travis Barker, e também artistas como Yungblud. Tem muita coisa nova surgindo. O que pode adiantar do álbum Errado é Não Correr o Risco? O nome resume minha trajetória: sair de uma cidade de 20 mil habitantes para tentar a sorte em São Paulo. O disco tem 11 faixas produzidas pela Base Company, cada uma com uma sonoridade diferente, ska, hard rock, pop punk. Depois de Ska Punk, o próximo single será Fodas, mais leve e divertido, mas ainda com pegada de protesto. A ideia é lançar cerca de quatro faixas antes de liberar o álbum inteiro ainda este ano. Quais três álbuns mais te influenciaram?

Ao aliar hits com renegadas, Teenage Fanclub entretém em show empolgante no Cine Joia

Muitas bandas que fizeram sucesso no passado e desenvolveram um nicho de fãs fieis, devotos à identidade estabelecida e ao som tradicional dos primeiros álbuns, sustentam o resto da carreira, depois de lançarem as consagradas obras-primas, com uma postura conservadora. Optam por não lançar nada de muito revolucionário, mas marcam shows e gravações de álbuns com frequência. No caso do Teenage Fanclub, banda escocesa que se apresentou na última quinta-feira (4), no Cine Joia, em São Paulo, o lema adotado do fim da década de 90 em diante sempre foi o de achar um pico de estabilidade e se acomodar em melodias cada vez mais cantaroláveis, em uma toada acústica, com menos guitarras e mais efeitos de vozes, uso de teclados e sintetizadores expressos em canções melancólicas, agridoces e muito sinceras.  Fundado em 1989 por Norman Blake (vocal e guitarra) Raymond McGinley (vocal e guitarra solo) e Gerard Love, os Fannies, como são popularmente conhecidos, passaram por alterações no lineup, especialmente em um passado recente. Em 2018, Love, que atuava como compositor, vocalista e baixista em doses imensuráveis, deixou a banda por não suportar mais a escala de viagens e acumular divergências com os outros integrantes. Como resultado dessa dissolução, os membros restantes, entre eles o baterista Francis McDonald, que os acompanha desde o princípio, tomaram a decisão de não tocarem mais nenhuma música composta por Love, mas é difícil fazer uma plateia inteira ignorar tantas faixas icônicas que faziam parte do repertório do ex-baixista. Certamente, o público que encheu a casa de shows ontem queria mais é que canções como Sparky’s Dream, do clássico álbum Grand Prix, de 1995, ou Star Sign, do ainda mais icônico Bandwagonesque (o que eles já venderam de camiseta com a estampa da capa não está escrito), de 1991, mas não é assim que funciona. Felizmente, Norman Blake é um líder extremamente carismático, ainda que tímido nas palavras de agradecimento, e sabe como satisfazer o público. Mais do que entregar o que as pessoas querem, ele ouve cada pedido, cada chamado, desde que consiga correspondê-los, claro. No show do dia anterior, no Circo Voador, alguém pediu por duas vezes para a banda tocar Baby Lee, canção fofíssima, acústica, baladinha para esquentar o coração com acolhimento e ternura, do álbum Shadows, de 2010, e o frontman não pensou duas vezes e recrutou seus colegas para alterarem o setlist e, de última hora, proporcionarem essa quebra de expectativa muito bem-vinda para quem não aguenta mais a mesmice de um show para outro. As surpresas não pararam por aí, felizmente. Verisimilitude, grande clássico do Grand Prix, composta e cantada por Raymond, deu às caras ainda no início, bem antes da metade da duração, para o delírio de adultos que já foram jovens como os responsáveis pela atração, e também declararam versos sarcásticos de rebeldia como uma suposta prova de amadurecimento, típica de quem não sabe nada ainda, mas já quer tentar se virar pelo mundo. Também rechearam a seleção faixas ansiadas por todos e presentes em todos os shows, de qualquer turnê, como as contagiantes What You Do to Me e About You, com seus refrões que incendeiam fãs até mesmo à distância. O repertório foi muito variado, dentro das possibilidades de faixas a serem tocadas e, para variar, encerraram a apresentação com Everything Flows, o primeiro single, pulsando uma energia cheia de distorção e sentimento nos instrumentos.  Foi uma noite bonita, de distribuição de sorrisos, um apego ao saudosismo da disposição e da esperança ingênua que tomava conta do corpo lá atrás, e que agora sorri à adolescência, mas amplia a perspectiva para as necessidades da vida adulta, e a principal delas, para o Teenage Fanclub, é manter a constância. Setlist do Teenage Fanclub Home About You Endless Arcade Alcoholiday I Don’t Want Control of You Everything is Falling Apart 120 Mins Verisimilitude Baby Lee It’s a Bad World Middle of my Mind What You Do To Me See the Light Neil Jung My Uptight Life The Concept God Knows It’s True Falling into the Sun Mellow Doubt Everything Flows

