Entrevista | Radwimps – “Queríamos recuperar a inocência que tínhamos quando começamos”

Com duas décadas de uma carreira marcada pela versatilidade e por trilhas sonoras que se tornaram fenômenos globais, o grupo japonês Radwimps vive um de seus momentos mais emblemáticos. Para celebrar essa trajetória, a banda acaba de lançar na Netflix o filme RADWIMPS 20th ANNIVERSARY LIVE TOUR, registrando a energia arrebatadora de uma turnê que esgotou arenas e sintetizou vinte anos de história em uma única noite. Mais do que uma retrospectiva, o projeto capta o quarteto em um momento de reinvenção. O repertório do show equilibra com maestria os novos caminhos explorados no álbum recente, Anew, e os clássicos atemporais que moldaram o J-Rock moderno. Para os fãs internacionais, especialmente os brasileiros que acompanham a banda de longe, o lançamento na plataforma de streaming funciona como um passaporte exclusivo para a experiência de seus shows ao vivo. A turnê também foi palco de reencontros históricos e carregados de emoção. Um dos grandes destaques do registro é a participação surpresa do baterista Satoshi Yamaguchi durante o bis, tocando o icônico single de estreia do grupo. O momento simbolizou não apenas o respeito ao passado, mas a forte conexão que mantém os integrantes unidos desde a adolescência, quando passavam dias trancados em estúdio moldando a identidade da banda. Globalmente aclamados pelas trilhas sonoras dos premiados longas-metragens de Makoto Shinkai, como Your Name, Weathering With You e Suzume, os músicos trazem na bagagem uma rica bagagem cinematográfica. Essa experiência com grandes orquestrações e narrativas visuais acabou transformando também a forma como compõem para seus discos de estúdio, refinando ainda mais a versatilidade que é marca registrada do grupo. Em uma entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o vocalista Yojiro Noda e o baixista Yusuke Takeda abriram o jogo sobre os desafios de resumir 20 anos em um setlist, a busca por recuperar a inocência do início da carreira e o desejo genuíno de cruzar o oceano para se conectar com o público brasileiro. Confira o papo na íntegra a seguir. Como é saber que os fãs do mundo todo agora poderão vivenciar o filme da turnê RADWIMPS 20th ANNIVERSARY LIVE TOUR na Netflix, especialmente aqueles que talvez nunca tenham visto vocês ao vivo no Japão? Yojiro: Nossa música chega às pessoas de maneiras que nunca imaginamos. As pessoas nos encontram por todos os tipos de portas de entrada e até vão aos shows. Somos muito gratos. O fato de as pessoas nos ouvirem é o que nos impulsiona a seguir em frente, isso é algo que nunca esqueceremos. O show conta com 21 músicas, misturando faixas do novo álbum Anew com clássicos como Sparkle. Como vocês fizeram a curadoria dessa setlist para condensar duas décadas de história em uma única noite? Yojiro: Isso foi difícil porque o nosso álbum mais recente, Anew, era um trabalho que merecia uma turnê própria, mas esta era a nossa turnê de 20º aniversário. Então, montar essa setlist foi quase impossível. Para a turnê de 20 anos, não tivemos escolha a não ser tocar as músicas mais antigas. Eu cheguei a pensar seriamente em consultar uma inteligência artificial. O baterista Satoshi Yamaguchi fez uma aparição surpresa durante o bis para tocar o single de estreia de vocês, 25kome No Senshokutai. Como foi para vocês compartilhar o palco com ele novamente em um momento tão simbólico? Yojiro: Nós realmente passamos nossa adolescência e todos os nossos 20 anos juntos, trancados no estúdio por dias a fio, constantemente dizendo ao Satoshi: “Mais! Não, não é isso, tem que ter algo mais”. Era quase uma loucura. Mesmo agora, quando as escuto, as viradas e frases do Satoshi são simplesmente de cair o queixo. Ele é um baterista único, e eu fiquei verdadeiramente feliz em tocar com ele de novo. Olhando para trás, desde a estreia em uma grande gravadora em 2005 até esgotar 17 arenas nesta turnê, qual foi a maior lição ou mudança na dinâmica do Radwimps como banda? Yusuke: A mudança na formação com certeza foi marcante. Yojiro: O Radwimps sempre absorveu muitos gêneros e formatos como nutrientes. Eu também lancei um álbum solo em 2024, o que me fez pensar ainda mais sobre quais coisas interessantes podemos fazer agora como banda. Isso coincidiu com o momento do aniversário de 20 anos, e eu quis reexperimentar aquele sentimento de invencibilidade de quando começamos, com todo mundo tocando “junto e ao mesmo tempo”. O filme da turnê apresenta faixas do álbum mais recente de vocês, Anew. O que o título deste álbum representa para a banda neste momento? Vocês estão entrando em uma “nova era” após atingirem o marco de 20 anos? Yojiro: Assim como o título e a capa (um ovo) representam, nós queríamos recuperar a inocência que tínhamos quando começamos a banda. Se de alguma forma eu acabei solidificando ou engessando a imagem do Radwimps, queria genuinamente começar do zero de novo, como um ovo recém-chocado. O álbum é movido por essa intenção. Suas trilhas sonoras para os filmes de Makoto Shinkai (Your Name, Weathering With You, Suzume) são aclamadas mundialmente. Como a experiência de compor para o cinema influenciou a maneira como você escreve músicas para os álbuns de estúdio regulares? Yojiro: Não há dúvidas de que o Makoto Shinkai me ajudou a abrir horizontes na minha visão artística dentro da música pop. Durante a produção de Your Name., quando estava na verdade lutando contra um conflito interno, ele conseguiu quebrar todas as barreiras que eu tinha imposto a mim mesmo. Acho que foi uma experiência fantástica, mas também percebi, enquanto fazia este álbum, que a música para mim sempre foi sobre anarquia e um sentimento antiestablishment, em outras palavras, contracultura, e essa sensação de alguma forma estava desaparecendo. Então, acho que fiz o álbum mais recente, Anew, tentando resgatar mais uma vez os sentimentos que eu tinha quando comecei a banda. Para Suzume, você colaborou com o compositor Kazuma Jinnouchi. Como foi essa experiência e o que ela trouxe para a identidade musical da banda? Yusuke: Ele tem muito conhecimento que nós não temos,

