Entrevista exclusiva | Dr. Chud – “Estávamos todos no auge naquela fase do Misfits. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos”

O ex-baterista dos Misfits, Dr. Chud, confirmou sua volta ao Brasil com a turnê “South America/Italia Tour”, marcada para agosto. O músico se apresenta em São Paulo dia 16, no tradicional Hangar 110, espaço histórico da cena punk e hardcore nacional. A passagem marca o retorno do artista ao continente após anos afastado de turnês próprias. Conhecido por sua atuação em uma das fases mais populares dos Misfits, Dr. Chud promete um show voltado ao horror punk, com repertório que mistura clássicos da banda com composições autorais e material de seus projetos mais recentes. A proposta, segundo o próprio músico, é entregar uma apresentação energética e acessível, dialogando diretamente com o público que acompanhou sua trajetória desde os anos 1990 até sua fase atual. Dr. Chud participou de álbuns como “American Psycho” e “Famous Monsters”, além de registros como “Cuts from the Crypt”. Multi-instrumentista, produtor e compositor, ele também integrou bandas como Blitzkid e desenvolveu projetos autorais ao longo das últimas décadas. Sua formação inclui passagens por diferentes estilos e estudos aprofundados de percussão, o que ajudou a moldar sua identidade musical tanto na bateria quanto na composição. Em entrevista exclusiva para o Brasil, Dr. Chud fala com o Blog N’ Roll sobre os shows no país, o repertório da turnê e sua relação com o legado dos Misfits. O que vem a sua mente ao se preparar para voltar ao Brasil em agosto e reencontrar seus fãs? O Hangar 110 é uma espécie de CBGB brasileiro. Eu quero oferecer um show de horror punk acessível e incrível com a minha banda de horror punk. É algo que eu sempre quis fazer, levar minha banda internacionalmente e minha música para o mundo. Vai ser divertido e intenso. Eu tenho muitos amigos no Brasil, então vou me divertir bastante. Qual será a formação da sua banda nos shows no Brasil? Você vai cantar, tocar bateria ou ambos? Eu vou cantar o set inteiro. Talvez eu toque bateria em algumas músicas no final. Ainda faltam quatro meses, então estou trabalhando com muitas ideias diferentes. Mas sim, gostaria de ir para a bateria em algumas músicas. Eu nunca fiz isso antes. Sobre o repertório, você pretende focar apenas nos álbuns dos Misfits ou haverá surpresas? Eu tenho mais de 50 álbuns. Do Misfits eu participei de quatro álbuns: Cuts from the Crypt, Evil Eye II, Famous Monsters e American Psycho. Eu vou tocar as músicas que escrevi para esses álbuns. Vou tocar também coisas do X-Ward e outros álbuns que fiz, como Sacred Trash. Eu estive em muitas bandas, então vou escolher coisas aqui e ali. Mas principalmente quero tocar todo o meu álbum do X-Ward e talvez algumas músicas novas do X-Ward também. Mas sim, vai ter, talvez dez músicas dos Misfits. Mas eu escrevi todas elas, então vai ser divertido mostrar minha interpretação dessas músicas para pessoas que nunca ouviram, da forma como eu escrevi ou como eu mudei elas 30 anos depois. Isso é divertido. Você já tocou no Brasil com outros projetos? Eu toquei quando eu estava em turnê com o Blitzkid. Acho que essas foram as duas bandas com as quais estive aí, Misfits e Blitzkid. Você adapta sua performance para diferentes públicos dependendo da cidade que você vai se apresentar? Eu ainda não sei. Eu ainda não toquei pelo mundo todo com a minha banda atual. Eu gosto de mudar as coisas. Posso fazer sets acústicos em encontros com fãs. Gosto de mudar isso, talvez tocar quatro músicas. Mas o setlist provavelmente vai se manter o mesmo nesta turnê. Depois eu vou mudando conforme as turnês avançam e novas músicas são lançadas. Como foi entrar nos Misfits em um momento tão importante da banda? Pareceu natural. Foi uma boa combinação para mim. Eu me diverti muito. Eu pude escrever músicas para eles e tocar com eles. Eu honro esse período. E eu acabei de receber um disco de ouro por American Psycho. Como era o processo criativo e de gravação naquela época com essa nova formação? Foi incrível. Nós ensaiávamos muito e trabalhávamos nas músicas o tempo todo. Era uma máquina de composição. Todos escrevíamos músicas naquele período. Todos tinham uma parte igual nisso. Foi divertido e tudo aconteceu de forma bem tranquila. Foi mágico, na verdade. Um momento mágico. E esses álbuns vendem melhor hoje do que jamais venderam. Como você define seu legado nos Misfits? É o bom e velho rock and roll. Nós fizemos com intensidade. As melodias eram ótimas. Estávamos todos no auge. Tínhamos mais cinco discos dentro de nós. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos. Qual sua visão sobre as polêmicas políticas envolvendo Glenn Danzig e Michale Graves com o nazismo e fascismo? Isso pode afetar o legado dos Misfits? Eu não sei. Eu faço a minha própria coisa. Sempre fiz. Não sei. É a vibração deles. Eu estou em uma vibração diferente. Não falo com o Michale desde 2002. Então não sei o que ele está fazendo. E eu realmente não conheço o Glenn. Então não sei o que eles estão fazendo. Espero que estejam fazendo discos. Você mantém contato com algum integrante dos Misfits? Não, só para falar de negócios. Por que American Psycho e Famous Monsters têm uma qualidade de gravação muito superior aos demais trabalhos? Houve uma preocupação nesse sentido? Você está absolutamente certo, foi simplesmente melhor gravado. Tinha um orçamento maior também, a Geffen Records financiou o primeiro, acho que a Roadrunner fez o segundo. Eu gravei a minha vida inteira e também estou lá dando minhas ideias, pois tenho estúdio desde os 19 anos. Sempre gravei em casa, trabalhei com gênios da gravação e eu amo gravar. Amo todo o processo. Então sim, foi divertido gravar. Os álbuns têm muita energia. Eles eram gravados ao vivo ou por partes? Eu acho que gravávamos a banda inteira ao vivo. Depois o Doyle adicionava camadas de guitarra e fazíamos vocais de apoio. Era basicamente ao vivo. Quais foram suas principais influências na bateria? Eu sempre

