black midi comprova a importância dos side shows de festivais em SP

Texto por Thiago Menezes Sempre que um grande festival, como o Primavera Sound – que acontece em São Paulo, neste sábado (2) e domingo (3) – é anunciado, muitos se atentam majoritariamente para os consagrados nomes do line up. Bandas como The Cure e The Killers, figuras bem conhecidas no mundo da música, acabam atraindo grande parte do público desses eventos. Porém, curiosos e inquietos, que sempre procuram algum frescor, olham atentos para as letras menores da lista de atrações, que (injustamente) apresentam bandas menos populares por aqui. Aproveitando esses nomes mais emergentes, que já chamam atenção no exterior e dos mais entusiastas de novidades musicais, o Primavera Sound promove o Primavera na Cidade. Pequenos shows, em casas de shows charmosas da cidade de São Paulo, que antecipam os dias do festival com bandas que comovem uma cena mais “underground” da música. Foi assim que o Cine Joia recebeu, na última quarta-feira (29), um público curioso, mas preparado, para conhecer o black midi. Formada em 2017 e já com três álbuns de estúdio, a banda inglesa tem chamado certa atenção pela amálgama de estilos e influências em seu som. Assim que entram no palco, sem muito firula, portando apenas os instrumentos clássicos de uma banda rock n’ roll (guitarras, baixo e bateria), eles deixam claro como é o mecanismo do grupo. Puxado pelas guitarras de Cameron Picton e Geordie Greep, é na primeira porrada na caixa da bateria de Morgan Simpson que a banda mostra toda sua força, na canção 953. A furiosa introdução, mostrando influências do rock clássico ao metal, logo dá espaço para a graça e a calmaria dos vocais de Greep. Nesse momento, você logo percebe novas influências sonoras, que fazem com seus ouvidos precisem de um tempo para assimilar e aceitar que ali está uma banda que gosta e procura misturar todas as suas influências em um só som. É possível notar influências do jazz ao blues, passando pela hipnose dos sons mais intimistas do Radiohead, do rock contemporâneo do Arctic Monkeys e do Kings of Leon e das bandas de post-rock. Talvez, o público presente que já conhecia a banda e seus álbuns (com toques de saxofone e instrumentos incomuns para uma banda de rock pesado), não tenha se surpreendido com isso, e até tenha ido ao show justamente para presenciar tais performances. A plateia acompanhou a mistura sonora do black midi intercalando momentos de contemplação, quando o Greep e a banda levavam o som para áreas mais jazzisticas, e rodas punk respeitosas que eram provocadas pela eclosão do som do grupo. Entre as belas melodias, como em Magician, puxadas por Greep na guitarra, mas acompanhadas por sua cantoria influenciada por Tom Waits e Nick Cave, o baixista Seth Evans intercalava sua posição com um teclado, para preencher as leves melodias e/ou o som pesado que a banda trafega com muita competência e naturalidade. Simpson, por sua vez, é um maestro na bateria, que trocava olhares constantemente com a banda para poder conduzir a alternância entre o belo e o selvagem de suas músicas. O futuro do rock, da música, e dos festivais é promissor enquanto houverem novidades como o black midi. Fiquem atentos aos pequenos nomes nas lista de lineups. Que dure e volte muitas vezes.

