Born to Kill traz um lado mais melancólico e intenso do Social Distortion

Quinze anos depois de Hard Times and Nursery Rhymes, o Social Distortion lança amanhã (8) Born To Kill, um álbum que soa como reencontro com a própria essência. Tivemos acesso ao álbum em primeira mão e trazemos aqui as primeiras impressões deste novo trabalho. Mike Ness não tenta modernizar a fórmula ou correr atrás de tendências. Pelo contrário. O disco abraça sem medo tudo aquilo que transformou a banda em referência do punk rock americano: guitarras melódicas, influência rockabilly, letras confessionais e aquela sensação constante de estrada, bares vazios e cicatrizes acumuladas pelo tempo. A faixa-título já deixa claro o tom do trabalho. Born To Kill chega agressiva, direta e com cara de clássico instantâneo da banda. No Way Out mantém a intensidade elevada, enquanto Partners In Crime reforça a mistura entre melodia e sujeira que o Social Distortion domina como poucos. O álbum inteiro passa uma sensação de honestidade rara, principalmente porque não tenta soar maior do que realmente é. Tudo funciona de maneira orgânica, sem exageros na produção ou tentativas artificiais de atualizar a sonoridade. O grande coração emocional do disco aparece em The Way Things Were. A música carrega o mesmo espírito de faixas clássicas como Story of My Life, trazendo Mike Ness revisitando o passado de maneira madura e melancólica. Existe um peso sentimental muito forte na composição, principalmente pela forma como ele canta sobre juventude, memória e transformação sem soar piegas. A interpretação vocal transmite desgaste e experiência, enquanto as guitarras criam uma atmosfera agridoce que encaixa perfeitamente na proposta do álbum. É uma música sobre olhar para trás entendendo que muita coisa mudou, mas sem perder a conexão com quem você foi um dia. Outro momento que chama atenção é a releitura de Wicked Game, clássico eternizado por Chris Isaak. É um cover comum e, confesso, quando vi que não era uma coincidência apenas de nome e sim uma versão, cheguei a torcer o nariz. Mas essa sensação acabou em segundos, pois em vez de apenas reproduzir a versão original, o Social Distortion transforma a faixa em algo completamente compatível com sua identidade. A banda deixa a música mais crua, mais soturna e carregada de tensão emocional. A voz rouca de Mike Ness funciona perfeitamente dentro dessa abordagem, trazendo um ar ainda mais decadente e melancólico para a composição. É o tipo de cover que faz sentido existir porque adiciona personalidade própria, não apenas reverência. Crazy Dreamer, Walk Away (Don’t Look Back) e Never Goin’ Back Again ajudam a manter a fluidez do álbum até o final, sempre alternando momentos mais explosivos com outros mais introspectivos. O mérito de Born To Kill está justamente nessa naturalidade. O disco não tenta reinventar o Social Distortion, mas também não soa cansado. Depois de tanto tempo longe dos estúdios, Mike Ness e companhia entregam um trabalho honesto, intenso e carregado de identidade. E no meio disso tudo, The Way Things Were e Wicked Game acabam funcionando como os grandes pilares emocionais desse retorno.

Entrevista | Draconian – “Tínhamos muita coisa escrita pensando na Lisa, mas ela deixou tudo ainda melhor”

