Spoon retorna com dois singles: “Chateau Blues” e “Guess I’m Fallin In Love”

O Spoon passou o verão no estúdio lapidando novas músicas — e o resultado deixou a banda tão empolgada que eles decidiram lançar um single duplo especial imediatamente. Direto da prensagem, chegam o rock cru e cheio de energia Chateau Blues e a faixa envolvente Guess I’m Fallin In Love. Produzidas por Justin Meldal-Johnsen (Beck, Nine Inch Nails, St. Vincent) em parceria com o Spoon, essas duas canções marcam o primeiro lançamento desde o aclamado álbum indicado ao Grammy Lucifer on the Sofa. “Começamos a trabalhar em um álbum este ano e, normalmente, seguimos aquele processo: compor, ensaiar, gravar, mixar, empacotar tudo e só então lançar. Mas quando terminamos essas duas primeiras faixas, percebemos que elas precisavam sair agora. Então aqui estão: Chateau Blues e Guess I’m Fallin In Love. Duas músicas com personalidades distintas, criadas nos últimos meses entre Austin (TX) e Providence (RI). É um grande dia: hoje iniciamos nossa primeira turnê em um tempo, em Santa Ana, e amanhã começamos a rodar com os Pixies — uma das maiores bandas de todos os tempos. Para mim, uma verdadeira referência. É um prazer e estamos muito felizes de voltar ao mundo dos shows por um momento. Nos vemos na frente do palco”, comenta o vocalista Britt Daniel.

Banda de rock placa-mãe lança Fale ao Motorista Somente o Indispensável

Depois de 15 anos de história, o EP que marca a estreia oficial da banda carioca placa-mãe finalmente ganha vida. Fale ao Motorista Somente o Indispensável traz toda a urgência criativa do momento, resultado do reencontro entre Paulo Fischer (voz, violão e guitarra), Marco Fisbhen (guitarras e violões) e Marcelo Caldas (baixo). Com produção assinada pelo músico e produtor Felipe Vassão – que já assinou trabalhos de nomes como Elza Soares, Pitty, Emicida, Tuyo, além de levar pra casa um Grammy Latino com Jotapê –, o projeto apresenta letras e arranjos guiados por melodias densas e poéticas, que transitam por influências que vão de Radiohead e Cazuza ao Clube da Esquina e Arctic Monkeys. Mais que um simples registro, o EP é um reencontro afetivo com canções compostas ao longo de muitos anos e revisitadas no estúdio com liberdade e espontaneidade. Fale ao Motorista Somente o Indispensável já está disponível em todas as plataformas de streaming. No EP, a banda transforma um repertório guardado por 15 anos em um retrato vivo e atual da sua identidade artística, provando que, às vezes, o tempo é fundamental para amadurecer uma obra. A abertura fica por conta de Ano Deslumbrante, uma canção sobre amores proibidos que conta a história de dois amigos de longa data que descobrem estar apaixonados, acompanhando todas as curvas que possibilitam ou não esta vivência. Na sequência, As Desventuras do Palhaço Cambalhotas mergulha em um diálogo intenso, entre metáforas de fuga e despedida, que se desdobram na liberação emocional de um homem preso em um relacionamento já não existente.  Como um registro extenso de emoções e experiências, Os Autos do Inventário de Susan S. fala do luto e da dor após uma separação. A tracklist continua com O Tempo e a Cidade, que, por sua vez, versa sobre a delicada saudade e os desafios de um amor à distância, narrando dois apaixonados que vivem em países diferentes, enfrentando as barreiras para um reencontro e o impacto do tempo. Na sequência, O Grilo Falante chega com uma sonoridade mais orquestral que embala uma reflexão poética sobre a saudade, o tempo que passa e a morte, questionando como seria a vida se estivéssemos mais atentos à nossa própria consciência. Por fim, o som mais pesado de Peloponeso retrata pessoas que não conseguem se conectar consigo mesmas ou com os outros, escondendo sua tristeza por trás de uma fachada blasé.  “Este EP é a materialização de uma trajetória longa e cheia de encontros, é a placa-mãe dando voz a canções que amadureceram com o tempo, mas que só agora encontraram sua forma definitiva. Queremos que cada faixa seja uma conversa nossa com quem escuta, um convite para refletir sobre emoções complexas e histórias não contadas”, afirma a banda.

