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História do Rock Santista

Seaweed no Brasil: girafas na Serra do Mar e um banho no José Menino

O Garage Fuzz foi convidado, em 1999, pela produtora Motor Music, de BH, para acompanhar a banda americana Seaweed, de Tacoma/Washington, em sua turnê pelo Brasil.

O Seaweed era um dos grandes nomes da cena grunge/punk rock naquela época. Tinha lançado discos pela icônica Sub Pop, selo que entre várias bandas clássicas daquele período, soltou os primeiros discos do Nirvana.

Só que o Seaweed era uma das bandas dessa cena com mais influência de punk rock, além de uma grande influência pra gente, já que o Garage teve influência de grunge e guitar bands no início. A tour consistia em nove shows em 11 dias, passando por cidades de São Paulo, entre outros Estados. Tive a oportunidade de fazer a ponte e ajudar a produzir o show de Santos.

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O início da turnê do Seaweed

A turnê se iniciou na antiga casa de shows Planeta Rock, em São Bernardo do Campo. Então fomos encontrar o pessoal da banda junto com os responsáveis pela turnê, em uma van do modelo “Besta”. Já estávamos apertados na nossa fileira de poltronas, quando eles entraram, e de repente nos vimos à frente dos caras de uma das bandas que a gente mais curtia.

Eles que nunca tinham vindo para a América do Sul, ainda estavam um pouco sem jeito, analisando a situação, até que foram puxando assunto e vimos que os caras eram gente fina demais. Assim começou uma das turnês mais legais, com uma das parcerias mais bacanas com banda estrangeira que tivemos. Era o início dessa aventura que acredito ter marcado a todos do GF e os fãs do Seaweed.

O primeiro show foi muito bom! Eles sabiam tirar um baita som dentro das limitações do underground brasileiro, faziam isso curtindo. E depois do primeiro dia, a amizade das duas bandas foi fluindo. Continuamos a tour, cada dia numa cidade: SBC, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória…

Posteriormente, a gente ia pedindo músicas que a gente curtia da banda. E eles tocaram nos shows. A gente foi ficando na expectativa de chegar no Bar do 3, em Santos, e passar com a turnê por nossa Cidade.

Curiosidades

Antes disso, aconteceram coisas interessantes durante a tour, como uma vez que estávamos as duas bandas no hall de um hotel assistindo TV. Eles estavam assistindo com muito interesse a programação, sem saberem o que estavam falando na TV. Até a hora que viraram pra gente e falaram: “vocês sabiam que quando a gente assiste a TV no Brasil, não parece que estamos no Brasil? Na real, muitas vezes parece que estamos na Europa. A gente não consegue identificar direito as pessoas e o cotidiano real brasileiro na TV…

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Achamos aquele comentário muito pertinente porque fazia todo sentido, debatemos sobre isso. Outra curiosidade é que o vocalista, Aaron, estava sempre com um xarope chinês chamado Pei Pa Koa, pra garganta, que simplesmente ressuscita a voz de qualquer vocalista. Ele levava para o palco. Depois da turnê, foi adotado também por nós do Garage Fuzz.

Show em Santos

Até que chegou o dia de irmos para Santos, tocar na nossa terra natal. Quando estávamos descendo a Serra do Mar, eles ficaram espantados com o visual da serra. Todos eles em pé admirando a paisagem, até que um deles chegou em mim e perguntou sério: “tem girafa aí? Elefantes?” Eu falei que não, que só tinham animais de pequeno porte, pois a mata é fechada e que esses animais não eram da nossa região.

Chegando em Santos fomos deixa-los no hotel que reservei para eles, em frente ao píer, o famoso Quebra Mar, no José Menino. Assim que o ônibus parou em frente ao hotel, Aaron desceu, atravessou a avenida correndo e já foi dar um mergulho no mar de Santos. Os caras tinham curtido a cidade e estavam à vontade, assim como em toda turnê.

À noite estávamos lá, Seaweed, Garage Fuzz e Pinups, um dos principais nomes do alternativo brasileiro, no Bar 3 lotado. Era o segundo show internacional alternativo naquele palco, logo após o Fugazi.

No set, eles executaram músicas de todos os álbuns. No meio, também incluíram músicas que pedíamos para eles. Foi um showzaço de uma das bandas gringas mais gente fina que tivemos a oportunidade de tocar juntos.

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A turnê continuou por São Paulo, Curitiba, Londrina, fechando com chave de ouro em Jundiaí. Pra gente umas das turnês mais legais que fizemos. E o Alga Marinha se sentiu em casa e feliz de tocar na praia dos santistas. Assim como em todas as cidades brasileiras por onde passaram.

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