Mötley Crüe resgata versão original de “Take Me To The Top” após 45 anos

O Mötley Crüe disponibilizou nas plataformas digitais uma versão remasterizada de “Take Me To The Top”, gravada originalmente em 1981 para a primeira edição de “Too Fast For Love”. A faixa, lançada na época pelo selo independente Leathür Records, chega ao streaming pela primeira vez e antecipa a edição comemorativa de 45 anos do álbum de estreia da banda, prevista para 30 de outubro pela BMG. A gravação recupera um dos primeiros registros do grupo, anterior à reformulação do disco pela Elektra Records em 1982. “Take Me To The Top” também voltou recentemente ao repertório dos shows do Mötley Crüe depois de 42 anos de ausência, durante a turnê norte-americana “The Return Of The Carnival Of Sins”, que passou por 33 cidades e reuniu quase meio milhão de espectadores. Lançado originalmente em 1981, com uma tiragem inicial de apenas 900 cópias, “Too Fast For Love” ajudou a estabelecer as bases da cena hard rock de Los Angeles nos anos 1980. A mistura de energia punk, visual glam e apresentações intensas chamou a atenção da Elektra Records, que assinou com o quarteto poucos meses depois. A nova edição do álbum, lançada em agosto de 1982, ampliou o alcance da banda com músicas como “Live Wire”, impulsionada também pela exposição na então recém-criada MTV. Para celebrar o aniversário, o Mötley Crüe preparou um box comemorativo que reúne as versões remasterizadas de 1981 e 1982, gravações raras e inéditas de um show realizado no Perkins Palace em 1982 e as primeiras demos de estúdio, registradas em março de 1981. O material inclui ainda uma réplica da fita cassete original, compacto de sete polegadas, livro de fotografias com 100 páginas e outros itens de colecionador. O relançamento também coincide com novas marcas comerciais alcançadas pelo catálogo da banda. “Kickstart My Heart” ultrapassou 1 bilhão de reproduções no Spotify, enquanto “Dr. Feelgood” recebeu certificação de nove vezes platina nos Estados Unidos. Outros clássicos, como “Girls, Girls, Girls”, “Home Sweet Home” e “Live Wire”, também conquistaram novas certificações. Com a edição de 45 anos de “Too Fast For Love”, o Mötley Crüe revisita o período anterior ao sucesso mundial, quando Nikki Sixx, Tommy Lee, Mick Mars e Vince Neil ainda construíam sua identidade nos clubes de Los Angeles. O material recupera gravações que documentam o início de uma trajetória que ajudaria a definir o hard rock da década seguinte.

