Natália Xavier lança single “Gansos Selvagens” inspirado em Mary Oliver

A cantora e artista visual Natália Xavier apresenta uma obra que une profundidade poética e experimentação sonora. Ela lançou o single Gansos Selvagens, faixa que encerra uma série especial de quatro lançamentos contemplados pela Lei Aldir Blanc e pela Prefeitura de São Caetano do Sul. A inspiração para a música vem da literatura. A artista baseou a composição no poema homônimo da aclamada escritora Mary Oliver. Com isso, a faixa investiga uma “selvageria íntima”, transformando coragem e vulnerabilidade em música. Atmosfera ritual e raízes brasileiras Sonoramente, a canção constrói uma paisagem única. O arranjo guia o ouvinte através de percussões inspiradas no toque de barravento, enquanto as guitarras abrem frestas de ar na melodia. O resultado cria uma atmosfera de rito, convocando a persistência e o retorno ao próprio centro. Esse cuidado estético não é por acaso. Natália Xavier é uma artista múltipla, com mestrado em Poéticas Visuais pela Unicamp e formação musical sólida. Filha de mãe pernambucana e pai baiano, ela evoca tradições do Norte e Nordeste — como maracatu, coco e ijexá — para dar corpo às suas canções. Um ciclo artístico completo de Natália Xavier Gansos Selvagens marca o fim de uma etapa criativa importante, iniciada no segundo semestre de 2025. Antes deste lançamento, a artista apresentou as faixas Merthiolate não arde, Relampejo e Seiva. Além da música, Natália também assina a arte visual do single, reafirmando sua capacidade de costurar palavra, som e imagem. Vale lembrar que ela já possui o álbum Eu também sou teus rios (2022) e o livro de poemas Eu pedi pelos tigres no currículo. Portanto, este novo single consolida a trajetória de uma artista que transita com naturalidade entre a ancestralidade e a contemporaneidade.
Natália Xavier transforma raízes nordestinas em poético álbum

Primeiro álbum de Natália Xavier, Eu Também Sou Teus Rios foi imaginado como um diálogo íntimo e autoral da artista com sua ancestralidade nordestina. Coco de roda, maracatu, baião e afoxé povoam canções que trazem contornos contemporâneos de MPB, em uma investigação autobiográfica, porém universal, sobre noções de identidade e raízes. O disco amplia a poética introduzida nos primeiros singles para apresentar uma artista em pleno amadurecimento lírico, estético e musical. Natália Xavier faz música brasileira que abarca referências teatrais e poéticas, em um diálogo com suas origens, mas também com suas múltiplas formas de expressão, incorporando sua experiência como artista visual e poeta, além de cantora e compositora. Suas canções se guiam pela palavra poética e pelo potencial de imaginar novos mundos por meio da arte. “Tatear os corações das árvores que te precedem, para correr com a própria seiva por entre as fissuras do mundo”, resume Xavier. Ela é raiz-nordeste. O pai, baiano. A mãe, pernambucana: “O que pulsa no sangue é importante”, diz Natália, também mestranda em Artes pela Unicamp, atriz, escritora e astróloga tradicional. Vinda da poesia e do teatro narrativo, a criação musical de Natália é imensamente guiada pela palavra e por seu potencial imagético. O simbolismo das águas em fricção com a selvageria dos bichos guia o caminho em Eu Também Sou Teus Rios. Esse norte surge como acalanto e busca por sentidos em uma parceria com o músico Eder Sandoli, guitarrista conhecido por colaborar com nomes como Itamar Assumpção e Tom Zé e que assina também a direção musical do álbum. Tendo como referência o trabalho musical de Alceu Valença, Chico César, Lenine, Zeca Baleiro e a pesquisa sonora dos grupos A Barca, Raízes de Arcoverde, e da cantora Renata Rosa, a sonoridade do disco foi sendo tecida, ao longo de um ano, a várias mãos. Natália recebe parceiros como Marcelo Lemos, na faixa Revirada; Claudio Tegg, em Eu também Sou Teus Rios e Confios; Maria Fernanda Batalha surge em Penélope; e Dani Bambace e Leilor Miranda estão em Olho de tigre.