João Ramos, vocalista da Caos Lúdico, estreia projeto solo com single Onda Boa

Conhecido por seu trabalho nas bandas brasilienses Caos Lúdico e Paranoia Bomb, João Ramos estreia sua trajetória solo com o single Onda Boa, já disponível nos principais tocadores digitais. “Estou aproveitando muito essa nova fase, explorando outras influências e uma estética diferente, que também adoro”, adianta João. A música lançada de forma independente, foi produzida por Jorge Zulim no estúdio Zulim Sounds em Brasília – DF, e mixada por Dan Felix. “A produção valoriza as camadas, a dinâmica e o sentimento da canção”, diz o músico. A letra, em parceria com Álvaro Dutra, versa sobre a vida vivida com leveza e autenticidade. “Mais do que falar de amor, ela comemora a liberdade de sentir sem pressa, sem traumas, sem clichês, seguindo seu ritmo e confiando no tempo. É se permitir viver, olhar para o passado com leveza, aproveitar o presente e estar em sintonia consigo mesmo”, revela. Com um gosto musical que vai do punk rock à musica jamaicana, passando pelo folk, country, soul e MPB, João Ramos diz absorver tudo o que o emociona, transformando em algo totalmente seu. “Para mim, ouvir música é buscar informação, conhecimento e experiências — é uma forma de ser melhor como artista e como pessoa. É dessa mistura de influências que surge algo autêntico e com a sua própria identidade”. Onda Boa conta com a participação de Rodrigo Txotxa (Natiruts, e ex-Plebe Rude e Maskavo Roots) na bateria, Fellipe Souljah nos violões, Jorge Zulim Bittar nos teclados e Malu Cascardo nos backing vocals.

Kings of Leon lança We’re Onto Something, com Zach Bryan

O Kings of Leon lançou o single We’re Onto Something com participação de Zach Bryan, via Love Tap Records, selo próprio da banda distribuído pela Virgin Records. No último fim de semana, Zach Bryan se juntou ao Kings of Leon no palco durante o show lotado no Golden Gate Park para uma apresentação surpresa da nova colaboração. We’re Onto Something sucede a colaboração de enorme sucesso Bowery, lançada recentemente com Bryan em 8 de agosto. A música estreou em 1º lugar no Spotify nos EUA. Após a estreia de We’re Onto Something, Caleb Followill voltou a se juntar ao set de Bryan em uma nova performance de Bowery, que colocou o público de pé.

Stick To Your Guns negocia volta ao Brasil para 2026

O Stick To Your Guns pode estar perto de voltar à América do Sul. A banda de hardcore/punk de Orange County negocia uma turnê para o primeiro semestre de 2026, com shows previstos para maio e junho. Brasil e Chile são os países com negociações mais avançadas, porém outros países, como Argentina e Colômbia podem se juntar à turnê. O giro marcaria a estreia dos californianos em solo chileno, já que, mesmo com passagens anteriores pelo continente, o país nunca havia entrado no itinerário. A última visita do Stick To Your Guns à América do Sul foi em 2022, quando tocaram duas vezes na Colômbia. Antes disso, em 2015, a banda passou pelo Brasil. Formado em 2003, o grupo rapidamente se destacou na cena hardcore com letras politizadas e shows intensos. O álbum Diamond (2012) consolidou a reputação da banda com hinos que misturam agressividade e mensagens de resistência, características que a acompanharam ao longo da carreira. O Stick To Your Guns segue como um dos nomes mais respeitados do hardcore moderno, equilibrando peso e melodia em músicas que falam sobre injustiça social, identidade e superação pessoal. A discografia conta com oito discos lançados, sendo o último, Keep Planting Flowers, lançado em janeiro deste ano. Setlist – Stick To Your Guns em sua última passagem pela América do Sul

