Rock in Rio terá Twenty One Pilots e Zara Larsson como atrações em 13 de setembro

No último dia do Rock in Rio 2026, dia 13 de setembro, a Cidade do Rock recebe, em apresentações únicas no Brasil, a estreia do Twenty One Pilots no festival e o retorno da cantora Zara Larsson. Twenty One Pilots, dupla americana formada por Tyler Joseph e Josh Dun, traz ao Brasil sucessos como Ride, Stressed Out e Heathens, músicas que misturam eletrônica, hip hop, pop e rock alternativo. No ano passado, vieram ao Brasil para três shows, em Curitiba, no Rio e em São Paulo. A dupla toca no palco Mundo. E Larsson, artista sueca de sucesso, traz hits como Symphony, Lush Life e Never Forget You, retornando ao festival que se apresentou em 2024. Ela se apresenta no palco Sunset. A venda geral dos ingressos começa às 19h do dia 8 de junho, pelo site da Ticketmaster Brasil.

Entrevista | Rodox – “Santos testemunhou minha transformação. Vamos levar algo que ainda não mostrei na cidade”

Santos sempre foi uma bússola na trajetória de Rodolfo Abrantes. Foi no palco do M2000 Summer Concerts, em 1994, que ele viu sua vida mudar ao dividir o line-up com gigantes mundiais e conhecer um jovem Chorão na grade do show. Foi também na cidade que ele enfrentou seu momento mais sombrio, após a tragédia durante o lançamento da turnê Lapadas do Povo, em 1997. Agora, mais de duas décadas depois, o ciclo se fecha, e se renova. O Rodox, banda que marcou o início dos anos 2000 com uma mistura explosiva de hardcore, nu metal e letras viscerais, está de volta. O que começou como uma ideia de turnê pontual de reencontro para o segundo semestre de 2026, transformou-se em um renascimento criativo. Com a química restabelecida e a promessa de um novo álbum de inéditas, Rodolfo e seus companheiros desembarcam nesta sexta-feira (15) no Arena Club. Ainda há ingressos à venda. Nesta entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o vocalista abre o jogo sobre as cicatrizes do passado, a energia da fase atual e o que esperar de um show que promete lavar a alma dos fãs santistas com a potência característica de uma das bandas mais emblemáticas do rock nacional. * O retorno do Rodox é pontual para esses shows ou você já pensa em gravar um álbum de inéditas? Quando tivemos a ideia de voltar com a turnê, pelo tempo todo que ficamos longe, sem nos vermos, a gente teve que se conhecer de novo, né? Por mais que existisse o carinho, tivemos que nos redescobrir. Então, a princípio, antes de tudo começar, a ideia era fazer alguns shows só de reencontro mesmo no segundo semestre. A questão é que a gente se reencontrou, cara, e todo mundo se amou. Meu, a gente está hoje muito melhor do que já foi algum dia, entre a gente, né? Então a coisa tomou outra proporção: o que era para ser só o primeiro semestre já virou o ano inteiro. E a gente só pensa em gravar músicas novas, estamos doidos para curtir esse momento. Talvez seja um reencontro do público com as músicas antigas, mas percebemos que estamos muito mais afiados. O entendimento do que a banda é e de onde queremos chegar está muito mais claro na cabeça de todo mundo. Então, sim, vai ter álbum novo. A gente quer fazer um retrato, um registro do que está vivendo hoje. Tem sons guardados da primeira fase da banda ou pretendem começar do zero? Já tem faixa nova pronta? Seria algo com composições completamente inéditas. Existem aquelas músicas que rolam na internet, como Taco Bell e Psychobilly, mas aquilo foi sobra de estúdio. Foram faixas que gravamos e achamos que não tinham muito a ver com o álbum na época, então as deixamos de fora e elas acabaram indo para a internet. Temos um carinho por elas, principalmente pelo carinho que as pessoas têm com essas músicas, mas queremos fazer algo que seja um registro deste momento da nossa vida. Como você define o som do Rodox nessa nova fase? O que você tem escutado de som e tem influenciado você no dia a dia? Uma das coisas mais legais sobre o som do Rodox é que ele é muito eclético. Não temos nem como rotular ou dizer que é uma banda de nu metal ou de hardcore, porque tem nu metal, tem hardcore, tem punk rock, tem hardcore melódico, hardcore berrado… tem ska, tem música alternativa, tem balada… Enfim, acho que quando conquistamos isso, passamos a ter uma liberdade absurda para fazer o que quisermos. Mas de uma coisa você pode ter certeza: é a energia que estamos vivendo ao vivo. Essa é uma banda de verdade, não é uma banda de estúdio que vai levar uma coisa pronta para o palco. Não, estamos fazendo aquele caminho natural de experimentar ao vivo para registrar isso depois em estúdio. Você tem uma relação muito marcante com Santos em vários sentidos. Qual é o sentimento de retornar a Santos, que foi palco de muitas alegrias e uma tristeza marcante na sua carreira? A cidade de Santos é uma daquelas no Brasil que me viram em todas as minhas fases, né, cara? Desde o começo da minha carreira, sempre estive passando por aqui. A cidade foi testemunhando a minha transformação ao longo do tempo. Então, vai ser incrível poder retornar com o Rodox agora, sendo que, ok, é uma banda que existiu há mais de 20 anos, mas é uma banda completamente nova. O que a gente vai levar para o público santista é algo que realmente ainda não mostrei em Santos. Em Santos, o Raimundos fez um dos seus primeiros shows, no M2000 Summer Concerts, em 1994. O que você recorda desse show? Tem alguma história curiosa desse show com o Rollins Band, Mr Big e Lemonheads? Eu me lembro que foi o primeiro show gigante que a gente tocou, né? Tinha um ônibus para levar a gente de São Paulo para Santos e depois trazer de volta. Ficamos em um hotel, meu… top! Tudo isso era um absurdo de novo para nós naquela época. Ver o Henry Rollins tocando, eu era muito fã dele e do som dele, e ver aquilo acontecendo ao vivo foi muito didático. Aprendi muita coisa. Lembro que caiu uma chuva terrível naquela noite, que alagou a cidade toda. E tem uma coisa muito interessante: quando eu saí do palco, foi a primeira vez que encontrei o Chorão. Ele estava ali na grade com o pessoal, ouviu o som da minha banda e me deu um CD do Charlie Brown, quando o Charlie Brown ainda era bem metal. Foi muito legal. Essas coisas não saem da memória, não. A tragédia em 1997, no lançamento da turnê do Lapadas do Povo, certamente foi um dos momentos mais tristes da sua carreira. Como foi superar a tristeza daquele momento e seguir em frente? Realmente acho que foi o pior momento da minha vida. Aquele acidente

