The Bombers e Gritando HC são destaques do Festival de Inverno de Paranapiacaba neste domingo

O The Bombers e o Gritando HC estão entre os principais nomes da programação do 25º Festival de Inverno de Paranapiacaba, que acontece neste domingo (26), na histórica vila ferroviária de Santo André. A banda santista sobe ao palco da Magia Beer às 16h, enquanto o Gritando HC também integra a programação, que ainda reúne atrações como Lokomotive Rocks, Dammit, Molinas, Black Mantra, Banda Magazine e Divazz. A apresentação do The Bombers antecede o lançamento de Noite Alucinante: 30 Anos Ao Vivo, previsto para 30 de julho. Gravado durante o show comemorativo das três décadas da banda, o álbum será lançado nas plataformas digitais, em CD e em uma edição limitada em VHS. Além dos shows, o Festival de Inverno de Paranapiacaba oferece entrada gratuita e uma programação cultural com feira de vinil, cinema, teatro, circo, exposições, contação de histórias, duas praças de alimentação e dezenas de cafés, pubs e restaurantes espalhados pela vila.

Lesoir lança single inspirado na hipótese de Gaia e anuncia novo álbum para outubro

A banda holandesa de prog art rock Lesoir lançou nesta sexta-feira (24) o single Is It Nothing?, primeira amostra de Tomorrow Is Now Today, novo álbum que chega às plataformas de streaming e em formatos físicos no dia 23 de outubro, pela gravadora belga V2 Records. A novidade antecede um período movimentado para o quinteto, que também foi confirmado como banda de abertura da turnê europeia de Anneke van Giersbergen (The Gathering) em novembro. Inspirada na hipótese de Gaia, desenvolvida pelo cientista James Lovelock, Is It Nothing? propõe uma reflexão sobre a Terra como um organismo vivo e autorregulador. A letra aborda a responsabilidade coletiva da humanidade diante das mudanças climáticas e questiona se ainda há tempo para alterar o rumo dos acontecimentos. Em vez de oferecer respostas definitivas, a faixa convida o ouvinte a refletir sobre a urgência de novas ideias e ações para preservar o planeta. Musicalmente, o single reúne elementos que definem a identidade do Lesoir: vocais atmosféricos, passagens de rock progressivo, texturas cinematográficas e uma dinâmica que alterna momentos delicados e explosões de intensidade. Segundo a vocalista Maartje Meessen, a música representa a essência da banda. “Is It Nothing? é a faixa de art rock por excelência deste álbum. É Lesoir do início ao fim”, afirma. Para ela, a composição reforça a importância de a humanidade estar aberta a “ideias novas e, acima de tudo, boas”. O lançamento também ganhou um lyric video com estética psicodélica, que explora um universo onde raízes, neurônios, veias, cidades e florestas de cogumelos se fundem em uma sequência de imagens em constante transformação. A produção acompanha as mudanças de intensidade da música e reforça o contraste entre natureza, tecnologia e intervenção humana. Tomorrow Is Now Today marca mais um capítulo na evolução do Lesoir, consolidando a proposta da banda de unir rock progressivo, rock alternativo e narrativas de forte carga emocional. O disco será lançado pela V2 Records, selo independente europeu que reúne artistas como Moby, Mumford & Sons, Skunk Anansie, Kaiser Chiefs, Temples e Blood Red Shoes. A pré-venda já está disponível no site oficial da banda e inclui, como bônus, o álbum digital Lesoir Live at Hedon 2025. Formado em 2009, na cidade de Maastricht, o Lesoir construiu uma trajetória sólida dentro da cena progressiva europeia. O grupo ganhou projeção internacional ao excursionar com o Riverside e ampliou seu alcance com os álbuns Mosaic (2019) e Push Back The Horizon (2024), este último produzido por John Cornfield, com produção vocal de Paul Reeve e masterização de Steve Kitch, do The Pineapple Thief. Agora, a banda chega a uma nova fase criativa, apostando em um trabalho que combina maturidade musical e reflexões sobre os desafios contemporâneos.

