Redd Kross anuncia show inédito e histórico no Brasil

Pela primeira vez na história, a influente banda Redd Kross desembarca no Brasil para um show único no Cine Joia, em São Paulo, no dia 26 de junho de 2026. O evento, realizado pela Maraty, celebra não apenas os 45 anos de carreira do grupo, mas também integra as comemorações de 26 anos do festival In-Edit Brasil e os 40 anos da lendária loja paulistana London Calling Discos, uma verdadeira instituição da cultura musical alternativa no país. Elo perdido do rock alternativo Formado em 1979 na cidade de Hawthorne, Califórnia, pelos irmãos adolescentes Jeff e Steven McDonald, o Redd Kross surgiu no epicentro da explosiva cena punk de Los Angeles. Enquanto o hardcore ditava a rigidez estética da época, a banda nadava contra a corrente, abraçando melodias ensolaradas, harmonias dos anos 60 e referências da cultura pop, filmes B e quadrinhos. Eles pavimentaram a transição entre o hardcore oitentista e o rock alternativo que explodiria nos anos 90. Essa fusão genial, provando que riffs pesados e inteligência pop podem conviver perfeitamente, influenciou gigantes do underground. Não é à toa que o baixista Steven McDonald e o baterista Dale Crover também fazem parte do lendário Melvins. Documentário, bandas de abertura e discotecagem A passagem da banda pelo Brasil será uma imersão completa. Um dia antes do show, em 25 de junho (quinta-feira), às 20h, o festival In-Edit Brasil exibirá o documentário Born Innocent: The Redd Kross Story. A sessão contará com a presença da banda para um debate imperdível com o público (o local será anunciado em breve). Já a grande noite no Cine Joia será uma festa sem hora para acabar. A discotecagem de rock ficará sob o comando da icônica DJ Flávia Durante. Para aquecer o palco, duas bandas de abertura que dialogam perfeitamente com o espírito exploratório da noite: 🎫 Serviço: Redd Kross no Brasil Show principal Exibição do documentário

