Entrevista | Air Supply – “Geralmente ouvimos ‘nós nos casamos com uma de suas músicas'”

O tempo parece não passar para as baladas que definiram gerações. O duo australiano Air Supply, formado por Graham Russell e Russell Hitchcock, desembarca no Brasil em maio para uma apresentação única no Vibra São Paulo, no dia 10. O show faz parte da turnê comemorativa de 50 anos de carreira, um marco raríssimo na indústria fonográfica que prova a resiliência do soft rock e o poder de hits que se tornaram hinos atemporais. Desde que se conheceram nos ensaios de Jesus Christ Superstar na Austrália, em 1975, Graham e Russell construíram um império baseado em melodias perfeitas e harmonias vocais impecáveis. Com mais de 100 milhões de discos vendidos, a dupla é responsável por clássicos que dominam as rádios e as trilhas sonoras de casamentos ao redor do mundo, como Lost in Love, All Out of Love e Making Love Out of Nothing At All. Entrevista exclusiva com Air Supply Nesta entrevista exclusiva para o Blog n’ Roll, conversamos com Graham Russell diretamente da Filadélfia, nos Estados Unidos. O compositor e violonista do duo, hoje com 75 anos, revelou detalhes sobre a nova dinâmica do show, que agora conta com a adição de violoncelos para dar um toque orquestral às apresentações, e comentou sobre a dificuldade, e o privilégio de selecionar um repertório entre tantos sucessos acumulados em cinco décadas. Graham também demonstrou um carinho especial pelo público brasileiro, que descreveu como “expressivo e sem medo de sentir”. Para ele, os fãs no Brasil possuem uma conexão visceral com as letras do Air Supply, criando uma troca de energia que torna cada vinda ao país uma experiência emocional tanto para a plateia quanto para os músicos no palco. Um dos momentos mais curiosos da conversa foi quando Graham explicou o segredo da longevidade da parceria: a ausência total de discussões e egos. Enquanto muitos grupos se dissolvem por conflitos criativos, o Air Supply encontrou o equilíbrio perfeito onde Russell brilha nos vocais e Graham se dedica à criação das composições, mantendo a amizade intacta mesmo após 50 anos de estrada. Confira abaixo a entrevista na íntegra. Vocês estão celebrando 50 anos de carreira com esta nova turnê. Como é olhar para trás e medir o alcance mundial que a música do Air Supply teve nessas cinco décadas? É bem impactante quando paramos para pensar nisso. Sabe, é uma vida inteira para se olhar. E nós tivemos uma vida ótima. Fomos muito afortunados por poder fazer o que amamos, que é tocar e criar música que as pessoas amam. Temos uma vida ótima, um trabalho ótimo e amamos cada momento. É incrível, 50 anos… Eu sei que existem muitos artistas que estão aí há tanto tempo, mas quando você pensa nisso, é realmente impressionante. Você vive um sonho, certo? Sim, é um sonho. Quando eu tinha 9 ou 10 anos, era isso que eu sempre quis fazer. E aqui estou eu. É incrível. Mas a vida é assim, sonhos podem se tornar realidade. Graham, o show do Air Supply no Vibra São Paulo está marcado para 10 de maio. Como tem sido o processo de montar um setlist para uma turnê de aniversário tão extensa? É difícil para nós. Temos que ser muito seletivos porque queremos tocar todos os grandes hits, e são muitos, mas tocamos todos. Isso deixa pouco tempo para coisas novas, mas encontramos espaço. Tocaremos algumas músicas inéditas do nosso novo álbum, mas a maioria do show serão os grandes sucessos, que é o que as pessoas querem ouvir. Além disso, acabamos de adicionar dois violoncelos à nossa banda, então o som está bem orquestral agora. Estamos muito felizes com o resultado, soa incrível. O público brasileiro sempre demonstrou muito carinho pelas músicas do Air Supply. O que você mais lembra das suas visitas anteriores e quais são as expectativas para esta apresentação? Viemos ao Brasil pela primeira vez em 1982 para dois programas de TV, um no Rio e outro em São Paulo. Ficamos impressionados com a resposta do povo brasileiro. Não tínhamos ideia! Desde então, voltamos para tocar muitas vezes. Temos muitos amigos brasileiros. É sempre ótimo ir aí porque as pessoas não são apenas românticas, elas se expressam de imediato. Não guardam nada para si. Elas amam cantar, rir e chorar conosco. É isso que amamos na nossa música: ela alcança as pessoas. E os brasileiros não têm medo de demonstrar isso. Algumas pessoas são reservadas, mas não os brasileiros. De jeito nenhum. Seus amigos brasileiros são músicos? Não. Ao longo dos anos, as pessoas nos param na rua, dizem que foram aos shows muitas vezes e acabamos virando amigos. Mantemos contato com alguns, mas não são músicos. São pessoas comuns, como nós. É muito legal ter amigos que não são necessariamente músicos. É incrível que vocês façam amigos assim. Sim, podemos estar em um restaurante e as pessoas na mesa ao lado dizem: “Oh, vamos ao seu show hoje à noite”. Começamos uma conversa, descobrimos que a pessoa é médico ou advogado, vemos que temos coisas em comum e mantemos contato. Não com todos, mas temos muitos amigos e sempre ansiosos para revê-los. E eles geralmente dizem: “Ah, eu pedi minha esposa em casamento com a sua música” ou algo assim? Sim! Geralmente é “nós nos casamos com uma de suas músicas”. Então nossa música se torna parte da vida deles. Você se torna parte da história deles sem perceber. Eles dizem que casaram ouvindo Two Less Lonely People ou que All Out of Love foi a primeira dança do casamento. Você se torna parte deles de uma forma pequena. Isso acontece muito e é algo maravilhoso de se ouvir e compartilhar. Graham, durante sua última visita a São Paulo em 2024, você recitou um poema escrito para a cidade, “The Best for Last”. Podemos esperar surpresas semelhantes no próximo show do Air Supply aqui? Ah, sim! Eu sempre escrevo um poema à tarde para a cidade onde estamos, sobre como estou me sentindo em relação às pessoas dali. Nunca sei como

