Fontaines D.C. entrega um post-punk moderno e ambicioso em “Dopamine Chamber”

O Fontaines D.C., atração do Lolla BR, já deixou de ser apenas uma das grandes revelações do post-punk irlandês para se consolidar como uma das bandas mais interessantes do rock contemporâneo. E “Dopamine Chamber”, quinto álbum de estúdio, lançado nesta sexta-feira (16), reforça essa posição. São 11 faixas que mostram um grupo cada vez mais confortável em experimentar, misturando guitarras distorcidas, sintetizadores, elementos industriais e melodias que poderiam facilmente conquistar grandes arenas. É um disco de post-punk moderno, que reconhece suas influências sem ficar preso a elas. Desde “Dogrel” (2019), a evolução da banda tem sido impressionante. “A Hero’s Death” (2020) e “Skinty Fia” (2022) aprofundaram seu lado sombrio, enquanto “Romance” (2024) ampliou as possibilidades sonoras e aproximou o grupo de um público muito maior. Agora, “Dopamine Chamber” parece reunir essas diferentes fases. O peso continua presente, mas divide espaço com arranjos mais sofisticados e uma produção que transforma algumas músicas em experiências quase cinematográficas. A abertura com “Six Shot Morning” já estabelece esse clima. Os sintetizadores e o baixo criam uma atmosfera inquietante antes da entrada da voz de Grian Chatten, que continua sendo um dos grandes diferenciais da banda. Seu jeito particular de cantar, alternando momentos quase falados com interpretações melódicas, combina perfeitamente com a proposta do álbum. É uma música que não tem pressa de chegar ao refrão e funciona como uma introdução ao universo mais sombrio do disco. “Marianne”, primeiro single, é um dos grandes destaques. A faixa mistura elementos eletrônicos, cordas e uma melodia envolvente, mostrando como o Fontaines D.C. consegue construir músicas grandiosas sem abandonar a melancolia. Já “Mimesis” apresenta uma influência evidente do New Order, especialmente na linha de baixo e na combinação de sintetizadores com uma batida dançante. É interessante perceber como uma banda que começou tão ligada ao punk consegue incorporar essas referências de maneira natural. Em “Happy For You”, as guitarras remetem ao lado mais melancólico do The Cure, enquanto “Demolition” segue pelo caminho oposto, apostando em distorções pesadas e uma agressividade que aproxima a banda do rock alternativo dos anos 1990. Essa alternância é um dos pontos fortes do álbum. O Fontaines D.C. consegue soar delicado em uma faixa e bastante pesado na seguinte, sem que isso pareça uma mudança artificial de identidade. “Tongue” merece atenção especial pela maneira como trabalha texturas eletrônicas, baixo e efeitos vocais. É uma das composições mais experimentais do repertório e mostra que o grupo está cada vez menos preocupado em seguir estruturas convencionais. A produção de James Ford, que também trabalhou em “Romance”, tem papel fundamental nessa evolução, permitindo que os diferentes elementos apareçam sem comprometer a identidade das músicas. Outro aspecto importante está nas letras. “Dopamine Chamber” aborda um mundo marcado pelo excesso de informações, pela dependência tecnológica e pela dificuldade de encontrar conexões verdadeiras. O título funciona como uma referência à busca constante por estímulos e recompensas imediatas. O interessante é que a banda não transforma essas questões em discursos óbvios. As críticas aparecem dentro de histórias, sentimentos e imagens que deixam espaço para diferentes interpretações. Rosalía surpreende em uma das melhores faixas do álbum A participação de Rosalía em “Where Is Gone?” é outro momento que merece destaque. A combinação pode parecer improvável à primeira vista, principalmente para quem ainda associa a cantora espanhola ao pop e ao flamenco contemporâneo. Mas a colaboração funciona muito bem. Em vez de apostar em uma música comercial ou em um refrão feito para viralizar, os artistas entregam uma balada orquestral dramática, com uma atmosfera que poderia facilmente fazer parte da trilha sonora de um filme. A voz grave de Grian Chatten contrasta com a interpretação de Rosalía, criando uma dinâmica interessante entre os dois. A instrumentação cresce aos poucos, enquanto as cordas acrescentam uma intensidade emocional que foge completamente do padrão das participações especiais mais previsíveis. Para mim, é um dos pontos altos de “Dopamine Chamber” e uma