X, lenda do punk californiano, dá aula de história para um Morumbi ainda morno

Para a maioria dos 60 mil presentes no Morumbi, a banda X era uma incógnita. Mas para Eddie Vedder, eles são divindades. Trazidos ao Brasil por exigência do Pearl Jam, os veteranos de Los Angeles subiram ao palco com a missão de mostrar de onde veio o DNA do rock alternativo americano. A banda, com sua formação clássica (Exene Cervenka, John Doe, Billy Zoom e DJ Bonebrake), não se intimidou com o tamanho do palco ou com a plateia ainda dispersa. O som foi cru, seco e sem firulas, exatamente como o punk exige. Billy Zoom, com sua postura imóvel e sorriso permanente de quem está se divertindo internamente, desfilou riffs rockabilly precisos em Your Phone’s Off the Hook, But You’re Not e Johnny Hit and Run Paulene. A química vocal dissonante entre Exene e John Doe, marca registrada da banda, ecoou estranha mas fascinante no sistema de som do estádio. Clássicos do álbum Los Angeles dominaram o set curto. The Hungry Wolf e Los Angeles trouxeram um peso que fez as primeiras filas (geralmente os fãs mais “hardcore” de Pearl Jam que conhecem as influências da banda) agitarem. O encerramento com Devil Doll selou uma apresentação digna. O X não tentou ser uma banda de arena; eles transformaram o palco gigantesco em um clube sujo de 1980. Saíram aplaudidos com respeito, tendo cumprido a função de educar musicalmente a multidão antes da catarse que viria a seguir. Edit this setlist | More X setlists

Entrevista | Erasmo Carlos – “Não posso parar. Só sei fazer isso”

Muito se fala sobre a vitalidade de Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones, ambos com 68 anos. O que dizer de Erasmo Carlos, 70 anos recém completados, que continua fazendo rock and roll como poucos e mostra que o gás está longe do fim? Ele garante: “Não posso parar. Só se fazer isso”. Por telefone, Erasmo Carlos falou das ligações com Santos, do show que será apresentado, amanhã no Ginásio do Sesc, dos novos projetos e sobre a nova geração do rock brasileiro. Nas próximas semanas, o cantor encerra a turnê de Rock and Roll, lançado em 2009, mas já solta mais dois trabalhos para os fãs: o DVD 50 Anos de Estrada e o CD Sexo. O que esperar de Sexo? Rock and roll ou alguma experiência nova? O álbum tem parcerias com Arnaldo Antunes, Chico Amaral, Liminha e Adriana Calcanhoto. Eu deixei para cada um mostrar como vê o sexo, cada um com sua visão. Já o som é na linha rock and roll. Não tem como ser diferente. O CD chega em agosto nas lojas, mas quem quiser, já pode ouvir uma canção no meu site. Esperava manter uma carreira tão extensa? Nunca imaginei nada. As coisas foram acontecendo. Dou um crédito à minha vontade e o sonho de seguir com a música. Soube me comportar, tirar proveito de várias derrotas. Dei sorte na vida, mas claro que tenho talento. Jamais imaginei que chegasse a tanto. Muitos te consideram o pai do rock brasileiro. Concorda? Isso é carinho das pessoas. Esse título é pelo carinho que elas têm por mim. Me considero um compositor que faz as músicas e as interpreto. Só. Lembra do primeiro contato como rock? Sim. Quando eu ouvi pela primeira vez, senti na hora que era uma coisa importante. Aquilo me arrepiou e me tornei escravo na hora. Depois que fui descobrir outras pessoas que gostavam e o que estava se tornando aquilo em todo o mundo, que os jovens gostavam. Foi o início da liberdade dos jovens. Eles descobriram que podiam ser livres. Era só abrir a portinha da gaiola e voar. Ainda existe algum problema entre Erasmo Carlos e Roberto Carlos? Isso é tão antigo! Já houve mais de 500 mil provas da nossa amizade. A última foi no meu show de 50 anos. Roberto estava lá. Impossível achar que não temos uma amizade verdadeira depois de tantas parcerias. Isso é coisa de quem não entende nada e fala besteira. E com o Tim Maia? Como era o relacionamento? Muito bom, mas não quero falar sobre isso. Se eu revelar tudo aqui, ninguém vai comprar o meu livro Minha Fama de Mau (risos). Então, comprem dois. Um para ler e outro para dar de presente. Como você analisa bandas como Restart e Cine? Eles estão começando. Acho legal cada um começar como pode. Uns fazem música para arrumar namorada, outros porque querem viver disso. Só o tempo dirá para o que vieram. Analiso a partir do terceiro disco gravado, quando descubro se é puro comércio ou idealista. Destaca algum nome da música atual? Marcelo Jeneci, a Silvia Machete e a Maria Gadú. Espero muito para perceber se o trabalho é bom. Só agora, por exemplo, senti consistência no som da Maria Rita. E a geração 1980? O que acha dela? Quem está aí até hoje em dia é bom pra caramba. Paralamas, Barão, Titãs e Kid Abelha são ótimos. O que lembra de Santos? Além de ter imortalizado As Curvas da Estrada de Santos com o Roberto, lembro de algo inusitado. Foi em Santos que dei meu primeiro autógrafo em um seio. O primeiro de muitos, aliás. E as bocas de Santos? Você as frequentou nos anos 1960 e 1970? Eu fui duas vezes para as bocas, mas não fui atrás de mulheres. Eu fui buscar o pessoal do Caribe Steel Band, uma banda da Guiana Inglesa que tocava sempre aí. Eles tinham um som muito bom. O que os fãs podem esperar no show do Sesc? Músicas de Rock and Roll, meu último álbum, da Jovem Guarda e sucessos dos anos 1970. SERVIÇO – HOJE, ÀS 21 HORAS. OS INGRESSOS VARIAM ENTRE R$ 7,50 E R$ 30,00. O GINÁSIO DO SESC SANTOS FICA NA RUA VERGUEIRO STEIDEL, 300, NA APARECIDA. INFORMAÇÕES PELO TELEFONE 3278-9800.