Michale Graves confirma turnê brasileira para setembro

Michale Graves, ex-vocalista do Misfits, desembarca no país em setembro para uma série de cinco shows que celebram tanto sua fase áurea na banda quanto sua produtiva carreira solo. A turnê, realizada pela Caveira Velha Produções, passará por quatro capitais e contará com apresentações em formatos elétrico e acústico. Graves foi a voz que apresentou o Misfits a uma nova geração na década de 1990. Com uma pegada mais melódica e refrões potentes, sua entrada na banda resultou em dois álbuns que se tornaram clássicos instantâneos do gênero: American Psycho (1997) e Famous Monsters (1999). Legado Para os fãs, ouvir Graves é revisitar hinos como Dig Up Her Bones, Scream! e Saturday Night. Foi sob seu comando vocal que o Misfits rompeu a bolha do underground via MTV e selou parcerias históricas, como o clipe dirigido pelo mestre do terror George A. Romero (A Noite dos Mortos-Vivos). Além do material do Misfits, a tour também deve contemplar faixas de sua carreira solo, como as presentes nos discos Illusions e Lost Skeleton Returns, onde o músico explora desde a agressividade punk até baladas sombrias e introspectivas. Turnê no Brasil * Serviço: Michale Graves no Brasil

Entrevista | The Varukers – “Vamos continuar tocando até cairmos mortos em um palco ou em algum aeroporto”