demonstração de que o Fontaines D.C. não tem receio de ultrapassar as fronteiras do rock. Charlie Heaton, de Stranger Things, protagoniza clipe de “Japan” Outro destaque desta nova fase está no videoclipe de “Japan”, que conta com a participação de Charlie Heaton, conhecido por interpretar Jonathan Byers na série Stranger Things. Dirigida por Luna Carmoon, a produção também reúne Angèle Metzger e Sean Black no elenco e reforça a estética cinematográfica que o Fontaines D.C. vem desenvolvendo nos últimos anos. A escolha de Heaton combina com a atmosfera melancólica e contemplativa da música. A faixa trabalha uma sonoridade mais contida, que ganha força justamente pela maneira como os instrumentos criam tensão sem depender de explosões constantes. É um dos momentos em que a banda demonstra maturidade para explorar espaços e silêncios, algo que nem sempre aparece com tanta naturalidade em grupos de rock. O videoclipe também representa uma continuidade do universo visual apresentado em “Romance”. Existe uma preocupação em construir uma identidade que ultrapassa as capas dos discos e os materiais promocionais. No caso de “Japan”, a presença de um ator associado a uma das séries mais populares da última década amplia o alcance do lançamento, mas o resultado funciona principalmente pela conexão entre imagem e música. A reta final mantém o clima de inquietação. “Intimate” encerra o álbum deixando uma sensação de desconforto, uma conclusão coerente para um trabalho que discute justamente as contradições de uma sociedade cada vez mais conectada tecnologicamente e, ao mesmo tempo, emocionalmente distante. Um dos discos de rock mais interessantes de 2026 O mais impressionante é perceber como o Fontaines D.C. continua evoluindo sem perder personalidade. Em apenas sete anos desde o lançamento de “Dogrel”, os irlandeses construíram uma discografia consistente, na qual cada álbum representa uma etapa diferente. Existem referências ao Joy Division, New Order, The Cure e até ao rock alternativo dos anos 1990, mas a banda já desenvolveu uma assinatura própria. “Dopamine Chamber” não é necessariamente o disco mais imediato do grupo. Algumas músicas exigem mais de uma audição, especialmente pelas camadas de produção e pelas estruturas menos convencionais. Mas isso também faz parte de
Rochelle Jordan apresenta versões intimistas de “Bite The Bait” e “Sweet Sensation” em Hollywood

A cantora e compositora canadense Rochelle Jordan participou de uma sessão especial do programa carRADIO, produzido pelo canal norte-americano Heds no YouTube. Gravada no banco traseiro de uma BMW 323 enquanto o veículo percorre as ruas de Hollywood, a apresentação traz a artista acompanhada por CHRYSALIS em versões de “Bite The Bait” e “Sweet Sensation”, explorando uma atmosfera mais intimista para suas composições. A performance chega em um momento de intensa atividade na carreira de Rochelle, que recentemente lançou “Disc 3”, terceiro capítulo de uma série de EPs dedicados a remixes do álbum “Through The Wall”. O projeto reúne releituras de produtores da música eletrônica, incluindo Kaytranada, responsável por uma nova versão de “TTW”, TOKiMONSTA, que recriou “The Boy”, e Mirasia, que trabalhou em “On 2 Something”. A série também contou com participações de nomes como Honey Dijon, Ron Trent, Chad Hugo, Terry Hunter e Shanti Celeste nos dois primeiros volumes. A proposta é explorar novas possibilidades para as composições originais, aproximando o R&B alternativo de Rochelle de diferentes vertentes da house music e da música eletrônica contemporânea. Outro destaque recente foi o convite de Mariah Carey para participar do remix oficial de “Didn’t Mean To Turn You On”, lançado como parte das comemorações pelos 25 anos da trilha sonora de “Glitter”. A colaboração amplia a presença de Rochelle em projetos que conectam diferentes gerações do R&B. A sessão no carRADIO também acontece pouco depois da estreia da cantora nos palcos brasileiros, durante o ZIG Festival, em São Paulo. Agora, Rochelle Jordan segue com sua agenda internacional, incluindo apresentações na América do Norte ao lado de Suki Waterhouse. Com a performance em Hollywood e a sequência de remixes de “Through The Wall”, Rochelle continua explorando diferentes formatos para apresentar seu repertório, alternando produções eletrônicas elaboradas com interpretações mais próximas e espontâneas.