Grave retorna ao Brasil com formação original para show em São Paulo

O Grave, um dos principais nomes da primeira geração do death metal sueco, voltará ao Brasil no dia 7 de outubro para uma apresentação no Burning House, em São Paulo. O show reunirá Ola Lindgren, Jörgen Sandström, Jens “Jensa” Paulsson e Jonas Torndal, resgatando a formação responsável por consolidar a identidade da banda no início dos anos 1990. A abertura ficará por conta da brasileira Infamous Glory. A apresentação faz parte da turnê latino-americana de 2026, que também passa por Santiago, no Chile, e Cidade do México. Em São Paulo, o repertório será dedicado aos álbuns Into the Grave (1991) e You’ll Never See… (1992), dois discos considerados fundamentais para o desenvolvimento do death metal sueco e que ajudaram a transformar o Grave em uma das maiores referências do gênero. Formado em 1988, após atuar inicialmente sob o nome Corpse, o Grave integrou a geração que colocou a Suécia no mapa do metal extremo ao lado de bandas como Entombed, Dismember e Unleashed. Ao longo da carreira, o grupo lançou 11 álbuns de estúdio e excursionou pelo mundo ao lado de nomes como Death, Cannibal Corpse, Morbid Angel e Bolt Thrower, consolidando sua influência na cena internacional. O reencontro da formação clássica aconteceu em 2025, em Estocolmo, e a resposta positiva do público motivou a ampliação da agenda para 2026, incluindo a aguardada passagem pela América Latina. O show também marca o retorno do Grave ao Brasil após 14 anos, oferecendo aos fãs a oportunidade de assistir à formação responsável por alguns dos capítulos mais importantes da história da banda. Serviço Grave em São PauloData: 7 de outubro de 2026 (quarta-feira)Local: Burning HouseEndereço: Avenida Santa Marina, 247, Água Branca, São Paulo (SP)Banda convidada: Infamous GloryRealização: Caveira Velha Produções e Xaninho Discos

My Dying Bride anuncia seu primeiro show da história em São Paulo em novembro

Treze anos depois de sua única passagem pelo Brasil, o My Dying Bride finalmente fará sua estreia em São Paulo. Um dos principais nomes da história do doom metal britânico se apresenta em 29 de novembro, no Fabrique Club, com Mikko Kotamäki, vocalista do Swallow The Sun, assumindo os vocais. A realização é da Firebird Industries, Matrix Entertainment e Kool Metal Fest. Formado em Bradford, na Inglaterra, em 1990, o My Dying Bride foi fundamental para estabelecer as bases do death-doom britânico. Ao lado de Paradise Lost e Anathema, o grupo integrou a chamada Trindade do Doom Metal, responsável por combinar elementos do death metal com andamentos arrastados, atmosfera gótica, violinos e uma forte carga melancólica. Discos como Turn Loose the Swans (1993) e The Angel and the Dark River (1995) se tornaram referências do gênero e ajudaram a influenciar diferentes gerações dentro do metal. A apresentação no Fabrique Club acontece 13 anos após o show realizado no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, até então a única passagem da banda pelo país. O repertório deve percorrer mais de três décadas de carreira, além de apresentar músicas de A Mortal Binding, lançado em 2024 pela Nuclear Blast e atual trabalho de estúdio do My Dying Bride. Produzido por Mark Mynett, A Mortal Binding marcou uma aproximação com o lado mais áspero das origens do grupo. Guitarras densas, ritmos fúnebres e a alternância entre vocais limpos e guturais aparecem em faixas como Her Dominion, Thornwyck Hymn, The 2nd of Three Bells, The Apocalyptist e Crushed Embers, com o violino novamente ocupando posição de destaque nos arranjos. O disco também ganhou um significado especial na trajetória do My Dying Bride por ser o último gravado com Aaron Stainthorpe. Vocalista e um dos fundadores da banda, o músico deixou oficialmente o grupo em outubro de 2025. Para a apresentação em São Paulo, a responsabilidade pelos vocais ficará com Mikko Kotamäki, conhecido pelo trabalho à frente do Swallow The Sun. SERVIÇO My Dying Bride em São Paulo Data: 29 de novembro de 2026 Horário: 17h (abertura da casa) Local: Fabrique Club Endereço: Rua Barra Funda, 1071, bairro Barra Funda, São Paulo/SP Ingresso: ticket.com.vc/evento/my-dying-bride-em-sao-paulo

