Entrevista | Lúcio Maia – “A confiança do Chico Science foi decisiva para que eu continuasse”

Lúcio Maia abre um novo capítulo da carreira solo com o lançamento de seu segundo álbum, disponibilizado nesta quinta-feira (16). O fundador e ex-guitarrista da Nação Zumbi apresenta um trabalho instrumental que mergulha em psicodelia, futurismo e diferentes atmosferas sonoras, ampliando ainda mais a identidade que construiu ao longo de décadas na música brasileira. O disco traz faixas como “Cogumelo de Vidro”, “Qítara”, “Fetish Motel” e “Tábua das Horas”, combinando texturas eletrônicas, riffs densos e uma abordagem cinematográfica. Em alguns momentos, o álbum flerta com o noir sessentista; em outros, aproxima baião, funk e ambiências psicodélicas, reforçando a proposta de um trabalho que se move entre tradição e futuro. Produzido pelo próprio Lúcio Maia, o álbum conta com mixagem de Mario Caldato Jr. e Daniel Ganjaman, além da participação de Arquétipo Rafa, Marco Gerez e Pedro Regada. O resultado é um disco que evidencia não apenas a assinatura de sua guitarra, reconhecível desde os tempos do manguebeat, mas também a inquietação artística de um músico que segue explorando novos territórios sonoros. Na história, o guitarrista foi um dos arquitetos da sonoridade que ajudou a projetar o manguebeat para o mundo. Sua guitarra foi peça central em discos fundamentais como Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, obras que redefiniram os limites entre rock, maracatu, dub, funk e música eletrônica nos anos 1990, mesmo que o reconhecimento tenha sido tardio, como ele lembra. Além da trajetória com a banda, o músico também consolidou uma carreira paralela em projetos solo, trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão, passando por trabalhos como Baile Perfumado, Amarelo Manga e Linha de Passe. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Lúcio Maia falou sobre o lançamento do novo álbum, a evolução de seu timbre ao longo das décadas, o motivo da saída da Nação Zumbi e a expansão de sua carreira para o cinema e as trilhas sonoras. É a primeira vez que eu falo com um artista que está lançando o álbum no dia. Como são essas primeiras horas e as primeiras impressões? Cara, eu acho que devo ter lançado uns 15, 20 discos na vida. Na real, para mim, o dia do lançamento é mais como um nascimento. A história começa a ser contada dali para frente. Então, falar do disco no dia em que ele já está nascido, com a criança já no mundo, é mais legal porque as pessoas podem ir ouvir imediatamente. Com a internet trazendo informação freneticamente 24 horas por dia, você avisa que vai lançar um disco e, no dia seguinte, muita gente já esqueceu. Por isso, eu prefiro falar quando ele já está na plataforma. A pessoa ouve e a conversa acontece no mesmo instante. O álbum traz uma fusão que vai de Pink Floyd ao baião. Como foi construir essa mistura e quais são seus objetivos de carreira neste momento? Isso nunca foi planejado. A música sempre flui de forma natural para mim. Eu nasci em Recife, cresci ouvindo a música