Damien Rice retorna ao Brasil em 2027 para celebrar 25 anos do álbum “O”

O cantor e compositor irlandês Damien Rice anunciou um show especial em São Paulo para o dia 3 de maio de 2027, na Sala São Paulo. A apresentação faz parte da turnê “25 Years, 25 Cities”, que celebra os 25 anos de “O”, álbum de estreia lançado em 2002. O projeto prevê apresentações em 25 cidades e marca o retorno do músico ao Brasil com um repertório dedicado ao disco que o projetou internacionalmente. Lançado de maneira independente, “O” tornou-se um dos trabalhos mais reconhecidos do folk dos anos 2000, reunindo composições como “The Blower’s Daughter”, “Cannonball” e “Delicate”. A primeira ganhou ainda mais popularidade ao integrar a trilha sonora do filme “Closer – Perto Demais” (2004), ajudando a apresentar a música de Rice a um público mais amplo. A história do álbum também chama a atenção pelas circunstâncias de sua criação. Depois de abandonar um contrato com uma gravadora, Rice passou um período viajando pela Europa e tocando nas ruas antes de retornar à Irlanda. Com recursos emprestados pelo pai e apoio do compositor David Arnold, gravou e produziu o disco em casa, sem grandes expectativas comerciais. O resultado foi um trabalho marcado por arranjos minimalistas, interpretações intensas e letras confessionais, características que se tornariam fundamentais em sua carreira. Ao longo das décadas seguintes, Damien Rice manteve uma relação particular com a indústria musical, alternando lançamentos, turnês e longos períodos de afastamento. Sua discografia inclui ainda “9” (2006) e “My Favourite Faded Fantasy” (2014), mas as composições de “O” permaneceram entre as mais celebradas de seu repertório. A turnê comemorativa propõe justamente um reencontro com essas músicas, agora sob a perspectiva de um artista que acumulou 25 anos de experiências desde a estreia. Conhecido por apresentações intimistas, Rice costuma explorar os contrastes entre silêncio e intensidade, com interpretações que frequentemente ganham novos arranjos ao vivo. A apresentação brasileira será realizada pela Move Concerts. A pré-venda para o fã-clube começa em 21 de outubro, às 10h, enquanto a venda geral terá início em 23 de outubro, também às 10h, pelo site da Sala São Paulo. Serviço – Damien Rice em São Paulo Turnê: 25 Years, 25 CitiesData: 3 de maio de 2027 (segunda-feira)Local: Sala São PauloEndereço: Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, São PauloAbertura: 19h30Show: 20h30Pré-venda para fãs: 21 de outubro de 2026, às 10hVenda geral: 23 de outubro de 2026, às 10hIngressos: Site oficial da Sala São Paulo
Vitor Isensee resgata lado melódico em “Pra Cima Todo Santo Ajuda”, segundo álbum solo

