Eagle-Eye Cherry retorna a São Paulo em julho; relembre nosso papo exclusivo com o cantor

O cantor e compositor Eagle-Eye Cherry, dono de hits atemporais como Save Tonight, Falling In Love Again e Streets of You, desembarca em São Paulo no dia 25 de julho de 2026 para uma apresentação única no Tokio Marine Hall. Se você acompanha o Blog n’ Roll, sabe que a relação do artista com o palco é sagrada. E quem diz isso é o próprio. “A energia que vem do palco” Em uma entrevista exclusiva recente concedida ao nosso blog, Eagle-Eye Cherry abriu o coração sobre como a troca com os fãs molda sua música. Ao falar sobre suas composições mais recentes, ele nos revelou que o objetivo era capturar a eletricidade das apresentações ao vivo: “Queria levar… essa energia que vem do palco e do público”, contou ele ao Blog n’ Roll. (Você pode ler essa entrevista completa e entrar no clima do show clicando aqui). Essa declaração é a prova de que o show do dia 25 de julho não será apenas uma reprodução mecânica de sucessos de rádio, mas uma noite de conexão real e intensa, exatamente como ele gosta. Venda de ingressos As vendas começam já nesta semana, então configure o alarme: Serviço – Eagle-Eye Cherry em São Paulo

Entrevista | Eagle-Eye Cherry – “Queria levar para Become a Light essa energia que vem do palco e do público”