O Draconian retorna ao Brasil no próximo dia 16 de maio para apresentação única no Carioca Club, em São Paulo. O show marca a nova passagem da banda sueca pelo país após a apresentação sold out realizada em 2023 no La Iglesia, casa que acabou combinando perfeitamente com a atmosfera sombria e melancólica construída pelo grupo ao longo de mais de três décadas de carreira. Desta vez, o Draconian desembarca em meio à divulgação de In Somnolent Ruin, oitavo álbum de estúdio que será lançado oficialmente amanhã, 8 de maio, via Napalm Records. A noite ainda contará com abertura da norte-americana Emma Ruth Rundle, conhecida pelo trabalho que mistura dark folk, ambient, post-rock e doom. Formado na Suécia em meados dos anos 1990, o Draconian se consolidou como um dos nomes mais respeitados do gothic/doom metal contemporâneo graças à combinação de riffs lentos, clima depressivo e o contraste entre vocais guturais e femininos etéreos. A banda nunca apostou em excesso de técnica ou velocidade. Seu diferencial sempre esteve na construção de ambiente, algo perceptível desde trabalhos clássicos como Arcane Rain Fell até discos mais recentes como A Rose for the Apocalypse, Sovran e Under a Godless Veil. A formação atual também representa uma reconexão com a essência clássica do grupo, especialmente após o retorno da vocalista Lisa Johansson, novamente dividindo os vocais com Anders Jacobsson. In Somnolent Ruin Ouvimos In Somnolent Ruin e te contamos em primeira mão o que esperar do álbum. O novo trabalho praticamente reafirma tudo aquilo que transformou a banda em referência dentro do gothic doom metal. O álbum mergulha em atmosferas densas, melodias arrastadas e estruturas que alternam delicadeza e brutalidade de maneira extremamente natural. Desde a abertura com “I Welcome Thy Arrow”, o disco transmite uma sensação quase cinematográfica, sustentada por teclados soturnos, guitarras pesadas e o contraste vocal que continua sendo a principal assinatura do grupo. O retorno de Lisa Johansson não funciona apenas como elemento nostálgico. Sua presença recoloca o Draconian em um território emocional que remete diretamente aos discos mais celebrados da carreira. O novo álbum também chama atenção pela produção mais orgânica e menos polida em excesso, algo que reforça ainda mais o peso emocional das composições. Faixas como “The Face of God”, “Cold Heavens” e “Misanthrope River” trabalham sentimentos de isolamento, espiritualidade e desesperança sem soar repetitivas ou previsíveis. O Draconian continua operando dentro da mesma identidade construída nos últimos 30 anos, mas consegue evitar a sensação de estagnação justamente pela maneira como desenvolve dinâmica e atmosfera. Existe um equilíbrio muito forte entre o lado contemplativo e os momentos mais pesados, aproximando o álbum de nomes clássicos como My Dying Bride e Paradise Lost, mas sem perder personalidade própria. Mesmo sem reinventar o estilo, In Somnolent Ruin surge como um dos trabalhos mais consistentes da discografia do Draconian. O disco mantém a essência melancólica da banda, mas adiciona sensação de maturidade e coesão raramente alcançada dentro do doom metal contemporâneo. O resultado é um álbum que não busca hits imediatos ou refrões acessíveis. Pelo contrário: funciona quase como uma experiência contínua de imersão emocional. Em uma cena onde muitas bandas do gênero acabaram se tornando previsíveis, o Draconian ainda consegue transformar tristeza, peso e contemplação em algo genuinamente envolvente. E para trazer ainda mais detalhes sobre o novo álbum e o show no Brasil, o Blog N’ Roll conversou com Anders Jacobsson que falou sobre o retorno de Lisa, a expectativa de retorno ao Brasil e qual seria o local perfeito para os humanos habitarem. Como surgiu o processo criativo de In Somnolent Ruin? O ponto de partida foi “Misanthrope River”, que originalmente tinha sido escrita para Under a Godless Veil, mas não se encaixava naquele álbum. O Johan sentiu isso na época, e ele estava certo. Então decidimos guardar a música para o próximo disco. Só que demorou muito até realmente chegarmos ao momento de fazer esse álbum acontecer. O verdadeiro começo veio em 2022, quando a banda começou a encontrar estabilidade novamente. Havia muita incerteza. A pandemia tinha mudado tudo, algumas pessoas tinham prioridades diferentes e nós nunca tivemos a chance de promover Under a Godless Veil adequadamente porque a turnê foi adiada várias vezes. Então foi um período muito turbulento emocionalmente. E como foi a troca de formação com a saída da Heike e o retorno da Lisa? Tudo o que queríamos era manter o Draconian funcionando. Quando sentimos que as coisas começaram a se estabilizar e que o retorno da Lisa Johansson faria sentido, o processo criativo realmente começou. No início ela voltaria apenas para os shows ao vivo, mas acabou acontecendo naturalmente. A própria Heike Langhans sentiu que fazia sentido a Lisa retornar. Ela queria focar mais nos outros projetos dela e apoiou muito esse álbum. É muito difícil escrever músicas quando a banda está emocionalmente instável. Então o processo só avançou quando sentimos que o caos estava diminuindo. Mesmo assim demorou anos. Houve procrastinação, atrasos e várias mudanças até chegarmos ao resultado final. E o que mudou no processo criativo de vocês ao longo desses anos? Hoje o Draconian funciona de maneira muito diferente dos primeiros anos. Antigamente ensaiávamos juntos antes de gravar. Agora trocamos demos e arquivos à distância. O Johan me envia ideias, eu escrevo letras, devolvo para ele e assim seguimos trabalhando. Bem, o Johan tinha ideias para cerca de 20 músicas, então tivemos que sentar e decidir quais realmente fariam sentido dentro do álbum, não apenas musicalmente, mas também conceitualmente. Isso só aconteceu no ano passado. E o processo continuou mudando até os últimos dias. Eu ainda alterava coisas no mesmo dia em que terminei meus vocais. Muitas ideias nasceram já dentro do estúdio. A dinâmica vocal mudou com o retorno da Lisa Johansson ou foi como retornar aos velhos tempos? Sim e não. Acho que algumas partes já foram escritas pensando nela, porque a Lisa possui uma extensão vocal diferente da Heike. Isso naturalmente cria outras possibilidades dentro das músicas. Mas a principal diferença desta vez foi