Three Days Grace Alienation marca renascimento da banda

O caldeirão que empolgou o mundo nos anos 2000 com a mistura de nu metal e post grunge está de volta. Com Alienation, o Three Days Grace não apenas entrega riffs esmagadores e refrões que grudam, mas celebra um verdadeiro renascimento. O álbum marca o retorno do vocalista original Adam Gontier que, agora, divide os vocais com Matt Walst. O resultado é um som mais denso, multifacetado e cheio de novas possibilidades. A dinâmica vocal é o grande trunfo da obra, afinal, Walst nunca emulou Gontier quando o substituiu. Alternando entre sutilezas melódicas e explosões brutais, as vozes constroem uma narrativa visceral, quase como se a banda conversasse consigo mesma a cada faixa. Esse diálogo dá ao álbum uma força emocional rara, equilibrando introspecção e catarse. A base instrumental acompanha a mudança de forma poderosa: riffs sujos, grooves arrastados e linhas eletrônicas discretas mostram a atualização da banda ao atual mercado dominante de metal moderno. Apesar de experimentar com texturas eletrônicas e momentos acústicos, o álbum mantém a pegada direta e crua que sempre definiu o grupo. O formato é coeso e eficiente: introdução climática, build-up, refrão explosivo e repetição. Essa fórmula é uma bola de segurança, mas em alguns momentos passa a sensação de loop, como se a banda tivesse dificuldade em escapar de seu próprio passado. Ainda assim, quando funciona, é avassalador. Entre os destaques estão a abertura Dominate, um nu metal cru que parece ter saído do álbum Hybrid Theory do Linkin Park. Ela chega como um soco no estômago, com bateria marcial, baixo pulsante e um refrão radiofônico carregado de emoção. Apesar das quatro primeiras músicas já terem sido lançadas, a transição de Dominate para Apologies não funcionou e pode relevar torcidas de nariz para os fãs mais exigentes. A sensação é que você saiu do nu metal e, acidentalmente, trocou para uma música teen da boy band do momento. O caminho de Apologies até a pesada sexta faixa, Alienation, é pavimentado com a mesma fórmula de refrões radiofônicos e músicas mais cadenciadas. Depois, destaque para In Cold Blood, décima faixa, que resgata o auge da banda. Há também faixas que exploram riffs mais sombrios e até solos com influências orientais, pequenas surpresas que enriquecem a experiência. No fim, Alienation mostra um Three Days Grace que não apenas sobrevive às mudanças, mas encontra nova vida nelas criando holofotes para os dois vocalistas. É um disco que não será esquecido para futuras turnês, com canções com energia suficiente para incendiar arenas e nuances que dialogam com o público em momentos mais íntimos. A previsibilidade da fórmula peso + refrão pop de algumas estruturas não apaga o impacto de um álbum que soa como um verdadeiro recomeço. Nota: 3.5/5

Entrevista | Seafret – “Se pudesse, iria ao Brasil três vezes por ano”

O duo britânico Seafret volta ao Brasil para um show especial no Cine Joia, em São Paulo, neste domingo (24), a primeira apresentação no país em três anos. A dupla formada por Jack Sedman (vocais) e Harry Draper (guitarra) segue divulgando seu novo trabalho, que traz colaborações de peso e reflexões sobre a vida e a carreira. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o guitarrista Harry Draper falou sobre o recente single Five More Seconds, fruto de uma sessão espontânea com a cantora KT Tunstall. “Eu cresci ouvindo o primeiro álbum dela. Nós nos conhecemos há uns dez anos, nos EUA, e mantivemos contato pelo Instagram. Quando começamos a trabalhar no novo álbum, queríamos algumas colaborações e, por coincidência, ela estava em Londres. Dois dias depois, já estávamos no estúdio juntos. É uma das minhas músicas novas favoritas”, conta. Five More Seconds, que fala sobre decisões tomadas em instantes e que podem mudar destinos, é algo com que a dupla se identifica. “Pessoalmente, vivo isso o tempo todo. Sempre cometo erros e penso: ‘Se eu tivesse mais cinco segundos, teria feito um pouco diferente’. Acho que é por isso que as pessoas se conectam tanto com a música.” Harry também comentou sobre o ressurgimento inesperado de Atlantis, música lançada há dez anos e que ultrapassou a marca de 1 bilhão de streams após viralizar no TikTok. “Foi insano. Toda vez que entrávamos na plataforma, nossa música estava sendo usada — e ainda está. Isso nos mostrou que, enquanto amarmos o que fazemos, mesmo que a música não se conecte de imediato, em algum momento pode se conectar.” O músico se diz empolgado para rever o público brasileiro. “Se pudesse, iria ao Brasil três vezes por ano. Amo demais. Estamos muito animados para o show do dia 24 de agosto em São Paulo.” Ao falar sobre influências musicais, Harry citou três álbuns marcantes: Solid Air (John Martyn), que o inspirou a tocar violão; Seventeen Going Under (Sam Fender), que influenciou seu trabalho no último ano; e Inside In / Inside Out (The Kooks), trilha sonora de um verão inesquecível em sua adolescência. Os ingressos para o show do Seafret no Cine Joia estão disponíveis no Sympla.