Entrevista | The Sophs – “Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo”

O cenário indie rock norte-americano ganha um novo fôlego com a ascensão meteórica da banda The Sophs. O grupo, que recentemente chamou a atenção da lendária gravadora Rough Trade, carrega uma mistura audaciosa de pop punk, funk e blues, consolidando uma sonoridade que foge do óbvio. O que começou como demos caseiras enviadas despretensiosamente por Ethan Ramon, o frontman, transformou-se em um dos lançamentos mais aguardados do ano, provando que a convicção artística ainda é a melhor moeda de troca na indústria musical. O álbum de estreia, Goldstar, que chegou hoje às plataformas de música digital, gravado inteiramente antes mesmo da assinatura do contrato, preserva a urgência e a espontaneidade das primeiras tomadas. Essa energia crua é o fio condutor de um trabalho que explora temas profundos, como a busca incessante por validação externa e a linha tênue entre a bondade genuína e a encenada. Musicalmente, a banda não tem medo de “roubar” referências, indo de cânticos eslavos a estéticas country, criando um mosaico sonoro que soa coeso graças à narrativa afiada de suas letras. Experimentações no som do The Sophs Um dos grandes destaques do disco é a experimentação estética. Faixas como Goldstar revelam influências latinas inesperadas, bebendo da fonte do rock argentino de Pescado Rabioso e fundindo-as com a batida clássica dos Rolling Stones. Essa versatilidade técnica é fruto da paixão individual de cada membro por seus instrumentos, permitindo que a banda transite entre o silêncio contido e explosões sonoras que prometem dominar os palcos dos grandes festivais ao redor do mundo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, os integrantes Ethan Ramon (vocalista), Sam Yuh (tecladista) e Cole Bobbitt (baixista) revelaram que a turnê de 2026 já está confirmada para a Europa e os Estados Unidos, mas os olhos (e o coração) estão voltados para o Hemisfério Sul. Demonstrando entusiasmo com a cultura brasileira, mencionaram desde as praias, Pelé até pontos icônicos como o Cristo Redentor. A curiosidade sobre o Brasil é evidente, e a banda parece pronta para levar sua performance intensa para o público sul-americano assim que a oportunidade surgir. Ethan, você enviou suas demos diretamente para os diretores da Rough Trade. De onde veio essa confiança e você realmente esperava uma resposta tão imediata para o The Sophs? Ethan: Eu simplesmente acreditava muito na minha música. Com a ajuda do meu diretor criativo, Eric, montamos um material completo: cinco músicas, fotos para a imprensa e um manual da marca com todas as referências. Enviei para 30 gravadoras independentes sem esperar nada, mas sabendo que o material era bom. Recebi a resposta da Rough Trade no dia seguinte. Tem sido surreal, mas não acho que seja desmerecido, temos trabalhado duro por muito tempo. Como o The Sophs conseguiu manter a urgência e a energia espontânea das demos ao gravar o álbum final em estúdio? Ethan: Na verdade, o álbum final foi gravado antes de assinarmos o contrato. A maior parte do que você ouve são gravações de primeira tomada, feitas no mesmo dia. Queríamos manter aquela energia impulsiva do começo ao fim, sem perder o frescor das ideias originais. A música Goldstar fala sobre a busca por validação externa. É uma crítica à necessidade moderna de aprovação ou algo mais pessoal? Ethan: É um pouco dos dois. É uma versão dramatizada de mim mesmo. Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo em vez de assumir a responsabilidade. Escrevi a partir dessa perspectiva, mas acho que acabo falando sobre a maioria das pessoas, porque no fundo não somos tão diferentes assim. Vocês mencionaram a ideia de “roubar” e plagiarizar artisticamente. Qual foi a coisa mais inusitada que vocês pegaram emprestado para este disco? Ethan: A estética country em Sweetiepie é bem singular, usamos até uma harpa de boca para criar aquele som. E o final de Blitzed Again tem um canto eslavo completo. Ter essas duas coisas no mesmo disco mostra a nossa versatilidade. O som de vocês varia do pop punk ao funk e blues. Qual é o segredo do The Sophs para essa mistura não parecer desconexa? Sam: O fator principal que une tudo é a narrativa das letras do Ethan. Como ela é consistente, nos permite explorar gêneros como o blues de 12 compassos ou melodias eslavas sem perder o foco. Além disso, somos nós que tocamos tudo, então cada música tem nosso toque pessoal, o que garante a coesão. De onde vieram as influências latinas e os toques de flamenco na faixa Goldstar? Ethan: Eu estava ouvindo muito o álbum Artaud, do Pescado Rabioso (projeto do argentino Luis Alberto Spinetta). Ao mesmo tempo, eu e o Sam estávamos ouvindo Paint It Black, dos Rolling Stones. Sam: Decidimos colocar aquele padrão de dedilhado em cima da batida dos Stones e criou algo dinâmico que nunca tínhamos ouvido antes. Como vocês traduzem a dinâmica entre o silêncio e a explosão para os palcos de grandes festivais? Ethan: Muito volume! (risos). Mas, sério, todos na banda têm um conhecimento profundo da parte técnica e de engenharia de som. Sabemos quais pedais e instrumentos funcionam melhor em cada contexto. É o resultado de sermos apaixonados pelos nossos instrumentos, o que nos permite ter bom gosto e criar o show perfeito. O álbum questiona se ser uma boa pessoa pelos motivos errados diminui nossa bondade. Você já encontrou essa resposta? Ethan: Ainda não. Escrevi um álbum inteiro sobre isso e não consegui uma resposta definitiva. Espero que, quando o mundo ouvir, talvez alguém me dê essa resposta. Com a turnê de 2026 confirmada, existem planos para o Brasil? E o que vem à mente quando pensam no país? Ethan: Adoraríamos ir ao Brasil! Assim que tivermos a oportunidade, ficaremos muito felizes em nos apresentar aí. Cole: Pensamos em praias bonitas, clima bom, futebol, Pelé, e, claro, o Cristo Redentor. Eu sou de Santos, a cidade onde o Pelé surgiu para o mundo. Aqui tem um museu dele, vocês precisam conhecer. Cole: Eu irei, com certeza! Para fechar, quais os três álbuns que mais influenciaram