Entrevista | Roo Panes – “No Rio eu consegui dar uma volta pela orla com meu violão. Foi quase como um sonho”

Roo Panes faz show intimista em São Paulo

O cantor e compositor britânico Roo Panes retorna ao Brasil neste final de março para três apresentações que passam por Curitiba, São Paulo e Florianópolis, trazendo na bagagem o recente EP “Of All the Lovely Things That Be”. Os shows acontecem no Basement Cultural, no dia 27, no City Lights, no dia 28, e no Célula Showcase, no dia 29, respectivamente, marcando o reencontro do artista com o público brasileiro após sua única passagem pelo país, em 2019. Conhecido por transformar o folk em uma linguagem íntima e contemplativa, Roo Panes construiu uma carreira marcada por composições evocativas e forte carga poética. Influenciado por nomes como Bob Dylan, o músico britânico explora temas como relacionamentos, fé e crescimento pessoal, sempre com uma abordagem sensível e introspectiva. Desde que despontou no projeto Burberry Acoustic, em 2011, ele consolidou um percurso consistente, com álbuns aclamados e apresentações em palcos relevantes, além de conquistar projeção internacional ao ter a faixa “Lullaby Love” incluída na trilha da novela A Dona do Pedaço, exibida pela TV Globo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Roo Panes fala sobre sua relação com o público brasileiro, o impacto da novela em sua carreira e como paisagens e experiências pessoais moldam seu processo criativo. Como foi sua primeira visita ao Brasil, em 2019? O que permanece mais vivo na sua memória? Foi uma ótima viagem. Eu me lembro de muitas coisas, principalmente da hospitalidade, que foi incrível. Eu me senti muito bem-vindo no Brasil. Em qualquer lugar você faz shows, mas ali eu senti algo imediato, as pessoas realmente te acolhem. O público é muito receptivo e isso ficou muito marcado para mim. Eu também estava um pouco doente quando cheguei, com gripe, e ainda assim todo mundo foi extremamente acolhedor. Quando subi no palco, pensei que precisava corresponder àquilo, e senti que todos estavam ao meu lado. Essa sensação de ser bem recebido ficou muito forte. Você se apresentou no Rio de Janeiro, a chamada cidade maravilhosa. Como foi sua experiência por lá? O show foi muito divertido. Foi em um hotel perto da praia, e lembro que antes disso consegui dar uma volta pela orla com meu violão, o que é algo bem incomum. Nem sempre você tem essa oportunidade. Foi uma experiência quase como um sonho, caminhar pela cidade dessa forma. Eu não tive muito tempo para explorar, mas achei tudo muito bonito. E o local do show era incrível, além de ter sido muito legal conhecer as pessoas depois da apresentação. E falando em Rio de Janeiro, sua música “Lullaby Love” entrou na trilha de uma novela muito popular no Brasil. Como você reagiu quando soube disso? Eu descobri depois que era um programa muito grande no Brasil. Para mim, o mais importante foi a oportunidade de ir ao país por causa disso. É um lugar incrível para tocar e fazer turnê, e nem sempre está na rota comum de artistas do Reino Unido. Na época, achei muito especial poder ir ao Brasil e apresentar minha música. Espero que essa canção tenha sido uma porta de entrada para as pessoas conhecerem meu trabalho. Foi uma sensação de expansão, de poder levar minha música para a América do Sul. Isso foi o mais empolgante. Agora que você retorna ao Brasil, o que espera do público e dessa nova série de shows? Eu não tenho expectativas muito definidas. Espero que seja como um reencontro. Sempre quis voltar, e sete anos é bastante tempo. Sinto que o público brasileiro sempre foi muito presente. Às vezes encontro fãs em shows na Europa e eles perguntam quando vou ao Brasil. Então, acho que será um momento especial. Quero retribuir esse apoio e fazer desses shows uma celebração. Também estou animado para tocar músicas novas, algumas que talvez eles ainda não tenham ouvido ao vivo. Quais lugares ou paisagens inspiraram diretamente suas músicas? Minha forma de escrever é muito ligada ao lugar onde estou, quase como um registro. O ambiente influencia tanto o som quanto as letras. No meu último EP, escrevi músicas quando me mudei para Devon, em uma região chamada Dartmoor, que é um parque nacional. Lembro de estar sentado perto de uma árvore tentando escrever, e aquele lugar acabou me inspirando completamente. No caminho de volta para casa, vieram a melodia, o título e várias ideias. É como se algo entrasse em você a partir do que você vê. Também escrevi “Remember Fall in Montreal” durante uma turnê no Canadá, inspirado diretamente pela cidade. E “Suburban Pines” fala do lugar onde cresci e de como conheci minha esposa. A paisagem influencia tanto as histórias quanto a atmosfera da música. Você compõe na rua e cComo é a experiência de gravar músicas em casa? Eu gravei muitas coisas em casa ao longo da minha carreira. Gosto de trabalhar em lugares que já têm uma atmosfera que conheço. Quando você escreve uma música em determinado ambiente, faz sentido gravá-la ali também, porque mantém aquela sensação original. Em estúdio, às vezes isso se perde. Em casa, tudo flui de forma mais natural, sem tanta pressão. Também é mais acessível, as pessoas podem entrar e sair, e o processo fica mais leve. Especialmente em projetos mais espontâneos, como um EP, gosto dessa liberdade. Meu primeiro álbum foi gravado em casa, e vários trabalhos depois também seguiram esse caminho. E você também é muito fã de poesia, certo? Quais são suas principais referências na poesia? Pode parecer óbvio, mas Shakespeare é uma grande referência para mim. Sempre que leio algo dele, sinto que minha forma de enxergar as coisas muda. Ele tinha uma maneira muito profunda de observar o mundo. Também gosto muito de Walt Whitman, que estou lendo bastante no momento, e de Thomas Hardy, especialmente pela forma como ele conta histórias. Gosto dessa combinação entre narrativa e poesia. E daqui? Você conhece a literatura ou até mesmo a música brasileira ou sul-americana? Ainda não conheço muito, mas tenho curiosidade. Acho que seria interessante receber recomendações de alguém que conhece bem.