Tom Jones confirma show único no Brasil; confira data, local e preços

Tom Jones anunciou show no Brasil. O lendário cantor galês faz única apresentação no país, no dia 17 de abril de 2024, em São Paulo, no Espaço Unimed, trazendo seus maiores sucessos. A venda de ingressos para o público geral estará disponível a partir do dia 5 de dezembro, começando às 10h online e às 12h na bilheteria oficial. Os ingressos, que podem ser adquiridos em até 10 vezes, estarão disponíveis online na Ticketmaster e na bilheteria oficial (sem taxa de serviço). A realização é da Live Nation Brasil. Sir Tom Jones continua a sustentar a sua popularidade em todo o mundo, cativando o público com a sua discografia atemporal de canções de sucesso e talento e carisma duradouros. Com uma carreira notável que se estende por mais de seis décadas, Jones é amplamente considerado um dos maiores cantores e artistas de todos os tempos, vendendo mais de 100 milhões de discos e continuando como uma figura estimada e influente na indústria musical. Aos 83 anos, Jones recebeu algumas das melhores críticas de sua carreira por seus álbuns mais recentes produzidos por Ethan Johns, Surrounded By Time, Long Lost Suitcase, Spirit In The Room e Praise & Blame. Os críticos elogiaram tanto o material gravado quanto às performances de Jones, destacando seu talento inegável e único tanto no estúdio quanto no palco. Nascido na cidade de Pontypridd, no País de Gales, Jones abandonou a escola ainda jovem, trabalhando em vários biscates antes de começar como membro de uma banda local chamada The Senators, mais tarde formando seu próprio grupo, Tom Jones and the Squires, tocando em clubes e pubs da região. No início dos anos 1960, ele assinou com a Decca Records em Londres, dando início a uma carreira diversificada e de sucesso e alcançando fama internacional com sua voz poderosa e presença de palco dinâmica. Ele tinha uma série de canções de sucesso, incluindo It’s Not Unusual, What’s New Pussycat?, Delilah e Green, Green Grass of Home, que acompanhava seu imensamente popular programa de TV intercontinental de 1969-1971, This is Tom Jones. Jones sempre teve um interesse fundamental por uma ampla variedade de músicas, o que o levou a trabalhar com dezenas de colaboradores icônicos ao longo dos anos, desde Stevie Wonder e Aretha Franklin a Van Morrison, Dolly Parton e Ed Sheeran, apenas alguns entre muitos. Embora seja conhecido por seus sucessos, ele é antes de tudo um artista diversificado com uma verdadeira alma de ritmo e blues. A carreira de Jones foi repleta de inúmeras honrarias e elogios, incluindo o título de cavaleiro profundamente acarinhado pela Rainha Elizabeth II em 2006, vários Brit Awards, um Silver Clef Award, o prestigiado Music Industry Trusts Award e um Hitmaker Award do US Songwriters Hall of Fame. Ele também atuou em filmes como Marte Ataca!, de Tim Burton, e Playhouse Presents: King of The Teds para a Sky Arts. Junto com sua turnê anual, Jones continuou ativo na indústria como treinador de longa data no The Voice UK e sendo um contribuidor valioso em uma variedade de eventos e transmissões, como o 25º aniversário do MusiCares (em homenagem a Bob Dylan) e o 57º Grammy Awards, bem como muitos outros para causas de caridade. Sua recente autobiografia, Over The Top And Back, foi um best-seller divertido, e seu álbum lançado em 2021, Surrounded By Time, fez dele o homem mais velho a reivindicar o primeiro lugar na parada oficial de álbuns do Reino Unido com um álbum de material novo, ultrapassando Bob Dylan. SERVIÇO – TOM JONES SÃO PAULO Data: 17 de abril de 2024 (quarta-feira) Local: Espaço Unimed Endereço: R. Tagipuru, 795 – Barra Funda, São Paulo Ingressos: a partir de R$ 290,00 (ver tabela completa) Classificação: 16 anos.* *Sujeito a alteração por Decisão Judicial. PREÇOS SEÇÃO I, J e K*: R$ 290,00 meia entrada e R$ 580,00 inteira MEZANINO*: R$ 325,00 meia entrada e R$ 650,00 inteira SEÇÃO E, F , G e H*: R$ 375,00 meia entrada e R$ 750,00 inteira CAMAROTE A/B: R$ 395,00 meia entrada e R$ 790,00 inteira SEÇÃO A, B C e D*: R$ 440,00 meia entrada e R$ 880,00 inteira SEÇÃO AZUL*: R$ 490,00 meia entrada e R$ 980,00 inteira BLUE PREMIUM*: R$ 490,00 meia entrada e R$ 980,00 inteira *Assentos marcados