Entrevista | Story of The Year – “É especial saber que Until The Day I Die inspirou tanta gente”

O Story of the Year retorna ao Brasil após 12 anos para participar do festival I Wanna Be Tour e mais shows paralelos em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. A banda, que marcou os anos 2000 com o álbum Page Avenue, promete reviver a energia que os fãs brasileiros conheceram em sua primeira passagem pelo país. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Dan Marsala, trajado com uma surpreendente camiseta de Britney Spears, revelou que o grupo trabalhou com o produtor Colin Britton para resgatar a mesma intensidade da fase inicial no disco Tear Me to Pieces e que teremos um álbum novo em breve. Marsala destaca ainda a importância de clássicos como Until the Day I Die e Anthem of Our Dying Day, mas também disse estar animado em apresentar músicas novas que já caíram no gosto do público, como War. E, como amante de pizza, espera provar a nossa versão gastronômica dessa vez. Como é para você retornar ao Brasil como parte de um festival que celebra um movimento que você ajudou a criar? Dan Marsala: É ótimo. A última vez que estivemos no Brasil foi em 2013, então já faz 12 anos. Estamos muito animados para voltar em um grande festival com grandes bandas. Sempre tivemos grandes shows no Brasil e mal posso esperar. Você tem alguma história interessante da sua visita anterior ao Brasil? Dan Marsala: Os shows sempre foram ótimos. Os fãs são loucos. Tivemos problemas com os promotores e com pagamento nos últimos anos (risos), mas desta vez tudo está indo bem e estamos animados para voltar. Sempre é uma aventura. Há uma diferença entre tocar em festivais e nos sideshows em São Paulo e no Rio de Janeiro? Dan Marsala: Eu amo os dois tipos de shows. Amo casas menores, onde você sente a energia e fica tudo mais intenso, mas também amo grandes festivais porque você toca para muitas pessoas e divide o palco com bandas diferentes. Ambos têm suas vantagens. Estou animado para os shows menores e para o festival. Vou tocar em qualquer lugar, a qualquer momento. Os sideshows vão ser mais longos? Dan Marsala: Acho que sim, um pouco. O festival deve ter entre algo entre 50 minutos e uma hora. Os sideshows provavelmente serão um pouco mais longos, porque temos mais tempo. No começo vocês foram descritos como uma banda de post-hardcore. Hoje bandas do estilo flertam com metalcore ou modern metal. Como você define o som atual? Dan Marsala: É difícil. Isso mudou ao longo dos anos. Agora todo mundo chama de emo. Quando começamos não nos considerávamos emo, havia post-hardcore, screamo, hardcore, punk… nós apenas misturamos tudo. Eu digo que somos uma banda de rock, com energia alta. Temos elementos de vários gêneros, mas é difícil de rotular. Nos anos 2000 vocês foram parte da explosão do emo e post-hardcore. Como é ver esse movimento se revivendo agora? Dan Marsala: É louco. Nosso primeiro álbum saiu em 2003 e, em 2010, a cena morreu um pouco, principalmente na América. Foi surpreendente ver essa retomada. Acho que acontece com todos os gêneros: você se afasta um tempo, mas mais velho acaba redescobrindo o que amava. Para nós é ótimo, porque quero tocar música o resto da vida. Como você compara a fase atual com o início em Page Avenue? Dan Marsala: Foi um processo parecido. No último álbum, Tear Me to Pieces, o produtor Colin Brittain foi muito importante para capturar a mesma energia dos primeiros dias. Trabalhamos muito para trazer de volta a energia jovem de 20 anos atrás. Gravamos outro álbum com ele, que será lançado em breve, e seguimos o mesmo processo: fazer música que amamos. Isso não mudou. Ser pai mudou a forma como você escreve? Dan Marsala: Não muito. O processo continua o mesmo. Algumas influências externas entram, mas no fim das contas escrevemos músicas que gostamos de ouvir. Trabalhamos em cima disso e esperamos que funcione. Sua música já ajudou muitas pessoas em momentos difíceis e não será surpresa ver alguém com um cartaz “Story of The Year saved my life”. Como você enxerga isso? Dan Marsala: É ótimo ouvir isso. Música é mágica, pode ajudar em qualquer situação. Saber que tivemos impacto positivo na vida das pessoas é incrível. É uma das razões pelas quais gosto de escrever e tocar. Eu sempre trago uma pergunta da caixinha de perguntas do meu Instagram. E temos aqui um fã, o Vinicius, que gostaria de saber se vocês ainda vão girar a guitarra e dar piruetas no palco? Dan Marsala: Não tenho certeza. Provavelmente, sim. Ainda colocamos muita energia em cada show. Claro que somos mais velhos e algumas loucuras não acontecem mais, mas vai ter energia e vai ser divertido. No Instagram você se auto define como um amante de pizza e de música. Já provou a pizza do Brasil? E, aproveitando, já conhece as bandas brasileiras? Dan Marsala: Eu não sei se já comi pizza brasileira. Alguém precisa me trazer uma para eu experimentar desta vez. Eu amo pizza, então tenho certeza que é ótima. Sobre as bandas brasileiras conheço pouco, mas estou ansioso para ouvir algumas. Como você se sente ao ver que músicas como Until the Day I Die marcaram uma geração e ainda são um ponto de entrada para novos fãs? Dan Marsala: É louco. É difícil colocar em perspectiva, porque essa música saiu há 22 anos. Foi enorme para nós e para a cena. Ela continua incrível ao vivo, e ver multidões cantando é ótimo. É especial saber que inspirou tanta gente. Agora, um desafio: Se tivesse que escolher cinco músicas para tocar pelo resto da vida nos shows, quais seriam? Dan Marsala: Until the Day I Die, Anthem of Our Dying Day, War, Is This My Fate? e Tear Me to Pieces. São músicas especiais, que sempre funcionam ao vivo e pelas quais temos muito orgulho. Qual mensagem você deixa para os fãs brasileiros? Dan Marsala: Estamos animados demais para voltar. Vamos