A Flock of Seagulls anuncia show pela primeira vez no Brasil

A Flock of Seagulls, um dos nomes mais emblemáticos da new wave britânica, fará show único no Brasil no dia 7 de outubro, no Cine Joia, em São Paulo. A apresentação, realizada pela Maraty, marca a estreia da banda no país e reforça o legado do grupo liderado por Mike Score, figura central na consolidação de uma sonoridade que ajudou a expandir o synthpop e a estética audiovisual na virada dos anos 1980. Formada em Liverpool no início da década de 1980, a banda surgiu em um contexto de transformação do pop britânico, impulsionado pelo uso de sintetizadores, guitarras com ambiência espacial e forte identidade visual. A formação clássica, com Mike Score, Ali Score, Frank Maudsley e Paul Reynolds, construiu uma assinatura sonora marcada por linhas de sintetizador, baixo pulsante e guitarras com eco e tensão melódica, elementos que rapidamente tornaram o grupo reconhecível. O impacto veio com o álbum de estreia, lançado em 1982, que apresentou ao público faixas como “I Ran (So Far Away)” e “Space Age Love Song”, impulsionadas pela forte rotação na MTV e pela expansão da chamada segunda invasão britânica nos Estados Unidos. A banda também conquistou reconhecimento crítico com “D.N.A.”, que rendeu o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Rock em 1983 e evidenciou uma faceta mais experimental dentro de seu repertório. Ao longo das décadas, o grupo passou por mudanças de formação, mas seguiu ativo sob o comando de Mike Score, revisitando seu catálogo em projetos orquestrais e mantendo a produção autoral. O ciclo mais recente inclui o álbum Some Dreams, lançado em 2024, primeiro trabalho de inéditas desde os anos 1990, que reafirma a identidade construída entre sintetizadores e guitarras, ao mesmo tempo em que atualiza a proposta sonora da banda para um novo contexto. ServiçoShow: A Flock of SeagullsData: 7 de outubro de 2026Local: Cine Joia, São PauloIngressos: fastix.com.br/events/a-flock-of-seagulls-em-sao-paulo

Entrevista | Balance and Composure – “Somos uma banda de rock emocional, nunca nos preocupamos com rótulos”