pernambucana e Luiz Gonzaga. Depois vieram Iron Maiden, Black Sabbath, Led Zeppelin, James Brown, Isaac Hayes, drum and bass, house. Tudo isso vai entrando espontaneamente. Na hora de compor, as coisas se encaixam. Eu nunca sentei para pensar “agora vai virar baião” ou “agora vai soar reggae”. Vai acontecendo. Para mim, inclusive, reggae e baião têm uma sensação muito próxima, quase a mesma pulsação. Sua guitarra tem uma identidade muito marcante. Como você enxerga a evolução do seu timbre desde os anos 1990? Eu vejo isso como a minha digital musical, meu RG. É uma dádiva você ter uma identidade própria. Desde as demos que gravei ainda adolescente em Recife, isso já estava ali. Hoje, claro, com mais recursos e equipamentos, o timbre evoluiu, mas o DNA continua o mesmo. Eu nunca fui um cara preocupado em imitar alguém. Sempre preferi seguir meu instinto e preservar essa assinatura. Você comentou sobre seguir o seu instinto ao longo da carreira. Em algum momento do início você imaginava que se tornaria um dos guitarristas mais premiados da música brasileira? De forma alguma. Quando comecei a tocar, ali com 14, 15, 16 anos, eu nunca me enxerguei como alguém que fosse me profissionalizar. Na verdade, eu nem me achava um grande guitarrista. Sempre me considerei um músico regular, e não alguém tecnicamente impressionante. Quem teve um papel fundamental nisso foi o Chico. Ele sempre me incentivou muito e dizia que eu tinha alguma coisa diferente. Eu respondia que não sabia exatamente o que era, e ele dizia que isso não importava, que eu precisava seguir esse feeling. Essa confiança dele foi decisiva para que eu continuasse. A vida inteira eu fui muito movido por instinto e sensibilidade. Nunca foi sobre virtuosismo ou técnica pela técnica. Foi sempre sobre identidade, sobre ter uma voz própria na guitarra. Acho que, olhando para trás, uma das coisas mais certas que fiz foi confiar nisso. Muitos guitarristas estão abandonando amplificadores e migrando para setups em linha ao vivo. Como está o seu equipamento hoje? Eu sempre fui muito ligado ao analógico e ainda sou um cara do amplificador. Prefiro gravar com ampli. Mas a tecnologia evoluiu demais. Hoje uso bastante impulse response porque consigo levar para o palco praticamente o mesmo som do estúdio, sem depender da estrutura do lugar. Para quem toca no circuito alternativo, isso é uma liberdade enorme. Você comentou que, durante a pandemia, ampliou sua atuação para trilhas, teatro e outros projetos. Em que momento veio a decisão de sair da Nação Zumbi e buscar esse novo formato de carreira? Isso aconteceu muito durante a pandemia. Eu dei uma desencanada de viajar e estava de saco cheio de turnê, de ficar esperando empresário arrumar show, de depender dessa engrenagem toda. Também estava cansado da dinâmica de banda, de precisar conciliar agenda, negociar datas, esperar um ou outro poder viajar. Depois de 30 anos fazendo a mesma coisa, aquilo começou a me tolher criativamente. Chegou um momento em que eu percebi que não queria mais viver nessa dependência. Eu sempre fui