Shows de rock transformam bairros e aquecem o mercado imobiliário em SP

Em São Paulo, acontecimentos culturais têm ganhado espaço na cena urbana e, ao mesmo tempo, influenciado decisões de consumo e moradia. Quando há um apartamento para alugar na Zona Oeste, por exemplo, essa escolha pode estar relacionada não apenas à localização, ao preço ou à infraestrutura, mas também à oferta cultural que o bairro pode proporcionar aos moradores. Shows de rock e grandes eventos musicais são capazes de gerar mudanças profundas nos bairros onde ocorrem, impactando desde a economia local até o mercado imobiliário. Como shows movimentam a economia local Grandes festivais e shows atraem milhares de pessoas para a cidade. Eventos como o festival The Town, idealizado por Roberto Medina e realizado no Autódromo de Interlagos, são exemplos de como o rock e a música popular agitam a economia paulistana. A primeira edição do The Town movimentou cerca de R$ 1,9 bilhão na economia de São Paulo, segundo análise do CEO da organização do evento. Esse tipo de evento tende a impulsionar setores como transporte, alimentação, hotelaria e serviços durante os dias de realização do show. Além disso, estudos sobre o impacto de concertos mostram que grandes shows podem aumentar a circulação de pessoas e estimular o comércio local, fazendo com que turistas e moradores gastem mais em bares, restaurantes, transporte e hospedagem. Impactos diretos na economia Revitalização e transformação urbana Shows de rock muitas vezes acontecem em áreas que já têm infraestrutura para eventos ou estão posicionadas como polos culturais emergentes. Isso faz com que esses bairros ganhem mais visibilidade e, consequentemente, atraem novos investimentos. Bairros próximos a locais de shows, como o centro ou áreas que recebem eventos periódicos, podem experimentar mudanças urbanas interessantes. Por exemplo, o festival Rock na Praça, que já aconteceu no Vale do Anhangabaú e arredores da Galeria do Rock, contribui para a ocupação desses espaços e reforça a relevância do centro para a cena musical. A percepção de que um bairro tem vida cultural intensa faz com que mais pessoas queiram morar ali, o que, por sua vez, pode favorecer a chegada de bares, cafés, espaços culturais e novos serviços para o dia a dia. Eventos desse tipo também podem trazer melhorias de infraestrutura urbana e maior atenção pública. Ao fortalecer o uso dos espaços públicos, a música ao vivo cria mais motivos para que residentes e visitantes frequentem a região, gerando um ciclo de transformação urbana que vai além do entretenimento. Eventos culturais e valorização imobiliária Há estudos e análises que demonstram como eventos culturais podem influenciar diretamente o valor imobiliário de bairros. A presença de um calendário cultural ativo, com eventos que atraem público de fora, tende a tornar a região mais atrativa para viver e investir. Quando um bairro é percebido como um centro cultural, com shows, festivais e atividades regulares, isso pode: Esse efeito costuma surgir com especial força quando eventos contribuem para transformar a imagem de um bairro de algo estático para um polo de movimento cultural e social. Em muitas cidades do exterior, inclusive, áreas com uma vida musical vibrante são frequentemente associadas a maiores preços de aluguel e valorização imobiliária sustentável ao longo do tempo. Casos em São Paulo Em São Paulo o mercado imobiliário tem mostrado sinais de aquecimento em diversas regiões da cidade. Segundo levantamentos do setor, bairros como Vila Nova Conceição, Itaim Bibi e outros centros urbanos apresentam forte valorização do valor dos imóveis no geral. Esse movimento é reforçado por fatores econômicos mais amplos, mas a presença de atividades culturais ativas, incluindo shows, festivais e espaços de música ao vivo, ajuda a compor o cenário de maior atração imobiliária. Pessoas interessadas em qualidade de vida e experiências urbanas acabam por buscar bairros que tenham cultura vibrante, o que também pode elevar a procura por um apartamento para alugar na Zona Oeste ou em outras partes da cidade que ofereçam essa diversidade de opções. O lado humano dessa transformação Para moradores, a presença de shows e eventos culturais traz tanto benefícios quanto desafios. Por um lado, a intensa vida noturna e cultural melhora a qualidade de vida, promove encontros e aprofunda laços sociais. Por outro, pode gerar questões ligadas a ruído, trânsito e pressões sobre serviços públicos. Por isso, um planejamento urbano que concilie moradia e cultura é essencial. Para muitos jovens e profissionais, a oferta de entretenimento é um fator relevante na escolha de onde morar. Ao ter acesso fácil a shows, festivais e ambientes culturais, bairros ganham um apelo que vai além da moradia tradicional, tornando-se pontos de estilo de vida. Dicas para quem busca morar próximo a polos culturais Conclusão Shows de rock e outros eventos culturais exercem um papel importante na transformação urbana de São Paulo e influenciam diretamente o mercado imobiliário. Eles ajudam a movimentar a economia, além de fortalecer a identidade dos bairros como polos de vida cultural e social. Esse cenário contribui para a valorização de áreas e aumenta o apelo de lugares para morar, como quando alguém decide procurar um apartamento para alugar atraído não só por localização, mas pela rica oferta cultural ao redor. No contexto da metrópole paulista, cultura e mercado imobiliário caminham juntos, moldando os bairros e oferecendo múltiplas oportunidades para moradores, investidores e visitantes.

Jayler e Dirty Honey comandam sideshow do Monsters of Rock em São Paulo

O Monsters of Rock anunciou uma noite especial em São Paulo antes da realização do festival. No dia 2 de abril, a Audio será palco de um esquenta que reúne duas apostas da nova geração do rock: Dirty Honey e Jayler. A proposta vai além de um simples warmup e coloca frente a frente duas das bandas mais eletrizantes da atualidade. A apresentação funciona como uma prévia do clima que deve tomar conta do Monsters of Rock, oferecendo ao público a oportunidade de ver os grupos em ação em um show dedicado, com estrutura completa. A expectativa é de casa cheia para acompanhar o peso e a energia que têm colocado as bandas em destaque no cenário internacional. Os ingressos começam a ser vendidos no dia 19 de fevereiro, pela Eventim, com valores entre R$ 225,00 e R$ 550,00, além da opção de parcelamento em até quatro vezes sem juros.