Entrevista | Air Supply – “Geralmente ouvimos ‘nós nos casamos com uma de suas músicas'”

O tempo parece não passar para as baladas que definiram gerações. O duo australiano Air Supply, formado por Graham Russell e Russell Hitchcock, desembarca no Brasil em maio para uma apresentação única no Vibra São Paulo, no dia 10. O show faz parte da turnê comemorativa de 50 anos de carreira, um marco raríssimo na indústria fonográfica que prova a resiliência do soft rock e o poder de hits que se tornaram hinos atemporais. Desde que se conheceram nos ensaios de Jesus Christ Superstar na Austrália, em 1975, Graham e Russell construíram um império baseado em melodias perfeitas e harmonias vocais impecáveis. Com mais de 100 milhões de discos vendidos, a dupla é responsável por clássicos que dominam as rádios e as trilhas sonoras de casamentos ao redor do mundo, como Lost in Love, All Out of Love e Making Love Out of Nothing At All. Entrevista exclusiva com Air Supply Nesta entrevista exclusiva para o Blog n’ Roll, conversamos com Graham Russell diretamente da Filadélfia, nos Estados Unidos. O compositor e violonista do duo, hoje com 75 anos, revelou detalhes sobre a nova dinâmica do show, que agora conta com a adição de violoncelos para dar um toque orquestral às apresentações, e comentou sobre a dificuldade, e o privilégio de selecionar um repertório entre tantos sucessos acumulados em cinco décadas. Graham também demonstrou um carinho especial pelo público brasileiro, que descreveu como “expressivo e sem medo de sentir”. Para ele, os fãs no Brasil possuem uma conexão visceral com as letras do Air Supply, criando uma troca de energia que torna cada vinda ao país uma experiência emocional tanto para a plateia quanto para os músicos no palco. Um dos momentos mais curiosos da conversa foi quando Graham explicou o segredo da longevidade da parceria: a ausência total de discussões e egos. Enquanto muitos grupos se dissolvem por conflitos criativos, o Air Supply encontrou o equilíbrio perfeito onde Russell brilha nos vocais e Graham se dedica à criação das composições, mantendo a amizade intacta mesmo após 50 anos de estrada. Confira abaixo a entrevista na íntegra. Vocês estão celebrando 50 anos de carreira com esta nova turnê. Como é olhar para trás e medir o alcance mundial que a música do Air Supply teve nessas cinco décadas? É bem impactante quando paramos para pensar nisso. Sabe, é uma vida inteira para se olhar. E nós tivemos uma vida ótima. Fomos muito afortunados por poder fazer o que amamos, que é tocar e criar música que as pessoas amam. Temos uma vida ótima, um trabalho ótimo e amamos cada momento. É incrível, 50 anos… Eu sei que existem muitos artistas que estão aí há tanto tempo, mas quando você pensa nisso, é realmente impressionante. Você vive um sonho, certo? Sim, é um sonho. Quando eu tinha 9 ou 10 anos, era isso que eu sempre quis fazer. E aqui estou eu. É incrível. Mas a vida é assim, sonhos podem se tornar realidade. Graham, o show do Air Supply no Vibra São Paulo está marcado para 10 de maio. Como tem sido o processo de montar um setlist para uma turnê de aniversário tão extensa? É difícil para nós. Temos que ser muito seletivos porque queremos tocar todos os grandes hits, e são muitos, mas tocamos todos. Isso deixa pouco tempo para coisas novas, mas encontramos espaço. Tocaremos algumas músicas inéditas do nosso novo álbum, mas a maioria do show serão os grandes sucessos, que é o que as pessoas querem ouvir. Além disso, acabamos de adicionar dois violoncelos à nossa banda, então o som está bem orquestral agora. Estamos muito felizes com o resultado, soa incrível. O público brasileiro sempre demonstrou muito carinho pelas músicas do Air Supply. O que você mais lembra das suas visitas anteriores e quais são as expectativas para esta apresentação? Viemos ao Brasil pela primeira vez em 1982 para dois programas de TV, um no Rio e outro em São Paulo. Ficamos impressionados com a resposta do povo brasileiro. Não tínhamos ideia! Desde então, voltamos para tocar muitas vezes. Temos muitos amigos brasileiros. É sempre ótimo ir aí porque as pessoas não são apenas românticas, elas se expressam de imediato. Não guardam nada para si. Elas amam cantar, rir e chorar conosco. É isso que amamos na nossa música: ela alcança as pessoas. E os brasileiros não têm medo de demonstrar isso. Algumas pessoas são reservadas, mas não os brasileiros. De jeito nenhum. Seus amigos brasileiros são músicos? Não. Ao longo dos anos, as pessoas nos param na rua, dizem que foram aos shows muitas vezes e acabamos virando amigos. Mantemos contato com alguns, mas não são músicos. São pessoas comuns, como nós. É muito legal ter amigos que não são necessariamente músicos. É incrível que vocês façam amigos assim. Sim, podemos estar em um restaurante e as pessoas na mesa ao lado dizem: “Oh, vamos ao seu show hoje à noite”. Começamos uma conversa, descobrimos que a pessoa é médico ou advogado, vemos que temos coisas em comum e mantemos contato. Não com todos, mas temos muitos amigos e sempre ansiosos para revê-los. E eles geralmente dizem: “Ah, eu pedi minha esposa em casamento com a sua música” ou algo assim? Sim! Geralmente é “nós nos casamos com uma de suas músicas”. Então nossa música se torna parte da vida deles. Você se torna parte da história deles sem perceber. Eles dizem que casaram ouvindo Two Less Lonely People ou que All Out of Love foi a primeira dança do casamento. Você se torna parte deles de uma forma pequena. Isso acontece muito e é algo maravilhoso de se ouvir e compartilhar. Graham, durante sua última visita a São Paulo em 2024, você recitou um poema escrito para a cidade, “The Best for Last”. Podemos esperar surpresas semelhantes no próximo show do Air Supply aqui? Ah, sim! Eu sempre escrevo um poema à tarde para a cidade onde estamos, sobre como estou me sentindo em relação às pessoas dali. Nunca sei como

