Mark Hoppus abre o jogo: Câncer, a “sinceridade” de Liam Gallagher e teorias da conspiração

Mark Hoppus

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Mark Hoppus, baixista e vocalista do Blink-182, abriu as portas de sua vida pessoal e carreira, tal como fez durante uma tour para divulgar sua biografia, no ano passado, na qual o Blog n’ Roll acompanhou em Boston. O músico, que se tornou um ícone do pop-punk, mostrou que sua trajetória vai muito além dos palcos: da criação de abelhas no interior da Inglaterra à venda de uma obra de Banksy por estresse, passando pela batalha brutal contra o câncer e memórias impagáveis com o Oasis. Confira os melhores momentos do papo: “Estou surpreso por estar vivo” O momento mais denso da conversa foi sobre sua sobrevivência ao linfoma difuso de grandes células B, diagnosticado há alguns anos. Hoppus não poupou detalhes sobre a dureza do tratamento. “Quando recebi o diagnóstico, meu médico disse… ‘Você só tem 60% de chance de sobreviver a isso’. A quimioterapia é como ser esmagado… Depois, quando eles te dão os medicamentos de verdade, você sente como se eles estivessem queimando as células cancerígenas do seu corpo, como se você estivesse pegando fogo por dentro.” Ele revelou que a última vez que chorou foi no palco, algo que considerou constrangedor, mas que reflete a carga emocional de estar vivo e tocando novamente. Encontro com o Oasis Hoppus confirmou uma lenda antiga sobre um encontro com o Oasis no início da carreira do Blink-182. A história envolve a típica “sinceridade” de Liam Gallagher. “Liam entrou no nosso camarim e disse: ‘Vocês são o Blink-182? Vocês são os melhores que eu já vi na América.’ Tom [DeLonge] disse: ‘Ah, que legal. Você gosta da nossa banda?’ e Liam respondeu: ‘Não, eu não disse que gosto da música de vocês. Eu só acho vocês legais’.” Tom DeLonge e os OVNIs Sobre a obsessão de seu companheiro de banda, Tom DeLonge, por alienígenas, Mark mantém seu ceticismo saudável, mas admite que a busca de Tom é antiga. “Desde que conheci Tom, quando viajávamos em uma van revezando a direção, ele ficava acordado a noite toda olhando para o céu, na esperança de ver um OVNI… Não acredito que a única vida no universo esteja aqui, neste pequeno planeta no meio do nada.” No entanto, Mark traça o limite nas teorias da conspiração sobre a Lua e o assassinato de JFK, que ele considera “absurdas”. Gótico do deserto e baixistas favoritos Relembrando a adolescência, Mark contou que cresceu numa base militar no deserto e se sentia sozinho até encontrar o skate e a música gótica. “Eu era muito fã do The Cure e me vestia de Robert Smith… ia para a escola todo de preto, com o cabelo preso, delineador preto e batom vermelho, o que não era exatamente o visual ideal para o meio do deserto.” E como um bom baixista, ele defendeu a classe (“Somos a cola, a ponte entre o ritmo e a melodia”) e listou seus favoritos: Peter Hook (New Order), Simon Gallup (The Cure) e a dupla de baixistas do Ned’s Atomic Dustbin. Situação atual dos Estados Unidos Questionado sobre o que acha da atual situação política e social dos Estados Unidos, Mark Hoppus disse que está confuso, assim como o mundo inteiro. “Acho que o mundo inteiro está confuso com o que está acontecendo nos EUA agora. Todo cidadão americano, apoiadores, dissidentes, resistentes, estão tipo: que diabos está acontecendo? Você tenta ler para chegar aos fatos reais, mas tudo é isca de cliques agora. São só manchetes feitas para te enfurecer. Estávamos sentados ao lado de um casal inglês tomando café da manhã outro dia e começamos a conversar, e a primeira coisa que eles perguntaram foi: “O que vocês acham do Trump?” Morando aqui na Inglaterra, eu não tinha percebido nenhum sentimento anti-americano ou algo do tipo por causa do nosso sotaque”. Você pode ler a entrevista completa (em inglês) no site do The Guardian.

