Supercombo faz primeiro show da segunda parte de Caranguejo neste domingo

A Supercombo sobe ao palco da Casa Natura Musical neste domingo, 26 de abril, para o show de lançamento de Caranguejo (Parte 2), novo capítulo do álbum dividido em duas etapas e já disponível nas plataformas de streaming. A apresentação, marcada para as 19h, será a primeira oportunidade para o público acompanhar ao vivo as oito faixas inéditas que completam o projeto lançado pela Deck. Depois de circular por seis estados ao longo de 2025 com a primeira metade do disco, a banda encerra agora o ciclo de um trabalho concebido desde o início como uma obra em dois tempos. A segunda parte se conecta diretamente ao repertório já apresentado, mas propõe uma mudança de atmosfera, explorando novos climas, ritmos e texturas sem perder a unidade estética do álbum. O resultado amplia a proposta sonora de Caranguejo, mantendo a identidade que consolidou o grupo entre os principais nomes do rock alternativo nacional. Em entrevista ao Blog N’ Roll (relembre aqui), o vocalista Léo Ramos afirma que com as duas partes juntas, Caranguejo é um dos álbuns mais incríveis da banda. Musicalmente, o rock continua como eixo central da Supercombo, mas as novas canções apostam em contrastes de dinâmica, mudanças de andamento e diferentes camadas de ambiência. Entre momentos mais diretos e passagens introspectivas, a banda preserva o equilíbrio entre riffs marcantes, melodias fortes e letras conectadas ao cotidiano, características que acompanham sua trajetória. O trabalho mostra bem a ideia de caranguejo, que vai de um lado ao outro, indo do metal à MPB. O show na capital paulista marca não apenas a estreia ao vivo do novo repertório, mas também o início de uma fase importante do projeto. ServiçoSupercombo – lançamento de Caranguejo (Parte 2)Data: 26 de abril de 2026 (domingo)Local: Casa Natura MusicalHorário: 17h30 (abertura da casa) | 19h (show)Classificação: 18 anos

Entrevista | Rafael Witt – “Fui escolhido pelo próprio Lumineers. Foi um sonho que virou realidade”

