Neck Deep encanta com pop punk em sideshow em São Paulo

Seis anos antes de Wrexham, em País de Gales, ficar conhecida como a cidade do time de futebol dos atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney, a banda de pop punk Neck Deep já atraia a atenção do público. E desde o primeiro álbum, Wishful Thinking, de 2014, o grupo só aumentou sua fanbase no Brasil. Atração da I Wanna Be Tour, a Neck Deep foi quem abriu a noite no sideshow do festival, que rolou na noite desta sexta-feira (29), no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Além deles, Story of the Year e Yellowcard também tocaram. Após sete anos da primeira e última vez no Brasil, a banda conseguiu casa cheia desde o primeiro instante. E veio com um repertório repleto de novidades, incluindo seis canções do seu álbum mais recente, homônimo, lançado em 2024. Para os mais saudosistas, a banda também conseguiu agradar durante o set de 1h15 de duração, com quatro canções de Life’s Not out to Get You (2015), disco queridinho dos fãs. A energia do quinteto é contagiante. O Neck Deep não aliviou em nenhum momento, arrancou sing alongs e ainda arrancou aplausos dos fãs com discursos sobre união. Neste sábado, no Allianz Parque, o Neck Deep será a terceira banda do Wanna Be Tour, subindo ao palco It’s a Lifestyle às 12h36, logo após o Glória. Setlist  Dumbstruck Dumbf**kSort Yourself OutMotion SicknessGold StepsKali MaCan’t Kick Up the RootsShe’s a GodTake Me With YouHeartbreak of the CenturySTFUWe Need More BricksDecember (Again)A Part of Me (Not on printed setlist)In Bloom

Sabrina Carpenter flerta com country e pop retro em Man’s Best Friend

Sabrina Carpenter já tinha o mundo nas mãos com Short n’ Sweet, mas decidiu não se acomodar e acelerar ainda mais o jogo com Man’s Best Friend. O novo álbum é pop de alto nível, cheio de malícia, humor e vulnerabilidade, equilibrando leveza e profundidade com a naturalidade de quem domina a própria narrativa. Sabrina está espirituosa, sarcástica e, ao mesmo tempo, entrega um disco carregado de emoção, provando que não tem medo de rir das próprias dores. As faixas transitam entre o flerte descarado e o desabafo pós-término, sempre com refrões que grudam na cabeça. Manchild é o grande hino aqui, explosivo, irônico e irresistível, daqueles que nascem para o topo das paradas. Já Tears mostra um lado mais sensual e sofisticado, com clima disco que abre espaço para uma Sabrina ainda mais confiante. Canções como Nobody’s Son, We Almost Broke Up Again Last Night e House Tour reforçam esse equilíbrio entre a piada ácida e a confissão sincera, criando uma atmosfera em que o ouvinte se diverte e, ao mesmo tempo, se reconhece. A produção é pop retro e regado a influências de country e sintetizadores que evocam os anos 80, mas nada soa datado. Pelo contrário: Sabrina está com o som mais atual da música pop, com arranjos bem construídos e um vocal cheio de atitude. O resultado é um álbum que pode ser ouvido de ponta a ponta sem perder fôlego, sempre surpreendendo na forma como mescla ironia e emoção. Claro que a capa levantou discussões. De quatro, cabelo puxado, Sabrina brinca com os limites entre empoderamento e provocação. Para alguns, é sátira; para outros, excesso. Há, inclusive, pais proibindo os filhos menores de irem nos shows. Mas, a verdade é que a imagem resume bem o espírito do álbum: um pop que cutuca, provoca e não pede licença. Man’s Best Friend é mais do que uma coleção de hits. É a consagração de Sabrina Carpenter como estrela global. E se alguém ainda duvida disso, a resposta vem em 2026, quando ela sobe ao palco do Lollapalooza Brasil como principal atração do festival. Um disco desses pede um show à altura e, após ser coadjuvante no MITA e na abertura de Taylor Swift, ela está pronta para ser protagonista.