Entrevista | SOJA – “Paulo Coelho, precisamos fazer uma música juntos, amigo”

O SOJA lança em 31 de julho o aguardado álbum Without Surrender, primeiro trabalho de estúdio do grupo norte-americano desde Beauty in the Silence, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Reggae em 2022. Com 14 faixas, o disco inclui “Time Won’t Wait”, parceria com Di Ferrero, vocalista do NX Zero. Lançada como single em 10 de julho, a música aproxima o reggae melódico da banda do universo do rock e do emo brasileiro, enquanto reflete sobre a velocidade do tempo e a necessidade de aproveitar o presente. Formado em 1997, na região de Washington, D.C., o SOJA construiu uma trajetória marcada pela combinação entre reggae, rock e letras sobre questões sociais, ambientais e espirituais. Liderada pelo vocalista e guitarrista Jacob Hemphill, a banda alcançou projeção internacional com discos como Peace in a Time of War, Born in Babylon, Strength to Survive e Amid the Noise and Haste. O grupo também desenvolveu uma relação especial com o público brasileiro, onde já realizou quase 40 apresentações. No entanto, eles não tocam no país desde outubro de 2022, hiato que chegará a quatro anos em 2026. Em sua terceira entrevista com o Blog N’ Roll, Jacob Hemphill falou com carinho sobre a relação do SOJA com o Brasil e confirmou que a banda pretende retornar ao país para a nova turnê. O vocalista também surpreendeu ao revelar sua paixão por bandas de emo e explicou como o gênero influenciou sua tentativa de tornar o reggae mais acessível a diferentes públicos. Hemphill ainda destacou a importância do poema Desiderata, apresentado a ele por seu pai e responsável por mudar sua maneira de enxergar o mundo, além de inspirar os títulos de diferentes álbuns do SOJA. O que mudou na vida de vocês depois da conquista do Grammy? Esse reconhecimento influenciou a maneira como vocês trabalharam no novo álbum? Não. Acho que a questão de ganhar um Grammy é que, na sua mente, você não ganhou um Grammy. Na música, a cada novo nível que você alcança, pensa: “Caramba, preciso mudar tudo. Agora estou nesse nível”. O segredo é perceber que você não pode mudar absolutamente nada. Já se passaram cinco anos desde Beauty in the Silence. Em que momento você percebeu que era hora de começar a construir um novo álbum? O que mudou no SOJA durante esse período, que também foi marcado pela pandemia? Sinceramente, estou escrevendo o tempo todo. Estava escrevendo hoje de manhã. Para mim, música não é: “Agora vou fazer um novo álbum”. A música simplesmente faz parte do meu dia. Quando gosto muito de uma composição, eu a levo para o SOJA e digo: “Aqui está uma música”. Nunca escrevo com o objetivo de fazer um álbum, um videoclipe, ganhar um Grammy, alcançar determinada quantidade de streams ou visualizações. Eu simplesmente gosto de fazer música. Vocês costumam fazer muitas colaborações nos álbuns. Isso também faz parte de uma estratégia para alcançar novos públicos ou é algo que vocês realmente consideram importante para o processo de composição e para a música? Não fazemos isso por estratégia. A resposta é semelhante à anterior: fazemos o que consideramos melhor para a música. Tenho uma música no novo álbum chamada “Did I Wait Too Long?”. É uma composição triste sobre um homem ou uma mulher que tratava a outra pessoa como algo garantido, porque já estava cansado da relação. Enquanto isso, outra pessoa conseguiu enxergar as qualidades que existiam nela. Quando essa pessoa vai embora, você finalmente percebe todas as qualidades que ela tinha. Começamos a colocar algumas influências de country na faixa porque era uma história triste, sobre perder algo e nunca mais conseguir recuperar. Maoli é um artista que mistura reggae e country. Mandamos a música para ele e perguntamos o que achava. Ele respondeu: “Adorei, já tenho uma ideia”. É assim que o processo normalmente funciona. Quando conseguimos imaginar a voz ou as palavras de alguém em uma música, entramos em contato com essa pessoa. O SOJA possui uma forte conexão com o Brasil e já colaborou com Marcelo Falcão e Natiruts. Agora vocês trabalham com Di Ferrero, artista muito ligado ao emo e ao rock. Como surgiu esse convite e como vocês o conheceram? Não fui eu quem fez o convite. Pat O’Shea, nosso tecladista, escreveu a música. Então foram Pat e nosso empresário, Elliott, que conversaram diretamente com o Di. Mas fiquei muito animado porque cresci ouvindo muito emo. Posso até mostrar alguns discos para você. Faça a próxima pergunta que estou te ouvindo, vou separar alguns discos. Nesse momento, Jacob mostra cerca de dez discos em vinil, incluindo Bleed America do Jimmy Eat World, From Under the Cork Tree do Fall Out Boy e o álbum homônimo do Portishead. “Time Won’t Wait” fala sobre como o tempo passa rapidamente. Por coincidência, o último álbum de Di Ferrero também aborda o tempo, mais especificamente os ciclos que as pessoas atravessam a cada sete anos. Vocês sabiam dessa conexão? Acho que foi uma coincidência muito feliz, mas não existia uma conexão planejada. Eu ouço muita música. O emo teve um papel muito importante na maneira como passei a enxergar o reggae, porque aquelas bandas pegaram o punk e o transformaram em algo que poderia chegar às massas. Era isso que eu tentava fazer com o reggae desde o começo: torná-lo mais acessível, para que a mensagem pudesse alcançar mais pessoas. A mensagem do reggae realmente mudou minha vida. Acho que estou apenas tentando levá-la para mais pessoas. O título Without Surrender é uma nova referência ao poema Desiderata, especialmente ao trecho “as far as possible, without surrender”? Sim, com certeza. É o que uso para nomear todos os discos. Era algo que eu compartilhava com meu pai. Foi ele quem me ensinou a tocar e a escrever músicas. Quando fiquei bom o suficiente, ele começou a procurar professores para mim, tanto de guitarra quanto de escrita. Desiderata era um poema que eu e meu pai compartilhávamos o tempo todo. Por isso, passei a usar versos do poema