Hoje começa no Rio de Janeiro um dos momentos mais simbólicos da trajetória de Rafael Witt. O cantor e compositor gaúcho dá início nesta terça-feira (22) à série de apresentações como atração de abertura da turnê brasileira do The Lumineers, com show no Vivo Rio. A participação de Witt nos três concertos da banda no país, que ainda passa por Curitiba e São Paulo, nasceu de uma mobilização nas redes sociais: após publicar um vídeo no Instagram pedindo a oportunidade, o artista viu sua comunidade de fãs impulsionar a campanha com centenas de comentários e compartilhamentos, movimento que chamou a atenção da produção da turnê. Mais do que um passo importante na carreira, a abertura dos shows carrega um peso afetivo e artístico. Foi justamente no indie-folk de The Lumineers e Mumford & Sons que Witt encontrou algumas de suas principais referências ainda na adolescência. Agora, a influência que ajudou a moldar sua identidade musical se transforma em realidade no palco, em uma conexão direta entre formação artística e projeção profissional. O momento também reforça a consolidação de seu nome dentro do circuito folk contemporâneo, após passagens recentes por turnês ao lado de Seafret e Hollow Coves no Brasil. Natural de Caxias do Sul, Rafael Witt vem construindo carreira de forma independente, com turnês pelo Brasil, Europa e América do Norte, além de números expressivos nas plataformas digitais. Seu álbum Wanderer, lançado em 2024, já ultrapassa 1,5 milhão de streams no Spotify, consolidando uma trajetória marcada por composições em inglês, forte apelo autobiográfico e temas como pertencimento, transformação e deslocamento. A estreia da turnê com The Lumineers nesta noite, no Rio, marca um capítulo decisivo e emblemático para o artista. Como surgiu a campanha para abrir o show do The Lumineers e como foi receber a notícia? Foi muito engraçado. Eu tenho essa tradição na minha carreira, desde o início, de compartilhar com os fãs os meus sonhos e vontades. Algumas coisas se concretizam, outras ainda não, mas a galera já está acostumada com a minha cara de pau de simplesmente dizer: “gente, eu quero isso, vamos ver se a gente consegue fazer acontecer”. Nesse caso, eu tive a audácia de gravar um vídeo bem produzido, falando em inglês diretamente para o Lumineers. Quase como um portfólio. Eu mostrei tudo o que já fiz, os shows que já abri, as cidades em que tenho público, as turnês na Europa e nos Estados Unidos, além de reforçar que meu som tem tudo a ver com eles. Inclusive mostrei um vídeo meu, com 14 anos, tocando uma música da banda. Pedi para a galera comentar, marcar o Lumineers e a Live Nation, e o vídeo acabou ganhando uma repercussão enorme. Duas semanas depois, recebi a mensagem da Live Nation perguntando se eu tinha as datas disponíveis. Falei brincando “Deixa eu olhar na minha agenda” (risos). Claro que eu tinha. Depois veio a confirmação de que eu tinha sido escolhido pelo próprio Lumineers. Foi um sonho de infância que começou na internet e virou realidade. Que conselho você daria para bandas e artistas que estão começando e sonham com oportunidades como essa? Eu acho que o principal é desenvolver a carreira de forma consistente. Não basta só querer estar naquele palco, você precisa estar preparado para isso. No meu caso, eu cuido muito das composições, da qualidade dos vídeos, da apresentação ao vivo e do meu posicionamento como artista autoral. Também acho importante jogar os sonhos para o universo. Falar sobre eles, compartilhar, fazer acontecer. Às vezes as pessoas têm vergonha de pedir, de tentar. Eu nunca tive isso. Mas claro que não é só pedir: você precisa mostrar que merece estar ali. No fim, a banda e a produção fazem uma curadoria, então tem que fazer sentido artisticamente. Como está sendo a preparação para abrir o maior show da sua carreira? Como você monta o setlist? Estou muito animado e, ao mesmo tempo, nervoso. É o maior palco em que já subi na vida. Acho que o palco é maior do que todos os shows que já fiz somados. Isso exige muita concentração e muita dedicação. Mas eu levo isso com humor. Nos shows de abertura, sempre falo para o público que sei que eles não foram ali para me ver, mas que já estão presentes e podem curtir aquele momento. Acho que essa honestidade aproxima as pessoas. Também preparei algumas surpresas no repertório, incluindo um cover inesperado de “Lose Yourself”, do Eminem, em uma versão bem diferente. É sempre um momento divertido e ajuda a quebrar o gelo. Além de Lumineers e Mumford and Sons, quais são as principais influências do seu trabalho? No meu som, as maiores referências são The Lumineers, Mumford & Sons e Of Monsters and Men. Também tem muita influência de Ed Sheeran, John Mayer e até de Taylor Swift. Mas quando eu era mais novo, era muito ligado ao rock e ao metal. Ouvi muito Metallica, Slipknot e Linkin Park. Acho que isso também aparece de alguma forma na minha identidade musical. Suas músicas são bem intimistas, como funciona o seu processo de composição? As histórias são verdadeiras e autobiográficas? Ele é muito autobiográfico. Eu comecei a escrever músicas como uma forma de terapia. Escrevia em inglês porque tinha vergonha de expor exatamente o que estava sentindo para as pessoas próximas. Sempre foi uma forma muito honesta de colocar para fora inseguranças, medos, amores, transformações pessoais e momentos difíceis. As músicas falam muito sobre a minha vida, sobre relações e sobre esse processo de amadurecimento. Pode dar um exemplo de história para gente? Eu escrevi “Space and Time” no começo de um relacionamento. Essa história é até engraçada e meio dolorida ao mesmo tempo. Eu sempre brinco que vou ter que tocar essa música pelo resto da minha vida e, inevitavelmente, lembrar da minha ex-namorada, porque é a música que as pessoas mais gostam e sempre pedem nos shows. Naquele momento, eu vinha de uma fase em que não queria me apaixonar de novo. Eu

Entrevista | Fresno – “Carta de Adeus é um disco de canções que tem um quê de confortável pensando no fã”