Africa Express vem ao Brasil com Damon Albarn e Nick Zinner

O coletivo Africa Express vem ao Brasil pela primeira vez em fevereiro. E junto com eles vêm Badsista, Damon Albarn (Blur e Gorillaz), Hak Baker, Imarhan, Jupiter & Okwess, Luedji Luna, Moonchild Sanelly, Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) e Vhoor. Mais atrações serão anunciadas em breve. A apresentação será em 23 de fevereiro de 2024, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Os ingressos estarão disponíveis para a venda a partir desta quinta-feira (30), às 12h, nos canais oficiais da Eventim. Com uma energia que atravessa fronteiras, tradições musicais e gerações, o Africa Express reúne músicos de diferentes culturas, gêneros e gerações que quebram barreiras e fomentam um espírito de unidade entre eles. E é justamente por isso que cada apresentação do Africa Express é única e composta por momentos mágicos e inesquecíveis. Foi no ano de 2006, durante uma viagem ao Mali, na África Ocidental que tudo começou. Damon Albarn (Blur, Gorillaz), Martha Wainwright e Fatboy Slim se reuniram com estrelas locais como Toumani Diabaté, Bassekou Kouyaté e Amadou & Mariam e foi deste encontro extraordinário que nasceu o Africa Express. No ano seguinte, em 2007, foi realizado o primeiro evento público do coletivo, com um show lendário de cinco horas no Festival de Glastonbury, que foi descrito pelo The Times como “uma epifania absoluta para todos que estavam por lá”. E em quase 20 anos de história, o Africa Express desenvolveu a criatividade e a colaboração na música e cultivou um público tão diversificado quanto os os músicos e artistas que fazem parte da sua história. É um ecossistema criativo e multicultural que, em cada show e também nas gravações em estúdio, reúne músicos, cantores e DJs de regiões como Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, Argélia, África do Sul e Mali com artistas e produtores do Reino Unido, Estados Unidos e Europa. O Africa Express já viajou para a Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, África do Sul e Mali. Também fez espetáculos aclamados em Lagos, Londres, Liverpool, Joanesburgo e por toda a Europa – de Istambul ao Festival de Roskilde na Dinamarca. O coletivo recebeu mais de 20 mil pessoas em Paris e 50 mil pessoas em uma praia da Espanha. Além disso, em 2012, o África Express lotou um trem antigo com 100 artistas de todo o mundo para uma turnê de uma semana pelo Reino Unido como parte do Festival Olímpico de Londres no ano de 2012. Esta turnê inesquecível teve shows em lojas, escolas e até em plataformas de trem. A apresentação final de cinco horas na estação de King’s Cross, em Londres, contou com Tony Allen, Nicolas Jarr, Fatoumata Diawara, John Paul Jones, Kano, M.anifest, Paul McCartney, Baaba Maal e Rokia Traoré – todos compartilhando o mesmo palco. O Africa Express lançou vários álbuns. Mais recentemente um EP e um álbum feitos durante uma semana de descobertas, colaborações, alegria e intensa produção musical em Joanesburgo. Africa Express em São Paulo Data: 23/02/2024 Abertura dos Portões: 15h Local: Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2) Setores e valores Pista: R$ 275,00 (meia) | R$ 330,00 (social) | R$ 550,00 (inteira)

Hardcore Superstar supera problemas técnicos e entrega show de alto nível

Formada em 1997, em Gotemburgo, na Suécia, a banda Hardcore Superstar, enfim, fez a sua estreia em palcos brasileiros, após cancelamentos e adiamentos consecutivos. Foram três shows em três dias seguidos: Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Na capital paulista, no sábado (18), o local escolhido foi o Carioca Club, que teve como abertura duas bandas brasileiras muito competentes, que ajudaram a elevar o nível do evento. Inluzt e Nite Stinger fizeram sets seguros e mostraram a força do hard rock brasileiro, mesmo com a casa ainda com pouco público, muito por conta do calor e do horário. Pontualmente às 19h30, os suecos subiram no palco e já vieram atacando com o seu mais recente single Abradakabra, que dá nome ao álbum lançado em 2022, que de pronto já foi muito bem recebida. Tudo corria muito bem, quando no final da terceira música, por algum problema técnico, o som do palco parou de funcionar. Ninguém entendeu nada do que acontecia e a banda parou de tocar. O vocalista Jocke Berg foi até o público e pediu silêncio para que ele pudesse ser ouvido, já que os microfones não estavam funcionando. Pediu desculpas e disse que o show retornaria assim que o problema fosse resolvido. Nesse meio tempo, os integrantes distribuíram água e cerveja para o público, em um gesto pacifico e apaziguador. Aproximadamente 15 minutos depois, o problema foi resolvido e a banda emendou uma sequência eletrizante de hits, com a barra de energia no máximo. Wild Boys, My Good Reputation e Liberation, do segundo álbum, Bad Sneakers and a Piña Colada, de 2000, fizeram o Carioca Club ferver de uma maneira impressionante. Na sequência, um momento mais intimista com uma versão guitarra e voz de Standin’ on the Verge e uma de Someone Special. A banda seguiu seu set com muita presença de palco e desfilando simpatia. Foi bonito ver a banda tão feliz quanto seus fãs, emendando um som atrás do outro até a chegada de Last Call for Alcohol, onde o vocalista distribuiu copos de bebida para diversos fãs que estavam mais próximos ao palco. No bis atacaram de We Don’t Celebrate Sundays, música que foi cantada por praticamente todo o público presente. O encerramento foi com outra porrada, You Can’t Kill My Rock n’ Roll. O que mais impressiona no show do Hardcore Superstar é como a banda soa muito mais coesa ao vivo do que nos seus últimos discos, fazendo uso apenas de uma guitarra, baixo e bateria. Detalhe importante foi que o baterista da banda não conseguiu vir para a turnê sul-americana e foi substituído pelo produtor do último disco dos caras, Johan Reiven. Um show muito divertido de uma banda que entregou tudo (e mais um pouco) do que se esperava e, nitidamente, aproveitou cada segundo da apresentação, para fidelizar ainda mais os seus fãs. Antes de ir embora, Jocke Berg voltou ao palco e distribuiu doses do seu uísque Jameson para todos os fãs, agradecendo mais uma vez pela noite.