Mr. Bungle faz show caótico e insano no Cine Joia em São Paulo

A banda Mr. Bungle, liderada por Mike Patton, icônico vocalista do Faith No More, fez uma apresentação solo nesta segunda-feira (26), no Cine Joia, em São Paulo, antes de participar da abertura dos shows do Avenged Sevenfold em Curitiba (28/01) e novamente na capital paulista, no Allianz Parque (31/01), juntamente com A Day To Remember. Por ser uma casa de shows relativamente pequena, foi uma oportunidade única de ver de perto o que podemos chamar de supergrupo. Além de Patton, que por si só já é um espetáculo à parte, somam-se à banda os lendários Scott Ian, guitarrista do Anthrax, e Dave Lombardo, ex-baterista do Slayer. Completam o time dois membros originais do Mr. Bungle – Trey Spruance, guitarrista também com passagem pelo FNM, e o baixista Trevor Dunn, parceiro do vocalista em outros projetos. E falar de Mr. Bungle é falar de caos. Metal, ska, disco, funk, jazz e outros gêneros, tudo junto e misturado de forma imprevisível e experimental. Um retrato da personalidade genial e controversa de Mike Patton. O show atual, porém, é bastante focado nas músicas do pesado álbum The Raging Wrath of the Easter Bunny, de 2020, executado quase na íntegra, com alguns momentos de calmaria. O disco é a regravação da demo de estreia, de 1986, e reflete as raízes thrash metal dos atuais e antigos integrantes da banda. A apresentação começa tranquila, com todos sentados em banquinhos para um cover de Tuyo, de Rodrigo Amarante, tema da série Narcos, seguida pela instrumental Grizzly Adams. Na sequência, começa a pancadaria e as rodas de mosh – sim, mesmo o local sendo pequeno, teve roda durante quase todo o show –, com Anarchy Up Your Anus e Bungle Grind. Depois, um momento singelo (ao estilo Patton), com a execução da balada I’m Not in Love, do 10cc. Eracist, Spreading the Thighs of Death, a clássica Retrovertigo (tocada parcialmente) e State Oppression, cover do Raw Power, vêm em seguida, antecedendo um dos momentos mais marcantes do show, Hypocrites / Habla Español o Muere. Patton adaptou a letra para Speak Portuguese or Die, e finalizou cantando “Fala português ou morre”. A porradaria segue com Glutton for Punishment, USA, cover do Exploited, e Raping Your Mind, até o respiro romântico de Hopelessly Devoted to You, música de John Farrar que ficou conhecida na voz de Olivia Newton-John no filme Grease. My Ass Is on Fire, icônica faixa do álbum homônimo de estreia da banda, inicia a parte final do show, que encerra com Sudden Death, Refuse/Resist, do Sepultura – outro ponto alto da noite, e um cover pra lá de inusitado de All by Myself, de Eric Carmen. O refrão foi adaptado para “Tomar no Cu”, cantado em coro pelo público, todos com o dedo do meio em riste. Que momento! Um fechamento perfeito para um show não muito extenso, de 1h20, mas com todo o caos e insanidade que os fãs esperavam. Vida longa ao Mr. Bungle! Avenged Sevenfold na área e banda de abertura para o Mr. Bungle no Cine Joia Antes de encerrar esta resenha, dois pontos de destaque. Os cinco integrantes do Avenged Sevenfold estavam no Cine Joia assistindo ao show. Em dado momento, Patton brincou dizendo que o público estava no show errado, e que o A7X estava tocando “logo ali”, o que gerou algumas vaias. Rapidamente, o vocalista disse “não façam isso, são nossos amigos”, e pediu palmas, sendo prontamente atendido. Também vale citar a banda que abriu a noite, o duo brasileiro TEST, que faz um death metal experimental. Eles ficaram conhecidos por tocarem do lado de fora de shows e festivais, usando uma Kombi como apoio, fazendo tanto sucesso que acabaram indo parar nos palcos. Destaque para o baterista Barata, que já foi citado por Igor Cavalera como “o melhor baterista do mundo”. Não sei se é o melhor do planeta, mas posso garantir que o cara é absurdamente brutal. Velocidade, técnica, peso… Faz muito tempo que não fico impressionado com um baterista como fiquei com ele! Vale muito conhecer!

