Entrevista | Dirty Honey – “Se as músicas estiverem prontas, apresentaremos material inédito”

O rock and roll clássico encontrou um novo fôlego na última década, e o Dirty Honey é, sem dúvida, um dos protagonistas dessa revitalização. Liderada pelo carismático vocalista Marc LaBelle, a banda californiana finalmente desembarca no Brasil em abril para uma sequência de shows. A jornada começa em São Paulo, no dia 2 de abril, com um show íntimo na Audio ao lado da banda Jayler. Poucos dias depois, no dia 4, eles encaram a imensidão do Allianz Parque como uma das atrações do prestigiado festival Monsters of Rock, que terá o Guns n’ Roses como headliner. Para encerrar a passagem, o grupo desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril, dividindo o palco do Qualistage com Jayler e as lendas do Lynyrd Skynyrd. Em conversa via Zoom com o Blog n’ Roll, Marc LaBelle não escondeu o entusiasmo. Direto da Califórnia, o vocalista revelou que a expectativa para tocar na América do Sul é antiga, alimentada por relatos de bandas amigas como Guns N’ Roses e Black Crowes sobre a energia surreal do público brasileiro. “Eles dizem que é um dos melhores do mundo”, afirmou Marc, que já está até tentando arriscar algumas palavras em português para as apresentações. Além da ansiedade pela estreia, a banda traz novidades na bagagem. Atualmente em estúdio trabalhando no sucessor do elogiado álbum Can’t Find the Brakes (2023), LaBelle sugeriu que o público brasileiro pode ser o primeiro no mundo a ouvir composições inéditas ao vivo. Para ele, o palco é o lugar onde a verdade da música aparece, longe da perfeição estéril dos computadores e da inteligência artificial. A paixão de Marc, no entanto, não se restringe apenas aos palcos. Durante a entrevista, o músico traçou paralelos interessantes entre a disciplina necessária no rock e sua dedicação aos esportes, como o hóquei no gelo e o surfe. Essa mentalidade de “atleta” se traduz em uma performance vigorosa e em um respeito profundo pelas instituições do gênero, como o próprio Lynyrd Skynyrd, com quem ele está ansioso para dividir a noite no Rio. Leia entrevista completa abaixo. Esta é a primeira vez do Dirty Honey no Brasil e vocês têm uma agenda cheia: Monsters of Rock, show solo em São Paulo e um show com o Lynyrd Skynyrd no Rio. O que você ouviu de bandas amigas, como Guns N’ Roses ou Black Crowes, sobre o público brasileiro? Que eles são incríveis e alguns dos melhores do mundo. Então, sim, estamos super empolgados para descer e vivenciar isso por nós mesmos e, finalmente, tocar na América do Sul. Demorou muito e estava na nossa lista de desejos há bastante tempo. Eles te deram alguma dica? Acabei de receber uma hoje cedo: começar a aprender um pouco de português. Tipo “olá, como vai você?”. Eu sei essas, claro. Preciso descobrir como apresentar algumas músicas em português ou dizer algo como “é um prazer estar aqui”, algo bom. Vamos bolar algo legal. E com três shows em formatos diferentes, um festival enorme e duas casas menores, como vocês planejam o setlist? Tem espaço para surpresas no show do Dirty Honey? Sim, bem, estamos trabalhando em um novo álbum desde que terminamos a turnê em outubro, então esperamos que as músicas estejam prontas quando chegarmos aí. Estaremos no estúdio praticamente todo esse tempo antes do festival. Se as músicas estiverem prontas e nos sentirmos confiantes para tocá-las, apresentaremos material inédito. Então os brasileiros podem ser os primeiros a ouvir? Pode ser, sim. Só espero que fiquem prontas a tempo. No Rio, vocês dividem o palco com o Lynyrd Skynyrd. Sendo o Dirty Honey uma banda que revitaliza o classic rock, como é dividir o cartaz com uma das maiores instituições do gênero? Já teve chance de falar com o Johnny Van Zant sobre essa parceria? Não, ainda não. Será a primeira vez que tocaremos especificamente com eles. Somos grandes fãs de Skynyrd, obviamente. É uma formação diferente da banda dos anos 70, mas acho que será incrível. Eles têm tantas músicas fundamentais do rock and roll. É louco pensar que tocaremos com dois gigantes (Skynyrd e Guns N’ Roses no Monsters). Estou animado para ver o show deles como fã. Vocês já abriram para KISS, Guns N’ Roses e Slash. Qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu observando esses veteranos da lateral do palco todas as noites? Acho que todos esses caras são apaixonados pela carreira, pela música e pela performance. Se você faz pelas razões certas, porque ama, o sucesso te encontra. Vejo o mesmo nos esportes. Eu jogo muito hóquei aqui na Califórnia e surfo. O sucesso encontra os atletas que são mais apaixonados pelo jogo, eles não praticam incessantemente só porque amam praticar, mas porque querem melhorar no jogo que tanto amam. É o mesmo com a composição. Slash ama tocar guitarra, é o verdadeiro amor dele. Chris Robinson ama cantar e fazer turnê. Para ter longevidade, não dá para fingir. Gene Simmons ama ganhar dinheiro (risos), ele vai continuar lá enquanto puder. Já que mencionou esportes, vi nas redes sociais que você foi para Milano Cortina (Jogos Olímpicos de Inverno). Você gosta tanto de esportes quanto de música? Eu cresci em Nova York, perto de Montreal, e joguei hóquei a vida toda. Tenho amigos que jogaram nas Olimpíadas. Foi uma experiência única assistir ao jogo da medalha de ouro, que acabou sendo lendário. E eu amo a Itália, morei lá no passado e volto várias vezes por ano. Foi a união de duas paixões: hóquei e Itália. Meu empresário também é fã de hóquei e fomos juntos. Eu já fui aos EUA, mas nunca vi hóquei, apenas NBA, NFL, UFC e beisebol. Meus dois esportes favoritos de ver ao vivo são hóquei e futebol. Beisebol é um pouco lento. O futebol americano também é lento e muito interrompido pelos comerciais da TV. Acho que a cultura sul-americana e europeia gostaria muito de hóquei no gelo porque é muito rápido e agressivo. Tem semelhanças com o futebol
Jayler e Dirty Honey comandam sideshow do Monsters of Rock em São Paulo