Entrevista | Chloe Stroll – “O segredo é ter 100% de confiança, mesmo sem saber qual será o resultado”

A imagem de uma flor delicada rompendo a dureza de um vidro quebrado não é apenas a capa de um disco, é a síntese da jornada de Chloe Stroll. Em seu álbum de estreia, Bloom in the Break, a cantora e compositora canadense mergulha em um pop confessional que equilibra a elegância das divas clássicas com a crueza das emoções contemporâneas. O trabalho, que chega após um rigoroso processo de seleção entre mais de 70 composições, marca o nascimento oficial de uma voz que não tem medo de expor suas cicatrizes para se conectar com o público. O disco não economiza no peso dos bastidores. Gravado em estúdios icônicos ao redor do mundo, Stroll contou com a mentoria de gigantes como Walter Afanasieff (o nome por trás de sucessos de Mariah Carey) e Swagg R’Celious. Em conversa exclusiva com o Blog n’ Roll, Chloe revelou que a maior lição aprendida com esses mestres não foi técnica, mas sim emocional: a coragem de não se segurar. Para ela, o estúdio deixou de ser um lugar de intimidação para se tornar um espaço de confiança absoluta, onde até os erros podem se transformar em arte. Um dos pontos mais sensíveis da obra é o single Home, uma declaração de amor ao marido e medalhista olímpico, o snowboarder australiano Scotty James. Chloe descreve a faixa como um retrato de sua própria segurança emocional, a ideia de que o “lar” não é um lugar físico, mas sim onde a pessoa amada está. A vulnerabilidade de transformar sentimentos tão íntimos em canções universais é um desafio que a artista encara com resiliência, acreditando que a autenticidade é o único caminho para criar algo atemporal, assim como fizeram suas grandes inspirações, Adele e Whitney Houston. Durante a entrevista, um momento de profunda conexão surgiu quando Chloe relembrou a fase final das gravações em Londres. Grávida de oito meses e impossibilitada de voar para os Estados Unidos, ela se viu em um estúdio carregado de simbolismo, chorando ao perceber que, enquanto finalizava uma música sobre seu lar e família, ela estava, literalmente, gerando o futuro dessa mesma família. Esse ciclo de vida e criação é o que dá o tom de “cura” que ela espera transmitir aos ouvintes brasileiros e do mundo. Além das baladas românticas, o álbum traz a força de faixas como I Stood My Ground, onde Chloe aborda o “muro” mais difícil de sua carreira: a autoconfiança. Para uma artista que coloca 100% de suas experiências, inclusive a perda de entes queridos, em cada verso, a estreia é mais do que um lançamento comercial, é um exorcismo emocional e um posicionamento firme no cenário musical global. Para os fãs brasileiros, a notícia é animadora. Embora ainda sem datas confirmadas, Chloe garantiu ao Blog n’ Roll que levar o show de Bloom in the Break para o Brasil está nos planos da equipe para um futuro próximo. O título do seu álbum de estreia, Bloom in the Break, evoca uma imagem poderosa de crescimento e adversidade. Em que momento da produção você percebeu que uma flor brotando no vidro quebrado era a metáfora perfeita para este disco? Acho que percebi isso mais para o final, o que parece estranho, porque as músicas estavam ganhando forma e eu voltava sempre para essa imagem enquanto tentava encontrar a mensagem e o que realmente queria transmitir. Eu ficava imaginando essa flor através de um vidro quebrado, algo que é tão bonito, mas ao mesmo tempo frágil, cheio de admiração e intriga. Então, diria que foi mais perto do fim do que imaginava. E você escreveu mais de 70 músicas para chegar às 12 faixas finais. Como foi esse processo de desapego? Difícil, foi estranho. Sabe, você passa tanto tempo escrevendo e despejando suas emoções nas coisas… Algumas músicas eram muito óbvias que não pertenciam a este disco. Não que eu não tivesse orgulho delas ou não gostasse, mas simplesmente não se encaixavam no que eu queria dizer. E outras eram tão óbvias que pertenciam ao álbum, e outras ainda precisavam ser escritas. Houve discussões sobre certas faixas, quando chegamos às 20 finais, foi uma boa batalha para ver quem ficaria. Imagino. A música precisava “merecer” estar no álbum de estreia, certo? Com certeza. Foi um trabalho duro. Chloe, trabalhar com nomes como Walter Afanasieff e Swagg R’Celious coloca você ao lado de profissionais que moldaram o som de ícones como Mariah Carey e H.E.R. Qual foi a maior lição que você aprendeu no estúdio com eles? Nossa, aprendi tanto. Mas acho que a coisa mais importante foi: não se segure. Não tenha vergonha. No começo, era fácil ficar intimidada pelo nome e pelo currículo deles, e era uma honra estar ali. Mas foi muito divertido. Quando baixei a guarda e começamos a nos conhecer, era como conversar com grandes amigos. Aprendi que não existem respostas erradas quando você está compondo ou produzindo. Vale a pena tentar tudo. Se você cometer um erro, ele pode acabar virando uma música incrível, isso aconteceu várias vezes comigo. Então, o segredo é ter 100% de confiança, mesmo que você não saiba 100% qual será o resultado. O single Home é uma declaração direta ao seu marido. Você disse que espera que vire trilha de casamentos. Como é para você transformar um sentimento tão íntimo em algo que agora pertence ao mundo? Assustador, porque você nunca sabe como as pessoas vão reagir. Fiquei muito feliz com a recepção, mas foi intimidante ser vulnerável e dizer a verdade sobre o que eu sentia, especialmente porque estávamos em um momento de mudança de vida na nossa família. Assustador, mas valeu 100% a pena. Em I Stood My Ground, ouvimos um lado seu muito resiliente. Qual foi o “muro” mais difícil que você enfrentou para se estabelecer como artista? Uau, ótimas perguntas! O mais difícil? Acho que foi acreditar em mim mesma e acreditar que eu conseguiria. Compor e cantar é algo muito vulnerável. Eu entrego 100% das minhas emoções na música, trago minha família,