Pet Shop Boys revisita vida e legado de Alan Turing em novo álbum

O Pet Shop Boys lançou “A Man from the Future”, álbum conceitual inspirado na trajetória de Alan Turing, matemático britânico considerado um dos pioneiros da computação moderna. Desenvolvido em parceria com Andrew Hodges, autor da biografia “Alan Turing: The Enigma”, o trabalho reúne oito faixas que combinam música eletrônica, arranjos orquestrais e narração para contar a história de um dos nomes mais importantes da ciência do século XX. O projeto acompanha cronologicamente a vida de Turing, desde a juventude e o interesse pela matemática até sua participação na Segunda Guerra Mundial, quando teve papel fundamental nos esforços britânicos para decifrar mensagens criptografadas pela máquina alemã Enigma. O disco também aborda suas contribuições para o desenvolvimento dos computadores e suas ideias pioneiras sobre inteligência artificial. A narrativa não deixa de lado a perseguição sofrida pelo cientista em razão de sua homossexualidade. Condenado pela Justiça britânica em 1952, Turing morreu por suicídio dois anos depois, aos 41 anos. A última faixa inclui um trecho de um pronunciamento feito em 2009 pelo então primeiro-ministro Gordon Brown, que pediu desculpas oficialmente pelo tratamento recebido pelo matemático. Em 2013, Turing recebeu um perdão real póstumo da rainha Elizabeth II. Musicalmente, “A Man from the Future” apresenta composições de Neil Tennant e Chris Lowe acompanhadas por narrações da atriz Juliet Stevenson, baseadas na biografia escrita por Hodges. Os arranjos orquestrais são assinados por Sven Helbig e executados pelo Manchester Camerata Octet, enquanto integrantes do coro masculino da Manchester Grammar School participam de quatro músicas. A obra, na verdade, não é inteiramente inédita. Sua primeira versão foi desenvolvida entre 2012 e 2013 e apresentada em julho de 2014, durante a série BBC Proms, no Royal Albert Hall, em Londres. Na ocasião, o Pet Shop Boys dividiu o palco com a BBC Concert Orchestra e os BBC Singers. Mais de uma década depois, a dupla decidiu revisitar a composição, ampliando a presença dos elementos eletrônicos e substituindo a formação orquestral original por um conjunto de oito instrumentistas de cordas. Segundo Tennant e Lowe, a intenção sempre foi homenagear um homem que contribuiu decisivamente para a ciência e para seu país, mas acabou perseguido por sua sexualidade. A dupla destaca que Turing não apenas antecipou possibilidades da computação moderna, como também imaginou uma sociedade na qual a homossexualidade seria aceita naturalmente. Lançado pela Parlophone Records, “A Man from the Future” transforma essa trajetória em uma narrativa musical que atravessa ciência, guerra, preconceito e reconhecimento histórico, aproximando o universo eletrônico do Pet Shop Boys de uma das histórias mais marcantes do século passado.

La Dispute anuncia três shows no Brasil em maio de 2027 com Zeta

O La Dispute anunciou sua primeira turnê completa pela América Latina, com três apresentações no Brasil em maio de 2027. A banda norte-americana de post-hardcore tocará em Curitiba, no Belvedere, em 28 de maio; São Paulo, no Carioca Club, em 29 de maio; e Rio de Janeiro, no Agyto, em 30 de maio. Os venezuelanos do Zeta serão os convidados especiais nas três datas, realizadas pela ND Productions e Áldeia Produções. Antes de chegar ao Brasil, a turnê passará por Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina, ampliando a presença do grupo na região. O retorno acontece 11 anos depois da primeira passagem da banda pelo país, encerrando uma longa espera dos fãs brasileiros. O repertório terá músicas de diferentes fases da carreira, além de composições de “No One Was Driving the Car”, trabalho mais recente do quinteto. Formado em Grand Rapids, Michigan, o La Dispute construiu uma identidade própria ao combinar post-hardcore, emo, spoken word e rock experimental. A interpretação intensa de Jordan Dreyer e as letras narrativas, frequentemente dedicadas a conflitos pessoais, relacionamentos e questões existenciais, ajudaram a consolidar a banda como uma das referências do gênero nas últimas duas décadas. A turnê também marca o encontro com o Zeta, grupo venezuelano que mistura punk, post-rock, psicodelia e ritmos afro-caribenhos. A banda acompanhará o La Dispute não apenas no Brasil, mas também nas apresentações de Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Em comunicado, Jordan Dreyer reconheceu a demora para retornar à América Latina. O vocalista lembrou que, desde a primeira visita, a banda prometia voltar para realizar mais shows, mas os planos acabaram sendo adiados repetidamente. “Prometemos voltar à América Latina e demoramos demais para cumprir. Tivemos nossos motivos, mas eles não importam mais. Agora estamos cumprindo essa promessa, por nós mesmos e também por vocês”, afirmou. Os ingressos para as apresentações brasileiras estão à venda pela Fastix. Serviço – La Dispute + Zeta no Brasil Ingressos: Fastix.

