Com muita carisma e hits, Story of the Year conquista fãs em São Paulo

Se o Neck Deep levou sete anos para retornar, imagina a ansiedade dos fãs da banda norte-americana Story of the Year, que tiveram que esperar 12 anos até o retorno ao Brasil. Na atual turnê, o Story of the Year celebra os mais de 20 anos de carreira e vem com bastante nostalgia. No palco do Tokio Marine Hall simplesmente tocou seis das 12 faixas de Page Avenue (2003), disco de estreia. O vocalista Dan Marsala é quem comanda a festa no palco. Conversa com os fãs, relembra o tempo sem vir ao Brasil, elogia o público e distribui autógrafos (ao menos tenta, já que em camisa preta é mais difícil). A resposta do público veio na mesma medida. Muitas músicas cantadas a plenos pulmões, circle pit em diversos momentos, apoio incondicional do início ao fim. Um problema na bateria cortou um pouco do repertório, após o show ficar parado por mais de cinco minutos. Foi nessa hora que Marsala distribuiu autógrafos e afagos para os fãs, enquanto o guitarrista Ryan Philipps plantou bananeira para passar o tempo. Apesar de um set mais nostálgico, o Story of the Year também apresentou três faixas do álbum mais recente, Tear Me to Pieces (2023), que teve ótimo retorno dos fãs. Until the Day I Die para fechar o show garantiu uma das melhores interações entre banda e público na noite, o que reforça o que foi dito por Marsala em entrevista ao Blog n’ Roll: “Ela continua incrível ao vivo, e ver multidões cantando é ótimo. É especial saber que inspirou tanta gente”. Neste sábado (30), o Story of the Year se apresenta às 13h29, no palco It’s Not A Phase, no Wanna Be Tour, no Allianz Parque. Chegue cedo! Setlist Tear Me to PiecesWarAnd the Hero Will DrownDive Right InAnthem of Our Dying DayTake Me BackThe AntidoteReal LifeSidewalksIn the Shadows“Is This My Fate?” He Asked ThemUntil the Day I Die
Neck Deep encanta com pop punk em sideshow em São Paulo

Seis anos antes de Wrexham, em País de Gales, ficar conhecida como a cidade do time de futebol dos atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney, a banda de pop punk Neck Deep já atraia a atenção do público. E desde o primeiro álbum, Wishful Thinking, de 2014, o grupo só aumentou sua fanbase no Brasil. Atração da I Wanna Be Tour, a Neck Deep foi quem abriu a noite no sideshow do festival, que rolou na noite desta sexta-feira (29), no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Além deles, Story of the Year e Yellowcard também tocaram. Após sete anos da primeira e última vez no Brasil, a banda conseguiu casa cheia desde o primeiro instante. E veio com um repertório repleto de novidades, incluindo seis canções do seu álbum mais recente, homônimo, lançado em 2024. Para os mais saudosistas, a banda também conseguiu agradar durante o set de 1h15 de duração, com quatro canções de Life’s Not out to Get You (2015), disco queridinho dos fãs. A energia do quinteto é contagiante. O Neck Deep não aliviou em nenhum momento, arrancou sing alongs e ainda arrancou aplausos dos fãs com discursos sobre união. Neste sábado, no Allianz Parque, o Neck Deep será a terceira banda do Wanna Be Tour, subindo ao palco It’s a Lifestyle às 12h36, logo após o Glória. Setlist Dumbstruck Dumbf**kSort Yourself OutMotion SicknessGold StepsKali MaCan’t Kick Up the RootsShe’s a GodTake Me With YouHeartbreak of the CenturySTFUWe Need More BricksDecember (Again)A Part of Me (Not on printed setlist)In Bloom
Sabrina Carpenter flerta com country e pop retro em Man’s Best Friend