Com show agendado em São Paulo, Zayn lança o álbum “Konnakol”

O cantor e compositor Zayn acaba de inaugurar sua era mais pessoal e culturalmente rica. Seu quinto álbum de estúdio, Konnakol, chegou hoje às plataformas via Mercury Records, trazendo uma sonoridade que resgata o falsete impecável de seu debut (Mind of Mine), mas com uma camada profunda de influências do sul da Ásia. Produzido em parceria com o renomado Malay (Frank Ocean, Lorde), o disco de 15 faixas utiliza o símbolo do leopardo-das-neves na capa para representar a herança cultural do artista. O título e a estética do projeto bebem diretamente das tradições rítmicas indianas e paquistanesas, com destaque para a faixa de abertura Nusrat, uma homenagem ao lendário Nusrat Fateh Ali Khan. Entre o R&B atmosférico e a pista de dança, “Konnakol” transita por diferentes texturas: Show em São Paulo Para a alegria dos fãs brasileiros, a The Konnakol Tour vem para São Paulo. A turnê solo, a maior da carreira de Zayn até agora, começará em maio em Manchester e passará por grandes metrópoles como Londres, Los Angeles, Cidade do México e São Paulo. Na capital paulista, o show será no Allianz Parque, em 10 de outubro. Ainda há ingressos disponíveis.

Deva Premal & Miten retornam ao Brasil após dez anos

O público brasileiro que busca conexão, espiritualidade e harmonia através da música já tem um encontro marcado. Os artistas Deva Premal & Miten, referências mundiais do movimento New Age, anunciaram seu aguardado retorno ao Brasil em 2026. Com uma trajetória que soma mais de 2 milhões de álbuns vendidos, o duo não se apresentava por aqui há mais de uma década. A turnê passará por cinco cidades entre o final de abril e o início de maio, oferecendo uma experiência sonora dedicada à meditação e à devoção. Reverenciados por nomes que vão de Cher a Dalai Lama, Deva e Miten consolidaram-se como pontes entre a tradição milenar dos mantras e a sonoridade contemporânea, tendo sido indicados ao Grammy de Melhor Álbum New Age em 2020. Datas Os concertos foram estrategicamente agendados em teatros e casas de shows que permitem a imersão necessária para este tipo de espetáculo: Fenômeno além dos palcos As composições de Deva Premal & Miten são onipresentes em retiros espirituais, trilhas de filmes e nas principais playlists de ioga do mundo. Para os artistas, os shows no Brasil em 2026 não serão apenas apresentações musicais, mas sim “noites de presença e harmonia”, onde o público é convidado a participar ativamente do fluxo de energia. Serviço: Deva Premal & Miten em SP

