Após frustração no Rock in Rio, Mgk encontra catarse na Audio com show de duas horas

O contraste não poderia ser mais nítido. Se no sábado (5), no Palco Mundo do Rock in Rio, Mgk explicitou seu incômodo com a apatia de um público focado em pesos-pesados do metal moderno como Bad Omens, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold, no domingo (6), a história foi reescrita. Com a Audio, em São Paulo, completamente lotada e respirando cada verso, o artista norte-americano entregou um show potente e encontrou o cenário ideal para encerrar a Lost Americana Tour. Peso inicial de Mgk e a nostalgia dos anos 90 A apresentação começou agressiva com Fix Ur Face, recente colaboração com Fred Durst (Limp Bizkit). A faixa, lançada em abril, serve como um possível indicativo da direção do sucessor de Lost Americana (2025), álbum marcado por influências pop e referências que vão de Kate Bush a Alanis Morissette. Um dos pontos altos do início do set foi Starman, que resgatou os fãs mais nostálgicos com seu sample de Semi-Charmed Life, do Third Eye Blind. A faixa carrega uma história peculiar: durante os incêndios devastadores da Califórnia, Mgk precisou convencer um guarda nacional a deixá-lo passar rumo a Malibu apenas para conseguir a aprovação de Stephan Jenkins, vocalista da banda. O esforço não só garantiu o sample, como rendeu elogios públicos de Jenkins à coragem do rapper. Rap, polêmicas e conexão com as raízes Mostrando que não tem medo de revisitar sua base, Mgk mergulhou nos primórdios da carreira com a dobradinha Wild Boy e El Diablo. O bloco relembrou a fase em que o rap era sua principal assinatura, antes da extensa rivalidade com Eminem, desencadeada por comentários sobre a filha do rapper de Detroit e que rendeu provocações musicais pesadas de ambos os lados. O setlist de 32 músicas foi minuciosamente equilibrado. Tickets to My Downfall (2020) dominou com 10 faixas, seguido de perto pelas 8 canções de Lost Americana (2025) e 5 de Mainstream Sellout (2022). Momento “Rei dos Baixinhos” O carisma de Mgk ditou o ritmo entre as músicas. O artista reagiu com bom humor ao receber um cigarro de maconha de pelúcia no palco e, ao ler o cartaz de uma fã, brincou que “não seria má ideia ter um filho brasileiro, tal como Mick Jagger”. A conexão ficou ainda mais evidente nas interações com as crianças. Em I Think I’m Okay, ele chamou uma menina da plateia para fazer air guitar e assumir os backing vocals no início da faixa. O momento fofo teve sequência em Bloody Valentine, sucesso da trilha do jogo Tony Hawk’s Pro Skater 1+2. O músico tentou conversar com outra jovem fã, pegou seus óculos emprestados e viu a empolgação da menina contagiar até as bailarinas da turnê. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Blog n' Roll (@blognroll) Set acústico e a reta final arrebatadora A versatilidade do músico brilhou em um set acústico que incluiu trechos de Free Fallin’, homenageando o saudoso Tom Petty. O formato desplugado rendeu um episódio divertido quando um roadie teve dificuldades para estabilizar o pedestal do microfone. Em vez de fechar a cara, Mgk caiu na risada, brincou com a situação e pediu aplausos para o técnico. Ainda teve espaço para uma improvisada versão de Kuduro, sim, a trilha da novela Avenida Brasil, da Globo, sucesso no mundo todo em 2012. A canção já foi tocada em outros shows de Mgk, mas ficou ainda mais divertida em São Paulo. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Blog n' Roll (@blognroll) Com o público totalmente na mão, a sequência final foi desenhada para não deixar ninguém parado. Miss Sunshine, Lonely, Cliché e Vampire Diaries fecharam a noite com impacto. Esqueçam a impressão morna deixada no festival carioca. Na Audio, Mgk foi o que sua discografia promete: um artista completo, que transita por gêneros sem amarras e domina a plateia com humor e carisma inquestionáveis. Setlist – Mgk na Audio (06/09/2026)

Evergreen Terrace estreia no Brasil em 2027 após mais de duas décadas de carreira