Entrevista | Moyses dos Santos – “A estrada ensina coisas que nenhuma escola consegue ensinar”

Depois de duas décadas construindo uma sólida carreira em Londres ao lado de artistas como Nile Rodgers, Janelle Monáe, Gregory Porter, Omar e Emeli Sandé, o baixista brasileiro Moyses dos Santos inicia um novo capítulo com Maria, seu primeiro álbum solo. Inspirado pelas lembranças da infância e pela influência da mãe, que dá nome ao disco, o músico reúne maracatu, baião, samba, frevo, jazz, soul, funk e disco em um trabalho que conecta suas raízes nordestinas à cena contemporânea do jazz britânico. O álbum ainda conta com participações de nomes de peso, como Arthur Verocai, Theo Croker e Lynda Dawn, e nasceu após uma reconexão do músico com a cultura brasileira durante uma turnê ao lado do Azymuth e do baterista Ivan “Mamão” Conti. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Moyses dos Santos fala sobre esse reencontro com a música brasileira, os bastidores da criação de Maria e a experiência de construir uma carreira internacional sem perder a identidade brasileira. Você comentou que a turnê com o Azymuth fez você se reconectar com a música brasileira. O que aconteceu durante essa experiência para despertar esse sentimento? Foi uma experiência muito grande. Depois de quase 20 anos morando em Londres, tocando com muita gente daqui e também nos Estados Unidos, entre Londres, Los Angeles e Nova York, a música americana acabou tendo uma influência muito forte na minha vida. Em alguns momentos, a gente acaba deixando um pouco de lado de onde veio. Sempre faço questão de dizer que o Brasil é um país impressionante musicalmente. A cultura, as pessoas, os ritmos… tudo isso faz parte de quem eu sou. Estava faltando alguma coisa e conhecer o Mamão foi muito importante nesse processo. Durante cerca de dois meses e meio de turnê, ele sempre dizia: “Você é brasileiro, não pode esquecer disso”. Não que eu tivesse esquecido, mas ele foi uma influência enorme. As histórias que contava e as conversas sobre os ritmos brasileiros me fizeram lembrar de tudo o que minha mãe me ensinava sobre partido alto, maracatu e tantos outros estilos. A turnê com o Azymuth abriu essa porta para eu voltar às minhas origens e entender novamente quem eu sou musicalmente. E em que momento você decidiu que esse álbum precisava existir? Foi logo depois da turnê. Conversei com a gravadora e falei que queria fazer um disco que unisse o lado brasileiro com a cena do jazz britânico. Eu sentia que finalmente estava preparado para apresentar esse trabalho ao mundo. Em uma jam session em São Paulo toquei uma música minha e pensei: “Esse álbum vai se chamar Maria“, que é o nome da minha mãe. A partir dali decidi que faria um disco totalmente conectado às minhas raízes brasileiras, porque esse é o lugar de onde eu vim. Acho muito bonito quando uma pessoa consegue voltar às próprias origens. Às vezes a gente esquece o quanto a música brasileira é respeitada no mundo. Quando toquei nessa jam e senti a reação das