Crítica | Uma Garota de Muita Sorte

Engenharia do Cinema Certamente este é mais um dos famosos casos de projetos que durante seu desenvolvimento, houveram algumas discussões criativas sobre qual rumo o mesmo iria tomar. Inspirado em um popular livro de Jessica Knoll (que também adaptou o roteiro), “Uma Garota de Muita Sorte” tenta retratar assuntos delicados em um contexto, onde vemos que não há vida, muito menos empatia pelos personagens envolvidos. Sim, estamos falando de um projeto da Netflix, que mira falar que Mila Kunis é uma ótima atriz dramática (e quem sabe, faturar uma indicação para prêmios como Oscar), mas não passa disso. A história tem início com a rica e importante empreendedora Ani Fanelli (Kunis) que está prestes a se casar com Luke Harrison (Finn Wittrock). Mas a poucos dias da cerimônia, ela recebe um convite para participar de um documentário cuja temática envolve um tópico escuro de sua adolescência. O fato poderá colocar tudo em cheque, inclusive seu próprio casório. Imagem: Netflix (Divulgação) Confusão é a palavra que resume este projeto dirigido por Mike Barker, uma vez que ela aparentemente não tenta se preocupar em desenvolver uma atmosfera relevante para gostarmos de Ani e nos importarmos com ela. Sim, existem assuntos importantes e delicados sendo falados como violência sexual e assassinatos em massa (para não dar spoilers, optei por estas expressões), mas não é porque estamos falando disso, que obrigatoriamente tem de ser bom. Outra coisa totalmente que incomoda é que a tonalidade do filme entre o passado e presente, uma vez que o arco da jovem Ani (Chiara Aurelia) chega a ser mais interessante e impactante (tanto que o último arco, chega a dar um frio na espinha) do que a própria narrativa no presente (quando ela é vivida por Kunis). Quando deveríamos ver as duas na mesma proporção impactante, uma vez que neste arco, um tópico se resume a uma discussão sobre “não tocar a musica de um cantor acusado de pedofilia” (outro assunto pesado, mostrado de uma forma rasteira e extremamente comercial. “Uma Garota de Muita Sorte” acaba sendo mais uma adição no catálogo da Netflix, que devido a baixa qualidade ao retratar assuntos delicados, vai cair no esquecimento nas próximas semanas.
Crítica | Four Good Days

Engenharia do Cinema Este é aquele típico filme feito para chamar atenção das premiações e mostrar que determinadas atrizes têm um ótimo semblante dramático. No caso, Four Good Days junta a veterana Glenn Close com a atriz Mila Kunis que é conhecida mais por comédias e produções de ação. Ainda sem ter tido a oportunidade de mostrar seu talento em dramas, aqui só temos a comprovação que a mesma é realmente uma ótima atriz e que ela segura a trama com a própria Close. Kunis interpreta Molly, que após 10 anos envolvida com drogas resolve voltar para sua casa e ter um novo rumo em sua vida. Mesmo com a desconfiança de sua mãe (Close), ela a leva para uma clínica de reabilitação onde o médico lhe informa que para tomar a injeção de abstinência ela terá de ficar quatro dias sem usar nenhum tipo de droga. Eis que mãe e filha acabam vendo que este período pode se tornar uma eternidade. Imagem: Vertical Enterteiment (Divulgação) Apesar do diretor Rodrigo García não transpor absolutamente nada de anormal, e ser bastante operante em sua função, o show mesmo é sem dúvidas da dupla protagonista. Enquanto temos uma Close interpretando uma mãe traumatizada pelas ações de sua filha no passado, Kunis vive a filha totalmente destruída pelas drogas. Com um excelente auxílio da equipe de maquiagem, ela realmente pareceu uma pessoa destruída pelas drogas e chega até mesmo assustar (principalmente para os que já estão acostumados com o semblante da mesma). Agora com relação ao roteiro de Eli Saslow e do próprio Garcia, ele não é nem um pouco diferente de produções recentes como Querido Menino, que extrapola ao mostrar a verdade nua e crua de uma família que vive vários problemas por ter um filho drogado. As situações são sempre as mesmas, pelas quais qualquer pessoa com conhecimento deste tipo de comportamento, já deduz tudo o que virá no decorrer da narrativa deste filme. Four Good Days mostra um enredo já conhecido nos cinemas, pelos quais acaba se sobressaindo por conta da atuação excelente de Glenn Close e Mila Kunis.