Entrevista | Firefriend – “As bandas brasileiras não ficam devendo nada para as de fora”

A Firefriend, banda paulistana que há mais de duas décadas carrega a tocha do rock psicodélico underground, acaba de expandir sua discografia com dois novos álbuns: o explosivo Fuzz e o hipnótico Blue Radiation. Os trabalhos chegam em um momento simbólico, pouco antes de a banda embarcar em mais uma turnê pelo Reino Unido, país que tradicionalmente respira a psicodelia e tem recebido o grupo com entusiasmo crescente. Gravado em apenas quatro dias de dezembro de 2024, em São Paulo, Fuzz ganhou corpo definitivo após meses de pós-produção e contou com colaborações de músicos da cena paulistana. O disco mantém a estética que consolidou a identidade do Firefriend: baixos pulsantes, guitarras saturadas de fuzz e os vocais sussurrados de Julia Grassetti e Yury Hermuche, que criam atmosferas densas e imersivas. Entre os destaques estão “Spearhead” e “Hologram”, faixa que condensa em cinco minutos e meio o caos criativo da banda, atravessando camadas de sintetizadores, incursões de free jazz e guitarras barulhentas, com participações de Cuca Ferreira (sax) e Daniel Verano (trompete). Já Blue Radiation mostra outra faceta do grupo. Gravado durante a pandemia, em uma São Paulo silenciosa e suspensa pelo isolamento, o álbum aposta na força das atmosferas instrumentais. São dez faixas, nove delas totalmente instrumentais, que funcionam como paisagens sonoras etéreas, espectrais e distorcidas. Ao lado de Grassetti, Hermuche, Ricardo Cifas (bateria) e Pinhead (synths e teclados), o Firefriend reafirma sua posição como um dos nomes mais consistentes do underground global, evocando influências que vão de Velvet Underground e Spacemen 3 a Sonic Youth e The Brian Jonestown Massacre. Em bate papo com o Blog N’Roll, Julia Grassetti e Yury Hermuche contam sobre a expectativa para a turnê na Inglaterra e os dois álbuns lançados simultaneamente. Vocês estão indo para Londres, que é a cidade onde mais ouvem Firefriend, e o Reino Unido sempre teve uma cena psicodélica muito forte. Sentem que o público de lá entende mais a proposta da banda do que no Brasil? Firefriend: Com certeza. Na Inglaterra existe uma tradição que atravessa gerações. Eles fazem isso há 50, 60 anos. O rock psicodélico nunca parou de acontecer. No Brasil, sentimos que existem gaps geracionais, e a cena precisa ser sempre reinventada para levantar festivais e casas. Isso é uma dificuldade para toda banda underground daqui. Já na Europa e nos Estados Unidos, por conta da tradição, existe público constante e espaços para circular. Por outro lado, eles acham muito interessante ver uma banda brasileira usando elementos do rock inglês e americano, mas com outros temperos. O som de vocês mistura influências diversas, de Joy Division, post punk a experimentações instrumentais. Qual é a diferença para vocês entre músicas com vocal e faixas instrumentais? Firefriend: A maior parte dos nossos discos é feita de canções compostas e produzidas ao longo de um ou dois anos. Mas muita coisa vem das jams que gravamos em ensaios, no nosso antigo