A histórica banda punk The Varukers desembarcou novamente no Brasil para uma extensa sequência de shows ao lado da banda paulista Asfixia Social. Formado em 1979, na cidade inglesa de Leamington Spa, o grupo liderado por Anthony “Rat” Martin se consolidou como um dos nomes fundamentais do D-beat e do hardcore punk mundial, influenciando gerações de bandas extremas ao redor do planeta. A nova passagem pela América do Sul reforça uma relação antiga da banda com o público brasileiro, que acompanha o Varukers desde as primeiras visitas ao país nos anos 2000. A atual turnê brasileira também celebra a conexão criada entre o Varukers e o Asfixia Social nos últimos anos. Depois de dividir palcos no Brasil em 2024 e realizar apresentações conjuntas na Inglaterra, as bandas agora seguem juntas em dez datas pelo país, incluindo festivais como Goiânia Noise, Punk no Park e Punk in Rio. O Varukers mantém viva a essência do punk britânico surgido no fim dos anos 1970, carregando letras sobre guerra, desigualdade, manipulação política e violência social, temas que seguem presentes quase cinco décadas depois da formação da banda. A agenda da turnê segue nesta terça (12) em Uberlândia, depois gira por Patos de Minas, Divinópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e finaliza em São José dos Campos no domingo (17). Conhecida pela intensidade ao vivo e pela relação próxima com o público sul-americano, a banda retorna ao Brasil em um momento de renovação do interesse global pelo hardcore punk e pelas discussões políticas presentes no gênero desde sua origem. Em entrevista ao Blog N’ Roll, os integrantes Stevie e Rat falam sobre o início da cena punk inglesa, a conexão com pessoas reais para enfrentar a alienação e o carinho que eles têm pelo Brasil. Como era a cena punk britânica no começo do Varukers? Stevie – Para falar a verdade, para nós nem existia uma cena ainda, porque éramos só crianças. Descobrimos bandas como Sex Pistols, The Damned e The Rats e ficamos completamente inspirados por aquilo. O grande lance do punk naquela época era essa sensação de “a gente consegue fazer isso também”. Então começamos a tentar. Aos poucos fomos nos organizando, mas não tínhamos ideia do que estávamos fazendo. Não existia internet, não existia manual para aprender. Era tudo muito DIY. Organizávamos pequenos shows, tocávamos uns para os outros e aquilo foi crescendo naturalmente. Foi um período extremamente criativo. Quando vocês perceberam que estavam criando algo importante dentro do punk? Stevie – Demorou bastante. Acho que uns seis anos. E isso é legal porque foi um processo lento. Éramos quatro garotos de Warwick, uma cidade pequena do interior da Inglaterra, lançando discos independentes e fazendo shows. De repente começaram a chegar cartas de lugares que eu nunca tinha ouvido falar. Pessoas dizendo “comprei o compacto de vocês”, “troquei um disco e adorei a banda”. Aquilo foi surreal para nós. E então continuamos tocando, lançando discos, viajando, e percebemos que influenciávamos outras bandas. Isso é algo muito especial. O Brasil tem uma cena punk também muito rica e vocês já vêm ao país há mais de duas décadas. O que vocês conhecem sobre as bandas brasileiras clássicas? Rat – Tocamos com o Cólera em Londres há um ou dois anos e foi incrível. Também gostamos muito do Ratos de Porão. São bandas fantásticas. O Brasil sempre teve grupos muito fortes, com identidade própria, mostrando ao mundo o jeito brasileiro de fazer punk e hardcore. Nós adoramos isso. O que diferencia o público brasileiro do europeu? Stevie – O público sul-americano em geral é mais apaixonado, mais “louco” no melhor sentido possível. As pessoas vivem aquilo de coração. É algo honesto e verdadeiro. Acho que eles percebem isso em nós também. Entendem que somos pessoas reais, pé no chão, honestas no que falamos e fazemos. Rat – Se estivéssemos enganando as pessoas, elas não nos apoiariam por tantos anos. Não são idiotas. Existe uma relação muito importante entre banda e público. Sem as pessoas, a música não significa nada. Quando alguém coloca um disco do Varukers para ouvir e sente aquela agressividade e aquela raiva, quero que a pessoa sinta exatamente o que eu senti quando gravei aquilo. Você lembra dos shows antigos em Santos? Rat – Lembro sim. Foi um ótimo período. O Boca (baterista do Ratos de Porão) levou a gente para a praia depois do show, no dia seguinte. Tenho lembranças muito boas de Santos. Foi uma experiência incrível. Depois de quase cinco décadas, o que mantém o espírito do Varukers vivo? Rat – Eu (risos). Porque isso é quem nós somos. Somos pessoas normais, honestas, e fazemos isso há tanto tempo que virou parte da nossa vida. O Varukers existe há 47 anos. Está plantado no nosso cérebro, no coração e na alma. Provavelmente vamos continuar tocando até cairmos mortos em um palco ou em algum aeroporto por aí. Você acredita que a mensagem punk ainda consegue ser transmitida em um mundo cada vez mais digital e capitalista? Stevie – Hoje isso é mais importante do que nunca. Existe uma diferença enorme entre a informação que a mídia entrega e a realidade. Quando viajamos e conversamos diretamente com pessoas reais em outros países, compartilhamos experiências verdadeiras. Não é propaganda. Não é a visão manipulada que muitos governos e meios de comunicação empurram para as pessoas. Rat – Atualmente isso ficou tão descarado que eles nem tentam mais esconder. Estamos vivendo uma era de excesso de informação e desinformação ao mesmo tempo. Por isso é tão importante as pessoas se reunirem, conversarem entre si e trocarem experiências reais. Vocês imaginavam que as letras do Varukers continuariam atuais quase 50 anos depois? Rat – Isso me choca. Nunca achei que iria mudar o mundo. Sou apenas um punk raivoso que observa as coisas e grita sobre elas através das músicas. As letras do Varukers sempre foram simples e diretas, mas tentando atingir as pessoas. Temos uma música chamada “Nothing’s Changed” e ela nunca foi tão atual. O mundo ficou mais