O Balance and Composure se apresenta no próximo dia 16 de maio, em São Paulo, no Cine Joia, marcando a aguardada estreia da banda no Brasil. A passagem pela capital paulista integra uma turnê pela América Latina que também inclui datas no México, Colômbia, Chile e Argentina. O evento ganhou uma alteração importante na programação após pedidos dos fãs, já que acontece no mesmo dia do show do Korn no Allianz Parque. Com isso, a casa abre às 13h e o show do Balance and Composure foi antecipado para acontecer das 17h às 18h30, permitindo que o público consiga acompanhar ambas as apresentações. Formado em 2007, na Pensilvânia, o Balance and Composure construiu uma trajetória sólida dentro do emo e do post-hardcore, equilibrando peso e melodia em uma discografia que inclui álbuns como Separation e The Things We Think We’re Missing. Após um hiato, a banda retomou as atividades e lançou em 2024 o elogiado álbum With You in Spirit, o primeiro em oito anos, com produção de Will Yip e letras marcadas por reflexões pessoais sobre família, perdas e amadurecimento. O último trabalho reforça a identidade do grupo ao mesmo tempo em que aponta novos caminhos sonoros. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Jon Simmons falou sobre a expectativa para o primeiro show no Brasil, o retorno após anos de pausa e o momento atual da banda. Simmons demonstra entusiasmo ao falar sobre a estreia no país e o contato com os fãs sul-americanos, destacando a energia do público e a longa espera por esse momento. Ao mesmo tempo, ele revisita o passado da banda, apontando o desgaste emocional como principal fator para o hiato, além de refletir sobre a forma como o grupo sempre se manteve distante das pressões da indústria. Por fim, o músico comenta o processo criativo do novo álbum e a fase atual e dá sua opinião sobre quem seria o Big 4 da cena Emo. Como você vê a expectativa para o primeiro show no Brasil? Ouvi dizer que é insano, que os fãs brasileiros são muito energéticos e cheios de amor. Todo mundo que já tocou aí falou que é algo muito especial. Estou muito animado para viver isso. É algo que sempre quisemos fazer e agora finalmente vamos conseguir. A gente sempre tenta levar energia, mas acho que dessa vez vai ter um pouco mais, justamente pela empolgação de estar na América do Sul pela primeira vez. É algo que esperamos há muito tempo. Chegaram a conversar com outras bandas sobre a experiência deles por aqui? Sim, já ouvi de outras bandas que são alguns dos melhores shows que eles já fizeram. Conversei recentemente com o pessoal do Touché Amoré e eles disseram que foi algo de outro mundo. Além disso, os brasileiros comentam nas nossas redes pedindo para irmos ao país desde o começo da banda. O show foi antecipado por conta do Korn e foi a pedido dos fãs que vão fazer um esforço e ver as duas apresentações no mesmo dia. Como vocês reagiram a isso? A gente nem sabia que o Korn ia tocar no mesmo dia, foi coincidência. Mas achei muito legal conseguirmos ajustar o horário para que as pessoas consigam ver os dois shows. Isso é incrível. Os últimos shows de vocês têm sido bem curtos com oito ou nove músicas. O que o público pode esperar do setlist por aqui? Vai ser mais longo do que isso. Como somos headliner, vamos nos divertir mais com o setlist. Vamos tocar bastante coisa antiga e um pouco do novo, mas queremos focar nos clássicos, já que o Brasil nunca teve essa experiência ao vivo. Existe alguma surpresa no setlist ou algo diferente que vocês estão preparando? Sim, estamos pensando em incluir algumas músicas do Separation e também de The Things We Think We’re Missing. Ainda estamos debatendo, mas com certeza teremos algumas surpresas. Vocês olham o Spotify, buscam alguns dados ou decidem vocês mesmos? A gente discute bastante, às vezes até briga por conta disso (risos). Também olhamos os dados de streaming em cada país, mas ao mesmo tempo queremos tocar músicas que gostamos e que já funcionam bem ao vivo. A queda da cena emo e da cena alternativa influenciou o fim da banda ou houve outros fatores? Foi algo mais profundo. Estávamos muito cansados de ficar em turnê, gravar disco e repetir esse ciclo por anos. Isso desgasta muito. Também foi um momento em que cada um precisava cuidar da própria vida e construir suas famílias. Vocês sentiram que já trilhavam um caminho contra a indústria, por conta de investir em uma cena que estava em queda? Sempre. Nunca pensamos muito na indústria. Queremos fazer música para nós mesmos. Se as pessoas gostam, ótimo, mas isso não guia nossas decisões. Como vocês enxergam hoje aquela fase da cena emo? Existe algum show daquela época que marcou vocês? É algo muito bonito de relembrar. Foi um período muito especial nas nossas vidas. Temos ótimas memórias dessa época. O show de lançamento do Floral Green foi incrível. Mais recentemente, tocar no Red Rocks com Turnover e Tigers Jaw foi um momento muito especial. Ver tantas pessoas tantos anos depois foi emocionante. Houve bandas com quem vocês tocaram que eram ídolos? Sim, Manchester Orchestra foi uma delas, foi um sonho realizado. Também fizemos várias turnês com Circa Survive, que era outra banda muito importante para nós. A pandemia teve influência no retorno da banda? Hoje a banda funciona com outra mentalidade? Com certeza. Foi um período de muita reflexão. Ficamos isolados e isso fez a gente sentir falta de criar, de tocar e de estar juntos. Mas, foi algo natural. A gente começou a sentir falta de tocar e de criar juntos durante esse período de isolamento. Agora temos integrantes em regiões diferentes dos Estados Unidos, então trocamos ideias por mensagem e e-mail. Isso mudou o processo, mas também deu mais tempo para desenvolver as ideias. Qual era o estado emocional durante a criação do