The Hives Forever, Forever The Hives: Caos, diversão e três acordes

Não é presunção em afirmar que o The Hives is Forever. A banda, que está contando os dias para voltar ao Brasil, na abertura para o My Chemical Romance, lançou hoje um dos melhores álbuns de rock do ano. Enough Is Enough já tinha deixado claro: o The Hives não perdeu a mão. O single apresentava três minutos de raiva punk cuspida em refrões curtos e versos ácidos abriram caminho para um álbum que é, basicamente, uma celebração da própria essência da banda. The Hives Forever Forever The Hives é frenético do começo ao fim. As guitarras cortam com riffs simples e certeiros, a bateria empurra cada faixa para frente sem fôlego e Pelle Almqvist continua sendo um dos frontmen mais divertidos e incendiários do rock. Roll Out The Red Carpet e Born A Rebel são exemplos perfeitos de músicas feitas para estádios, como o Allianz, cheias de refrões grudentos e energia explosiva. O disco também encontra espaço para brincar com outros terrenos. Bad Call traz um flerte glam rock, enquanto Path Of Most Resistance aposta em sintetizadores inesperados, acrescentando uma camada pop sem perder a irreverência. Já a faixa O.C.D.O.D. me transportou para um Mosh sem sair da cadeira enquanto escrevia esse review. Menção honrosa também para Legalize Living que mescla surf music com a atmosfera de bandas 80, como Billy Idol e, por que não, nossos tupiniquins Tokyo. É impressionante como, mais de 25 anos depois, o The Hives soa tão afiado quanto no início. O álbum não reinventa nada, mas também não precisa. Sabe aquele dia que você só quer sentar e dar umas boas risadas com um filme de comédia na TV? É exatamente assim: barulhento, debochado e irresistível. No fim das contas, é isso que o The Hives sempre foi: uma banda feita para o ao vivo, para a catarse, para transformar o caos em diversão. E aqui, eles provam de novo que, após os Ramones, só eles sabem como transformar três acordes em pura dinamite. Review: 4.5/5

Three Days Grace Alienation marca renascimento da banda

O caldeirão que empolgou o mundo nos anos 2000 com a mistura de nu metal e post grunge está de volta. Com Alienation, o Three Days Grace não apenas entrega riffs esmagadores e refrões que grudam, mas celebra um verdadeiro renascimento. O álbum marca o retorno do vocalista original Adam Gontier que, agora, divide os vocais com Matt Walst. O resultado é um som mais denso, multifacetado e cheio de novas possibilidades. A dinâmica vocal é o grande trunfo da obra, afinal, Walst nunca emulou Gontier quando o substituiu. Alternando entre sutilezas melódicas e explosões brutais, as vozes constroem uma narrativa visceral, quase como se a banda conversasse consigo mesma a cada faixa. Esse diálogo dá ao álbum uma força emocional rara, equilibrando introspecção e catarse. A base instrumental acompanha a mudança de forma poderosa: riffs sujos, grooves arrastados e linhas eletrônicas discretas mostram a atualização da banda ao atual mercado dominante de metal moderno. Apesar de experimentar com texturas eletrônicas e momentos acústicos, o álbum mantém a pegada direta e crua que sempre definiu o grupo. O formato é coeso e eficiente: introdução climática, build-up, refrão explosivo e repetição. Essa fórmula é uma bola de segurança, mas em alguns momentos passa a sensação de loop, como se a banda tivesse dificuldade em escapar de seu próprio passado. Ainda assim, quando funciona, é avassalador. Entre os destaques estão a abertura Dominate, um nu metal cru que parece ter saído do álbum Hybrid Theory do Linkin Park. Ela chega como um soco no estômago, com bateria marcial, baixo pulsante e um refrão radiofônico carregado de emoção. Apesar das quatro primeiras músicas já terem sido lançadas, a transição de Dominate para Apologies não funcionou e pode relevar torcidas de nariz para os fãs mais exigentes. A sensação é que você saiu do nu metal e, acidentalmente, trocou para uma música teen da boy band do momento. O caminho de Apologies até a pesada sexta faixa, Alienation, é pavimentado com a mesma fórmula de refrões radiofônicos e músicas mais cadenciadas. Depois, destaque para In Cold Blood, décima faixa, que resgata o auge da banda. Há também faixas que exploram riffs mais sombrios e até solos com influências orientais, pequenas surpresas que enriquecem a experiência. No fim, Alienation mostra um Three Days Grace que não apenas sobrevive às mudanças, mas encontra nova vida nelas criando holofotes para os dois vocalistas. É um disco que não será esquecido para futuras turnês, com canções com energia suficiente para incendiar arenas e nuances que dialogam com o público em momentos mais íntimos. A previsibilidade da fórmula peso + refrão pop de algumas estruturas não apaga o impacto de um álbum que soa como um verdadeiro recomeço. Nota: 3.5/5