Entrevista | The Sophs – “Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo”

O cenário indie rock norte-americano ganha um novo fôlego com a ascensão meteórica da banda The Sophs. O grupo, que recentemente chamou a atenção da lendária gravadora Rough Trade, carrega uma mistura audaciosa de pop punk, funk e blues, consolidando uma sonoridade que foge do óbvio. O que começou como demos caseiras enviadas despretensiosamente por Ethan Ramon, o frontman, transformou-se em um dos lançamentos mais aguardados do ano, provando que a convicção artística ainda é a melhor moeda de troca na indústria musical. O álbum de estreia, Goldstar, que chegou hoje às plataformas de música digital, gravado inteiramente antes mesmo da assinatura do contrato, preserva a urgência e a espontaneidade das primeiras tomadas. Essa energia crua é o fio condutor de um trabalho que explora temas profundos, como a busca incessante por validação externa e a linha tênue entre a bondade genuína e a encenada. Musicalmente, a banda não tem medo de “roubar” referências, indo de cânticos eslavos a estéticas country, criando um mosaico sonoro que soa coeso graças à narrativa afiada de suas letras. Experimentações no som do The Sophs Um dos grandes destaques do disco é a experimentação estética. Faixas como Goldstar revelam influências latinas inesperadas, bebendo da fonte do rock argentino de Pescado Rabioso e fundindo-as com a batida clássica dos Rolling Stones. Essa versatilidade técnica é fruto da paixão individual de cada membro por seus instrumentos, permitindo que a banda transite entre o silêncio contido e explosões sonoras que prometem dominar os palcos dos grandes festivais ao redor do mundo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, os integrantes Ethan Ramon (vocalista), Sam Yuh (tecladista) e Cole Bobbitt (baixista) revelaram que a turnê de 2026 já está confirmada para a Europa e os Estados Unidos, mas os olhos (e o coração) estão voltados para o Hemisfério Sul. Demonstrando entusiasmo com a cultura brasileira, mencionaram desde as praias, Pelé até pontos icônicos como o Cristo Redentor. A curiosidade sobre o Brasil é evidente, e a banda parece pronta para levar sua performance intensa para o público sul-americano assim que a oportunidade surgir. Ethan, você enviou suas demos diretamente para os diretores da Rough Trade. De onde veio essa confiança e você realmente esperava uma resposta tão imediata para o The Sophs? Ethan: Eu simplesmente acreditava muito na minha música. Com a ajuda do meu diretor criativo, Eric, montamos um material completo: cinco músicas, fotos para a imprensa e um manual da marca com todas as referências. Enviei para 30 gravadoras independentes sem esperar nada, mas sabendo que o material era bom. Recebi a resposta da Rough Trade no dia seguinte. Tem sido surreal, mas não acho que seja desmerecido, temos trabalhado duro por muito tempo. Como o The Sophs conseguiu manter a urgência e a energia espontânea das demos ao gravar o álbum final em estúdio? Ethan: Na verdade, o álbum final foi gravado antes de assinarmos o contrato. A maior parte do que você ouve são gravações de primeira tomada, feitas no mesmo dia. Queríamos manter aquela energia impulsiva do começo ao fim, sem perder o frescor das ideias originais. A música Goldstar fala sobre a busca por validação externa. É uma crítica à necessidade moderna de aprovação ou algo mais pessoal? Ethan: É um pouco dos dois. É uma versão dramatizada de mim mesmo. Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo em vez de assumir a responsabilidade. Escrevi a partir dessa perspectiva, mas acho que acabo falando sobre a maioria das pessoas, porque no fundo não somos tão diferentes assim. Vocês mencionaram a ideia de “roubar” e plagiarizar artisticamente. Qual foi a coisa mais inusitada que vocês pegaram emprestado para este disco? Ethan: A estética country em Sweetiepie é bem singular, usamos até uma harpa de boca para criar aquele som. E o final de Blitzed Again tem um canto eslavo completo. Ter essas duas coisas no mesmo disco mostra a nossa versatilidade. O som de vocês varia do pop punk ao funk e blues. Qual é o segredo do The Sophs para essa mistura não parecer desconexa? Sam: O fator principal que une tudo é a narrativa das letras do Ethan. Como ela é consistente, nos permite explorar gêneros como o blues de 12 compassos ou melodias eslavas sem perder o foco. Além disso, somos nós que tocamos tudo, então cada música tem nosso toque pessoal, o que garante a coesão. De onde vieram as influências latinas e os toques de flamenco na faixa Goldstar? Ethan: Eu estava ouvindo muito o álbum Artaud, do Pescado Rabioso (projeto do argentino Luis Alberto Spinetta). Ao mesmo tempo, eu e o Sam estávamos ouvindo Paint It Black, dos Rolling Stones. Sam: Decidimos colocar aquele padrão de dedilhado em cima da batida dos Stones e criou algo dinâmico que nunca tínhamos ouvido antes. Como vocês traduzem a dinâmica entre o silêncio e a explosão para os palcos de grandes festivais? Ethan: Muito volume! (risos). Mas, sério, todos na banda têm um conhecimento profundo da parte técnica e de engenharia de som. Sabemos quais pedais e instrumentos funcionam melhor em cada contexto. É o resultado de sermos apaixonados pelos nossos instrumentos, o que nos permite ter bom gosto e criar o show perfeito. O álbum questiona se ser uma boa pessoa pelos motivos errados diminui nossa bondade. Você já encontrou essa resposta? Ethan: Ainda não. Escrevi um álbum inteiro sobre isso e não consegui uma resposta definitiva. Espero que, quando o mundo ouvir, talvez alguém me dê essa resposta. Com a turnê de 2026 confirmada, existem planos para o Brasil? E o que vem à mente quando pensam no país? Ethan: Adoraríamos ir ao Brasil! Assim que tivermos a oportunidade, ficaremos muito felizes em nos apresentar aí. Cole: Pensamos em praias bonitas, clima bom, futebol, Pelé, e, claro, o Cristo Redentor. Eu sou de Santos, a cidade onde o Pelé surgiu para o mundo. Aqui tem um museu dele, vocês precisam conhecer. Cole: Eu irei, com certeza! Para fechar, quais os três álbuns que mais influenciaram

