Stacey Kent lança “A Time For Love” e grava clássico de Pixinguinha

A relação de Stacey Kent com o Brasil não é apenas de passagem; é uma colaboração que dura décadas. A cantora norte-americana lançou o álbum A Time For Love, um trabalho que reforça a sua ligação com a música lusófona e os standards internacionais. O grande destaque para o público brasileiro é a inclusão de uma versão de Carinhoso, a obra-prima de Pixinguinha, interpretada com o sotaque delicado que se tornou marca da artista. O disco foi gravado numa formação de trio, focando na clareza vocal e no espaço entre os instrumentos. A direção musical é assinada pelo saxofonista Jim Tomlinson (marido e parceiro de longa data de Stacey) e conta com o pianista Art Hirahara. Conexão brasileira Stacey Kent transita entre o inglês, o francês e o português com naturalidade. Ao longo da sua carreira, já colaborou com ícones como Marcos Valle, Roberto Menescal e Danilo Caymmi. Esta proximidade com a Bossa Nova e a MPB é o resultado de uma formação plural: graduada em Literatura Comparada em Nova Iorque, Stacey mudou-se para Londres para estudar na Guildhall School of Music and Drama, onde iniciou a sua carreira profissional. Com mais de 2 milhões de álbuns vendidos e uma nomeação para o Grammy, a discografia de Stacey inclui sucessos como Breakfast On The Morning Tram. O novo álbum, A Time For Love, apresenta uma seleção de canções que honram a tradição do jazz enquanto abraçam a chanson francesa e a música brasileira.

Caetano Brasil traz novo olhar para a obra de um dos maiores compositores brasileiros em “Pixinverso – Infinito Pixinguinha”

Clarinetista, saxofonista e compositor, Caetano Brasil está em um dos principais momentos de sua carreira que já tem mais de uma década de estrada. Após ser indicado pelo álbum Cartografias na categoria de Melhor Álbum Instrumental para o Grammy Latino 2020, ele volta não só às suas raízes como a de toda a música brasileira para buscar um olhar para o futuro. Pixinverso – Infinito Pixinguinha é um disco focado em estreitar os laços entre o choro, o jazz contemporâneo e a world music, relendo composições que fazem parte da vida de milhões de pessoas. “Este é meu terceiro álbum como bandleader, o primeiro deles dedicado exclusivamente a releituras. Pixinguinha é talvez o compositor que há mais tempo e de forma constante faz parte do meu repertório. Quando criança, frequentei uma oficina de música no bairro em que morava e lá, por intermédio do coordenador Marcelo Gonçalves, pude conhecer a magia do choro. Fui tocado de uma maneira intensa e profunda, como se eu tivesse vindo ao mundo para esse encontro. O choro e sua ancestralidade nunca saíram de mim. Na verdade, é como se ele fosse comigo desde que eu existo”, relembra Caetano. “Ser um homem preto LGBTQIA+ tocando a música de outro homem preto que atravessou os séculos me empodera e me enche de orgulho e esperança. Com “Pixinverso”, desejo falar ao coração das pessoas como a música de Pixinguinha falou ao meu ainda na infância”, completa. O projeto começou a ser gestado durante a produção de Cartografias (2019), último álbum do artista, quando ele chegou a gravar uma versão de Um a Zero. A música, lançada como single em dezembro de 2020, fez parte do repertório apresentado no Prêmio BDMG Instrumental e no Prêmio Nabor Pires Camargo, eventos nos quais Caetano foi eleito como Melhor Instrumentista e premiado em 1º lugar, respectivamente. Ver a sua versão única para algo tão clássico inspirou Caetano a ir mais a fundo. “A ideia de gravar um álbum só com músicas de Pixinguinha é antiga. Precisava mesmo era o passar dos anos para que a realização fosse madura, para que eu soubesse dar forma a este desejo. Em Pixinverso eu proponho um olhar muito particular para a obra deste grande símbolo que é Pixinguinha – sim, um símbolo, para muito além do homem e do gênio. Pixinguinha é o ‘Brasil de verdade’, é a mais perfeita tradução da nossa gente em forma de som, da raiz ao fruto. Com sua obra generosa e infinita em possibilidades, Pixinguinha escancara a cada nota ao que de fato precisamos estar conectados do que, muitas vezes, a gente se esquece”, resume o artista.