Private Music, novo álbum do Deftones, soa como um convite à nostalgia

Chega ao mundo o aguardado décimo álbum do Deftones, Private Music. Foram longos cinco anos desde o último lançamento e, nesse meio tempo, a banda experimentou um crescimento inédito, impulsionado pelo TikTok, que apresentou seus clássicos a uma nova geração de adolescentes. Hoje, o grupo também é apontado como influência direta de nomes como Sleep Token e Bad Omens, considerados herdeiros do metal moderno. O Brasil teve a honra de sediar uma listening party na última quinta-feira (21) no The Cave, espaço da lendária Galeria do Rock, onde Private Music foi apresentado em primeira mão para fãs e foi muito bem recebido. O Blog N’ Roll foi representado pela Lya Hemmel que colheu as opiniões e expectativas dos presentes. Criar esse disco era um desafio enorme. Afinal, a banda precisava lidar com a pressão de seu inesperado auge, somado ao revival do Nu Metal e os fantasmas dos dois trabalhos anteriores: Gore foi incompreendido, enquanto Ohms soou como uma tentativa sufocada de agradar os fãs. Não à toa, em 2025 apenas uma música de cada álbum sobreviveu aos palcos: Prayers/Triangle e Genesis, deixando clara a urgência de uma resposta à altura neste décimo capítulo da carreira. Em Private Music, o Deftones não faz rodeios. A nostalgia aqui não é mero maneirismo ou bola de segurança, mas um portal direto ao passado da banda: a tensão entre a brutalidade das guitarras de Stephen Carpenter e a sensibilidade atmosférica de Chino Moreno continua sendo o coração criativo do grupo. O álbum abre com o single My Mind is Mountain e sua introdução thrash que lembra muito o Metallica. A canção já soma 16 milhões de plays no Spotify, é pesada, impactante e foi recebida com entusiasmo por fãs e crítica. O outro destaque, Milk of Madonna, disputa o topo da parada de Rock da Billboard, logo atrás de seus discípulos do Bad Omens. Entre as inéditas, Infinite Source traz o Deftones em essência: psicodelia, riffs monumentais, bateria grandiosa e os vocais de Chino, que abraçam ao mesmo tempo a calmaria e o caos. Já Cut Hands resgata com força as raízes do nu metal, soando como uma faixa perdida em algum disco dos anos 2000. Há espaço para experimentações, como na balada I Think About You All The Time, que poderia figurar facilmente no clássico Mellon Collie and The Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins. O encerramento vem com a grandiosa Departing the Body, uma síntese de toda a trajetória da banda. O início grave, quase no estilo Roger Waters, explode em uma catarse que soa como um encontro entre Smashing Pumpkins, Pink Floyd e The Cure. A produção reflete com precisão o estágio atual do Deftones: monumental. Os riffs de Carpenter aparecem ainda mais robustos sem abrir mão da distorção, e o estúdio soube potencializar a força do grupo sem diluir sua essência. O retorno ao Brasil está previsto para 2026, com grandes chances do Deftones ser o nome principal do rock no Lollapalooza. Infelizmente, Stephen Carpenter não deve acompanhar a turnê, já que mantém restrições de viagem desde a pandemia. Nota: 4/5