Entrevista | Millencolin – “Se não fosse o skate, eu não estaria tocando música. Isso mudou minha vida”

O nome do Millencolin voltou a ganhar força no Brasil em 2026 integrando o lineup do We Are One Tour. Com show esgotado em apenas três dias na capital paulista, uma nova data foi confirmada, ampliando a expectativa em torno do reencontro com o público brasileiro. O festival conta também com Pennywise, Mute e The Mönic. O evento desembarca no Brasil no dia 24 de março, em Porto Alegre, no URB Stage. Depois segue para Florianópolis, dia 25, no Life Club, Curitiba, dia 27, no Piazza Notte, São Paulo, dia 28, no Terra SP, Rio de Janeiro, dia 29, no Sacadura 154, e encerra com o show extra na capital paulista, dia 31, na Audio. Antes da chegada da We Are One Tour ao país, conversamos com o guitarrista do Millencolin Mathias Färm, peça fundamental na construção do som melódico e acelerado que marcou gerações desde os anos 90. A entrevista integra a série especial do Blog n’ Roll dedicada ao festival e é a segunda publicada. A primeira foi com a banda Mute. Sobre o Millencolin Fundada em Örebro em 1992, a banda atravessou décadas mantendo a formação clássica e consolidando um repertório que ultrapassou o rótulo de skate punk. Entre álbuns como Life on a Plate e For Monkeys, foi com Pennybridge Pioneers que o grupo ampliou seu alcance internacional e se tornou referência dentro do hardcore melódico europeu. A banda passou pelo Brasil pela primeira vez em 1998 e foi um dos primeiros capítulos de shows de hardcore internacionais. A primeira vez que o Millencolin veio ao Brasil foi em 1998 e foi uma espécie de caos, certo? Brigas, falta de equipamentos no rider… O que você se lembra daquela experiência? Foi algo muito especial para nós vir ao Brasil. É muito longe da Suécia, mas foi incrível. Tenho muitas boas lembranças e também muito caos. Minha guitarra quebrou em dois pedaços durante aquele primeiro show porque um cara a jogou para longe. Foi punk rock de verdade, com muita intensidade. Mesmo assim, foram momentos incríveis. Nós amamos o Brasil e a América do Sul. Sou de Santos e dizem que foi o show mais tranquilo daquela turnê do Millencolin. Quais são suas lembranças da cidade? Para ser honesto, eu não me lembro muito de Santos naquela primeira vez, porque isso foi há quase 30 anos. Naquela turnê, eu realmente não sabia em que cidade estava, eu apenas tocava. Tenho muitas lembranças daquela passagem, mas não consigo associá-las exatamente a cada cidade. Todos os lugares que visitamos no Brasil são ótimos. Mas quando você está em turnê é difícil lembrar de tudo, porque quase sempre estamos atrasados, tocamos todos os dias e não temos muitos dias livres. Mesmo assim, voltamos para Santos outras vezes, isso eu lembro. Ainda falando sobre 1998 vocês jogaram futebol em Copacabana contra um combinado de outras bandas de hardcore e assistiram a algumas partidas nos estádios. Vocês ainda mantém essa ligação com o futebol? Sim. Acho que o Nikola é quem mais gosta de futebol, mas todos nós gostamos. Temos uma ligação forte com isso. Nosso time local é o de Örebro, e até fizemos uma música para eles. Na Suécia, futebol e hóquei no gelo são os maiores esportes. Imagino que hóquei não seja tão popular em Santos (risos), mas o futebol é incrível. Na Suécia, praticamente todo mundo já jogou em algum time quando era jovem. Falando em Suécia, no último show do Millencolin lá no ano passado, vocês tocaram músicas menos comuns no setlist, como Black Gold e That’s Up on Me. Estão preparando alguma surpresa para o Brasil? Claro que sim. Temos muitas músicas para escolher ao tocar ao vivo. Normalmente sabemos quais são as que o público quer ouvir, então tentamos tocar os clássicos e misturar com algumas que não tocamos com tanta frequência. É difícil agradar todo mundo, porque cada pessoa tem suas favoritas, mas tenho certeza de que será um ótimo show e que o público ficará feliz. Teremos algumas surpresas. Existe alguma música subestimada do Millencolin que você gostaria que tivesse mais reconhecimento? Sempre há algumas. No Life on a Plate, há uma chamada Dr. Jackal & Mr. Hyde. Acho uma música muito boa, especialmente considerando que a escrevemos há tanto tempo. Às vezes nem entendo como conseguimos fazer aquilo naquela época. Ela tem uma vibração mais emocional. Talvez essa seja uma boa escolha. Está completando dez anos do clipe de True Brew. Como surgiu a ideia de gravar no Brasil, especialmente no Nordeste? Nós fizemos a música primeiro em inglês e gravamos um vídeo. Depois queríamos fazer uma versão em sueco também. Um amigo nosso que estava em turnê conosco sugeriu gravar no Brasil. Era inverno na Suécia e tudo estava muito depressivo, então queríamos sol no vídeo. No Brasil há sol, boa vibração, clima incrível e uma atmosfera fantástica nas cidades. Foi a combinação perfeita para nós. Recentemente entrevistei o The Hives e eles citaram vocês como a maior banda da cena sueca nos anos 90 que mostrou ser possível alcançar o mercado internacional. Como você vê essa relação com eles hoje? É ótimo. Eu gravei a primeira demo do The Hives, lá na década de 90. Conhecemos esses caras há mais de 30 anos. Temos uma ótima relação com eles. São pessoas muito legais. Nós dois fizemos parte da Burning Heart Records quando o selo ainda existia. Tocamos muito juntos na Suécia no passado. É uma relação de amizade de longa data. Life on a Plate está completando 30 anos. Há planos para algum relançamento em vinil ou cd? Preparamos, na verdade, tocar o álbum inteiro em um festival no Canadá, no fim de maio. Pode ser que façamos mais apresentações assim, mas por enquanto é isso. Precisamos reaprender algumas músicas, porque algumas não tocamos há muito tempo. Vai ser divertido. Muitas músicas nasceram com riffs seus. Como funciona seu processo criativo? No passado, cada um escrevia suas ideias em casa e levava para o ensaio. Hoje não moramos todos