Amaravida estreia com reflexão sobre a idealização dos nossos heróis

AMARAVIDA, novo projeto autoral do músico e compositor Lucas Arissa, estreia com “Pergunta Lá Para Os Seus Heróis”. A faixa marca o primeiro lançamento do artista desde sua saída da banda punk Hurry Up, em 2019, e apresenta uma sonoridade que transita entre emo, indie e post-rock, com uma abordagem mais intimista conduzida por violão, teclado e trompete. A música parte de uma reflexão sobre a maneira como transformamos nossas referências em figuras idealizadas. Em vez de questionar os próprios ídolos, Lucas direciona a crítica às expectativas depositadas sobre eles e à dificuldade de aceitar que essas pessoas também possuem falhas e contradições. A estrutura repete a expressão “Pergunta lá para os seus heróis” acompanhada por diferentes provocações, recurso que o compositor relaciona à construção de “Blowin’ in the Wind”, de Bob Dylan. A dimensão espiritual também ocupa espaço importante na composição. Entre os diferentes questionamentos, Lucas apresenta Jesus Cristo como contraponto aos heróis humanos e relaciona essa perspectiva ao próprio nome AMARAVIDA. Para o músico, o conceito representa a tentativa de acolher experiências positivas e negativas a partir do amor, da graça e da paz, estabelecendo uma ligação entre humanidade e espiritualidade que deve atravessar os próximos trabalhos. “Pergunta Lá Para Os Seus Heróis” também representa uma mudança musical em relação aos 13 anos que Lucas passou no Hurry Up. Depois de deixar o grupo, ele se aproximou mais do violão e passou a explorar referências que encontravam menos espaço no punk. Elliott Smith, Death Cab for Cutie, Dashboard Confessional, Jimmy Eat World, Manchester Orchestra, Alanis Morissette e o Bruce Springsteen de “Nebraska” estão entre as influências citadas pelo compositor. A gravação também preserva uma ligação com seu passado. O single foi registrado no Hup Sounds, em Americana, espaço criado pelos integrantes do Hurry Up, com captação de Bruno “Menega” Meneghel. A mixagem ficou a cargo de Clay Borges, em Praia Grande, enquanto Giovane, antigo professor de trompete de Lucas, participa do encerramento da faixa. A estreia é apenas o primeiro passo do projeto. Lucas prepara um segundo single para novembro e, posteriormente, lançará um EP bilíngue com seis faixas, formado por três composições em português e suas respectivas versões em inglês. A proposta é utilizar diferentes sonoridades e intensidades para abordar experiências pessoais, contradições e questões que acompanham a vida cotidiana.

Entrevista | Hot Freaks – “Pós-TikTok, queremos ser levados a sério como uma banda que faz álbuns”