Ricochet: Novo álbum do Rise Against decepciona fãs

Ricochet, o décimo álbum de estúdio do Rise Against, prometia uma nova fase da banda de Chicago sob a batuta da produtora Catherine Marks e do mixer Alan Moulder. Mas, em vez de revitalizar a sonoridade característica do grupo, o disco acabou destoando: vozes envoltas em reverb excessivo, produção polida além da conta, arranjos que preferem o pop radiofônico em vez do punk rápido e agressivo que a banda construiu ao longo da carreira. Enquanto há momentos de força, como o groove urgente da dobradinha “Sink Like a Stone” e “Forty Days” e a potência refinada de “Nod”, executada em show último show no Brasil, a maioria das faixas mergulha em territórios excessivamente lisos, como “Soldier” e “Gold Long Gone”. Soa muito mais como pastiche do que como evolução. Parece tudo, menos Rise Against. A recepção dos fãs nas redes sociais tem sido dura. Relatos no Instagram e no Reddit são claros: “Este é, de longe, o álbum que menos gostei da banda.”“A mixagem é um overload sensorial, meus ouvidos fatigaram.”“Isso não é punk. A produção não é punk.” Ou seja, ao tentar “ser diferente”, como disse Tim McIlrath em entrevista recente, o resultado parece ter afastado fãs históricos, muitos reclamando que Ricochet soa distante da energia visceral e urgência que define o Rise Against desde os primeiros álbuns. Óbvio que os shows vão continuar sendo ótimos, graças a boa discografia da banda. Porém este será um álbum que daqui há alguns anos ninguém irá se lembrar. Nota 2.5 de 5

The Devil Wears Prada surpreende e encerra turnê com música inédita em São Paulo

O The Devil Wears Prada encerrou ontem (17.08) a turnê latino-americana no Carioca Club, em São Paulo, o mesmo palco que recebeu a última passagem da banda pelo Brasil há 13 anos. Não foi uma jornada fácil: além de lidar com a saída recente do baixista Mason Nagy, substituído nos shows por faixas gravadas, o grupo também enfrentou um assalto no aeroporto de Bogotá. Antes do show, conversamos com o vocalista Mike Hranica, que revelou de maneira exclusiva que um novo álbum está a caminho. Além dos singles Ritual e For You, a banda surpreendeu o público paulista com a inédita Where the Flowers Never Grow, apresentada de forma exclusiva e que será lançada em breve. O showA Liberation, organizadora do evento, apoiou a cena colocando como abertura a banda brasileira Emmercia, que aposta no metal moderno e vem se consolidando como um nome promissor do estilo. Na sequência, o The Devil Wears Prada entregou uma apresentação com foco na fase recente: nove das 17 músicas do set foram lançadas nos últimos três anos. O início privilegiou faixas mais pesadas, que incendiaram o público com rodas de mosh intensas. Destaque para Watchtower e Danger: Wildwoman, dedicada ao ex-baterista Daniel Williams, falecido recentemente. A parte intermediária do show trouxe composições mais voltadas ao metal moderno. Os vocais melódicos de Jeremy DePoyster ficaram em evidência, enquanto Mike Hranica se destacou ao inserir uma terceira guitarra em algumas músicas. Ritual foi um dos pontos altos, celebrada em coro pelo público. Na reta final, a banda revisitou a fase metalcore, com exceção da balada For You, cantada a plenos pulmões pelos presentes. Após a execução de Sacrifice, o grupo deixou o palco para o tradicional Encore. Enquanto a plateia aguardava as duas últimas faixas que fecharam toda a turnê, Mike Hranica surpreendeu ao anunciar o lançamento de uma nova música ao vivo. Foi então que apresentaram Where the Flowers Never Grow, seguida das clássicas Dogs Can Grow Beards All Over e Hey John, What’s Your Name Again?, que fecharam a noite em clima de celebração. Com a calorosa recepção em São Paulo, o The Devil Wears Prada prometeu não deixar passar mais 13 anos até a próxima visita ao Brasil. Setlist