Zak Starkey revela que nunca viu Liam e Noel brigarem no Oasis: “Só ríamos”

A fama de brigões dos irmãos Gallagher é lendária no mundo do rock, mas alguém que viveu o furacão por dentro tem uma versão bem diferente. Zak Starkey, que assumiu as baquetas do Oasis entre 2004 e 2008, revelou que Liam e Noel “nunca discutiram uma única vez” durante o tempo em que ele esteve na banda. Em entrevista ao New York Post, o músico (que também foi baterista do The Who) contestou a imagem de guerra constante. “Toquei com eles por cinco anos e tudo o que fazíamos era rir. Eles nunca discutiram nem uma vez. Nem uma única vez”, garantiu Starkey. Zak Starkey reforçou o argumento citando a convivência intensa no Oasis. “Fizemos 140 shows em turnê. Gravamos dois ótimos discos. Ensaiamos. Passamos muito tempo juntos. Nunca houve uma palavra áspera em cinco anos.” Profissionalismo britânico Apesar de incidentes públicos conhecidos daquela época, como quando Liam abandonou o palco na Itália em 2005 ou as discussões gravadas no documentário Lord Don’t Slow Me Down (2007), Starkey insiste que o ambiente interno era profissional. Segundo o baterista, a banda nunca reclamava de nada e a pontualidade era sagrada. “Se estava escrito 5h30 na lista, às 5h10 eles estavam lá”, contou. Vale lembrar que Starkey deixou o grupo pouco antes da fatídica briga em Paris, em 2009, que levou à separação da banda. Na época, Chris Sharrock assumiu o posto. A mágoa de Zak Starkey com a reunião de 2025 O baterista também abriu o jogo sobre sua decepção por ter ficado de fora da histórica turnê de reunião do Oasis, realizada no ano passado. A banda optou por Jay Waronker para a bateria. Em declaração resgatada pela NME, Starkey relembrou com amargura como foi sua saída oficial da banda anos atrás. “Noel me ligou no meu aniversário para me dizer que eu não estava mais no Oasis. Ele nem sabia que era meu aniversário! Eu gostaria de estar na banda (na reunião), porque eles são meu grupo favorito da minha geração”, desabafou. Ele finalizou dizendo que, para ele, tocar no Oasis ou no The Who não é apenas um trabalho, mas uma missão de “proteger a música”.

Liam Gallagher promete mudanças no repertório em provável próxima turnê do Oasis

Sempre muito ativo nas redes, o vocalista do Oasis, Liam Gallagher, deu sinais que vão ter mudanças no repertório caso confirme mais uma sequência de shows para 2026. No último domingo, o Oasis encerrou a tour Live ’25, no Morumbis, em São Paulo, após 41 shows em 142 dias e em cinco continentes. “Há muitos outros clássicos que precisamos tocar para vocês quando voltarmos à estrada”, escreveu Gallagher em um tweet. “Feliz Natal.” Mais tarde, ele respondeu à lista de músicas sugerida por um fã para a próxima turnê, escrevendo: “Com certeza tocaremos The Hindu Times, Columbia e Go Let It Out. Feliz Natal”. Em outro momento, alguém perguntou se o Oasis pretende tocar o single de 2008, The Shock Of The Lightning, na próxima turnê. “Com certeza faremos isso. Feliz Natal!”, respondeu. Quando um usuário perguntou a Gallagher o que ele queria de Natal, ele respondeu: “Uma turnê europeia”. O Oasis não fez nenhum show na Europa continental este ano, após as apresentações no Reino Unido e na Irlanda.

