Entrevista | Sensor Noise – Atriz que fez sobrinha de Phoebe em Friends lança banda de rock com estrela da Disney

Quem assistiu a Friends provavelmente se lembra da família excêntrica de Phoebe Buffay. O que muita gente talvez não saiba é que uma de suas sobrinhas, Leslie, vivida por Allisyn Snyder, cresceu, seguiu carreira artística e hoje está à frente de uma banda que começa a dar seus primeiros passos. Allisyn é casada com Dylan Snyder, também ator mirim na infância, conhecido por trabalhos na Disney e por ter interpretado o jovem Tarzan na Broadway. Juntos, eles comandam a Sensor Noise junto Steve Arm, pai da atriz. Em família, a banda mistura rock alternativo, eletrônica e forte identidade visual. O grupo já soma sete músicas lançadas no Spotify e constrói um projeto que une música, cinema e narrativa estética como um único universo criativo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Allisyn e Dylan Snyder falam sobre a origem da Sensor Noise, a influência da atuação na música e os planos para o primeiro álbum, que deve ser lançado junto a um projeto audiovisual ambicioso. Começando por Friends, como foi para você fazer parte de uma série que teve um impacto tão grande no Brasil e segue sendo descoberta por novas gerações? Estar em Friends é como fazer parte de algo que vai existir para sempre. É uma cápsula do tempo de como era a vida e a amizade naquela época. Interpretar a Leslie Buffay e ser a criança que jogava coisas no Matthew Perry foi incrível. Na época, eu era muito nova e não entendia totalmente a dimensão daquilo. Para mim, era tipo: eu posso jogar comida em adultos? Posso faltar à escola e correr dentro de uma cafeteria? Só anos depois caiu a ficha do quão especial aquilo era. Quando voltei a assistir à série completa, já mais velha, foi emocionante chegar ao meu episódio. Pequenas memórias começaram a voltar, detalhes do set, do clima, das pessoas. Foi realmente especial. Nota: Allisyn tinha apenas 6 anos na época e o episódio foi gravado em 2003. Você guarda alguma lembrança ou curiosidade dos bastidores? Meus pais passaram a prestar muita atenção na série depois que eu participei. Eles não assistiam antes. Como é uma sitcom gravada com plateia, o processo dura uma semana inteira até a gravação final. Meu pai conseguiu acompanhar tudo, ver as reações do público. O episódio é “The One Where Ross Is Fine”, que o Ross descobre que Joey e Rachel estão juntos. É aquele das fajitas? Sim, é aquele das fajitas. Antes mesmo de o episódio ir ao ar, meus pais já estavam citando as falas o tempo todo. Isso ficou muito marcado para mim. Quando e como a Sensor Noise se uniu como banda? A Sensor Noise começou de forma muito orgânica. O pai da Allisyn é guitarrista e uma espécie de guru do rock indie. Ele tem uma banda chamada Pistol For Ringo, e nós sempre adoramos assistir aos shows e acompanhar as sessões de estúdio. A Allisyn praticamente cresceu dentro de estúdios, desde criança.Alguns anos atrás, no Ano Novo, fizemos uma viagem para o deserto e ficamos em um Airbnb com a ideia de levar equipamentos para gravar algumas demos, só para nos divertir. A ideia era tocar música sem pressão nenhuma. E isso favoreceu o processo criativo de vocês? Isso acabou virando um hábito. Sempre que tínhamos um aniversário ou alguma ocasião especial, usávamos como desculpa para viajar e gravar. Fomos para Lake Arrowhead, alugamos uma cabana e estabelecemos essa regra de uma demo por dia. Você acorda, faz uma caminhada nas montanhas com um café e cria algo novo. Muitas dessas sessões envolveram o pai da Allisyn, o Steve Arm, e também o Shane Smith, que é outro integrante do Pistol For Ringo. O Shane é um engenheiro incrível e uma das maiores influências da Allisyn desde a infância. Ele organizava festas de Natal chamadas Camp Shane, em que músicos se reuniam para tocar músicas natalinas a noite inteira. Crescer nesse ambiente tornou tudo meio inevitável. O Dylan sempre tocou música a vida toda também. Ele esteve na Broadway ainda criança, interpretando o