Vitor Isensee, conhecido por sua trajetória no Forfun e no Braza, lançou “Pra Cima Todo Santo Ajuda”, segundo álbum de sua carreira solo. O trabalho reúne composições desenvolvidas ao longo dos últimos dez anos e marca um retorno à canção, privilegiando melodias, letras intimistas e arranjos mais leves. A proposta é transformar experiências cotidianas, reflexões sobre o tempo e pequenos acontecimentos da vida em músicas que transitam entre a cidade e a natureza. Produzido por Júlio Raposo, que já trabalhou com Os Garotin e Tiago Iorc, o disco também conta com coprodução do próprio Vitor e participações de Vovô Bebê na produção de algumas faixas. A sonoridade procura recuperar a espontaneidade das primeiras composições do músico, deixando em segundo plano estruturas mais complexas e priorizando a simplicidade melódica. “Fui buscar uma forma mais ingênua de compor, como fazia lá no começo do Forfun ou nas músicas mais reflexivas do Braza. É menos falado e mais cantado. Menos pensado e mais sentido”, explica Vitor. A declaração ajuda a compreender a proposta do álbum, que procura estabelecer uma conexão direta com o ouvinte sem depender de grandes experimentações ou de uma produção excessivamente elaborada. Confira aqui a entrevista com Vitor Isensee falando sobre o novo álbum Essa escolha também representa um contraste interessante com parte de sua trajetória recente. Enquanto o Braza explora uma mistura de ritmos brasileiros, reggae, rap e música eletrônica, “Pra Cima Todo Santo Ajuda” coloca a composição no centro das atenções. A intenção não é necessariamente abandonar essas influências, mas encontrar um espaço no qual a voz, a melodia e a mensagem conduzam as músicas. O título funciona como uma síntese do conceito. Ao recuperar uma expressão popular, Vitor aborda a necessidade de continuar seguindo em frente mesmo diante das dificuldades. Existe uma tentativa de encontrar beleza nas pequenas experiências e de transformar a passagem do tempo em algo menos angustiante. A leveza, nesse contexto, aparece não como ausência de problemas, mas como uma maneira de enfrentá-los. Fundador do Forfun, banda que esteve em atividade entre 2001 e 2015 e se tornou uma referência do rock alternativo brasileiro, Vitor construiu uma carreira marcada pela combinação de diferentes estilos e por letras que acompanharam o amadurecimento de seu público. Atualmente, segue como integrante do Braza, contribuindo com teclados e composições. Sua estreia solo aconteceu em 2020, com “Vida e Nada Mais”, lançado sob o nome artístico Izenzee e com participações de Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco. Fora da música, o artista também publicou os livros de poesia “Vivas Veredas” e “A Todo Pano”, ampliando uma relação com a palavra que atravessa diferentes momentos de sua produção artística. Com “Pra Cima Todo Santo Ajuda”, Vitor Isensee apresenta um trabalho que valoriza a canção em sua forma mais direta. Em vez de buscar uma ruptura com o passado, o músico recupera características presentes desde os primeiros anos do Forfun e as observa sob a perspectiva de quem acumula mais de duas décadas de carreira. É um disco sobre continuar caminhando, mesmo quando a subida parece difícil, sem perder a capacidade de encontrar algum encanto pelo caminho.