Aléxia lança Garra e resgata a energia da MTV dos anos 2000

A cantora e compositora Aléxia dá um passo decisivo na carreira com o lançamento de Garra, seu primeiro álbum de estúdio. Disponível nas plataformas de streaming, o disco reúne 14 faixas e consolida a identidade que ela define como heavy pop, uma fusão entre o peso do rock e do metal e o apelo melódico do pop. O trabalho ganha ainda mais força com o show de lançamento marcado para este domingo, 3 de maio, no Manifesto Bar, com participações de Debrix, Flor Et, Horney e Mi Vieira. Mais do que uma estreia, Garra funciona como um manifesto pessoal. O álbum mergulha em temas como saúde mental, luto e reconstrução, transformando experiências difíceis em narrativa musical. A metáfora da “garra” que fere, mas também fortalece, sintetiza esse processo. Em entrevista recente ao Blog N’ Roll antes de sair em turnê com o The Calling, a artista reforça essa abordagem íntima ao falar sobre sua composição como um reflexo direto do que vive. “Gosto muito de escrever sobre coisas que eu realmente vivo”, afirma, destacando a música como uma espécie de terapia e ferramenta de expressão emocional. O repertório evidencia essa carga em faixas como “Fevereiro”, que aborda o luto sem simplificações, e “Letra e Música”, onde expõe vulnerabilidades ligadas ao amor. Já o single “Seja Você” antecipa o tom do disco ao discutir identidade e pertencimento. A própria definição de heavy pop também nasce dessa mistura de referências. “Se você gosta de pop, vai curtir; se gosta de rock alternativo, também”, resume a cantora ao explicar sua sonoridade híbrida. A produção do álbum marca um avanço na carreira, com um trabalho mais coeso e alinhado à energia ao vivo da artista. Essa evolução dialoga com o momento atual, em que Aléxia acumula experiência de estrada e amadurecimento artístico. A participação na turnê do The Calling, por exemplo, foi um divisor de águas. “É uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam”, destacou a cantora sobre a experiência de dividir palco e aprender com uma estrutura maior. Com cerca de quatro anos de trajetória e mais de 400 shows realizados, Aléxia chega ao lançamento de Garra respaldada por vivência e construção consistente dentro da cena. A artista já dividiu espaço com nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, consolidando um percurso que agora ganha forma definitiva no álbum de estreia. Garra sintetiza essa caminhada e aponta para um momento de afirmação, em que dor, identidade e potência sonora se encontram em equilíbrio.

Entrevista | Rancore – “Brio representa o que manteve a banda viva por 25 anos”

Após tocar Brio ao vivo ano passado no Bar Alto para fãs selecionados, o novo trabalho do Rancore chega pelo selo Balaclava como um dos lançamentos mais densos e significativos da carreira da banda. Longe de soar como um simples retorno, o disco assume o papel de reinvenção, equilibrando a urgência do hardcore com uma abordagem mais ampla e madura. Há um senso de continuidade, mas também de ruptura. Seria muito fácil a banda se apoiar nos sucessos do passado, mas o novo trabalho se mostra mais focado em redefinir o próprio caminho após anos de hiato, afinal são 15 anos desde Seiva. A sonoridade pós punk dos anos 80 é a grande tônica do alto, que passa também por influências do punk nacional 77 e até música eletrônica e hinos xamânicos. A sonoridade e diversidade acompanha essa transformação. “Brio” expande o alcance do Rancore no mundo do hardcore com camadas melódicas e atmosferas mais elaboradas, criando um álbum que transita entre a agressividade e momentos mais introspectivos. Há um cuidado evidente na construção dos arranjos e na dinâmica das músicas, reforçando a ideia de maturidade artística. Essa nova fase também passa pela produção de Daniel Pampuri, nome que esteve envolvido em trabalhos de peso como o álbum Cowboy Carter, de Beyoncé, o que ajuda a dimensionar o salto técnico e estético presente no disco. Esse direcionamento já vinha sendo sinalizado pela banda em apresentações recentes. A conexão com o público segue como elemento central, mas agora ancorada em um repertório novo que sustenta essa intensidade ao vivo. Não se trata de revisitar o passado, mas de construir um novo capítulo com base em tudo o que a banda representa dentro do hardcore nacional. Em entrevista após participação no festival Arena Hardcore em São Paulo no mês passado, Teco Martins detalhou o processo de construção do disco, começando pela escolha do nome. “Até os 45 do segundo tempo, o álbum ia se chamar ‘Sexo Selvagem’, que é uma música do disco”. Mas havia um incômodo interno, pelo risco de fechar portas ou gerar censura”, contou. A virada veio a partir de uma sugestão próxima ao círculo da banda. “Quando surgiu ‘Brio’, fez sentido na hora. É uma palavra forte, pouco comum, e representa o que a gente mais precisou para manter o Rancore vivo por 25 anos. Nomear tem força, tem peso, e todo mundo comprou a ideia.”, confessa o vocalista” A incerteza sobre o futuro também aparece de forma transparente. “A vida do artista é cheia de altos e baixos. Às vezes dá vontade de largar tudo, é intenso demais. Mas quando a gente faz um show assim, recarrega e faz valer a pena”, afirmou. Sem promessas, o foco está no presente. “A gente voltou, fez um álbum, está construindo essa turnê. Não sabemos até quando vai, então é aproveitar agora.” Ainda assim, a entrega permanece inegociável. “Um show do Rancore não dá para fazer pela metade.” O lançamento de “Brio” está chegando e sei que não foi fácil escolher o nome e ele quase foi nomeado como Sexo Selvagem. Como foi esse processo até chegar ao resultado final? Teco Martins – Até os 45 do segundo tempo, o disco ia se chamar “Sexo Selvagem”, que é uma música do álbum. Mas tinha um integrante que se incomodava com esse nome, achava que poderia fechar portas, gerar censura. Aí o Gabriel, que era fã e hoje é um dos meus melhores amigos e trabalha com a banda, sugeriu “Brio”, que é uma das primeiras palavras da primeira música do disco. Na hora fez sentido. É uma palavra forte, não tão comum, e representa o que a gente mais precisou para manter o Rancore vivo por 25 anos. Nomear algo tem força, tem peso. Quando surgiu, todo mundo concordou e hoje estamos muito felizes. Vocês deixaram uma mensagem enigmática nas redes sociais sobre o futuro da banda. O público ficou preocupado. Como você vê esse momento? Teco Martins – Não dá para saber, cara. Manter uma banda é muito intenso, inconstante, desafiador. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir mais para o meio do mato ainda. Mas quando a gente faz um show como o de hoje, é um respiro, vale a pena. A gente recarrega. A vida do artista é cheia de altos e baixos. Então, sinceramente, não sei até quando isso vai durar. Pode durar bastante, mas também pode não durar. Por isso, aproveitem. A banda voltou, fez um álbum, está em turnê. Nosso foco agora é trabalhar esse disco. O que vem depois é um mistério. É possível que dure muito, mas é improvável. Alexandre Nunes – A gente já ouviu que deveria compor mais, então as coisas estão acontecendo. Estamos construindo essa fase desde que voltamos, ainda é recente. O primeiro passo é trabalhar “Brio”, fazer essa turnê acontecer. Depois a gente vê. Estamos abertos, mas sem garantias. Há uma percepção muito forte de conexão com o público, quase como algo espiritual. Você sente isso também? Teco Martins – Eu não iria pela parte espiritual de igreja ou discípulos. A gente não quer isso. Queremos uma troca sincera. No hardcore é tudo muito real, te pega pela alma. Quando subimos no palco, estamos dispostos a tudo, não dá para fazer um show do Rancore pela metade. É muito intenso. Eu acredito sim em uma experiência transcendental. A música é só a ponta do iceberg, tem muita coisa ali que vem do coração.