The Aggrolites comanda noitada com dream team do ska nacional em SP

Feriado de 15 de novembro, temperaturas altíssimas beirando os 40 graus e o extremamente agradável Fabrique Clube, localizado na Barra Funda (região central de São Paulo), recebeu uma noite memorável de ska. A banda californiana The Aggrolites foi a atração principal. Abrindo a programação, o septeto Maga Rude, banda formada apenas por mulheres, executou um som competentíssimo, baseado na primeira onda jamaicana de ska. O som estava perfeito e o repertório escolhido com muito bom gosto, fez a alegria de quem chegou cedo. A promissora banda paulistana encerrou seu set executando You’re wondering now (composição de Clement Seymour “Coxsone” Dodd, regravada por diversos artistas como The Specials e Amy Winehouse) com muita autoridade. Quinze minutos para pegar fôlego, muita coisa boa rolando na excelente discotecagem do Thiago DJ, mas logo sobe ao palco o Marzela, os rude boys do ABC. Rocksteady e Ska, mesclados com maestria com aquele tempero punk rock, que eles fazem tão bem há quase dez anos. A Marzela convocou todo o público para dançar e não desistiu, até fazer todos os presentes chacoalharem seus esqueletos. Para isso atacaram com canções como Rude Girl, faixas do seu último EP, B-Side of Madness, além de clássicos como Police on my Back (The Equals) e Gangster (The Specials). Posteriormente veio a banda Explêndidos, direto de Belo Horizonte, com bastante brasilidade na sua fusão com ritmos jamaicanos e encontrando uma casa quase cheia. Fizeram bonito e mostraram bastante originalidade e energia. Destaque para as faixas Entre o Céu e o Inferno, Top Top (Os Mutantes) e a linda homenagem ao Clube da Esquina, com uma ótima versão de Paula e Bebeto (Milton Nascimento). Logo depois subiu ao palco a veterana Sapo Banjo. Com formação reformulada, a banda na ativa desde 1996 esbanjou competência, balanço e energia além do esperado. Conhecidos por seus shows cheios de animação, a banda agora conta com a extremamente carismática vocalista Natalia Zanellato. Destaque para a execução de Amor na Cidade, primeira faixa gravada com a nova formação. Já se passavam mais de três horas e meia de baile, mas ninguém parecia cansado, quando subiram ao palco os californianos do The Aggrolites. A banda chegou atacando de Funky Fire, ninguém mais conseguia ficar parado a partir daí. O Fabrique, que estava lotado, virou uma grande pista de dança para ninguém botar defeito. O Aggrolites não economizou nos hits, despejando pedradas como Countryman Fiddle, Free Time, Banana (The Pyramids), Don’t let me Down (The Beatles), aqui com participação de Supla. Essas e tantas outras canções serviram para compensar os fãs por mais de uma década de ausência em terras brasileiras. Destaque para o simpático baixista Jeff Roffredo, que se esforçou para conversar com o público em português durante toda a apresentação. Com um line up irrepreensível, performances de ótima qualidade e uma organização segura e profissional, esse provavelmente foi o melhor evento de ska de 2023.