pessoas, tive certeza de que esse álbum precisava existir. Durante o processo de composição, teve algum ritmo brasileiro que você redescobriu? O baião foi um deles, mas principalmente o partido alto. Como comecei tocando na igreja desde criança, o partido alto ainda era algo relativamente novo para mim. Toda vez que eu tentava tocar, errava alguma coisa. O Mamão sempre me explicava como funcionava. Além da parte musical, tinham as histórias que ele contava sobre encontros com Fela Kuti, Jaco Pastorius e tantos outros músicos. O próprio Félix Pastorius, filho do Jaco e amigo meu, sempre fala que o brasileiro tem melodia. Acho que precisamos olhar mais para a nossa própria música. Ela é realmente incrível. Você foi para a Inglaterra para estudar, mas acabou largando tudo pela estrada. O que a estrada ensinou que nenhuma escola poderia ensinar? Boa pergunta! Acho que a música é uma língua universal. Estudar, aprender teoria e ler partitura é importante, mas a estrada ensina coisas que nenhuma escola consegue ensinar. Tocar todos os dias, conhecer repertórios diferentes, passar por estilos como jazz, soul, música brasileira. Isso forma qualquer músico. Foi por isso que saí da faculdade. Quatro anos depois eu estava tocando com alguns dos meus próprios professores. Eles falavam: “Você aprendeu o groove na rua. Continua assim”. E a lenda Arthur Verocai participa do álbum. Como surgiu esse convite? E eu inda não conheci o Arthur pessoalmente, acredita? Mas espero que isso aconteça em breve. Quem fez essa ponte foi a afilhada dele, com quem trabalhei. Eu falei que existia uma música em que seria um sonho ter a participação dele. Nem sabia se ele aceitaria, porque o álbum ainda nem tinha sido lançado. Quando mandei a música, ele gostou e gravou os arranjos de cordas no Rio de Janeiro com uma orquestra. Quando recebi aquilo, pensei: “Agora essa música está pronta”. Foi um momento inesquecível. Sou muito grato por ele ter aceitado participar. O disco reúne músicos de diferentes partes do mundo. Como funciona esse processo de colaboração? Muitas vezes começa com uma ideia muito clara na minha cabeça. Na música Brazilian Spirit, por exemplo, eu já imaginava o Theo Croker tocando. Gravamos primeiro um trombonista fazendo uma referência ao solo que eu imaginava para o trompete. Depois mandei para o Theo.Ele ouviu, entrou no estúdio e gravou praticamente tudo em um take. Depois voltou apenas para trocar uma única nota. Às vezes você precisa confiar na sua intuição. Nem sempre dá certo, mas, quando dá, é mágico. Você sempre foi do time dos amplificadores. Continua assim? Até duas semanas atrás, sim. Um amigo que trabalha comigo falou que eu precisava experimentar alguns pedais e montou um setup para mim. Ainda estou aprendendo, vamos ver. O baixo aparece bastante no álbum, mas nunca tenta roubar a cena. Isso foi pensado desde o início? Porque é um álbum de baixista sem que você assuma o protagonismo em prol da música. Sim. Eu sempre começo compondo a partir de uma linha de baixo. Foi assim com