BK’ anuncia Ebony, Deekapz e Febre90’s para abertura no Allianz Parque

No dia 19 de setembro, o rapper carioca BK’ fará história ao se tornar o primeiro artista solo do gênero a ocupar o Allianz Parque, em São Paulo. O show celebra os 10 anos do álbum divisor de águas Castelos & Ruínas, mas a festa não será solitária. BK’ confirmou um time de peso para a abertura: Ebony, Deekapz e Febre90’S. A escolha dos convidados reforça a ideia de coletividade que sempre moveu o hip-hop. “Quero trazer comigo uma galera que representa muito para o movimento. Ocupar um espaço desse é uma conquista gigante”, afirma o artista. Ebony Vinda de Queimados, na Baixada Fluminense, Ebony é hoje uma das vozes mais contundentes do rap nacional. Com sucessos como Pensamentos Intrusivos e 100 Mili, ela já soma mais de 80 milhões de plays no Spotify. Sua conexão com BK’ vem de longa data, incluindo parcerias como Camarim (2021). Deekapz O duo de produtores Deekapz é responsável por boa parte da renovação sonora do gênero nos últimos anos, fundindo música eletrônica global com o beat do funk brasileiro. Eles são parceiros constantes de BK’, assinando produções em álbuns como Líder em Movimento (2020) e Diamantes, Lágrimas e Rostos Para Esquecer (2025). Febre90’S Representando o “rap popular da selva de concreto”, a dupla Febre90’S traz o resgate do som noventista com uma roupagem moderna. Suas letras diretas e batidas clássicas prometem aquecer a arena com a essência mais pura das ruas. * Serviço: BK’ Monumental – 10 anos de Castelos & Ruínas Setores e preços Clientes Itaú possuem 15% de desconto e parcelamento em até 3x sem juros.