Entrevista | Millencolin – “Se não fosse o skate, eu não estaria tocando música. Isso mudou minha vida”

O nome do Millencolin voltou a ganhar força no Brasil em 2026 integrando o lineup do We Are One Tour. Com show esgotado em apenas três dias na capital paulista, uma nova data foi confirmada, ampliando a expectativa em torno do reencontro com o público brasileiro. O festival conta também com Pennywise, Mute e The Mönic. O evento desembarca no Brasil no dia 24 de março, em Porto Alegre, no URB Stage. Depois segue para Florianópolis, dia 25, no Life Club, Curitiba, dia 27, no Piazza Notte, São Paulo, dia 28, no Terra SP, Rio de Janeiro, dia 29, no Sacadura 154, e encerra com o show extra na capital paulista, dia 31, na Audio. Antes da chegada da We Are One Tour ao país, conversamos com o guitarrista do Millencolin Mathias Färm, peça fundamental na construção do som melódico e acelerado que marcou gerações desde os anos 90. A entrevista integra a série especial do Blog n’ Roll dedicada ao festival e é a segunda publicada. A primeira foi com a banda Mute. Sobre o Millencolin Fundada em Örebro em 1992, a banda atravessou décadas mantendo a formação clássica e consolidando um repertório que ultrapassou o rótulo de skate punk. Entre álbuns como Life on a Plate e For Monkeys, foi com Pennybridge Pioneers que o grupo ampliou seu alcance internacional e se tornou referência dentro do hardcore melódico europeu. A banda passou pelo Brasil pela primeira vez em 1998 e foi um dos primeiros capítulos de shows de hardcore internacionais. A primeira vez que o Millencolin veio ao Brasil foi em 1998 e foi uma espécie de caos, certo? Brigas, falta de equipamentos no rider… O que você se lembra daquela experiência? Foi algo muito especial para nós vir ao Brasil. É muito longe da Suécia, mas foi incrível. Tenho muitas boas lembranças e também muito caos. Minha guitarra quebrou em dois pedaços durante aquele primeiro show porque um cara a jogou para longe. Foi punk rock de verdade, com muita intensidade. Mesmo assim, foram momentos incríveis. Nós amamos o Brasil e a América do Sul. Sou de Santos e dizem que foi o show mais tranquilo daquela turnê do Millencolin. Quais são suas lembranças da cidade? Para ser honesto, eu não me lembro muito de Santos naquela primeira vez, porque isso foi há quase 30 anos. Naquela turnê, eu realmente não sabia em que cidade estava, eu apenas tocava. Tenho muitas lembranças daquela passagem, mas não consigo associá-las exatamente a cada cidade. Todos os lugares que visitamos no Brasil são ótimos. Mas quando você está em turnê é difícil lembrar de tudo, porque quase sempre estamos atrasados, tocamos todos os dias e não temos muitos dias livres. Mesmo assim, voltamos para Santos outras vezes, isso eu lembro. Ainda falando sobre 1998 vocês jogaram futebol em Copacabana contra um combinado de outras bandas de hardcore e assistiram a algumas partidas nos estádios. Vocês ainda mantém essa ligação com o futebol? Sim. Acho que o Nikola é quem mais gosta de futebol, mas todos nós gostamos. Temos uma ligação forte com isso. Nosso time local é o de Örebro, e até fizemos uma música para eles. Na Suécia, futebol e hóquei no gelo são os maiores esportes. Imagino que hóquei não seja tão popular em Santos (risos), mas o futebol é incrível. Na Suécia, praticamente todo mundo já jogou em algum time quando era jovem. Falando em Suécia, no último show do Millencolin lá no ano passado, vocês tocaram músicas menos comuns no setlist, como Black Gold e That’s Up on Me. Estão preparando alguma surpresa para o Brasil? Claro que sim. Temos muitas músicas para escolher ao tocar ao vivo. Normalmente sabemos quais são as que o público quer ouvir, então tentamos tocar os clássicos e misturar com algumas que não tocamos com tanta frequência. É difícil agradar todo mundo, porque cada pessoa tem suas favoritas, mas tenho certeza de que será um ótimo show e que o público ficará feliz. Teremos algumas surpresas. Existe alguma música subestimada do Millencolin que você gostaria que tivesse mais reconhecimento? Sempre há algumas. No Life on a Plate, há uma chamada Dr. Jackal & Mr. Hyde. Acho uma música muito boa, especialmente considerando que a escrevemos há tanto tempo. Às vezes nem entendo como conseguimos fazer aquilo naquela época. Ela tem uma vibração mais emocional. Talvez essa seja uma boa escolha. Está completando dez anos do clipe de True Brew. Como surgiu a ideia de gravar no Brasil, especialmente no Nordeste? Nós fizemos a música primeiro em inglês e gravamos um vídeo. Depois queríamos fazer uma versão em sueco também. Um amigo nosso que estava em turnê conosco sugeriu gravar no Brasil. Era inverno na Suécia e tudo estava muito depressivo, então queríamos sol no vídeo. No Brasil há sol, boa vibração, clima incrível e uma atmosfera fantástica nas cidades. Foi a combinação perfeita para nós. Recentemente entrevistei o The Hives e eles citaram vocês como a maior banda da cena sueca nos anos 90 que mostrou ser possível alcançar o mercado internacional. Como você vê essa relação com eles hoje? É ótimo. Eu gravei a primeira demo do The Hives, lá na década de 90. Conhecemos esses caras há mais de 30 anos. Temos uma ótima relação com eles. São pessoas muito legais. Nós dois fizemos parte da Burning Heart Records quando o selo ainda existia. Tocamos muito juntos na Suécia no passado. É uma relação de amizade de longa data. Life on a Plate está completando 30 anos. Há planos para algum relançamento em vinil ou cd? Preparamos, na verdade, tocar o álbum inteiro em um festival no Canadá, no fim de maio. Pode ser que façamos mais apresentações assim, mas por enquanto é isso. Precisamos reaprender algumas músicas, porque algumas não tocamos há muito tempo. Vai ser divertido. Muitas músicas nasceram com riffs seus. Como funciona seu processo criativo? No passado, cada um escrevia suas ideias em casa e levava para o ensaio. Hoje não moramos todos