jovem Tarzan, então tudo isso acabou convergindo naturalmente. A experiência de vocês como ator e atriz influencia a forma como vocês escreves e se posicionam musicalmente hoje? Com certeza. Cada parte da nossa vida influencia a banda. Até o nome Sensor Noise vem de um termo de câmera, porque somos cineastas. A Allisyn e eu fazemos filmes juntos há quase dez anos. Tivemos uma série semanal na internet, postando conteúdo toda sexta-feira, sem falhar. A filmagem sempre fez parte da nossa rotina, e isso entra direto na música. Os clipes são uma extensão natural desse processo criativo. O visual parece mesmo ter um papel central no projeto. Isso é intencional? Totalmente. Pensamos nos visuais enquanto criamos as músicas. Tudo está interligado. A banda acaba sendo um espaço onde performance, imagem, figurino, maquiagem e narrativa se encontram.Quando estamos compondo, já estamos imaginando o vídeo, os personagens, o clima. Isso vem muito da nossa vivência no cinema. Inclusive vi que você está com uma maquiagem bem diferente, já faz parte da caracterização? Sim, faz parte do estilo. Um dos meus artistas favoritos é o David Bowie, alguém que sempre abraçou a ideia de se vestir de forma única, sem seguir padrões. A maquiagem brilhante vem muito dessa referência.Além disso, é algo prático. Para mim, é mais rápido do que fazer uma maquiagem tradicional. Não importa se borrar, se chover ou se eu passar o dia todo com ela. Teve um momento em que pensei “preciso tomar cuidado para não borrar a maquiagem”, mas logo percebi que borrar também faz parte do visual. No Ano Novo, choveu em Los Angeles e eu continuei com o mesmo visual o dia inteiro. É libertador. O lado visual dos nossos clipes é essencial, e a estética faz parte do projeto tanto quanto a música. Como vocês definem o som da Sensor Noise e quais são as principais influências? Nossas referências vêm de muitos lugares. Crescemos ouvindo muito rock clássico. Pink Floyd, Bowie,
Ian Gillan revela detalhes do novo álbum do Deep Purple

Aos 80 anos, Ian Gillan não apenas recusa a aposentadoria, como já planeja o próximo capítulo da humanidade. O vocalista confirmou nesta sexta-feira (30) que o Deep Purple está finalizando um novo álbum de estúdio, com lançamento previsto para junho de 2026. O trabalho será o sucessor de =1, lançado em julho de 2024. Em entrevista ao site Songwriting For Songwriters, Gillan adiantou que, embora o título ainda seja segredo, o conceito lírico já está definido e é surpreendentemente filosófico. Metamorfose otimista de Ian Gillan Segundo o cantor, as letras exploram uma ideia conceitual “bastante solta” sobre o fim da humanidade, mas longe de ser algo sombrio. “Na verdade, é muito otimista. É sobre a metamorfose da humanidade em um estado metafísico, nossa próxima encarnação”, explicou Gillan. “Ir para o escritório” Gillan também detalhou o processo criativo da banda, que permanece inalterado há décadas. O grupo se isola por cerca de dez dias e segue uma rotina rígida: começam ao meio-dia, param para o chá às 15h e encerram às 18h. “É como ir para o escritório… Os rapazes começam a tocar e é tudo improvisado. Basicamente, é uma jam de uma semana. De vez em quando, alguém acena para outra pessoa e diz: ‘Ok, vale a pena manter isso’”, conta. A formação atual conta com o guitarrista Simon McBride, que substituiu Steve Morse em 2022. Gillan afirma que a entrada de McBride rejuvenesceu o grupo, que soa “faminto” e “apertado” musicalmente. Aposentadoria Apesar da empolgação com o disco e com a turnê pelo Reino Unido agendada para novembro de 2026, o vocalista é realista sobre o futuro. Em conversa recente com a revista Uncut, ele revelou ter apenas 30% da visão, o que torna tarefas simples, como trabalhar no laptop, exaustivas. Sobre parar de tocar, a resposta foi direta: “Acho que a dignidade humana será o fator decisivo. Quando você começa a sair e constranger as pessoas com sua incapacidade de fazer o que fez a vida toda, então é hora de parar. Mas até esse momento chegar, estamos indo bem”.