O Monsters of Rock anunciou uma noite especial em São Paulo antes da realização do festival. No dia 2 de abril, a Audio será palco de um esquenta que reúne duas apostas da nova geração do rock: Dirty Honey e Jayler. A proposta vai além de um simples warmup e coloca frente a frente duas das bandas mais eletrizantes da atualidade. A apresentação funciona como uma prévia do clima que deve tomar conta do Monsters of Rock, oferecendo ao público a oportunidade de ver os grupos em ação em um show dedicado, com estrutura completa. A expectativa é de casa cheia para acompanhar o peso e a energia que têm colocado as bandas em destaque no cenário internacional. Os ingressos começam a ser vendidos no dia 19 de fevereiro, pela Eventim, com valores entre R$ 225,00 e R$ 550,00, além da opção de parcelamento em até quatro vezes sem juros.
Jayler entra na programação do show do Lynyrd Skynyrd no Rio

O show do Lynyrd Skynyrd no Rio de Janeiro acaba de ficar ainda mais pesado, e interessante. A produtora Mercury Concerts confirmou que a banda britânica Jayler será a atração especial na noite de 5 de abril, no Qualistage. Eles se juntam ao lineup que já contava com o Dirty Honey, transformando o evento em uma verdadeira celebração da história do rock, reunindo três gerações distintas no mesmo palco: os lendas do southern rock dos anos 70, a renovação do hard rock americano e a nova promessa do rock britânico. Quem é a banda Jayler? Se você ainda não conhece, vale a pena ficar de olho. Formado em 2022 no Reino Unido, o Jayler é aquele tipo de banda que nasceu de um open mic e explodiu rápido. O quarteto traz uma energia setentista visceral, com riffs marcantes que lembram a era de ouro do rock clássico. Com o EP de estreia A Piece in Our Time (2023) e o single recente Riverboat Queen (2025), eles vêm conquistando espaço em festivais europeus e agora desembarcam no Brasil para mostrar a que vieram. Dirty Honey e os veteranos Além dos novatos, a noite conta com o Dirty Honey, banda de Los Angeles que fez história ao topo da Billboard Mainstream Rock de forma independente e já rodou o mundo com Guns N’ Roses e KISS. E, claro, a noite encerra com o Lynyrd Skynyrd. Com mais de 50 anos de estrada, a banda liderada por Johnny Van Zant promete o desfile clássico de hinos como Sweet Home Alabama e, obviamente, aquele solo interminável e maravilhoso de Free Bird. Turnê pelo Brasil Vale lembrar que o Lynyrd Skynyrd tem uma agenda cheia no Brasil em abril de 2026: Serviço: Rio de Janeiro Para o show no Qualistage, os ingressos estão à venda exclusivamente pela Eventim.