Dead Fish faz show de 25 anos do Afasia neste sábado em São Paulo

O Dead Fish sobe ao palco da Audio, em São Paulo, neste sábado, 24 de janeiro, para um show especial que celebra os 25 anos de Afasia, um dos álbuns mais importantes da história do hardcore brasileiro. Anunciada em novembro, a apresentação terá repertório dedicado ao disco lançado em 2001, responsável por consolidar a banda capixaba no cenário nacional com músicas como Tango e Noite. A noite também contará com shows da Budang e da Bullet Bane, representantes da nova geração do punk e do hardcore nacional, que se apresentam antes do Dead Fish. O encontro entre diferentes momentos da cena reforça a influência duradoura de Afasia, disco que segue como referência para bandas que surgiram décadas depois de seu lançamento. Lançado há 25 anos, Afasia marcou uma virada na trajetória do Dead Fish ao ampliar o alcance da banda para além do circuito underground, sem perder o caráter político e direto que sempre definiu sua obra. O álbum se tornou um dos registros mais celebrados do hardcore brasileiro e permanece atual tanto pelas letras quanto pela intensidade das composições. O show na Audio celebra esse legado e reafirma o papel do Dead Fish como um dos nomes centrais do hardcore nacional, reunindo fãs de diferentes gerações em uma data simbólica para a história da banda e do gênero.

Booze & Glory confirma retorno ao Brasil em 2026 com show no Hangar 110

Ícone do street punk contemporâneo, o Booze & Glory retorna ao Brasil em fevereiro de 2026 para uma apresentação única em São Paulo. A banda britânica sobe ao palco do Hangar 110 no dia 28 de fevereiro, em show que integra a turnê de divulgação do álbum Whiskey, Tango & Foxtrot. A realização é da ND Productions em parceria com a Fastix. Formado em Londres, o Booze & Glory se consolidou como um dos principais nomes do punk Oi! das últimas décadas, com uma trajetória marcada por letras diretas, refrões fortes e uma estética fortemente conectada à cultura urbana e operária britânica. Liderado pelo vocalista Mark RSK, o grupo construiu uma identidade própria desde o álbum de estreia Always On The Wrong Side, lançado em 2010. Ao longo da carreira, a banda lançou trabalhos como As Bold As Brass, Mad World, Hurricane e Chapter IV, além de manter uma intensa agenda de turnês internacionais. O Booze & Glory já passou por grandes festivais europeus, como Rebellion Festival, Punk Rock Holiday e Mighty Sounds, e realizou apresentações pela Europa, América do Norte, América Latina e Japão. Um dos elementos centrais da identidade do grupo é a relação direta com a cultura do futebol, presente tanto nas letras quanto no imaginário visual da banda. A associação com as arquibancadas inglesas, os cânticos de torcida e o espírito coletivo aproxima o punk Oi! do universo futebolístico, reforçando a conexão com o cotidiano das ruas. Gravado na Itália, Polônia e México, Whiskey, Tango & Foxtrot reafirma o compromisso do Booze & Glory com um som cru e direto, sustentado por guitarras incisivas e batidas aceleradas. Os primeiros singles, como “Boys Will Be Boys”, “Brace Up” e “Mad World”, apontam para um disco pensado para o coro do público, mantendo viva a tradição do punk britânico de transformar shows em experiências coletivas. Booze & Glory em São Paulo Data: 28 de fevereiro de 2026 (sábado) Local: Hangar 110 Horário: 18h (abertura da casa) Endereço: rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro, São Paulo/SP Ingressos: fastix.com.br/events/booze-glory-uk-em-sao-paulo