O Evergreen Terrace finalmente fará sua estreia no Brasil. A banda norte-americana se apresenta em 30 de janeiro de 2027, no Jai Club, em São Paulo, encerrando uma espera de mais de uma década desde a primeira tentativa de trazer o grupo ao país. O show será a última parada de uma turnê latino-americana que também passa por Costa Rica, Colômbia, Chile e Argentina. Formado em Jacksonville, na Flórida, em 1999, o Evergreen Terrace surgiu antes da explosão comercial do metalcore nos anos 2000 e construiu uma sonoridade que combina a agressividade do hardcore com elementos de metal, punk e passagens melódicas. Essa mistura ajudou a banda a conquistar espaço dentro da cena pesada norte-americana e atravessar diferentes fases ao longo de mais de duas décadas. A estreia brasileira, na verdade, quase aconteceu há 14 anos. O Evergreen Terrace chegou a ser anunciado como atração do WROS Fest, que seria realizado em São Paulo em 2013. O festival, porém, acabou cancelado antes de acontecer, adiando por mais de uma década o encontro do grupo com os fãs brasileiros. Uma trajetória entre hardcore, punk e metalcore A discografia do Evergreen Terrace acompanha diferentes momentos da evolução do hardcore e do metalcore norte-americano. Entre os trabalhos mais importantes estão “Burned Alive by Time”, “Sincerity Is an Easy Disguise in This Business”, “Wolfbiker”, “Almost Home” e “Dead Horses”, último álbum completo lançado pela banda, em 2013. Outro capítulo curioso da discografia é “Writer’s Block”, álbum de versões que ajuda a compreender a variedade de influências do grupo. O repertório inclui releituras de artistas como Operation Ivy, NOFX, Smashing Pumpkins, Tears for Fears e U2, mostrando que as referências do Evergreen Terrace sempre ultrapassaram os limites da música pesada. “Wolfbiker”, lançado em 2007, ocupa um lugar especial nessa trajetória. Na época, o então guitarrista Josh James definiu o termo que dá nome ao disco como uma pessoa que assume o controle da própria vida e exerce livre pensamento e livre arbítrio. Autoproduzido, o trabalho foi apontado pelo próprio músico naquele período como uma boa representação da identidade construída pelo Evergreen Terrace. Até mesmo o nome da banda carrega uma referência à cultura pop. Evergreen Terrace é a rua onde vive a família Simpson na série “The Simpsons”, inspiração confirmada por Josh James em entrevista realizada em 2007. Evergreen Terrace retomou lançamentos nos últimos anos A chegada ao Brasil acontece também em um período de retomada da produção fonográfica. Depois de passar mais de uma década sem apresentar material inédito desde “Dead Horses”, o Evergreen Terrace lançou “Jail on Christmas” em 2024. A atividade continuou no ano seguinte, quando o grupo dividiu um split com o Wisdom In Chains. Em julho de 2026, mais uma novidade chegou com “Bolt Cutter”, reforçando a retomada criativa da banda depois do longo intervalo entre lançamentos. Antes de chegar a São Paulo, o Evergreen Terrace inicia a passagem latino-americana em 22 de janeiro, em San José, na Costa Rica. Depois, segue por Bogotá, na Colômbia, Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina. O encerramento acontece no Brasil, em 30 de janeiro. A apresentação no Jai Club será, portanto, mais do que apenas outra parada da turnê. Depois de uma tentativa frustrada em 2013, o público brasileiro finalmente terá a oportunidade de assistir ao vivo a uma banda que atravessou diferentes gerações do hardcore e do metalcore mantendo uma identidade construída justamente no encontro entre peso, melodia e punk. SERVIÇO Evergreen Terrace em São Paulo – Latin America Tour 2027 Data: 30 de janeiro de 2027 Local: Jai Club (Rua Vergueiro, 2676, Vila Mariana, São Paulo) Ingresso: https://fastix.com.br/events/evergreen-terrace-eua-em-sao-paulo

Entrevista | Nova Twins – “Gostaríamos de ver mais mulheres nas posições principais dos line-ups, até se tornarem headliners”