Toe confirma data extra em São Paulo após esgotar primeiro show

Se você piscou e perdeu os ingressos para ver o Toe no Cine Joia, a sua chance de redenção chegou. A Balaclava Records anunciou uma data extra para o quarteto japonês em São Paulo: dia 18 de setembro de 2026 (sexta-feira). A primeira data (17/09) teve seus ingressos esgotados rapidamente, provando que o público brasileiro estava ávido pelo retorno dos mestres do math rock e post-rock. Com 25 anos de estrada, o Toe é uma das poucas bandas que consegue equilibrar a complexidade técnica do jazz com a urgência emocional do hardcore, criando uma sonoridade instrumental que é, ao mesmo tempo, cerebral e visceral. Fenômeno Toe Para quem ainda não conhece, a banda é famosa pelas performances explosivas, centradas na bateria técnica e frenética de Kashikura Takashi. O som do grupo é uma tapeçaria onde guitarras acústicas e elétricas se entrelaçam sobre bases rítmicas imprevisíveis. Álbuns como The book about my idle plot on a vague anxiety são considerados pilares do gênero e devem ser o cerne do setlist dessa passagem pelo Brasil. Ingressos Os ingressos para a data extra já estão à venda no site da Ingresse. Para quem quer economizar e garantir o bilhete sem a taxa de conveniência, o ponto físico oficial continua sendo o Takkø Café, na Vila Buarque, um local que combina perfeitamente com a estética indie e sofisticada do evento. Serviço: Toe (Japão) – Data Extra em SP Ponto de venda físico (sem taxa)

Mono retorna a São Paulo com a turnê do álbum “Oath”

O quarteto japonês Mono confirmou seu retorno ao Brasil. A banda de post-rock se apresenta no Fabrique Club, em São Paulo, no dia 24 de abril de 2026. A apresentação faz parte da turnê mundial do álbum Oath (o 12º da carreira), além de celebrar os 25 anos de trajetória do grupo, que hoje é considerado um dos pilares do rock minimalista e instrumental contemporâneo. Último adeus a Steve Albini A fase atual do Mono está intrinsecamente ligada à parceria de décadas com o lendário engenheiro de som Steve Albini (Nirvana, Pixies), que faleceu em maio de 2024. O álbum Oath foi gravado inteiramente em fita analógica no estúdio Electrical Audio, em Chicago, sob a tutela de Albini. O resultado é uma dinâmica sonora que respira: do silêncio absoluto a massas sonoras que ultrapassam 110dB, sem as correções digitais da indústria moderna. Ao vivo, a banda mantém essa filosofia orgânica. Um dos diferenciais técnicos do Mono é a rejeição ao uso de metrônomos digitais (click tracks), priorizando a flutuação natural do tempo e a conexão entre os músicos Takaakira “Taka” Goto, Hideki “Yoda” Suematsu, Tamaki Kunishi e Dahm Majuri Cipolla. O que esperar do show? O roteiro musical para 2026 é uma viagem pela evolução do grupo. O show deve começar com a atmosfera orquestral de Oath (com uso de sintetizadores vintage e metais), passar pela densidade de Nowhere Now Here (2019) e culminar nos clássicos explosivos de Hymn to the Immortal Wind (2009), como a épica Ashes in the Snow. A realização é da Maraty, com suporte da Powerline Music & Books e Heart Merch. * Mono em São Paulo

