Megadeth fecha o ciclo de sua discografia e inclui música do Metallica

Megadeth fecha o ciclo de sua discografia e inclui música do Metallica

O último álbum do Megadeth deixa uma sensação ambígua. Há momentos em que Dave Mustaine e companhia soam afiados, conscientes do próprio legado e tecnicamente seguros. Em outros, a banda parece confortável demais em repetir fórmulas que ajudou a criar, mas que já não surpreendem como antes. O disco funciona mais como um fechamento de ciclo do que como uma obra disposta a ampliar fronteiras. A turnê de despedida passará pelo Brasil dia 2 de maio com ingressos esgotados.

As faixas mais rápidas reforçam a identidade clássica do grupo, com riffs cortantes e andamento agressivo que remetem ao thrash metal tradicional. A atual formação mostra entrosamento, especialmente nas guitarras. Os fãs estavam curiosos após a saída de Kiko Loureiro, porém Teemu Mäntysaari, indicado pelo próprio brasileiro, ajuda a sustentar boa parte da energia do álbum. Ainda assim, a inspiração não se mantém constante. Em alguns momentos, as músicas soam previsíveis, com estruturas e soluções que dão a impressão de piloto automático ou de quem não preferiu arriscar.

Polêmico “cover” do Metallica

Curiosamente, o momento mais comentado do disco não está nas faixas autorais. O “cover” de Ride the Lightning, do Metallica, acabou se tornando o centro das atenções por motivos que vão além da música. Por conta da rivalidade histórica entre as duas bandas, fãs do Metallica passaram a ocupar fóruns e redes sociais para atacar a versão, classificando a gravação como vergonhosa, desnecessária e até desrespeitosa.

A reação escancara como a relação entre Megadeth e Metallica segue viva no imaginário do metal, mesmo décadas depois da separação de Mustaine. O que poderia ser visto como um aceno ao passado virou combustível para debates inflamados, com críticas direcionadas à interpretação vocal, à produção e à própria escolha da faixa.

Em entrevistas recentes, Mustaine afirmou que a música não é um cover, já que ele é co-autor, e rasgou elogios a James Hetfield como um guitarrista fantástico. Ele reforça ainda que gostaria de uma turnê unindo as duas bandas e selando a paz.

No fim, o álbum entrega exatamente o que se espera de um Megadeth em fim de estrada: competência, identidade e peso, mas também limitações criativas evidentes. Não é um encerramento grandioso, tampouco um tropeço. É um disco que resume a banda como ela sempre foi, com seus méritos e suas repetições. Tem força suficiente para agradar fãs antigos, mas dificilmente será lembrado como um capítulo essencial da discografia.