Entrevista | Ash – “Foi uma emoção enorme descobrir que tínhamos fãs apaixonados que sabiam cada palavra das letras”

O rock alternativo e o power pop devem muito ao Ash. Surgida na Irlanda do Norte no auge do Britpop, a banda liderada por Tim Wheeler conseguiu algo raro: sobreviver a três décadas de mudanças na indústria fonográfica mantendo a mesma energia juvenil que os colocou no topo das paradas em 1996. Prestes a completar 30 anos do lançamento do icônico álbum 1977 (o disco de Girl From Mars e Kung Fu), o trio atualmente percorre o Reino Unido com a Ad Astra Tour, divulgando o elogiado álbum Ad Astra (2025). Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Wheeler reflete sobre a longevidade do grupo, os planos de celebração para 2026 e a lembrança marcante da única passagem da banda pelo Brasil. Vocês estão prestes a começar a Ad Astra Tour no Reino Unido. Depois de tantos anos na estrada, você ainda sente aquele “frio na barriga” antes da primeira noite? Como sua rotina de preparação mudou desde o início até agora? Fizemos uma turnê bem extensa desse álbum até o Natal do ano passado. Tem sido ótimo dividir a turnê em blocos menores para que possamos realmente aproveitar. Recomeçar depois de algumas semanas em casa pareceu um pouco estranho… até que a música de introdução começou a tocar! Senti aquela mesma descarga de adrenalina de antigamente quando as luzes da casa se apagam. Hoje em dia, sabemos exatamente o que precisamos fazer para entregar um show consistentemente excelente todas as noites. Definitivamente, somos menos caóticos do que éramos nos anos 90! O nome da turnê Ad Astra (“para as estrelas”) se encaixa perfeitamente com a estética de ficção científica que o Ash sempre teve. Existe um conceito ou tema específico por trás desses shows, ou é puramente uma celebração da música? É realmente tudo sobre a música. Estamos apostando mais forte no novo álbum desta vez. É incrível poder tocar nove músicas do Ad Astra em um set de uma hora e meia. Com um catálogo tão grande, parece uma jogada corajosa, mas os fãs estão nos apoiando totalmente, o que é ótimo. Precisamos mencionar um marco enorme: 2026 marca o 30º aniversário do seu álbum de estreia, 1977. Olhando para trás, como você se sente em relação a esse disco hoje? Parece uma vida diferente, ou a energia de músicas como Girl From Mars ainda soa fresca para você? É estranho, mas realmente não parece que faz três décadas que começamos a gravá-lo. Talvez porque muitas daquelas canções estiveram conosco em todos os shows desde então. E sim, elas recebem uma resposta tão enérgica do público que nunca parecem velhas. Acho que momentos assim mantêm a gente e o público conectados àquela época. Talvez isso traga o passado para o presente e encurte a distância entre os dois. Falando sobre 1977, existem planos para celebrar este 30º aniversário especificamente? Talvez um relançamento, um documentário especial ou uma série de shows dedicados no final do ano? Há muitos planos ainda ganhando forma, então tudo o que posso dizer no momento é: fiquem de olho… Com uma discografia tão vasta, de 1977 a Ad Astra, quão difícil é montar o setlist para 2026? Há algum “lado B” ou música obscura que vocês estão trazendo de volta para esta turnê? Tem sido muito divertido. Uma coisa que estamos fazendo nesta turnê é mergulhar mais fundo no catálogo antigo e misturar o setlist todas as noites. Isso nos mantém alertas e faz de cada show uma experiência única. Race the Night (2023), álbum anterior do Ash, também foi muito bem recebido. Agora que as músicas já “viveram” no mundo por um tempo, quais faixas desse álbum se tornaram suas favoritas para tocar ao vivo? Temos um grupo de músicas do Race the Night que costumamos revezar nesta turnê. A faixa-título, Crashed Out Wasted e Braindead são as que costumam aparecer. Se eu tivesse que escolher apenas uma, ficaria com Braindead. Vocês sempre tiveram uma forte conexão com o power pop guiado por guitarras e o indie rock. Como você vê o estado atual da música rock no Reino Unido e no mundo? Alguma banda nova te empolga agora? Acho que a música vai bem. Faz parte do que nos torna humanos e sempre precisaremos dela, não importa o que aconteça na indústria. Tivemos muitas bandas de abertura ótimas recentemente, incluindo Coach Party e Bag of Cans. É ótimo ver o Geese indo tão bem, e também o Big Special. O Brasil tem uma base de fãs do Ash muito apaixonada que interage muito nas redes sociais. Você tem alguma lembrança ou impressão específica dos fãs sul-americanos de interações ou viagens anteriores? Isso é muito legal de ouvir. Tocamos na América do Sul apenas uma vez, em um festival em 2011, em São Paulo (SWU). Sinceramente, não sabíamos o que esperar, mas fomos surpreendidos pela resposta. Foi uma emoção enorme descobrir que tínhamos fãs apaixonados que sabiam cada palavra das letras! Sabemos que a logística pode ser difícil, mas a América do Sul está no radar do Ash para o final de 2026 ou 2027? Os comentários “Come to Brazil” estão em todo o seu Instagram! Com certeza, nós adoraríamos. Estou ligando para o meu agente agora mesmo! Obrigado por nos avisar!

Harry Styles anuncia shows no MorumBIS e lança single “Aperture” hoje

O superstar Harry Styles revelou seus planos grandiosos para 2026, que incluem um novo álbum, um single que estreia hoje e uma turnê mundial exclusiva que passará pelo Brasil. A turnê, batizada de Together, Together, foge do formato tradicional. Styles escolheu apenas sete cidades ao redor do globo para realizar “residências”. E a boa notícia: São Paulo é uma delas. O cantor se apresenta no Estádio MorumBIS nos dias 17 e 18 de julho. Serão as únicas apresentações dele na América do Sul em 2026. Single hoje, álbum em março Antes de cair na estrada, Harry tem música nova para mostrar. O aguardado single Aperture estreia globalmente hoje. A faixa abre os trabalhos para seu quarto álbum de estúdio, intitulado KISS ALL THE TIME. DISCO, OCCASIONALLY. Com produção executiva de Kid Harpoon, o disco chega completo às plataformas no dia 6 de março. Residências globais de Harry Styles e abertura A turnê Together, Together é ambiciosa. Serão 50 apresentações divididas entre Amsterdã, Londres, São Paulo, Cidade do México, Nova York, Melbourne e Sydney. O destaque internacional vai para Nova York, onde ele fará impressionantes 30 shows no Madison Square Garden. Já em Londres, ele lotará o Wembley Stadium por seis noites. Para os shows no Brasil, a abertura ficará por conta do Fcukers. Em outras praças, ele terá convidados como Shania Twain (Londres) e Jamie xx (Nova York). Ingressos: prepare o cartão para ver o Harry Styles A disputa pelos ingressos promete ser acirrada, já que o Brasil só terá duas datas. As vendas acontecem na semana que vem pela Ticketmaster. Cronograma de vendas: Atenção: As vendas online começam sempre às 11h. Na bilheteria oficial, ao meio-dia. Serviço Harry Styles – Turnê “Together, Together” no Brasil

Entrevista | Bullet For My Valentine – “Ele ainda é muito relevante, muito próximo aos nossos corações”

Vinte anos após o lançamento de The Poison, o Bullet For My Valentine encerrou um ciclo histórico em solo brasileiro. No último dia 20, pouco antes de subirem ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para abrir o show do Limp Bizkit, Michael Paget, Jason Bowld e Jamie Mathias conversaram sobre o peso do legado que carregam e a conexão renovada com uma nova geração de fãs. O Bullet For My Valentine, que ajudou a moldar o metalcore mundial, refletiu sobre a experiência de tocar seu álbum de estreia na íntegra pela última vez. Em um clima de celebração e respeito mútuo entre gerações do metal, os músicos destacaram a importância de manter a essência focada nas guitarras e a honra de dividir o palco com ídolos que foram cruciais para suas próprias formações musicais. >> Confira como foi o show em São Paulo Nesta entrevista, o trio abriu o jogo sobre o futuro sonoro do grupo, a “bênção” que foi o sucesso repentino nos anos 2000 e revela os discos fundamentais que definiram suas trajetórias. Confira abaixo o bate-papo completo. Qual é a sensação de ver um álbum como The Poison, que foi lançado há duas décadas, ainda ser a porta de entrada para tantos fãs? Michael Paget: É incrível, sabe? Aquele álbum se conectou com tanta gente 20 anos atrás e poder tocá-lo 20 anos depois, vendo todos esses novos fãs mais jovens aparecendo e aceitando o disco, tem sido maravilhoso. Ele ainda é muito relevante, é muito próximo aos nossos corações e temos muito orgulho dele porque fez muito pelas pessoas, a forma como ele se comunica e se conecta com elas. É muito importante para nós. Além disso, tocá-lo o ano todo em alguns dos locais onde tocamos pelo mundo e ir a lugares onde nunca estivemos antes também foi animal. Hoje é o último show, a última vez que o tocaremos na íntegra, então vai ser um estouro. Jason Bowld: É, a última vez tocando o The Poison. Vou sentir falta… até daqui a dez anos. O álbum mais recente é o homônimo (Bullet For My Valentine, de 2021)… esse som mais agressivo definitivamente combina mais com a banda? Jason Bowld: Ih, eu estaria revelando segredos, isso seria… Top secret? Jason Bowld: É, segredo absoluto. Eu não gosto de falar muito sobre como será o próximo álbum porque… Estou me referindo ao mais recente, de 2021. Michael Paget: Ah, o mais recente? Achei que era o próximo. O último foi o autointitulado (Self-titled), então o próximo vai ser ainda mais agressivo. Vai ser sempre pesado e sempre terá… vai ser simplesmente Bullet, é tudo o que gostaria de dizer, na verdade. Vai ser a cara do Bullet. O nu metal está tendo um retorno enorme. Como uma banda de metalcore, como vocês se sentem dividindo o palco com o Limp Bizkit hoje à noite? Michael Paget: Ah, é bom pra caralho, cara. Somos fãs de longa data do Limp Bizkit. Eles mudaram nossas vidas anos atrás, da mesma forma que o The Poison mudou a vida de tanta gente para nós. Ser convidado para vir e abrir para eles na América do Sul tem sido um sonho realizado. É loucura! Jason Bowld: É, muita loucura. Lugares enormes também, tem sido incrível! A energia da multidão é… não me lembro de ter visto uma banda gerar tanta energia com o público, sabe? E eles são classe pura. Pessoas de classe, músicos incríveis e, sim, eles ainda são relevantes. Mas, sabe, essa coisa do retorno do nu metal… não sei, talvez seja um retorno com algumas reviravoltas, mas na minha visão você não consegue replicar estilos que já passaram sem que pareça algo forçado. Vocês ficaram encantados com o apoio incrível e radical dos fãs brasileiros. Qual é o segredo para manter o respeito dessas lendas e, ao mesmo tempo, continuar relevante para a geração mais jovem? Michael Paget: Essa talvez seja uma pergunta para você responder, mas… acho que para nós, lá no começo, a gente explodiu muito rápido. De novo, acho que foi por causa do The Poison e de como tocamos em algo que conectou com muita gente. Não sei o que foi, mas foi uma “bênção disfarçada” para nós. Simplesmente aconteceu do dia para a noite. E acho que talvez seja porque somos focados nas guitarras; Metallica e Iron Maiden são influências muito grandes na banda também. Então acho que o encaixe foi certo e nós éramos aquela banda nova que as pessoas queriam levar em turnê. Já realizamos muita coisa, a nossa lista de desejos está bem cheia no momento, mas estamos no caminho. Só uma última pergunta: cada um de vocês poderia dizer um álbum que mais influenciou na carreira? Jason Bowld: Steal This Album!, do System Of A Down. Jamie Mathias: Master of Puppets, do Metallica. Michael Paget: Cowboys From Hell, do Pantera.

Speed, sensação do hardcore da Austrália, estreia no Brasil em março de 2026

Um dos nomes mais explosivos do hardcore mundial na atualidade, a banda australiana Speed confirmou sua primeira turnê latino-americana e tem passagem pelo Brasil marcada para 15 de março de 2026 no Espaço Usine (antigo Clash Club), em São Paulo, como uma das atrações do 2º NDP Fest, o festival que celebra o segundo aniversário da produtora New Direction Productions. Os ingressos estão à venda no Fastix. A banda suporte do Speed na turnê pela América Latina, consequentemente mais uma atração do 2º NDP Fest, é a norte-americana Clique. O projeto, da Califórnia, faz um hardcore punk com elementos de metal e atualmente divulga o pesadíssimo EP Death Is not out only Option. Path of Resistance, dos Estados Unidos, foi a primeira banda internacional anunciada no fest e mais nomes serão revelados no começo de 2026. Formada em Sydney, em 2019, a Speed rapidamente deixou de ser um fenômeno local para se tornar uma referência global do hardcore contemporâneo. Liderado pelos irmãos Jem e Aaron Siow, o grupo se destaca pela combinação de riffs agressivos, grooves pesados e uma identidade própria que dialoga tanto com o hardcore clássico quanto com o beatdown moderno, sempre acompanhada de um discurso forte sobre comunidade, inclusão e pertencimento. A projeção internacional da banda se consolidou com o EP de estreia Gang Called Speed (2022), que chamou atenção da cena underground na Austrália, Europa e Estados Unidos. O salto definitivo veio com o álbum Only One Mode (2024), trabalho que colocou a Speed no centro do debate global sobre o renascimento do hardcore pesado. O disco foi amplamente elogiado pela imprensa especializada, venceu o NSW Music Prize 2025 e rendeu à banda o ARIA Award de Best Hard Rock/Heavy Metal Release, além de indicações em premiações nacionais australianas. No palco, a Speed reforça porque é destaque em mídias pelo globo. A intensidade de seus shows levou a banda a realizar turnês extensas pela Europa, Reino Unido e América do Norte, além de participações em grandes festivais. Em 2025, a banda entrou para a história ao se tornar a primeira banda australiana de hardcore a se apresentar no Coachella, ampliando ainda mais sua visibilidade fora do circuito estritamente underground. A cobertura da mídia internacional acompanha essa ascensão: veículos como GQ, Kerrang!, Rolling Stone Australia e The Washington Post destacam a Speed como um dos nomes mais relevantes e autênticos da nova geração do hardcore, ressaltando tanto o impacto sonoro quanto a força cultural e social da banda. Path of Resistance, também no 2º NDP Fest O Path of Resistance nasceu na metade da década de 1990 como um projeto paralelo da banda Earth Crisis, o expoente máximo do hardcore/metalcore straight-edge internacional e que se apresentou no 1º NDP Fest. Um dos recursos mais distintos da banda é ter três vocalistas simultâneos/alternados, o que traz uma dinâmica intensa, quase caótica no palco, e reforça o caráter comunitário e combativo da mensagem do Path of Resistance. A banda tem dois expressivos discos, Who Dares Wins, de 1996, considerado um dos álbuns mais clássicos do nicho, e Can’t Stop The Truth, de 2006, que marca o retorno da banda aos shows.