Pitty volta às guitarras em novo álbum sem abrir mão da experimentação

“Pitty”, sexto álbum de inéditas de Pitty, chegou nesta sexta-feira (16) pela Deck e encerra um intervalo de sete anos desde “Matriz” (2019). São 13 faixas que apresentam uma artista disposta a revisitar suas origens sem transformar o passado em uma fórmula. O rock continua sendo a espinha dorsal do trabalho, mas agora divide espaço com hip-hop, blues, elementos eletrônicos e ritmos que aproximam algumas composições da pista de dança. A cantora descreveu o processo de criação como a sensação de estar fazendo seu primeiro disco. E essa declaração ajuda a compreender o resultado. Depois de um período de pausa e reorganização, Pitty voltou a compor sozinha com o violão, como fazia na adolescência, em Salvador. A diferença é que, desta vez, assumiu também boa parte da construção instrumental, desenvolvendo riffs, batidas, arranjos e estruturas antes de apresentar as músicas ao produtor Rafael Ramos. Essa autonomia aparece como uma das principais características do álbum. Em vez de um trabalho montado a partir de ideias fragmentadas e posteriormente organizadas em estúdio, “Pitty” nasceu de composições praticamente prontas, desenvolvidas em menos de dois meses. O resultado preserva uma identidade bastante reconhecível, mas permite que a artista explore caminhos que nem sempre caberiam nos primeiros discos de sua carreira. A abertura (clipe acima) com “Sobremesa” é uma escolha certeira. O riff de guitarra estabelece imediatamente uma conexão com a Pitty que conquistou o público nos anos 2000, enquanto o refrão demonstra que sua capacidade de construir melodias marcantes continua intacta. Não é uma tentativa de reproduzir “Admirável Chip Novo”, mas existe uma familiaridade que ajuda a estabelecer o ponto de partida para as experiências seguintes. Em “Armadura”, a cantora mostra que peso e ritmo dançante não precisam ocupar espaços opostos. A faixa encontra uma maneira de preservar a presença das guitarras enquanto amplia o movimento da música. Já “DESOBEDIENTE”, produzida também por Nave, incorpora uma batida de hip-hop e demonstra uma disposição maior para brincar com estruturas e referências. São escolhas que reforçam a versatilidade do álbum, embora nem todas as mudanças de direção tenham o mesmo impacto. A aproximação com a pista de dança continua em “Sobriedade Seletiva” e “Pileque de Poeta”, ambas com coprodução de Felipe Vassão. As duas ajudam a estabelecer uma característica importante do disco: Pitty parece menos preocupada em defender uma ideia rígida do que significa fazer rock. As guitarras permanecem, mas não precisam dominar todos os espaços. “Não à Deriva” segue por esse caminho, reforçando a diversidade de ritmos. Essa liberdade, no entanto, também traz algumas irregularidades. A quantidade de caminhos explorados faz com que o álbum nem sempre apresente a mesma coesão de trabalhos anteriores. Há momentos em que a experimentação acrescenta personalidade às composições e outros em que a mudança de linguagem parece mais interessante como proposta do que como resultado. Não chega a comprometer o disco, mas impede que suas 13 faixas mantenham o mesmo nível de impacto. A dimensão lírica também merece atenção. Em “Caminhada”, Pitty aborda parceria e sororidade, valorizando a importância das relações de apoio em momentos de vulnerabilidade. “Amiga” amplia essa abordagem com novas camadas de percussão, enquanto “Álbum de Casamento” encontra espaço para referências ao blues. São exemplos de uma compositora que continua interessada em observar relações humanas, contradições e transformações pessoais, sem depender exclusivamente da indignação que marcou parte de seu repertório inicial. Talvez o aspecto mais interessante de “Pitty” esteja justamente nessa relação com o passado. Seria fácil apostar em um disco inteiramente construído sobre riffs pesados, refrões explosivos e referências ao início dos anos 2000. Existe público para isso, especialmente em um momento