Robbie Williams entrega show impactante e divertido no Nubank Parque

Robbie Williams nunca precisou de estádio cheio para dominar uma multidão. Na noite de terça-feira (13), no Nubank Parque, em São Paulo, o público modesto em relação à capacidade total do espaço viu de perto um artista que não economiza entrega. Com uma mistura calibrada de humor britânico, interações constantes e uma potência vocal irretocável, o cantor fez valer cada minuto de um show que é puro entretenimento pop em sua forma mais madura. Escorado por uma banda irrepreensível, Williams brincou com o idioma local, desfilou simpatia e presenteou a plateia com covers inusitados, incluindo um trecho provocador de Wonderwall, do Oasis, lembrando a velha rixa com Liam Gallagher. É o retrato de um artista revigorado pelo sucesso de Better Man, filme biográfico que ajudou a repactuar sua conexão com o grande público e a recolocar sua carreira no trilho dos grandes espetáculos globais. O compromisso em São Paulo fechou a intensa maratona de seis semanas pelas Américas como parte da Britpop Tour. Entre o alívio sincero de quem admitiu não ver a hora de voltar para a família e o cansaço do fim de rota, Robbie deixou um recado claro de que a relação com o Brasil segue aberta: prometeu que sua intenção é voltar em dois anos para subir ao palco do Rock in Rio. Coincidência ou não, o curador e vice-presidente artístico do festival, Zé Ricardo, estava nos bastidores e se encontrou com Robbie. Logo que subiu ao palco ao som de Let Me Entertain You, faixa do seu álbum de estreia, Life Thru a Lens (1997), que abriu a apresentação, Robbie perguntou ao público se ainda lembrava dele, já que ficou 20 anos sem se apresentar por aqui. Distribuindo todos os seus hits ao longo de duas horas de apresentação, Robbie encontrou espaço para divulgar duas canções do Britpop, lançado no início do ano: Rocket, gravada com o guitarrista do Black Sabbath, Tony Iommi, e Pretty Face. Entre Better Man e Something Beautiful, o músico tentou aprender algumas palavras em português: “entretenimento” e “aplausos” saíram bem diferentes, mas “merda” teve a pronúncia correta. Robbie Williams brinca com Oasis no show Na sequência emendou o seu primeiro medley, com trechos de Tripping, Angels, Feel, Sexed Up e Candy. Em Sexed Up, ainda brincou com a reação do público peruano, no show de Lima, realizado no fim de setembro, dizendo que eles pareciam mais acanhados e cantavam baixinho com vergonha do refrão. O guitarrista de Robbie, ainda na passarela com o cantor, puxou os acordes iniciais de Wonderwall, do Oasis. Nesse momento, boa parte do estádio cantou junto. O artista interrompeu, pediu para o público parar e lembrou que era uma canção de outra banda. Não satisfeito, ainda brincou que quando o Oasis acabou, ele ligou para Noel se oferecendo para ser o vocalista e o guitarrista teria gargalhado e desligado o telefone na cara dele. Enquanto o público se divertia com a história, Robbie passou a cantar Wonderwall. Mesclando seus hits com mais releituras, o ex-integrante do Take That cantou Theme From New York, New York (de John Kander, mas imortalizada na voz de Frank Sinatra) e No Regrets, antes de entrar em mais um medley, agora para apresentar a banda. A salada musical do segundo medley incluiu Ace of Spades (Motörhead), Seven Nation Army (The White Stripes), Hips Don’t Lie (Shakira), Livin’ on a Prayer (Bon Jovi), Take on Me (A-ha), Acenda o Farol (Tim Maia, aqui só com os metais) e Hey Jude (Beatles). A reta final do show rendeu outros grandes momentos, como She’s The One, na qual Robbie cantou inteiramente para Ana Cecília, uma fã que tatuou trechos de suas músicas no braço; My Way (de Paul Anka, mas também muito famosa na voz do The Voice, Frank Sinatra), que serve como uma homenagem emotiva do músico ao seu pai, Pete Williams, simbolizando a relação complexa, cheia de altos e baixos, mas profundamente marcada pela admiração e afeto entre eles. Na volta para o bis, Robbie cantou os seus dois maiores hits, Feel e Angels, garantindo um fim de show apoteótico para os fãs. Agora nos resta aguardar o retorno dele daqui a dois anos. SETLIST Let Me Entertain You Rocket Rock DJ Strong Supreme Pretty Face Love My Life Better Man Tripping / Angels / Feel / Sexed Up / Candy / Wonderwall (Oasis cover) Something Beautiful Millennium Theme From New York, New York (John Kander cover) No Regrets Ace of Spades / Seven Nation Army / Hips Don’t Lie / Livin’ on a Prayer / Take on Me / Acenda o farol / Hey Jude (Medley) Come Undone Kids She’s The One My Way (Paul Anka cover) BIS: Feel Angels
limmbo abraça distorção e encara o medo do fim em “wandering ghost”

O cantor, compositor e multi-instrumentista santista limmbo lançou nas plataformas de streaming o single inédito wandering ghost. Trata-se do segundo lançamento do artista pela Casalago Records, dando sequência aos preparativos para o seu próximo álbum de estúdio, ainda sem data oficial anunciada. Guardada desde meados de 2022, período posterior ao isolamento da pandemia em que o músico enfrentou a sensação constante e angustiante de que poderia morrer a qualquer momento, a composição personifica a figura de um “fantasma andarilho” que vaga carregando frustrações, projetos interrompidos e desejos não concretizados. A faixa já pode ser ouvida nos tocadores digitais via found.ee/wanderingghost, acompanhada de lyric video oficial. O fantasma errante diante da vida adulta A lírica de “wandering ghost” constrói uma narrativa sufocante: noites sem ar, dores de cabeça intermináveis e sonhos de queda refletem a apreensão diante do tempo que escorre. No refrão, o contraste se acentua quando o sol nasce e a voz engasga frente a oportunidades perdidas, culminando em uma reflexão aberta na ponte da faixa (“Eu não deveria dar tudo de mim agora? Todo o meu coração, corpo e alma?”). Guitarras pesadas, synths flutuantes e método 100% DIY Musicalmente, “wandering ghost” marca a faceta mais pesada e enérgica já gravada por limmbo. Em contraste com versos mais intimistas, o arranjo explode em guitarras distorcidas com riffs em primeiro plano, bateria potente, camadas de sintetizadores etéreos e vocais rasgados no refrão, bebendo diretamente nas referências das fases mais pesadas de bandas como Fresno e Paramore. O trabalho foi desenvolvido sob a ótica do “faça você mesmo” (DIY): Do quarto à Casalago Records: a trajetória de limmbo Com apenas 25 anos, o compositor começou sua história na música aos 12, compondo antes mesmo de dominar os acordes no violão. Seu pop punk, indie e rock alternativo dialogam com nomes como The Cure, Fall Out Boy, Beabadoobee, Paramore e Fresno, abordando temas urgentes da juventude contemporânea como identidade, sexualidade, autoimagem e saúde emocional. Antes de assumir a alcunha atual, o artista lançou de forma independente o EP A Few Thoughts in a New Year’s Eve (2019) e os álbuns nineteen (2021) e i care about what you think of me (2025), cujo clipe de dancing with wolves foi selecionado e exibido na Mostra Videoclipe Caiçara do 23º Curta Santos. Rebatizado oficialmente como limmbo em 2026 com sua entrada na Casalago Records, o santista estreou a nova fase em setembro com o single glitter eyes, abrindo caminhos para o disco cheio que consolidará essa nova maturidade rítmica e conceitual.