Entrevista | Ash – “Foi uma emoção enorme descobrir que tínhamos fãs apaixonados que sabiam cada palavra das letras”

O rock alternativo e o power pop devem muito ao Ash. Surgida na Irlanda do Norte no auge do Britpop, a banda liderada por Tim Wheeler conseguiu algo raro: sobreviver a três décadas de mudanças na indústria fonográfica mantendo a mesma energia juvenil que os colocou no topo das paradas em 1996. Prestes a completar 30 anos do lançamento do icônico álbum 1977 (o disco de Girl From Mars e Kung Fu), o trio atualmente percorre o Reino Unido com a Ad Astra Tour, divulgando o elogiado álbum Ad Astra (2025). Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Wheeler reflete sobre a longevidade do grupo, os planos de celebração para 2026 e a lembrança marcante da única passagem da banda pelo Brasil. Vocês estão prestes a começar a Ad Astra Tour no Reino Unido. Depois de tantos anos na estrada, você ainda sente aquele “frio na barriga” antes da primeira noite? Como sua rotina de preparação mudou desde o início até agora? Fizemos uma turnê bem extensa desse álbum até o Natal do ano passado. Tem sido ótimo dividir a turnê em blocos menores para que possamos realmente aproveitar. Recomeçar depois de algumas semanas em casa pareceu um pouco estranho… até que a música de introdução começou a tocar! Senti aquela mesma descarga de adrenalina de antigamente quando as luzes da casa se apagam. Hoje em dia, sabemos exatamente o que precisamos fazer para entregar um show consistentemente excelente todas as noites. Definitivamente, somos menos caóticos do que éramos nos anos 90! O nome da turnê Ad Astra (“para as estrelas”) se encaixa perfeitamente com a estética de ficção científica que o Ash sempre teve. Existe um conceito ou tema específico por trás desses shows, ou é puramente uma celebração da música? É realmente tudo sobre a música. Estamos apostando mais forte no novo álbum desta vez. É incrível poder tocar nove músicas do Ad Astra em um set de uma hora e meia. Com um catálogo tão grande, parece uma jogada corajosa, mas os fãs estão nos apoiando totalmente, o que é ótimo. Precisamos mencionar um marco enorme: 2026 marca o 30º aniversário do seu álbum de estreia, 1977. Olhando para trás, como você se sente em relação a esse disco hoje? Parece uma vida diferente, ou a energia de músicas como Girl From Mars ainda soa fresca para você? É estranho, mas realmente não parece que faz três décadas que começamos a gravá-lo. Talvez porque muitas daquelas canções estiveram conosco em todos os shows desde então. E sim, elas recebem uma resposta tão enérgica do público que nunca parecem velhas. Acho que momentos assim mantêm a gente e o público conectados àquela época. Talvez isso traga o passado para o presente e encurte a distância entre os dois. Falando sobre 1977, existem planos para celebrar este 30º aniversário especificamente? Talvez um relançamento, um documentário especial ou uma série de shows dedicados no final do ano? Há muitos planos ainda ganhando forma, então tudo o que posso dizer no momento é: fiquem de olho… Com uma discografia tão vasta, de 1977 a Ad Astra, quão difícil é montar o setlist para 2026? Há algum “lado B” ou música obscura que vocês estão trazendo de volta para esta turnê? Tem sido muito divertido. Uma coisa que estamos fazendo nesta turnê é mergulhar mais fundo no catálogo antigo e misturar o setlist todas as noites. Isso nos mantém alertas e faz de cada show uma experiência única. Race the Night (2023), álbum anterior do Ash, também foi muito bem recebido. Agora que as músicas já “viveram” no mundo por um tempo, quais faixas desse álbum se tornaram suas favoritas para tocar ao vivo? Temos um grupo de músicas do Race the Night que costumamos revezar nesta turnê. A faixa-título, Crashed Out Wasted e Braindead são as que costumam aparecer. Se eu tivesse que escolher apenas uma, ficaria com Braindead. Vocês sempre tiveram uma forte conexão com o power pop guiado por guitarras e o indie rock. Como você vê o estado atual da música rock no Reino Unido e no mundo? Alguma banda nova te empolga agora? Acho que a música vai bem. Faz parte do que nos torna humanos e sempre precisaremos dela, não importa o que aconteça na indústria. Tivemos muitas bandas de abertura ótimas recentemente, incluindo Coach Party e Bag of Cans. É ótimo ver o Geese indo tão bem, e também o Big Special. O Brasil tem uma base de fãs do Ash muito apaixonada que interage muito nas redes sociais. Você tem alguma lembrança ou impressão específica dos fãs sul-americanos de interações ou viagens anteriores? Isso é muito legal de ouvir. Tocamos na América do Sul apenas uma vez, em um festival em 2011, em São Paulo (SWU). Sinceramente, não sabíamos o que esperar, mas fomos surpreendidos pela resposta. Foi uma emoção enorme descobrir que tínhamos fãs apaixonados que sabiam cada palavra das letras! Sabemos que a logística pode ser difícil, mas a América do Sul está no radar do Ash para o final de 2026 ou 2027? Os comentários “Come to Brazil” estão em todo o seu Instagram! Com certeza, nós adoraríamos. Estou ligando para o meu agente agora mesmo! Obrigado por nos avisar!

