A banda 365 construiu uma trajetória sólida dentro do punk e rock nacional desde sua formação nos anos 80, marcada por uma relação direta com a cidade de São Paulo. Lançada originalmente em 1987, no álbum de estreia do grupo, a música São Paulo atravessou décadas e foi eleita como a canção que melhor representa a capital paulista, tornando-se um hino informal da cidade. A faixa sintetiza o cotidiano, as contradições e o afeto de quem cresceu e vive na metrópole, ajudando a consolidar o 365 como uma banda de estrada, ativa e em constante diálogo com seu público ao longo de mais de 40 anos de carreira.
Hoje, a canção ganhou uma nova roupagem em um relançamento especial com a participação de Dinho Ouro Preto, celebrando os 472 anos da cidade. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Miro de Melo, fundador da banda, fala sobre o relançamento de São Paulo como homenagem à capital, a longevidade do 365 no cenário do rock brasileiro e a forte ligação da banda com Santos e a efervescência cultural dos anos 80, período que marcou a consolidação do grupo e de toda uma geração do rock nacional.
A música São Paulo foi eleita o hino informal da cidade e agora está sendo relançada com uma nova versão com outra lenda do rock. Fale um pouco sobre esse lançamento.
Ela foi lançada em 87, no primeiro disco do 365, e se tornou um clássico. É uma das três maiores músicas em homenagem a São Paulo. Uma vez a gente ganhou na Kiss FM em primeiro lugar com essa música e, recentemente, mais ou menos em julho, a gente começou a gravar com a participação do Dinho Ouro Preto. É uma homenagem à cidade de São Paulo, aos 472 anos, uma homenagem do 365 para a cidade onde a gente cresceu, vive, ri, chora, mas ama.
Muitas bandas dos anos 80 acabaram ficando alheias ao tempo. Como você vê a nova geração em relação à história do rock nacional dessa época?
O 365 está fazendo quatro décadas e mais dois anos, 42 anos. A gente sempre foi uma banda de estrada e continua sendo. Viemos de bairros distantes e, naquele boom do rock dos anos 80, a gente tinha uma música boa e um repertório legal. A gente nunca parou, porque ama fazer isso, ama fazer rock and roll. Muitas bandas regravaram nossas músicas, como os Inocentes. A gente continuou na estrada e, a cada dia, se reinventa com a própria música e com a própria história.
Você tem uma relação forte com Santos. Como foi essa fase da banda por aqui?
Foi um auge da carreira. Antes do disco, tocamos no Heavy Metal e depois conhecemos o empresário do Legião, o Rafael Borges, que fazia shows no Caiçara. Ele é um grande manager do rock and roll. A gente veio para Santos, lotou o Caiçara, estava em turnê do primeiro disco. Foi muito bacana. Cada vez que a gente vem para cá é maravilhoso.
Como você descreve a Santos nos anos 80?
Fervia rock and roll. Estava tudo novo, bandas novas, surgimento de muitas bandas do Sul, de Brasília, nós em São Paulo, Ira, 365, Inocentes. Acho que tudo isso está sendo resgatado. Claro que o novo tem que vir, a gente precisa reciclar, mas estamos de passagem fazendo música e amando fazer rock and roll.
Para encerrar, alguma história de bastidores marcante aqui em Santos?
Com o primeiro disco, tinha o disco single, com duas faixas, uma de cada lado, a gente chegou no Caiçara e lotou. A gente pensou: “é isso mesmo?” Tinha lambe-lambe na cidade inteira, era isso que estava acontecendo com a gente. A gente tinha uma banda para tocar, qualquer palco era palco. De repente, estava estourado, com toda a receptividade da época, e de lá para cá estamos aí, há 42 anos.