porão-estúdio. Para o público pode parecer diferente, mas para nós é parte do mesmo processo. O álbum The Creation Facts, por exemplo, trouxe faixas diretamente dessas jams. Apesar de lançarmos mais músicas com vocais, os instrumentais são parte essencial. O Blue Radiation veio justamente para mostrar esse outro lado. Qual foi a maior surpresa que vocês já tiveram em turnês fora do Brasil? Firefriend: A recepção do público. Chegar em Londres e ter gente levando capa de disco e camiseta para autografar foi inesperado. Alguns fãs viajaram para assistir a vários shows seguidos. Também já tocamos às três da manhã em festival grande com a casa lotada. Outra surpresa foi perceber que as bandas brasileiras não ficam devendo nada para as de fora e, ao mesmo tempo, ver de perto uma cena estável em contraste com o Brasil. Vocês planejam registrar essa nova turnê em áudio ou vídeo? Firefriend: Sim. Vamos gravar o áudio e estamos vendo como viabilizar o vídeo. Na última turnê lançamos o Live in London, um show bem registrado, e queremos repetir essa experiência. O vinil voltou com força e vocês já têm 12 LPs lançados. Como tem sido essa experiência? Firefriend: Fantástica. Ouvir um vinil é um ritual. Quem compra, ouve com atenção e se conecta mais profundamente com a música. Desde que nossos discos começaram a sair nos Estados Unidos e na Inglaterra, vimos como os amantes do formato físico criam uma relação especial com a banda. Hoje temos 12 LPs lançados desde 2017, e muitos fãs acompanham cada lançamento. É um sonho realizado. Falando do álbum Fuzz, como foi o processo de gravação? Firefriend: Passamos dois anos compondo, testando em shows e turnês. Decidimos gravar ao vivo, os três juntos no estúdio, o que trouxe mais calor e energia. Depois fizemos alguns overdubs, mas a base é toda ao vivo. Apesar de a gravação ter levado cerca de uma semana, o processo de criação foi longo e detalhado. A faixa “Hologram” chama atenção por misturar jazz, rock distorcido e caos organizado. Como chegaram a esse resultado? Firefriend: Cada integrante traz um conjunto de referências, e ao arranjar a música colocamos essas perspectivas em choque. O resultado pode soar caótico, mas faz sentido dentro da soma de influências. Um ouvinte chegou a dizer que esse aspecto caótico é uma tradução perfeita do mundo atual, e achamos uma leitura muito interessante. Vocês já comentaram que a turbulência política influencia o som da banda. Como isso acontece? Firefriend: Totalmente. Vivemos um momento violento, perigoso e surreal. Isso se reflete na música. Alguns artistas tentam escapar da realidade, mas para nós é importante tocá-la de frente. A música ajuda a sobreviver a esse caos e conecta pessoas que buscam a mesma energia. O rock hoje não é só rebeldia juvenil, mas resistência em qualquer idade. O Blue Radiation foi criado durante a pandemia. Como foi esse processo? Firefriend: Gravamos centenas de horas de jams e selecionamos trechos que achamos interessantes para compor o disco. Paralelamente produzimos o Fuzz, e o selo inglês decidiu lançar os dois juntos. As faixas do Blue Radiation são