Havok volta ao Brasil em julho no Dia Mundial do Rock

A banda norte-americana Havok confirmou seu retorno à América Latina em julho, reacendendo a expectativa dos fãs de thrash metal. No Brasil, o show está marcado para 13 de julho, no especial do Dia Mundial do Rock do Manifesto Rock Bar, em São Paulo. A turnê irá passar também por México, El Salvador, Guatemala, Uruguai, Argentina e Chile, consolidando a forte relação do grupo com o público latino-americano. Reconhecido como um dos principais nomes do thrash metal moderno, o Havok construiu sua reputação a partir de uma sonoridade que combina velocidade, agressividade e precisão técnica. Os shows da banda são conhecidos pela alta intensidade, riffs agressivos e pela atmosfera explosiva, com mosh pits que transformam cada apresentação em uma experiência visceral para o público. A nova turnê chega cercada de expectativa justamente por esse histórico de performances energéticas e pela forte recepção que o grupo sempre teve em solo latino-americano. Conheça o Havok Formado em 2004, em Denver, nos Estados Unidos, o grupo é liderado pelo vocalista e guitarrista David Sanchez e se destacou na nova geração do thrash ao lado de nomes que ajudaram a revitalizar o gênero no século 21. Álbuns como Burn, Time Is Up, Unnatural Selection e V consolidaram a identidade da banda, fortemente influenciada pela escola clássica do thrash metal, mas com personalidade própria, marcada por riffs velozes, letras afiadas e uma abordagem contemporânea. A passagem do Havok pelo Brasil reforça a relevância do país no circuito internacional do metal, especialmente dentro do thrash, gênero que segue mobilizando uma base fiel e apaixonada de fãs. A expectativa é de casa cheia em São Paulo, em uma noite que deve reunir clássicos da carreira e faixas mais recentes, mantendo o peso e a adrenalina que transformaram a banda em uma das maiores forças do estilo na atualidade. Serviço Segunda, 13 de Julho de 2026 – Abertura: 20:00 Manifesto Rock Bar – Rua Ramos Batista, 207 – Vila Olímpia – São Paulo, SP Classificação: +16 Ingressos: Clube do Ingresso