Desde os tempos de Save Tonight, Eagle-Eye Cherry construiu uma carreira marcada por reinvenção e honestidade musical. Filho do lendário jazzista Don Cherry, ele sempre transitou entre os mundos do jazz, do rock e do pop com naturalidade e curiosidade artística. Ao longo das décadas, manteve-se fiel ao palco, dizendo que ali se sente “em casa”, mesmo em meio às mudanças da indústria da música. Em Become A Light, seu sétimo álbum de estúdio, ele retoma as guitarras e capta a energia e o sentimento do rock e do pós-punk com os quais cresceu ouvindo. Metade do disco foi gravada em Los Angeles, ao lado de Jamie Hartman e Mark Stoermer (The Killers), e a outra metade na Suécia, com Peter Kvint. O primeiro single, Hate To Love, nascido de uma sessão espontânea no Sunset Marquis, mostra bem esse espírito de fluidez criativa e conexão com o instante. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Eagle-Eye Cherry nos leva para dentro desse processo de retomada artística: ele fala de memórias da origem do seu nome, o primeiro instrumento que aprendeu, da influência do legado familiar, da escolha de covers no setlist, das relações entre os ambientes americano e sueco de gravação, e das emoções da perda de sua mãe que alimentaram o álbum. Você quer explorar mais o rock nesse álbum. De onde veio esse desejo de revisitar esse som? Acho que foi algo natural, porque é uma continuação do que eu estava fazendo no meu último álbum, Back on Track. Eu queria capturar a energia que tínhamos nos shows ao vivo, então entrar com a banda no estúdio o mais cedo possível depois de tocar foi essencial. Queria levar para o disco essa energia que vem do palco e do público. Depois, comecei a escrever músicas que senti que faltavam no setlist, canções com mais energia e movimento. Foi um processo bem espontâneo, e naturalmente o som acabou ficando mais alto e com mais guitarras. Durante a pandemia, você mencionou revisitar discos da sua adolescência, como London Calling, do The Clash. Quais outros álbuns te inspiraram nesse processo? Durante a pandemia, comecei a ouvir os discos que comprava quando era adolescente. Não é que eu quisesse fazer algo que soasse como The Clash ou Sex Pistols, mas queria resgatar aquela sensação de energia e descoberta musical que eu tinha naquela época. Isso me inspirou muito a compor novamente. Musicalmente, porém, acho que estou mais próximo do universo do Tom Petty, que sempre soube equilibrar a sensibilidade pop com o som do rock americano tradicional. Como foi trabalhar com Mark Stoermer, do The Killers, nesse álbum? Foi ótimo. Nós nos conhecemos em Los Angeles, e logo começamos a escrever Hate to Love. Estávamos desenvolvendo a ideia do verso quando o Jamie Hartman apareceu no estúdio, ouviu o que estávamos fazendo e trouxe a ideia do refrão. Em poucas horas, a música estava pronta. Foi um processo muito fluido e inspirador. Foi realmente uma boa dobradinha. Qual é a principal diferença entre gravar nos Estados Unidos e na Suécia? Por eu ser meio americano por parte de pai e meio sueco por parte de mãe, é algo muito natural para mim. Quando estou nos Estados Unidos, me sinto sueco. Quando estou na Suécia, me sinto americano. Gosto de ir e vir, visitar as duas partes de mim mesmo. Tenho grandes conexões com músicos suecos, e a maioria da minha banda é de lá, então é natural gravar também na Suécia. Esse equilíbrio me faz bem. O título Become A Light carrega uma forte carga emocional, especialmente ligada à memória da sua mãe. Como isso se refletiu nas músicas? Sim, essa é a essência do álbum. A faixa-título nasceu num dia em que eu estava lembrando o funeral da minha mãe, que faleceu em 2009. A canção fala sobre aquele sentimento de perda, mas também sobre estar vivo e sentir o vento, os cheiros, as pessoas em volta. Era como se ela ainda estivesse ali, transformada em luz. Foi uma experiência muito profunda, e é daí que vem o nome Become A Light. Seu pai, Don Cherry, teve grande influência artística. Qual parte do legado dele você mais tenta honrar? Meu pai sempre dizia para manter as coisas simples. Quando eu tentava complicar demais na bateria, ele me lembrava disso. Até hoje, ouço essa voz na minha cabeça no estúdio. Ele também me ensinou a dar espaço aos músicos, a deixá-los se expressar. Às vezes, as ideias deles são até melhores do que as minhas. Essa generosidade musical é algo que herdei dele. Já que você falou de tocar na infância, qual foi o primeiro instrumento que você aprendeu a tocar? Bateria. Na verdade, eu quebrei o dedo quando era criança tocando, então aprendi do jeito difícil. Mais tarde, descobri a guitarra, que acabou sendo o instrumento que realmente me abriu as portas para o meu som e onde sinto que minha voz combina melhor. Você costuma dizer que o palco e a estrada são seus lugares favoritos. Por quê? Acho que porque cresci assim. Meu pai levava a família nas turnês, e quando comecei a excursionar com meu primeiro álbum, percebi que aquele era meu segundo lar. Tudo faz sentido quando estou na estrada — as composições, as gravações, as entrevistas. Tocar ao vivo é o coração de tudo. Hoje é mais confortável, claro, mas ainda mantenho essa essência. E é importante ter boas pessoas na equipe, porque uma só pode arruinar toda a harmonia. E já que a vida é na estrada, onde você está neste exato momento? Estamos em Dijon, na França. Tocamos em Bordeaux há alguns dias e agora estamos seguindo para a Alemanha. Esses shows já são da turnê nova, então gostaria de saber como têm sido os primeiros shows da tour Become A Light? As reações do público surpreenderam você? Foi incrível. O público tem reagido muito bem às novas músicas, e estamos misturando faixas de vários álbuns. Na França, tenho uma ótima relação com os

Entrevista | Eagle-Eye Cherry: “O que tem de errado com esse cara (Bolsonaro)?”