Review | Finn Wolfhard deixa Stranger Things para trás com um dos discos de rock mais interessantes do ano

Foi impossível ouvir Fire From The Hip sem pensar em um encontro entre o virtuosismo dos Rolling Stones e a crueza do The Strokes. Finn Wolfhard era uma incógnita quando dei o play no álbum. E ele encontrou um ponto de equilíbrio curioso entre o rock clássico e a urgência do indie dos anos 2000, criando um disco que soa familiar sem parecer nostálgico demais. Seu segundo álbum solo deixa claro que a música já é realidade e não mais um projeto paralelo. Muito além do sucesso de Stranger Things, Wolfhard se firma como um compositor que entende muito bem de guitarras, melodias e, principalmente, de boas canções. Ele mostra uma maturidade incrível para um jovem de 23 anos que passou a adolescência vendo o rock longe do mainstream. Quem ouviu Happy Birthday certamente perceberá uma evolução evidente. Se o debut tinha um charme quase caseiro, com cara de coleção de demos ou até mesmo uma aventura, Fire From The Hip apresenta uma produção mais encorpada, gravada em fita analógica, mas sem perder a espontaneidade. O álbum mantém aquela sensação de banda tocando junta na garagem, privilegiando dinâmica e calor humano em vez da perfeição digital. É exatamente esse aspecto que torna o disco tão cativante. As influências aparecem o tempo inteiro, mas nunca como cópia. Consegui pescar power pop sessentista, garage rock, folk, glam, country e indie rock convivendo naturalmente. Faixas como “I’ll Let You Finish”, “Common Side Effects” e “Crater” entregam refrães grudentos e guitarras afiadas, enquanto “Lights Go Down”, “Trail”, “Maggie” e “The Climb” desaceleram a experiência sem quebrar o ritmo do álbum. Já “Follow” e “Tunnels” mostram um Finn mais confiante como compositor, escrevendo letras que falam sobre crescimento, despedidas e amadurecimento sem soar pretensioso. O grande mérito de Fire From The Hip está justamente em não tentar impressionar pelo excesso, o que seria até normal para um ator de grande sucesso com seus vinte e poucos anos. Não há solos intermináveis, produções gigantescas ou experimentações mirabolantes. Finn Wolfhard preferiu trabalhar com melodias fortes, guitarras que parecem sair diretamente de um amplificador valvulado antigo e arranjos que fazem o disco fluir de maneira extremamente natural. Em apenas 35 minutos, ele entrega um álbum coeso, divertido e que convida o ouvinte a voltar para a primeira faixa assim que termina. Talvez alguns sintam falta de momentos mais ousados. Em determinados trechos, Wolfhard joga relativamente seguro dentro da estética que escolheu explorar. Mas isso pouco atrapalha o resultado final. Pelo contrário: Fire From The Hip é um daqueles discos que crescem justamente pela consistência. Sem depender da fama conquistada como ator, Finn mostra que encontrou uma identidade própria na música e que pode seguir os passos de sucesso de seu companheiro Djo. E, se continuar evoluindo nesse ritmo, não demorará para vermos ele em um grande show no Brasil.