Sabrina Carpenter já tinha o mundo nas mãos com Short n’ Sweet, mas decidiu não se acomodar e acelerar ainda mais o jogo com Man’s Best Friend. O novo álbum é pop de alto nível, cheio de malícia, humor e vulnerabilidade, equilibrando leveza e profundidade com a naturalidade de quem domina a própria narrativa. Sabrina está espirituosa, sarcástica e, ao mesmo tempo, entrega um disco carregado de emoção, provando que não tem medo de rir das próprias dores. As faixas transitam entre o flerte descarado e o desabafo pós-término, sempre com refrões que grudam na cabeça. Manchild é o grande hino aqui, explosivo, irônico e irresistível, daqueles que nascem para o topo das paradas. Já Tears mostra um lado mais sensual e sofisticado, com clima disco que abre espaço para uma Sabrina ainda mais confiante. Canções como Nobody’s Son, We Almost Broke Up Again Last Night e House Tour reforçam esse equilíbrio entre a piada ácida e a confissão sincera, criando uma atmosfera em que o ouvinte se diverte e, ao mesmo tempo, se reconhece. A produção é pop retro e regado a influências de country e sintetizadores que evocam os anos 80, mas nada soa datado. Pelo contrário: Sabrina está com o som mais atual da música pop, com arranjos bem construídos e um vocal cheio de atitude. O resultado é um álbum que pode ser ouvido de ponta a ponta sem perder fôlego, sempre surpreendendo na forma como mescla ironia e emoção. Claro que a capa levantou discussões. De quatro, cabelo puxado, Sabrina brinca com os limites entre empoderamento e provocação. Para alguns, é sátira; para outros, excesso. Há, inclusive, pais proibindo os filhos menores de irem nos shows. Mas, a verdade é que a imagem resume bem o espírito do álbum: um pop que cutuca, provoca e não pede licença. Man’s Best Friend é mais do que uma coleção de hits. É a consagração de Sabrina Carpenter como estrela global. E se alguém ainda duvida disso, a resposta vem em 2026, quando ela sobe ao palco do Lollapalooza Brasil como principal atração do festival. Um disco desses pede um show à altura e, após ser coadjuvante no MITA e na abertura de Taylor Swift, ela está pronta para ser protagonista.
Entrevista | Upchuck – “O mundo precisa ouvir nosso álbum”

A banda norte-americana Upchuck chega ao seu terceiro álbum sem aliviar o peso nem buscar suavizar a própria fúria. Tivemos a oportunidade de ouvir I’m Nice Now, produzido por Ty Segall e com lançamento marcado para 3 de outubro. É um registro explosivo e autêntico que mistura punk, estilos latinos, como cumbia e crítica social em doses explosivas. Aliás, o disco abre com o single Tired, faixa lançada recentemente e que resume bem o espírito da obra: um grito contra o cansaço diante da injustiça diária, transformando raiva em combustível artístico. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a vocalista KT e o baterista Chris Salado falaram sobre a escolha do título, a importância da autopreservação e o papel da raiva como força criativa da Upchuck. A conversa também trouxe reflexões sobre identidade, a cena punk de Atlanta e o desejo de um dia se apresentar no Brasil. Ouvi I’m Nice Now, é um álbum muito bom, mas o título me chamou a atenção. Por que escolheram esse nome? Vocês não são uma banda “boazinha”, têm um som agressivo… KT: É irônico, mas também uma questão de autopreservação. Tem muita coisa acontecendo no mundo, parece que nunca acaba, e existe essa pressão para nos quebrar, nos fazer sentir derrotados. Mas para continuar é preciso cuidar da sanidade e da saúde mental. I’m Nice Now é um jeito de dizer: em vez de estar sempre irritado e reativo, em vez de gritar o tempo todo, eu escolhi me preservar. O álbum realmente fala muito sobre autopreservação. Em que momento vocês perceberam que isso seria o tema central? KT: Foi natural. Quando demos o nome I’m Nice Now, percebi depois que tudo fazia sentido e se