A Fresno viveu um momento marcante no último sábado (18), ao transformar o Espaço Unimed, em São Paulo, no palco de lançamento de seu novo álbum, Carta de Adeus. Em uma proposta não usual na trajetória da banda, o trio apresentou o disco ao vivo e na íntegra antes mesmo de seu lançamento nas plataformas digitais, oferecendo ao público a primeira audição coletiva das novas faixas. A noite também serviu como estreia oficial da nova turnê, que inaugura mais um capítulo nos 27 anos de carreira do grupo. O show foi pensado como uma experiência imersiva, reforçando a relação histórica da banda com os fãs. Além das músicas inéditas, o repertório passeou por clássicos que ajudaram a consolidar a identidade da Fresno ao longo das décadas. A proposta de lançar o álbum diretamente no palco ampliou o peso emocional da apresentação, transformando a estreia em um evento único para quem acompanhou a noite. O conceito do disco, centrado no processo humano da criação artística, também se refletiu no espetáculo, que valorizou a organicidade da música e a conexão direta com o público. Quem ouviu o novo álbum também pode observar uma forte referência aos anos 80 e, inclusive, teve processos de gravação no formato analógico. Com Carta de Adeus, a banda liderada por Lucas Silveira reafirma sua maturidade criativa e aposta em uma sonoridade que dialoga com nostalgia, emoção e novas possibilidades estéticas. A apresentação no Espaço Unimed consolidou esse novo momento, unindo a força do repertório inédito à memória afetiva construída ao longo dos anos com sua base de fãs, hoje formada por diferentes gerações. Nossa correspondente Fernanda Santana bateu um papo com a Fresno ainda no Espaço Unimed e trouxe a visão do trio em relação ao novo álbum. O público da Fresno hoje é mais velho do que no início da carreira, e esse novo álbum transmite uma grande sensação de maturidade. Há também elementos que remetem aos anos 80. O que inspirou esse trabalho? Lucas – Se uma banda com uns malucos de 40 anos fizer um álbum imaturo, tu pode acabar a banda, né? Eu acho que a maturidade vem com o tempo, e ela não pode ser um bagulho do tipo “vamos fazer um disco maduro”. Não é assim. A gente vai evoluindo, vai florescendo. Diferentemente de uma fruta, a gente vai só evoluindo mesmo. A coisa dos anos 80 veio porque a gente decidiu incorporar coisas com as quais cresceu ouvindo, e não necessariamente só bandas atuais que a gente gosta. Hoje também temos acesso a timbres e sonoridades que talvez há dez anos a gente nem soubesse fazer. É um disco de canções que tem um quê de confortável pensando no fã da banda. Para mim, tem elementos musicais que, assim como na comida, funcionam como um temperinho com gosto de vó. Nesse disco tem um pouco disso. A pessoa se sente em casa com um timbre de guitarra menos processado, que às vezes lembra coisas mais antigas, e a gente se colocando dentro dessa linguagem faz com que as músicas falem de uma forma diferente. Quais bandas e artistas serviram como referência para esse álbum? Lucas – Eu cresci indo em festas onde tocavam Legião Urbana, Plebe Rude, The Smiths, Joy Division e New Order. Depois, um pouquinho mais velho, todo mundo aqui via muita novela, então tem muita coisa incrível que tocou em novela e que a gente gosta bastante. Guilherme Arantes, para mim, é um dos maiores compositores do Brasil. Mesmo a gente gostando de algumas bandas de rock mais moderno, de coisas meio metal, a gente se baseia muito também em coisas que crescemos ouvindo, em referências que são universais. Vavo – Eu discordo da parte de que eu assisti muitas novelas, isso não é verdade. Mas eu conheço as músicas das novelas, isso eu acompanhei muito, porque elas ultrapassavam a novela. Elas chegavam até a gente de outras formas. Se Carta de Adeus fosse “irmão” de outro álbum da Fresno, qual seria? Lucas – Cara, são todos nossos filhos, então são todos irmãos. Eu acho que nessa nossa última passada de discos, desde Sua Alegria Foi Cancelada, são discos que eu considero bem irmãos. Enquanto banda, como pais da obra, a gente não consegue fazer muito essas relações de qual disco bate de qual maneira, porque a gente não consegue ouvir da mesma forma que um fã ouve, que sente as conexões de outro jeito. Eu já vi fãs relacionando esse disco até com trabalhos que não têm muito a ver, e às vezes eu nem sei de onde eles tiram isso. Mas eu não consigo responder de uma maneira totalmente satisfatória porque, para mim, todos fazem parte de uma mesma linhagem. Vavo – Eu vejo mais como Pokémon. Um é a evolução do outro, não necessariamente irmãos. Gostou da minha referência? Guerra – Acho que é isso mesmo. Existe uma linha que une todos, principalmente na escrita, nas canetadas do Lucas. Essa identidade foi sendo construída ao longo do tempo. Vejo como um processo evolutivo de dois ou três discos, uma fase que vai se transformando naturalmente. Setlist do Show de lançamento de Carta de Adeus Parte 1 Parte 2