Riviera abre álbum duplo com EP Passado/Presente

Riviera, projeto do músico Vinícius Coimbra, apresenta o EP Passado/Presente, primeira parte do álbum duplo Com o Passar dos Anos. O trabalho é dividido em dois capítulos: Passado/Presente e Presente/Futuro. A ideia é que sejam os dois lados de um mesmo disco. Neste primeiro momento, o artista revisita memórias e afetos que atravessam o tempo, indo do encontro e da entrega até a perda, o luto e a aceitação. O EP traz cinco faixas e será disponibilizado neste sábado (6): Laços, Futuro, A Dor e a Cura, Molduras e Pra Você. As composições nasceram entre 2019 e 2021, em meio a um período de separação, recuperação de saúde e isolamento na pandemia. Pra Você foi a primeira a surgir, logo após o fim do relacionamento, e acabou abrindo caminho para o conceito do disco. As demais vieram em sequência, como capítulos de uma narrativa pessoal que amadureceu até ganhar forma definitiva no estúdio. A sonoridade aposta em camadas etéreas, nas quais o silêncio tem tanto peso quanto as notas. As referências vão de RY X e Jeff Buckley a Death Cab for Cutie e Seafret, passando por ecos de indie rock, emo e MPB. Pianos espaçados, guitarras atmosféricas e vocais vulneráveis definem a atmosfera. “Não queria um som que gritasse, como nos discos anteriores. Queria que dissesse muito no silêncio também”, afirma Vinícius. O título Com o Passar dos Anos resume a proposta: conviver com as lembranças sem perder o presente de vista. A capa, criada por Brunna Frade, funciona como a abertura de um livro. Cada single ganhou uma ilustração própria, todas ligadas por um fio vermelho que simboliza o tempo e o amor. Produzido em parceria com Breno Machado e Cris Simões (Skank, Jota Quest, Paula Fernandes), o EP conta ainda com o trompete de Marco Lima (James Boogaloo) em Pra Você. Uma escolha estética marca o registro: a ausência de bateria na maior parte das faixas, reforçando o caráter contemplativo do trabalho. O projeto também se estende ao audiovisual. Cada faixa recebeu um videoclipe e, juntos, formam o curta Molduras, dirigido por Vinícius em parceria com a fotógrafa Bruna Lacerda. O filme amplia a mesma atmosfera das músicas, explorando gestos, pausas e a delicadeza do cotidiano como extensão da narrativa sonora. Mais do que um conceito, o EP nasce de uma necessidade pessoal. “Tudo que está nas letras aconteceu, foi sentido, foi real. Não tem personagem aqui. Esse disco não foi feito pra provar nada, mas porque eu precisava escrever. Ele não traz respostas, mas talvez ajude a fazer as perguntas certas”, conclui o artista.

Caike Souza lança álbum com causos de amor

Caike Souza está lançando o álbum autoral Entre Flores e Dores. Natural de Arcoverde (PE) é considerado um dos principais nomes representantes da nova geração na música. Propondo uma sonoridade leve e simples, já atinge + de 50 milhões de visualizações nas redes sociais com seus vídeos e versões intimistas. O álbum tem dez músicas e conta com as participações de Solange Almeida na música Sem Pisar no Chão, Saulo Fernandes em Balançar Com Você e Martins na canção Há de Ser Pra Sempre. Sobre o lançamento Caike comenta:  “um álbum autoral é uma virada de chave na vida do artista, uma virada conceitual. Eu gosto de escrever coisas atípicas”. O disco foi gravado em São Paulo, em maio, com produção de Jeff Pina. É um álbum muito rico, com músicas pra tudo que é gosto. “Um disco dá carta branca para você brincar mais, está muito diverso”, conta o artista. A canção com Saulo Fernandes é bem dançante, lembrando um pouco a MPB de Marina Lima e Rita Lee, com guitarras. Já a participação de Solange Almeida, uma gigante do forró, em Sem Pisar no Chão, começou com o feat de Caike no DVD de Dorgival Dantas, do qual ambos participaram. “Eu escrevi essa música pensando na Solange, a música ficou a cara dela, me apeguei ao forró”, diz Caike. A música com Martins é mais singela, uma história de amor. Martins é um dos novos nomes da cena de Pernambuco. “Um amigo do peito que a vida me deu”, comenta Souza. Já Nas coisas tão mais lindas é a música xodó de Caike, com um toque de piano com cordas, refletindo o fascínio que Caike tem em escrever canções tristes. O nome do álbum Entre Flores e Dores partiu da diversidade das canções, do sentimento que permeia o astral de cada música, entre os causos de lidar com um assunto tão delicado como o amor. Esse álbum é a consagração de um trabalho que representa muito pra Caike. Como artista, ele está realizado. “Espero que Entre flores e dores me traga muitos frutos bons, quero que muita gente ouça, que eu saia em turnê, o que já está nos planos”. O show de lançamento de Entre flores e dores está marcado para o dia 11 de outubro no Teatro Luís Mendonça, em Recife.