Entrevista | Rancore faz show secreto no Bar Alto e apresenta novo álbum na íntegra

O Rancore realizou dois shows secretos no Bar Alto, em São Paulo, na noite de ontem (18), em duas sessões seguidas. O Blog N’ Roll foi convidado para acompanhar a apresentação das 21h30 que marcou a execução ao vivo, pela primeira vez, das 11 faixas que compõem o novo álbum da banda, ainda sem título definido. Após a audição completa do material inédito, o grupo encerrou o set com quatro músicas já conhecidas do público: Quando Você Vem, Jeito Livre, Samba e Mãe. O novo trabalho chega 15 anos após Seiva e mantém uma característica histórica da discografia do Rancore: cada álbum soa diferente do anterior. Ainda assim, este novo disco dialoga diretamente com Seiva, tanto pela atmosfera quanto pela proposta artística. A experiência de ouvir o álbum ao vivo junto com os fãs e a presença de palco do vocalista Teco Martins foi além da música em si, evocando uma sensação quase ritualística, de caráter espiritual, resultado de uma construção sonora densa e imersiva. Essa abordagem reflete influências diretas dos hinários xamânicos que permeiam o universo criativo do vocalista, somadas a referências do post-punk dos anos 1980, das brasilidades das décadas de 1970 e 1980 e do punk brasileiro em sua forma mais crua. Há ecos claros de bandas como Olho Seco e Restos de Nada, em um disco que se afasta de rótulos fáceis e reafirma a identidade mutável do Rancore, sempre em transformação. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Teco Martins conta sobre a volta da banda, as influências e diferenças criativas dos integrantes e também a decisão de deixar de fora os singles lançados anteriormente, como Quando você vem e Pelejar. O álbum novo ainda não tem nome. Em que estágio ele está e qual é a previsão de lançamento? Teco Martins – O disco está totalmente pronto. A gente está finalizando a arte e vivendo uma disputa intensa sobre o nome. O primeiro single sai agora no começo do ano, em janeiro. Deve vir outro em fevereiro e, provavelmente, o álbum completo chega em março. Ainda não é uma certeza absoluta, mas esse é o planejamento. Essa indefinição do nome diz algo sobre o processo do disco? Teco Martins – Totalmente. Essa disputa pelo nome representa tudo o que foi a construção do álbum. Encontrar a intersecção entre nós cinco foi o grande desafio. Somos pessoas muito diferentes, com influências muito distintas, mas que se amam muito. Somos amigos de infância. A escolha do nome precisa representar isso tudo, e a gente vai encontrar. Ele vai aparecer. O que pesou na decisão de não incluir os singles Pelejar e Quando Você Vem no álbum? Teco Martins – Sinceramente, porque sentimos que as outras músicas são melhores. E também achamos interessante lançar um disco totalmente inédito. Eu amo Pelejar e Quando Você Vem, elas me representam muito, mas sentimos que essas músicas funcionaram como um aquecimento para fazer esse disco. Foi uma escolha consciente. Também achamos legal ter singles soltos. Esse novo repertório aponta para uma mudança de linguagem do Rancore? Teco Martins – Sim. As onze músicas seguem uma linha diferente. A galera vai precisar entender melhor essa transformação que começou no Seiva e continua agora. O público do Rancore já está acostumado com mudanças. Do Yogo Stress e cafeína para o Liberta foi uma diferença grande, do Liberta para o Seiva também. A gente nunca quis fazer a mesma coisa. Queremos fazer o que acreditamos no momento. Estamos sempre em transformação, e a música reflete isso. Quais foram as principais influências desse disco? Vi de post punk até o início do movimento punk brasileiro, algumas coisas me lembraram Olho Seco… Teco Martins – Você foi bem sagaz ao perceber o punk. O punk 77 foi algo com que eu me conectei muito nesse disco. Sempre gostei de The Clash, mas dessa vez me aproximei bastante de Olho Seco, Cólera, Flicts, Os Excluídos, Restos de Nada, Dead Kennedys. Esse foi um lado do álbum. Mas também tem noise, glitch, eletrônicos mais experimentais. E as influências mais espirituais e brasileiras? Teco Martins – Eu gosto muito de música xamânica, de hinários, de Santo Daime. Isso aparece bastante. É tanta influência que fica claro por que a busca pela intersecção entre nós cinco é tão importante. Cada um viveu experiências muito diferentes. O Candinho estava em Berlim fazendo música experimental. O Gulão mergulhou na música eletrônica e virou DJ, com o projeto Nuvem. O Alê tocou com o Supla e trouxe essa energia punk. Eu estava fazendo música de ritual, ligado à floresta, à terra. Como tudo isso se encontra dentro do Rancore? Teco Martins – O Rancore bebe de muitas fontes musicais e de estilos de vida muito diferentes. E, mesmo assim, somos os mesmos caras há muitos anos, a mesma formação desde a época da escola. É bonito esse encontro de pessoas que pensam muito diferente, mas conseguem se comunicar musicalmente e criar algo que é só nosso. Vocês conseguem definir o som desse novo disco? Teco Martins – Não. Nem a gente sabe definir. É hardcore, psicodélico, indie, tropical, punk. É muita coisa. E acho que todo artista busca isso: fazer algo com personalidade única, algo que só existe ali. Podemos dizer que você se reconectou com o rock para fazer esse disco? Teco Martins – Sim. Eu tinha parado de ouvir rock por um tempo. Para fazer esse disco, me reconectei com isso. Você está usando a camiseta do Black Sabbath, essa foi uma das bandas. Teve também o The Clash, Deep Purple, o rock mais raiz. Também com o rock brasileiro mais pesado, os punks antigos. Quando eu era adolescente, minha cabeça era hardcore melódico, quanto mais rápido melhor. Mas agora me conectei muito com essa essência mais crua do punk, e isso está muito presente nesse disco.