Entrevista | Venom – “Temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito satisfeitos”

O Venom retorna com força total em seu novo álbum, “Into Oblivion”, que será lançado nesta sexta (01/05). O trabalho amplia os limites da fase recente da banda sem abrir mão da essência que a transformou em referência do metal extremo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o baterista Dante destacou que o disco apresenta uma sonoridade mais diversa, com experimentações que passam por atmosferas densas, elementos próximos do progressivo e momentos de forte identidade clássica. Mantendo o som cru e sombrio que consolidou sua trajetória, a banda liderada por Cronos aposta agora em uma produção mais refinada, sem perder a “sujeira” característica do Venom. Dante também relembrou sua entrada em 2009, quando fez sua primeira turnê justamente pela América do Sul, encerrando a passagem em São Paulo, experiência que ele definiu como decisiva para entender a dimensão histórica do grupo e a paixão do público brasileiro. Into Oblivion | Expansão sem perder a essência Segundo Dante, o novo trabalho mostra uma banda disposta a experimentar mais do que nos discos anteriores. O baterista destacou que houve maior liberdade para explorar texturas, ambiências e diferentes estilos dentro do próprio universo do Venom, sem romper com a identidade clássica que os fãs reconhecem imediatamente. Faixas como “As Above So Below” e “Unholy Mother” foram citadas como exemplos desse novo momento, enquanto músicas como “Kicked Out of Hell”, “Death the Leveler” e “Lay Down Your Souls” carregam o DNA mais direto e agressivo do grupo. O impacto da estreia na turnê América do Sul Ao lembrar de sua chegada ao Venom, Dante apontou a primeira turnê sul-americana em 2009 como um divisor de águas. Foi nesse momento, ao testemunhar a reação intensa do público brasileiro, que ele percebeu a dimensão histórica da banda e o tamanho de sua responsabilidade dentro do grupo. Como você compara o novo álbum com os trabalhos mais recentes do Venom? Acho que, falando dos álbuns em que eu toquei, este é o quarto agora, obviamente, para mim é o melhor. E não estou dizendo isso só porque é o nosso disco novo, porque todo mundo costuma falar isso quando está lançando um álbum, mas eu realmente amo esse trabalho. Sinto que todos nós expandimos um pouco os limites, tanto na forma de tocar quanto na composição. Acho que estamos tocando em outros estilos também, há um pouco de progressivo em algumas músicas, especialmente em faixas como “As Above So Below”, que é muito diferente e bastante atmosférica. Em “Unholy Mother”, por exemplo, o início parece um teclado, mas não é, são vozes com reverbs e delays. Experimentamos muito mais neste álbum do que nos anteriores. No fim, temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito, muito satisfeitos. Você citou experimentação, né? Existe alguma música em que você sente que conseguiu expandir mais seus limites? Existem algumas, porque o álbum é muito diverso. Há faixas com uma pegada mais tribal, outras com um clima galopante, e também aquelas músicas mais clássicas do Venom, bem na cara, como “Death the Leveler”, “Kicked Out of Hell” e “Lay Down Your Souls”. Mas, para mim, a minha favorita é “As Above So Below”, justamente porque ela é muito diversa. Além disso, neste álbum foi a primeira vez que eu e Rage cantamos em músicas do Venom. Estamos fazendo backing vocals e até alguns gang chants. Nessa faixa em específico, estamos cantando em latim, então há muita coisa diferente acontecendo. Sabemos que os fãs de metal são muito exigentes e apaixonados. Como vocês trabalharam o equilíbrio entre manter a essência clássica do Venom e trabalhar as experimentações? Ah, ainda tem muito daquela vibe old school, sem dúvida. Acho que o lado atual vem mais pela produção, que hoje é um pouco mais refinada, mas sem perder aquela sujeira. Se você voltar aos primeiros álbuns, a produção era muito primitiva, porque era o que se tinha na época. Hoje temos recursos como Pro Tools e trabalhamos bastante para acertar o som. Mesmo assim, não superproduzimos nada, porque queremos manter esse som cru e sujo, que é a marca do Venom. E tem outra coisa: quando o Cronos abre a boca, você sabe imediatamente que é Venom. Como foi entrar em uma banda com um legado tão forte? Foi incrível. Aquilo foi em 2009, mais ou menos nessa época do ano, em maio. Fui chamado para uma audição, passei, começamos a ensaiar e eu tive que aprender o repertório rapidamente porque já havia uma turnê pela América do Sul marcada para o fim daquele ano. Meus primeiros shows foram justamente aí, perto de você. Fizemos México, Colômbia, Chile, Argentina e terminamos em São Paulo, o que foi imenso. Claro que eu já conhecia o nome Venom, quem não conhece? Mas acho que eu ainda não tinha entendido a magnitude colossal do status da banda, especialmente na América do Sul. Os fãs daí são os mais apaixonados do mundo, sem dúvida. Nota da Redação: O show do Venom foi, na verdade, no Victoria Hall em São Caetano no dia 12 de dezembro de 2009. A apresentação de Dante em São Paulo foi como baterista da banda de Tony Martin no dia 06 de setembro na casa Blackmore Rock Bar. Há alguma lembrança que tenha te marcado especialmente? Acho que toda vez que vamos ao Brasil é uma experiência incrível. Os fãs são sempre muito barulhentos, muito apaixonados, é algo realmente especial. Já toquei no Brasil antes mesmo de entrar no Venom, em lugares como Rio e Brasília, mas vir com o Venom foi algo imenso. Em que momento você sentiu que se tornou parte da história do Venom? Acho que foi já nessa primeira turnê. Ver a reação dos fãs e perceber o quanto a banda significa para as pessoas foi algo muito marcante. Lembro de um show em que o promotor organizou concursos em revistas de rock para que alguns fãs ganhassem equipamentos assinados, álbuns e camisetas. Encontrar essas pessoas e ver algumas delas quase em lágrimas por estarem na mesma sala com