O Hot Freaks lança em 23 de outubro de 2026 Soft Body, terceiro álbum de estúdio da banda de indie pop de Minneapolis. O trabalho sucede Hot Freaks Forever (2023) e representa, para o vocalista Leo Vondracek, um processo mais orgânico e próximo daquele vivido no disco de estreia. Diferentemente do álbum anterior, produzido logo após a inesperada retomada do grupo, o novo material foi desenvolvido depois de alguns anos de convivência novamente como banda, permitindo que os músicos reencontrassem seu próprio ritmo. Soft Body também recupera composições antigas, como “Getting Over You”, cuja primeira versão permaneceu por mais de uma década no SoundCloud de Vondracek antes de finalmente ganhar um lançamento oficial. Formado em Minneapolis, o Hot Freaks viveu uma trajetória incomum. Depois de uma primeira fase restrita principalmente à cena local, o grupo interrompeu as atividades e passou anos separado até que “Puppy Princess”, música lançada originalmente na década anterior, viralizou no TikTok em 2021. Vondracek nem utilizava a plataforma quando recebeu uma mensagem no Instagram avisando sobre o crescimento da faixa. No dia seguinte, gravadoras já começaram a procurá-lo, embora naquele momento o Hot Freaks nem sequer estivesse reunido. O sucesso levou ao retorno da banda, que desde então lançou um novo álbum, retomou os shows e passou a trabalhar para transformar a segunda chance proporcionada pela internet em uma carreira sustentável. Às vésperas do lançamento de Soft Body, Leo Vondracek conversou com o Blog N’ Roll sobre a pressão de provar que o Hot Freaks é mais do que um fenômeno do TikTok, a relação da banda com os fãs brasileiros e os planos de levar o grupo para fora dos Estados Unidos. O vocalista também falou sobre o desafio de conciliar a banda com a distância entre os integrantes, revelou que já existem contatos para uma possível passagem pelo Brasil e escolheu três discos pelos quais mantém uma relação afetiva. Depois de sair do hiato e, inevitavelmente, ficar conhecido por muita gente como “a banda daquela música do TikTok”, existe uma pressão de autoafirmação em Soft Body? De certa forma, este é o álbum definitivo para mostrar quem é o Hot Freaks pós-TikTok e depois da volta? Foi incrível o TikTok ter nos salvado, ou nos encontrado e abraçado. Sinceramente, se não fosse pela plataforma, não sei se teríamos encontrado um público como esse. É muito legal entrar no TikTok e ouvir pessoas usando nossas músicas o tempo todo. Mas acho que existe, sim, um desejo de sermos levados a sério também como uma banda que faz álbuns. É ótimo que esse lado esteja funcionando, mas somos uma banda de verdade, que faz discos. É mais do que apenas uma ou duas músicas. Também existe outro aspecto. Nós nos reunimos depois de termos terminado e praticamente entramos direto no álbum anterior. Este disco foi feito depois de já estarmos juntos novamente havia cerca de três anos, então tivemos mais tempo para encontrar nosso ritmo. Já faz cinco anos desde que nos reunimos. O