Supercombo lança Caranguejo (Parte 1) indo do piseiro ao metal

O novo álbum da Supercombo, “Caranguejo” está no ar, ou quase isso. A banda decidiu dividir o novo trabalho em duas partes, disponibilizando a primeira metade no dia de hoje (15/08). O nome nasceu de uma piada interna na pré-produção. Um amigo disse que algumas músicas da banda pareciam o próprio bicho, ou seja, algo estranho, indo para um lado e depois para o outro. A banda abraçou a ideia, transformou o crustáceo em símbolo e deu nome ao disco que marca um retorno às raízes, mas sem medo de se aventurar em novos horizontes. Aqui, o rock e o pop continuam sendo a espinha dorsal, mas ganha tempero com ritmos brasileiros e a diversidade que vai do metal até o piseiro. E falando em piseiro, o primeiro single, “Piseiro Black Sabbath”, é a prova da versatilidade que só a Supercombo sabe entregar. Gravada quase de brincadeira, a faixa mistura peso e brasilidade com um groove irresistível e um refrão chiclete. O clipe já soma quase 150 mil visualizações no YouTube, confirmando que essa mistura inusitada caiu no gosto do público. Mas foi “Alento” que pegou em cheio pra mim. É daquelas músicas feitas para serem trilha da nossa vida, principalmente no meu caso que sou pai. Ano que vem minha filha completa 18 anos e vai para a faculdade, e essa letra sobre amor e cuidado mexeu comigo de um jeito que poucas músicas mexem. Veio na hora certa, no desafio de entregar o filho ao mundo. “Testa” é o single mais radiofônico do disco, com potencial para tocar em qualquer playlist pop/rock, novela e ainda assim fazer muita gente chorar, principalmente aqueles que perderam alguém especial. Já “Hoje Eu Tô Zen” tem um refrão bipolar que gruda e pode muito bem virar trend no TikTok e Instagram. Entre as mais pesadas, “A Transmissão” e “Alfaiate” mostram um lado mais metaleiro da Supercombo, mas sem perder a essência, principalmente nas letras afiadas e sarcásticas, recheadas de metafóras. O vocal de Léo Ramos continua sendo a cola que une tudo, mesmo quando a banda decide sair da zona de conforto. Podemos ouvir um metal ou piseiro e saber na hora que é o Supercombo. Com produção cuidadosa de Victor de Souza, o Jotta, e um planejamento para ser lançado em duas partes, “Caranguejo” é para ser ouvido com atenção e calma. Seu final vai ser agridoce, com aquele gosto de quero mais esperando a continuação em 2026. Próximos Shows 04.OUT – Santos/SP – Aurora Sounds12.OUT – Curitiba/PR – Opera de Arame18.OUT – Rio de Janeiro/RJ – Circo Voador02.NOV – Porto Alegre/RS – Teatro da Amrigs06.NOV – Joinville/SC – Teatro da Liga07.NOV – Blumenau/SC – Ahoy!08.NOV – Florianópolis/SC – John Bull23.NOV – Belo Horizonte/MG – Mister Rock14.DEZ – São Paulo/SP – Audio Ingressos em: www.supercomborock.com