Six Feet Under anuncia turnê inédita no Brasil em 2026 com shows em quatro capitais

A veterana banda norte-americana Six Feet Under confirmou uma turnê inédita pelo Brasil entre os meses de outubro e novembro de 2026. A série de apresentações, promovida pelas produtoras Venus Concerts e Caveira Velha, marca o retorno do grupo ao circuito internacional em um momento de intensa atividade criativa. Liderado por Chris Barnes, ex-vocalista do Cannibal Corpse, o grupo passará por quatro capitais brasileiras: Belo Horizonte, Recife, São Paulo e Curitiba. A turnê começa no dia 30 de outubro, em Belo Horizonte, no Mister Rock. No dia seguinte, a banda sobe ao palco do Lounge Music, na região metropolitana do Recife. Já em novembro, o roteiro segue para o tradicional Hangar 110, em São Paulo, no dia 1º, e se encerra em Curitiba, no Tork N’ Roll, em 2 de novembro. Os ingressos estão à venda pela plataforma 101 Tickets. A passagem pelo país acontece logo após o lançamento de Next to Die, trabalho mais recente do Six Feet Under, lançado pela Metal Blade Records. O disco sucede Killing for Revenge, de 2024, e reforça a fase atual da banda, marcada pela parceria entre Barnes e o guitarrista Jack Owen, outro nome histórico do death metal norte-americano e também ex-integrante do Cannibal Corpse. A dupla carrega uma conexão direta com a formação da cena extrema da Flórida, considerada um dos principais polos do gênero nos anos 1990. Fundado em 1993, em Tampa, o Six Feet Under nasceu inicialmente como projeto paralelo de Barnes durante seus últimos anos no Cannibal Corpse. Pouco depois, tornou-se sua principal banda e apresentou uma abordagem mais cadenciada e pesada do death metal, baseada em riffs graves, groove e impacto direto. Álbuns como Haunted, Warpath e Maximum Violence ajudaram a consolidar a identidade do grupo, que construiu uma discografia extensa ao longo de mais de três décadas. A formação atual reúne Barnes nos vocais, Jack Owen e Ray Suhy nas guitarras, Jeff Hughell no baixo e Marco Pitruzzella na bateria. No palco, a expectativa é por um repertório que combine clássicos da carreira com músicas dos discos mais recentes, mantendo a sonoridade densa e agressiva que transformou a banda em uma referência do death metal. A abertura dos shows no Brasil ficará por conta da banda paulista Chaos Synopsis, de São José dos Campos. Na ativa desde 2005, o grupo vem se consolidando como um dos nomes mais consistentes do metal extremo nacional, com passagens por festivais importantes, incluindo o Bangers Open Air. Com duas décadas de estrada, o Chaos Synopsis leva ao público uma sonoridade que mistura death e thrash metal, reforçando o peso da noite para os fãs do gênero. ServiçoBelo Horizonte30 de outubro de 2026, sexta-feiraMister Rock Recife31 de outubro de 2026, sábadoLounge Music São Paulo1º de novembro de 2026, domingoHangar 110 Curitiba2 de novembro de 2026, segunda-feira (feriado)Tork N’ Roll