conectava. É sempre assim: só quando olho para trás e ouço de novo percebo que existe um fio condutor. Como foi trabalhar com Ty Segall como produtor? KT: Foi ótimo. Nós amamos o Ty. Gravamos no Sonic Ranch, em dez dias, e ele trouxe uma vibe muito boa. É um cara relaxado, que nos dá liberdade, mas também direciona em alguns pontos. Depois do último álbum com ele, foi natural voltar. O que mudou com a parceria da Upchuck com a Domino Records? KT: Tudo. Eu estou ansiosa para que o álbum saia logo. O mundo precisa ouvir nosso álbum. A equipe da Domino é incrível, muito parceira, comparece nos nossos shows em Londres e até fora. São muito presentes. Vamos falar de Forgotta Talking. É uma faixa intensa. Como foi transformar a dor em música? KT: Não sei exatamente, acho que é natural para mim. Eu começo a escrever e as coisas simplesmente saem. Tenho muito a dizer, mesmo que não consiga expressar em voz alta. O videoclipe também fala sobre gentrificação. Por que era importante mostrar isso visualmente? KT: Ser preto ou POC nos Estados Unidos é viver sob constante vigilância, até por parte da polícia. Somos mortos à esquerda e à direita, e depois tratam como se fosse só mais um. Isso é criminoso. A música transmite esse sentimento: já morri um dia, podem esquecer de mim, só mais um corpo perdido. Nota da redação: Na década de 70, o termo POC era utilizado de maneira pejorativa na comunidade LGBTQIA+. Hoje é uma maneira carinhosa e bem humorada dos gays chamarem uns aos outros nos EUA. A música El Momento mistura punk e cumbia. Como essa rota cultural entrou no som da Upchuck? Chris Salado: Para mim é natural. Meu pai e meu avô me ensinaram a tocar cumbia desde criança. Já toquei em banda de cumbia. Quando entro no estúdio, faço freestyle, vou gravando partes e guardo o que gosto. Punk e cumbia andam juntos. Existem cumbias rápidas e lentas, mas eu sempre toquei as rápidas, então a conexão com o punk foi imediata. O som da Upchuck já foi descrito como “punk Beastie Boys”. Como vocês veem essas comparações? Vocês acham que se encaixam em algum rótulo? KT: Recebemos de tudo: Bad Brains, Rage Against the Machine, Beastie Boys. Está tudo bem, mas não pensamos muito nisso. Não nos prendemos a rótulos. Como a cena punk de Atlanta influenciou a identidade da banda? KT: Atlanta é diversa e cheia de música boa acontecendo ao mesmo tempo. Isso se reflete em nós. Parece que representamos esse caldeirão cultural. Vocês são conhecidos pela energia ao vivo. Como traduziram isso para o estúdio? E o que mudou no processo criativo do primeiro álbum para este? KT: Não mudamos quase nada. Apenas ficamos mais velhos, o que muda um pouco a perspectiva das coisas. O fato de tocarmos juntos ajuda muito. Parece que estamos em um show. Claro que no estúdio buscamos perfeição, mas a energia vem desse coletivo. Teve alguma faixa que surgiu de improviso? KT: Plastic. Nem deveria estar no álbum, mas o Ty perguntou se tínhamos algo mais. O Basics começou um riff, eu escrevi em cima e tudo se encaixou. Vocês recebem muitas mensagens de fãs brasileiros pedindo para virem? Gostariam de deixar uma mensagem aqui para o Brasil? KT: Sim, direto. Estamos ansiosos para ir ao Brasil. Não conhecemos muito da vida no país, então é difícil mandar uma mensagem específica. Mas diria para manter a cabeça aberta e continuar fortes. Foto de capa: Michael Tyrone Delaney
The Hives Forever, Forever The Hives: Caos, diversão e três acordes