primeiro disco que lancei é um disco que adoro e representa muito o que eu queria fazer naquela época. Mas é um trabalho mais experimental, mais denso e mais difícil de assimilar. Ele vai mais para essa coisa da síncope do rap, é mais falado do que cantado, tem muita letra e muita informação. Você disse que o processo de Soft Body se parece mais com o primeiro álbum. O que vocês recuperaram daquela versão do Hot Freaks? Quando nossa música ficou popular, nós não estávamos juntos. Então existia essa urgência: “Precisamos nos reunir e fazer um disco novo”. Já o primeiro álbum aconteceu de maneira muito orgânica, com muita tentativa e erro. Cometemos erros, mas acho que isso foi positivo. Fomos devagar e encontramos nossa própria voz. No disco anterior, foi mais como: “Agora temos recursos, temos dinheiro, vamos terminar este álbum o mais rápido possível”. Tanto no primeiro quanto neste novo disco, de certa forma sofremos durante o processo, mas digo isso de uma maneira positiva. Quando uma boa ideia não aparecia, simplesmente parávamos, recalibrávamos e esperávamos, em vez de pensar apenas no prazo. Percebi que a magia da banda está justamente em ser um pouco peculiar. Não se trata de sermos uma banda que simplesmente chega e toca com força. Quando escuto alguns dos arranjos, percebo que existem ideias que provavelmente um produtor convencional não teria. Essa é a nossa própria voz. Há material em Soft Body que estava guardado havia anos. Qual é a música mais antiga e como é terminar hoje algo iniciado por uma versão muito mais jovem de você? Existe uma coisa estranha acontecendo. Praticamente todas as músicas do Hot Freaks que ficaram populares foram escritas em um período de dois anos, quando eu tinha entre 24 e 26 anos. “Getting Over You”, por exemplo, estava pronta havia muito tempo. Falávamos sobre ela há anos e gravamos umas três versões diferentes. Ela deveria ter entrado no disco anterior, mas isso não aconteceu. É satisfatório perceber que aquela música era como um raio engarrafado. Poderia ter ficado guardada por mais 20 anos e, quando finalmente saísse, talvez ainda funcionasse. Ao mesmo tempo, existe um medo: “Será que eu simplesmente não escrevo mais como escrevia?”. É uma loucura ver uma música parada durante tanto tempo, finalmente lançá-la e ela funcionar. Havia uma demo minha de “Getting Over You” no SoundCloud há mais de uma década e ela já tinha uma vida própria. Algumas pessoas até dizem que preferem a versão antiga. É muito difícil conseguir a atenção das pessoas na economia atual da música. Por isso, ver uma canção antiga conseguir esse tipo de repercussão ainda é algo inacreditável para mim. Uma característica muito forte do Hot Freaks é o contraste entre melodias alegres, que fazem as pessoas dançarem, e letras sobre insegurança, rejeição e relacionamentos. Isso acontece naturalmente ou é algo que você busca conscientemente? As duas coisas. Se existe um conselho que eu poderia dar para alguém, embora pareça óbvio, é que existe algo