Hayley Williams lança projeto Power Snatch ao lado de Daniel James

Quem esperava um descanso de Hayley Williams após o ciclo do elogiado álbum Ego Death At A Bachelorette Party (2025) se enganou. A vocalista do Paramore já está envolvida em outra empreitada musical. Nesta semana, a cantora revelou o projeto Power Snatch. A dupla é formada por Hayley e Daniel James, colaborador frequente que ajudou a coescrever e produzir grande parte do disco solo da cantora lançado no ano passado. “Assignment” e “DMs”, primeiros sons do Power Snatch A estreia da dupla aconteceu no programa Apple Music 1, onde apresentaram a faixa Assignment. A movimentação dos fãs, no entanto, revelou que o projeto já dava sinais de vida há meses. O perfil no Instagram @powersnatched mostra que a dupla compartilhou um trecho de música ainda em julho de 2025. Além disso, outra faixa completa, intitulada DMs, já pode ser ouvida no Bandcamp. Paramore x solo Em entrevista concedida em outubro de 2025, Hayley já havia sinalizado a necessidade de escoar sua criatividade fora da banda principal, explicando por que não era o momento de um novo disco do Paramore, mas sim de explorar outras vertentes. “Não era hora de fazer outro disco do Paramore, mas eu tinha muita m**** para dizer, então fiz o que fiz por mim mesma… O Paramore sempre terá seu tempo porque é apenas o que fazemos. Nós entramos e saímos disso. Nós nos ressentimos num minuto. Queremos usar roupas combinando no minuto seguinte.” Ainda não há informações sobre um álbum completo do Power Snatch, mas as faixas soltas indicam uma sonoridade crua e experimental. DMs de Power Snatch
“Lugar perigoso”: Brian May descarta retorno do Queen aos Estados Unidos

A relação histórica entre o Queen e os Estados Unidos parece ter chegado a um fim abrupto, pelo menos no que diz respeito aos palcos. Em entrevista publicada pelo jornal britânico Daily Mail, o guitarrista Brian May, hoje com 78 anos, indicou que fechou as portas para um possível retorno da banda à América do Norte. O motivo citado pelo músico não envolve logística ou desinteresse do público, mas sim segurança. “A América é um lugar perigoso no momento, então você tem que levar isso em conta… É muito triste porque sinto que o Queen cresceu na América e nós amamos lá, mas não é o que costumava ser. Todos estão pensando duas vezes antes de ir para lá no momento”, afirmou Brian May. O guitarrista não especificou quais aspectos considera inseguros, mas a declaração joga um balde de água fria nos fãs que esperavam ver a turnê Queen + Adam Lambert novamente em solo americano. Futuro dos palcos e saúde de Brian May Sobre quando a banda poderá voltar a se apresentar ao vivo em qualquer lugar, a resposta foi cautelosa: “Eu não sei quando o Queen voltará aos palcos, é uma incógnita. Vamos levar dia após dia”. A cautela tem justificativa. Recentemente, a esposa de May, a atriz Anita Dobson, comentou que o grupo não faria mais turnês de grande escala devido à idade avançada e questões de saúde. O histórico médico de Brian May nos últimos anos exige atenção: “Coisas que vocês não ouviram” Apesar do tom pessimista sobre viagens internacionais, May deixou uma porta aberta para novidades de estúdio. Ele mencionou que uma reconstrução do álbum Queen II está a caminho e sugeriu material inédito. “Nunca diga nunca sobre não voltar… e há algumas coisas que vocês não ouviram”, provocou.
Codefendants e The D.O.C. exploram o submundo das gangues no single “Rivals”

Gangues de punk e o submundo de Compton têm muito mais em comum do que a história da música costuma contar. Foi a partir dessa troca de vivências entre o asfalto e os mosh pits que o Codefendants se uniu novamente ao ícone do hip-hop The D.O.C. para lançar a faixa Rivals. Disponível nas plataformas de streaming nesta sexta-feira (30), a música é a sucessora da colaboração anterior do grupo, Fast Ones (2023). O lançamento antecipa o segundo álbum de estúdio da banda, intitulado Lifers, que tem data de chegada marcada para 3 de abril. Histórias de Compton e Suicidals A inspiração para a letra surgiu de uma conversa casual entre Fat Mike (NOFX) e o rapper. Mike conta que, ao ouvir histórias sobre a vida de gangue em Compton, decidiu apresentar o lado “punk” dessa moeda. “Eu disse a ele que existiam gangues punk também. Ele não acreditou em mim. Então contei a ele sobre FFF, LADS e Suicidals… Então ele escreveu seus versos para Rivals. É muito foda que o D.O.C. e eu tenhamos trabalhado em outra música juntos”, diz Fat Mike. Para Ceschi Ramos, a faixa destaca a sobreposição entre os dois gêneros como movimentos de contracultura que surgiram em períodos similares com ideais parecidos. “Desde que começamos o Codefendants, fomos confrontados por ‘gatekeepers’ que não entendem que genuinamente crescemos nesses dois mundos do punk e do hip-hop. Quando Fat Mike escreveu a música para essa faixa, ele foi diretamente inspirado por algumas das faixas punk mais lentas e arrastadas do início dos anos 80.” “É Codefendants, p****” Enquanto D.O.C. celebra o fato de que a banda “não liga para como minha voz soa, contanto que esteja no ritmo”, o vocalista Sam King foi direto ao ponto sobre o lançamento. “Que p**** vocês querem que eu diga? Os outros caras já disseram tudo, é Codefendants com o D.O.C., é foda pra c******.” Assista ao clipe de Rivals
NOFX lança protesto contra o ICE em “Minnesota Nazis”

O fim das turnês, concretizado em 2024, não significou o silêncio definitivo de Fat Mike. Motivado pela violência policial do ICE, polícia imigratória do Governo Trump, o NOFX reapareceu nas plataformas digitais com a faixa Minnesota Nazis. A música não é uma composição inteiramente inédita, mas sim uma atualização lírica e contextual de Huntington Beach Nazis, presente no disco Double Album (2022). A nova versão altera o cenário e o alvo para abordar o assassinato de Renee Good por um agente do ICE (Immigration and Customs Enforcement) em Minneapolis. Música como ferramenta Sem planos de retorno aos palcos, o lançamento serve estritamente como manifesto político. Fat Mike explicou que a intenção é fazer o possível dentro do alcance da banda, mesmo sabendo das limitações da arte diante da realidade. “Essa música não vai parar a loucura absoluta… mas você faz o que pode para tornar este mundo um lugar melhor. Vamos cuidar uns dos outros o melhor que pudermos. O Amor (é maior que) o Ódio… mesmo que não pareça agora”, declarou o vocalista. O clipe, que acompanha o lançamento, contém linguagem explícita e reforça a mensagem de indignação do grupo californiano. Vale lembrar que o NOFX encerrou suas atividades de estrada em 2024, após uma longa turnê de despedida que rodou o mundo. O Blog n’ Roll acompanhou o show em Madri, na Espanha.
Abertura de Harry Styles no Brasil, Fcukers anuncia álbum de estreia e lança o single “L.U.C.K.Y”

Se você garantiu seu ingresso para a residência de Harry Styles em São Paulo, é bom começar a decorar este nome: Fcukers. A banda novaiorquina, que vem sendo aclamada como a nova sensação da cena indie/eletrônica, anunciou o lançamento de seu aguardado álbum de estreia. Intitulado Ö, o disco chega ao mundo no dia 27 de março pelo prestigiado selo Ninja Tune. Para celebrar a notícia, eles liberaram o single L.U.C.K.Y, já disponível nas plataformas digitais. Conexão do Fcukers com o Brasil A notícia do álbum chega com um tempero especial para os fãs brasileiros. Os Fcukers foram confirmados como a atração de abertura dos quatro shows da turnê Together, Together de Harry Styles no Estádio MorumBIS. Eles sobem ao palco nos dias 17, 18, 21 e 24 de julho de 2026. Ou seja, quando desembarcarem por aqui, o álbum novo já estará na ponta da língua dos mais antenados. Queridinhos dos famosos Não é só o Harry Styles que está de olho na dupla formada por Shanny Wise e Jackson Walker Lewis. A lista de “fãs famosos” da banda é extensa: Tracklist: Ö Ouça o novo single L.U.C.K.Y:
Atração de abertura do Franz Ferdinand em SP, Tom Ribeira aposta no charme no single “Juba”

A MPB ganha um tom mais contemplativo e orgânico nesta sexta-feira (30). O cantor e compositor Tom Ribeira, uma das novas vozes que vêm renovando o gênero com respeito às raízes, lançou nas plataformas digitais o single Juba. A faixa é o cartão de visitas para seu primeiro EP, Pedaço, que tem lançamento agendado para o dia 6 de março. Tom Ribeira traz a metáfora do leão rendido Liricamente, a canção subverte a lógica da selva. Em Juba, a leoa não vence pela força bruta, mas pela inteligência afetiva e pelo encanto. Tom constrói uma metáfora poderosa: a do leão que entrega a própria juba, símbolo de orgulho e soberania, em nome da paixão. “É um amor tão forte, tão maluco… Sua imagem me paralisou / Nem se eu quisesse escapar, daria”, canta o artista, definindo um amor que suspende o tempo e a razão. Sonoridade “à moda antiga” O grande diferencial de Juba em relação ao repertório do artista é a sonoridade. Fugindo da urgência do pop atual, a faixa aposta em uma estética old school. A gravação foi feita ao vivo com a banda, capturando silêncios, respirações e aquela “sujeira” orgânica que dá vida à música. A produção e o arranjo são assinados em parceria com Breno Viricimo. Tom Ribeira foi de Paris para São Paulo Para quem está chegando agora: Tom Ribeira começou nas redes sociais, mas já tem quilometragem de gente grande. Em 2022, ele pisou em palcos históricos de Paris, como o La Cigale e o Elysée Montmartre. Agora, ele prepara o terreno para o show de lançamento do EP no Brasil, que acontece em 15 de março, no Na Rotina, em São Paulo. Dois anos atrás, Tom Ribeira foi atração surpresa antes do show do Franz Ferdinand no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Serviço
Entrevista | Lexie Liu – “Eu quero ser como o Cansei de Ser Sexy: fora da curva, expressiva e com um pouco de loucura”

Lexie Liu dá um passo decisivo em sua trajetória internacional com Teenage Ramble, EP que marca seu primeiro trabalho totalmente cantado em inglês. Conhecida por transitar entre pop, eletrônico e referências alternativas, a artista chinesa aposta agora em um registro mais direto, espontâneo e menos conceitual do que seus projetos anteriores, abrindo espaço para uma escrita mais emocional. O lançamento reforça a busca de Lexie Liu por novos públicos e por uma identidade artística cada vez mais global. Antes mesmo do novo EP, Lexie Liu já vinha ampliando seu alcance fora da Ásia por meio de projetos ligados ao universo de League of Legends. A artista participou de iniciativas musicais da Riot Games, incluindo faixas associadas ao K/DA, um dos projetos mais populares do jogo, o que ajudou a apresentar seu trabalho a uma audiência internacional diversa e conectada à cultura pop, games e música. Essa ponte entre música e entretenimento digital foi fundamental para consolidar seu nome fora do circuito tradicional do pop chinês. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Lexie Liu falou sobre o processo criativo por trás de Teenage Ramble, as influências que vão de Wet Leg ao Cansei de Ser Sexy e os desafios de equilibrar uma carreira internacional sem perder autenticidade, além de comentar seus próximos passos e o desejo de vir ao Brasil. Você lançou Teenage Ramble, seu primeiro álbum totalmente em inglês. Quando você sentiu que era o momento certo para dar esse passo? Eu senti. Acho que nunca foi uma decisão muito pensada. Eu nunca sentei com o meu time para calcular quando deveríamos fazer isso. Mas senti que o tempo era bom porque eu tinha acabado de terminar o meu terceiro álbum, e todos os meus projetos anteriores eram bilíngues. Este ano, eu só quis ver como seria fazer um projeto totalmente em inglês, testar como eu me sentiria e como as pessoas reagiriam. É uma nova experiência. A escrita, a produção e todo o processo criativo são diferentes, porque é no meu segundo idioma, mas isso acabou se tornando muito divertido. Então você sente que sua expressão emocional muda dependendo da língua que você está usando? Eu acredito que sim, definitivamente. Esse trabalho parece mais espontâneo e menos polido. Isso reflete um momento específico da sua vida? Eu acho que sim, de certa forma. Eu não pensei em um grande conceito ou em um longo processo de construção de mundo para este projeto. Ele nasceu mais como o escoamento de um longo tempo criando demos. Eu criei realmente de forma espontânea, para o momento e no momento. Então, você está certo, ele é muito menos polido. Eu quis ver como soaria um projeto mais cru. Desta vez, eu tentei ser o mais genuína e honesta possível, e algumas pessoas podem achar isso bem diferente do que eu fiz antes. O seu trabalho mistura pop, energia alternativa e elementos eletrônicos, eu vejo coisas de divas pop e até um pouco de indie, como do Wet Leg e música alternativa como os brasileiros do Cansei de Ser Sexy. Mas quero saber de você, que artistas lhe influenciam? Tem mais algo brasileiro que você conhece? Você basicamente já citou todos os nomes (risos). Na verdade, eu amo muito o Cansei de Ser Sexy. Nem sabia de onde eles eram no começo, porque encontrei as músicas no modo aleatório do streaming. Eu simplesmente amei a energia deles, e eles se tornaram um dos meus grupos favoritos. Eu quero ser como eles. Eles são tão fora da curva, tão expressivos emocionalmente. Os vocais são meio loucos, mas é o tipo de loucura boa. A loucura que eu gostaria de ser, mas talvez nunca consiga. Eu me identifico muito com isso. E eu também gosto muito de MPB. Acho que nunca falei isso antes em entrevistas. Eu tenho uma playlist inteira só de música brasileira de MPB, de artistas que eu não conheço pessoalmente, mas que eu conheço muito bem através da música. Hoje o pop internacional parece cada vez menos centrado nos Estados Unidos e na Europa. Como você enxerga esse novo cenário global? Essa é uma grande pergunta. Eu acho que é definitivamente uma ótima oportunidade para os artistas se cruzarem. Não só nós indo para outros mercados, mas também artistas brasileiros indo para a Ásia. Apesar de todas as diferenças culturais, de fronteiras e de idioma, nós estamos muito conectados agora. É fácil encontrar pessoas do outro lado do planeta e compartilhar música e paixão. Isso abre muitas possibilidades reais de troca. É um desafio equilibrar as expectativas do público chinês e, ao mesmo tempo, construir uma carreira global? Porque são culturas muito diferentes. Eu acho que é desafiador, sim. É difícil não ser. É algo muito complicado de equilibrar. Mas, ao mesmo tempo, acredito que, quando a minha música é verdadeira para quem eu sou e para o que eu quero expressar, e quando as pessoas sentem isso, muitas expectativas simplesmente desaparecem. Se elas se conectam emocionalmente, isso se torna maior do que qualquer rótulo. Os fãs brasileiros acompanham o seu trabalho e temos muito fãs aqui de LOL e Arcane que com certeza lhe conheceram por lá. Existe a possibilidade de você vir ao Brasil no futuro? Eu adoraria ir ao Brasil, com certeza. Eu sinto que tenho alguns dos fãs mais calorosos e acolhedores aí, o que é muito louco para mim. Para quem ainda não lhe conhece, existe alguma faixa de Teenage Ramble que você considera o coração do EP? Eu diria que é “X”. É a minha música favorita do EP, mesmo que eu esteja um pouco cansada dela agora, porque eu a ouvi muitas vezes desde o primeiro dia em que a fiz. Mesmo sendo uma faixa mais dançante, que talvez não soe tão profunda ou emocional à primeira vista, ela tem uma vibração muito boa. É daquelas músicas que te fazem se sentir renovada, confiante, quase como um personagem caminhando pela rua. Essa energia rápida ilumina o dia, mesmo que por um momento. Ela representa