The Weeknd retorna ao Brasil em 2026 com a After Hours Til Dawn Stadium

A estrela pop The Weeknd anunciou a extensão de sua turnê After Hours Til Dawn Stadium, que quebrou recordes e teve ingressos esgotados, com uma série de datas no México, Brasil, Europa e Reino Unido no próximo ano. No Brasil, os shows acontecem no dia 26 de abril de 2026 no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos, e nos dias 30 de abril e 1º de maio, em São Paulo, no Estádio MorumBIS. A turnê After Hours Til Dawn Stadium celebra a aclamada trilogia de álbuns de The Weeknd — After Hours (2020), Dawn FM (2022) e Hurry Up Tomorrow (2025). Os ingressos para as datas no Brasil estarão disponíveis inicialmente na pré-venda do artista, a partir de segunda-feira (8), às 10h. Já a pré-venda para os demais clientes do banco Santander acontece no dia 9 de setembro. Neste caso, todos os cartões são elegíveis, exceto os de viagens. A venda para o público geral começa no dia 10 de setembro. Clientes Santander podem parcelar em até 5x sem juros e de 6 a 10x com juros. já clientes em geral, contam com parcelamento de até 3x sem juros e de 4 a 8x com juros.  Tanto na pré-venda quanto na venda geral os ingressos estarão disponíveis a partir das 12h pelo site da Ticketmaster e a partir das 13h na bilheteria oficial (sem taxa de serviço). Será permitido comprar até seis ingressos por CPF, limitados a duas meias-entradas. A turnê After Hours Til Dawn foi lançada originalmente em 2022 e se tornou a maior turnê de R&B da história. A turnê viajou para países do mundo todo nos últimos três anos, com apresentações em estádios na América do Norte, Europa, Reino Unido, América do Sul e Austrália. * SERVIÇO – THE WEEKND RIO DE JANEIRO Data: 26 de abril de 2026 (domingo)  Abertura dos portões: 16h Horário do show: 21h Local: Estádio Nilton Santos – Engenhão Endereço: R. José dos Reis, 425 – Engenho de Dentro, Rio de Janeiro – RJ Ingressos: a partir de R$290,00 (ver tabela completa) Classificação: 16 anos. De 5 a 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.* *Sujeito a alteração por Decisão Judicial. PREÇOS CADEIRA SUPERIOR LESTE: R$ 290,00 meia-entrada e R$ 480,00 inteira  CADEIRA SUPERIOR OESTE A: R$ 290,00 meia-entrada e R$ 480,00 inteira  CADEIRA SUPERIOR OESTE B: R$ 290,00 meia-entrada e R$ 480,00 inteira  PISTA: R$ 375,00 meia-entrada e R$ 750,00 inteira CADEIRA SUL: R$ 405,00 meia-entrada e R$ 810,00 inteira CADEIRA INFERIOR LESTE: R$ 475,00 meia-entrada e R$ 950,00 inteira CADEIRA INFERIOR OESTE: R$ 475,00 meia-entrada e R$ 950,00 inteira BILHETERIA OFICIAL – SEM COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA Mais informações serão divulgadas em breve.  VENDA PELA INTERNET – SUJEITO À COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA O único canal de vendas oficial é o www.ticketmaster.com.br Obs: não adquira ingressos em qualquer outra plataforma. Parcelamento: Clientes em geral – Parcelamento em até 3x sem juros; de 4 a 8x com juros Clientes Santander – Parcelamento em até 5x sem juros; de 6 a 10x com juros Clientes em geral podem comprar até 6 ingressos por CPF, sendo 2 meia-entrada. MEIA-ENTRADA Todas informações no link: https://bit.ly/TicketMasterBrasil_MeiaEntrada  * SÃO PAULO Data: 30 de abril de 2026 (quinta-feira)             01 de maio de 2026 (sexta-feira) Abertura dos portões: 16h Horário do show: 21h Local: MorumBIS Endereço: Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 – Morumbi, São Paulo – SP Ingressos: a partir de R$275,00 (ver tabela completa) Classificação: 16 anos. Menores de 08 a 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.* *Sujeito a alteração por Decisão Judicial. PREÇOS ARQUIBANCADA: R$ 275,00 meia-entrada e R$ 550,00 inteira  PISTA: R$ 375,00 meia-entrada e R$ 750,00 inteira CADEIRA SUPERIOR: R$ 455,00 meia-entrada e R$ 910,00 inteira CADEIRA INFERIOR: R$ 470,00 meia-entrada e R$ 940,00 inteira

