“Sabor Pop Punk” da gaúcha Estragonoff faz versões de clássicos da lambada

A banda de Porto Alegre Estragonoff lançou, na segunda-feira (2), o primeiro volume do EP Sabor Pop Punk, que conta com três versões de sucessos da lambada dos anos 80 e início dos 90. Tieta, Me Chama Que Eu Vou e o medley de Haja Amor, Adocica e Baby Doll de Nylon foram as faixas apresentadas em ritmo punk / hardcore pelo grupo formado em 2003, e composto atualmente por Giordano Larangeira (voz), Murillo Santos (guitarra), Pedro Alexandre (baixo) e Rafael Garske (bateria). “Todas as músicas vieram da vivência dos anos 80/90. Seja na TV ou cinema. O primeiro volume do Sabor Pop Punk tem Sidney Magal, Luiz Caldas, Robertinho do Recife e Beto Barbosa. Claro, como somos uma banda de hardcore e pop punk, colocamos as letras nas melodias que gostamos de tocar. Criamos o nosso lambacore”, diz Rafael Garske. Assinado pela gravadora Grudda Records, o EP produzido por Davi Pacote, é acompanhado de três vídeos dirigidos por Alexandre Birck. Nas imagens, de acordo com o baterista, a banda quis mostrar sua irreverência e energia. “Somamos a isso a experiência do karaokê, afinal são músicas que todo brasileiro já teve contato e sabe a letra. Poder trazer uma atmosfera de nostalgia, mas contendo uma novidade, um novo olhar sobre essas músicas”. Além de bandas como Dead Fish, CPM22, Blink 182, New Found Glory e Me First and the Gimme Gimmes, a Estragonoff foi influenciada por coletâneas e artistas que ‘invadiam’ o antigo Napster com versões em estilos hardcore e pop punk. “Quantas vezes baixamos mp3 com o nome ‘Punk Covers’ sem saber o nome real da banda”, questiona Garske. “Nosso repertório é composto por músicas autorais e versões punk/hardcore de músicas que consideramos interessantes na nossa memória afetiva e musical”, completa.

Em Miolo do Oxente, Janu vai da lambada e arrocha ao indie e dream pop

Janu faz da sua música um mergulho pessoal, regional e universal, onde ritmos, estilos, líricas e sotaques se multiplicam e se combinam de modos inesperados. O novo disco, Miolo do Oxente, traz no título a intenção de entrar a fundo nas suas raízes, e ainda ir além. Sem se limitar aos estereótipos de um nordeste plural, ele une ritmos locais a outros vindos de longe. O resultado é uma coleção de canções habitadas por personagens e histórias que ampliam o escopo sonoro e lírico já apresentado no primeiro álbum, Lindeza. O álbum foi um inevitável produto da pandemia. Embora estivesse projetada antes do isolamento, a gravação ocorreu à distância, com Janu e Paulo Franco – cantor e músico da banda Gato Negro e prestes a lançar seu trabalho solo – se dividindo entre a produção musical e a gravação de todos os instrumentos. Entre idas e vindas digitais, foram se formando beats, harmonias e experimentações. “Algumas músicas, como Vey, Direção, Só e Miolo do Oxente seguem muito das inspirações no pop em seu sentido amplo – tanto no indie como na música popular mesmo. São misturas de arrocha e dream pop, piseiro e lambada francesa, guitarrada árabe e bregafunk. No disco tem de tudo isso. A ideia inicial era esse estudo sobre os pops – o pop pop e o pop popular”, resume Janu. Já canções como Viver é Massa e Dados Binários têm mais traços experimentais, com inspiração na neopsicodelia. Um exemplo disso é Caiu no Poço, que se inicia com um arranjo de I am the Walrus, dos Beatles, e uma inspiração em MGMT e Mané do Rosário – manifestação cultural tradicional de Alagoas. A faixa encapsula a ideia por trás do disco: explorar novos limites da canção e da musicalidade para além das expectativas. O lançamento vem na esteira de um resgate feito por Janu do repertório de seu primeiro álbum, Lindeza, em um show gravado ao vivo. Agora, o músico está pronto para uma nova fase criativa. Janu vem se tornando um expoente do efervescente cenário independente alagoano a partir de Arapiraca. O músico já acumula uma vivência musical que o projetou para plataformas de alcance nacional com o EP Matuto Urbano e músicas como Perdi La Night, que integra a trilha sonora do filme Morto Não Fala (Denninson Ramalho, Globo Filmes), e Teu Sorriso – esta última marca presença no filme O Retirante, do alagoano Tarcisio Ferreira, e no especial de 80 anos de Pelé. Com Miolo do Oxente, Janu olha para frente, sem deixar de reverenciar suas origens. “Esse é um disco que versa muito sobre caminhos, direção, retomada”, sentencia.