Não é presunção em afirmar que o The Hives is Forever. A banda, que está contando os dias para voltar ao Brasil, na abertura para o My Chemical Romance, lançou hoje um dos melhores álbuns de rock do ano. Enough Is Enough já tinha deixado claro: o The Hives não perdeu a mão. O single apresentava três minutos de raiva punk cuspida em refrões curtos e versos ácidos abriram caminho para um álbum que é, basicamente, uma celebração da própria essência da banda. The Hives Forever Forever The Hives é frenético do começo ao fim. As guitarras cortam com riffs simples e certeiros, a bateria empurra cada faixa para frente sem fôlego e Pelle Almqvist continua sendo um dos frontmen mais divertidos e incendiários do rock. Roll Out The Red Carpet e Born A Rebel são exemplos perfeitos de músicas feitas para estádios, como o Allianz, cheias de refrões grudentos e energia explosiva. O disco também encontra espaço para brincar com outros terrenos. Bad Call traz um flerte glam rock, enquanto Path Of Most Resistance aposta em sintetizadores inesperados, acrescentando uma camada pop sem perder a irreverência. Já a faixa O.C.D.O.D. me transportou para um Mosh sem sair da cadeira enquanto escrevia esse review. Menção honrosa também para Legalize Living que mescla surf music com a atmosfera de bandas 80, como Billy Idol e, por que não, nossos tupiniquins Tokyo. É impressionante como, mais de 25 anos depois, o The Hives soa tão afiado quanto no início. O álbum não reinventa nada, mas também não precisa. Sabe aquele dia que você só quer sentar e dar umas boas risadas com um filme de comédia na TV? É exatamente assim: barulhento, debochado e irresistível. No fim das contas, é isso que o The Hives sempre foi: uma banda feita para o ao vivo, para a catarse, para transformar o caos em diversão. E aqui, eles provam de novo que, após os Ramones, só eles sabem como transformar três acordes em pura dinamite. Review: 4.5/5
Entre bolero, tango e rock, banda Espelho do Zé apresenta o single “Contradiz”

O Espelho do Zé lança nesta sexta-feira (29) a faixa Contradiz, terceiro single do próximo EP Reflexo do Amanhã. A música traz um encontro entre intensidade dramática e influências da música latina, como bolero e tango, sem abrir mão do peso do rock que sempre acompanhou a trajetória da banda paulistana. A canção nasceu a partir de uma ideia do baixista Gabi Schubsky, que trouxe melodia e letra sobre uma harmonia já existente. A vocalista Mariana Cintra completou a narrativa com novos versos, transformando a composição em um retrato denso sobre os impasses de um relacionamento em colapso. O resultado é um contraste entre lirismo e frustração, um reflexo das contradições éticas e emocionais que permeiam a obra. “Contradiz é sobre o conflito entre aquilo que se sente e aquilo que não se sustenta mais. Ela traz um peso dramático, mas ao mesmo tempo a beleza da música latina”, resume a banda. O single reforça o espírito coletivo de Reflexo do Amanhã, em contraponto ao processo criativo mais individualizado do trabalho anterior. O EP bebe de referências que atravessam gerações, de Novos Baianos e Caetano Veloso a Los Hermanos e Pitty, abrindo espaço para novas experimentações sonoras. Outro destaque deste momento é o retorno do guitarrista Leandro Rodrigo, que não participa das gravações do EP, mas volta aos palcos para injetar novo fôlego à formação e pavimentar os próximos passos da banda. A produção é assinada por Thiago Barromeo, que já trabalhou com nomes como Mano Brown, Black Alien e Ana Cañas. A identidade visual segue a mesma linha do EP, tendo a flor como elemento central, agora tensionada por cores e contrastes que reforçam a dualidade entre vida e sombra, beleza e desconforto. Com mais de uma década de estrada, o Espelho do Zé segue se reinventando. Formada em 2014, a banda é composta hoje por Mariana Cintra (voz), Gabi Schubsky (baixo), Leandro Rodrigo (guitarra) e André Guaxupé (bateria).