Entrevista | Vitor Isensee – “Ainda existe muita história para acontecer com o ForFun e com o Braza”

Vitor Isensee iniciou um novo capítulo da carreira solo com Amanhece o Dia, primeiro single do álbum que será lançado em breve pela Deck. Produzida por Júlio Raposo, com coprodução do próprio músico, a faixa apresenta uma abordagem mais melódica e direta do que a explorada em Vida E Nada Mais, estreia solo lançada em 2019 sob o nome Izenzee. O novo trabalho terá nove músicas e recupera, entre composições recentes, canções que estavam guardadas havia cerca de uma década. Sem participações especiais, o disco marca também uma aproximação de Isensee com uma maneira mais espontânea de compor, apoiada no violão, no piano e na estrutura tradicional da canção. Fundador do Forfun, banda que encerrou as atividades em 2015 e voltou aos palcos para uma turnê de reunião em 2024, Isensee construiu diferentes caminhos desde o fim do grupo. Ao lado de Danilo Cutrim e Nicolas Christ, iniciou o Braza, projeto que ampliou sua relação com reggae, rap e música brasileira e permanece em atividade. Paralelamente, lançou livros de poesia e desenvolveu sua carreira individual, iniciada musicalmente com Vida E Nada Mais, disco de caráter mais experimental e marcado por participações como Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco. Agora, aos 43 anos, o músico conversou com o Blog N’ Roll e afirma vê o novo álbum como parte de uma trajetória ainda em construção, conciliando o trabalho solo e o Braza. Sobre o ForFun ele descartou novos álbuns e singles no futuro, porém diz que é questão de tempo até se reunirem nos palcos novamente. Eu ouvi Amanhece o Dia e achei a música bem mais melódica do que o álbum que você havia lançado. Queria entender um pouco esse momento criativo que você está passando agora. Também vi que existem músicas guardadas dos últimos dez anos. Essas canções eram destinadas a algum projeto específico, como Braza ou Forfun, ou são coisas que você escreveu para você mesmo? Acho legal essa percepção, porque, para mim, ela é bem evidente. Nem todo mundo percebe isso de cara, mas essa primeira música que lancei tem uma vibe mais de canção. Acho que ela flerta muito mais com uma forma, não sei se o termo seria “ingênua”, mas mais espontânea de compor. O primeiro disco que lancei, Vida E Nada Mais, de 2019, é um disco que adoro e representa muito o que eu queria fazer naquela época. Mas é um trabalho mais experimental, mais denso e mais difícil de assimilar. Ele vai mais para essa coisa da síncope do rap, é mais falado do que cantado, tem muita letra e muita informação. Quando veio a ideia do novo álbum? Há uns dois anos, talvez um pouco mais, comecei a me movimentar para lançar um novo álbum. Tinha muitas ideias guardadas e fui percebendo que tanto as coisas que estava compondo quanto outras que estavam guardadas havia bastante tempo iam mais nessa direção da canção. Voltei a sentir prazer em pegar o violão, sentar, tocar e cantar. Acho que, não por acaso, isso aconteceu simultaneamente à turnê do Forfun. Em 2024, fizemos uma turnê depois de nove anos sem tocar. A banda se reencontrou e foi muito legal, mas também foi um mergulho no passado, ressignificando tudo no presente. Aquilo me trouxe novamente um pouco dessa forma mais espontânea de compor, que era muito do que eu fazia no Forfun. Não que eu não faça isso no Braza, mas existia muito essa coisa de pegar o violão sozinho no quarto, à noite, e surgir um refrão ou uma parte de uma música. Depois, claro, eu terminava junto com a banda. Sempre foi um trabalho coletivo, mas eu tinha muito essa iniciativa de criar e propor. Foi uma maneira de me conectar novamente com uma forma mais leve de compor. Até os temas refletem um pouco a fase que estou vivendo. Estou na virada dos 40, tenho 43 anos, criança, família. A vida muda muito e os temas mudam. Achei que estava na hora de falar de uma maneira mais direta, simples e suave. Acabei indo muito para esse lado da canção. Amanhece o Dia é uma das músicas antigas? Amanhece o Dia não é uma delas. Ela surgiu mais recentemente, talvez de um ano para cá. Mas existem algumas músicas nesse disco que vem aí que já existem há muito tempo. O álbum terá nove músicas e diria que duas ou três delas existem há dez anos, talvez até mais. Foram coisas que ficaram guardadas. Eu já havia mostrado para a galera da banda, para outros artistas, e não rolou de gravar naquela época. Fui deixando guardado e achei que tinha a ver eu mesmo cantar essas músicas. Isso também é um desafio para mim. No começo do Forfun, inclusive na primeira demo, eu cantava muitas músicas. Depois, na fase posterior da banda, e no Braza isso já se mistura mais, acabei fazendo sempre uma parte mais próxima do rap. Não chega a ser rap, porque acho complicado dizer isso, mas é algo mais falado. Então também é um desafio levar meu vocal para esse lado mais de canção. Mas é algo que tenho muita vontade de fazer e que me dá prazer. Embora seja um desafio, é gostoso aprender e me desafiar. Vocês começaram com uma banda que tinha muito do hardcore melódico, antes mesmo do primeiro álbum. Normalmente, muitas bandas desse gênero permanecem dentro daquele universo ou dão um pequeno passo para o indie rock. O Forfun passou por uma transformação grande e, depois, com o Braza, vocês exploraram ainda mais a música brasileira. O que você tem ouvido atualmente que realmente influencia e toca você? Gosto muito de ouvir coisas antigas, embora tente acompanhar o que está acontecendo hoje. Tom Jobim, João Bosco e João Donato estão sempre nas minhas playlists, até pela minha relação com o piano, a bossa nova e o jazz. Mais recentemente, fui muito impactado por Hugh Masekela e pelo angolano Paulo Flores. Não são necessariamente influências que você identifica diretamente no disco, mas