Entrevista | Boston Manor – “Vamos tocar músicas que há muito tempo não tocamos”

Pela primeira vez no Brasil, o Boston Manor desembarca no país com a expectativa de retribuir o carinho de uma base de fãs que, há anos, insiste para que a banda venha tocar por aqui. Com uma carreira de pouco mais de dez anos, a banda britânica se consolidou como um dos nomes mais inventivos da cena alternativa, transitando do pop punk para um som mais sombrio e melancólico, sem se prender a rótulos. A apresentação em São Paulo acontece no dia 14 de setembro, no City Lights. Ainda há ingressos à venda na plataforma Fastix. O vocalista Henry Cox contou ao Blog n’ Roll sobre essa estreia, a evolução musical da banda, lembranças de festivais e os próximos passos em estúdio. O que você já sabia sobre os fãs brasileiros antes de confirmar este show? Henry Cox: Temos um fã-clube incrível, o Boston Manor Brasil, que nos acompanha há anos. Sempre recebemos mensagens nas redes sociais pedindo para virmos ao Brasil. Na nossa última turnê americana, alguns fãs levaram uma bandeira enorme do Brasil e reforçaram ainda mais essa vontade. Queríamos ir há muito tempo, mas foi caro e difícil de organizar. Agora finalmente deu certo e estamos muito animados para tocar pela primeira vez aí. O que o público pode esperar do setlist em São Paulo? Serão cerca de 15 músicas ou teremos surpresas? Henry Cox: Sabemos que faz muito tempo que as pessoas esperam ver a banda ao vivo, então pensamos em algo especial. Vamos tocar músicas antigas, de meio de carreira e também as mais novas. Será um setlist bem eclético, incluindo faixas que não apareciam há bastante tempo. A ideia é fazer um show intenso, emocionante e divertido. Queremos que seja caótico, no melhor sentido, que seja insano para todo mundo. E fora do palco, há planos para conhecer São Paulo? Henry Cox: Infelizmente, por causa do ritmo da turnê, estamos em um país diferente todos os dias, então não teremos muito tempo para explorar. Basicamente só terei o dia do show. Mas se alguém tiver dicas de lugares interessantes e que fiquem até uma hora do local, adoraria conhecer. Como foi a transição do pop punk para um som alternativo? Henry Cox: A mudança foi bem gradual, feita ao longo de alguns álbuns. No início, principalmente na América, parte do público estranhou, mas aos poucos fomos conquistando ainda mais fãs. Nos últimos dois discos, por exemplo, conhecemos muitas pessoas que diziam ter adorado o primeiro álbum, mas não tinham acompanhado os seguintes. Agora, com os trabalhos mais recentes, esse público voltou para a banda. Foi legal ver esse movimento. Vocês ainda se sentem parte da cena pop punk? Henry Cox: Hoje isso importa menos do que antes. O streaming abriu muito o gosto musical das pessoas. Antigamente, se você curtia punk, era só punk. Ou metal, só metal. Agora os fãs ouvem de tudo, e isso é ótimo. Já dividimos turnê com bandas muito diferentes entre si, como Knocked