Cro-Mags volta ao Brasil em outubro para show único em São Paulo

Lenda do crossover entre hardcore punk e thrash metal, o Cro-Mags volta ao Brasil em outubro para um show único em São Paulo. A apresentação acontece no dia 8 de outubro, no Burning House, com realização da Xaninho Discos em parceria com Caveira Velha e Solid Music Ent. Formado na Nova Iorque dos anos 1980, o Cro-Mags marcou a cena hardcore com o clássico álbum de estreia The Age of Quarrel (1986), um divisor de águas que abriu caminho para a fusão de estilos e consolidou o grupo como referência mundial. O som cru e agressivo da banda influenciou nomes gigantes da música pesada, como Metallica, Sepultura, Biohazard, Green Day, Madball e Hatebreed. Mais que a sonoridade, a postura autêntica e a resistência ao longo de quatro décadas transformaram o Cro-Mags em um verdadeiro símbolo cultural. Liderado por Harley Flanagan, o grupo segue ativo e lançou em 2020 o álbum In the Beginning, prova de que a energia original continua viva. Neste ano, Flanagan também ganhou um documentário, Harley Flanagan: Wired for Chaos, elogiado pela crítica e com participações de nomes como Flea (Red Hot Chili Peppers), Henry Rollins, Ice-T, Glenn Danzig, Scott Ian, Ian Mackaye e Darryl Jenifer. Antes de desembarcar em São Paulo, o Cro-Mags cumpre em setembro uma turnê extensa pelos Estados Unidos, encerrando no dia 27/09 no CBGB Fest, evento em homenagem ao lendário clube nova-iorquino que deu origem ao punk e à new wave. SERVIÇO | CRO-MAGS EM SÃO PAULO – 08/10/2025Data: 08 de outubro de 2025 (quarta-feira)Local: Burning House (Av. Santa Marina, 247 – Água Branca, São Paulo/SP)Ingressos: https://101tickets.com.br/events/details/Cro-Mags-em-Sao-Paulo
Entrevista | Neil Turbin – “Minha maior contribuição foi ajudar a colocar o Anthrax no mapa”

Pioneiro do thrash metal, Neil Turbin retorna ao Brasil para celebrar os 40 anos do clássico Armed and Dangerous, álbum que compôs para o Anthrax. O único show da turnê no país acontece em 21 de setembro, no Manifesto Bar, em São Paulo, e terá abertura da banda Selvageria. A passagem faz parte da turnê Fistful 40, que já levou o vocalista a países da América Latina e contará ainda com apresentações no Canadá. Reconhecido por dividir o palco com nomes como Tim Ripper Owens (Judas Priest), Jeff Scott Soto (Yngwie Malmsteen) e Simon Wright (AC/DC), Turbin mantém viva sua conexão com o metal. Neste ano, ele se apresentou no Mortalfest, no México, e no Rock for Ronnie James Dio, evento beneficente da Dio Foundation. Os ingressos para o show em São Paulo já estão disponíveis pelo Clube do Ingresso e nas redes do Manifesto Bar. Antes do Anthrax você já era experiente na cena e tem muitas histórias. Estou muito curioso sobre suas lembranças do CBGB. Como foi tocar em um local tão histórico? Neil Turbin: Eu toquei no CBGB com a minha primeira banda, The New Race, nos anos 1970. Eu tinha 15 anos. O CBGB era parte da cidade, um bar que acabou se tornando uma instituição, um marco para o punk rock, hard rock, heavy metal e hardcore punk. Quando entrei lá pela primeira vez eu era ingênuo e inexperiente. Ficamos animados para tocar, mas o lugar era muito sujo, especialmente os banheiros. Ainda assim, era um palco clássico. Na época, alguns álbuns ao vivo já tinham sido gravados lá e eu estava empolgado por ter essa chance, mesmo sendo de uma banda iniciante. Depois dessa experiência, nunca mais toquei lá. Com o Anthrax, chegamos a tocar no Great Gildersleeves, que era um pouco melhor estruturado, com palco maior, mas tinha problemas acústicos por causa das paredes de pedra. Também havia outros clubes em Nova York, como o Max’s Kansas City, que eu adorava. Naquela época você já tinha noção da importância histórica do CBGB? Neil Turbin: Sim. Eu me lembro bem, até da camiseta branca com letras vermelhas e pretas. O CBGB ficava perto de locais icônicos, como o St. Mark’s Place e os estúdios Electric Lady. Era uma área movimentada, cheia de clubes e bares. Para nós, tocar ali foi uma experiência marcante, mesmo sendo apenas uma vez. Você celebra até hoje suas músicas e sua fase no Anthrax. Sei que você estudou com o Scott Ian e que colocou um anúncio procurando uma banda. Como foi a sua contribuição para a história inicial da banda? Neil Turbin: Eu fui o primeiro vocalista oficial. Gravei três demos com a banda e participei da construção do som que se tornaria o Anthrax. Na primeira demo eles ainda tentavam soar como Iron Maiden ou Judas Priest, mas ajudei a desenvolver um estilo mais original. No álbum Fistful of Metal, escrevi “Metal Thrashing Mad” e também criei o título Armed and Dangerous. A música “Gung-Ho” também é minha. No processo de composição, Dan Lilker, Greg Walls e outros membros escreviam bastante, mas eu contribuía com letras, melodias e até riffs de guitarra, mesmo sem tocar guitarra nos ensaios. Eu levava as fitas para casa e trabalhava sozinho nos arranjos. Nos shows da primeira turnê, cantávamos quase todo o Fistful of Metal e algumas faixas novas. Tocamos com Raven e Metallica, que já tinham um nível impressionante de composição. Minha maior contribuição foi ajudar a colocar o Anthrax no mapa e a construir o que viria a ser o thrash metal, parte do que depois se chamou Big Four. Na época você tinha consciência de estar participando da criação de um novo estilo, o thrash metal? Neil Turbin: Nova York nos anos 70 e 80 era bruta, perigosa, mas cheia de energia. Era como viver dentro do filme The Warriors. Essa atmosfera dava a sensação de indestrutibilidade, algo que moldou a música e a atitude. Eu sentia que fazíamos parte de algo novo, mesmo sem rotular. O Fistful of Metal sempre foi comparado com Judas Priest. Como você vê a evolução desse disco para os temas e sonoridade posteriores? Neil Turbin: O Fistful of Metal veio após as demos, e logo lançamos o single “Soldiers of Metal” em 1983. Isso nos levou a shows maiores, como abrir para o Crocus em Massachusetts. Já havíamos tocado com o Metallica, que impressionava pelo peso dos riffs e pela qualidade da composição. Alguns membros da banda queriam soar como eles, assim como antes queriam soar como Iron Maiden. Eu admirava a Metallica, era amigo do Cliff Burton, do James, do Lars e do Kirk, mas minhas influências iam além: Accept, Saxon, Riot, Sortilège, Warning. Daí nasceu a energia de “Metal Thrashing Mad”. Minha ideia era capturar a essência daquela época: velocidade, agressividade e autenticidade. Enquanto outros buscavam copiar, eu tentava canalizar essa sensação única que vinha da mistura de várias influências e da cena underground mundial. Minha busca sempre foi capturar a essência do que o metal me fazia sentir. Era como dirigir com as janelas abertas, ouvindo Saxon – Wheels of Steel, 747 (Strangers in the Night). Eu queria compartilhar essa sensação com as pessoas. Cada membro da banda tinha suas influências. Dan Lilker, por exemplo, trazia muito de Angel Witch e bandas obscuras que ele adorava. Nós frequentávamos lojas de discos como a Rock and Roll Heaven, do John Zazula (produtor responsável pelos primeiros álbuns do Metallica e Anthrax), e a Bleecker Bob’s, sempre atrás de importados e novidades. Essas influências moldaram o Anthrax. Muitas vezes dizem que eu trouxe o visual inspirado no Judas Priest para o Anthrax, mas, na verdade, eles já usavam roupas de palco antes de eu entrar. Sempre achei a imagem do Unleashed in the East, Hell Bent for Leather, ou os Tokyo Tapes do Scorpions incríveis para o heavy metal. Para mim, esse era o espírito: Black Sabbath com Dio, Ozzy solo, e depois a New Wave of British Heavy Metal, que
Lollapalooza Brasil 2026 anuncia lineup com Sabrina Carpenter, Deftones, Turnstile e Chappell Roan