Toe confirma data extra em São Paulo após esgotar primeiro show

Se você piscou e perdeu os ingressos para ver o Toe no Cine Joia, a sua chance de redenção chegou. A Balaclava Records anunciou uma data extra para o quarteto japonês em São Paulo: dia 18 de setembro de 2026 (sexta-feira). A primeira data (17/09) teve seus ingressos esgotados rapidamente, provando que o público brasileiro estava ávido pelo retorno dos mestres do math rock e post-rock. Com 25 anos de estrada, o Toe é uma das poucas bandas que consegue equilibrar a complexidade técnica do jazz com a urgência emocional do hardcore, criando uma sonoridade instrumental que é, ao mesmo tempo, cerebral e visceral. Fenômeno Toe Para quem ainda não conhece, a banda é famosa pelas performances explosivas, centradas na bateria técnica e frenética de Kashikura Takashi. O som do grupo é uma tapeçaria onde guitarras acústicas e elétricas se entrelaçam sobre bases rítmicas imprevisíveis. Álbuns como The book about my idle plot on a vague anxiety são considerados pilares do gênero e devem ser o cerne do setlist dessa passagem pelo Brasil. Ingressos Os ingressos para a data extra já estão à venda no site da Ingresse. Para quem quer economizar e garantir o bilhete sem a taxa de conveniência, o ponto físico oficial continua sendo o Takkø Café, na Vila Buarque, um local que combina perfeitamente com a estética indie e sofisticada do evento. Serviço: Toe (Japão) – Data Extra em SP Ponto de venda físico (sem taxa)

Giuliano Eriston anuncia álbum “Politonia” para o fim do mês

O cantor, compositor e violonista cearense Giuliano Eriston, que conquistou o Brasil ao vencer a 10ª edição do The Voice Brasil, anunciou o lançamento de seu segundo álbum autoral, Politonia. Previsto para chegar às plataformas no dia 28 de abril, o trabalho é um reflexo direto de sua mudança de ares, de Jericoacoara para o Rio de Janeiro, trazendo letras que exploram a saudade, a paquera e um tom crítico inédito em sua trajetória. O título é um neologismo cunhado pelo próprio Giuliano. Politonia surge como um antônimo de monotonia, expressando a busca do artista pela diversidade de ideias e pela “multi-versatilidade” do mundo. Musicalmente, o disco entrega essa promessa ao fundir maracatu, jazz, xote e R&B, cantados em português, inglês e francês. Curadoria de Pedro Baby e encontro com Moreno Veloso A produção musical leva a assinatura de Pedro Baby, que refinou as sonoridades para que cada composição encontrasse seu lugar exato. Um dos pontos altos do álbum é a faixa de trabalho Corpo de Candiá, uma celebração noturna que conta com a participação de Moreno Veloso. A canção, que utiliza vocábulos de matrizes indígenas e africanas, foi aprovada pessoalmente por Moreno, que aceitou o convite para a gravação. Guia do álbum: por dentro de “Politonia” Giuliano detalhou a jornada emocional do disco, que abre com a introspectiva Lucidez e passa pelo solar de Gosto do Gesto e Festa no Infinito. O tom bem-humorado aparece na parceria com Pedro Baby em Borogodó, enquanto a reta final do álbum, com as faixas Teia e Waiting, traz um olhar mais crítico sobre as questões sociais e políticas da atualidade.

Fresno estreia turnê “Carta de Adeus” com show inédito no Espaço Unimed

A Fresno promove neste sábado (18) o capítulo mais audacioso de seus 27 anos de história. O trio formado por Lucas Silveira, Gustavo Mantovani (Vavo) e Thiago Guerra sobe ao palco do Espaço Unimed, em São Paulo, para a estreia da turnê Carta de Adeus. O evento carrega um diferencial raríssimo na indústria atual: será uma “audição ao vivo”. Os fãs presentes ouvirão o álbum homônimo na íntegra pela primeira vez, antes mesmo do lançamento oficial nas plataformas de streaming. Além do novo material, a banda promete um setlist recheado de clássicos que moldaram o rock emocional brasileiro nas últimas décadas. Humanização vs. algoritmos O conceito de Carta de Adeus é uma resposta direta à era da Inteligência Artificial. Em um cenário onde comandos rápidos geram discografias inteiras, a Fresno questiona: por que fazer música da forma mais difícil? “O conceito é nos perguntar: a quantas mãos podemos fazer um projeto artístico? Queremos humanizar e dar voz às pessoas criativas que contribuem conosco, celebrando os encontros e os acidentes de percurso que a tecnologia não consegue replicar”, explica o vocalista Lucas Silveira. Simbiose com a “fanbase” A Fresno sempre foi pioneira na relação direta com sua comunidade. Este show no Espaço Unimed é tratado como um pacto de união. Ao apresentar um trabalho inédito “olho no olho”, sem que ninguém tenha decorado as letras previamente pelo celular, a banda resgata o frescor e o impacto imediato da música orgânica. Serviço: Fresno – “Carta de Adeus”