Oasis anuncia pausa para reflexão após encerrar turnê em São Paulo

Após 41 shows e uma bilheteria estimada em cerca de US$ 500 milhões, o Oasis encerrou sua primeira turnê em 16 anos na noite passada (23), no Morumbis, em São Paulo. O Oasis, cujos membros não concederam entrevistas formais este ano, encerrou a turnê com uma mensagem tipicamente enigmática publicada nas redes sociais, falando em “pausa para reflexão”. O show não apresentou variações em relação ao setlist de 23 músicas que permaneceu idêntica durante toda a turnê, mas contou com uma performance de Live Forever dedicada ao falecido baixista do Stone Roses, Gary “Mani” Mounfield, que faleceu na semana passada. “E assim aconteceu. A força cultural pop mais prejudicial da história recente britânica encontrou seu caminho para os corações e mentes de uma nova geração. De Gallagher Hill ao Rio da Prata, de Croke Park às margens do Canal Real à Cidade dos Anjos, o amor, a alegria, as lágrimas e a euforia jamais serão esquecidos. Haverá agora uma pausa para um período de reflexão.”

Oasis em São Paulo: dezesseis anos de espera e um show que vai ficar na memória para sempre

Oasis em São Paulo 2025

Foram 16 anos de espera para poder rever o Oasis, a maior banda de rock dos últimos 30 anos. Sim, isso mesmo que você leu. Concorde ou não, os irmãos Gallagher são os responsáveis por tornar o rock grande mais uma vez e ocupando grandes arenas pelo mundo. E isso foi dito por muitos jornalistas especializados mundo afora e artistas acostumados a lotar estádios em todos os continentes, como Jon Bon Jovi. Na primeira noite no Brasil, no estádio do Morumbis, em São Paulo, o Oasis manteve a receita utilizada nos últimos cinco meses de turnê. O set não muda, as falas são quase iguais, Liam e Noel entram de mãos dadas no palco, o Poznan está presente em Cigarettes and Alcohol. Para não falar que não tem alterações, o homenageado em Live Forever sempre muda. Em São Paulo, o escolhido foi Gary Mani, baixista do Stone Roses, que morreu na sexta-feira (21). Says it’s good to be back, good to be back. Hello abriu o show após um breve vídeo no telão ao som de Fuckin’ in the Bushes, característica mantida das turnês passadas do Oasis. A sequência é arrebatadora do início ao fim. Após Hello, Liam puxou Acquiesce, Morning Glory e Some Might Say, dando o tom do show, quase todo focado em Definitely Maybe e (What’s the Story the Morning Glory). Mas com bom destaque também para The Masterplan e Be Here Now. Aqui cabe uma observação para os críticos amargos de jornalões de São Paulo, que vivem escrevendo que o Oasis só tem quatro álbuns e por isso focam neles nessa turnê. Quais bandas com 30 anos ou mais não fazem o mesmo? Temos algumas exceções, mas priorizar os maiores hits em uma turnê de reunião é a coisa mais comum do mundo. Standing on the Shoulder of Giants, Heathen Chemistry, Don’t Believe the Truth e Dig Out Your Soul, apesar de ignorados (exceções foram Fuckin’ in the Bushes e Little by Little), contam com ótimas canções. Mas o show de 2h05 contemplou muito bem a primeira e mais gloriosa fase da banda. A pesada Bring it on Down aparece na sequência, mas sem tanto apoio na cantoria dos fãs, que passaram a vislumbrar o momento histórico no palco. Aliás, muito legal ver a renovação do público. Muitos que estavam presentes na pista A certamente não eram nascidos na época da separação ou não haviam assistido um show do Oasis até então.  Cigarettes and Alcohol, também do Definitely Maybe, álbum de estreia da banda, foi precedida por um pedido de Liam para todos fazerem o Poznan. E, quem não é fã do Oasis, deve estar se perguntando o que é isso, certo? Fanáticos pelo Manchester City, os irmãos Gallagher se divertem com as comemorações dos torcedores, que se abraçam, viram de costas e pulam. A inspiração da torcida do City, no entanto, veio dos fãs poloneses do Lech Poznan. Em 2010, o Lech Poznan enfrentou o Manchester City no Etihad Stadium, em Manchester, na Inglaterra. Seis mil torcedores poloneses viraram de costas para o campo, entrelaçaram os braços e começaram a pular em sincronia. A ação era um protesto silencioso contra a diretoria do clube, mas também uma demonstração incomum de lealdade: mesmo de costas, eles não deixavam de torcer. A torcida do City adotou tal comemoração para celebrar as vitórias, agora replicada nos shows do Oasis. Fade Away, Supersonic e Roll With It formaram mais uma trinca de respeito no setlist, com Liam no comando do vocal e sempre tentando discursar rapidamente com o seu sotaque carregadíssimo e impossível de entender. Na sequência, Liam deixou o palco para o seu irmão, Noel, assumir o protagonismo: Talk Tonight, Half the World Away e Little by Little vieram em sequência. Muito importante notar aqui a banda de apoio, com trio de metais e piano, que dão um peso generoso no som. Com Liam novamente de protagonista, o Oasis emendou mais uma série maravilhosa: D’You Know What I Mean?, Stand By Me, Cast No Shadow, Slide Away e Whatever. Em um dos momentos mais emocionantes do show, Liam dedicou Live Forever para Gary Mani, que teve seu rosto estampado no telão na parte final da canção. Liam estava visivelmente emocionado, nunca escondeu de ninguém que considera os integrantes do Stone Roses seus verdadeiros heróis. Rock and Roll Star, que já havia sido cantada pelo público durante o comercial de um carro antes do show do Oasis, fechou a apresentação, antes do bis. A volta ao palco foi ainda mais poderosa: The Masterplan, Don’t Look Back in Anger, Wonderwall e Champagne Supernova, que encerrou o set com uma linda queima de fogos e mais afagos entre os irmãos Gallagher no palco.  Hoje tem mais Oasis em São Paulo e o Morumbis certamente vai ferver com mais 70 mil pessoas. Edit this setlist | More Oasis setlists

