O Encontro 013 voltou a ocupar espaço na agenda cultural de Santos na última sexta-feira (26), reafirmando sua origem e propósito. Criado inicialmente como uma reunião de amigos na praia logo após a morte de Chorão, o encontro cresceu ao longo dos anos, ganhou estrutura e se transformou em um evento que mantém como tradição o tributo ao Charlie Brown Junior, banda símbolo da cidade. No último evento do ano, no Arena Club, Soulshine, Skasu, DZ Rock e Planta e Raiz se apresentaram.
A edição teve início com as apresentações de Soulshine e Skasu, preparando o clima para a noite. Na sequência, a DZ Rock assumiu o palco com um tributo ao Charlie Brown Junior, conectando o público diretamente com a essência do evento e reforçando a relação afetiva entre Santos e o legado deixado por Chorão e sua geração.
Encerrando a noite, o Planta e Raiz entregou um show que equilibrou bem seus principais sucessos com novidades. A banda apresentou ao público o novo setlist da turnê do álbum Flor de Fogo, lançado em outubro, e encontrou uma resposta imediata da plateia, que cantou, agitou e pediu bis ao final da apresentação.
Atendendo ao pedido de forma improvisada, o grupo voltou ao palco e surpreendeu com versões de Bob Marley e do clássico “Estou a dois passos”, da Blitz, encerrando o Encontro 013 em clima de celebração, comunhão e respeito às raízes que deram origem ao evento.
Em bate papo com o Blog N’ Roll, o vocalista do Planta e Raiz, Zeider, contou sua ligação com Chorão e revelou em primeira mão que lançará um novo álbum de versões no início do ano.
Em homenagem ao Chorão, vocês têm “Ghetto do Universo”, que vocês tocaram juntos. Queria saber um pouco dos bastidores, tanto do Chorão cantando com vocês no DVD quanto alguma história bacana desse encontro.
Zeider – A primeira impressão que tivemos do Chorão foi muito marcante. Quando nos encontramos pela primeira vez, ele chegou extremamente caloroso e acolhedor com a gente. Éramos mais novos, uma geração que vinha logo depois, e parecia mesmo que ele estava abençoando a nossa caminhada. Quando mostramos a música para ele, “Ghetto do Universo” ainda era inédita. Assim que terminamos de tocar, ele continuou a canção, e disse que tinha uma do Charlie Brown, mas que queria colocar ela na nossa música também. Foi um gesto de muita generosidade.
Nota da redação: A música em questão era Dias de Luta, Dias de Glória
E tem alguma história curiosa nesses bastidores?
Zeider – No dia da gravação do DVD ele tinha se machucado andando de skate, bateu a cabeça e estava no hospital, mas deu um jeito de sair de lá para participar. Ele representou, eternizou aquele momento. É um cara que mora no nosso coração, um ídolo, quase como um irmão mais velho para nós. Hoje fica a vibração e a energia. Santos tem essa força muito particular. É uma cidade que a gente frequenta desde o começo da nossa caminhada e sempre sentiu essa energia se perpetuando, passando de geração em geração, muito por causa do Charlie Brown Junior e de toda aquela galera, Marcão, Thiagão e tantos outros. É algo sensacional. Somos muito felizes por fazer parte dessa família.
Vocês gravaram um novo álbum ao vivo em Noronha, lançaram álbum novo. Tem espaço para novidades em 2026?
Zeider – Para 2026, temos um projeto chamado Tranquilize, que traz versões de músicas clássicas brasileiras, com uma pegada mais raiz. Ele deve chegar no começo do ano. Paralelamente, seguimos na estrada com a turnê do álbum Flor de Fogo, lançado em outubro de 2025, então estamos sempre rodando e produzindo.
Além do Tranquilize, em breve devemos apresentar músicas inéditas. Elas já vêm sendo compostas há algum tempo, vão se acumulando, e chega um momento em que é preciso colocar tudo para fora.