NOFX encerra 40 anos de história com maratona de hits, polêmicas e The Decline em Madri

Como em toda festa de aposentadoria, chega o momento do discurso final. Mas, tratando-se do NOFX, o discurso vem acompanhado de distorção e sarcasmo, como no encerramento da noite em Madri, na Espanha. Após 40 anos revirando a indústria e o underground, a banda subiu ao palco do WiZink Center sob um banner simples, quase “faça você mesmo”, para dizer adeus. A introdução com os riffs de Riff Raff (AC/DC) serviu como o aquecimento circense para o que viria: uma banda que, mesmo à beira do fim, ainda atesora uma velocidade impressionante. Quando Dinosaurs Will Die e Perfect Government explodiram em sequência, a entrega do público foi absoluta, transformando a arena em um coro de reverberação coletiva. Diálogos e ritmo do NOFX em Madri Se musicalmente o NOFX entregou hinos como Leave It Alone e Bob (com o trompete inconfundível de El Hefe), a dinâmica do show trouxe a marca registrada, e para alguns, o calcanhar de Aquiles, do grupo: os longos diálogos entre as músicas. Fat Mike não poupou o público de suas divagações. De piadas sobre orgasmos e críticas a Israel até a eterna rivalidade “Madrid vs. Barcelona” e comparações entre Rancid e The Clash. Se por um lado isso quebra o ritmo, por outro, é a essência do que o NOFX sempre foi: uma banda que se recusa a apenas tocar. A presença da tecladista e vocalista Karina Denike (Dance Hall Crashers) trouxe um frescor necessário, especialmente no ska-punk de All Outta Angst, equilibrando a crueza de faixas rápidas como Fuck the Kids e Juice Head. Clímax com Linonleum O bloco principal se fechou com a trinca Murder the Government, The Brews e a obrigatória Linoleum, descrita como a “forma absoluta” de encerrar o set, levando o público banhado em cerveja e suor ao delírio. Mas foi no bis, após uma pausa justificada pelas reclamações de El Hefe de que precisava urinar, que a banda reencontrou o foco total. Com um Fat Mike menos falastrão e mais músico, The Separation of Church and Skate (citada por ele como sua favorita) e Don’t Call Me White transformaram a pista em um campo de batalha festivo. Grande obra para encerrar o show Para a despedida definitiva, não houve escolha segura. A banda executou a épica The Decline. A obra-prima de 18 minutos contou com um reforço de luxo: Frank Turner assumiu a guitarra, enquanto El Hefe comandava os metais. Foi o encerramento digno para uma carreira de quatro décadas. O NOFX saiu de cena provando que, mesmo entre piadas ruins e pausas longas, eles deixam um legado de independência e trilha sonora que, ao contrário da banda, não vai se aposentar tão cedo.
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