Faltando um pouco mais de seis meses para a abertura dos portões, o público já pode comemorar: o lineup do Lollapalooza Brasil 2026 está no ar, com 71 artistas, sendo 17 estreantes no país e 33 atrações internacionais. Entre os headliners estão Sabrina Carpenter, Tyler, The Creator, Chappell Roan, Deftones, Lorde e Skrillex. Destaques do festival na edição de Chicago deste ano, Doechii, Katseye, Marina e Djo também estarão no line-up do Brasil. Com quatro palcos, a programação conta com atividades simultâneas que tomam conta dos mais de 600 mil m² de extensão do Autódromo de Interlagos. Os ingressos para o festival estão disponíveis no Ticketmaster. Grandes nomes também retornam ao país, como Lewis Capaldi após um hiato para cuidar da saúde, vem ao Lollapalooza Brasil em fase de recomeço, mas trazendo seus grandes hits como Someone You Love. A edição histórica de 2025 do festival em Chicago contou com quatro dias de pura música boa. Entre os nomes que fizeram sucesso com o público, e aumentaram as expectativas para o line-up do Lolla BR, estavam Doechii, Katseye, Marina e Djo, confirmados agora para a edição brasileira. Vencedora de um Grammy de Melhor Álbum de Rap com Alligator Bites Never Heal, Doechii, coleciona fãs por onde passa e no Lolla Chicago contou com uma setlist de sucessos, com hits como Anxiety, Alter Ego e Catfish. A primeira apresentação da Katseye no Lollapalooza Brasil já tem data marcada. A banda, que encantou a multidão com coreografias elaboradas e ritmos dançantes no Grant Park, em Chicago, chega em São Paulo com a mesma energia. Retornando ao festival, Marina volta após um show que encantou os fãs americanos e o público brasileiro, que acompanhou de longe, deixando um gostinho de quero mais. Pela primeira vez no Brasil ano que vem, Djo, vem com seu novo álbum The Cruz, na mala de mão. A música End of Beginning, foi um dos momentos altos no show do artista, no Lolla de Chicago. O Lollapalooza Brasil 2026 mantém sua tradição de lançar tendências e renovar o cenário musical, com nomes que se apresentam pela primeira vez no país. Esta edição será marcada pela estreia de 17 artistas inéditos, mantendo seu padrão de apresentar ao público local os grandes fenômenos da música global. Entre os destaques que sobem ao palco pela primeira vez no Brasil estão 2hollis, dono dos sucessos poster boy e jeans, e Addison Rae, que chega com seu álbum de estreia Addison. O disco conta com as músicas Diet Pepsi e Fame is a Gun, em ascensão no mundo pop, a artista conta com trajetória bem-sucedida nas redes sociais. O público ainda poderá dançar ao som dos sets do carismático DJ Diesel, do produtor britânico Hamdi, BUNT. e da dupla Brutalismus 3000, que vem redefinindo a cena no exterior. A esperada Chappell Roan, a banda australiana Royel Otis e The Dare também integram a lista de novatos no festival brasileiro que já conquistaram multidões mundo afora. Na cena alternativa, o Viagra Boys e o grupo TV Girl chegam ao Brasil pela primeira vez, ao lado dos astros do K-pop RIIZE, que farão sua aguardada estreia em solo brasileiro. O japonês ¥ØU$UK€ ¥UK1MAT$U vem para transformar o Lolla em uma pista dançante, e a compositora britânica Lola Young adiciona sua voz potente e intimista para agitar os fãs brasileiros. Serão três dias muito especiais, com mais de 70 atrações nacionais e internacionais espalhadas por quatro palcos, além de experiências gastronômicas, áreas de descanso, interações com marcas e ativações. Tudo isso, reunindo grandes artistas, música, cultura e experiências únicas para os fãs. O Lollapalooza Brasil 2026 vai transformar o Autódromo de Interlagos em um espaço de celebração, reforçando o seu compromisso do com a diversidade e a descoberta de novos talentos que faz do festival um dos maiores e mais relevantes do país. Veja o lineup do Lollapalooza Brasil 2026