Deviloof traz o metal extremo do Japão ao Porão do Rock

O DEVILOOF está de volta ao Brasil. Após uma passagem pelo Jai Club (São Paulo) em 2024, a banda será uma das atrações do Porão do Rock em Brasília no dia 22 de maio, com um sideshow no La Iglesia, também em São Paulo, dois dias depois. Formado em Osaka em 2015, o DEVILOOF se consolidou rapidamente como um dos nomes mais extremos e comentados da cena pesada japonesa contemporânea. A banda ganhou notoriedade por levar o visual kei (movimento japonês que une rock/metal a uma estética visual teatral e marcante) a um território pouco explorado, combinando deathcore, brutal death metal, metalcore e elementos do black metal em uma proposta sonora marcada pela agressividade e pelo impacto visual. Desde o lançamento do primeiro single, Ruin, em 2015, o grupo passou a chamar atenção no circuito independente japonês. O material de estreia alcançou a 12ª posição nas paradas independentes do país, um feito significativo para uma banda com sonoridade tão radical. A repercussão abriu caminho para convites em festivais maiores e levou o DEVILOOF a representar o Japão no Metal Battle Global, competição que resultou em uma apresentação no Wacken Open Air, um dos festivais mais importantes do metal mundial. A discografia da banda inclui os álbuns Devil’s Proof, de 2017, Oni, lançado em 2019, e Dystopia, de 2021. Este último marcou um salto na projeção internacional do grupo, figurando em rankings de metal em diversos países e ampliando o alcance do DEVILOOF para além do público japonês. O reconhecimento fora da Ásia foi impulsionado tanto pela produção sonora extrema quanto pela construção visual da banda, que se tornou um de seus principais diferenciais. Segundo dados do Spotify, das cinco cidades que mais ouvem a banda, três ficam na América Latina (Cidade do México, Santiago e São Paulo) e uma na Europa (Londres). No palco, o DEVILOOF é conhecido por apresentações de alta intensidade, com vocais guturais extremos, riffs técnicos e uma performance física agressiva. Essa combinação transformou faixas como Devil’s Proof, Damnation e Newspeak em referências do metal japonês moderno. Vídeos oficiais e registros ao vivo viralizaram em plataformas como YouTube e TikTok, ajudando a consolidar uma base de fãs global. Nos últimos anos, a banda intensificou sua atuação fora do Japão, participando de turnês e festivais internacionais. Em 2024, realizou sua primeira passagem pela América do Sul, com shows bem recebidos pelo público brasileiro. O retorno ao país acontece em meio à Inherited Blasphemy Tour, fase que reafirma o DEVILOOF como um dos principais representantes do metal extremo japonês na atualidade. A sua primeira apresentação em festival no Brasil simboliza mais um passo na expansão internacional do grupo e reforça o interesse crescente do público ocidental por propostas extremas vindas do Japão, colocando o DEVILOOF no centro desse intercâmbio entre cenas distintas, mas conectadas pela busca por experiências sonoras cada vez mais intensas.

Rosalía mergulha na cultura do Japão em vídeo de Tuya

A cantora Rosalía lançou Tuya. Seguindo a exploração sonora de seu inovador álbum Motomami, Tuya é uma canção sensual e livre, produzida por Rosalía e outros colaboradores, apresentando reggaeton misturado com sons do koto, o instrumento nacional do Japão. Para Rosalía, uma das artistas visualmente mais fascinantes da cena atual, uma música não está completa sem um videoclipe de vanguarda para acompanhá-la. Filmado inteiramente no Japão, o vídeo mostra Rosalía e um companheiro peludo vagando pelas ruas, pensativa enquanto desfruta dos encantos de Tóquio. O vídeo é uma carta de amor ao Japão, país pelo qual Rosalía sente grande carinho e respeito. Rosalía há muito se inspira na comunidade, música e arte do Japão: um de seus lugares favoritos para viajar a trabalho e a lazer. “Explorar faz parte de quem eu sou como artista musical, e no caso de Tuya inspirações como reggaeton, instrumentos japoneses, flamenco e techno gabber coexistem no mesmo nível.” Tuya marca o primeiro lançamento musical de Rosalía desde RR, seu projeto conjunto de três músicas com seu parceiro, Rauw Alejandro, ícone do reggaeton.