no qual a nostalgia daquela década ocupa tanto espaço no mercado musical. Mas a artista prefere não ficar presa à própria história. Também seria injusto tratar essa diversidade como uma novidade absoluta. Ao longo da carreira, Pitty já demonstrou interesse por diferentes linguagens, especialmente em trabalhos como “Chiaroscuro” (2009) e “Setevidas” (2014). O que muda agora é a maneira como essas influências convivem dentro de um mesmo repertório, com uma produção que permite alternar momentos mais crus e passagens de maior elaboração sonora. O álbum não precisa superar “Admirável Chip Novo” ou “Anacrônico” para justificar sua existência. Aqueles discos pertencem a momentos específicos da carreira da cantora e da própria música brasileira. Compará-los exclusivamente pela quantidade de riffs ou de possíveis hits seria ignorar mais de duas décadas de amadurecimento artístico. No balanço final, “Pitty” é um trabalho que ganha pontos pela liberdade criativa, ainda que essa mesma característica provoque algumas oscilações. Seus melhores momentos aparecem quando a experimentação surge naturalmente dentro das canções, sem deixar que a produção se sobreponha à composição. Não é um retorno às origens, tampouco uma reinvenção completa. É o retrato de uma artista que conhece muito bem sua identidade, mas ainda encontra motivos para questioná-la. A nova fase também chega aos palcos imediatamente. A turnê estreia neste sábado (17), em São Paulo, com ingressos esgotados, situação que se repete em Belo Horizonte, Porto Alegre e Vitória. Até dezembro, a cantora também passará por Curitiba, Recife, Ribeirão Preto, Sorocaba, Balneário Camboriú e Leopoldina, com novas apresentações previstas para serem anunciadas. Sete anos depois de “Matriz”, Pitty entrega um álbum que não procura respostas definitivas sobre seu lugar no rock brasileiro. E talvez seja justamente essa inquietação, mais do que qualquer riff ou refrão, o elemento que melhor conecta a artista de hoje àquela que surgiu no começo dos anos 2000.
Após chegar ao topo das rádios de rock nos EUA, A Perfect Circle lança clipe e prepara retorno ao Brasil

A banda A Perfect Circle lançou o videoclipe oficial de “Starless”, single que alcançou o topo das rádios de rock nos Estados Unidos. A música marca uma nova fase do grupo liderado por Billy Howerdel e Maynard James Keenan, mantendo a combinação de atmosferas sombrias e guitarras densas, marca registrada. O lançamento também sucede a chegada de “To Whom It May Concern”, outra composição inédita disponibilizada recentemente. Liricamente, “Starless” apresenta uma crítica ao autoritarismo e às estruturas de poder, abordando discursos que prometem proteção enquanto exigem obediência e desencorajam o pensamento crítico. A imagem de um céu sem estrelas funciona como metáfora para a perda de referências e de esperança diante de um cenário de manipulação e incerteza. O videoclipe acompanha essa proposta com uma estética visual igualmente sombria. A novidade chega pouco antes do retorno do A Perfect Circle ao Brasil. A banda se apresenta em 27 de novembro de 2026, no Suhai Music Hall, em São Paulo, encerrando uma espera de mais de uma década por uma nova apresentação no país. A noite contará ainda com o Puscifer, outro projeto de Maynard James Keenan, como atração de abertura. Formado em 1999, o A Perfect Circle estreou com “Mer de Noms” (2000), álbum que apresentou músicas como “Judith” e “3 Libras” e ajudou a estabelecer o grupo como um dos principais nomes do rock alternativo dos anos 2000. A discografia continuou com “Thirteenth Step” (2003), “eMOTIVe” (2004) e “Eat the Elephant” (2018), trabalho que encerrou um intervalo de 14 anos sem lançamentos de estúdio. Além da passagem pela América Latina, o grupo já anunciou uma turnê norte-americana para 2027, com apresentações ao lado do The Cult e passagens por espaços como Red Rocks Amphitheatre e Hollywood Bowl. “Starless” e “To Whom It May Concern” estão disponíveis nas plataformas digitais pela BMG.