Brant Bjork retorna a São Paulo em março de 2024 na Casa Aurea

Fundador do influente Kyuss, banda pioneira do stoner rock, o músico californiano Brant Bjork retorna a São Paulo no dia 8 de março de 2024, onde se apresenta na nova casa de show da capital paulista, Aurea. Assim como na estreia do guitarrista no Brasil, em 2019, a produção fica por conta das produtoras Powerline e Abraxas. Brant Bjork passou mais de um quarto de século no epicentro do rock do deserto californiano. Começou como baterista no lendário Kyuss (com Josh Homme, que posteriormente fundou o Queens of the Stone Age) e, já como guitarrista, destilou incríveis riffs repletos de fuzz no seminal Fu Manchu, de 1994 a 2001. Recentemente, Brant voltou a tocar junto a Nick Oliveri (ex-Kyuss e ex-Queens of the Stone Age) com o supergrupo Stöner, que estreou em 2022 com o álbum Stoners Rule. Brant tem também uma extensa discografia, lançada sob as diversas encarnações do seu projeto solo, onde atua como frontman (voz e guitarra) junto a outros músicos da cena de Palm Desert. A carreira solo do músico californiano é repleta de sucessos. Começou em 1999 com o debut Jamalanta, um clássico do stoner rock, com diversas músicas que certamente serão tocadas ao vivo e março de 2024 em São Paulo. Outros petardos são Brant Bjork & the Operators (2002), Gods & Goddesses (2010), Tao of the Devil (2016), Mankind Woman (2018), Jacoozzi (2019), Brant Bjork (2020) e o mais recente, Bougainvillea Suite (2022), entre tantos outros discos e projetos. Nesta segunda passagem por São Paulo, mais uma vez com show único no país, Brant assume a guitarra e vocais, acompanhado de Ryan Güt (Stöner) na bateria e do velho amigo, outro pioneiro do desert rock, Mario Lalli (Yawning Man, Fatso Jetson, Queens of the Stone Age) no baixo. Aurea, nova casa de show em SP Brant Bjork Trio será a primeira atração internacional a tocar na ainda inédita casa de show da capital paulista, a Casa Aurea, que fica localizada na rua Treze de Maio, 112, no bairro Bela Vista. Serviço Brant Bjork em São Paulo Data: 8 de março de 2024 Horário: a partir das 19h Local: Casa Aurea Endereço: rua Treze de Maio, 112 – Bela Vista – São Paulo, SP Ingresso Valores 1º Lote – Pista R$ 150,00 (Meia e meia solidária) R$ 300,00 (Inteira) 1º Lote – Camarote R$ 230,00 (Meia e meia solidária) R$ 460,00 (Inteira) 2º Lote – Pista R$ 170,00 (Meia e meia solidária) R$ 340,00 (Inteira)

Gojira e Mastodon mostram sintonia com o público em espetáculo de tirar o fôlego em SP

Única e imperdível foram dois adjetivos certeiros para descrever a passagem da Mega-Monsters Tour – formada pela banda norte-americana Mastodon e a francesa Gojira – pelo Brasil nesta terça-feira (14), no Espaço Unimed, em São Paulo. Aliás, o público de 8 mil pessoas, quer estivesse presente para ver o Gojira ou Mastodon, aproveitou essa oportunidade e deu um show próprio, seja entoando praticamente o setlist inteiro a plenos pulmões, seja entrando em catarse nos mosh pits. Mastodon abriu o evento às 20h20 ao som da plateia bradando o nome da banda, que foi seguido pela faixa Pain With an Anchor, primeira de seu álbum mais recente Hushed and Grim (2021). Essa foi uma das poucas diferenças do setlist do show da semana passada na Cidade do México, que abriu com The Wolf Is Loose (single de Blood Mountain, 2006). Mas a escolha de Pain With an Anchor foi certeira e empolgou o público logo de cara, que foi à loucura com os solos de guitarra. A plateia voltou a bradar “Mastodon!” a plenos pulmões na introdução da segunda faixa, Crystal Skull. Fãs se espremiam uns entre os outros para a formação de um dos vários mosh pits que se sucederam, música após música, na apresentação do Mastodon, incluindo a canção seguinte, Megalodon, do álbum de sucesso Leviathan (2004).  Os gritos de apoio continuaram. A banda pouco precisou fazer para animar o público, que já sentia sua falta após nove anos sem uma apresentação no Brasil. “Isso é inaceitável”, declarou o baterista e um dos vocalistas, Brann Dailor, ao fim do show.  Dailor brilha tanto na bateria quanto nos vocais e no carisma, mas toda a banda merece méritos: a qualidade dos vocais e a performance instrumental parecem sair diretamente do álbum do estúdio e, ao mesmo tempo, soam orgânicos – uma combinação perfeita para uma performance impecável. E entre os responsáveis por tal performance está o brasileiro João Nogueira, tecladista da banda, que brincou: “brasileiro só se mete em rolê aleatório!” Seja pelo show envolvente, seja pelo amor mesmo, o público não esmaeceu por um segundo em sua própria performance. Cantaram junto em Divinations, foram embalados por Sultan’s Curse, mais um mosh pit na faixa seguinte, Bladecatcher, além de pulos e gritos em Black Tongue. Entoaram The Czar e iluminaram a pista do Espaço Unimed com a lanterna dos celulares. Praticamente dividiram os já vários vocais da banda em Halloween. A seguir no setlist, o sucesso High Road e a outra faixa do álbum mais recente, More Than I Could Chew. O bis contou com as canções Mother Puncher, Steambreather e, para fechar com chave de ouro, Blood and Thunder, um dos maiores sucessos da banda – a escolha perfeita para dar um último gás no encerramento do primeiro show.  Gojira para fechar a noite Talvez tão aguardada quanto – na fila de espera, era difícil dizer se haviam mais fãs trajados com camisetas do Gojira ou do Mastodon -, a banda francesa iniciou o set com uma contagem regressiva de 180 segundos e abriu com Born for One Thing, primeira faixa de seu álbum mais recente, Fortitude (2021). A energia do show anterior não se dissipou no público nesta canção, que entoou, em uníssono, We were born for one thing!. O setlist foi o mesmo do show da Cidade do México e bem parecido com o da última passagem da banda pelo Brasil, no Rock in Rio do ano passado, quando substituíram o Megadeth no lineup, mas agora com mais algumas músicas. Enquanto Mastodon trouxe um setlist mais variado, incluindo apenas duas faixas de seu álbum mais recente, o setlist do Gojira possuiu conhecidas do público desde From Mars To Sirius (2005) até agora, mas investiu mais em Fortitude (2021), com cinco canções no total.  Gojira foi bem mais interativo com o público ao longo do show, pedindo para fazer (ainda mais) barulho, o que foi atendido nas faixas Backbone e Stranded – a segunda, um dos maiores sucessos da banda, levou um belo coro da plateia, que mostrou conhecer bem a letra.  Flying Whales, do álbum From Mars To Sirius (2005), considerado por vários críticos o melhor da banda, foi um dos pontos altos da apresentação. A cada canção, a iluminação mudava de acordo com a paleta de cores do álbum. Durante esta, as luzes azuis, o canto da plateia e o som das baleias transmitiram a sensação do oceano – calmo a princípio, mas com águas que logo se tornaram cada vez mais agitadas com um dos maiores mosh pits da noite.  O show seguiu enérgico com The Cell e The Art of Dying. Na sequência, o solo de Mario Duplantier, considerado um dos melhores bateristas do mundo, exibiu seu estilo intenso (visto em todas as músicas) e hábil. O público seguiu o pedido quando o músico exibiu uma placa escrito para que gritassem “Mais alto, p*rra!”, em portugês, e foi recompensado com outra escrito, “Aí sim, car*lho!” A oitava canção foi Grind, e na sequência, uma breve fala do vocalista Joe Duplantier sobre como é difícil encontrar outro mundo que seja apropriado para a humanidade, e que “é melhor ficar por aqui”, que introduziu a faixa Another World. A letra fala, justamente, sobre a aflição do protagonista de encontrar outro mundo, pois crê que o fim do nosso já está próximo – em referência aos problemas climáticos sem precedentes na história da nossa sociedade, tema recorrente em suas composições e que é uma das maiores bandeiras do Gojira. O público cantou junto em Oroborus, faixa de abertura do álbum The way of all flesh (2008), e Silvera (Magma, 2016). Não houve tanta movimentação física do mesmo durante todo o setlist do Gojira como em Mastodon, ou seja, menos mosh pits – talvez pela menor intensidade de algumas canções -, mas os fãs mostraram que continuavam sim, bastante animados, com gritos de torcida “Olê, olê olê olá, Gojira!”, que renderam um agradecimento do vocalista. The Chant é o tipo de canção que foi feita para shows.