Quando o cantor sueco Eagle-Eye Cherry gravou o seu último single, I Like It, o mundo ainda não havia virado de cabeça para baixo. Era março de 2020 e a pandemia do coronavírus estava prestes a mudar nossas vidas. Em resumo, a alegria da faixa pode ser vista como um último suspiro de alegria antes dos tempos sombrios ou um recomeço com a vacinação avançando no mundo inteiro. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Eagle-Eye Cherry falou sobre essa mudança no mundo, o novo álbum, que deve sair em 2022, o single de estreia, entre outros assuntos. Confira o resultado dessa conversa abaixo. Como foi lidar com o isolamento social em virtude da pandemia do coronavírus? Como todos nós lidamos? Tem sido muito estranho, 17 meses. Terminamos a última tour no Brasil. Foi o último show da tour. Quando cheguei em casa, finalmente, tirei um tempo livre e então fui fazer algumas músicas novas. Não voltei para tour. Tempo de desafio, não estava acreditando que fosse conseguir terminar, porque antes de iniciar, eu não tinha completado uma tour de um ano. Foi muito bom! Se eu tivesse que parar no meio da tour, ficaria muito mal. Voltei para a vida normal, voltei para o estúdio antes do lockdown. Gravei novas canções. O mundo pode ser diferente pós pandemia? Quando era mais jovem, achava que podia salvar o mundo. E, agora que sou mais velho, o mundo continua me decepcionando. Estou feliz que o homem (Donald Trump) que estava governando os EUA não está mais lá. Tempo de frustração. O mundo pode melhorar, eu não acho que nunca haverá paz na terra, porque há muitas pessoas egoístas e loucas, a maioria dos homens que governam o mundo. É uma vergonha. O cara que governa o seu país (Jair Bolsonaro) é um deles. O que tem de errado com esse cara? Quando existem líderes, no meu ponto de vista, e é tão óbvio que não são boas pessoas, eles não se importam com ninguém, além de si próprios. Aliás, não consigo entender como alguns apoiam essas pessoas. Muito estranho. I Like It, novo single de Eagle-Eye Cherry, traz uma alegria contagiante. Como surgiu essa canção? Quando gravei I Like it e mais algumas músicas no estúdio, acho que em março de 2020, o meu plano era gravar mais alguns sons. Estava nessa vibe, queria aquela energia, estava ouvindo muita música. O primeiro álbum que comprei foi London Calling, do The Clash, depois veio Ramones, Talking Heads e todas essas coisas diferentes. Naquele período, eu ouvia muito, mas minha composição não soava exatamente como isso. No entanto, a energia era deste tipo de rock positivo. Fiz algumas músicas, mas, como você disse, o tempo passou e escrevi muitas outras. Neste período de lockdown, escrevi mais musicas do que precisava para o álbum. Precisava escolher, e não tinha certeza como o álbum ia ficar. Mas tinha algumas músicas que gostei mais. Como foi o processo de gravação desse álbum? Você conseguiu fazer tudo em Estocolmo? Estou em Estocolmo, estou aqui, não tenho muita escolha. O álbum que gravei usei a banda que estava na tour, queria captar a mesma energia da apresentação ao vivo. Não tinha motivo para não gravar aqui em Estocolmo, que tem um estúdio fantástico, o Atlantis, melhor gravar lá. Quando fizermos a sessão seguinte, em setembro, acho que faria aqui, mas agora que perguntou, estou repensando. Parece um pesadelo não viajar. Adoro voltar para casa, é também um bom lugar para morar. No entanto, Estocolmo é muito previsível. Não é como Nova York, você abre a porta e não sabe o que vai acontecer. Você é sempre surpreendido em Nova York. Talvez pegue a banda e vá para outro lugar. Vamos ver. Buscou alguma referência musical que não fazia parte das suas influências? Quando você escreve uma música, com pessoas que você tem conexão, como Streets of You e I Like it, quando você entende como vai ser a música, ela te diz como será. Quando você está fazendo uma música, algumas exigem mais guitarra, mais energia. Não sou o tipo de artista que ouve uma música e quer fazer igual ao que ouviu. Eu quero que pareça algo baseado no agora, e no som da guitarra, baixo e bateria. Gosto de achar o equilíbrio. Fico muito feliz quando encontro esse equilíbrio. Eu sou eu mesmo, não como em 1998 (início da carreira). Do que o Eagle-Eye Cherry sentiu mais falta nesse período? Já consegue se imaginar excursionando pelo mundo? Consigo imaginar fazendo tour, gostaria de fazer logo. Amo tocar ao vivo. Quando você tem um retorno, um feedback do público. Você escreve uma música, grava e acha que está boa. Mas é ao vivo que você tem a melhor resposta. É quando você sabe que músicas funcionam mais. Eu adoro pessoas, encontra-las depois dos gigs. É quando a música faz sentido para mim. Eu sinto falta e não vejo a hora de voltar. Não voltarei as tours até o ano que vem, então tenho que esperar. Durante a pandemia, você participou de um festival online no Brasil. Como foi essa participação? Gostaria muito que o Brasil tivesse a pandemia controlada. Mais vacinas para as pessoas. Fiz alguns streaming gigs. Eu prefiro tocar ao vivo, como já disse antes. Eu faço gigs por necessidade, mas não vai ser sempre. Alguns artistas farão mais e mais.