Fabio Lione adia show em São Paulo e anuncia nova data no Manifesto Bar para fevereiro de 2026

Uma das vozes mais marcantes do heavy metal mundial, o italiano Fabio Lione teve seu show em São Paulo remarcado. A apresentação, que aconteceria neste sábado, 20 de dezembro, no Manifesto Bar, foi adiada por conta de problemas de saúde familiares enfrentados pelo músico. A nova data já está definida: 27 de fevereiro de 2026, no mesmo local, na capital paulista. Conhecido por passagens históricas por bandas como Angra, Rhapsody, Vision Divine, Kamelot, Labyrinth e Athena XIX, Fabio Lione vem acompanhado de uma banda formada por Johnny Moraes na guitarra, Wagner Rodrigues na guitarra, Fábio Carito no baixo, Leandro Freitas nos teclados e Marcus Dotta na bateria. O repertório promete revisitar momentos marcantes de mais de três décadas de carreira dedicadas ao rock pesado. O show acontece no Manifesto Bar, casa que há mais de 30 anos ocupa lugar central na cena rock de São Paulo e, recentemente, opera em novo local. Os ingressos adquiridos anteriormente seguem válidos para a nova data. Quem optar pelo reembolso deve entrar em contato com o Clube do Ingresso para preencher o formulário de solicitação. ServiçoShow Fabio LioneLocal: Manifesto BarData: 27/02/2026Horário: 20hIngressos: A partir de R$ 80 – Clube do IngressoEndereço: Rua Ramos Batista, 207, Vila Olímpia, São Paulo

Entrevista | Health – “Vivemos no limite entre tentar agradar os outros e ser fiel a nós mesmos”

