Poppy consolida fase pesada no novo álbum Empty Hands

Poppy consolida fase pesada no novo álbum Empty Hands

Poppy chega ao seu novo álbum, Empty Hands, no momento mais sólido de sua trajetória. Depois de transitar por pop, experimentalismo e diferentes abordagens do rock pesado, a artista finalmente parece ter encontrado seu verdadeiro som.

A cantora, que se apresentou recentemente no Brasil tanto solo quanto como abertura para o Linkin Park, apresenta uma fusão consistente de metalcore com metal moderno, sustentada por riffs pesados, produção densa e vocais que alternam com naturalidade entre melodias acessíveis e screams agressivos. É um disco que soa seguro, confiante e alinhado com a identidade que Poppy vinha construindo nos últimos lançamentos.

Empty Hands reforça essa evolução ao apostar em uma sonoridade direta, menos fragmentada e mais coesa. As músicas caminham entre explosões agressivas e momentos de respiro melódico sem perder intensidade, mostrando uma artista confortável dentro do peso. A produção ajuda a dar unidade ao álbum, valorizando tanto a força das guitarras quanto a performance vocal, que segue sendo um dos grandes diferenciais do trabalho. Poppy não apenas canta, ela conduz o disco com personalidade e controle emocional.

Ainda assim, o álbum não escapa de algumas limitações. Em determinados momentos, a estrutura das músicas se apoia em fórmulas já bastante conhecidas do metalcore atual, o que pode gerar uma sensação de previsibilidade. O peso é eficiente, os refrães funcionam, mas nem sempre há espaço para riscos maiores ou surpresas que levem o disco além do que já se espera do gênero. A produção polida demais em alguns trechos também tira parte da aspereza que poderia tornar certas faixas mais marcantes.

Mesmo com essas ressalvas, Empty Hands cumpre um papel decisivo na discografia de Poppy. O álbum não busca reinventar o metal moderno, mas confirma que a artista encontrou um território onde sua voz, sua estética e sua intensidade emocional fazem sentido. Mais do que chocar ou dividir por contraste de estilos, Poppy entrega um trabalho que consolida sua fase mais pesada e estabelece, de vez, sua identidade dentro do metal contemporâneo.