Papangu lança o álbum Celestial, explorando o “rock troncho” e a humanidade na era digital

A banda de rock progressivo e experimental Papangu lançou o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Celestial. Estreando pelo selo Deck, o trabalho se inspira em rituais de proteção do corpo e do espírito para refletir criticamente sobre a perda da essência humana diante do avanço da inteligência artificial, expandindo o imaginário nordestino por meio de elementos do cordel, da literatura modernista e do realismo mágico. “O homem entregue à máquina precisa reafirmar sua humanidade”, resume o tecladista e vocalista Rodolfo Salgueiro sobre o conceito central do disco. Processo analógico em Berlim e o “rock troncho” do Papangu Com uma sonoridade batizada bem-humoradamente pela banda de “rock troncho”, Celestial funde rock progressivo, MPB, metal extremo, zeuhl, ciranda e forró. Entre as principais influências do grupo estão nomes como King Crimson, Magma, Hermeto Pascoal, Mestre Ambrósio e Oranssi Pazuzu. Buscando resgatar a organicidade e o risco das performances ao vivo, o álbum foi gravado de forma 100% analógica em fita magnética de duas polegadas durante nove dias em Berlim, utilizando equipamentos vintage das décadas de 1960, 70 e 80. “O formato analógico permitiu que a gente gravasse aquilo que a gente sentia. É um processo que faz com que você já pense no resultado final na hora de gravar, e isso colabora muito para a criação”, destaca o guitarrista e vocalista Pedro Francisco. O baixista Marco Mayer complementa que o método exigiu da banda tomar decisões intensas e coletivas de interpretação no momento da execução. Identidade visual A atmosfera sonora de Celestial ganha complemento visual na capa do disco, um tríptico assinado pela artista plástica pernambucana Juliana Lapa, que explora formas e cores que dialogam diretamente com a paisagem sonora e os temas do álbum.
Papangu antecipa álbum “Celestial” com o single “Colosso”

A banda paraibana Papangu acaba de liberar mais uma peça fundamental de seu próximo quebra-cabeça sonoro. Já está disponível em todas as plataformas digitais o single Colosso, a segunda amostra do álbum Celestial, que chega em agosto pela gravadora Deck. A faixa é uma construção ambiciosa que revela a pluralidade do grupo. Segundo o integrante Pedro Francisco, as primeiras partes surgiram ao piano com uma sonoridade que remetia diretamente ao Clube da Esquina e às montanhas de Minas Gerais. O desfecho, porém, foi capturado em um santuário ecológico no Rio Grande do Norte, onde a melodia final “invadiu” o músico em meio à mata. Uma sonata em três atos Diferente da estrutura pop convencional, Colosso organiza-se como uma sonata dividida em três partes: A música não tem pressa. Ela se beneficia de um certo estatismo para desenvolver suas ideias, empilhando camadas sonoras que culminam em um final denso, onde tudo parece desmoronar sob o próprio peso. Húbris, redes sociais e Ozymandias Liricamente, a canção utiliza o Colosso de Rodes (uma das sete maravilhas do mundo antigo) como alegoria para a “húbris”, o orgulho excessivo. A banda traça um paralelo entre os invasores da antiguidade e a performance insustentável do sucesso nas redes sociais e a fragilidade do ego masculino contemporâneo. A letra ecoa o famoso soneto Ozymandias, de Percy Shelley, desenhando a contradição entre o sonho humano de perfeição eterna e o passo implacável e corrosivo do tempo. Cinema em Super 8 O videoclipe de Colosso é, na verdade, um curta-metragem de quase sete minutos. Gravado em filme analógico com câmera Super 8, o visual ressalta a luta entre o pequeno e o grande. Enquanto a letra fala de estátuas antigas, a tela mostra a realidade da especulação imobiliária e a busca por lugares reais em um mundo de reproduções ocas. A direção é do cineasta paraibano Helder Bruno, com fotografia do pernambucano Ivan Cordeiro, e conta com a participação do pescador José Antônio Gomes da Silva, unindo a banda a figuras que representam a resistência do cotidiano real.