Pequeno Cidadão anuncia single “Cara de Abacate” e shows na Semana da Criança

Pequeno Cidadão lança em 9 de outubro “Cara de Abacate”, single que transforma uma antiga brincadeira infantil de palmas e percussão corporal em música. A faixa chega às plataformas às vésperas do Dia das Crianças e recupera uma atividade transmitida principalmente pela tradição oral entre diferentes gerações. Popular especialmente a partir dos anos 1980, a brincadeira dispensa brinquedos ou qualquer tipo de tecnologia e depende apenas da interação entre os participantes. Em “Cara de Abacate”, esse batuque corporal serve como base para um rock psicodélico, acompanhado por jogos de palavras e movimentos que convidam as crianças a participarem da própria música. O lançamento pelo selo Pequeno Cidadão também antecede uma sequência de três apresentações durante o fim de semana do Dia das Crianças. O grupo toca no Sesc Pompeia, em São Paulo, no dia 10 de outubro, segue para o Sesc Bauru no dia 11 e encerra a programação no Sesc Interlagos, também na capital paulista, no dia 12.

P.O.D. recruta Cory Brandan, do Norma Jean, no pesado single “Outbreak”

P.O.D. está de volta com Outbreak, novo single que traz a participação de Cory Brandan, vocalista do Norma Jean. A faixa sucede o álbum Veritas, lançado em 2024, e chega acompanhada por um videoclipe inspirado em filmes e games de apocalipse zumbi. Produzida por Will Yip, conhecido por trabalhos com Turnstile, Code Orange e Circa Survive, a música nasceu da aproximação entre P.O.D. e Norma Jean durante a turnê conjunta realizada em 2024. Segundo Sonny Sandoval, a intenção era encontrar um convidado capaz de acompanhar uma composição que considera uma das mais pesadas já feitas pelo grupo. A escolha de Cory Brandan acrescenta vocais ainda mais agressivos à faixa. Outbreak combina riffs de Marcos Curiel, baixo de Traa Daniels e samples de alertas de emergência em uma construção que reforça a atmosfera de caos. A inspiração veio da relação dos integrantes com games e ficção científica, além da percepção de um cotidiano cada vez mais frenético. O lançamento dá continuidade à fase iniciada com Veritas, disco que ultrapassou 83 milhões de reproduções e alcançou o Top 10 das paradas de Hard Rock e Rock da Billboard. No ano passado, o grupo também lançou I Won’t Bow Down, colaboração com Andrés Giménez, do A.N.I.M.A.L., reforçando suas raízes latinas. A relação recente com o Brasil inclui a apresentação no Knotfest em 2024 e uma turnê própria realizada no ano seguinte, com seis cidades e show esgotado em São Paulo. Com quase 35 anos de trajetória, o P.O.D. mantém ainda no repertório músicas como Alive, Boom e Youth of the Nation, responsáveis por projetar a banda mundialmente no início dos anos 2000. Outbreak já está disponível nas plataformas digitais pela Mascot Records e aponta os próximos passos do P.O.D. rumo aos 35 anos de carreira, que serão completados em 2027.

Luno transforma psicodelia e imaginário nordestino em “Mantracaru”

Luno lança nesta quarta-feira (30) “Mantracaru”, segundo álbum de sua carreira solo. Em oito faixas, o músico sergipano constrói um trabalho que aproxima psicodelia brasileira, rock progressivo, jazz e música nordestina, acrescentando ainda elementos sinfônicos e experimentais. Mais do que reunir essas referências, o disco foi pensado como uma narrativa sobre transformação, autonomia, fragilidade e resistência. O próprio título resume parte dessa proposta ao combinar a ideia do mantra, ligado à repetição e introspecção, com o mandacaru, símbolo de resistência associado ao Nordeste. A jornada começa com “Aos Amigos, Um Abraço” e atravessa diferentes atmosferas até chegar à faixa-título, responsável por encerrar o álbum de maneira mântrica. Entre os extremos estão músicas como “Colorida Barca”, uma valsa psicodélica com elementos de rock rural, e “Seres de Pano”, que parte do piano para uma construção mais sombria e pesada. Musicalmente, “Mantracaru” encontra referências em nomes como Os Mutantes, A Barca do Sol, O Terço, Sá, Rodrix & Guarabyra, Ednardo e Tetê Espíndola, mas também passa por Beatles, Beach Boys, Syd Barrett e Radiohead. Em “Colorida Barca” e “Seres de Pano”, o álbum ganha ainda arranjos orquestrais de James Bertisch, executados por músicos da Orquestra Sinfônica de Sergipe, incluindo gravações de tímpano e gongo realizadas no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju. Parte desse repertório acompanha Luno há muitos anos. “Mulher-Onça”, “O Bando do Café da Manhã”, “Seres de Pano” e “Colorida Barca” nasceram ainda durante sua juventude e foram retomadas para o projeto. A última, por exemplo, começou com apenas dois versos escritos com o amigo Diego Bezerra e atravessou diferentes fases até ganhar sua forma definitiva durante as gravações do álbum. Baixista, violonista, cantor e compositor, Luno Torres construiu parte de sua trajetória na Plástico Lunar e também integra A Banda dos Corações Partidos e o Madame Javali. Depois de estrear solo com “Homo Pacificus”, em 2021, ele amplia agora a conexão de sua música com o Nordeste, a ancestralidade e o misticismo, sem abandonar as questões filosóficas presentes no trabalho anterior. “Mantracaru” funciona, assim, menos como uma coleção de oito músicas e mais como uma travessia. É um disco que olha para a psicodelia brasileira dos anos 1970 sem tentar simplesmente reproduzi-la, utilizando esse passado como ponto de partida para uma identidade que mistura sertão, progressivo, jazz, fantasia e experimentação.