Gang of Four retorna ao Brasil em março de 2027 com shows em São Paulo e Curitiba

O Gang of Four, um dos nomes fundamentais do pós-punk britânico, anunciou dois shows no Brasil em março de 2027. A banda se apresenta no Cine Joia, em São Paulo, no dia 13, e no Cine Lido, em Curitiba, no dia 14. As apresentações, realizadas pela Maraty e Powerline Music & Books, abrem uma turnê sul-americana que também passará por Buenos Aires, na Argentina, e Santiago, no Chile. A confirmação acontece pouco mais de um ano depois de o grupo anunciar a turnê de despedida “The Long Goodbye”, realizada em 2025. Na ocasião, os fundadores Jon King e Hugo Burnham indicaram que aquela seria a última grande excursão da banda. Posteriormente, King esclareceu que a despedida dizia respeito às turnês extensas, e não ao encerramento definitivo das atividades do Gang of Four. A formação que desembarca no Brasil reúne Jon King nos vocais e Hugo Burnham na bateria, acompanhados por Gail Greenwood, conhecida pelos trabalhos com Belly e L7, no baixo, e Ted Leo, do Ted Leo & The Pharmacists, na guitarra. Em abril de 2026, o quarteto lançou “NO KINGS HERE!”, primeira música inédita dessa configuração, produzida por Nick Launay. Formado em Leeds, na Inglaterra, em 1976, o Gang of Four ajudou a estabelecer as bases do pós-punk ao combinar a urgência do punk rock com elementos de funk e dub. Seu álbum de estreia, “Entertainment!” (1979), tornou-se uma das principais referências do gênero e aparece na lista dos 500 maiores discos de todos os tempos da Rolling Stone. O trabalho abriu caminho para lançamentos como “Solid Gold” (1981) e “Songs of the Free” (1982). A influência do grupo atravessou gerações e chegou a artistas como R.E.M., Red Hot Chili Peppers, Nirvana e Rage Against the Machine. No Brasil, a banda também deixou marcas importantes: Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana, já reconheceu a influência do guitarrista Andy Gill na construção de “Ainda é Cedo”. Gill, que morreu em 2020, chegou a participar de um tributo aos 30 anos da Legião Urbana, realizado em São Paulo em 2012. Durante a turnê de 2025, o Gang of Four apresentou “Entertainment!” na íntegra, seguido por um segundo bloco de músicas de diferentes fases da carreira. O retorno ao Brasil oferece uma nova oportunidade de acompanhar o repertório de uma banda cuja mistura de guitarras angulares, ritmos dançantes e letras de crítica social permanece influente quase cinco décadas depois de sua formação. Serviço – Gang of Four no Brasil São Paulo Curitiba
Mötley Crüe resgata versão original de “Take Me To The Top” após 45 anos

O Mötley Crüe disponibilizou nas plataformas digitais uma versão remasterizada de “Take Me To The Top”, gravada originalmente em 1981 para a primeira edição de “Too Fast For Love”. A faixa, lançada na época pelo selo independente Leathür Records, chega ao streaming pela primeira vez e antecipa a edição comemorativa de 45 anos do álbum de estreia da banda, prevista para 30 de outubro pela BMG. A gravação recupera um dos primeiros registros do grupo, anterior à reformulação do disco pela Elektra Records em 1982. “Take Me To The Top” também voltou recentemente ao repertório dos shows do Mötley Crüe depois de 42 anos de ausência, durante a turnê norte-americana “The Return Of The Carnival Of Sins”, que passou por 33 cidades e reuniu quase meio milhão de espectadores. Lançado originalmente em 1981, com uma tiragem inicial de apenas 900 cópias, “Too Fast For Love” ajudou a estabelecer as bases da cena hard rock de Los Angeles nos anos 1980. A mistura de energia punk, visual glam e apresentações intensas chamou a atenção da Elektra Records, que assinou com o quarteto poucos meses depois. A nova edição do álbum, lançada em agosto de 1982, ampliou o alcance da banda com músicas como “Live Wire”, impulsionada também pela exposição na então recém-criada MTV. Para celebrar o aniversário, o Mötley Crüe preparou um box comemorativo que reúne as versões remasterizadas de 1981 e 1982, gravações raras e inéditas de um show realizado no Perkins Palace em 1982 e as primeiras demos de estúdio, registradas em março de 1981. O material inclui ainda uma réplica da fita cassete original, compacto de sete polegadas, livro de fotografias com 100 páginas e outros itens de colecionador. O relançamento também coincide com novas marcas comerciais alcançadas pelo catálogo da banda. “Kickstart My Heart” ultrapassou 1 bilhão de reproduções no Spotify, enquanto “Dr. Feelgood” recebeu certificação de nove vezes platina nos Estados Unidos. Outros clássicos, como “Girls, Girls, Girls”, “Home Sweet Home” e “Live Wire”, também conquistaram novas certificações. Com a edição de 45 anos de “Too Fast For Love”, o Mötley Crüe revisita o período anterior ao sucesso mundial, quando Nikki Sixx, Tommy Lee, Mick Mars e Vince Neil ainda construíam sua identidade nos clubes de Los Angeles. O material recupera gravações que documentam o início de uma trajetória que ajudaria a definir o hard rock da década seguinte.