Harry Styles anuncia shows no MorumBIS e lança single “Aperture” hoje

O superstar Harry Styles revelou seus planos grandiosos para 2026, que incluem um novo álbum, um single que estreia hoje e uma turnê mundial exclusiva que passará pelo Brasil. A turnê, batizada de Together, Together, foge do formato tradicional. Styles escolheu apenas sete cidades ao redor do globo para realizar “residências”. E a boa notícia: São Paulo é uma delas. O cantor se apresenta no Estádio MorumBIS nos dias 17 e 18 de julho. Serão as únicas apresentações dele na América do Sul em 2026. Single hoje, álbum em março Antes de cair na estrada, Harry tem música nova para mostrar. O aguardado single Aperture estreia globalmente hoje. A faixa abre os trabalhos para seu quarto álbum de estúdio, intitulado KISS ALL THE TIME. DISCO, OCCASIONALLY. Com produção executiva de Kid Harpoon, o disco chega completo às plataformas no dia 6 de março. Residências globais de Harry Styles e abertura A turnê Together, Together é ambiciosa. Serão 50 apresentações divididas entre Amsterdã, Londres, São Paulo, Cidade do México, Nova York, Melbourne e Sydney. O destaque internacional vai para Nova York, onde ele fará impressionantes 30 shows no Madison Square Garden. Já em Londres, ele lotará o Wembley Stadium por seis noites. Para os shows no Brasil, a abertura ficará por conta do Fcukers. Em outras praças, ele terá convidados como Shania Twain (Londres) e Jamie xx (Nova York). Ingressos: prepare o cartão para ver o Harry Styles A disputa pelos ingressos promete ser acirrada, já que o Brasil só terá duas datas. As vendas acontecem na semana que vem pela Ticketmaster. Cronograma de vendas: Atenção: As vendas online começam sempre às 11h. Na bilheteria oficial, ao meio-dia. Serviço Harry Styles – Turnê “Together, Together” no Brasil

Entrevista | Bullet For My Valentine – “Ele ainda é muito relevante, muito próximo aos nossos corações”