Ouça em primeira mão! Lado Blue lança álbum de estreia

Estilhaços é o primeiro disco da Lado Blue, banda de rock formada por Michelle Marques, Matheus Leche e Pedro Emanuel em Montes Claros, Minas Gerais. Com nove faixas, o álbum – que está sendo lançado hoje (05) – percorre temas como vivências afetivas, dores geracionais, saúde mental e as pressões da vida contemporânea, traçando um caminho sonoro que atravessa o blues, o grunge, o indie e o rock alternativo. A construção do disco começou com Lava, primeira música escrita por Michelle, vocalista da banda. A faixa havia sido registrada inicialmente em formato live session e passou a integrar os shows da banda. Durante esse processo “(…) chegamos em nove músicas prontas que deram vida ao Estilhaços”, conta Michelle. A escolha do título veio do entendimento coletivo de que essas composições partiam de fragmentos: experiências pessoais, rupturas, angústias e afetos atravessados por um tempo de desgaste emocional. Concebido com o propósito de expressar uma sonoridade direta e crua, próxima à linguagem dos ensaios, o repertório, em maior parte, retrata experiências pessoais da vocalista. “As músicas que abordam temas de relacionamento sempre trazem o ponto de vista de uma relação homoafetiva ou sáfica”, afirma Michelle. A gravação aconteceu em 2024 no Estúdio Casa, em Montes Claros (MG), com produção de Tiago Fonseolli. “Ele entendeu bastante como a gente queria soar e conseguiu captar os timbres e os sons que a gente queria pra cada música”, comenta. Marcado pelas influências de blues, que atravessam a construção harmônica e a sonoridade do álbum em diálogo com o grunge, o indie e o rock alternativo, Estilhaços também reflete referências da banda a artistas como Pitty, Supercombo, The Pretty Reckless, Arctic Monkeys, Cleopatrick e Nirvana. O disco conta com a participação de Renê Veloso, músico de Montes Claros que colaborou com arranjos de gaita nas faixas Lava e Danço Com Você.  O lançamento de Estilhaços é acompanhado pelo videoclipe do single Fracasso, cuja proposta visual aborda a exaustão provocada pela rotina e a desconexão com a realidade, tendo a música como ponto de escape e identificação. Nessa produção audiovisual independente, o roteiro foi assinado por Pedro Emanuel — baixista da banda, formado em cinema pela PUC-BH — e a direção ficou a cargo de Túlio Gustavo, que incorporou referências visuais da série Severance (Ruptura), com uso de luzes frias e cenários minimalistas. O clipe foi filmado em Montes Claros (MG), em junho de 2025, com realização viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo. Faixa a faixa Fracasso aborda a sensação de inadequação diante das exigências da vida adulta e da lógica da produtividade. O arranjo tem influência do indie e do pop.  Estilhaços dá nome ao disco e apresenta referências de blues e bluegrass, especialmente nas linhas de guitarra. A letra trata da saúde mental e da ideia de desistência da vida como tema. Lava é a faixa considerada mais bluesy do disco. Organizada em compasso de slow blues, a canção tem como tema a sexualidade sáfica e conta com a participação do gaitista Renê Veloso. Evaporar é inspirada no filme “Gia” (1998). A composição surgiu após Michelle Marques assistir ao longa e se impactar com a personagem interpretada por Angelina Jolie — uma modelo lésbica que enfrenta dependência química e instabilidade emocional. A letra reflete esse universo, abordando temas como vício, descontrole e isolamento. A sonoridade é mais carregada, com arranjos de slide nas guitarras e um clima denso em contraste com outras faixas do disco. Meio Amargo trata de tentativas de preenchimento afetivo diante da solidão. A música tem estrutura baseada em riffs distorcidos e andamento direto. A faixa já havia sido gravada anteriormente por outro projeto da compositora, com outra voz. No disco da Lado Blue, recebeu uma nova interpretação, agora com a própria compositora nos vocais. No Escuro discute o envolvimento afetivo que persiste mesmo diante da tentativa de manter distanciamento. A estrutura alterna momentos de suspensão e intensidade, com riffs marcados, pausas e distorções que acompanham o movimento da letra. Um Pouco Mais trata de um relacionamento homoafetivo vivido em segredo. A letra descreve o medo da exposição familiar e o limite que isso impõe ao afeto. Musicalmente, aproxima-se de uma estrutura pop e é uma das faixas mais melódicas do disco. Mofo aborda estados depressivos e perda de sentido. A letra descreve uma sensação de apagamento e afastamento da própria identidade. O arranjo se aproxima do rock alternativo, com uso de delay, ambiências mais longas e o solo de guitarra mais extenso do álbum. É também a faixa de maior duração. Danço Com Você encerra o disco com uma cena doméstica entre duas pessoas. A letra descreve um momento de cuidado cotidiano, sem recorrer à narrativa explícita. A música tem participação de Renê Veloso na gaita, que reaparece com arranjos que acompanham a melodia vocal.