Quinteto alemão Giant Rooks anuncia show solo em São Paulo

O quinteto alemão Giant Rooks confirmou uma apresentação única em São Paulo, na Audio, no dia 28 de novembro de 2026. Esta será a primeira vez que a banda traz o show completo de sua turnê mundial ao país, após terem aberto as apresentações de Louis Tomlinson em 2024. Com mais de 4 bilhões de streams globais e o álbum How Have You Been? (2024) estreando no topo das paradas alemãs, o Giant Rooks é hoje um dos nomes mais fortes da nova geração do indie-pop europeu. O grupo traz na bagagem o novo single Want It Back, um som feito sob medida para a catarse coletiva dos palcos. Fenômeno alemão Formada em 2015, a banda é composta por Frederik Rabe, Finn Schwieters, Luca Göttner, Jonathan Wischniowski e Finn Thomas. Eles saíram de pequenos clubes na Alemanha para os palcos principais de festivais como Lollapalooza Chicago e Reading & Leeds. Hits como Wild Stare e Watershed consolidaram a identidade do grupo, que funde o indie rock clássico com texturas eletrônicas modernas. Ingressos As vendas para o público geral começam nesta sexta-feira, 15 de maio, às 10h, exclusivamente pela plataforma Livepass. Preços (Lote 1) * Serviço: Giant Rooks em São Paulo

John Dolmayan (System of a Down) retorna ao Brasil para tour de sua HQ

Após o sucesso da turnê de estádios do System of A Down no ano passado, o baterista John Dolmayan confirmou seu retorno ao país em junho para uma série de sessões de autógrafos e Meet & Greet. O objetivo é promover o lançamento nacional de sua HQ autoral, Ascencia. Originalmente agendadas para maio, as sessões foram movidas para junho por questões de saúde do artista. A rota agora conta com cinco capitais, incluindo a recém-anunciada data em São Paulo, na icônica Loja Monstra. Despertar em “Ascencia” John Dolmayan não está apenas “emprestando o nome” aos quadrinhos. Em Ascencia, ele se consolida como autor, explorando uma narrativa densa de ficção científica e filosofia. Ambientada em um futuro distópico, a obra questiona sistemas de controle e a evolução da consciência humana. O visual da HQ é um espetáculo à parte, com ilustrações de Tony Parker (conhecido por trabalhos em God of War e Mass Effect), privilegiando uma estética sombria e simbólica que foge do entretenimento convencional. Experiência exclusiva Diferente dos grandes shows, estas sessões foram pensadas para garantir proximidade. O ingresso, que custa R$ 250,00, oferece um pacote completo para os colecionadores: Agenda Serviço: John Dolmayan – Tarde de autógrafos

Entrevista | American Football – “É sobre convidar as pessoas certas e confiar nelas”