Review | Jack White prova que ainda não precisa reinventar o rock em Frozen Charlotte

Jack White nunca foi um artista preocupado em seguir tendências. Desde o fim do White Stripes, sua obsessão sempre foi outra: provar que guitarra, amplificador valvulado e um punhado de riffs ainda são suficientes para fazer um grande disco de rock. Em Frozen Charlotte, seu sétimo álbum solo, ele reforça essa convicção sem pedir licença. O resultado não é revolucionário, mas também está longe de soar acomodado. É um disco que vive da tensão, do improviso e da sensação de que tudo pode desmoronar a qualquer momento. Quem esperava algo na linha experimental de Boarding House Reach pode estranhar a direção escolhida. Assim como aconteceu em No Name, Jack White aposta novamente em um rock cru, pesado e direto, mas agora com uma produção mais encorpada. E eu gosto deste lado dele. Como parte da banda, Patrick Keeler, Dominic Davis e Bobby Emmett não funcionam apenas como músicos de apoio. Eles participaram ativamente da construção das músicas, dando ao álbum uma energia de banda tocando ao vivo, sem excessos de produção ou polimento. A abertura com “G.O.D. and the Broken Ribs” já deixa claro que o álbum não pretende ser burocrático. White mistura referências de blues, garage rock e um senso quase teatral de caos para criar uma atmosfera que atravessa praticamente todo o trabalho. Em seguida, riffs explosivos conduzem faixas como “Dollar Bill”, a minha favorita, “Thick As Thieves”, “Making Contact” e “I Can’t Believe What I’m Hearing”, mostrando um guitarrista que continua encontrando novas formas de extrair personalidade de elementos que conhece há décadas. O disco soa intenso, sujo e divertido, como se tivesse sido gravado com a urgência de quem ainda tem algo a provar. Ao mesmo tempo, Frozen Charlotte também evidencia algumas limitações. Na reta final, a insistência na mesma fórmula faz algumas músicas perderem impacto, quase como um repeat voltando ao começo do álbum. A falta de variedade me deixou a sensação de que o álbum era um pouco mais longo do que realmente é, principalmente quando comparado ao dinamismo de No Name. Não chega a comprometer a experiência, mas reduz aquela sensação de surpresa que sempre acompanhou os melhores trabalhos de Jack White. Ainda assim, há algo admirável na forma como Jack White encara sua carreira em 2026. Enquanto muitos artistas buscam desesperadamente se adaptar aos algoritmos ou modernizar o próprio som, ele segue suas regras. Não há participações inesperadas, experimentos eletrônicos ou concessões às tendências. Há apenas um músico completamente obcecado pelo rock, transformando blues, garage, glam e hard rock em um álbum intenso e honesto. Talvez essa seja justamente a maior qualidade de Frozen Charlotte: ele não tenta convencer ninguém de que o rock ainda está vivo. Apenas toca como se isso nunca tivesse deixado de ser verdade.

Melton Sello estreia em álbum com OPA! e reforça identidade do pop punk nacional

Depois de construir sua trajetória com uma sequência de singles e um EP, o Melton Sello finalmente lançou seu primeiro álbum de estúdio. Intitulado OPA! (“O Primeiro Álbum!”), o trabalho reúne a essência pop punk e emo que marcou a identidade da banda desde o início, mas agora com uma produção mais madura e referências ampliadas. O disco sucede os singles Para Com Essa Parada, Dei Bobeira e É Mole?, músicas que já antecipavam o hábito do grupo de esconder easter eggs nas composições. Gravado no Estúdio Mojo, OPA! teve produção, mixagem e masterização de Matt Nunes e conta com a participação especial da atriz Maitê Padilha na faixa Microplásticos. Pensado como uma narrativa dividida em duas partes, o álbum começa com músicas mais leves e bem-humoradas antes de mergulhar em momentos mais melancólicos, encerrando com Boto Fé, que funciona como uma mensagem otimista. A capa, criada por Rodrigo Doin, também carrega um significado especial ao transformar os integrantes em animais inspirados em suas personalidades e reinterpretar uma obra que fazia parte da infância do baixista Gabriel Barros. Disponível pela Deck, OPA! chega acompanhado da promessa de um videoclipe para cada faixa no canal oficial da banda no YouTube. Ouça o álbum na íntegra abaixo: