Thirteen Brotherhood: influenciado por Social Distortion e com dois ótimos álbuns

Se muitas bandas buscam reinventar a roda, a Thirteen Brotherhood prefere acelerar sobre ela. Formada com a proposta de fazer um punk rock direto, pesado e sem frescuras, a banda santista construiu sua reputação baseada na química entre seus integrantes, uma verdadeira irmandade musical. A liderança fica a cargo de Fabiano Rodriguez (vocal e guitarra, ex-Riot 99), figura carimbada do underground local, acompanhado pela bateria precisa de Lucas Buruaem, a guitarra de Amauri Meireles e o baixo de Denys Martins, ambos ex-integrantes do The Bombers. A sonoridade bebe na fonte de clássicos como Social Distortion e Rolling Stones e o rock estradeiro norte-americano, criando uma trilha sonora perfeita para pegar a estrada. A estreia do Thirteen Brotherhood com “End of the Highway” (2016) O primeiro grande marco da banda foi o álbum de estreia, End of the Highway, lançado em 2016. O trabalho foi o cartão de visitas que mostrou a que vieram: riffs gordos, vocais rasgados e uma produção que capturou a energia crua dos ensaios. Faixas como a própria faixa-título e Bad Luck Gambler se tornaram obrigatórias no repertório, consolidando o nome do grupo em casas de show como o Boteco Valongo e festivais da região. Evolução com “Walk the Walk” (2020) Quatro anos depois, a banda provou que não era fogo de palha. O segundo álbum, Walk the Walk (2020), mostrou uma evolução natural. O som ganhou mais corpo e as composições ficaram mais maduras, sem perder a pegada agressiva. O lançamento reafirmou a Thirteen Brotherhood como uma das poucas bandas da região a manter a chama do punk rock tradicional acesa com material autoral consistente. O trabalho mais recente da banda é o EP Worldwide Unknown, de 2023, que conta com quatro faixas autorais e inéditas. Projetos paralelos A inquietude de Fabiano Rodriguez não se resume à banda. Em 2017, quando o baterista Lucas foi morar um ano na Califórnia, Fabiano aproveitou o hiato para lançar seu projeto solo, Riot Rodriguez, focado em uma sonoridade folk punk/country inspirada em Social Distortion e Johnny Cash. Hoje, com dois discos na bagagem e uma estrada sólida, a Thirteen Brotherhood segue como uma referência para quem gosta de rock alto, cerveja gelada e lealdade aos amigos.

Fantazmaz lança versão visceral de “Violator”, clássico do Motosierra

Se tem uma banda que personifica as vísceras do punk rock latino-americano, essa banda é o Motosierra. E hoje, o grupo uruguaio ganha uma homenagem à altura vinda diretamente de Londres (mas com alma brasileira e conexões globais). A banda Fantazmaz lançou sua versão para Violator. “Roubo” consentido A vocalista Thamila Zenthöfer (radicada no Reino Unido) conta que a faixa entrou no radar da banda quase por acaso, após descobrirem que o pai do baterista da banda Deaf Devils era ninguém menos que Luis Machado, membro histórico do Motosierra. “Em um ensaio… resolvemos testar uma versão de Violator, a música que eu mais gosto do Motosierra. E nunca mais paramos de tocar essa música, roubamos ela para nós”, brinca Thamila. Supergrupo Fantazmaz no estúdio Vale lembrar que o Fantazmaz tem um line-up de respeito no cenário punk/rock mundial: além de Thamila e Raf Oliver (guitarra), a banda conta com Rex Roulette (baixo, ex-Eagles of Death Metal) e Jamie Oliver (bateria, ex-UK Subs e SNFU). A versão de Violator foi gravada em solo brasileiro, no estúdio Artsy, durante uma mini-turnê da banda por São Paulo. A produção tem o dedo de Chuck Hipolitho, figura carimbada do rock nacional, com mixagem de Christian Martucci. Homenagem visual A capa do single traz uma referência aos quadrinhos dos anos 90: uma homenagem ao vilão Violator, de Spawn, redesenhado pelo baixista Rex Diabolic com os traços característicos da vocalista Thamila.

Wilza une doçura e caos em álbum de estreia homônimo

Imagine uma bala que começa doce na boca, mas revela um recheio ácido e corrosivo logo em seguida. É essa a “experiência de contraste” que a banda paulistana Wilza propõe em seu álbum de estreia homônimo, que acaba de chegar às plataformas de streaming. Após pavimentar o caminho no final de 2025 com singles de nomes curiosos e provocativos, Terapia, Glicose Matinal e Luigi Mangione, o grupo entrega agora a obra completa. O som é uma expansão do universo onde a crueza punk colide com uma psicodelia em tecnicolor. Humor, raiva e distorção no som da Wilza A própria banda define seu território sonoro como “punk pirulito”: um lugar onde melodias indie e vocais mergulhados em reverb são subitamente atropelados por paredes de guitarra e gritos enfurecidos. As letras seguem a mesma dicotomia. São crônicas irônicas que tratam desde o drama cotidiano da classe média (como conciliar o orçamento para pagar a terapia) até o desejo catártico de ver o império de bilionários e big techs em chamas. Para quem sente saudade da “barulheira com classe” dos anos 90, as referências são claras: Nirvana, Veruca Salt e Sonic Youth. Mudança na cozinha Formada na capital paulista entre o fim de 2024 e o início de 2025, a Wilza nasceu do encontro de músicos ativos na cena autoral. O disco foi gravado pela formação original: DW Ribatski (guitarra/voz), Ligia Murakawa (baixo) e Clara do Prado (bateria). No entanto, após as gravações no Estúdio Quadrophenia, Clara mudou-se para Brasília. Quem assumiu as baquetas foi Isabella Pontes (da banda Schlop), que agora integra a formação oficial e já traz seu peso para os palcos. Ficha técnica A produção do disco é assinada pela própria banda em parceria com Breno Della Ricca. A engenharia de som ficou a cargo de Sandro Garcia, com mixagem de DW Ribatski e masterização de Rafael Panke.

Codefendants e The D.O.C. exploram o submundo das gangues no single “Rivals”

Gangues de punk e o submundo de Compton têm muito mais em comum do que a história da música costuma contar. Foi a partir dessa troca de vivências entre o asfalto e os mosh pits que o Codefendants se uniu novamente ao ícone do hip-hop The D.O.C. para lançar a faixa Rivals. Disponível nas plataformas de streaming nesta sexta-feira (30), a música é a sucessora da colaboração anterior do grupo, Fast Ones (2023). O lançamento antecipa o segundo álbum de estúdio da banda, intitulado Lifers, que tem data de chegada marcada para 3 de abril. Histórias de Compton e Suicidals A inspiração para a letra surgiu de uma conversa casual entre Fat Mike (NOFX) e o rapper. Mike conta que, ao ouvir histórias sobre a vida de gangue em Compton, decidiu apresentar o lado “punk” dessa moeda. “Eu disse a ele que existiam gangues punk também. Ele não acreditou em mim. Então contei a ele sobre FFF, LADS e Suicidals… Então ele escreveu seus versos para Rivals. É muito foda que o D.O.C. e eu tenhamos trabalhado em outra música juntos”, diz Fat Mike. Para Ceschi Ramos, a faixa destaca a sobreposição entre os dois gêneros como movimentos de contracultura que surgiram em períodos similares com ideais parecidos. “Desde que começamos o Codefendants, fomos confrontados por ‘gatekeepers’ que não entendem que genuinamente crescemos nesses dois mundos do punk e do hip-hop. Quando Fat Mike escreveu a música para essa faixa, ele foi diretamente inspirado por algumas das faixas punk mais lentas e arrastadas do início dos anos 80.” “É Codefendants, p****” Enquanto D.O.C. celebra o fato de que a banda “não liga para como minha voz soa, contanto que esteja no ritmo”, o vocalista Sam King foi direto ao ponto sobre o lançamento. “Que p**** vocês querem que eu diga? Os outros caras já disseram tudo, é Codefendants com o D.O.C., é foda pra c******.” Assista ao clipe de Rivals

NOFX lança protesto contra o ICE em “Minnesota Nazis”

O fim das turnês, concretizado em 2024, não significou o silêncio definitivo de Fat Mike. Motivado pela violência policial do ICE, polícia imigratória do Governo Trump, o NOFX reapareceu nas plataformas digitais com a faixa Minnesota Nazis. A música não é uma composição inteiramente inédita, mas sim uma atualização lírica e contextual de Huntington Beach Nazis, presente no disco Double Album (2022). A nova versão altera o cenário e o alvo para abordar o assassinato de Renee Good por um agente do ICE (Immigration and Customs Enforcement) em Minneapolis. Música como ferramenta Sem planos de retorno aos palcos, o lançamento serve estritamente como manifesto político. Fat Mike explicou que a intenção é fazer o possível dentro do alcance da banda, mesmo sabendo das limitações da arte diante da realidade. “Essa música não vai parar a loucura absoluta… mas você faz o que pode para tornar este mundo um lugar melhor. Vamos cuidar uns dos outros o melhor que pudermos. O Amor (é maior que) o Ódio… mesmo que não pareça agora”, declarou o vocalista. O clipe, que acompanha o lançamento, contém linguagem explícita e reforça a mensagem de indignação do grupo californiano. Vale lembrar que o NOFX encerrou suas atividades de estrada em 2024, após uma longa turnê de despedida que rodou o mundo. O Blog n’ Roll acompanhou o show em Madri, na Espanha.

A Wilhelm Scream anuncia “Cheap Heat”, sexto álbum de estúdio

A Wilhelm Scream anunciou oficialmente o lançamento de seu novo álbum, intitulado Cheap Heat. A gravadora Creator-Destructor Records agendou a chegada do disco para o dia 27 de fevereiro. Este trabalho marca o sexto registro de estúdio da carreira do grupo e promete agitar a cena punk mundial. Junto com o anúncio, a banda revelou o single Midnight Ghost. Ouça abaixo. O retorno da agressividade técnica em Cheap Heat O lançamento acontece pouco mais de três anos após o álbum Lose Your Delusion (2022). Desta vez, o quinteto apresenta dez faixas inéditas repletas de adrenalina. A banda promete resgatar elementos que consagraram sua discografia. Segundo o comunicado oficial, Cheap Heat funciona como um híbrido único. O som combina a atmosfera sombria e niilista do clássico Ruiner (2005) com a técnica apurada e a ferocidade de Career Suicide (2007). Ou seja, o ouvinte encontrará os elementos mais agressivos e precisos que definem a identidade do grupo. A melhor fase da banda? O vocalista Nuno Pereira não poupou elogios ao novo material. Para ele, o disco celebra a potência e a dedicação que os integrantes mantêm pela música. “Há uma energia visceral em cada vocal, guitarras estridentes e implacáveis, e aquela malícia irônica que é a nossa especialidade”, destacou Nuno. O frontman foi ainda mais longe em sua declaração. Ele garantiu que Cheap Heat será considerado o melhor trabalho da banda até hoje. Essa confiança eleva a expectativa dos fãs, que aguardam ansiosamente para conferir se o grupo superou seus próprios clássicos.

We Are LA!: Ícones do punk se unem em single beneficente após incêndios

Um ano após os devastadores incêndios florestais que atingiram Los Angeles, diversos artistas locais se uniram por uma causa nobre. Eles lançaram o single We Are LA!, um verdadeiro hino de solidariedade e resistência. Entre os artistas participantes estão integrantes do Social Distortion, Foo Fighters, Pennywise, Alkaline Trio, entre outros. O projeto, batizado de “Punk Rock to the Rescue”, tem um objetivo claro. A iniciativa apoia o Sweet Relief Musicians Fund. Essa organização oferece serviços vitais e assistência financeira para músicos profissionais e trabalhadores da indústria que enfrentam dificuldades. Para onde vai a ajuda? O fundo desempenha um papel crucial na vida desses artistas. A organização destina as verbas para cobrir despesas médicas, incluindo cirurgias, tratamentos e prêmios de seguro. Além disso, o Sweet Relief ajuda com necessidades básicas de subsistência. Isso inclui custos de moradia, alimentação e contas de serviços públicos. Portanto, ouvir a música e apoiar a causa impacta diretamente a sobrevivência de muitas famílias da cena musical. Um time de peso do punk rock em We Are LA! A faixa We Are LA! reúne uma lista impressionante de colaboradores. O som conta com a participação de lendas como Jonny Two Bags (Social Distortion), Rami Jaffee (Foo Fighters), Jim Lindberg (Pennywise) e Mike Watt (Minutemen). A nova geração também marca presença com Eloise Wong (The Linda Lindas). A maioria desses artistas aparece no videoclipe oficial, celebrando a união de diferentes eras do rock californiano. A lista de convidados não para por aí. O single traz ainda nomes como Ron Emory (TSOL), Atom Willard (Alkaline Trio), Jane Weidlin (The Go-Go’s) e muitos outros veteranos de bandas como The Adolescents, The Bangles e Flogging Molly. Até mesmo Gary Tovar, fundador da Goldenvoice e considerado o “padrinho do punk”, participa da homenagem. Leilão exclusivo para fãs Para ampliar a arrecadação, a organização preparou uma ação especial. Um violão e uma camiseta, autografados por quase todos os artistas que participaram da gravação, estão disponíveis para leilão. Todo o valor arrecadado será revertido para o Sweet Relief Musicians Fund. Os interessados devem correr, pois o leilão termina no dia 18 de janeiro, às 22h (horário do leste dos EUA). É a chance de ter um item histórico e ainda ajudar quem faz a música acontecer.