Antes de se apresentar como atração de abertura do Pierce The Veil no Espaço Unimed, em São Paulo, nesta terça-feira, 16 de dezembro, o Health falou sobre o momento atual da banda. A repórter Mayara Abreu entrevistou o baterista BJ Miller, que falou sobre o momento atual da banda com seu novo álbum. O show marcou mais um capítulo da fase intensa vivida pelo grupo, impulsionada pelo lançamento de seu sexto álbum de estúdio, Conflict DLC, que chega como a consolidação de uma trajetória marcada por peso extremo, experimentação sonora e uma estética que abraça o desconforto como linguagem. Anunciado em setembro, Conflict DLC reúne 12 faixas de metal industrial em alta voltagem e aprofunda os subtextos existenciais que se tornaram marca registrada do Health. O disco transita sem concessões entre ruído eletrônico, industrial pop e estruturas quase dançantes, como nos singles Ordinary Loss, Vibe Cop e Shred Envy, sempre sustentados por riffs massivos, batidas explosivas e um clima melancólico que reflete o caos da vida moderna. Definido pela própria banda como uma coleção de “sad bangers” para o fim dos tempos, o álbum dialoga diretamente com sua base de fãs, uma coalizão de subculturas unida pela intensidade emocional e pela busca de conexão em meio à escuridão. Falando sobre o Health, minha primeira pergunta é sobre o último álbum, Conflict DLC. Eu li que o disco é descrito como uma coleção de “sad bangers”. Esse álbum é mais um espelho desse mundo ou um jeito de escapar dele? Isso é difícil de responder e eu estou tentando responder para todos agora. Certamente está espelhando nossos tempos, mas nós temos intenção de ser um escapamento. Nossos livestreams são sempre bons, esperamos, um espelho e um lançamento do que se tornou, mais ou menos, um monte de ansiedade no mundo. Quando eu estava lendo sobre o Health e ouvindo a banda, percebi que os fãs vêm de diferentes cidades e de diferentes subculturas. Como vocês mantêm o Health verdadeiro a si mesmo enquanto falam com públicos tão diversos? Bem, a gente não consegue agradar todo mundo o tempo todo. Eu odeio citar o Mitch Hedberg, porque vocês já sabem disso, mas ele tem uma frase ótima sobre isso. No fim das contas, todas essas pessoas estão no nosso show. Só que é impossível atender a todas as expectativas. A gente vive constantemente nesse limite entre tentar agradar os outros e ser fiel ao que faz sentido para nós mesmos. Por isso, a decisão quase sempre começa pelos nossos instintos, que é agradar a nós mesmos. Ao mesmo tempo, a gente observa as reações, especialmente o que aparece no Discord, que o John costuma chamar de um tipo de grupo de foco da internet. Tentamos filtrar esses retornos e levar em conta o que o público responde. Muitas vezes isso acontece em tempo real. Tocamos uma música nova, percebemos que não funcionou tão bem, reavaliamos, mudamos a ordem ou voltamos a testá-la em outro momento. Quando tocamos algo e a resposta vem forte, fica claro que aquilo conecta. A ideia é que essa energia seja contagiante. Mesmo que alguém não esteja totalmente convencido no começo, a empolgação de quem está ao lado acaba envolvendo todo mundo. De repente, a pessoa se vê ali, abraçada àquele momento, pensando que, no fim das contas, aquilo faz sentido. Falando especificamente dos shows, eles parecem sempre funcionar como um ritual, não apenas como um concerto comum. O que você quer que as pessoas sintam quando saírem de um show do Health? Você sabe, nós não somos pessoas muito religiosas, e o espiritual não está geralmente no nosso vocabulário, mas eu espero que seja uma experiência espiritual de algum tipo. Para encerrar, uma pergunta rápida. Pop extremo ou industrial clássico? Oh, você disse pop extremo? Sério? Eu não sei, o que é pop extremo? Tipo, super pop? Industrial, sim, eu acho, você sabe, mas nós dois, eu quero dizer, nós dois, nós todos gostamos de ambos, então, sim, aqui estamos. Um show perfeito para você. Um show perfeito para assistir? Tool no ano passado foi bastante incrível. Deus, se eu pudesse ver o Nirvana tocar.. E o novo álbum em uma palavra? Uau! Isso funciona? Foto: Renan-Facciolo