Entrevista | Bayside Kings – “A gente quer ocupar espaço em todos os eventos para mostrar nosso som”

O Arena HC confirmou mais uma vez sua força como principal vitrine do hardcore nacional na atualidade durante a edição realizada no último sábado, 11 de abril, no Studio Stage, em São Paulo. Entre os grandes destaques do line-up, o Bayside Kings foi um dos nomes que mais mobilizaram o público logo nas primeiras horas do festival, ajudando a transformar o evento em um verdadeiro ponto de encontro da cena. Com uma apresentação visceral, a banda santista entregou um show intenso do início ao fim, reafirmando a conexão construída ao longo dos anos com os fãs do hardcore brasileiro. O público respondeu à altura, com muitos stage dives, rodas de mosh pit e a energia caótica que já se tornou marca registrada dos shows do grupo. No repertório, um dos momentos mais aguardados foi a execução do single “Nada Para Mim”, faixa recente que já vem ganhando força entre os seguidores da banda. Como de costume, o palco também se transformou em uma grande festa, com os tradicionais artefatos de praia que acompanham a identidade do grupo, incluindo os clássicos macarrões de isopor, que deram ainda mais personalidade à apresentação. Vivendo uma nova fase, o Bayside Kings também se prepara para um passo importante na carreira: o lançamento de um novo álbum, o primeiro pela Deckdisc. Em entrevista durante o festival, a banda falou ao Blog N’ Roll sobre a importância de estar presente em festivais de diferentes perfis e sobre a expansão do seu alcance dentro do mercado. Esta entrevista faz parte de uma série de 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. O novo single Nada para Mim já está sendo cantado pelo público nos shows. Qual o próximo passo? Teremos um novo single ou um novo Milton – O próximo single sai pela Deck Disk no próximo dia 15 de maio, antes da gente ir para o Porão do Rock. A música se chama “A Lei do Retorno” e acredito que no meio do ano a gente já lance o álbum cheio. Você citou o Porão do Rock, o Bayside Kings está tocando além de festivais de hardcore e indo para festivais que não tocam só Rock. Como vocês enxergam essas participações em festivais para o crescimento da banda? Teteu – Eu acho legal porque a gente consegue abrir a porta para um tipo de som que não é muito comum de estar nesses festivais. A gente sempre quis ocupar esses espaços porque são sempre poucas bandas que vão e às vezes são bandas secundárias, mais longe da proposta do festival. Mas a gente quer ocupar espaço em todos os eventos, não importa se é de música X ou música Y. Queremos estar lá para mostrar nosso som, nossa comunidade e como tudo funciona. O próximo Arena HC será realizado no dia 26 de abril em Belo Horizonte e, além do Bayside Kings, terá as bandas Dead Fish, Hateen, Rancore, Pense, Garage Fuzz e Aurora Rules. Ingressos à venda na articket.

Entrevista | Sociedade Armada – “A ideia é tocar com regularidade e voltar a estar ativo no cenário”

A banda Sociedade Armada está oficialmente de volta à ativa após um hiato de cerca de seis anos. O retorno ganha ainda mais força com uma nova formação, marcando uma nova fase para um dos nomes tradicionais do hardcore santista. A retomada foi impulsionada por um documentário sobre a trajetória do grupo, reacendendo o interesse dos integrantes e também a conexão com fãs e amigos que acompanharam a banda desde sua fundação, em 1994. O primeiro show dessa nova fase, na cidade natal em Santos, aconteceu no último dia 10 de abril, reunindo nomes importantes da cena como Ação Direta, Contramão e Causa Hardcore. A apresentação marcou não apenas o reencontro da banda com o público, mas também reafirmou sua relevância dentro do circuito underground, com um show celebrado como uma verdadeira festa entre músicos e fãs. No setlist estavam clássicos que abrangeram todas as fases da banda com grande destaque para Rotina e Juventude Transviada que levou o público à loucura. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Fefê falou sobre o retorno da banda, os planos para manter uma agenda ativa de shows e relembrou momentos marcantes da trajetória, destacando apresentações em diferentes fases da carreira e a forte conexão construída com o público ao longo dos anos. 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. O que motivou a Sociedade Armada a voltar e como foi esse primeiro show da volta? Na verdade, tudo começou quando, há alguns anos, Rodney, Eric e Chroma Key (estúdio) vieram produzir um documentário sobre a história da banda. Isso já despertou aquela vontade, porque você começa a revisitar tudo o que aconteceu, mesmo depois de cerca de seis anos sem tocar. Esse processo trouxe de volta um pouco dessa energia. Depois, começamos a conversar com amigos, consultar pessoas próximas, e todo mundo incentivando, dando força. Também é muito legal pela oportunidade de reencontrar pessoas. A banda existe desde 1994, então são muitas amizades construídas ao longo dos anos em várias partes do Brasil. É uma chance de rever todo mundo. Após esse retorno, quais são os planos para o futuro? A ideia é tocar com regularidade, pelo menos uma vez por mês, e voltar a estar ativo no cenário. A gente não vive da banda, mas existe o compromisso de manter essa disciplina e continuar presente no underground. Queremos fazer shows como esse, que deixou todo mundo feliz, foi uma festa muito bacana. Todo mundo se divertiu, e isso mostra que o resultado foi positivo. Tem algum show que ficou marcado na história da banda? Todo show acaba sendo especial de alguma forma. Até apresentações mais difíceis, como uma que fizemos em 1995, em uma quarta-feira, quase às quatro da manhã, praticamente só para o dono do bar. Mesmo nessas situações, você aprende, evolui e ganha experiência. Mas um show que marcou bastante foi em Natal, que foi realmente muito especial. Em Santos também tivemos vários momentos importantes, principalmente nos anos 90, quando a cidade vivia uma fase muito forte, com muitas bandas de fora e casas lotadas. Sempre tivemos uma relação muito intensa com o público, uma troca de energia muito forte. Independentemente do tamanho do público, seja para poucas pessoas ou para mais de mil, como já aconteceu em Recife, essa conexão é o que realmente importa.