Entrevista | T.S.O.L. – “Eu praticamente garanto que será o último show no Brasil”

São Paulo recebe no dia 29 de novembro a força de duas lendas do punk californiano. T.S.O.L. e Adolescents dividem o palco do Cine Joia na primeira edição paulista do Rockside, festival que nasce com a proposta de celebrar o rock em suas vertentes mais pesadas. A noite marca o retorno de dois nomes essenciais da cena mundial, ambos influentes há mais de quatro décadas. Porém, para tristeza de muitos, será o último show do T.S.O.L. no Brasil. Formado no início dos anos 1980, em Long Beach, a banda, cujo nome são as iniciais de True Sounds of Liberty, se tornou uma referência singular por unir punk, death rock e hardcore. Liderada pelo vocalista Jack Grisham, a banda atravessou diferentes fases, mudanças de formação e crises internas, mas manteve sua relevância artística. Em 2024, o grupo lançou o álbum A-Side Graffiti, reafirmando sua vitalidade e a capacidade de transitar entre novas composições e releituras de clássicos. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista do T.S.O.L., Jack Grisham, relembrou a última passagem pelo Brasil, falou sobre a energia do público brasileiro, comentou o processo criativo do álbum A-Side Graffiti, abordou o legado da banda e revelou que a turnê atual pode ser a última visita ao país. Você está feliz em voltar ao Brasil? A última vez que você esteve aqui foi em 2013… Certo. Durante as revoltas perto da Copa. Você lembra? Eles levavam o dinheiro no ônibus, haviam protestos em todo o país porque todos os senadores recebiam pagamentos, mas as pessoas tinham que arcar com isso. Ninguém estava feliz com aquilo. Sim, foi ano da Copa das Conferações. Depois a Dilma foi reeleita e, logo depois, aconteceu o impeachment. Mas, vamos falar de coisas boas, que lembranças dessa passagem você guarda? Acho que não foi tanto o show, mas sim as pessoas. Havia um sentimento diferente. Acho que a América (do Norte) é muito tensa. As pessoas são muito tensas com as emoções. São reservadas, exceto pela raiva. No Brasil, tudo era mais leve, mais emocional. Eu gosto de emoções. Minhas melhores lembranças foram a gentileza, o amor e a emoção das pessoas. Havia um coração genuíno, algo que você não vê tanto na América. É, a nossa América do Sul tem algo especial mesmo… Sim. E é real. As emoções estão expostas e não escondidas. Se gostam de você, dizem. É caloroso, gentil. Eu realmente gostei da última vez. O Brasil sempre teve uma cena punk ativa. Algum momento específico ou encontro te marcou? Eu conheço muitos brasileiros porque surfo há muito tempo. Sou fã de surfe. O Yago Dora, que ganhou o campeonato, estava parado perto de onde eu estava hospedado. Eu o vi, gritei da janela do carro. Foi divertido. E, claro, às vezes você sai do show e tem um ônibus queimando na rua (risos). Mas nada que tenha sido ruim. Na verdade, quando não lembro de nada negativo, significa que foi bom. Que praia você conheceu aqui? Florianópolis. Eu amei. Moro perto do oceano aqui na Califórnia, então estar lá foi ótimo. Em São Paulo a praia é longe, mas há várias famosas no litoral. Foi aqui que foi revelado o Medina, por exemplo. Sim, eu sabia que não estava perto, infelizmente. Já fazem 12 anos desde sua última vinda. Quais mudanças no setlist o público brasileiro pode esperar? Fizemos outros discos desde então. O Trigger Complex e o A-Side Graffiti. Tocamos músicas desses trabalhos. Nosso set cobre toda nossa trajetória. Às vezes as pessoas ficam chateadas porque não tocamos músicas da época em que o Joe Wood cantava, mas naquela fase não havia nenhum membro original na banda. Você viu o filme Ignore Heroes? Havia dois T.S.O.L. ao mesmo tempo: o nosso, com os membros originais, e outro sem nenhum integrante original. No álbum A-Side Graffiti há músicas novas, interpretações e covers. Como surgiu essa ideia? Para mim, um álbum deve ser ouvido do começo ao fim, como um livro. Trigger Complex foi assim. Mas A-Side Graffiti é diferente, é como um mural de grafite. Uma coleção de ideias. Fizemos covers do Rocky Horror Picture Show, de Bowie, experimentamos coisas. Estávamos apenas vendo até onde poderíamos ir. Foi interessante. Como foi a experiência da colaboração com o Keith Morris no álbum? Bem, o Keith me pagou (risos). Eu o conheço desde o Black Flag original, quando ele cantava. É o meu favorito. Depois ele foi para o Circle Jerks. Somos amigos há muito tempo. Já participei de vídeos da banda dele, o Off!. Quando fizemos Sweet Transvestite, pensei que ele seria perfeito. Liguei para ele e disse que precisava dele. Ele veio na hora. Foi ótimo. Como você equilibra respeitar as versões antigas e tocar com a identidade atual? Nós soamos praticamente como antes. Já vi bandas mudarem suas músicas a ponto de você nem reconhecê-las. Eu não acredito nisso. Quero preservar o sentimento original. Não posso ouvir a bateria sem pensar no nosso baterista que morreu. Quando tocamos, penso muito nisso. Estou fazendo isso há 46 anos. Já toquei para gerações diferentes. Hoje há jovens que me viram na rua e não sabiam que eu era o mesmo Jack do palco. É engraçado. Você falou em gerações, como você vê a importância do seu legado? Seria muito orgulhoso dizer que sou importante ou influente. Se deixei alguma influência, espero que tenha sido pela amizade e bondade, por ser acessível às bandas jovens, por ajudar. Essa seria a influência que eu gostaria de ter. Você vê seu legado mais forte no punk rock, death rock ou hardcore? Acho que no fato de termos feito tudo. Nunca escolhemos um som só. Sempre mudamos, experimentamos. Nosso primeiro disco é considerado o primeiro registro de death rock dos EUA, antes dos Misfits. Sempre tentamos coisas novas, e esse seria um bom legado. Sua banda sempre teve engajamento político e social. Você costuma estudar o cenário político dos países que visita? Eu estudava mais. Hoje é difícil saber de onde vem a informação. 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Entrevista | The Rasmus – “Estaremos no Brasil em 2026”