Richard Ashcroft faz abertura de luxo e transforma Morumbis em um karaoke gigante do The Verve

Antes dos irmãos Gallagher subirem ao palco para reescrever a história, o Morumbis recebeu uma realeza do rock britânico. Richard Ashcroft, eterno vocalista do The Verve e amigo de longa data do Oasis, não encarou a noite como um show de abertura comum. Com a confiança de quem possui alguns dos maiores hinos dos anos 90, ele entregou uma performance que, por si só, já valeria o ingresso. Ashcroft sabe que, em um estádio lotado esperando pela atração principal, não é hora de experimentalismos. O setlist foi um “best of” curto e grosso, desenhado para fazer o público cantar do início ao fim. Richard Ashcroft é a alma do The Verve A apresentação foi dominada pelo legado do Urban Hymns. A abertura com Weeping Willow e Space and Time trouxe a atmosfera psicodélica e emotiva característica de sua ex-banda. A única concessão à sua carreira solo foi a excelente Break the Night With Colour, que, apesar de bem recebida, serviu como uma ponte para a artilharia pesada que viria a seguir. Quando os acordes acústicos de The Drugs Don’t Work ecoaram, o estádio se iluminou com milhares de celulares. Foi o primeiro grande momento de comunhão da noite, seguido pela celebração existencial de Lucky Man e a melancolia pop de Sonnet. Ashcroft, com sua postura xamânica de sempre, comandou a massa com facilidade. Mega hit e homenagem O encerramento não poderia ser outro. Bitter Sweet Symphony, talvez um dos violinos mais reconhecíveis da história da música, colocou o Morumbis abaixo. Mas houve um toque especial de emoção: a introdução contou com um trecho de She Bangs the Drums, do The Stone Roses, dedicada a Gary “Mani” Mounfield. A homenagem conectou as gerações do “Madchester” e do Britpop em um gesto de respeito e luto, elevando a música final a um patamar quase espiritual. Richard Ashcroft saiu de cena deixando o público aquecido, emocionado e pronto para o Oasis. Uma aula de como abrir um show de estádio com dignidade e peso.