Entrevista | Ação Direta – “Estamos preparando dois setlists para os 40 anos da banda”

A banda Ação Direta voltou a Santos, na última sexta-feira (10), para um show no pub Mucha Breja, reunindo diferentes gerações da cena punk e hardcore. O evento também contou com apresentações de Sociedade Armada, Causa Hardcore e Contramão, consolidando uma noite marcada pelo reencontro entre nomes históricos. Formada no ABC Paulista em 1987, a Ação Direta construiu uma trajetória sólida dentro do hardcore brasileiro, com letras politizadas, atitude DIY e forte presença ao vivo. Ao longo das décadas, a banda se tornou referência no gênero, mantendo-se ativa com lançamentos constantes, turnês e participações em festivais importantes. Mesmo após mudanças de formação, o grupo preserva sua essência combativa e segue dialogando com diferentes gerações da cena. O retorno a Santos também teve caráter simbólico para a banda, que mantém uma relação histórica com a cidade desde os anos 80, período em que o intercâmbio entre as cenas do ABC e do litoral era intenso. No show do Mucha Breja, o público respondeu com casa cheia e participação ativa, reforçando a relevância contínua do grupo. Em entrevista ao Blog N’Roll, o vocalista Paulo Gepeto fala sobre os 40 anos da banda que será celebrado em 2027. Esta entrevista faz parte de uma série de 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. 39 anos de Ação Direta. Você tem algum plano para os 40 anos? O que vocês pretendem fazer para o ano que vem? Quais são as expectativas? Cara, nem parece que passou tanto tempo, né? Mas são 39 anos de estrada, de trabalho pesado. A banda está em um momento bom, a gente está fazendo bastante shows. Tem um álbum novo chegando agora em maio, que é um split com uma banda alemã chamada Japanische Kampfhörspiele. Não sei se meu alemão está tão bem assim. Mas estamos com muita atividade e com um baixista novo. Estamos preparando dois setlists para os 40 anos da banda, para comemorar, abrangendo todas as fases. E como está a agenda da banda? Muitos planos, turnês, shows. A agenda da banda está legal, a gente está rodando. Hoje estamos aqui em Santos, voltando a Santos. Se não me engano, fazia três anos que a gente tinha vindo no FuzzFest, do Garage Fuzz. E é muito legal, emocionante rever toda essa galera, os amigos dos anos 80, que ajudaram muito a Ação Direta aqui. Tem algum show memorável aqui em Santos? Cara, hoje com certeza foi um show memorável, porque casa cheia, festa boa, rever a velha guarda de Santos, a molecada nova, todo mundo. Isso é memorável. Acho que todos os shows que a gente fez aqui entraram para a história. Acho que o Circo Marinho, que reuniu Psychic Possessor, Ação Direta, Vulcano, SPH, foi um show que me marcou muito. Já fizemos um lançamento de disco Vestido de Mulher, no Carinhoso Bar, com o Nego caindo no canal, chapado. Tinha um intercâmbio muito grande entre ABC e Santos. E relembrar Psycho Possessor, Ovec, Garage Fuzz, Safari Hamburguers, tantas bandas importantes da cena. Aqui é muito legal. É um prazer enorme voltar a Santos, que a gente frequenta desde os anos 80. Então, muitas histórias legais e rever essas pessoas, rever a cena nova, as bandas novas que tocaram com a gente hoje também. Muito importante, cara. E a gente está muito feliz de ver o espaço abrindo as portas para as bandas, a galera comparecendo, se divertindo, comprando merchandise, dando suporte. A gente vai sair daqui feliz e a banda tem várias novidades. Fiquem atentos que agora em maio sai o trabalho novo.