A Nova Twins viveu uma passagem histórica pelo Brasil no último fim de semana. Na sexta-feira (4), Amy Love e Georgia South abriram o Palco Mundo do Rock in Rio 2026, encarando a difícil missão de iniciar a programação do maior palco do festival. A dupla britânica apostou na intensidade de seu rock pesado e conseguiu movimentar principalmente quem estava próximo à grade, onde chegou a se formar uma roda de mosh. Formada em Londres em 2014, a Nova Twins é composta pela vocalista e guitarrista Amy Love e pela baixista Georgia South, amigas desde a adolescência. A trajetória ganhou força com “Who Are the Girls?”, de 2020, mas foi “Supernova”, lançado dois anos depois, que colocou definitivamente a dupla entre os principais nomes da nova geração do rock britânico. O disco foi indicado ao Mercury Prize e rendeu duas nomeações ao BRIT Awards. Desde então, Amy e Georgia passaram por turnês com nomes como Muse, Evanescence e Foo Fighters e chegaram ao terceiro álbum, “Parasites & Butterflies”, em 2025, trabalho produzido por Rich Costey que levou a banda ao primeiro lugar da parada britânica de álbuns de rock e metal. Dois dias depois do Rock in Rio, a Nova Twins seguiu para São Paulo e viveu uma situação completamente diferente no Cine Joia. Como atração principal do É Tudo Delas, que também recebeu The Mönic e MC Taya, a dupla realizou seu primeiro show como headliner no Brasil e na América do Sul. A proximidade da casa permitiu enxergar melhor uma das características mais impressionantes da banda: a decisão de reproduzir ao vivo boa parte das texturas eletrônicas presentes nas músicas, especialmente por meio da extensa cadeia de pedais utilizada por Georgia no baixo. Enquanto ela transforma o instrumento em fonte de graves, distorções e efeitos que por vezes ocupam até o espaço da guitarra, Amy alterna vocais limpos, rap, voz de cabeça e screams com precisão, carisma e uma presença de palco que ajuda a explicar por que a Nova Twins avançou tão rapidamente dos clubes para alguns dos maiores palcos do rock mundial. Antes da apresentação explosiva, Amy e Georgia conversaram com o Blog N’ Roll no Cine Joia. Há seis anos, vocês criaram o Voices for the Unheard, que também teve um papel importante na criação do Alternative Music Awards e do MBO. Como esse projeto começou e qual é a importância de usar a plataforma da Nova Twins para lutar e abrir portas para outros artistas? Georgia South: Começamos o Voices for the Unheard durante a pandemia, quando o movimento Black Lives Matter ganhou força. Naquele momento, estávamos nos sentindo muito impotentes e pensamos que uma maneira de tentar fazer alguma diferença seria dentro da nossa própria comunidade, no mundo da música. Então decidimos criar uma playlist. Encontramos muitos artistas alternativos incríveis ao redor do mundo, começamos a entrevistá-los no Instagram e conversávamos sobre suas experiências dentro do rock. Foi incrível ouvir o que pessoas de países completamente diferentes estavam vivendo. Todo mundo se identificava com as experiências dos outros e compartilhava dificuldades semelhantes por ser uma pessoa preta fazendo música pesada dentro da indústria. Foi muito importante poder conversar, compartilhar essas experiências e divulgar essas músicas. Nosso público e o público desses artistas começaram a descobrir novas bandas. Depois de algum tempo, sentimos que queríamos expandir o Voices for the Unheard e torná-lo ainda maior. Uma coisa que me impressionou ao assistir vocês ao vivo é a quantidade de sons eletrônicos que, na verdade, vem da guitarra e do baixo. Como vocês desenvolveram essa combinação de pedais e efeitos para criar todos esses sons organicamente no palco? Georgia South: Para mim, começou simplesmente indo a uma loja de instrumentos em Londres. Existe uma rua famosa chamada Denmark Street, onde há várias lojas de guitarras, pedais e todo tipo de equipamento. Eu ia até lá e experimentava os pedais sem saber exatamente o que encontraria. Com o tempo, você começa a criar uma coleção e aquilo se transforma em uma espécie de laboratório. Gostamos da ideia de fazer tudo manualmente ao vivo. Não temos guitarras ou baixos gravados em backing tracks durante o show, então tudo o que você ouve desses