Veterana do punk curitibano, Boobarellas lança single e clipe para celebrar 30 anos de estrada

A banda curitibana Boobarellas disponibilizou seu novo single e videoclipe, intitulado Imortal. O lançamento celebra as três décadas de trajetória do grupo, completadas em 2025, e traz uma letra que reflete sobre a longevidade e os desafios enfrentados pela banda desde sua fundação no cenário independente do Paraná. O videoclipe da faixa teve como cenário o bar Bodegaa Beer e contou com a produção visual assinada por Guima. Já a identidade visual e a arte gráfica do projeto ficaram a cargo de Guaco. O lançamento reforça a estética punk rock que o grupo carrega desde os anos 90, mesclando imagens que remetem à história e à resistência da banda. No aspecto técnico, Imortal foi gravada, mixada e masterizada no Laje Estúdio, conhecido por trabalhos com diversos nomes da cena alternativa. A produção musical foi assinada coletivamente pelos próprios integrantes do Boobarellas, mantendo o controle criativo sobre a sonoridade que transita entre o pop punk, o hardcore, o ska e o punk rock clássico. Formada originalmente em 1995, a Boobarellas acumulou ao longo de sua trajetória uma discografia composta por cinco álbuns de estúdio e um DVD ao vivo. O grupo é uma das figuras carimbadas no cenário crossover e punk brasileiro, tendo construído um currículo que inclui a abertura de shows para nomes internacionais como The Misfits, CJ Ramone, The Bouncing Souls, No Use For A Name e The Adolescents.

The Bombers celebra 30 anos de carreira com show especial em Santos

The Bombers 2025

Neste domingo (24), a partir das 18 horas, a banda santista The Bombers comemora 30 anos de punk rock no Mucha Breja, na Ponta da Praia, em Santos. A festa contará ainda com as bandas Teenage Lobotomy (tributo ao Ramones), Marrones e Brizza. A entrada custa R$ 15,00. De acordo com o vocalista do The Bombers, Matheus Krempel, a apresentação contará com um set especial, passeando por toda a discografia da banda, que conta ainda em sua formação com o guitarrista Fernando Hago, o baixista Gustavo Trivela e o baterista Junior “Rosa” Drummer. “O foco do show é celebrar os 30 anos de fundação do The Bombers. O setlist vai abranger músicas de todas as fases da banda, inclusive resgatando algumas que não costumávamos tocar nos últimos anos”, adianta Krempel. Disco ao vivo a caminho para celebrar os 30 anos do The Bombers As comemorações dos 30 anos do Bombers não param por aqui. O grupo também já tem marcada a gravação de um disco ao vivo, que acontecerá em 18 de outubro, em São Paulo. “Esse é o nosso grande projeto do ano. Temos algumas músicas novas gravadas, mas decidimos engavetar por enquanto, para focar totalmente nesse registro ao vivo. Os shows atuais estão servindo de termômetro para o repertório que vamos gravar”, explica. A estrada continua Além do show deste domingo, a banda segue rodando por diferentes cidades do Brasil. “Tocamos domingo em São Paulo e temos mais um show marcado para Osasco no mês seguinte. Depois devemos visitar Araraquara, Campinas, Americana, Curitiba, Rio de Janeiro… e ainda tem alguns convites em aberto”, revela o vocalista. O que mantém a chama acesa Para um grupo que chega a 30 anos de estrada, a pergunta é inevitável: o que mantém o Bombers na ativa? Krempel responde sem hesitar: “Basicamente o que nos mantém em atividade é o nosso próprio amor à música. Conhecer bandas novas, cidades diferentes, estar em contato com a efervescência cultural. Isso nos reabastece e nos motiva a seguir.” Legado no punk rock brasileiro Em um cenário tão plural quanto o hardcore, o Bombers construiu uma identidade marcada pela inquietação.“Somos uma banda que sempre buscou questionar o status quo. Seja quando cantávamos em inglês, quando gravamos um disco acústico com viola caipira, ou quando começamos a lançar material em português. A ideia sempre foi surpreender os fãs e jamais ser uma cópia sem graça do que já fomos”, diz o vocal. Ele completa: “Nossa escola é o The Clash e o Gilberto Gil, sentados lado a lado na mesma sala. O preço de ser assim é alto, mas nos orgulha cada vez que lançamos um disco novo.” Serviço 📍 Onde: Mucha Breja (Avenida Rei Alberto, 161, Ponta da Praia, em Santos)📅 Quando: Domingo (24/08), às 18h🎶 Atrações: The Bombers + Teenage Lobotomy (Ramones tribute), Marrones e Brizza