Pet Shop Boys revisita vida e legado de Alan Turing em novo álbum

O Pet Shop Boys lançou “A Man from the Future”, álbum conceitual inspirado na trajetória de Alan Turing, matemático britânico considerado um dos pioneiros da computação moderna. Desenvolvido em parceria com Andrew Hodges, autor da biografia “Alan Turing: The Enigma”, o trabalho reúne oito faixas que combinam música eletrônica, arranjos orquestrais e narração para contar a história de um dos nomes mais importantes da ciência do século XX. O projeto acompanha cronologicamente a vida de Turing, desde a juventude e o interesse pela matemática até sua participação na Segunda Guerra Mundial, quando teve papel fundamental nos esforços britânicos para decifrar mensagens criptografadas pela máquina alemã Enigma. O disco também aborda suas contribuições para o desenvolvimento dos computadores e suas ideias pioneiras sobre inteligência artificial. A narrativa não deixa de lado a perseguição sofrida pelo cientista em razão de sua homossexualidade. Condenado pela Justiça britânica em 1952, Turing morreu por suicídio dois anos depois, aos 41 anos. A última faixa inclui um trecho de um pronunciamento feito em 2009 pelo então primeiro-ministro Gordon Brown, que pediu desculpas oficialmente pelo tratamento recebido pelo matemático. Em 2013, Turing recebeu um perdão real póstumo da rainha Elizabeth II. Musicalmente, “A Man from the Future” apresenta composições de Neil Tennant e Chris Lowe acompanhadas por narrações da atriz Juliet Stevenson, baseadas na biografia escrita por Hodges. Os arranjos orquestrais são assinados por Sven Helbig e executados pelo Manchester Camerata Octet, enquanto integrantes do coro masculino da Manchester Grammar School participam de quatro músicas. A obra, na verdade, não é inteiramente inédita. Sua primeira versão foi desenvolvida entre 2012 e 2013 e apresentada em julho de 2014, durante a série BBC Proms, no Royal Albert Hall, em Londres. Na ocasião, o Pet Shop Boys dividiu o palco com a BBC Concert Orchestra e os BBC Singers. Mais de uma década depois, a dupla decidiu revisitar a composição, ampliando a presença dos elementos eletrônicos e substituindo a formação orquestral original por um conjunto de oito instrumentistas de cordas. Segundo Tennant e Lowe, a intenção sempre foi homenagear um homem que contribuiu decisivamente para a ciência e para seu país, mas acabou perseguido por sua sexualidade. A dupla destaca que Turing não apenas antecipou possibilidades da computação moderna, como também imaginou uma sociedade na qual a homossexualidade seria aceita naturalmente. Lançado pela Parlophone Records, “A Man from the Future” transforma essa trajetória em uma narrativa musical que atravessa ciência, guerra, preconceito e reconhecimento histórico, aproximando o universo eletrônico do Pet Shop Boys de uma das histórias mais marcantes do século passado.