instrumentos está vindo dos nossos pedais. Às vezes, as coisas dão errado, mas isso é música ao vivo. Pode ser emocionante para o público e estressante para nós, mas também torna o show mais interessante, porque cada apresentação pode ser diferente e você nunca sabe exatamente o que vai acontecer. Por exemplo, minha pedaleira não funcionou direito no Rock in Rio porque havia muitas luzes. A interferência no palco estava insana. Mas isso é música ao vivo. Gostamos de experimentar e explorar o som dessa maneira. Vocês acabaram de fazer história no Rock in Rio como a primeira banda de rock liderada por mulheres negras a tocar no Palco Mundo. Além disso, é um festival transmitido para todo o país, com milhões de pessoas acompanhando. O que esse momento significa para vocês? E, depois dessa experiência, já pensam em voltar para fazer mais shows no Brasil e na América do Sul? Amy Love: Foi realmente incrível. Quando alguém nos contou que éramos as primeiras, ficamos muito surpresas. Mas também é incrível pensar que, esperamos, meninas que se parecem conosco estavam assistindo e podem se sentir inspiradas ao perceber que também podem fazer a mesma coisa. E definitivamente queremos voltar ao Brasil. Tivemos momentos incríveis aqui. Foi uma viagem muito curta, ficamos apenas seis dias. Estávamos no Rio e acabamos de chegar a São Paulo, mas com certeza queremos voltar. Durante muito tempo, muita gente do nosso público dizia: “Venham para o Brasil, venham para São Paulo”. E nós sempre respondíamos que realmente queríamos vir. Finalmente recebemos o convite para o Rock in Rio e pensamos: “Uau, depois de tantos anos, finalmente estamos indo!”. Então não queremos demorar tanto para voltar. Definitivamente voltaremos. Estamos nos divertindo muito e mal podemos esperar pelo show desta noite. Vai ser incrível. Vocês falaram desses seis dias no

Nova Twins impressiona com peso e técnica em estreia como headliner no Brasil

Dois dias depois de subir ao Palco Mundo do Rock in Rio, a Nova Twins chegou a São Paulo para mostrar de perto por que se tornou um dos nomes mais interessantes da nova geração do rock britânico. No domingo (6), Amy Love e Georgia South comandaram o É Tudo Delas, no Cine Joia, em seu primeiro show como headliner no Brasil e na América do Sul. The Mönic e MC Taya completaram uma noite que, mais do que reunir três atrações lideradas por mulheres, apresentou três maneiras bastante diferentes de entender a música pesada contemporânea. Confira também a entrevista do Blog N’ Roll com a Nova Twins Coube à The Mönic abrir os trabalhos. Foi a quarta vez que acompanhei a banda ao vivo e a evolução é evidente. A cada encontro, o quarteto soa mais seguro, pesado e, principalmente, mais confortável em transformar o palco em extensão da pista. Se existe uma distância convencional entre artista e público, elas parecem pouco interessadas em respeitá-la. Isso ficou evidente quando a banda contrariou a orientação da segurança e permitiu que fãs subissem ao palco. Dani Buarque foi ainda mais longe e desceu para a pista para participar de um mosh pit. E não é somente um gesto calculado, mas consequência natural da maneira como a The Mönic conduz seus shows. Depois de passagens por Rock in Rio e Knotfest Brasil, a banda demonstra cada vez mais domínio sobre esse tipo de situação. Na sequência, MC Taya mudou completamente a linguagem sem diminuir a intensidade. O chamado Metal Mandrake parte do peso das guitarras para incorporar funk, trap e rap da periferia. Mais importante do que encontrar um rótulo exato para a mistura é perceber como o trio reivindica seu lugar dentro do metal. Essa afirmação aparece até na forma como o nome MC é apresentado. Ali, significa Mestre de Cerimônias e funciona como equivalente ao papel de frontwoman de uma banda de metal. Entre uma música e outra, Taya abriu espaço para discursos sobre minorias, ataques sofridos na internet, educação e ascensão social. Em um dos momentos, destacou que os integrantes da banda possuem formação universitária e falou sobre a importância do diploma. O