Pianista Amaro Freitas lança Sankofa, single que dá nome ao novo disco

De uma periferia do Recife à promessa de ícone internacional do jazz, o pianista Amaro Freitas é um desses singulares casos de aclamação da crítica desde seu álbum de estreia, feito de quem tem a revolução na ponta dos dedos. Em seu caso, fazendo o jazz dançar com frevo, baião e outras riquezas dos ritmos nordestinos sem pisar-lhes os pés. Sankofa, símbolo Adinkra dos povos acã, da África Ocidental, que representa um pássaro com a cabeça voltada para trás, é o nome de seu terceiro álbum, que será lançado em junho. Aliás, é também o título do segundo single, que chegou às plataformas digitais nesta sexta (21). Quando se deparou com o símbolo em uma bata à venda em uma feira africana no Harlem, em Nova York, compreendeu a importância do significado. Então, Amaro fez dele o conceito fundamental do disco. Contudo, como todos os álbuns do pernambucano, Sankofa levou cerca de três anos para ser feito. Em resumo, com o trio passando oito horas por dia, quatro dias por semana no estúdio. “Valorizamos o processo criativo. Sabemos que leva tempo para chegar a um lugar diferente, para entendê-lo e traduzi-lo. É dedicação, disciplina e sabedoria. Meses se passam e as ideias começam a se encaixar. O tempo é o mais importante. Não podemos chegar aonde queremos sem ele. Tenho o desejo de dizer às gerações futuras: vamos desacelerar, vamos nos dar mais tempo, vamos fazer coisas mais profundas. Vamos parar de nadar na superfície, vamos mergulhar”, diz Amaro Freitas.

Carnaval censurado? Bandas denunciam represálias da PM

Carnaval censura

Duas bandas contratadas para tocar em pontos de folia no Carnaval enfrentaram momentos de tensão com a Polícia Militar. Ambos os casos ocorreram em Pernambuco, na segunda e terça-feira de Carnaval. A banda Janete Saiu Para Beber, que se apresentava na Rua do Apolo, no Bairro do Recife, relatou que foi proibida e até ameaçada de prisão porque cantava uma música de Chico Science. A canção em questão, Banditismo por uma questão de classe, foi interrompida pela PM. Segundo relato nas redes sociais, a banda sofreu represália. “A Polícia Militar fez uma barreira entre público e banda. Tivemos que parar o show com ameaça de levar nosso vocalista preso. A produção foi incrível e conseguiu reverter a situação, mas o mais absurdo foram os argumentos: Chico Science não pode tocar, não pode!”. Outro grupo que sofreu ameaças foi a banda Devotos. O grupo se apresentava na terça-feira, no polo Várzea. Os integrantes afirmam terem sido alertados pela PM de que o show seria encerrado caso insistissem nessas canções. No caso, a mesma música de Science gerou a faísca para o atrito. Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco disse que “não há qualquer tipo de proibição à exibição de nenhuma música durante o Carnaval ou em qualquer época do ano”. Ainda segundo a nota, a PM só orienta a suspensão de blocos que tenham estourado tempo previsto para desfiles, porque podem prejudicar o planejamento operacional. Ainda afirmam que os organizadores das agremiações podem procurar o Batalhão responsável ou mesmo a Corregedoria Geral para formalizar queixas.