Entrevista | Daniel Gnatali – “Separei o álbum em 2 EPs para explorar os conceitos de cada um”

Daniel Gnatali lançou nesta sexta-feira (17) o EP “Antes do sol”, primeiro capítulo de um projeto dividido em duas partes que será concluído ainda este ano com “Manhã de festa”. O novo trabalho apresenta seu lado mais introspectivo, reunindo canções que transitam entre o folk-pop, o rock sessentista e a MPB, em uma atmosfera marcada por delicadeza e mistério. Descrito pelo artista como uma espécie de sonho envolto em névoa, o EP funciona como uma “pré-revelação” de um percurso maior. Faixas como “Ventre a luz do mundo”, que conta com participação especial de Nina Becker, e “Estação”, com sua leveza country-rock, ajudam a construir essa sensação de suspensão. Já “Dear to Me” e “Lady Lo” resgatam composições iniciadas ainda no começo dos anos 2010 e finalizadas agora em estúdio, reforçando a conexão do repertório com referências como The Beatles e The Beach Boys. O encerramento fica por conta de “Quando me mudei”, faixa que funciona como ponte entre os dois EPs. Ancorada no rock brasileiro dos anos 1970, a música aborda a mudança de Gnatali para Visconde de Mauá como metáfora de autoconhecimento e transformação. O artista aponta a canção como elo entre o universo rarefeito de “Antes do sol” e a concretude luminosa que será explorada em “Manhã de festa”, descrito por ele como a “descida da cachoeira para o mar”. Produzido por Antonio Guerra, amigo de infância do compositor, o projeto evidencia a assinatura autoral de Gnatali ao unir folk, samba, forró, rock e balada pop sob uma mesma perspectiva poética. Com influências familiares que passam pela Jovem Guarda, pelos Beatles e pela herança musical do maestro Radamés Gnattali, o músico assume a dualidade como essência criativa. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o músico detalhou o lançamento e o futuro da carreira. Como surgiu a ideia de transformar esse repertório em dois EPs, começando por “Antes do sol”? Foi uma ideia do Kassin. Um pouco antes da mix eu mostrei o disco pra ele e trocamos uma ideia. Eu queria muito lançar em um disco inteiro, só pela sensação de dizer “lancei um disco”. Mas fui conversar com ele justamente pra ter um parecer de quem tem experiência. E a sugestão de dividir o repertório fez muito sentido, pois já mostrava duas estéticas muito marcantes, com boas composições, mas cada uma à sua maneira. Daí entre lançar um disco “duplo” nas plataformas, preferi separar em 2 EPs para explorar os universos e trabalhar melhor os conceitos de cada um. E a dualidade é um conceito que permeia tudo na vida. O que diferencia emocional e musicalmente os dois trabalhos e o que o público pode esperar em “Manhã de festa”? ANTES DO SOL é um início. Ele representa o que ainda não foi revelado, que está em desvelo. As atmosferas das canções são oníricas, sugerindo esse lugar onde o sonho e a realidade se confundem, entre memórias e projeções. Nesse preambulo do despertar, as letras falam de nascimento e pulsão de vida, mas também de nostalgia e resignação, sentimentos que são opostos complementares, como saudade e esperança – por vezes sentidos ao mesmo tempo. Mas entre a dúvida e a sublimação do mistério, os contornos são otimistas, dando ao EP um caráter contemplativo, onde a dor e a alegria convivem em paz. Em MANHÃ DE FESTA o volátil dá lugar à matéria, deixando o campo do sonho e indo para o corpo, a expressão terrena. Enquanto a primeira parte é marcada por uma identidade folk, sessenta e setentista, a segunda parte aterra na MPB com sambas, groove e forró. Como foi o trabalho de produção ao lado de um amigo de infância? Foi mais fácil trabalhar dessa maneira? Foi muito mais fácil e prazeroso. O campo da intimidade pode ajudar ou atrapalhar, mas temos muito respeito um pelo outro e carinho por essa amizade. A arte de estabelecer e aceitar limites sem stress é uma que conseguimos dominar rs. O Antonio é um excelente profissional e um grande amigo. Além dos arranjos fantásticos que ele escreveu, nosso bate-bola (que já era bom desde a escolinha de futebol) deu muito certo. E esses encontros enveredavam também por conversas filosóficas. Eu estava voltando pro Rio depois de morar 4 anos em Visconde de Mauá (onde escrevi “Quando me mudei”) e foi ótimo pra mim ter essa amizade nesse processo. E também, como estreante na música, poder ouvir conselhos de um amigo experiente. Show em Maio Daniel Gnatali sobe ao palco do Fino da Bossa dia 06 de maio com o show “Pássaro Noturno”, proposta que aposta na conexão direta com o público por meio da voz e do violão. O repertório percorre diferentes tradições musicais, do samba e do forró à música anglo-americana, reforçando o diálogo entre o popular brasileiro e a linguagem folk. A apresentação ainda ganha peso com as participações especiais de Lucinha Turnbull, pioneira do rock nacional, e da artista multidisciplinar Anna Sartori, parceira de composição de Gnatali. O espetáculo acontece com início pontual às 20h30, mas a casa abre às 19h, permitindo ao público acompanhar parte da passagem de som e aproveitar o cardápio de comidas e drinks. Os ingressos dão acesso tanto às mesas quanto aos lugares no balcão, no sistema por ordem de chegada, e a casa funciona até as 23h, com consumação mínima por pessoa. O Fina Bossa fica na Av. Brigadeiro Faria Lima, 473 em Pinheiros – São Paulo.