discurso social não aparece separado das músicas. Faz parte do conceito do projeto e da maneira como a banda ocupa aquele espaço. Nova Twins mostra que o impossível também pode sair de um baixo Quando a Nova Twins entrou, porém, ficou claro por que Amy Love e Georgia South eram as headliners. Há uma diferença importante entre ouvir a quantidade de elementos presentes nas gravações da dupla e assistir à engenharia necessária para reproduzi-los no palco. Boa parte da experiência do show está justamente em tentar entender de onde cada som está vindo. A resposta, muitas vezes, está aos pés de Georgia South. O baixo é praticamente um instrumento mutante dentro da Nova Twins. Com uma enorme combinação de pedais e efeitos, ela produz graves próximos da música eletrônica, distorções que poderiam facilmente ser confundidas com guitarras, ruídos, oitavas e texturas que ocupam praticamente todo o espectro sonoro. Em algumas músicas, a guitarra é deixada de lado, com Amy somente nos vocais, com o espaço inteiro preenchido com o baixo. É justamente aí que a Nova Twins deixa de parecer apenas mais uma banda que mistura rock com elementos eletrônicos. Amy e Georgia fazem questão de construir grande parte dessa eletrônica organicamente no palco. Em vez de depender da reprodução de camadas previamente gravadas para sustentar a identidade das músicas, instrumentos tradicionais são manipulados até assumirem funções que normalmente pertenceriam a sintetizadores e programações. A abertura com “Antagonist” e “Cleopatra” apresentou imediatamente essa proposta. São músicas construídas para provocar movimento e que funcionaram como uma declaração de intenções. “Taxi” e “Soprano” mantiveram a pressão antes de “Hide & Seek” e “Parallel Universe” mostrarem melhor a elasticidade do repertório. Se Georgia chama atenção pela inventividade instrumental, Amy Love domina o outro lado da equação. Seu carisma é imediato. A cantora passou boa parte da apresentação sorrindo e estabelecendo contato com o público, mas o que realmente impressiona é a facilidade com que muda de registro vocal. Amy consegue sair de linhas melódicas limpas para versos rápidos próximos do rap, alcançar notas em voz de cabeça e entrar em screams sem que essas mudanças pareçam exigir uma preparação. Ao vivo, sua voz preserva a precisão das gravações, mas ganha uma agressividade adicional. É uma performance bastante técnica que, felizmente, nunca soa como demonstração gratuita de técnica. “N.O.V.A” aproveitou especialmente bem a relação com o público, enquanto “K.M.B.” e “Drip” recolocaram a pista em movimento. Nesta última, as referências ao drum’n’bass ajudam a demonstrar como a banda absorve música eletrônica sem simplesmente colocar guitarras por cima de uma batida. Tudo parece pertencer ao mesmo organismo. “Choose Your Fighter” e “Piranha” mantiveram a parte mais física da apresentação antes de “Hummingbird” oferecer outro destaque para Amy. Com espaço maior para melodia, a faixa reforçou que a cantora não depende do peso para impressionar. A reta final com “Monsters” e “Glory” encerrou um repertório de 14 músicas que conseguiu condensar diferentes faces da dupla sem perder intensidade. Um show que explica o crescimento da Nova Twins O mais interessante é que o show no Cine Joia aconteceu justamente quando a trajetória da Nova Twins começa a ganhar outra dimensão. A parceria com o Bring Me the Horizon em “1×1” colocou Amy e Georgia diante de uma audiência gigantesca, enquanto turnês com Foo Fighters, Evanescence e Spiritbox aproximaram a dupla de públicos diferentes dentro do rock pesado. São Paulo já dava sinais de que existia espaço para esse crescimento. A capital paulista aparecia entre as cidades que mais escutam Nova Twins no Spotify e, depois da passagem pelo Rock in Rio, ultrapassa Londres e se torna o local com mais ouvintes. Essa proximidade também ajudou a revelar o principal mérito da apresentação. A Nova Twins possui uma sonoridade que, no estúdio, poderia facilmente levantar dúvidas sobre quanto dela seria possível reproduzir