Esquenta para o Oasis no Brasil: relembre o dia que o Oasis transformou o Credicard Hall em Woodstock

Chegar ao estacionamento do Credicard Hall na noite de 15 de março de 2006 era uma missão para poucos. São Paulo desabou sob uma tempestade de verão que transformou a pista do show em uma lagoa de água barrenta, batendo na canela e, em alguns pontos, no joelho dos fãs. Mas quando as luzes se apagaram e a fita de introdução Fuckin’ in the Bushes começou a tocar, o perrengue virou combustível. O Oasis subiu ao palco não para tocar, mas para salvar a noite. A abertura com Turn Up the Sun e Lyla foi um ataque frontal. O som estava alto, sujo e, surpreendentemente, muito bem equalizado para um local aberto e improvisado. Liam Gallagher, vestindo sua parka (que dessa vez fazia todo o sentido climático), estava com a voz no auge daquela era: rasgada e arrogante. Mas o motor da banda estava lá trás: Zak Starkey. A presença do filho de Ringo Starr na bateria deu ao Oasis um peso que eles raramente tiveram antes ou depois. Em Bring It On Down e Morning Glory, ele espancou os pratos com uma ferocidade que fez a água do chão tremer junto com o bumbo. Hinos debaixo d’água Existe algo místico em cantar Champagne Supernova debaixo de chuva. Quando Noel Gallagher puxou os acordes, o estacionamento alagado virou um coral de vozes roucas. A banda, sentindo que o público estava “na mão” apesar do desconforto, entregou execuções emocionantes de The Masterplan e Wonderwall. Noel teve seu momento de brilho com The Importance of Being Idle e Little by Little, faixas que, ao vivo, ganharam uma dimensão de hino de estádio, com o guitarrista regendo o público ilhado. Final caótico Para os fãs mais dedicados, a inclusão de Acquiesce (com os irmãos dividindo os vocais no refrão, um milagre de harmonia fraternal na época) e Cigarettes & Alcohol foi o ápice da noite. A atitude punk da banda combinava perfeitamente com o cenário de desastre urbano ao redor. O encerramento não poderia ser outro: My Generation (cover do The Who). Com Zak Starkey honrando o legado de Keith Moon na bateria, a banda terminou o show em uma jam barulhenta e distorcida. Liam jogou o pandeiro, Noel deixou a guitarra apitando no feedback e o público, encharcado, sujo e exausto, saiu dali com a certeza de ter vivido a experiência rock and roll mais visceral dos anos 2000 em São Paulo. Edit this setlist | More Oasis setlists

Esquenta para o Oasis no Brasil: relembre a última passagem da banda por São Paulo