Madonna anuncia “Confessions II” e retoma uma de suas eras mais icônicas

Madonna está oficialmente de volta às pistas de dança. A artista anunciou, nesta quinta-feira (16), o lançamento de seu novo álbum de estúdio, Confessions II, previsto para chegar às plataformas no dia 3 de julho pela Warner Records. O disco marca a continuação direta do celebrado Confessions on a Dance Floor, lançado em 2005 e considerado um dos trabalhos mais emblemáticos da fase dance-pop da cantora. Antes mesmo da chegada do single principal, Madonna já ofereceu aos fãs a primeira amostra do projeto por meio de um teaser visual de atmosfera hipnótica, reforçando a proposta estética e sonora do novo trabalho. O anúncio também veio acompanhado da abertura do pré-save do álbum e de uma curadoria especial com versões em vinil, CD e cassete, evidenciando a aposta em uma experiência que dialoga tanto com o streaming quanto com o público colecionador. Ao apresentar o conceito do disco, a cantora destacou os versos iniciais da faixa “One Step Away”, defendendo a profundidade da música eletrônica e da cultura de pista. Segundo ela, a dance music vai muito além do entretenimento superficial. “A pista de dança não é apenas um lugar, é um limiar: um espaço ritualístico onde o movimento substitui a linguagem”, afirmou. A declaração reforça a proposta conceitual do álbum, que trata a dança como uma forma de transcendência, comunhão e expressão emocional. Madonna também revelou que o disco nasceu a partir de um manifesto criativo desenvolvido ao lado do produtor Stuart Price, parceiro do álbum original. Para a artista, dançar, celebrar e “rezar com o corpo” são práticas espirituais milenares, e o ato de “ravear” representa uma arte ligada à superação de limites e à conexão coletiva. A expectativa em torno de Confessions II é alta, especialmente por retomar uma das eras mais icônicas de sua discografia e por recolocar a Rainha do Pop no centro do universo clubber contemporâneo.