O The Rasmus acaba de lançar Weirdo, seu 11º álbum de estúdio, um trabalho que equilibra peso, melodia e uma mensagem de aceitação (confira o review do álbum aqui). Com faixas que vão do impacto imediato de Creature of Chaos ao intimismo de I’m Coming for You, o disco mostra a maturidade da banda finlandesa ao mesmo tempo em que resgata a energia dos primeiros anos. Nesta entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Lauri Ylönen conta de maneira exclusiva que a banda voltará ao Brasil em 2026, após 8 anos, e fala também sobre a ida à Grécia para compor o álbum e sobre questões pessoais que influenciaram as letras. O que o título Weirdo representa para você e para a banda neste momento da carreira? Essa palavra sempre esteve ao meu redor. Quando eu era criança, as pessoas me chamavam assim como um insulto. Foi difícil me aceitar quando era mais jovem, com meu visual diferente, penteado, maquiagem e roupas. Mas sempre mantive meu estilo, não importava o quanto tivesse que lutar. Quero celebrar 30 anos de The Rasmus e 30 anos de ser um weirdo. Isso conta minha história e, talvez, sirva de exemplo para jovens que precisam acreditar em si mesmos. Queremos transformar essa palavra em algo positivo, e não em um insulto. Como é a cena musical na Finlândia? Aqui no Brasil, as crianças da minha sala também não me entendiam e curtiam o samba e a música sertaneja. E no seu país? A Finlândia é conhecida por rock e metal, e eu tenho muito orgulho disso. Somos uma nação pequena, com cerca de 5,5 milhões de pessoas, e mesmo assim o mundo conhece nossas bandas. É impressionante como produzimos tanta música. Acredito que o som mais sombrio da Finlândia vem do clima. Tudo por aqui é um pouco mais intenso: a comida, as bebidas, até os doces. Isso se reflete também na música. É incrível ver como os shows de rock e metal unem gerações, com pessoas de 17 a 75 anos dividindo a primeira fila. Existe uma comunidade muito forte, todos se sentem acolhidos. Grande parte das músicas foi escrita na Grécia. Como esse ambiente influenciou o som do disco? Não sei se o lugar em si influencia diretamente, mas é ótimo para escrever. Fomos cinco vezes para lá com o produtor Desmond Child. É um lugar silencioso, afastado do mundo, perfeito para se concentrar. A ilha em que ficamos tem centenas de capelas brancas espalhadas pelas montanhas, o que dá uma atmosfera espiritual especial. A natureza é dura, seca, cheia de oliveiras, bem diferente da Finlândia. Eu gosto muito da Grécia. Você citou Desmond Child, mas o álbum também teve outro grande nome, o Marty Frederiksen. O que mais aprendeu com eles? Ambos são fantásticos, verdadeiras lendas. Desmond trabalhou com Kiss, Aerosmith, Bon Jovi, Alice Cooper. Marty, com Ozzy Osbourne e também Aerosmith. É incrível tê-los produzindo nossa música, já que sempre me considerei parte de uma pequena banda. Acho que eles gostam de trabalhar conosco porque temos um som diferente. Desmond chegou a dizer que certas melodias nossas nunca apareceriam nos Estados Unidos, mas que eram únicas do The Rasmus e muito especiais. Trabalhar em Nashville, em um grande estúdio, foi uma experiência inesquecível. Weirdo traz elementos de nu metal, pop, indie rock, mas ainda soa como The Rasmus. Como é se reinventar sem perder os fãs de longa data? Nossos fãs já estão acostumados a não saber o que esperar. Sempre fazemos música que nos deixe felizes primeiro. Já experimentamos sons eletrônicos, como no álbum Dark Matters, que talvez não tenha sido o melhor, mas foi essencial para nossa trajetória. Queremos ter uma carreira longa, e isso exige explorar novos caminhos. Agora senti vontade de trazer de volta as guitarras e o som mais pesado. Tivemos grandes riffs como base e contamos com produtores incríveis. Além de Desmond e Marty, trabalhamos com Joseph McQueen, de Los Angeles, que trouxe um toque moderno ao disco. E sobre os fãs brasileiros? O que eles podem esperar do setlist da turnê Weirdo? O Brasil está nos planos? Sim, mas só no próximo ano. Este ano já está todo planejado para a Europa e alguns shows no México. Em 2026 vamos fazer América Latina, Estados Unidos, Austrália e muitos outros lugares. Não posso dar mais detalhes agora, mas o Brasil está confirmado. Alguns fãs interpretaram a música Rest in Pieces como se falasse da saída da Pauli da banda. Pode falar mais sobre isso? Prefiro não citar nomes, mas essa música é pessoal sim. É sobre um velho amigo que me traiu. Acho que todos já passaram por isso, confiar em alguém e se decepcionar profundamente. Escrevi essa faixa no fim do processo de gravação, quase sozinho, e senti que precisava estar no álbum. Acabou se tornando o primeiro single. Para encerrar, pode deixar uma mensagem para os fãs brasileiros? Pessoal do Brasil, desculpem não conseguirmos ir este ano, mas em 2026 estaremos aí. Espero que possamos tocar em muitos shows e encontrar todos vocês. Até breve, cuidem-se.