Havia algo no ar do Anhembi, em São Paulo, além da chuva fria e incessante que castigou os fãs naquela noite de sábado (9 de maio de 2009). Quem observava o palco com atenção notava: Liam e Noel Gallagher não eram mais uma banda; eram dois exércitos ocupando o mesmo espaço. Mal se olhavam, não interagiam. Mas, ironicamente, essa tensão explosiva resultou em uma das performances mais barulhentas e viscerais que o Oasis já trouxe ao país. A turnê de Dig Out Your Soul chegou a São Paulo com a missão de provar que o rock britânico ainda respirava. E quando os acordes de Rock ‘n’ Roll Star rasgaram o silêncio, o Anhembi virou um caos de lama e pogo. Liam Gallagher, protegido por sua indefectível parka e com a postura de quem desafia o mundo, estava com a voz rasgada, no limite, mas cheia de atitude. Em faixas novas como The Shock of the Lightning, a banda soou pesada, quase psicodélica, com a bateria de Chris Sharrock preenchendo cada vácuo deixado pela acústica ruim do local. Noel, do outro lado, era a âncora melódica. Sua guitarra conduzia o público com frieza profissional. O setlist foi generoso com os lados B que o Brasil tanto ama: The Masterplan foi cantada como um hino religioso, com milhares de braços erguidos sob a chuva, criando um dos momentos mais bonitos da noite. Clássicos Não importa a fase, quando o Oasis toca os hits, a mágica acontece. Wonderwall e Champagne Supernova foram, previsivelmente, os momentos em que a banda pôde descansar: o público cantou mais alto que o sistema de som. Mas o destaque emocional para os fãs “raíz” foi Slide Away. A faixa, com sua letra sobre amor e perda, ganhou um peso extra considerando o desgaste visível da relação entre os irmãos. Noel, assumindo os vocais em Waiting for the Rapture e na versão acústica de Don’t Look Back in Anger, mostrou por que é o cérebro por trás da alma da banda. Caos final O encerramento não poderia ser outro. I Am the Walrus (cover dos Beatles) fechou a noite com uma parede de distorção e feedback ensurdecedor. Liam saiu do palco sem despedidas calorosas, jogando seu pandeiro para a plateia como quem se livra de um peso. Noel continuou tocando, concentrado, até o último segundo. Três meses depois, o Oasis acabaria. O show do Anhembi ficou marcado na história como o último ato da maior banda do Britpop em solo brasileiro. Foi frio, molhado e tenso. Mas, acima de tudo, foi rock and roll em sua essência: perigoso, imperfeito e inesquecível. Quem foi, viu a história desmoronar e se eternizar ao mesmo tempo. Edit this setlist | More Oasis setlists

Oasis terá loja física em São Paulo a partir de 20 de novembro

A febre do retorno do Oasis chega a São Paulo com a abertura da fan store oficial da turnê Oasis Live ‘25. O espaço, que funcionará na Projeto 2005 (Rua Martim Carrasco, 66, Largo da Batata, em Pinheiros), abre as portas do dia 20 a 28 de novembro oferecendo uma experiência única para os fãs brasileiros. Após o sucesso das lojas oficiais que acompanharam os shows no Reino Unido e na Irlanda, a capital paulista será a única cidade do Brasil a receber a fan store, que antecede a aguardada passagem da turnê pela América do Sul com ingressos esgotados em todo o mundo. No local, serão vendidos produtos oficiais da turnê, incluindo itens de edição limitada, roupas masculinas, femininas e infantis, além de acessórios como camisetas, moletons, jaquetas e muito mais. Entre os destaques está a colaboração Adidas X Oasis, sucesso mundial que estará disponível em quantidades limitadas na pop-up store de São Paulo. A coleção terá preços que começam em R$ 279,99 e podem chegar a R$ 999,99, de acordo com informações divulgadas pelo site da Adidas. As camisas mais procuradas, do modelo Jacquard Jersey, com design inspirado em uniformes de futebol, custarão R$ 499,99 (azul) e R$ 699,99 (preta). A loja também trará camisetas exclusivas com artes de álbuns e singles clássicos, como Definitely Maybe, (What’s The Story) Morning Glory?, Wonderwall e Supersonic. Outro item imperdível é o famoso bucket hat, chapéu de pescador eternizado por Liam Gallagher nos anos 1990 e símbolo do estilo britpop e da cultura de Manchester. A entrada é gratuita, mas recomenda-se reservar o horário de visita antecipadamente para evitar filas. O público pode confirmar presença por meio de cadastro online. A loja funcionará de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h; sábado, das 11h às 19h e, no domingo, das 11h às 18h. O Oasis se apresenta no Brasil nos dias 22 e 23 de novembro de 2025, no Estádio Morumbis, em São Paulo. Os ingressos para ambos os shows já estão esgotados.