Caliban traz turnê de Back From Hell ao Brasil em dezembro

Caliban, um dos pioneiros do metalcore europeu ao lado do Heaven Shall Burn, volta à América do Sul em novembro e dezembro de 2025 para a turnê de Back From Hell. O novo álbum foi recebido pela crítica europeia como um dos registros mais pesados, autênticos e inspirados da carreira de quase três décadas da banda. A tour é uma realização da Liberation MC em parceria com a Avocado Booking. O retorno ao Brasil acontece após longos 16 anos de espera. O grupo faz show único no dia 6 de dezembro, no Fabrique Club, em São Paulo. Os ingressos estão disponíveis pela Fastix. Antes, a turnê passa pela Colômbia (Bogotá, 30/11), Chile (Santiago, 2/12) e Argentina (Buenos Aires, 4/12). Lançado em abril, Back From Hell marca a 12ª entrada de estúdio da banda e comprova a força do Caliban em combinar agressividade old school com um peso moderno e renovado. Entre os destaques, os singles I Was a Happy Kid Once, Echoes e Guilt Trip (com participação do Mental Cruelty) ampliam a paleta sonora com camadas de atmosfera e melodia sem abrir mão do impacto. A chegada do baixista Iain Duncan, em 2024, também trouxe nova energia ao grupo, adicionando vocais limpos que contrastam com a brutalidade característica do Caliban. Na Europa, a turnê de Back From Hell já percorreu casas cheias e mostrou a banda em sua melhor forma: shows intensos, técnicos e com um setlist que equilibra faixas do novo álbum com clássicos revisitados. O resultado é uma experiência ao vivo que mistura familiaridade com frescor. ServiçoCaliban (Alemanha) em São PauloData: 6 de dezembro de 2025Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1071, Barra Funda – São Paulo/SP)Ingressos: Fastix