​Os gigantes do math rock e do midwest emo estão de volta. O American Football lançou o aguardado LP4, um trabalho que mergulha nas complexidades da maturidade e nas “duras realidades da vida” sob uma perspectiva de meia-idade. Com uma sonoridade mais encorpada e camadas rítmicas profundas, o novo álbum reafirma a posição do grupo como arquitetos de uma melancolia sofisticada, equilibrando a precisão técnica que os consagrou com uma entrega emocional ainda mais direta e visceral. ​Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, o baterista e trompetista Steve Lamos abriu o jogo sobre o processo de criação no estúdio e a busca por uma sonoridade autêntica. Lamos revelou como a parceria com o produtor Sonny DiPerri foi fundamental para reconstruir sua confiança atrás do kit, resultando em performances que ele considera as mais honestas de sua carreira até hoje. Entre compassos quebrados e melodias de trompete, o músico descreve o novo disco como um retrato fiel de quem a banda é no momento. ​Um dos pontos altos da conversa foi o clima de celebração em torno das colaborações de peso no álbum, que conta com nomes como Brendan Yates (Turnstile) e Beth Orton. Steve detalhou como a banda deu liberdade total para que esses artistas deixassem suas marcas, transformando as faixas em diálogos orgânicos entre diferentes gerações do rock alternativo. O resultado é um disco que, embora denso, encontra momentos de alívio em faixas mais solares, como o single Wake Her Up. ​A conexão com o público brasileiro também ganhou destaque no papo. Mesmo a milhares de quilômetros de distância, Lamos descreveu a recepção dos fãs na América do Sul como “mágica” e confessou que a banda está ansiosa para retornar. Ele relembrou a última passagem por São Paulo e expressou o desejo genuíno de explorar outras cidades brasileiras na próxima turnê. * O material de divulgação do LP4 menciona que o American Football enfrentou realidades duras da vida sob uma perspectiva de meia-idade. Como o seu processo criativo na bateria e no trompete refletiu esse clima mais denso e introspectivo deste novo disco? Uau, essa é uma ótima pergunta, eu agradeço. Uma perguntinha fácil para começar, né? Nossa, sabe, acho que estamos todos mais velhos, fazemos isso há muito tempo e acho que a única razão para continuar é fazer música nova que pareça, sabe, autêntica de alguma forma. ​Não sei se entramos nessas músicas pensando deliberadamente: “Ah, vamos fazer um hino adulto” ou algo assim, mas acho que todos querem fazer música que soe sincera ou autêntica. Algumas dessas músicas vieram de partes de bateria que eu talvez estivesse… eu amo ir para a garagem e fazer barulho, e às vezes penso “ah, gostei desse barulho”, gravo e tento desenvolver algo. Então algumas faixas foram geradas assim. ​O trompete é meu amigo e meu inimigo; sempre que crio uma melodia nele, eu o trato como — em inglês dizemos frenemy [amigo-inimigo], certo? — trato o trompete como meu frenemy. Uma dessas melodias o Mike [Kinsella] escreveu para mim, mas no “meu estilo”, e foi impressionante. Eu pensei: “Meu Deus, é exatamente o que eu teria tocado”. No final da música chamada Wake Her Up, ele escreveu aquela melodia e eu fiquei tipo… foi estranho ter algo escrito por outra pessoa que fosse tão certeiro. Mas a primeira música, a do meio chamada Patron Saint of Pale e a última são especiais para mim, porque todas vieram de levadas de bateria que eu tinha guardadas há muito tempo. No fim, acho que só queremos criar coisas interessantes; se as acharmos interessantes, esperamos que pareçam sinceras para as outras pessoas. Trabalhar com o produtor DiPerri trouxe um som mais encorpado, mais “carnudo” para o álbum. De quais formas a colaboração dele influenciou a maneira como você estruturou as camadas rítmicas desta vez? ​Puxa, outra ótima pergunta. Eu não conhecia o Sonny. O Mike e o Nate conheceram o Sonny quando eu saí do American Football por um tempo para lidar com outras coisas. Eles o conheceram para trabalhar no disco do Lies [projeto paralelo]. Então o Mike e o Nate fizeram um disco juntos, em dupla. E quando voltamos, eles disseram: “Ei, ele é ótimo, né? É muito fácil trabalhar com ele”. E eu não o conhecia. No fim das contas, ele trabalhou em discos que eu conhecia, só não sabia que era ele. ​É difícil expressar o quanto gostei de trabalhar com ele. Ele também é baterista e está muito interessado, durante a gravação, em takes que soem autênticos. Mesmo que não sejam perfeitos, há alguns erros neste disco. Eu os ouço e penso: “Ah, cara…”. Mas foram erros que, espero, façam parte de algo maior; eu não quis descartar a performance. Tudo pareceu muito… esse foi o disco que mais pareceu com o primeiríssimo álbum, talvez até melhor que o primeiro no sentido de que me senti muito confiante. Me senti bem com o que estava fazendo, me senti pronto para gravar. E acho que isso transparece. ​Eu amo este disco, talvez seja o meu favorito. E espero que as pessoas gostem. Elas têm todo o direito de não gostar, eu entendo. Mas já disse isso antes: se alguém pedisse “ei, me toque uma coisa que represente quem você acha que é como baterista”, eu daria este disco com certeza. Porque acho que este soa mais autêntico em relação a quem eu sou no momento. Talvez pela maturidade que você construiu na sua carreira. ​Espero que sim. E disse ao Sonny também: senti que, depois que saí, tinha perdido um pouco da confiança. Não me sentia eu mesmo atrás da bateria. E acho que ele foi muito encorajador. Foi muito significativo para mim ele dizer: “Ei, apenas confie em si mesmo, não fique preso dentro da sua própria cabeça”. Às vezes eu ficava frustrado e ele dizia: “Ei, vá fazer uma pausa”. ​Estávamos perto do oceano. Eu estava contando para a última pessoa com quem falei: estávamos em um estúdio com vista para uma baía linda.