Loose ou Hot Mulligan, e os públicos curtem igualmente. Dez anos atrás, seria uma questão não ter um rótulo definido, mas agora isso pesa bem menos. Algumas pessoas ainda nos veem como pop punk, o que é engraçado, mas não nos preocupa. Qual música do catálogo ainda é especial para você? Henry Cox: Depois de dez anos e vários álbuns, é normal olhar para trás e pensar em mudanças que faria. Algumas músicas já não representam tanto o que somos hoje, mas continuam como uma fotografia de quem éramos na época. Do nosso primeiro álbum, por exemplo, tem faixas que considero muito confusas, cheias de elementos, mas também há coisas que ainda fazem sentido. “Kill Your Conscience” é uma delas, poderia estar em um disco novo. Outras soam muito juvenis, mais pop punk, quase infantis. É como ver uma foto antiga de você mesmo, mas ao mesmo tempo é uma cápsula do tempo, parte da história. O álbum Glue tem essa melancolia por fruto da pandemia ou já era um caminho natural? Henry Cox: Acho que já vínhamos nessa direção, mas a pandemia intensificou. O disco anterior, Welcome to the Neighbourhood, tinha tido muito sucesso e ficamos quase dois anos em turnê sem parar, dez meses por ano na estrada. Estávamos exaustos, mas mesmo assim começamos a escrever um novo álbum. Hoje vejo que talvez devêssemos ter esperado um pouco mais. Em Glue dá para sentir essa exaustão, a frustração e a tensão daquele momento. Isso deu autenticidade, mas não estávamos no melhor espaço mental para gravar. Você coloca muitas experiências pessoais nas letras? Henry Cox: Sim, bastante. Às vezes são experiências pessoais, outras vezes são observações sobre o mundo ao meu redor. Tento escrever de forma mais aberta, quase enigmática, para que cada um possa se identificar à sua maneira. Não gosto de deixar óbvio “essa música é sobre isso”, prefiro dar espaço para interpretação, mantendo um pouco de mistério. Sei que é cedo, mas há um novo álbum a caminho? Henry Cox: Sim, já começamos a compor e a fazer demos. Provavelmente entraremos em estúdio no ano que vem, mas sem pressa. Desde a pandemia lançamos dois discos e um EP, então foi bastante coisa. Agora me sinto pronto, criativo e com muito a dizer. Vivemos tempos malucos e sinto que há muito material para transformar em música. Quais artistas te influenciam nos dias de hoje? Henry Cox: No início eram bandas como Taking Back Sunday, som alternativo e mais eletrônico, além de Nine Inch Nails e, claro, Deftones, que sempre foram referência para mim, Mike e Dan. Hoje não escuto tanta música de guitarra quanto antes, o que é bom porque me influencia menos diretamente. Mas sinto vontade de fazer um álbum mais cru, agressivo, punk, e espero que as demos sigam esse caminho. Qual festival foi marcante na carreira? Henry Cox: O Download Festival, sem dúvida. Tocamos no palco principal no dia em que lançamos “Halo” e aquilo mudou nossa trajetória. Recentemente voltamos e tocamos para 80 mil pessoas, foi