Domingo do C6 Fest tem show impecável de Nile Rodgers e comoção com Wilco

O C6 Fest encerrou, no domingo (25), sua edição de 2025 com mais uma curadoria inspirada, equilibrando com inteligência artistas consagrados e nomes que vêm despontando na cena internacional — seja conquistando público em festivais europeus, seja chamando a atenção da crítica especializada. Teve a estreia energética do English Teacher, a performance vibrante do The Last Dinner Party, o show consagrado do Wilco e a celebração da lenda Nile Rodgers, que fechou a noite em clima de festa. Donos de um dos discos mais comentados de 2024 (This Could Be Texas), o English Teacher estreou em solo brasileiro já consagrado como vencedor do Mercury Prize — um dos prêmios musicais mais prestigiados do Reino Unido, concedido anualmente ao melhor álbum lançado por um artista britânico ou irlandês. Mas mesmo quem não está muito antenado aos acontecimentos do mercado musical pôde testemunhar os motivos que fizeram a banda ser reconhecida com tal honraria. Pontualmente às 14h de um domingo ensolarado, o grupo, conduzido principalmente por sua vocalista Lily Fontaine, mostrou estar pronto para uma carreira de fôlego — mesmo com apenas um álbum lançado. Lily é certamente o destaque, trazendo vocais firmes e fraseados do post-punk contemporâneo, mas intercalando com momentos suaves, sustentando notas agudas e entregando sutileza com controle — criando uma dicotomia entre o selvagem e o belo. Uma pequena amostra desse equilíbrio apareceu em The World’s Biggest Paving Slab, música em que a banda convidou uma fã da plateia para tocar guitarra no palco. Um gesto simples, mas revelador da segurança e da maturidade precoce que os ingleses demonstram em seus shows. Além da técnica e da qualidade na execução ao vivo, o grupo se mostra à vontade para explorar o palco, interagir com o público e se entregar totalmente — como fizeram na música de encerramento da apresentação, Albert Road. Na sequência, o mesmo palco que recebeu o English Teacher foi ocupado por outra banda internacional aclamada pela crítica musical. O The Last Dinner Party já contava com uma jovem base de seguidores apaixonados na plateia — e certamente saiu do festival com ainda mais fãs. Todas as músicas foram entoadas em coro, sinal de que o grupo, formado por cinco mulheres e acompanhado por um baterista de apoio, já conquistou o público brasileiro. O som da banda transita com naturalidade entre o pop barroco e o indie rock, com uma sutileza que encanta. A vocalista Abigail Morris não apenas canta — ela performa: dança, interpreta, encena suas músicas com intensidade e carisma, cativando quem estava por ali desde os primeiros minutos. Mas a ode teatral do grupo não se resume a Abigail. O próprio palco é cuidadosamente adornado para criar um cenário em que todas as integrantes brilham em suas posições. Outro destaque é a guitarrista Emily Roberts — mais tímida nas interações com o público, mas efusiva em sua técnica, preenchendo as canções do grupo com solos de indie rock notáveis. Visivelmente emocionadas e felizes com a recepção brasileira, o The Last Dinner Party prometeu voltar — e, quem sabe, com um palco maior e mais tempo para explorar suas apresentações. Um dos maiores nomes do festival, o Wilco, entrou para encerrar os trabalhos da Tenda Metlife. Assim como o Pavement, que esteve nesse mesmo palco em 2024, a banda liderada por Jeff Tweedy carrega décadas de fidelidade de um público fã da cena mais alternativa. O grupo norte americano é reconhecidamente um dos maiores nomes de sua geração do rock alternativo, seguindo firme com lançamentos notáveis mesmo após o auge representado pelo elogiado Yankee Hotel Foxtrot. Ainda que tenha passado recentemente pelo pelo Brasil, a vinda do Wilco para o país é sempre valorizada, pois o conjunto preza pela qualidade sonora e por alterar sutilmente seus setlists, proporcionando surpresas para os aficionados pela discografia do sexteto de Chicago. Company in My Back, do disco A Ghost Is Born (que ganhou uma reedição de 20 anos em 2024), foi a escolhida para iniciar os trabalhos em São Paulo. Com a destreza característica, o Wilco passeou por outros álbuns de sua discografia de 13 discos (fora EPs), sem esquecer de seu último trabalho, Cousin, de 2023. O público apaixonado pela banda cantou até mesmo as frases e solos de guitarra do grupo, levando Jeff a dizer que estava emocionado com a participação dos brasileiros. Em Impossible Germany (de Sky Blue Sky – 2007), o guitarrista Nels Cline brilhou com um solo memorável (e longo), amplamente aclamado. Outra canção performada já na noite de domingo, Via Chicago (de Summerteeth, 1999), talvez seja uma música-chave para entender o som do Wilco: uma melodia suave, quase folk, com a voz de Jeff Tweedy bem contida, cantando versos introspectivos, acompanhada por um instrumental leve — até que uma cacofonia de sons, distorção e caos toma conta da música, enquanto Tweedy permanece em sua calma. Essa alternância — entre delicadeza e ruído — sintetiza bem o tipo de tensão emocional e artística que o Wilco cultiva há décadas: músicas que parecem simples à primeira escuta, mas que revelam camadas profundas de construção sonora e sentimento a cada nova audição. Ao fim, a formação americana deixou o palco sob aplausos entusiasmados e gritos de “Wilco! Wilco!”, reafirmando sua relevância como um dos pilares da cena alternativa que moldou. Ficou a cargo de Nile Rodgers promover a festa de encerramento do C6 Fest 2025. Lenda viva da música, o artista é responsável por alguns dos maiores sucessos da história do pop e do funk. Embora seu nome possa não ser imediatamente reconhecido por todos, é difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma de suas criações — ou que não tenha sido, direta ou indiretamente, impactado por seu trabalho como hitmaker. Além de ser um exímio guitarrista — um verdadeiro pilar do instrumento no funk americano — Rodgers compôs e produziu para nomes como Diana Ross, David Bowie, Duran Duran, Beyoncé, entre tantos outros. Com um arsenal de sucessos, como Get Lucky (famosa na interpretação do Daft Punk), ficou fácil para o