Vinte anos após o lançamento de The Poison, o Bullet For My Valentine encerrou um ciclo histórico em solo brasileiro. No último dia 20, pouco antes de subirem ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para abrir o show do Limp Bizkit, Michael Paget, Jason Bowld e Jamie Mathias conversaram sobre o peso do legado que carregam e a conexão renovada com uma nova geração de fãs. O Bullet For My Valentine, que ajudou a moldar o metalcore mundial, refletiu sobre a experiência de tocar seu álbum de estreia na íntegra pela última vez. Em um clima de celebração e respeito mútuo entre gerações do metal, os músicos destacaram a importância de manter a essência focada nas guitarras e a honra de dividir o palco com ídolos que foram cruciais para suas próprias formações musicais. >> Confira como foi o show em São Paulo Nesta entrevista, o trio abriu o jogo sobre o futuro sonoro do grupo, a “bênção” que foi o sucesso repentino nos anos 2000 e revela os discos fundamentais que definiram suas trajetórias. Confira abaixo o bate-papo completo. Qual é a sensação de ver um álbum como The Poison, que foi lançado há duas décadas, ainda ser a porta de entrada para tantos fãs? Michael Paget: É incrível, sabe? Aquele álbum se conectou com tanta gente 20 anos atrás e poder tocá-lo 20 anos depois, vendo todos esses novos fãs mais jovens aparecendo e aceitando o disco, tem sido maravilhoso. Ele ainda é muito relevante, é muito próximo aos nossos corações e temos muito orgulho dele porque fez muito pelas pessoas, a forma como ele se comunica e se conecta com elas. É muito importante para nós. Além disso, tocá-lo o ano todo em alguns dos locais onde tocamos pelo mundo e ir a lugares onde nunca estivemos antes também foi animal. Hoje é o último show, a última vez que o tocaremos na íntegra, então vai ser um estouro. Jason Bowld: É, a última vez tocando o The Poison. Vou sentir falta… até daqui a dez anos. O álbum mais recente é o homônimo (Bullet For My Valentine, de 2021)… esse som mais agressivo definitivamente combina mais com a banda? Jason Bowld: Ih, eu estaria revelando segredos, isso seria… Top secret? Jason Bowld: É, segredo absoluto. Eu não gosto de falar muito sobre como será o próximo álbum porque… Estou me referindo ao mais recente, de 2021. Michael Paget: Ah, o mais recente? Achei que era o próximo. O último foi o autointitulado (Self-titled), então o próximo vai ser ainda mais agressivo. Vai ser sempre pesado e sempre terá… vai ser simplesmente Bullet, é tudo o que gostaria de dizer, na verdade. Vai ser a cara do Bullet. O nu metal está tendo um retorno enorme. Como uma banda de metalcore, como vocês se sentem dividindo o palco com o Limp Bizkit hoje à noite? Michael Paget: Ah, é bom pra caralho, cara. Somos fãs de longa data do Limp Bizkit. Eles mudaram nossas vidas anos atrás, da mesma forma que o The Poison mudou a vida de tanta gente para nós. Ser convidado para vir e abrir para eles na América do Sul tem sido um sonho realizado. É loucura! Jason Bowld: É, muita loucura. Lugares enormes também, tem sido incrível! A energia da multidão é… não me lembro de ter visto uma banda gerar tanta energia com o público, sabe? E eles são classe pura. Pessoas de classe, músicos incríveis e, sim, eles ainda são relevantes. Mas, sabe, essa coisa do retorno do nu metal… não sei, talvez seja um retorno com algumas reviravoltas, mas na minha visão você não consegue replicar estilos que já passaram sem que pareça algo forçado. Vocês ficaram encantados com o apoio incrível e radical dos fãs brasileiros. Qual é o segredo para manter o respeito dessas lendas e, ao mesmo tempo, continuar relevante para a geração mais jovem? Michael Paget: Essa talvez seja uma pergunta para você responder, mas… acho que para nós, lá no começo, a gente explodiu muito rápido. De novo, acho que foi por causa do The Poison e de como tocamos em algo que conectou com muita gente. Não sei o que foi, mas foi uma “bênção disfarçada” para nós. Simplesmente aconteceu do dia para a noite. E acho que talvez seja porque somos focados nas guitarras; Metallica e Iron Maiden são influências muito grandes na banda também. Então acho que o encaixe foi certo e nós éramos aquela banda nova que as pessoas queriam levar em turnê. Já realizamos muita coisa, a nossa lista de desejos está bem cheia no momento, mas estamos no caminho. Só uma última pergunta: cada um de vocês poderia dizer um álbum que mais influenciou na carreira? Jason Bowld: Steal This Album!, do System Of A Down. Jamie Mathias: Master of Puppets, do Metallica. Michael Paget: Cowboys From Hell, do Pantera.

Speed, sensação do hardcore da Austrália, estreia no Brasil em março de 2026

Um dos nomes mais explosivos do hardcore mundial na atualidade, a banda australiana Speed confirmou sua primeira turnê latino-americana e tem passagem pelo Brasil marcada para 15 de março de 2026 no Espaço Usine (antigo Clash Club), em São Paulo, como uma das atrações do 2º NDP Fest, o festival que celebra o segundo aniversário da produtora New Direction Productions. Os ingressos estão à venda no Fastix. A banda suporte do Speed na turnê pela América Latina, consequentemente mais uma atração do 2º NDP Fest, é a norte-americana Clique. O projeto, da Califórnia, faz um hardcore punk com elementos de metal e atualmente divulga o pesadíssimo EP Death Is not out only Option. Path of Resistance, dos Estados Unidos, foi a primeira banda internacional anunciada no fest e mais nomes serão revelados no começo de 2026. Formada em Sydney, em 2019, a Speed rapidamente deixou de ser um fenômeno local para se tornar uma referência global do hardcore contemporâneo. Liderado pelos irmãos Jem e Aaron Siow, o grupo se destaca pela combinação de riffs agressivos, grooves pesados e uma identidade própria que dialoga tanto com o hardcore clássico quanto com o beatdown moderno, sempre acompanhada de um discurso forte sobre comunidade, inclusão e pertencimento. A projeção internacional da banda se consolidou com o EP de estreia Gang Called Speed (2022), que chamou atenção da cena underground na Austrália, Europa e Estados Unidos. O salto definitivo veio com o álbum Only One Mode (2024), trabalho que colocou a Speed no centro do debate global sobre o renascimento do hardcore pesado. O disco foi amplamente elogiado pela imprensa especializada, venceu o NSW Music Prize 2025 e rendeu à banda o ARIA Award de Best Hard Rock/Heavy Metal Release, além de indicações em premiações nacionais australianas. No palco, a Speed reforça porque é destaque em mídias pelo globo. A intensidade de seus shows levou a banda a realizar turnês extensas pela Europa, Reino Unido e América do Norte, além de participações em grandes festivais. Em 2025, a banda entrou para a história ao se tornar a primeira banda australiana de hardcore a se apresentar no Coachella, ampliando ainda mais sua visibilidade fora do circuito estritamente underground. A cobertura da mídia internacional acompanha essa ascensão: veículos como GQ, Kerrang!, Rolling Stone Australia e The Washington Post destacam a Speed como um dos nomes mais relevantes e autênticos da nova geração do hardcore, ressaltando tanto o impacto sonoro quanto a força cultural e social da banda. Path of Resistance, também no 2º NDP Fest O Path of Resistance nasceu na metade da década de 1990 como um projeto paralelo da banda Earth Crisis, o expoente máximo do hardcore/metalcore straight-edge internacional e que se apresentou no 1º NDP Fest. Um dos recursos mais distintos da banda é ter três vocalistas simultâneos/alternados, o que traz uma dinâmica intensa, quase caótica no palco, e reforça o caráter comunitário e combativo da mensagem do Path of Resistance. A banda tem dois expressivos discos, Who Dares Wins, de 1996, considerado um dos álbuns mais clássicos do nicho, e Can’t Stop The Truth, de 2006, que marca o retorno da banda aos shows.